Sínodo entra na fase do debate e das propostas
Os participantes avaliarão o Informe do Relator
Por Kris Dmytrenko
CIDADE DO VATICANO,
-Os participantes no Sínodo Mundial de Bispos sobre a Palavra

O relator geral do Sínodo apresentou na quarta-feira passada a relatio pos disceptationem, uma síntese das cerca de 230 apresentações de 5 minutos cada uma, realizadas pelos padres sinodais, os auditores e os delegados fraternos.
O texto do arcebispo de Québec, de 40 páginas de extensão, incluía 19 perguntas para guiar a discussão dos bispos e auditores nos circuli minores (12 pequenos grupos divididos por idiomas). Nesta semana, tanto nestes pequenos grupos como nas horas de livre discussão, os membros do Sínodo começarão a responder a estas perguntas, assim como a comentar o próprio informe.
«Trata-se de um informe exaustivo e iluminador», afirmou o cardeal Francis George, presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos. O arcebispo de Chicago explicou à ZENIT que ele estava feliz por continuar a discussão no Angelicus B, o grupo lingüístico do qual foi eleito moderador.
«Isso nos dará a oportunidade de aprender mais sobre o ponto de vista do cardeal – acrescentou. E também nos dará uma oportunidade de falar das carências.»
Concretamente, o cardeal George disse que sentia falta de uma referência «da misericórdia de Deus e do perdão dos pecados como centro do Evangelho». Acrescentou também que o Sínodo devia aproveitar todas as oportunidades de proclamar a Palavra de Deus com profunda convicção, em um clima de relativismo moral, especialmente no tocante à ética sexual.
Cordialidade
O arcebispo Terrence Prendergast, recentemente eleito membro da Comissão de Informação do Sínodo, afirmou que a relatio post disceptationem continha a maioria dos temas tratados pelos padres sinodais.
«Os bispos responderam muito positivamente ao mesmo – comentou o arcebispo de Ottawa. Creio que o cardeal Ouellet fez um trabalho de mestre ao pôr todas as questões juntas.»
Dom Prendergast é consciente de que o relator geral excluiu alguns detalhes em sua síntese, dado o número e a variação das intervenções.
«Alguns bispos, quando lêem o resumo de suas intervenções, dizem, ‘Bom, o matiz que eu oferecia não aparece exatamente, acho que se poderia acrescentar isso ou aquilo’.»
Assinalou que, muito além do próprio texto, a apresentação do cardael Ouellet foi também memorável por sua qualidade humana.
«Foi um momento de impacto», explicou o arcebispo. Segundo ele, o cardeal Ouellet ficou muito emocionado durante a discussão sobre o poder da Palavra de Deus. «Creio que os padres sinodais perceberam que se trata de um tema que ele leva muito dentro do coração.»
A fase de discussão por grupos do sínodo levará às proposições finais, que os participantes votarão antes de entregá-las a Bento XVI. Mais tarde, espera-se que o Papa escreva a exortação apostólica pós-sinodal.
Além das homilias da celebração eucarística da abertura e da missa em memória do Papa Pio XII, o Papa dirigiu à Assembléia Sinodal um discurso improvisado durante a sessão da manhã de 14 de outubro. A avaliação do Papa da exegese histórico-crítica se refletiu posteriormente na relatio post disceptationem.
«Explicou como se deve ler na íntegra as Sagradas Escrituras – resumiu Dom Eterovic, secretário-geral do Sínodo dos Bispos. O método histórico-crítico é necessário, certamente, e deve ser integrado com a leitura espiritual da Bíblia na grande e viva Tradição da Igreja.»
Isso é muito importante, «não só para os especialistas, mas também para os fiéis e pessoas de boa vontade», acrescentou.
Fonte: ZENIT.org
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