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NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

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Uma Capela cheia de segredos !Você quer descobri-la conosco? Saiba, antes de tudo, que a Casa Mãe da Companhia das Filhas da Caridade era o antigo "Hotel de Châtillon". Este, foi concedido à Companhia, em 1813, por Napoleão Bonaparte, depois da tormenta da Revolução Francesa. Imediatamente, começa a construção da Capela.A 8 de agosto de 1813, realizou-se a bênção solene da Capela dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. Em 1830, aconteceram então as aparições. Aumentou o numero de vocações.Foi necessário transformar a Capela, que passa então por várias modificações. Em 1930, por ocasião do centenário das apariçes, uma nova reforma nos mostra a Capela tal como a vemos hoje.Agora, a você a oportunidade de visitá-la!
http://www.chapellenotredamedelamedaillemiraculeuse.com

Visita a Capela da Medalha Milagrosa, localizada na Rue du Bac, 140 - Paris

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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Papa - ver a surpresa do Natal no outro, na história, na Igreja


Crianças com os "Bambinelli" benzidos pelo Papa no Angelus - AFP



Na habitual reflexão dominical, antes da oração mariana do Angelus, da Janela do Palácio Apostólico, sobre a Praça de São Pedro, embelezada pelo Presépio e pela Árvore de Natal, o Papa Francisco deteve-se sobre o texto evangélico deste quarto domingo do Advento, que põe em evidência a figura de Maria.
Depois do anúncio do Anjo Gabriel de que seria a mãe de Jesus, Maria foi visitar sua prima Isabel que, não obstante a idade avançada, estava grávida. Um mistério, mas Maria levava em si um mistério ainda maior. E ao saudar Isabel, esta sentiu-se envolvida por uma grande surpresa que ressoou nas suas palavras: “A que se deve que a mãe do meu Senhor me venha visitar?”
Improvisando o Papa disse:
“E se abraçam, beijam-se, alegres, estas duas mulheres: a anciã e a jovem, ambas grávidas”.
E recomendou que a não nos esquecermos desta palavra “Surpesa”, indicando três “lugares” de surpresa em que nos devemos deter para celebrar de forma profícua o Natal:

Em primeiro lugar o “outro”, no qual reconhecer o irmão, porque desde que aconteceu o Natal de Jesus, cada rosto assemelha-se ao Filho de Deus. Sobretudo quando é o rosto do pobre, porque Deus entrou no mundo como pobre e para os pobres, mas antes de mais deixou-se aproximar” .

O segundo lugar indicado pelo Papa onde parar neste Natal é a História, para a qual, muitas vezes – disse - pensamos estar a olhar de modo correcto, mas que, na realidade,  corremos o risco de ver às avessas. E isto acontece, por exemplo, quando nos parece determinada pela economia de mercado, regulada pelas finanças e pelos negócios, dominada pelos pontentes de turno. Mas “o Deus do Natal “baralha as cartas”: Ele gosta de fazer isto, eh! Como canta Maria no Magnificat, é o Senhor que depõe os potentes do trono e eleva os humildes, enche de bens os esfomeados e manda embora os ricos de mãos vazias” .

O terceiro lugar de surpresa em que devemos parar neste Natal, é a Igreja. Olhar para a Igreja com supresa significa  - disse o Papa  - “não limitar-se a considerá-la apenas como uma instituição religiosa, mas senti-la como Mãe que, embora com manchas e rugas – temos tantas! - deixa transparecer os traços da Esposa amada e purificada por Cristo Senhor. Uma Igreja capaz de reconhecer os vários sinais de amor e de fé que continuamente Deus lhe envia. Uma Igreja para a qual o Senhor Jesus não será nunca uma posse a defender com ciúmes. Aqueles que  fazem isto, erram; mas (…) uma Igreja que sabe esperar com confiança e alegria, dando voz à esperança do mundo. A Igreja que chama o Senhor: “Vem Senhor Jesus!”. A Igreja mãe que sempre tem as portas abertas de par e os braços abertos para acolher a todos. Aliás, uma Igreja mãe que sai das próprias portas para procurar com sorriso de mãe todos os longínquos e levá-los à misericordia de Deus. É este o estupor do Natal!”.
Sublinhando, a concluir, que no Natal, Deus nos dá tudo de si, dando-nos o seu Filho, o Único, o Papa disse que só com Maria, Mãe do Filho do Altíssimo é possivel exultar e alegrar-se pelo grande dom de Deus, e pediu a Nossa Senhora que nos ajude a ter a percepção destes três lugares de surpresa: o outro, a história e a Igreja.

A seguir à sua reflexão teológica por ocasião da oração mariana do Angelus, o Papa elevou o seu pensamento “à amada Síria, exprimindo vivo apreço pelo acordo atingido pela Comunidade internacional. E encorajou todos “a continuarem com generosa abertura pelo caminho da cessação das violências e de uma solução negociada que leve à paz”.

O Papa recordou-se também da Líbia, onde – disse – “os recentes empenhos assumidos entre as Partes para a criação de um Governo de unidade nacional convidam à esperança no futuro.
Francisco disse também apoiar o empenho de colaboração a que são chamadas a Costa Rica e a Nicarágua. E exprimiu o desejo de que “um renovado espirito de fraternidade reforce ulteriormente o diálogo e a cooperação recíproca, assim como também entre todos os países da Região.”
O Papa elevou o seu pensamento também “às caras populações da Índia, atingidas recentemente por uma grave inundação”.

E pediu orações para esses irmãos e irmãs que sofrem devido a essa calamidade, confiando as almas dos defuntos à misericórdia de Deus. E rezou uma avé-Maria para eles.

Depois, o Papa saudou os peregrinos de vários países que participaram neste encontro de oração dominical com ele, na Praça de São Pedro, e de modo particular as crianças dos oratórios das paróquias de Roma, que como todos os anos, trouxeram os meninos Jesus para serem benzidos antes de os colocar nos presépios.

“Queridas Crianças, escutai bem! Quando rezardes perante o vosso presépio, recordai-vos de mim, assim como eu me recordo de vós. Agradeço-vos, e  Bom Natal!”

O papa saudou também as famílias da comunidade “Filhos no Céu”  e aquelas ligadas, na esperança e na dor, ao Hospital “Menino Jesus” (Hospital Pediatrico de Roma), assegurando-lhes a sua oração:
“Caros pais, asseguro-vos a minha aproximação espiritual e encorajo-vos a continuar o vosso caminho de fé e de fraternidade”

Por fim o Papa saudou outros fiéis da Itália e o grupo de oração “I ragazzi del Papa”, agradecendo-lhes pelo seu apoio.

E a todos os Papa desejou Bom domingo e um Natal de esperança e de estupor, aquele estupor que nos dá Jesus, cheio de amor e de paz…

Fonte: R Vaticana

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Papa Francisco na Missa final da sua peregrinação à Terra Santa

No Cenáculo de Jerusalém nasceu a Igreja e daí "saiu": Papa Francisco na Missa final da sua peregrinação à Terra Santa




Naquele que constituía praticamente o último número do carregadíssimo programa deste terceiro e último dia da sua peregrinação à Terra Santa, Papa Francisco presidiu esta tarde à Missa no Cenáculo, local que evoca a Última Ceia de Jesus, e afirmou que ali “nasceu a Igreja”:

“Aqui nasceu a Igreja, e nasceu em saída. Daqui partiu, com o Pão repartido nas mãos, as chagas de Jesus nos olhos e o Espírito de amor no coração”, disse na homilia que pronunciou diante dos patriarcas orientais, bispos e outros responsáveis católicos da Terra Santa.
A viagem do Papa levou a Israel o patriarca dos maronitas (Líbano), cardeal Bechara Rai, o que aconteceu pela primeira vez desde 1948. A celebração não contou com a presença de outros fiéis, dada a exiguidade do espaço.

“O Senhor concede-nos um grande dom, ao reunir-nos aqui no Cenáculo, para celebrar a Eucaristia. Aqui, onde Jesus comeu a Última Ceia com os Apóstolos; onde, ressuscitado, apareceu no meio deles; onde o Espírito Santo desceu poderosamente sobre Maria e os discípulos”, declarou Francisco.

“O grande rio da santidade da Igreja, sempre sem cessar, tem origem daqui, do Coração de Cristo, da Eucaristia, do seu Santo Espírito”, acrescentou. O Cenáculo, realçou o Papa, recorda a todos os católicos o “serviço, “a partilha, a fraternidade, a harmonia, a paz”.

“Lavar os pés uns aos outros significa acolher-se, aceitar-se, amar-se, servir-se reciprocamente. Quer dizer servir o pobre, o doente, o marginalizado”, afirmou.

Este local evoca também, lembrou o Papa Francisco, a “traição” da Última Ceia: “Reproduzir na vida estas atitudes não sucede só aos outros, mas pode acontecer a cada um de nós, quando olhamos com desdém o irmão e o julgamos; quando, com os nossos pecados, atraiçoamos Jesus”.

Finalmente, disse, o Cenáculo recorda “o nascimento da nova família, a Igreja, constituída por Jesus ressuscitado”, para a qual “estão convidados e chamados todos os filhos de Deus de cada povo e língua”.

No final da celebração, o padre Pierbattista Pizzaballa, custódio da Terra Santa, dirigiu uma saudação ao Papa, agradecendo o seu testemunho de “paz e unidade”.

Francisco seguiu depois para um um heliporto, em Jerusalém, para regressar ao aeroporto de Telavive, de onde, após a cerimónia de despedida, toma o avião para Roma, aonde a chegada está prevista para as 23 horas locais.

Amados Irmãos!
Um grande dom nos concede o Senhor, ao reunir-nos aqui, no Cenáculo, para celebrar a Eucaristia. Aqui, onde Jesus comeu a Última Ceia com os Apóstolos; onde, ressuscitado, apareceu no meio deles; onde o Espírito Santo desceu poderosamente sobre Maria e os discípulos. Aqui nasceu a Igreja, e nasceu em saída. Daqui partiu, com o Pão repartido nas mãos, as chagas de Jesus nos olhos e o Espírito de amor no coração.
Jesus ressuscitado, enviado pelo Pai, no Cenáculo comunicou aos Apóstolos o seu próprio Espírito e, com esta força, enviou-os a renovar a face da terra (cf. Sal 104, 30).
Sair, partir, não quer dizer esquecer. A Igreja em saída guarda a memória daquilo que aconteceu aqui; o Espírito Paráclito recorda-lhe cada palavra, cada gesto, e revela o seu significado.
O Cenáculo recorda-nos o serviço, o lava-pés que Jesus realizou, como exemplo para os seus discípulos. Lavar os pés uns aos outros significa acolher-se, aceitar-se, amar-se, servir-se reciprocamente. Quer dizer servir o pobre, o doente, o marginalizado.
O Cenáculo recorda-nos, com a Eucaristia, o sacrifício. Em cada celebração eucarística, Jesus oferece-Se por nós ao Pai, para que também nós possamos unir-nos a Ele, oferecendo a Deus a nossa vida, o nosso trabalho, as nossas alegrias e as nossas penas..., oferecer tudo em sacrifício espiritual.
O Cenáculo recorda-nos a amizade. «Já não vos chamo servos – disse Jesus aos Doze – (…) mas a vós chamei-vos amigos» (Jo 15, 15). O Senhor faz de nós seus amigos, confia-nos a vontade do Pai e dá-Se-nos a Si mesmo. Esta é a experiência mais bela do cristão e, de modo particular, do sacerdote: tornar-se amigo do Senhor Jesus.
O Cenáculo recorda-nos a despedida do Mestre e a promessa de reencontrar-se com os seus amigos: «Quando Eu tiver ido (…), virei novamente e hei-de levar-vos para junto de Mim, a fim de que, onde Eu estou, vós estejais também» (Jo 14, 3). Jesus não nos deixa, nunca nos abandona, vai à nossa frente para a casa do Pai; e, para lá, nos quer levar consigo.
Mas, o Cenáculo recorda também a mesquinhez, a curiosidade – «quem é o traidor?» – a traição. E reproduzir na vida estas atitudes não sucede só nem sempre aos outros, mas pode suceder a cada um de nós, quando olhamos com desdém o irmão e o julgamos; quando, com os nossos pecados, atraiçoamos Jesus.
O Cenáculo recorda-nos a partilha, a fraternidade, a harmonia, a paz entre nós. Quanto amor, quanto bem jorrou do Cenáculo! Quanta caridade saiu daqui como um rio da sua fonte, que, ao princípio, é um ribeiro e depois se alarga e torna grande... Todos os santos beberam daqui; o grande rio da santidade da Igreja, sempre sem cessar, tem origem daqui, do Coração de Cristo, da Eucaristia, do seu Santo Espírito.
Finalmente, o Cenáculo recorda-nos o nascimento da nova família, a Igreja, constituída por Jesus ressuscitado. Família esta, que tem uma Mãe, a Virgem Maria. As famílias cristãs pertencem a esta grande família e, nela, encontram luz e força para caminhar e se renovar no meio das fadigas e provações da vida. Para esta grande família, estão convidados e chamados todos os filhos de Deus de cada povo e língua, todos irmãos e filhos do único Pai que está nos céus.
Este é o horizonte do Cenáculo: o horizonte do Ressuscitado e da Igreja.
Daqui parte a Igreja em saída, animada pelo sopro vital do Espírito. Reunida em oração com a Mãe de Jesus, ela sempre revive a espera de uma renovada efusão do Espírito Santo: Desça o vosso Espírito, Senhor, e renove a face da terra (cf. Sal 104, 30)!



Fonte: RV

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O tempo é de Deus, o momento está nas nossas mãos

O tempo é de Deus, o momento está nas nossas mãos e na liberdade de como usá-lo – o Papa na missa desta terça-feira




O ser humano tem nas suas mãos o momento, mas só Jesus Cristo é o Senhor do tempo. Esta a mensagem principal da homilia do Papa Francisco na Capela da Casa de Santa Marta nesta terça-feira dia 26 de novembro.

A oração ajuda-nos a discernir cada momento da vida para vivermos na esperança. O Santo Padre refletiu sobre o texto do Evangelho do dia no qual Jesus explica aos fieis no Templo que coisa deverá acontecer antes do fim da humanidade, assegurando que nem sequer o pior drama deverá atirar para o desespero quem crê em Deus:

“E o cristão é um homem ou uma mulher que sabe viver no momento e que sabe viver no tempo. O momento é aquele que temos na mão agora: mas este não é o tempo, este passa! Talvez nós nos possamos sentir patrões do momento, mas é um engano: o tempo não é nosso, o tempo é de Deus! O momento está nas nossas mãos e também na nossa liberdade de como usá-lo. E mais: nós podemos tornar-nos em soberanos do momento, mas do tempo só há um soberano, um só Senhor, Jesus Cristo.”

“E para conhecer os verdadeiros sinais, para conhecer o caminho que devo tomar neste momento é necessário o dom do discernimento e a oração para fazê-lo bem. A virtude para olhar o tempo deve ser dada pelo Senhor: é a esperança! Oração e discernimento para o momento; esperança para o tempo.”

O Santo Padre concluiu a sua homilia dizendo que o cristão sabe esperar o Senhor no final dos tempos. Homem e mulher do momento e do tempo: de oração, discernimento e esperança.

