EX-PRESIDENTE SALVADORENHO ALFREDO CRISTIANI DENUNCIADO PELA MORTE DE SEIS JESUÍTAS

San Salvador, 14 nov (RV)
- Duas denúncias contra o ex-presidente Alfredo Cristiani e 14 oficiais do exército em serviço durante o seu mandato (1989-1994) foram apresentadas ontem diante da “Audiência Nacional” de Madri, máximo tribunal penal espanhol, pelo assassinato em 1989 de seis padres jesuítas, de uma colaboradora e de sua filha adolescente.A Associação Pró-Direitos Humanos da Espanha e o ‘Center for Justice & Accountability’, de São Francisco agiram com base na nacionalidade espanhola de cinco das vítimas e invocando o princípio da jurisdição universal em matéria de direitos humanos, já reconhecido no passado pela alta corte de Madri para julgar crimes perpetrados fora dos confins espanhóis.O assassinato dos seis jesuítas, ocorrido quando em São Salvador estava em andamento a guerra civil (1980-’92), é uma ferida ainda aberta na história recente do país centro-americano; um episódio que permaneceu impune, apesar dos repetidos pedidos de justiça por parte dos coirmãos das vítimas, que segundo as denúncias apresentadas ontem, o ex-presidente Cristiani teria dificultado em benefício dos militares do Batalhão Atlacatl’ – uma unidade especificamente treinada nos Estados Unidos para a luta contra a guerrilha – responsáveis pela operação.Na manhã do dia 16 de novembro de 1989 os soldados entraram na Universidade Centro-Americana (UCA) de São Salvador e mataram a sangue frio os religiosos espanhóis Ignacio Ellacuría, então reitor do ateneu, Ignacio Martín Baro, vice-reitor, Segundo Montés, Juan Ramon Moreno, Amando López e o salvadorenho Joaquín Lopez y López, além da cozinheira do ateneu Elba Julia Ramos e a sua filha de 15 anos Celina Mariceth Ramos. Nove soldados, entre os quais o diretor da escola militar da capital, o coronel Guillermo Alfredo Benavides, foram processados em 1991 por responsabilidade no massacre; entre esses Benavides e o tenente Yusshy Mendoza foram condenados a 30 anos de prisão, mas foram beneficiados dois anos depois com a anistia proclamada em 1993 pela Aliança Republicana Nacionalista (Arena), então no governo, no âmbito dos acordos de paz que em 1991 colocaram fim a 12 anos de conflito. (SP)
Fonte: RV
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