“O cristão sabe esperar o Senhor no final dos tempos. Homem e mulher do momento e do tempo: de oração e discernimento e de esperança. Que o Senhor nos dê a graça de caminhar com a sabedoria, que também é um dom d’Ele: a sabedoria que em cada momento nos leve a rezar e a discernir. E no tempo, que é o mensageiro de Deus, nos faça viver com esperança.” (RS)

Fonte: RV

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Papa abre Igreja aos gays, aos divorciados e às mulheres que abortam

Papa abre Igreja aos gays, aos divorciados e às mulheres que abortam


Em entrevista à revista jesuíta italiana 'La Civiltà Cattolica', Francisco disse que a Igreja deve encontrar um 'novo equilíbrio'


19 de setembro de 2013 | 16h 51
 
Marcelo Godoy - O Estado de S. Paulo
 
SÃO PAULO - O papa Francisco abriu a Igreja Católica para homossexuais, divorciados e para as mulheres que fizeram o aborto. "A religião tem o direito de exprimir sua opinião própria a serviço das pessoas, mas Deus na criação nos fez livres: a ingerência espiritual na vida das pessoas não é possível", disse o papa em entrevista ao padre Antonio Spadaro, feita em agosto e publicada nesta quinta-feira, 19, pela revista jesuíta italiana La Civiltà Cattolica. "Não podemos insistir somente sobre as questões ligadas ao aborto, matrimônio homossexual e ao uso de contraceptivos. Isso não é possível." A reforma mais importante para ele, não é, pois, a administrativa da Igreja. Mas a que deve abrir a Igreja aos feridos. "Eu vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha." Para Francisco, a Igreja deve "encontrar uma novo equilíbrio". "De outra forma até o edifício moral da Igreja corre risco de cair como uma castelo de cartas e de perder a frescura e o perfume do Evangelho."

'Eu vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha', diz Francisco - Marcos de Paula/Estadão
 
Marcos de Paula/Estadão
 
'Eu vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha', diz Francisco
Em julho, no voo de volta a Roma, depois de participar da Jornada Mundial da Juventude no Rio, o papa já havia surpreendido ao afirmar que o catecismo da Igreja "diz que eles (gays) não devem ser discriminados por causa disso, mas devem ser integrados na sociedade." "Quem sou eu para julgar os gays", afirmou então.
A seguir os principais trechos da entrevista.
Sobre a Igreja. "Essa Igreja com a qual devemos conviver é a casa de todos e não a pequena capela que pode conter somente um grupinho de pessoas selecionadas. Não podemos reduzir o seio da Igreja universal ao ninho protetor da nossa mediocridade. E a Igreja é Mãe. A Igreja é fecunda, deve sê-lo. Veja, quando me dou conta dos comportamentos negativos dos ministros da Igreja ou dos consagrados ou consagrantes, a primeira coisa que me vem à cabeça é eis um solteirão, eis uma solteirona. Não são nem pais, nem mães. Não foram capazes da dar vida. Em vez disso, por exemplo, quando leio a vida dos missionários salesianos que partiram para a Patagônia, leio histórias de vida, de fecundidade".
Do que a Igreja mais precisa agora? Eu vejo com muita clareza que a coisa que a Igreja mais tem necessidade agora é a capacidade de curar feridas e de aquecer o coração dos fiéis, avizinhar-se, aproximar-se. Eu vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha. É inútil perguntar a um ferido grave se o seu colesterol ou a sua glicose são altos. Se deve curar as suas feridas. Depois podemos falar de todo o resto. Curar as feridas, curar as feridas. E é necessário começar de baixo. A Igreja, às vezes, fechou-se em torno de pequenas coisas, pequenos preceitos. A coisa mais importante é, em vez disso, o primeiro anúncio: Jesus Cristo nos salvou!. E os ministros da Igreja devem ser antes de tudo ministros da misericórdia. O confessor, por exemplo, corre sempre o perigo de ser muito rigoroso ou leniente. Nenhum dos dois é misericordioso porque nenhum deles se encarrega verdadeiramente das pessoas. As pessoas devem ser acompanhadas, e as feridas curadas."
Reformas na Igreja. As reformas organizacionais e administrativas são secundárias, isto é, vêm depois. A primeira reforma deve ser a do comportamento. Os ministros do Evangelho devem ser pessoas capazes de aquecer o coração das pessoas, de caminhar na noite com eles, de saber dialogar e de descer em sua noite, em sua escuridão sem perde-se. O povo de Deus precisa de pastores e não funcionários ou clérigos de Estado. O que importa é saber como estamos tratando o povo de Deus. Em vez de ser somente uma Igreja que acolhe e que recebe mantendo as portas abertas, procuremos ser uma Igreja que encontre novos caminhos, capaz de sair de si mesma e ir em direção de quem não a frequenta, de quem se foi ou que se tornou indiferente. Quem se foi, às vezes partiu por razões que, se bem compreendidas e avaliadas, podem levar a um retorno. Mas é necessário audácia e coragem.
Homossexuais, divorciados e aborto. Devemos anunciar o Evangelho em todos os caminhos, predicando a boa nova do Reino de Deus e curando com a nossa predicação todo tipo de ferida e de doença. Em Buenos Aires, recebia cartas de pessoas homossexuais, que são ‘feridas sociais’ porque me dizem que sentem como se a Igreja os tenha condenado para sempre. Mas a Igreja não quer fazer isso. Durante o voo de retorno do Rio de Janeiro eu disse o que diz o Catecismo. A religião tem o direito de exprimir sua opinião própria a serviço das pessoas, mas Deus na criação nos fez livres: a ingerência espiritual na vida das pessoas não é possível. Uma vez uma pessoa, de forma provocadora, me perguntou se eu aprovava a homossexualidade. Eu então respondi-lhe com uma outra pergunta: ‘Diga-me: Deus quando olha uma pessoa homossexual aprova a sua existência com afeto ou a repele condenando-a?’ É preciso sempre considerar a pessoa. Aqui entramos no mistério do homem. Na vida, Deus acompanha as pessoas e nós devemos acompanhá-las a partir da sua condição. É preciso acompanhá-las na misericórdia. Quando isso acontece, o Espírito Santo inspira o sacerdote a dizer coisas mais justas.
Esta é a grandeza da Confissão: o fato de avaliar caso a caso e poder discernir qual é a melhor coisa a fazer para uma pessoa que procura Deus e a sua graça. O confessionário não é uma sala de tortura, mas o lugar da misericórdia no qual o Senhor nos estimula a fazer o melhor que podemos. Penso também na situação das mulheres que tiveram sobre os ombros um matrimônio falido no qual até mesmo tenham abortado. Pois essa mulher se casou novamente e agora está serena, com cinco filhos. O aborto pesa sobre ela enormemente e ela está sinceramente arrependida. Ela gostaria de ir adiante na vida cristã. O que faz o confessor?
Não podemos insistir somente sobre as questões ligadas ao aborto, matrimônio homossexual e ao uso de contraceptivos. Isso não é possível. Eu não falei muito dessas coisas e isso me foi recriminado. Mas quando se fala disso, é necessário falar em um contexto. O parecer da Igreja, de resto, todos conhecem, e eu sou filho da Igreja, mas não é possível falar disso continuamente.
Os ensinamentos, tanto dogmáticos quanto morais, não são todos equivalentes. Uma pastoral missionária não é obcecada da transmissão desarticulada de uma multidão de doutrinas que se quer impor com insistência. O anúncio de tipo missionário se concentra sobre o essencial, sobre o necessário, que é também o que apaixona e atrai mais, que faz arder o nosso coração, como aos discípulos de Emaús. Devemos, pois, encontrar uma novo equilíbrio, de outra forma até o edifício moral da Igreja corre risco de cair como uma castelo de cartas, de perder a sua frescura e o perfume do Evangelho. A proposta evangélica deve ser mais simples, profunda e irradiante. E é dessa proposta que depois devem vir os ensinamentos morais.
Digo isso pensando à predicação e aos conteúdos da nossa predicação. Uma bela homilia deve começar com o primeiro anúncio, com o anúncio da salvação. Não há nada de mais sólido, profundo e seguro nesse anúncio. Depois se deve fazer a catequese. E, no fim, pode-se chegar a uma consequência moral. Mas o anúncio do amor salvífico de Cristo é prévio à obrigação moral e religiosa. Na maioria das vezes parece prevalecer o inverso. A homilia deve calibrar o avizinhar-se e a capacidade de encontro de um pastor com seu povo porque quem predica deve reconhecer o coração da sua comunidade para procurar onde é vivo e ardente o desejo de Deus. A mensagem evangélica não se pode reduzir, pois, a alguns de seus aspectos. Ainda que importantes, mas que sozinhos não manifestam o coração do ensinamento de Cristo
Quem é o papa Francisco? Não sei qual pode ser a definição mais justa... Eu sou um pecador. Esta é a definição mais justa. E não é um modo de dizer, um gênero literário. Sou um pecador. Sim, posso dizer que sou um pouco esperto, sei me mover, mas é verdade também que sou ingênuo. Sim, mas a síntese melhor, aquela que me vem do mais fundo de mim e que a sinto mais verdadeira é exatamente essa: ‘Sou um pecador do qual o Senhor cuidou’. Eu sou alguém que é cuidado e observado pelo Senhor. O meu moto Miserando atque eligendo (Olhou-o com misericórdia e o acolheu), escutei-o sempre como algo verdadeiro para mim. O gerúndio latino miserando é intraduzível em italiano ou espanhol. A mim me agrada traduzi-lo com um outro gerúndio que não existe: misericordiando. Eu não conheço Roma, conheço pouca coisa. Entre essas poucas coisas está (a igreja) Santa Maria Maior, onde ia sempre... São Pedro. Quando me hospedava em Roma, costumava ficar na Via della Scofra. Da li, visitava comumente a Igreja de São Luis dos Franceses e ia contemplar o quadro da vocação de São Mateus, de Caravaggio. Aquele dedo de Jesus assim... Em direção de Mateus. Assim sou eu. Assim me sinto. Como Mateus. É o gesto de Mateus que me toca. Ele segura o seu dinheiro como a dizer: ‘Não, não eu! Não, esse dinheiro é meu!’ E isso é o que eu disse quando me perguntaram se aceitava a minha eleição como pontífice.

Fonte: ESTADÃO.COM.BR

quinta-feira, 25 de julho de 2013

JMJ - A fé em Jesus Cristo não é enrolação, é algo muito sério

A fé em Jesus Cristo não é enrolação, é algo muito sério: diz Papa Francisco aos jovens argentinos



Rio de Janeiro (RV) - "As paróquias, os colégios, são para sair e se não saem se convertem em uma ONG e a Igreja não pode ser uma ONG!" Num encontro fora de programa, repleto de emoções e afeto, o Papa dirigiu-se assim aos jovens argentinos (seus compatriotas) presentes na JMJ, os quais Francisco quis encontrar na Catedral do Rio de Janeiro após a visita à Comunidade de Varginha, nesta quinta-feira.

Milhares de pessoas aguardavam nas ruas sua passagem ao longo do trajeto, outros milhares aguardavam-no no espaço adjacente à Catedral.

A imponente Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro acolheu os compatriotas do Santo Padre presentes na JMJ para um encontro fortemente desejado para esta ocasião. Encontravam-se presentes também os bispos da Conferência episcopal que nos últimos dois anos o então Arcebispo de Buenos Aires conduziu até sua eleição à Cátedra de Pedro. O Papa Bergoglio viveu com eles um forte momento de emoção, um grande abraço fraterno: foi quase um retorno a casa.

"Esta juventude deseja viver e construir um mundo mais solidário e justo, e está aqui para ouvir as suas palavras", ressaltou o presidente dos bispos argentinos, Dom José Mara Arancedo, representando a platéia.

E a resposta do Santo Padre foi imediata. Tomando a palavra, revelou o que espera como consequência desta JMJ:

"Espero barulho, que façamos barulho aqui no Rio, quero barulho nas dioceses, quero que saiam por aí afora, quero que a Igreja saia às ruas. Quero que nos defendamos de tudo que seja mundano, instalação do que seja comodidade, do que seja clericalismo, do que seja estarmos fechados em nós mesmos. As paróquias, os colégios, são para sair e se não saem se convertem em uma ONG e a Igreja não pode ser uma ONG. Que me perdoem os bispos e os sacerdotes se depois alguns vão incomodar vocês. É um conselho."

Numa civilização que passou ao "culto do deus dinheiro" se assiste, explicou o Papa, a uma espécie de "eutanásia escondida" em relação a dois elementos vitais: os jovens, excluídos por causa da falta de trabalho, e os anciãos, aos quais não é permitido falar nem agir. Eis, então, a exortação do Pontífice:

"Os jovens tem que sair, tem que se fazer valer, os jovens que tem sair e lutar pelos valores, a lutar por estes valores e os anciãos abram a boca, os idosos abram a boca, ensinei-nos e transmitam-nos a sabedoria dos povos."

"No povo argentino, eu peço de coração aos idosos, não claudiquem em ser a reserva cultural de nosso povo que transmite a justiça, que transmite a história, que transmite os valores, que transmite a memória do povo."

Usando um tom bastante enfático, Francisco pediu aos jovens que não se coloquem contra os idosos, que os deixem falar, que os escutem. O Papa alertou-os para o fato que neste momento, "os jovens e os anciãos estão condenados ao mesmo destino, exclusão", exortando-os a não se deixarem excluir.

Dito isso, o Santo Padre asseverou: "E a fé em Jesus Cristo não é enrolação, é algo muito sério. É um escândalo que Deus se tenha feito um de nós, é um escândalo, e que tenha morrido numa cruz, é um escândalo. O escândalo da cruz. A cruz segue sendo um escândalo, mas é o único caminho seguro, aquele da cruz, aquele de Jesus, a encarnação de Jesus."

"A fé é inteira e não se liquefaz. É a fé em Jesus. É a fé no Filho de Deus feito homem, que amou e morreu por mim", ponderou.

A esse ponto, Francisco reiterou a dose fazendo um ulterior encorajamento:

"Então, façam barulho. Cuidem dos extremos da população que são os idosos e os jovens, não se deixem excluir e que não excluam os idosos e não liquefaçam a fé em Jesus Cristo. As bem-aventuranças. O que temos que fazer, Pai? Olha, leia as bem-aventuranças que te farão bem. E se queres saber que coisa prática tens que fazer, leia Mateus 25, que é o protocolo com o qual nos julgarão. Com essas duas coisas vocês tem o plano de ação. As bem-aventuranças e Mateus 25. Não é preciso ler mais nada. É o que peço a vocês de todo o coração. Agradeço a todos por essa proximidade."

"É uma lástima que estejam enjaulados, mas digo uma coisa a vocês. Eu, por momentos, sinto: que feio é estar enjaulados. Se confesso de coração, compreendo vocês. Queria ter podido estar mais perto de vocês mas compreendo que, por razão de ordem, não se pode."

O Papa agradeceu mais uma vez pela presença, bem como já havia agradecido também aos mais de trinta mil que estavam do lado de fora da catedral e, mais uma vez, pediu que rezassem por ele. (RL)

Fonte: Rádio Vaticano

segunda-feira, 15 de julho de 2013

JMJ - Peregrinos da Jornada Mundial da Juventude são acolhidos no Seminário dos Arautos do Evangelho

Dom Bráulio Rodriguez Plaza, Arcebispo de Toledo e Primaz da Espanha.

dom_braulio.jpg


Na manhã desta segunda-feira, 15, a Associação de Direito Pontifício Arautos do Evangelho acolheu em seu seminário menor, localizado na Serra da Cantareira (São Paulo), 45 peregrinos que vieram da Espanha para a Jornada Mundial da Juventude.
dom_braulio_rodriguez_plaza.jpg
Celebração presidida por Dom Bráulio e
concelebrada pelos sacerdotes presentes
No grupo procedente de Toledo habia dez Sacerdotes, um Diácono e o próprio Arcebispo de Toledo, Primaz da Espanha, Dom Bráulio Rodriguez Plaza.
Chegados diretamente do aeroporto, foi servido o Café da Manhã. Às 11:30 hs. realizou-se a Celebração Eucarística na Basílica Menor de Nossa Senhora do Rosário, presidida pelo Arcebispo Primaz e concelebrada pelos padres visitantes e varios Padres Arautos do Evangelho espanhois que se encontrabam presentes. Durante a homilia o prelado exortou os fiéis a viverem a vida cristã segundo Nosso Senhor Jesus Cristo, pois "essa é a vocação de todo batizado".
Dom Braúlio ressaltou também que "nosso coração não deve ser preenchido pelas coisas materiais, mas sim pelo Senhor que nos escolheu e nos fez seu povo, pois é a partir daí que ganhamos tudo".
Dirigindo-se aos peregrinos que irão para a Jornada Mundial da Juventude, e participarão da Semana Missionária na Diocese de Campo Limpo, o Arcebispo de Toledo recomendou que rezem para a Mãe de Deus pedindo para que ela os acompanhe durante esta Peregrinação da Fé. (EPC)

Fonte:  gaudiumpress.org

sexta-feira, 29 de março de 2013

Igreja terá 63 novos Beatos

Igreja terá 63 novos Beatos, muitos deles mártires do comunismo, nazismo e Guerra Civil espanhola




Cidade do Vaticano

– Papa Francisco autorizou nesta quarta-feira, 27, a Congregação da Causa dos Santos a promulgar os Decretos em relação a 63 novos Beatos e 7 novos Veneráveis servos de Deus. Entre estes estão mártires da guerra civil espanhola, dos regimes comunistas da Europa do Leste e do nazismo. Os Decretos reconhecem:

- o milagre atribuído à intercessão da venerável Serva de Deus Maria Teresa Bonzel (Regina Cristina Guglielmina), Fundadora das Pobres Irmãs Franciscanas da Adoração Perpétua de Olpe; nascida em Olpe, Alemanha, em 17 de setembro de 1830 e falecida em 6 de fevereiro de 1905;

- o martírio dos Servos de Deus Emanuele Basulto Jiménez, Bispo de Jaén, Espanha, e 5 companheiros; mortos no ódio à Fé na Espanha, entre 1936 e 1937;

- o martírio dos Servos de Deus Giuseppe Massimo Moro Briz e 4 companheiros, Sacerdotes da Diocese de Ávila, Espanha; mortos no ódio à Fé na Espanha, em 1936;

- o martírio do Servo de Deus Vladimiro Ghika, sacerdote diocesano: nascido em Istambul, Turquia, em 25 de dezembro de 1873 e morto no ódio à Fé em Bucarest, Romênia, em 16 de maio de 1954;

- o martírio dos Servos de Deus Gioacchino Jovaní Marin e 14 companheiros, da Sociedade dos Sacerdotes Operários Diocesanos; mortos no ódio à Fé na Espanha entre 1936 e 1938;

- o martírio dos Servos de Deus Andrea da Palazuelo (Michele Francesco González Ganzáles), Sacerdote professo da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos e 31 Companheiros; mortos no ódio à Fé na Espanha entre 1936 e 1937;

- o martírio do Servo de Deus Giuseppe Girotti, Sacerdote professo da Ordem dos Frades Pregadores; nascido em Alba, Itália, em 19 de julho de 1905 e morto no ódio à Fé em Dachau, Alemanha em 1945;

- o martírio do Servo de Deus Stefano Sándor, leigo professo da Sociedade de São Francisco de Sales; nascido em Szolnok, Hungria em 26 de outubro de 1914 e morto no ódio à Fé em Budapest, Hungria, em 8 de junho de 1945;

- o martírio do Servo de Deus Rolando Rivi, aluno de Seminário; nascido em San Valentino de Castellarano, Itália, em 7 de janeiro de 1931 e morto no ódio à fé em Piane di Monchio, Itália, em 13 de abril de 1945;

- as virtudes heróicas do Servo de Deus Eladio Mozas Santamera, Sacerdote dicoesano, Fundador das Irmãs Josefinas da Santíssima Trindade; nascido em Miedes de Atienza, Espanha, em 18 de fevereiro de 1837 e falecido em Plasencia, Espanha, em 18 de março de 1897;

- as virtudes heróicas do Servo de Deus Emanuel Aparício Navarro, Sacerdote diocesano; nascido em Madrid, Espanha, em 11 de dezembro de 1902 e falecido em 28 de agosto de 1954;

- as virtudes heróicas do Servo de Deus Mosè Lira Serafin, Sacerdote professo dos Missionários do Espírito Santo, Fundador da Congregação dos Missionários da Caridade de Maria Imaculada; nascido em Tlatempa, México, em 16 de setembro de 1893 e falecido na Cidade do México em 25 de junho de 1950;

- as virtudes heróicas do Servo de Deus Generoso do Santíssimo Crucifixo (Angelo Fontanarosa), Sacerdote professo da Congregação da Paixão de Jesus Cristo; nascido em Vetralla, Itália, em 6 de novembro de 1881 e falecido em Mascalucia, Itália, em 9 de janeiro de 1966;

- as virtudes heróicas do Servo de Deus Olinto Marella, Sacerdote diocesano; nascido em Pellestrina, Itália, em 14 de junho de 1882 e falecido em San Lazzaro Dio Savena, Itália, em 6 de setembro de 1969;

- as virtudes heróicas do Servo de Deus Antonio Kowalczyk, Irmão Leigo da Congregação dos Missionários Oblatos da Beata Virgem Maria Imaculada; nascido em Dzierzanów, Polônia, em 4 de junho de 1866 e falecido em Edmonton, Canadá, em 10 de julho de 1947;

- as virtudes heróicas da Serva de Deus Silvia Cardoso Ferreira da Silva, Leiga; nascida em Paços de Ferreira, Portugal, em 26 de julho de 1882 e falecida em Porto, Portugal, em 2 de novembro de 1950.
Fonte:RV

sexta-feira, 8 de março de 2013

A Igreja no período da Vacância da Sé

Quem governa a Igreja no período da Vacância da Sé apostólica



Cidade do Vaticano (RV) – O Colégio Cardinalício governa a Igreja no período da Vacância da Sé apostólica. Suas competências e limites, segundo a Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis são:
2. Durante o tempo em que estiver vacante a Sé Apostólica, o governo da Igreja está confiado ao Colégio dos Cardeais, mas somente para o despacho dos assuntos ordinários ou inadiáveis (cf. nº 6), e para a preparação daquilo que é necessário para a eleição do novo Pontífice. Este encargo deverá ser desempenhado nos termos e limites previstos por esta Constituição: deverão, por isso, ficar absolutamente excluídos os assuntos, que - quer por lei, quer por costume - ou são apenas do poder do próprio Romano Pontífice, ou dizem respeito às normas para a eleição do novo Pontífice, segundo as disposições da presente Constituição.
3. Além disso, estabeleço que o Colégio Cardinalício não possa de modo algum dispor acerca dos direitos da Sé Apostólica e da Igreja Romana, e menos ainda deixar que se perca, direta ou indiretamente, qualquer coisa deles, mesmo que seja para compor dissídios ou perseguir ações perpetradas contra os mesmos direitos após a morte ou renúncia válida do Pontífice [12]. Seja preocupação de todos os Cardeais tutelar estes direitos.
4. Durante a vacância da Sé Apostólica, as leis emanadas pelos Sumos Pontífices não podem de modo algum ser corrigidas ou modificadas, nem se lhes pode acrescentar ou subtrair qualquer coisa, nem dispensar, mesmo que seja só de uma parte delas, sobretudo no que diz respeito ao ordenamento da eleição do Sumo Pontífice. Antes, se eventualmente acontecesse de ser feita ou tentada alguma coisa contra esta prescrição, com a minha suprema autoridade declaro-a nula e inválida.
5. Se porventura surgissem dúvidas acerca das prescrições contidas nesta Constituição ou sobre o modo de as pôr em prática, disponho formalmente que todo o poder de emitir um juízo a tal respeito compete ao Colégio dos Cardeais, ao qual, portanto, atribuo a faculdade de interpretar os seus pontos duvidosos ou controversos, estabelecendo que, quando for necessário deliberar sobre estas e outras questões semelhantes, exceto sobre o ato da eleição, é suficiente a maioria dos Cardeais congregados chegar a acordo sobre a mesma opinião.
6. De igual modo, quando existir um problema que, segundo a maior parte dos Cardeais reunidos, não pode ser diferido para outra altura, o Colégio dos Cardeais disponha segundo o parecer da maioria.
23. Durante a Sé vacante, todo o poder civil do Sumo Pontífice, concernente ao governo da Cidade do Vaticano, compete ao Colégio dos Cardeais, o qual, todavia, não pode emanar decretos, a não ser no caso de urgente necessidade e apenas pelo tempo que durar a vacância da Santa Sé. Tais decretos só serão válidos para o futuro, se o novo Pontífice os confirmar.
(...)
7. No período de Sé vacante, haverá duas espécies de Congregações dos Cardeais: uma geral, isto é, de todo o Colégio, até ao início da eleição, e a outra particular. Nas Congregações gerais, devem participar todos os Cardeais não legitimamente impedidos, logo que tenham sido informados da vacância da Sé Apostólica. Contudo, aos Cardeais que, nos termos do nº 33 desta Constituição, não gozam do direito de eleger o Pontífice, é concedida a faculdade de se absterem, se assim o preferirem, de participar nessas Congregações gerais.
A Congregação particular é constituída pelo Cardeal Camerlengo da Santa Igreja Romana e por três Cardeais, um de cada uma das ordens, extraídos à sorte dentre os Cardeais eleitores que já tenham chegado a Roma. O ofício destes três Cardeais, chamados Assistentes, cessa ao completar-se o terceiro dia, sucedendo-lhes no lugar, sempre por meio de sorteio, outros três pelo mesmo espaço de tempo, mesmo depois de iniciada a eleição.
Durante o período da eleição, as questões mais importantes, se for necessário, são tratadas pela assembleia dos Cardeais eleitores, ao passo que os assuntos ordinários continuam a ser tratados pela Congregação particular dos Cardeais. Nas Congregações gerais e particulares, durante o período de Sé vacante, os Cardeais trajem a habitual batina preta filetada e a faixa vermelha, com o solidéu, cruz peitoral e anel.
8. Nas Congregações particulares, devem ser tratadas apenas as questões de menor importância, que se apresentem diária ou ocasionalmente. Se surgirem questões mais graves e merecedoras de um exame mais profundo, devem ser sujeitas à Congregação geral. Além disso, o que tiver sido decidido, resolvido ou negado numa Congregação particular, não pode ser revogado, mudado, ou concedido por uma outra; o direito de o fazer pertence somente à Congregação geral, e com a maioria dos votos.
9. As Congregações gerais dos Cardeais realizar-se-ão no Palácio Apostólico do Vaticano ou, se o exigirem as circunstâncias, noutro lugar julgado mais oportuno pelos próprios Cardeais. A elas preside o Decano do Colégio ou, caso ele esteja ausente ou legitimamente impedido, o Vice-Decano. Na hipótese de um dos dois ou mesmo ambos já não gozarem, nos termos do nº 33 desta Constituição, do direito de eleger o Pontífice, à assembleia dos Cardeais eleitores presidirá o Cardeal eleitor mais antigo, segundo a ordem habitual de precedência.
10. O voto nas Congregações dos Cardeais, quando se trata de assuntos de maior importância, não deve ser dado de viva voz, mas de forma secreta.
***
Notas históricas sobre o Colégio cardinalício
Pelo menos a partir do século VI passou a ser chamado cardeal o presbítero ou o diácono que, pela sua capacidade, era transferido da Igreja, em serviço pela qual havia sido ordinado e da qual tinha o título, em outra igreja, da qual dependia (daí provavelmente ‘cardeal”, da palavra latina cardo). A partir do século VIII o título foi reservado aos clérigos incardinados na igreja catedral e que constituíam o conselho ou senado dos bispos. Em Roma, as categorias dos cardeais eram três: 1) os Cardeais Diáconos, que tinham a administração do palácio de Latrão, dos sete departamentos de Roma e o cuidado dos pobres que se encontravam neles; 2) os Cardeais Presbíteros, prepostos em modo mais estável às cinco maiores igrejas de Roma (São Pedro, São Paulo, São Lorenço fora dos Muros, Santa Maria Maior, São João de Latrão), onde desempenhavam seu serviço litúrgico; 3) os Cardeais Bispos, que eram prepostos às sete dioceses suburbicarias de Roma e assistiam o Papa nas cerimônias litúrgicas na Basílica de São João de Latrão. Todas as três categorias de cardeais eram o conselho ou o senado do romano pontífice e eram enviados por estes como legados, que o representavam também nos concílios ecumênicos. Como ajuda do Papa no governo não somente das dioceses de Roma, mas também da Igreja universal, já desde o Séc. XI os cardeais começaram a ser escolhidos também de várias partes do mundo e a agir como Colégio.
Individualmente os Cardeais são os principais colaboradores do Papa, quer como responsáveis pelos Dicastérios da Cúria Romana e no Governo do Estado da Cidade do Vaticano quer como titulares das mais importantes sedes episcopais no mundo. Colegialmente desempenham o papel de órgão consultivo sobre questões de maior importância no governo da Igreja através dos Consistórios convocados pelo Papa e de órgão suplente no Governo da Igreja e do Estado da Cidade do Vaticano durante a Sé Vacante. Mas a função mais importante e delicada para um cardeal é a eleição do Pontífice no Conclave. Como, de fato, afirma a Constituição apostólica Universi Dominici Gregis: "Gravíssimo é, pois, o encargo que pesa sobre o Organismo deputado para tal eleição". (RL – JE)

domingo, 16 de setembro de 2012

A VOCAÇÃO DA IGREJA É SERVIR



Papa no Líbano: A vocação da Igreja e do cristão é servir




Beirute



- Bento XVI presidiu, neste domingo, a celebração eucarística no City Center Waterfront de Beirute, no Líbano, e após a santa missa entregou a Exortação apostólica pós-sinodal Ecclesia in Medio Oriente. Participaram da cerimônia 350 mil pessoas.A missa foi particularmente tocante por causa da presença de pastores e fiéis de países como a Síria, abalada pela guerra e pela violência."Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Bendito seja Ele neste dia em que tenho a alegria de me encontrar convosco aqui, no Líbano, para entregar aos Bispos da região a Exortação apostólica pós-sinodal Ecclesia in Medio Oriente" – frisou o Papa em sua homilia.Jesus quer fazer os discípulos entenderem quem Ele realmente é. "Um Messias sofredor, um Messias servo, e não um libertador político onipotente. Ele é o Servo obediente à vontade de seu Pai a ponto de perder a sua vida. É o que já anunciava o profeta Isaías na primeira leitura. Assim Jesus vai contra o que muitos esperavam d’Ele. A sua afirmação choca e desconcerta. Aquele que quiser ser seu discípulo deve aceitar ser servo, como Ele se fez servo" – disse o Papa.O Santo Padre destacou que "seguir Jesus significa tomar a própria cruz e o acompanhar pelo seu caminho, um caminho incômodo que não é o do poder nem da glória terrena, mas o que leva necessariamente a renunciar a si mesmo, a perder a sua vida por Cristo e pelo Evangelho, a fim de a salvar. É que nos foi dada a certeza de que este caminho leva à ressurreição, à vida verdadeira e definitiva com Deus".Bento XVI recordou o Ano da Fé que terá início em 11 de outubro próximo, frisando que deseja que todo fiel se comprometa de maneira renovada neste caminho da conversão do coração.O Papa destacou que o caminho por onde Jesus nos conduz é um caminho de esperança para todos. "Deus manifesta o seu amor, fazendo-se servo, dando-se a nós. O serviço é um elemento constitutivo da identidade dos discípulos de Cristo. A vocação da Igreja e do cristão é servir; e fazê-lo, como o próprio Senhor, gratuitamente e a todos sem distinção. Assim, servir a justiça e a paz, num mundo onde a violência não cessa de alongar o seu rasto de morte e destruição, é uma urgência de modo a comprometer-se em prol duma sociedade fraterna, para edificar a comunhão" - disse o pontífice.O Papa pediu ao Senhor para que "conceda ao Oriente Médio servidores da paz e da reconciliação, para que todos possam viver pacífica e dignamente. O serviço deve estar no centro da vida da comunidade cristã. Todo o ministério, toda a função na Igreja é primariamente um serviço a Deus e aos irmãos". "É este espírito que deve animar todos os batizados, uns em relação aos outros, especialmente através dum compromisso efetivo em favor dos mais pobres, dos marginalizados, daqueles que sofrem, para que seja preservada a dignidade inalienável de toda a pessoa" – concluiu Bento XVI. (MJ)



Fonte: RV

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

PAPA BENTO XVI ASSINA EXORTAÇÃO APOSTÓLICA PÓS-SINODAL PARA O IGREJA DO ORIENTE MÉDIO



Papa assina Exortação apostólica pós-sinodal para a Igreja no Oriente Médio



Harissa (RV)



- Bento XVI encontra-se, no Líbano, em sua 24ª viagem apostólica internacional. Nesta tarde, o Papa foi acolhido pelo Patriarca greco-melquita, Gregorios III Laham, na Basílica de São Paulo, em Harissa, e ali assinou a Exortação apostólica pós-sinodal Ecclesia in Medio Oriente.Antes da assinatura, o Santo Padre proferiu seu discurso ao presidente do país, aos patriarcas e bispos do Líbano, aos membros do Conselho Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos, aos representantes do mundo da cultura e da sociedade civil, aos membros das delegações ortodoxa, muçulmana e drusa, e a toda a comunidade greco-melquita. O Papa frisou que a data de hoje, Festa da Exaltação da Santa Cruz, cuja celebração nasceu no Oriente em 335, coincide com a assinatura do documento."Para um cristão, exaltar a Cruz quer dizer entrar em comunhão com a totalidade do amor incondicional de Deus pelo homem; é fazer um ato de fé. Exaltar a Cruz, na perspectiva da Ressurreição, é desejar viver e manifestar a totalidade deste amor; é fazer um ato de amor. Exaltar a Cruz leva ao compromisso de ser arauto da comunhão fraterna e eclesial, fonte do verdadeiro testemunho cristão; é fazer um ato de esperança" – destacou Bento XVI.O Papa recordou que os Padres sinodais, analisando a situação das Igrejas no Oriente Médio, refletiram sobre as alegrias, temores e esperanças dos discípulos de Cristo nessa terra. "A Exortação Ecclesia in Medio Oriente permite repensar o presente para considerar o futuro com o próprio olhar de Cristo. Com as suas orientações bíblicas e pastorais, com o seu convite a um aprofundamento espiritual e eclesiológico, com a renovação litúrgica e catequética preconizada, com os seus apelos ao diálogo, pretende traçar um caminho para chegar ao essencial: o seguimento de Cristo, num contexto difícil, e por vezes doloroso, que poderia fazer surgir a tentação de ignorar ou esquecer a Cruz gloriosa. Mas é precisamente então que é necessário celebrar a vitória do amor sobre o ódio, do perdão sobre a vingança, do serviço sobre a prepotência, da humildade sobre o orgulho, da unidade sobre a divisão" - sublinhou o pontífice.O Santo Padre ressaltou que "a Exortação abre ao verdadeiro diálogo inter-religioso fundado na fé em Deus Uno e Criador" e "quer contribuir a um ecumenismo repleto de ardor humano, espiritual e caritativo". O Papa recordou que a Exortação quer ajudar os discípulos de Cristo a serem protagonistas ativos da fé através da comunhão e do testemunho.Com esses sentimentos de esperança e encorajamento, Bento XVI entregará a Exortação apostólica, no próximo domingo, à Igreja no Oriente Médio. (MJ)
Papa assina Exortação apostólica pós-sinodal para a Igreja no Oriente MédioHarissa (RV) - Bento XVI encontra-se, no Líbano, em sua 24ª viagem apostólica internacional. Nesta tarde, o Papa foi acolhido pelo Patriarca greco-melquita, Gregorios III Laham, na Basílica de São Paulo, em Harissa, e ali assinou a Exortação apostólica pós-sinodal Ecclesia in Medio Oriente.Antes da assinatura, o Santo Padre proferiu seu discurso ao presidente do país, aos patriarcas e bispos do Líbano, aos membros do Conselho Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos, aos representantes do mundo da cultura e da sociedade civil, aos membros das delegações ortodoxa, muçulmana e drusa, e a toda a comunidade greco-melquita. O Papa frisou que a data de hoje, Festa da Exaltação da Santa Cruz, cuja celebração nasceu no Oriente em 335, coincide com a assinatura do documento."Para um cristão, exaltar a Cruz quer dizer entrar em comunhão com a totalidade do amor incondicional de Deus pelo homem; é fazer um ato de fé. Exaltar a Cruz, na perspectiva da Ressurreição, é desejar viver e manifestar a totalidade deste amor; é fazer um ato de amor. Exaltar a Cruz leva ao compromisso de ser arauto da comunhão fraterna e eclesial, fonte do verdadeiro testemunho cristão; é fazer um ato de esperança" – destacou Bento XVI.O Papa recordou que os Padres sinodais, analisando a situação das Igrejas no Oriente Médio, refletiram sobre as alegrias, temores e esperanças dos discípulos de Cristo nessa terra. "A Exortação Ecclesia in Medio Oriente permite repensar o presente para considerar o futuro com o próprio olhar de Cristo. Com as suas orientações bíblicas e pastorais, com o seu convite a um aprofundamento espiritual e eclesiológico, com a renovação litúrgica e catequética preconizada, com os seus apelos ao diálogo, pretende traçar um caminho para chegar ao essencial: o seguimento de Cristo, num contexto difícil, e por vezes doloroso, que poderia fazer surgir a tentação de ignorar ou esquecer a Cruz gloriosa. Mas é precisamente então que é necessário celebrar a vitória do amor sobre o ódio, do perdão sobre a vingança, do serviço sobre a prepotência, da humildade sobre o orgulho, da unidade sobre a divisão" - sublinhou o pontífice.O Santo Padre ressaltou que "a Exortação abre ao verdadeiro diálogo inter-religioso fundado na fé em Deus Uno e Criador" e "quer contribuir a um ecumenismo repleto de ardor humano, espiritual e caritativo". O Papa recordou que a Exortação quer ajudar os discípulos de Cristo a serem protagonistas ativos da fé através da comunhão e do testemunho.Com esses sentimentos de esperança e encorajamento, Bento XVI entregará a Exortação apostólica, no próximo domingo, à Igreja no Oriente Médio. (MJ)


Fonte: RV

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A Igreja deve ser mestra e testemunha

A Igreja deve ser mestra e testemunha


Orientações para a XIII Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos

ROMA,

A XIII Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos terá como tema A nova evangelização para a transmissão da fé cristã e será realizada de 7 a 28 de outubro de 2012.
O Sínodo coincidirá com o 50º aniversário do Concílio Vaticano II, com o 20º aniversário da promulgação do Catecismo da Igreja Católica e com o início do ano da Fé promulgado pelo papa Bento XVI com o motu proprioPorta Fidei.
Dom Nikola Eterovic, secretário-geral do Sínodo, fez o anúncio na Sexta Reunião do XII Conselho Ordinário da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, em 22 e 23 de novembro.
Em nota, a Assessoria de Imprensa do Vaticano afirma que "tentamos fazer uma descrição adequada da Nova Evangelização, destacando a necessidade de ancorá-la nos fundamentos bíblicos e teológicos, de acordo com as necessidades da missão evangelizadora originária da Igreja, guiada pelo Espírito Santo".
A Nova Evangelização, que tem como meta todas as pessoas que não seguem mais a prática cristã, deve ser uma "preocupação de toda a Igreja", ainda que "de maneiras diferentes dependendo da região".
A Nova Evangelização deve observar as "mudanças constantes" do nosso tempo, num processo de globalização afetado por "um clima cultural e moral de secularismo e agnosticismo".
Neste contexto, são necessárias "novas linguagens e novas mídias", mas também "testemunhas críveis" para transmitir a fé "às novas gerações em novos contextos sociais, onde as comunidades naturais e tradicionais, como a família e a escola, vêem particular urgência no seu compromisso de educar na fé".
Esta "nova atitude missionária”, porém, não deve apenas aproximar da fé os não praticantes, os agnósticos e os ateus, mas também "os fiéis de outras religiões, num diálogo que possibilite o encontro em torno de razões para a vida e para a fé".
A Igreja, além do dever de pregar o Evangelho, “tem necessidade de uma metanóia que lhe permita apresentar-se como mestra e testemunha para pessoas que buscam o Senhor, porque, anunciando o Evangelho, ela proclama o arrependimento e o perdão dos pecados”.
A próxima reunião acontecerá em 16 e 17 de fevereiro de 2012. O Conselho concluiu a presente reunião com o Ângelus, pedindo a Nossa Senhora que proteja e interceda para que o futuro Sínodo ajude a divulgar o Evangelho por meio da nova dinâmica da evangelização.

Fonte: ZENIT.org

quarta-feira, 1 de junho de 2011

IGREJA DEVE RECUPERAR SUA PRÓPRIA TRADIÇÃO MUSICAL

Bento XVI: Igreja deve recuperar sua própria tradição musical


Papa festeja os 100 anos do Pontifício Instituto de Música Sacra


CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 1º de junho de 2011



- Por ocasião das celebrações do centenário de fundação do Pontifício Instituto de Música Sacra, Bento XVI enviou uma carta ao grão-chanceler do Instituto, cardeal Zenon Grocholewski, que a leu no último dia 26, na abertura do congresso internacional de música, que se estendeu até esta quarta-feira.
O Instituto, explicou o Papa, depende da Santa Sé e "faz parte da singular realidade acadêmica constituída pelas universidades pontifícias romanas", ao ser relacionado de maneira especial ao Ateneu Santo Anselmo e à Ordem Beneditina.
Para captar claramente a identidade e a missão, observou, "é oportuno recordar que o Papa São Pio X o fundou oito anos depois de ter emanado o Motu proprio "Tra le sollecitudini", de 22 de novembro de 1903, com o qual levou a cabo uma profunda reforma no campo da música sacra, voltando à grande tradição da Igreja contra as influências exercidas pela música profana, especialmente operística".
Esta intervenção magisterial "precisava, para a sua realização na Igreja universal, de um centro de estudo e ensino que pudesse transmitir de modo fiel e qualificado as linhas indicadas pelo Sumo Pontífice, segundo a autêntica e gloriosa tradição que remonta a São Gregório Magno".
Nos últimos 100 anos, o Instituto "assimilou, elaborou e transmitiu os conteúdos doutrinais e pastorais dos documentos pontifícios, como também do Concílio Vaticano II, concernentes à música sacra, para que possam iluminar e guiar a obra dos compositores, dos maestros de capela, dos liturgias, dos músicos e de todos os formadores neste campo".
Continuidade
O Pontífice, portanto, quis sublinhar "um aspecto fundamental, que lhe é muito querido": como, desde São Pio X até hoje, "apesar da natural evolução, a substancial continuidade do Magistério sobre a música sacra na liturgia".
Em particular, observou, Paulo VI e João Paulo II, à luz da constituição conciliar "Sacrosanctum Concilium", quiseram reafirmar o fim da música sacra, isto é, "a glória de Deus e a santificação dos fiéis", e os critérios fundamentais da tradição.
Entre estes, o Papa recordou "o sentido da oração, da dignidade e da beleza; a plena adesão aos textos e aos gestos litúrgicos; o envolvimento da assembleia e, finalmente, a legítima adaptação à cultura local, conservando ao mesmo tempo a universalidade da linguagem; a primazia do canto gregoriano, como modelo supremo de música sacra, e a sábia valorização das demais formas expressivas que fazem parte do patrimônio histórico-litúrgico da Igreja, especialmente (mas não só) da polifonia; a importância da "sachola cantorum", em particular nas igrejas catedrais".
"Sobre a base destes sólidos e seguros elementos, aos quais se acrescenta uma experiência já secular, eu vos convido a levar adiante, com renovado ímpeto e compromisso, vosso serviço na formação profissional dos estudantes, para que adquiram uma séria e profunda competência nas diversas disciplinas da música sacra", concluiu



Fonte: ZENIT.org

terça-feira, 15 de março de 2011

GESTOS CONCRETOS CONTRA MUDANÇAS CLIMÁTICAS

IGREJA QUER GESTOS CONCRETOS CONTRA MUDANÇAS CLIMÁTICAS
Goiânia, 14 mar (RV)

- A partir de hoje, até o dia 16, o Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social (FMCJS), organismo ligado a Comissão Episcopal Pastoral para a Caridade, Justiça e Paz, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), está promovendo o 2º Simpósio Nacional de Mudanças Climáticas e Justiça Social, no Centro de Formação Vicente Cañas, no Jardim Ingá, em Goiás.Segundo o sociólogo e coordenador do Fórum, Ivo Poletto, o objetivo do Simpósio é que os setores sociais (movimentos, organizações, sociedade em geral) e as Igrejas, mobilizados para influir nas políticas públicas, alcancem encaminhamentos concretos sobre a questão ambiental, fazendo frente às mudanças climáticas.“
É o nosso objetivo também disseminar informações, gerar consciência crítica e mobilizar a sociedade civil visando contribuir para o enfrentamento das causas estruturais do aquecimento global que provoca mudanças climáticas em todo o planeta” - destacou o sociólogo.No último dia do Simpósio haverá um ato público no Centro Cultural de Brasília (CCB) e os participantes aprovarão uma carta-compromisso com as metas a serem cumpridas e ações concretas para combater o aquecimento global em território nacional.
O Simpósio tem o apoio do Fundo Nacional de Solidariedade, da Campanha da Fraternidade, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); do Conselho Indigenista Missionário (Cimi); da Misereor (instituição ligada à Igreja Católica da Alemanha); a Agência Católica para o Desenvolvimento Exterior (CAFOD); da DKA; da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE).(CNBB-CM)
Fonte RV

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

IGREJA APRENDA LINGUAGENS DA NOVA MÍDIA PARA INSERIR EVANGELHO NA CULTURA DIGITAL

BENTO XVI: IGREJA APRENDA LINGUAGENS DA NOVA MÍDIA PARA INSERIR EVANGELHO NA CULTURA DIGITAL


Cidade do Vaticano, 28 fev (RV) - Estudar com diligência as linguagens da moderna cultura digital para ajudar a missão evangelizadora da Igreja e inserir nestas novas modalidades expressivas os conteúdos da fé cristã.
Esse foi, substancialmente, o discurso que Bento XVI dirigiu na manhã desta segunda-feira, na Sala Clementina, no Vaticano, aos membros que participam – de hoje até a próxima quinta-feira – da plenária do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais.
Uma linguagem “emotiva”, exposta ao risco constante da banalidade. De contrapartida, uma linguagem rica de símbolos, de milhares de anos a serviço do transcendente.
O que a comunicação digital tem em comum com a comunicação da Bíblia? Pouco, aparentemente, se não fosse que para a Igreja não existe linguagem nova que não possa ser compreendidade e utilizada para anunciar a mensagem de sempre, a mensagem do Evangelho.
Bento XVI examinou as implicações dessa questão voltando a um tema muitas vezes abordado nestes últimos anos: o das novas tecnologias e das mudanças que elas induzem no modo de comunicar, a ponto de ter configurado “uma vasta transformação cultural”.
As redes web – afirmou o Pontífice – são a demonstração de como “oportunidades inéditas” estão delineando um “novo modo de aprender e de pensar”, de “estabelecer relações e construir comunhão”. Mas não basta ter consciência disso – observou.
A análise deve ser mais profunda:“As novas linguagens que se desenvolvem na comunicação digital determinam, entre outras coisas, uma capacidade mais intuitiva e emotiva que analítica, orientam a uma diferente organização lógica do pensamento e da relação com a realidade, privilegiam, muitas vezes, a imagem e as conexões hipertextuais.
Ademais, a tradicional distinção nítida entre linguagem escrita e oral parece abrandar em favor de uma comunicação escrita que assume a forma e a imediação da oralidade.
”Estar “na rede” – prosseguiu o Papa – requer que a pessoa se encontre envolvida com aquilo que comunica. E, portanto, nesse nível de interconexão as pessoas não se limitam a trocar informações, mas “já estão compartilhando a si mesmas e a sua visão de mundo”.
Uma dinâmica que, para o Santo Padre, não está isenta de pontos fracos:“Os riscos que se correm, certamente, estão diante dos olhos de todos: a perda da interioridade, a superficialidade no viver as relações, a fuga na emotividade, o prevalecer da opinião mais convincente em relação ao desejo de verdade.
E, todavia, estes são a consequência de uma incapacidade de viver plenamente, e de modo autêntico, o sentido das inovações. Eis o motivo pelo qual é urgente a reflexão sobre as linguagens desenvolvidas pelas novas tecnologias.
”Aí – observou o Pontífice – se insere o trabalho que a Igreja deve fazer e, particularmente, o Pontifício Conselho das Comunicações Sociais. “Aprofundar a cultura digital” e, posteriormente, “ajudar aqueles que têm responsabilidade na Igreja” a “entender, interpretar e falar a “nova linguagem” da mídia em função pastoral”.
Bem sabendo que nem mesmo a dimensão espiritual da pessoa é estranha ao mundo da comunicação:"A cultura digital apresenta novos desafios à nossa capacidade de falar e de escutar uma linguagem simbólica que fale da transcendência.
Jesus mesmo no anúncio do Reino soube utilizar elementos da cultura e do ambiente de seu tempo: o rebanho, os campos, o banquete, as sementes, e assim por diante. Hoje somos chamados a descobrir, também na cultura digital, símbolos e metáforas significativas para as pessoas, que possam ser de ajuda ao falar do Reino de Deus ao homem de hoje.
"Bento XVI reiterou que a "relação sempre mais estreita e ordinária entre o homem e as máquinas", sejam elas computadores ou celulares, pode encontrar na riqueza expressiva da fé e nos "valores espirituais" uma dimensão ainda mais ampla do que a já além-fronteiras que a tecnologia parece assegurar.
Quatro séculos atrás, o jesuíta Pe. Matteo Ricci, o grande apóstolo da China, soube demonstrar isso, conseguindo acolher "tudo aquilo que existia de positivo" na tradição daquele povo, e "animá-lo e elevá-lo com a sabedoria e a verdade de Cristo".
A mesma coisa são chamados a fazerem os cristãos de hoje, que no mundo da mídia podem contribuir para abrir "horizontes de sentido e de valor que a cultura digital sozinha não é capaz de entrever e representar" – concluiu o Santo Padre. (RL)

Fonte: RV

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A COMUNICAÇÃO NA VIDA E NA MISSÃO DA IGREJA NO BRASIL


Foi lançado, nesta segunda-feira, 24, [Dia de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas], na reunião dos coordenadores da Pastoral da Comunicação (Pascom), que acontece na sede CNBB, em Brasília, o documento de estudos número 101 da CNBB, “A Comunicação na vida e missão da Igreja no Brasil”. Publicado pelas Edições CNBB e pela Paulus, o documento é uma resposta à necessidade da Igreja em trabalhar com o apoio de um subsídio sobre comunicação para a Igreja no Brasil.
Segundo o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Educação, Cultura e Comunicação Social da CNBB, dom Orani João Tempesta, o documento tem por objetivo ser um animador e orientador para o “Progresso da comunicação no Brasil”. Ele adianta ainda, na apresentação do documento, que o texto deverá se tornar brevemente o Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil.
“A nossa intenção, depois de muitas consultas, é que fosse um diretório de animação e orientação para o progresso da comunicação e uma melhor presença da Igreja na mídia, contemplando também, evidentemente, as questões espinhosas das transmissões litúrgicas televisivas e a grande discussão entre o virtual e o real [...]”, diz dom Orani, num dos trechos da apresentação do documento.
Em entrevista à assessoria de imprensa da CNBB, dom Orani destacou que a preocupação do texto é ser colocado à disposição da Igreja para que seja lido e aprofundado para futuramente ser transformado no Diretório de Comunicação. “Depois de lido e estudado, aguardaremos as sugestões das pessoas, para que façamos as adaptações necessárias para que o texto chegue a ser o diretório. A etapa agora é de sugestões”, disse dom Orani.
Para o arcebispo, o texto é uma forma de fomentar o entusiasmo dos comunicadores da Igreja no Brasil. “A comunicação é essencial na vida do ser humano e a Igreja é feita de comunicação, da boa notícia, da Palavra de Deus, da Catequese, da Liturgia. Com as mídias sociais e com a comunicação eletrônica, é importante que aja orientação, que não corte o entusiasmo, mas que entende bem a comunicação no Brasil e, pelo tamanho do país e pelo dinamismo que tem a comunicação no Brasil, é muito importante e necessário que tenhamos um diretório de comunicação no Brasil para fomentar o entusiasmo e orientar”, pontuou.
O encontro da Pascom teve início nesta segunda-feira, 24, e segue até sexta-feira, 28. Os participantes, coordenadores regionais da Pascom e pesquisadores da área, discutem as necessidades de publicações, ideias para melhorar os trabalhos de orientação em comunicação, como também pensar na publicação da segunda edição do livro “As novas fronteiras da Pastoral da Comunicação”. De acordo com a assessora da Comunicação Episcopal para as Comunicações Sociais da CNBB, irmã Elide Fogolari, a semana será importante para discussões sobre o desenvolvimento da Pascom e sua atuação na Igreja no Brasil. “As pessoas que trabalham nas bases da Pastoral da Comunicação estão pedindo que a Pascom seja sistematizada e aprofundada na Igreja para aqueles que já atuam na área para que tenham a Pascom desenvolvida nos seus regionais, dioceses e paróquias. Durante esses dias, vamos fazer um aprofundamento de como a Pascom é concebida no sentido filosófico, religioso, pastoral; e a comunicação enquanto geradora de sentidos para a Igreja e a sociedade”, antecipou irmã Elide.

Adquira o documento 101 da CNBB através das Edições - CNBB pelo telefone (61) 2193-3019 ou pelo site http://www.edicoescnbb.com.br/site/product_info.php?products_id=319&osCsid=ch6s7oue18bo8b02bie5um2c77

Mensagem do papa Bento XVI para o 45º Dia Mundial das Comunicações SociaisDom Orani também comentou a mensagem do papa Bento XVI para o 45º Dia Mundial das Comunicações Sociais. A preocupação com a verdade e a autenticidade na hora de comunicar é o principal foco da mensagem do pontífice, segundo o presidente da Comissão para as Comunicações Sociais da CNBB. “A mensagem do papa vem falar de modo especial aos jovens que são os absorvedores da comunicação do momento, das novas tecnologias, e vem lembrar o que é importantíssimo: precisamos ser autênticos e verdadeiros em tudo o que fazemos enquanto Igreja. Quem está por traz da comunicação ou à frente do computador, atrás de um microfone, ou fazendo um programa de televisão ou rádio deve observar isso muito bem. A mensagem vem alertar para a autenticidade da pessoa humana, daquele que faz a comunicação. O papa fala um pouco da vida da pessoa que conta com aquele que faz comunicação, ou seja, a importância da autenticidade para que se possa chegar a uma verdade objetiva.
Fonte: CNBB

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

IGREJA DISCUTE SOBRE A FAMÍLIA

EUROPA: IGREJA DISCUTE SOBRE A FAMÍLIA

..............................................Zagreb -Croacia

Zagreb, 29 set (RV)

- A crise demográfica e a crise da instituição familiar são dois fenômenos intrinsecamente relacionados, que afligem profundamente a nossa sociedade: por essa razão os bispos da Europa decidiram abordar as duas questões na próxima reunião plenária do Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), que tem início nesta quinta-feira, 30 setembro e se encerra domingo, 3 de outubro, em Zagreb, Croácia.
“A família é um bem essencial para toda a sociedade – disse arcebispo de Esztergom-Budapeste, e presidente do Conselho, Cardeal Peter Erdó apresentando o tema. Infelizmente hoje, é muitas vezes ameaçada por uma cultura egoísta, relativista e voltada exclusivamente para o bem-estar material momentâneo”. “Há tempo, de fato, a Igreja Católica, está enfrentando o tema, colocando também ênfase na baixa taxa de natalidade, causa de um progressivo, inexorável envelhecimento da população”.
Portanto, existe a necessidade, disse o Cardeal à agência SIR, de fazer um apelo urgente aos governos para que “façam tudo o que estiver ao seu alcance para evitar o colapso demográfico e cultural”.
“A Igreja convida a implementar políticas adequadas às reais necessidades da família para que elas possam ter filhos”, disse o presidente da CCEE, apresentando alguns dos profissionais do setor que participarão dos trabalhos da plenária Lola Velarde, presidente da Rede Européia do Instituto para as Políticas familiares, Mons. Carlos Simón Vázquez, Subsecretário do Pontifício Conselho para a Família e Rudzinskas Virgilijus, médico da Lituânia.
Entre outros assuntos da ordem do dia, o diálogo com as instituições europeias sobre o problema das seitas, a presença dos ciganos no território da União e a Jornada Mundial da Juventude que se realizará em Madri, em agosto de 2011. No dia 1º de outubro, os presidentes das Conferências Episcopais serão recebidos pelo Chefe de Estado da Croácia, Ivo Josipovic; e, finalmente, durante a Assembléia, serão apresentados os resultados das atividades do Observatório sobre casos de discriminação e intolerância contra os cristãos na Europa. (SP)
Fonte: RV

domingo, 19 de setembro de 2010

CASOS DE ABUSO SEXUAL DESCREBILIZAM A IGREJA

Casos de abuso sexual descredibilizam a Igreja
Afirmou Bento XVI no encontro com os Bispos da Inglaterra, Gales e Escócia


Bento XVI defendeu este Domingo que os escândalos de abusos sexuais de menores por parte de membros do clero católico “minam seriamente a credibilidade moral dos líderes da Igreja”.

Falando aos Bispos da Inglaterra, Gales e Escócia, neste dia 19 de Setembro, o Papa falou no “vergonhoso abuso de crianças e jovens por padres e religiosos” e nas “profundas feridas” que esse comportamento causou.

O pensamento de Bento XVI dirigiu-se “em primeiro lugar, e sobretudo”, para as vítimas, mas também destacou os efeitos destes casos nas “relações de confiança existentes entre os padres e o povo, entre os padres e os seus bispos, entre as autoridades da Igreja e as pessoas”.

Após reconhecer os esforços empreendidos pelos Bispos para “remediar esta situação” e “lidar adequada e transparentemente com as alegações que surgiram”, o Papa pediu que sejam retiradas as necessárias lições.

No discurso proferido no seminário de Oscott, Birmingham (Inglaterra), Bento XVI admitiu que os Bispos lidaram de “formas muitas vezes desadequadas” com todas estas situações, no passado.

“A vossa crescente consciência da extensão do abuso de crianças na sociedade, dos seus efeitos devastadores e da necessidade de oferecer um apoio adequado às crianças deve servir como um incentivo a partilhar as lições que aprendestes com a comunidade, no seu todo”, observou.

Na conclusão da sua visita de quatro dias ao Reino Unido, o Papa deixou votos de que a Igreja faça “reparação por estes pecados” e parta ao encontro “das crianças que continuam a sofre abusos, noutros locais”.

Antes deste discurso, Bento XVI já tinha abordado o tema dos abusos em duas intervenções, manifestando a sua “profunda dor” perante o acontecido, e manteve um encontro privado com cinco vítimas, na Nunciatura Apostólica, em Londres.

Perante os Bispos da Inglaterra, Gales e Escócia, o Papa quis ainda aludir à crise financeira, apelando a uma maior “generosidade” dos católicos britânicos, e à “urgente necessidade de proclamar novamente o Evangelho num ambiente altamente secularizado”.

Pediu ainda que seja dada prioridade “aos pobres e necessitados, aos doentes e idosos, aos não-nascidos e aos abandonados”.

Bento XVI foi saudado pelo Cardeal Keith O'Brien, presidente da Conferência Episcopal da Escócia, e o Arcebispo Vincent Nichols, líder da Conferência da Inglaterra e Gales, que manifestaram a sua gratidão pela presença e as palavras papais.

O Papa passou por Edimburgo, Glasgow, Londres e Birmingham, de 16 a 19 de Setembro, na sua 17ª viagem ao estrangeiro, a primeira visita de Estado de um Papa ao Reino Unido.

Fonte: Ag. Ecclesia

domingo, 6 de junho de 2010

A RIQUEZA DA IGREJA

LITURGIAS E LÍNGUAS: A RIQUEZA DA IGREJA
Nicósia, 06 jun (RV)

– O penúltimo compromisso de Bento XVI em terras cipriotas foi a visita à Catedral maronita de Nossa Senhora das Graças, na capital Nicósia, consagrada em 1960.Na presença dos fiéis maronitas, o Papa recordou a presença desta comunidade em Chipre, marcada por uma longa e rica história, mas também por episódios turbulentos. Todavia, apesar das provações, eles permaneceram perseverantes na fé: "Eu os exorto a fazerem tesouro desta grande herança, deste precioso dom".A seguir, Bento XVI falou do grande templo que é o Corpo Místico de Cristo, que se expressa na variedade de liturgias, de línguas e de lugares onde os cristãos se encontram. Manifestação da única voz do Povo de Deus, essa comunhão nos impulsiona a levar a Boa Nova a toda a humanidade."Este é o empenho que eu compartilho com vocês hoje: rezo para que a Igreja maronita, em união com todos os pastores e com o Bispo de Roma, possa crescer em santidade, na fidelidade ao Evangelho e no amor pelo Senhor e pelo próximo" – disse Bento XVI em grego. Depois da saudação do pontífice, seguiu a "Oração do Perdão" (segundo a liturgia síria), pronunciada pelo Patriarca maronita, Card. Nasrallah Sfeir, o hino de invocação a Nossa Senhora e a entrega de um dom ao Papa.Concluída a visita, Bento XVI se dirigiu ao Aeroporto Internacional de Larnaca, para a cerimônia de despedida. (BF)


Fonte: RV

sexta-feira, 23 de abril de 2010

IGREJA É MEMORIAL DE REFERÊNCIA E MORALIDADE

Mesmo ferida, Igreja é memorial de referências e moralidade
Arcebispo sublinha presença indispensável da Igreja na vida da sociedade


BELO HORIZONTE,

- O arcebispo de Belo Horizonte (Brasil), Dom Walmor Oliveira de Azevedo, afirma que a Igreja, mesmo ferida, “é um memorial de referências e moralidade, indispensável”.

Em artigo enviado a ZENIT nesta sexta-feira, Dom Walmor recorda o ensinamento do apóstolo Paulo de que a Igreja é um corpo. “Paulo acentua que cada membro é diferente e importante. Sua condição, se ferida, ecoa em toda a sua extensão, em razão da insubstituível articulação entre os membros desse mesmo corpo”.

“Quando o Papa Bento XVI fala de uma Igreja ferida, nessa primeira década do terceiro milênio, está reconhecendo que há membros feridos, com repercussão em todo o corpo que é a Igreja”, afirma o arcebispo.

Segundo Dom Walmor, “as chagas que atingem o corpo que é a Igreja se configuram de muitas maneiras. Toda quebra da unidade, injustiça, disputa, exploração, desrespeito e irreverências ferindo a nobreza da dignidade humana, compõem a lista que pode fazer da Igreja corpo ferido”.

“A pedofilia, crime hediondo, conduta abominável, é uma ferida que afeta todo o corpo. Agrava-se quando membros servidores consagrados desse corpo são os instrumentos desses acontecimentos nefastos.”

Para o arcebispo de Belo Horizonte, “esse primeiro decênio da vida da Igreja nesse terceiro milênio, preconizado como o da mística e da espiritualidade, desafia a Igreja Católica a voltar, ainda mais, a suas fontes”.

“A Igreja Católica tem fontes e elas estão retratadas em memórias ricas, consignadas em experiências, monumentos, serviços, tradição imaterial, cultura gerada nos braços dos valores evangélicos.”

“A Igreja - ainda quando ferida nesses, por esses ou naqueles membros, e também pelas injunções da história de cada tempo, com suas mudanças e descompassos - contabiliza experiências, serviços, pessoas, muitos sacerdotes, alimentando e garantindo sua presença indispensável na vida da sociedade, um tesouro inestimável”, afirma Dom Walmor.

Se o seu corpo é ferido – prossegue o arcebispo –, “tem em seu coração o amor de Deus revelado no seu Mestre e Senhor, Jesus Cristo, que lhe garante uma incontestável envergadura moral, credibilidade e força própria para renascer e continuar sua missão”.

“Mesmo ferida, a Igreja é um memorial de referências e moralidade, indispensável, como se comprova, para a vida de povos e culturas”, escreve o prelado.
(Alexandre Ribeiro)

Fonte: ZENIT.org

quarta-feira, 21 de abril de 2010

A IGRAJA É IMACULADA E INDEFECTIVEL


São Paulo, 19 de abril de 2010
Aniversário da eleição para a Cátedra de Pedro de
S.S. o Papa Bento XVI

A Igreja é imaculada e indefectível

Após cada campanha de ataques contra ela, a Igreja sempre aparece mais forte e esplendorosa do que antes

Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP

A saraivada de notícias que, nas últimas semanas, tenta macular a Igreja Católica, tomando por motivo abusos de crianças cometidos por parte de sacerdotes católicos, atinge um clímax inacreditável. Decididos a não deixar morrer a fogueira que acenderam, vários órgãos de comunicação social têm se dedicado a investigar o passado, à procura de novas alegações que envolvam o Vigário de Cristo na Terra, o Papa Bento XVI, no que, aliás, têm falhado rotundamente.

Que haja padres despreparados e indignos, ninguém o pode negar; que abusos horríveis foram cometidos, e certamente até em número superior ao registrado, é preciso reconhecer. Mas utilizar falhas gravíssimas, mas circunstanciais, relativas a uma minoria de clérigos, para enxovalhar toda a classe sacerdotal é uma injustiça. E usar isso como pretexto para tentar derrubar a Igreja é diabólico.

Aliás, quanto mais o espírito libertário, relativista e neopagão de nossa época se infiltra na Igreja, tanto mais é de temer que aconteçam crimes de pedofilia. Daí mesmo a necessidade de implantar nos seminários um sistema rigoroso de seleção, de modo a só admitir como candidato ao sacerdócio quem não tenha a propensão de pactuar com o mundo, mas queira ensinar a prática da doutrina católica em toda a sua pureza e dar o exemplo.

A atual campanha publicitária contra a Igreja faz-nos esquecer uma verdade da qual a história nos dá um inequívoco testemunho: foi a Igreja Católica que livrou o mundo da imoralidade, e é porque está rejeitando a Igreja que o mundo tem afundado novamente no lodo do qual foi resgatado.

O mundo do paganismo era um inferno

A maioria da população do Ocidente dá por certo que o mundo, em grau maior ou menor, sempre cultivou os valores aos quais estamos acostumados. Esses valores, sacrossantos até cerca de 50 anos atrás, em certa medida ainda resistem à decadência acelerada deste início de milênio:

família tradicional, proteção da inocência infantil, senso do pudor, modos educados, trajes decentes, honorabilidade, respeito mútuo, espírito de caridade, dignidade humana, solidariedade, etc.

Mas não foi sempre assim. Antes de Nosso Senhor Jesus Cristo pregar entre os homens a Boa Nova do Evangelho, o mundo estava mergulhado numa prolongada e terrível noite, em que reinavam a devassidão moral, o egoísmo, a crueldade, a desumanidade e a opressão, conforme a história nos ensina 1.

Dessa situação não se pode concluir que todos os romanos, gregos e "bárbaros" fossem devassos. Havia minorias inconformes com aquela situação e preparadas para receber a pregação evangélica com a avidez de náufragos que encontram a tábua de salvação. Daí a rápida expansão da Igreja Católica pelo mundo romano e, finalmente, a conversão do Império no ano 313 da era cristã.

Religiões degradantes

Tudo quanto a parte sã da opinião pública do Ocidente ainda olha com horror hoje em dia, era, no mundo dominado pelo paganismo, moeda corrente e normal. Basta-nos recordar o que a mitologia greco-romana diz a respeito dos vários deuses de seu panteão.

Formavam eles um temível bando de depravados: adúlteros, violentos, impudentes, mentirosos, ladrões, opressores, assassinos, parricidas, matricidas, fratricidas, cruéis, egoístas, traidores, preguiçosos, falsos, desonrados, incestuosos, fornicadores, perversos e pedófilos. Zeus (o Júpiter dos romanos), a divindade máxima desse covil, era não só um brutamontes, que praticara canibalismo devorando uma de suas filhas e assassinara outros parentes próximos, mas também um adúltero incontrolável, que fizera muitas vítimas entre "deusas" casadas e solteiras, violentara suas irmãs e noras, estuprara sua própria filha e até sua mãe e que, além disso, mantinha como amante um menino que raptara 2.

Os relatos dessas infâmias estavam nos textos apresentados às crianças nas escolas daquele tempo, para instruí-las na gramática, na retórica, na poesia, como assinalaram em sua época os apologistas cristãos.

A religião pagã exercia, pois, um maléfico domínio sobre a sociedade, propondo, como exemplos a serem imitados, as iniquidades dos deuses. De outro lado, a sociedade influenciava a religião, de modo que os mitos refletiam os costumes então em voga.

Imoralidade, crueldade, opressão

Naquele ambiente pagão, a situação da mulher era terrível. Em geral quase sem direitos, ela era praticamente considerada como uma escrava do marido, isso quando tinha o privilégio de ser casada.

1 É preciso excetuar o povo judeu. Entretanto, mesmo algumas práticas do Povo Eleito foram, por Nosso Senhor Jesus Cristo suavizadas, ou posteriormente modificadas.
2 Cf. por ex. ARISTIDES, Apologeticum (escrito entre 123 e 127 d.C.); JUSTINUS, Apologia Prima (entre 153 e155 d.C.); ARNOBIUS, Disputationum Adversus Gentes (entre 304 e 312 d.C.).

As próprias religiões, mesmo as mais elevadas, conduziam as mulheres — como, naturalmente, também os homens — a grandes depravações. A dos caldeus, por exemplo, era sinistra e corruptora, com práticas lúbricas nos templos. A religião fenícia também estimulava a degradação da mulher.

Heródoto é um dos que nos fornece informações sobre a "prostituição sagrada" praticada nos templos da Babilônia, Assíria, Grécia, Síria, Chipre e em outros lugares3. Com frequência, as "sacerdotisas" ingressavam nos templos quando muito jovens, entregues pelos próprios pais.

O famoso "Código de Hamurábi", promulgado por este rei de Babilônia (cerca de 1793 a 1750 a.C.), reserva alguns tópicos para regulamentar essa prática 4.

O culto de Cibele e Átis, surgido na Frígia, de onde passou para a Grécia e Roma, levava a práticas escabrosas em público. Como Átis se mutilara, perdendo sua masculinidade, seus festejos incluíam a automutilação de muitos homens, realizada em meio de uma multidão que, alucinada, dançava e uivava, enquanto se executava uma música, com o ensurdecedor ruído das flautas, címbalos e tambores 5.

A Grécia contava com numerosos templos dedicados a Vênus, mas nenhum consagrado ao amor legítimo entre esposos. Em Atenas e outras cidades realizava-se, uma vez por ano, uma procissão na qual era levada uma enorme escultura fálica. Homens e mulheres percorriam as ruas cantando, pulando e dançando em torno desse ídolo.

Opressão da mulher

A honorabilidade feminina era ainda ferida pelo costume da poligamia, generalizado em muitas regiões, embora houvesse locais onde vigorava a poliandria6. Igualmente degradante era o incesto, especialmente comum na Pérsia7, mas também na Grécia8.
Na Índia, dentre as cruéis práticas milenares do paganismo, o costume exigia que a viúva fosse queimada junto com o cadáver do marido 9.

O Código de Hamurábi está repleto de normas que espelham o estado de opressão da mulher nas civilizações antigas, a qual muitas vezes era punida com a morte, a escravidão ou o repúdio10.
Mesmo em Roma e na Grécia, as leis antigas eram iníquas com relação à mulher 11, e até pes

3 HERODOTUS. Book 1, "Clio", n. 181; n. 199. In Kitson, J., Herodotus Website, www.herodotuswebsite.co.uk, 2003.
4 The Code of Hammurabi, King of Babylon, About 2250 BCE, tradução para o inglês por Robert Francis Harper, Chicago, University of Chicago Press, 1904, nº 181, 182.
5 MARTINDALE, C. "A religião dos romanos", in Christus – História das religiões. São Paulo, Saraiva, 1956, v. II, p. 560-561.
6 PSEUDO-CLEMENTE. The Recognitions, c. 24.
7 Ibid., c. 27.
8 COULANGES, Fustel de. La Cité Antique. Paris: Flammarion, 1984. p. 78, 81, 82.
9 PSEUDO-CLEMENTE, op. cit., c. 25.
10 The Code of Hammurabi, op. cit., n. 110, 132, 141, 143.
11 COULANGES, op. cit., p. 78.

pessoas como o austero Catão favoreciam graves injustiças a esse propósito 12. No caso de Atenas, para obviar de algum modo a parcialidade no tratamento dado às filhas, a lei incorria em uma aberração ainda maior, ao incentivar o incesto para resolver problemas de herança 13, chegando a impor a destruição de dois lares já constituídos, se preciso fosse 14.

Em Roma, na época em que a Boa Nova de Jesus Cristo já estava sendo pregada, a instituição da família encontrava-se em profunda crise. O aborto e o abandono das crianças assumiam proporções espantosas. A natalidade decrescia. Os homens ricos preferiam manter-se solteiros e cercar-se de inúmeras escravas, a se sujeitar aos incômodos do casamento 15.

A situação das crianças ante o Estado todo-poderoso

Na Grécia e em Roma não havia a liberdade individual que seus admiradores fazem acreditar: o cidadão vivia em função do Estado. Em sua República, o próprio Platão preconizava um Estado todo-poderoso, e mesmo Aristóteles o considerava como ideal supremo 16.

A família greco-romana também era totalitária sob certos aspectos. Assim, o Direito Romano dava um poder ditatorial ao pater familias17. Na Grécia vigoravam leis semelhantes. O pai tinha o direito de rejeitar seu filho recém-nascido, ou vendê-lo como escravo 18. Também podia condenar à pena de morte a esposa, um filho, uma filha, ou qualquer outro morador de sua casa, executando-se sem demora a sentença; as autoridades do Estado não interferiam 19.

Em Esparta, comenta Coulanges, "o Estado tinha o direito de não tolerar que seus cidadãos fossem disformes ou mal constituídos. Por isso ele ordenava ao pai ao qual nascesse um filho nessa situação, que o fizesse morrer" 20. Segundo o mesmo autor, essa lei se encontrava igualmente nos antigos códigos de Roma. Até Aristóteles e Platão incluíram, em suas propostas de legislação, essa prática.

Em Cartago e na Fenícia, crianças eram oferecidas em sacrifício aos ídolos; em Roma e na Grécia eram elas utilizadas em ritos de adivinhação21. Em vários lugares, crianças e adolescentes podiam ser punidos com a morte por um delito cometido pelo pai 22.

12 Ibid., p. 81.
13 Ibid., p. 81-82.
14 Ibid., p. 82.
15 DANIEL-ROPS, [Henri Pétiot]. A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires. São Paulo, Quadrante, 1988. p. 126-130
16 KOLOGRIVOF, Ivan (dir). Ensaio de suma católica contra os sem-Deus. Rio de Janeiro: José Olympio, 1939. p. 380-381.
17 JOLOWICZ, Herbert Felix; NICHOLAS, Barry. Historical introduction to the study of Roman Law. London: Syndics of the Cambridge University Press, 1972, p. 119; COULANGES, op. cit. p. 99.
18 JOLOWICZ, NICHOLAS, op. cit., p. 114; COULANGES, op. cit., p. 100-101. Ver tb. The Code of Hammurabi, op. cit., n. 117.
19 JOLOWICZ, NICHOLAS, op. cit., p. 119; COULANGES, op. cit., p. 102.
20 COULANGES, op. cit., p. 266.
21 JUSTINUS, Apologia Prima, c. 18: PG 6, 370.
22 DANIEL-ROPS, op. cit., p. 162; The Code of Hammurabi, op. cit., n. 210, 230.


O Estado, ao mesmo tempo em que dava ao pai um poder ilimitado dentro de casa, cerceava-o tiranicamente na educação dos filhos. Entre os gregos, o Estado era o mestre absoluto da educação, e Platão o justifica, pois, diz ele, "os pais não devem ter a liberdade de enviar ou de não enviar seus filhos aos mestres que a cidade escolher, porque as crianças são menos de seus pais do que da cidade" 23. O Estado considerava como pertencente a si o corpo e a alma de cada cidadão, e assumia a criança quando esta completasse 7 anos de idade 24.

Impiedosa e difundida escravidão

A escravidão era uma instituição tão corrente no mundo antigo que os escravos costumavam constituir a maioria da população. Em Roma, no tempo de Augusto, mais de um terço da população era constituído por eles25.
O dono de um escravo tinha sobre ele direito completo. Um escravo não era um homem propriamente dito; era uma coisa, res mancipi26. O dono tinha não só o direito de coabitar com a mulher do escravo sem cometer adultério, mas também de dispor dos filhos dele, e se o ferisse ou matasse, não cometia delito27.
Na lei romana havia incisos relativos aos escravos que davam ocasião a grandes crueldades. No tempo de Nero, por exemplo, um alto magistrado foi assassinado por um dos seus escravos. "O Senado, após longa discussão, decidiu aplicar a todos os servos da casa a velha lei que condenava ao suplício da cruz todos os escravos que não tivessem sabido proteger seu senhor. Diante dessa sentença terrível, houve tais protestos populares que os 400 condenados tiveram de ser executados sob a guarda do exército" 28.
Sempre houve um ou outro proprietário de escravos que os tratava com humanidade ou — mais raramente — com respeito, mas seria grande ingenuidade pensar ser essa a atitude habitual.
Selvageria sangrenta
Na Antiguidade os morticínios eram vistos com indiferença, como um acontecimento natural na vida dos povos. O massacre da população de uma cidade não causava a menor surpresa, nem indignação.
A tendência para sacrifícios sangrentos estava ligada a vários ritos do paganismo. Na Grécia a velha religião considerava conveniente oferecer holocaustos humanos para o apaziguamento dos deuses. Esses sacrifícios, comuns entre os gregos das épocas remotas, abrandaram-se mais tarde,

23 COULANGES, op. cit., p. 267.
24 COULANGES, Ibid.; MARROU, Henri Irénée. A history of education in antiquity. Madison: University of Wisconsin Press, 1982, p. 20, 23, 31.
25 DANIEL-ROPS, op. cit., p. 128.
26 JOLOWICZ, NICHOLAS, op. cit., p. 133-138, 277.
27 WEISS, Juan-Bautista. Historia Universal. V. 3. Barcelona: Tipografia La Educación, 1928, p. 390-391.
28 DANIEL-ROPS, op. cit., p. 132.

mas não desapareceram completamente. No século II da Era Cristã ainda se sacrificavam vidas humanas na Arcádia, em honra a Zeus Liceu 29.
Em Roma, o espetáculo mais apreciado pelo povo era o de homens morrendo, e as lutas de gladiadores constituíam ocasiões para impiedosos morticínios. "Pela manhã, diz Sêneca, jogam-se homens aos leões e ursos; depois do meio-dia, são jogados [ao arbítrio] dos espectadores.
O fim para todos os lutadores há de ser a morte, e põem-se mãos à obra com ferro e fogo, até que a arena fique vazia" 30. Nessas "sessões" iniciadas ao meio-dia, os condenados à morte deviam se executar mutuamente até o último. Tanto esse costume como a refeição das feras com carne humana nos ajudam a "compreender essa volúpia de ferocidade a que os romanos darão vazão nas perseguições anticristãs", observa Daniel-Rops, e conclui: "Por muito revoltantes que nos pareçam, essas cenas, de que também os cristãos serão vítimas, eram normais em Roma. E raros, muito raros, eram os assistentes que exteriorizavam a sua desaprovação" 31.

Panem et circenses ficou conhecida como a fórmula ideal para manter a multidão aquietada, atendendo-se também ao seu crescente gosto pelo sangue. Foi, igualmente, uma das causas da deterioração de Roma.

A chaga da pedofilia

Aquilo que a imprensa de hoje denomina de pedofilia era largamente praticado no mundo antigo, ao amparo da lei, por influência das religiões pagãs.

Na Grécia, ocorria como prática legal a corrupção sexual de meninos, mais propriamente chamada de pederastia 32. Todo homem adulto que não fosse escravo tinha o direito de praticá-la. Tal era o costume também na Pérsia e em outros lugares, onde se mantém através dos séculos. Roma acabou sendo contaminada pelo mal grego, a ponto de vários imperadores procurarem por amantes adolescentes 33.

Meninos considerados belos, se fossem feitos prisioneiros de guerra, ou raptados, ou vendidos pelos pais, eram mutilados a fim de alimentar todo um tráfico de eunucos 34. Não escapavam nem mesmo os filhos da nobreza 35.

Na Grécia — Atenas, especialmente —, as vítimas da pederastia não eram apenas os prisioneiros de guerra, os raptados e os escravos. Qualquer menino podia se tornar alvo dos desejos infames de homens adultos. E o costume era que cedesse. Se um pai, dotado de um resto de sensibilidade moral, desejasse poupar essa tragédia aos filhos, tinha de agir antes de ela acontecer,

29 HUBY, J., "A religião dos gregos", in Christus – História das Religiões. São Paulo, Saraiva, 1956, vol. II, p. 514.
30 WEISS, op. cit., p. 658-659.
31 DANIEL-ROPS, op. cit., p. 162.
32 DEMAUSE, Lloyd. Foundations of Psychohistory. New York: Creative Roots, 1982, p 50-53. Conforme mostra o autor, Roma não ficou livre desse problema.
33 É o caso por ex. de Adriano, cujo apego doentio por um menino é romanceado por Marguerite Yourcenar em "Mémoires d’Hadrien".
34 HERODOTUS, op. cit. Book 3, "Thalia", n. 92; Book 8, "Urania", n. 105.
35 Ibid., Book 3, "Thalia", n. 48; Book 6, "Erato", n. 32.

empregando escravos que, como falcões, vigiassem os meninos36. Mas, diz Ésquines, muitos pais desejavam ter belos filhos, sabendo que estes se tornariam alvo de predadores 37.
As escolas — as tão elogiadas Academias — eram locais onde os estudantes, de até 12 anos de idade ou mesmo mais jovens 38, ficavam à mercê dos mestres 39. As leis atenienses chegavam ao absurdo de proteger e incentivar essa prática, inclusive regulando o flerte e o "namoro" entre homens e meninos 40.

Gregos famosos no mundo da literatura, das artes, da filosofia e da política, praticaram e louvaram a pederastia, como Sólon, Ésquilo, Sófocles, Xenofonte, Tucídides, Ésquines e Aristófanes 41.

A filosofia grega chegou a debater essa prática, sem nunca condená-la por completo. Mesmo Sócrates, Platão e Aristóteles não ficaram isentos desse mal 42. Em Charmides, Platão se refere ao adolescente que portava esse nome, como se fosse um enamorado louvando sua amada, falando de suas atrações e das emoções que produzia.
No Simposium, o personagem Fedro se enche de lirismo ao descrever um exército feliz e exitoso inteiramente composto de homens-amantes e meninos-amados 43. Contudo, finalmente atraído por ideias mais elevadas, Platão evoluiu de sua aprovação condicional da pederastia nos seus primeiros diálogos para a condenação formal desse vício no seu trabalho final, Leis. Entretanto, suas tentativas, como as de alguns estoicos, de propor uma pederastia "casta" foram recebidas com sarcasmo pelo povo e ficaram sem resultado. Com efeito, o "amor platônico" é muito difícil de ser praticado, pois em matéria de castidade o homem não consegue ficar permanentemente no meio termo 44.

Os gregos chegaram a considerar o relacionamento natural entre homem e mulher como inferior ao relacionamento entre homem e menino. Numa sociedade na qual esse tipo de comportamento influenciava até o ideal do Estado, a mulher tinha de ser desprezada45, relegada ao papel de mera reprodutora.

Uma obra histórico-filosófica como Erastos, do século II ou III d.C., por muitos atribuída a Luciano de Samósata, traz um diálogo entre dois gregos que discutem seriamente qual amor seria superior... Igualmente, no décimo Diálogo dos Cortesãos, Luciano aborda esse tema.
Plutarco, em Erotikos, analisa, com toda a seriedade, qual a atração — por mulheres ou por meninos — é a mais interessante para um homem adulto. Felizmente, ao contrário de Erastos, conclui que o ideal é realmente o casamento monogâmico.

36 AFARY, Janet; ANDERSON, Kevin B. Foucault and The Iranian Revolution. Chicago: The University of Chicago Press, 2005. p. 148.
37 WOHL, Victoria. Love Among The Ruins: The Erotics of Democracy in Classical Athens. Princeton: Princeton University Press, 2002, p. 6.
38 DEMAUSE, op. cit., p 51. O autor cita Plutarco, que se refere à existência do mesmo mal também em Roma.
39 WOHL, op. cit., p. 150; AFARY, ANDERSON, op. cit., p. 148; MARROU, op. cit., p. 26-37.
40 WOHL, op. cit., p. 226; AFARY, ANDERSON, op. cit., p. 148-149; MARROU, op. cit., p. 31.
41 WOHL, op. cit., p. 87, 226 et passim; AFARY, ANDERSON, op. cit., p. 4, 148. MARROU (op. cit., p. 366), elogia o silêncio de Homero sobre a pederastia, o que constitui uma exceção honrosa entre os escritores de então. Ao que parece, ele "decidiu ignorar uma bem conhecida instituição de sua época".
42 MARROU, op. cit., p. 33.
43 WOHL, op. cit., p. 4.
44 MARROU, op. cit., p. 366.
45 WOHL, op. cit., p. 8, 48; AFARY, ANDERSON, op. cit., p. 144, 145, 150, 151.

Em Roma, também as meninas podiam ser vítimas de abuso sexual. É o que se deduz das palavras de São Justino, em sua Apologia, nas quais vitupera o costume de crianças rejeitadas — meninos e meninas — serem criadas para a prostituição: "E assim como os antigos criavam rebanhos de bois, bodes, carneiros ou cavalos, assim vós agora criais crianças destinadas a esse vergonhoso uso; e para esse uso impuro, uma multidão de mulheres e hermafroditas, e aqueles que cometem iniquidades que nem podem ser mencionadas, se espalham por toda a nação. [...] E há aqueles que prostituem até mesmo seus próprios filhos e mulheres; alguns são abertamente mutilados para serem usados na sodomia" 46.

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Esse é o mundo quando nele não está presente a santa Igreja de Deus. O quadro aqui apresentado, embora não esteja completo, é suficientemente trágico para expor as mazelas da Antiguidade pagã e nos dar uma ideia do choque ocorrido no tempo em que a mensagem do Evangelho começou a exaltar valores opostos, ordenados e santos.

O choque dos valores do Evangelho com os contravalores mundanos

A mensagem de Jesus Cristo veio desequilibrar o carcomido mundo antigo. Ela censurava a libertinagem e a crueldade, e exaltava a liberdade para praticar o bem, a castidade, a virgindade, a inocência, a fidelidade conjugal, o amor aos inimigos, a caridade, a abnegação, a bondade para com os mais fracos, a dignidade de todos os seres humanos, criados à imagem e semelhança de Deus.

Um horror especial ao pecado da pedofilia foi instilado nas almas por nosso Divino Mestre, com palavras de uma extrema severidade: "Se alguém fizer cair em pecado um destes pequenos que creem em mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó de um moinho e o lançassem no fundo do mar" (Mt 18,6).

Ante a sublimidade do Evangelho, o paganismo não conseguiria ficar indiferente. Só lhe restavam duas reações: ou encantar-se e submeter-se ao suave jugo de Deus, ou odiar e perseguir. Não poucos se converteram. Muitos, porém, aferraram-se ao lodo, e seu ódio levou ao martírio milhões de cristãos.

Todavia, o sangue dos mártires começou a ser semente de novos cristãos, segundo a célebre afirmação de Tertuliano47. O espetáculo de homens e mulheres, idosos e idosas, adultos no auge da saúde, jovens vigorosos, virgens, crianças — todos confessando a fé em Jesus Cristo e caminhando resolutos em direção à morte —, arrancava admiração de muitos espectadores, acarretando conversões cada vez mais numerosas.

O paganismo necessitou, pois, lançar mão de outra arma, para tentar reverter o jogo: a difamação e a calúnia. Como observam os Apologistas cristãos daqueles primeiros séculos, os pagãos passaram a acusar os cristãos exatamente dos delitos que o paganismo cometia.

46 JUSTINUS, op. cit, 27: PG 6, 370. Ver tb. DEMAUSE, op. cit., p. 52-53.
47 Apologia, 50,13.


É digno de nota que uma das acusações era a da pedofilia, agravada com incesto48. São Justino comenta: "As coisas que vós fazeis abertamente e com aplauso, [...] dessas mesmas coisas vós nos acusais" 49. E Arnóbio lança ao rosto dos pagãos: "Quão vergonhoso, quão petulante é censurar, em outro, aquilo que o acusador vê que ele mesmo pratica — aproveitar a ocasião para ultrajar e acusar outros de coisas que podem ser retorquidas contra ele mesmo!" 50.
Ou seja, aqueles pagãos faziam como o ladrão que, ao roubar, grita: "Pega ladrão!"

Uma civilização governada pelo Evangelho

A Igreja Católica acabou por vencer, em virtude da força intrínseca do bem. E aos poucos, auxiliada pela graça divina que nunca falha, ela tomou os greco-latinos decadentes e os bárbaros germanos, converteu-os, educou-os e inspirou a edificação de uma brilhante civilização cujo ápice, nunca antes alcançado, ocorreu nos séculos XII e XIII.

Nessa época, segundo diz o Papa Leão XIII, "a filosofia do Evangelho governava os Estados". Então, "a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil". Da relação harmoniosa entre o poder religioso e o temporal, "a sociedade civil deu frutos superiores a toda a expectativa, cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer" 51.

Foi nesse tempo que a Igreja desenvolveu a escolástica, edificou as catedrais góticas (com seus vitrais e monumentos), criou as universidades e os hospitais, impulsionou as ciências e o progresso técnico, aperfeiçoou as relações internacionais entre os estados, aboliu a escravidão, fez avançar o progresso social, elevou a condição da mulher, de tal modo que, no século XIV, a Europa havia ultrapassado de muito todos os outros continentes.

Conforme ressalta um estudioso do progresso técnico medieval, naquela época, "pela primeira vez na história se construiu uma civilização complexa que não mais se sustentava nas costas suarentas de escravos ou de servos, mas principalmente na energia não humana" 52.

Quanto mais avançam os estudos históricos e científicos sobre esta matéria, tanto mais vai ficando demonstrada esta verdade, jogando por terra o mito de que a Idade Média foi uma era de atraso e de opressão. A literatura especializada a tal respeito vai se multiplicando 53.

48 MINUCIUS FELIX, Octavius, c. 9; LECLERCQ, Henri, P. Verbete: "Accusation Contre les Chrétiens", in Dictionnaire d’Archéologie Chrétienne et de Liturgie. V. 1, 1e partie. Paris: Letouzey et Ané, 1924. Cols. 274, 275.
49 JUSTINUS, op.cit., c. 27.
50 ARNOBIUS, op. cit., l. 2., n. 70.
51 LEÃO XIII. Encíclica Immortale Dei. 1/11/1885, n. 28.
52 WHITE, Lynn. Medieval Religion and Technology. Berkeley and Los Angeles: University of Los Angeles Press, 1978, p. 22.
53 Ver, p.exe., WOODS, Thomas E. How The Catholic Church Built Western Civilization. Washington, DC: Regnery, 2005; STARK, Rodney. The Victory of Reason. How Christianity Led to Freedom, Capitalism, and Western Sciences. New York: Random House, 2005; PERNOUD, Régine. Pour en finir avec le Moyen Âge. Paris: Seuil, 1977; SWEENEY, Jon M. Beauty Awakening Belief. London: Society for

Por que acusar só a Igreja?

Entretanto, sempre houve minorias inconformes com o domínio da virtude, da verdade e do bem, de modo que, periodicamente, a Igreja se vê vítima de novas investidas.

Um dos procedimentos preferidos continua a ser o de acusar a Igreja precisamente dos delitos que o próprio mundo não se envergonha de cometer. Quais são os maiores destruidores da inocência infantil hoje em dia? Quem promove uma pornografia irrefreável, que não respeita nem idade, nem dignidade, e que incita a todo tipo de crime sexual? Quais os que, de todos os modos, pressionam as escolas para iniciarem as crianças em práticas imorais? Quem impulsiona as mudanças das leis de maneira a abolir a influência cristã e a substituí-la pela do velho paganismo? Eis questões que pedem respostas; eis um tema muito apropriado para um futuro estudo.

Consideremos a acusação de pedofilia. Como afirmam os especialistas, baseados nas pesquisas até agora realizadas, a maior parte desses crimes são cometidos especialmente na própria casa da família, e os abusadores são principalmente os padrastos, seguidos — ó tristeza! — pelos pais, por outros parentes e pelos namorados das parentas das vítimas54. Curiosamente, nunca se
Promoting Christian Knowledge, 2009; JAKI, Stanley L. Patterns or Principles and Other Essays. Wilmington: Intercollegiate Studies Institute, 1995; JONES, Terry. Medieval Lives. London: BBC Books, 2004; GRANT, Edward. God and Reason in The Middle Ages. Cambridge: Cambridge University Press, 2001; LINDBERG, David C. (editor). Science in the Middle Ages. Chicago: University of Chicago Press, 1980.
54 A literatura a esse respeito é abundante. Ver, por ex., CARROLL, Janell L.; WOLPE, Paul Root. Sexuality and Gender in Society. New York: HarperCollins College Publishers, 1996: "Com efeito, ter um padrasto é um dos mais potentes prognósticos de abuso sexual" (p. 553). FINKELHOR, David. "Child Sexual Abuse", in ROSENBERG, Mark L.; FENLEY, Mary Ann (editors). Violence in America. A Public Health Approach. Oxford, New York: Oxford University Press, 1991: "Diversos fatores têm se revelado consistentemente associados com um maior risco de abuso: (1) quando a criança vive sem um dos parentes biológicos, (2) quando a mãe não está sempre ao alcance da criança, em virtude de emprego fora de casa, ou por causa de invalidez ou doença, (3) quando a criança relata que o casamento de seus pais é infeliz ou marcado por conflito, (4) quando a criança informa que tem um relacionamento pobre com seus pais ou é sujeita a castigos ou abuso infantil, (5) quando a criança diz ter um padrasto" (p. 85). Segundo vários estudos, as meninas que vivem com padrasto compõem o grupo de mais alto risco. Por tal razão, Finkelhor, uma conceituada autoridade nesta matéria, pensa que as famílias nas quais há padrasto deveriam ser foco de políticas para prevenir abusos (FINKELHOR, David; and associates. A Sourcebook on Child Sexual Abuse. Newbury Park, CA: Sage Publications, 1986, p. 77-79). No mesmo sentido, a Rádio Vaticano, na edição de 5/4/2010 do Radiogiornale, expressando estranheza pela campanha paradoxal contra a Igreja, lembra que, segundo os dados oficiais, os principais culpados do abuso sexual de crianças não são padres. É o que demonstra um relatório do governo americano, de 2008, segundo o qual "mais de 64% dos abusos são perpetrados por pais, parentes ou outras pessoas que vivem na mesma casa, portanto, no âmbito das relações familiares. Nas escolas do país, quase 10% dos jovens sofrem abusos. No que toca aos sacerdotes católicos envolvidos, estima-se que sejam menos de 0,03%". Estudos recentes realizados em outros países indicam que os dados referentes aos Estados Unidos se repetem, com ligeiras variações, em todo o Ocidente. Uma estatística publicada no "Portal da Criança", da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Humano (SEDH/PB) do Estado da Paraíba, mostra que 90% dos casos de pedofilia ocorrem dentro de casa, sendo que as maiores incidências ocorrem na seguinte ordem: pai, padrasto, irmão, tio, avós, padrinhos e vizinhos (http://crianca.pb.gov.br/contador/?p=479). A revista Veja (18/3/2010, p. 112) informa que, na classe média brasileira, em 37% dos casos de pedofilia, o abusador é o padrasto, e em 34% é o próprio pai. Além disso, nas classes C e D, 74% das vítimas são filhos de pais separados.

viu algum adversário da Igreja pedir um estudo sério sobre a relação entre a desagregação da família, causa principal da existência de milhões de padrastos, e os crimes de pedofilia, nem exigir uma investigação sobre os perigos de se levar, para dentro de casa, namorados, quando ali residem menores.

Apenas de passagem, note-se que a massa dos pedófilos é constituída por homens casados. Também é de notar que todas as religiões têm membros seus envolvidos em casos de pedofilia, e algumas em proporções gigantescas.

Por que, então, levantar uma campanha internacional somente contra a Igreja Católica?

Prova inequívoca da santidade da Igreja

Ressaltemos mais uma vez: foi a Igreja Católica que, sempre fiel aos ensinamentos de seu Fundador, fez cessar no Ocidente a prática da pedofilia e inspirou horror a ela.

Portanto, quem ataca a Igreja a esse propósito está utilizando, contra ela, um valor a ela pertencente, e está implicitamente reconhecendo que ela é inatacável a partir dos contravalores do mundo.

Ou seja, os próprios adversários estão fornecendo a prova de que a Igreja Católica Apostólica Romana é substancialmente santa.

A Igreja Católica censura o mundo, porque este é corrompido. Ela requer um alto padrão de comportamento, casto e puro. E a feroz e cerrada investida dos inimigos injustamente consiste em procurar acusá-la de não praticar a moral que ela mesma implantou na sociedade. A isto se reduz a atual campanha publicitária, no tocante à pedofilia.

Mas como fazer para atingir a Igreja pelas faltas de uma minoria de seus membros? Um dos estudos mais autorizados sobre o problema da pedofilia, de Philip Jenkins, analisa as técnicas jornalísticas usadas para enfatizar, não os delitos de indivíduos que por acaso são padres, mas o contexto institucional como dando origem ao comportamento deles 55. Utilizam-se títulos sugestivos, jogos de palavras, termos bem estudados, como, por exemplo, dar a um livro o chamativo nome de: "E não nos deixeis cair em tentação". Por sua vez, programas de televisão sobre os casos de pedofilia colocam, como fundo de quadro, cerimônias litúrgicas, música gregoriana, sacerdotes de batina, de modo a ficar estigmatizada a Igreja como um todo e a se fazer uma associação visual entre aquilo que é distintamente católico com o estereótipo de padres lascivos e cínicos 56.

Ora, médicos, professores, enfermeiros e outros profissionais aparecem em alto número entre os perpetradores de crimes de pedofilia 57, mas quem vai chegar ao absurdo de acusar todos os membros dessas categorias e a denegrir uma classe inteira pelos crimes de uma minoria?

No entanto, assim se procede no caso dos sacerdotes católicos. O choque que o delito sexual de um padre causa na opinião pública — choque justificado, porque a Igreja Católica é a única insti

55 JENKINS, Philip. Pedophiles and Priests: Anatomy of a Contemporary Crisis. Oxford, New York: Oxford University Press, 1996, p. 55.
56 Ibid., p. 56.
57 Ibid., p. 126-128.

tuição da qual se espera que seus membros sejam de uma pureza sem mancha, bem como que seus sacerdotes sejam santos — os adversários sabem explorar.

A santidade substancial da Igreja

Resta perguntar como pode a Igreja manter-se santa ante as evidências de que alguns padres cometem esses graves delitos.

Na realidade, o argumento mais forte contra a Igreja Católica sempre foi a vida dos maus católicos. Contudo, não nos pode surpreender que na Igreja de Cristo haja membros indignos. O próprio Jesus comparou sua Igreja à rede que apanha maus e bons peixes (cf Mt 13, 47-50); ao campo onde o joio cresce entre o trigo (cf Mt 13, 24-30); à festa de casamento, para a qual um dos convivas se apresenta sem a veste nupcial (cf Mt 22, 11-14) 58.

Não obstante, a Igreja será sempre sem mancha, como ressalta São Paulo: "Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível" (Ef 5, 25-27).

Não acontece o mesmo com as outras instituições terrenas. Sendo meramente humanas, as falhas de seus integrantes podem desdourá-las. A Igreja é a única que tem uma dimensão divina. Por isso, apesar das faltas de sua dimensão humana, sua substância permanece sempre pura. Ela é santa, porque santo é seu Fundador: é a imaculada Esposa de Cristo. Só os homens da Igreja são pecadores, mas a Santa Madre Igreja não pode pecar.

Ela "é santa", ressalta Paulo VI, "não obstante compreender no seu seio pecadores, porque ela não possui em si outra vida senão a da graça: é vivendo da sua vida que os seus membros se santificam; e é subtraindo-se à sua vida que eles caem em pecado e nas desordens que impedem a irradiação da sua santidade" 59. Portanto, para qualquer membro da Igreja, incluindo os pertencentes ao clero, aplica-se esta regra: eles somente caem quando diminuem seu amor à Igreja e relaxam em seu compromisso para com ela.

"Nessa perspectiva", diz-nos o Cardeal Biffi, Arcebispo emérito de Bologna, "torna-se claro que toda nossa culpa — pequena ou grande — não constitui apenas infidelidade ao amor que nos liga ao Pai, menoscabo pela obra redentora de Cristo, resistência à ação santificante do Espírito Santo; é ademais ultraje e sofrimento infligidos à Igreja. Toda incoerência com nosso batismo é sempre ingratidão para com aquela que, no batismo, nos gerou, é atentado contra sua beleza de Esposa do Senhor; beleza que, aos olhos humanos, fica ofuscada por nosso ato reprovável. [...] Mas nós, pelo menos, embora pequemos quase como eles, habituamo-nos a pedir perdão diariamente a essa nossa Mãe caríssima por tudo o que nos ocorre de pensar, dizer e fazer com ânimo não integralmente ‘eclesial’" 60.

Os pecadores não pertencem à Igreja por seus pecados, diz o Cardeal Journet, "mas por aqui

58 TRESE, Leo J. A fé explicada. São Paulo: Quadrante, 2007. p. 147-148.
59 PAULO VI. Sollemnis Professio Fidei, 19: AAS 60 (1968) 440.
60 BIFFI, Cardinale Giacomo. Meditazione Gesú di Nazareth, la fortuna di appartenergli. Giubileo Diocesano dei Catechisti, Cattedrale di San Pietro, Bologna, 29/10/2000.

lo que ainda há neles de dons de Deus, pelos caracteres sacramentais, a fé, a esperança teologal, suas orações, seus remorsos. Eles estão como que vinculados aos justos. Encontram-se na Igreja provisoriamente para serem um dia, ou definitivamente reintegrados, ou separados dela. Estão na Igreja não de uma maneira salvífica, mas como paralisados naquilo que diz respeito às suas atividades mais altas e decisivas" 61.

Claro está que a Igreja "não expele os pecadores de seu próprio seio, mas só seu pecado; continua a mantê-los em si na esperança de poder convertê-los. Luta neles contra o pecado que cometeram" 62.

Ressaltando a santidade da Igreja, que não se mancha nunca pelos pecados de seus filhos, o Cardeal Journet chama a atenção para sua íntima relação com cada uma das três Pessoas da Santíssima Trindade: desde toda eternidade, a Igreja Católica é conhecida e querida pelo Pai. É fundada por seu Filho, que veio para nos remir pela cruz. E é vivificada pelo Espírito Santo, que veio para estabelecer, nela, sua morada. "A Igreja inteira aparece, assim, como o povo reunido à imagem da unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo, de unitate Patris et Filii et Spiritus Sancti plebs adunata" 63.

A relação da Mãe de Deus com a Santa Igreja é outro fator de santidade. O conhecimento da verdadeira doutrina sobre Maria será sempre uma chave para compreender o mistério de Cristo e o da Igreja. A santidade de Nossa Senhora se reflete na Igreja, sua virgindade, sua pureza, sua disponibilidade em relação à vontade de Deus. Também os anjos do céu e os bem-aventurados conservam a Igreja na santidade, enobrecendo o culto que ela presta a Deus 64.

Todas as obras da Igreja têm por finalidade a santificação dos homens em Cristo e a glorificação de Deus65. Entretanto, ela não poderia realizar essa finalidade se não fosse santa. Assim, mesmo que nesta terra seja governada e composta por pecadores, ela é indefectivelmente santa, conforme provam os frutos abundantes de santificação que tem produzido66. Um possante sinal dessa santidade é a observância voluntária dos conselhos evangélicos, pelo qual centenas de milhares de homens e mulheres renunciam a tudo o que poderiam ter de legítimo nesta vida — família, posses, liberdade de decidir o que fazer — para imitar totalmente a Cristo Jesus 67.

A Igreja tem a coragem de exigir de todos os seus filhos o combate contra o pecado. Muitas almas dizem "sim" a esse apelo, porém, em geral, o bem que praticam fica escondido. O mal, neste mundo, conta com uma publicidade bastante maior, pois sua petulância solicita a atenção de todos. Seja como for, homens e mulheres de extraordinária santidade nunca faltaram à Igreja68, e é como instrumento de santificação que ela passa por uma contínua renovação 69.

61 JOURNET, Charles. Il mistero della Chiesa secondo il Concilio Vaticano II. Brescia: Queriniana, 1967, p. 84-85.
62 Ibid., p. 85.
63 Ibid., p. 31. Ver tb. CONCILIO VATICANO II, Lumen Gentium, n.4.
64 JOURNET, op. cit., p. 91-95.
65 CONCÍLIO VATICANO II. Sacrossantum Concilium, n. 10.
66 ARANGÜENA, José Ramón Pérez. A Igreja. Iniciação à eclesiologia. Lisboa: Diel, 2002. p. 110.
67 JOURNET, op. cit., p. 89.
68 KEMPF, Constantino. A santidade da Igreja no século XIX. Porto Alegre: Barcellos, Bertaso & Cia., 1936. p. 11-12.
69 CONCÍLIO VATICANO II. Lumen Gentium, n. 15.


Constitui, pois, um grande equívoco propor modificações na estrutura eclesial. "Quando o valor do compromisso sacerdotal é questionado como entrega total a Deus através do celibato apostólico e como disponibilidade total para servir às almas", assinalava Bento XVI em sua vinda ao Brasil, "dando-se preferência às questões ideológicas e políticas, inclusive partidárias, a estrutura da consagração total a Deus começa a perder o seu significado mais profundo. Como não sentir tristeza em nossa alma?" 70

Um pastor solícito para com seu rebanho

Alguns jornais têm tentado implicar o Papa Bento XVI na ocultação de crimes, no tempo em que ele era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e certas vozes estridentes chegam ao ponto de propor sua prisão.

A nosso ver, esse é o maior erro do adversário na atual campanha contra a Igreja. Sua insolência é o que mais tem causado geral indignação, contribuindo até mesmo para despertar e afervorar os católicos adormecidos.

A injustiça dos acusadores ainda se mostra mais flagrante quando, indo-se aos fatos, constata-se que foi Bento XVI, já quando era Cardeal, quem mais agiu para erradicar o problema, zelo esse que se acentuou ao ocupar a Cátedra de Pedro.

É emblemática a Carta Pastoral que, pouco antes da Páscoa, ele enviou aos católicos irlandeses, para ser lida em todos os púlpitos do país. Num gesto sem precedentes, o Santo Padre pedia perdão diretamente às vítimas e às suas famílias, expressando sua profunda desolação pelos "atos pecaminosos e criminosos" dos abusadores.
Dirigindo-se aos bispos, ressaltava os "graves erros de juízo" e a "falta de governo" por parte da Hierarquia. Por fim, sublinhava que a Igreja se pôs a trabalhar com afinco para corrigir e remediar o mal que foi feito.

Ressalte-se igualmente que, em maio de 2001, o então Cardeal Ratzinger enviou uma carta aos bispos, ordenando que lhe encaminhassem todas as acusações, contra clérigos, fossem velhas ou novas. Com essa iniciativa, a Santa Sé chamava a si a investigação dos abusos e a punição dos culpados. A partir daí, vários acusados tiveram de enfrentar um processo canônico completo, muitos foram demitidos do estado clerical, ou então demitiram-se voluntariamente, enquanto outros sofreram punições administrativas e disciplinares, incluindo a proibição de celebrar missa.
Contrariamente ao que certas fontes têm propalado, a referida carta não proibia a ninguém de comunicar-se com a polícia para denunciar eventuais abusos.
Na verdade, os Bispos pelo mundo afora — como nos Estados Unidos, Inglaterra e Canadá — já vinham adotando o procedimento de comunicar-se com as autoridades policiais, tão logo houvesse a confirmação de algum caso.

De outro lado, o Vaticano tem editado normas que tornam rigorosa a seleção dos candidatos ao seminário. Ademais, vem levando a cabo iniciativas como o Ano Sacerdotal, ainda em curso, e o Congresso Teológico Internacional, realizado em Roma no último mês de março, visando à renovação do clero e à remoção de conceitos errôneos sobre o sacerdócio, causados por uma "hermenêutica da descontinuidade e da ruptura"71 em face do Concílio Vaticano II.

70 BENTO XVI. Discurso. Encontro com os Bispos do Brasil, Catedral da Sé, São Paulo, 11/5/2007.
71 BENTO XVI, Discurso à Cúria Romana, 22/12/2005.

Esperamos que essas brisas de renovação tragam um pouco de consolo para as vítimas dos horríveis delitos cometidos por homens que, como representantes de Deus, deveriam ser os primeiros protetores das crianças e dos jovens. Delas nos condoemos e compartilhamos seus sofrimentos e suas desilusões, oferecendo por eles nossas orações. Aliás, a tragédia que os envolveu nos leva, uma vez mais, a recordar com dor aquelas incontáveis crianças que, na Antiguidade, foram vítimas do cruel paganismo.

De cada perseguição, a Igreja sai fortalecida

Haja o que houver, contemplando a sua própria história, a Igreja Católica pode dizer com Cícero: "Alios vidi ventos, alias prospexi animo procellas" 72.

Como das investidas anteriores, ela sairá ainda mais forte da atual refrega. Incontáveis reações pelo mundo afora já antecipam tal desfecho.
Na Irlanda e na Espanha, as igrejas se encheram, durante a Semana Santa, como há muitos anos não ocorria. Nos Estados Unidos, na Inglaterra e em outros países do Ocidente, o número de conversões aumentou. Vários jornalistas, muitos dos quais não católicos, tomaram a defesa da Igreja. Será preciso lembrar que as perseguições são indispensáveis para o alcandoramento da Esposa de Cristo? E também para a sua renovação? Com efeito diz São Paulo: "Nam oportet et hereses esse ut et qui probati sunt manifesti fiant in vobis" ("É necessário que entre vós haja heresias para que possam manifestar-se os que são realmente virtuosos". 1 Cor 11,19).

Para destacar a perenidade da Igreja Católica Apostólica Romana, Santo Agostinho nos deixou esta sábia reflexão: "A Igreja vacilará, se vacilar seu fundamento. Mas pode Cristo vacilar? Visto que Cristo não vacila, a Igreja permanecerá intacta até o fim dos tempos" 73.

Lembremo-nos de que "Deus é o Senhor do mundo e da história" 74.
Foi Ele mesmo quem decretou que "as portas do Inferno" não prevaleceriam contra a sua Igreja (Mt 16,18).
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Mons. João Scognamiglio Clá Dias, EP, é Cônego Honorário da Basílica Papal de Santa Maria Maior, de Roma, Protonotário Apostólico Supranumerário, Doutor em Direito Canônico pelo Angelicum, Mestre em Psicologia da Educação pela Universidade Católica da Colômbia, Doutor Honoris Causa pelo Centro Universitário Ítalo-Brasileiro, Membro da Sociedade Internacional São Tomás de Aquino (SITA) e da Pontifícia Academia da Imaculada, Fundador e Superior Geral de três entidades de Direito Pontifício: Associação Internacional de Fiéis Arautos do Evangelho, Sociedade Clerical de Vida Apostólica Virgo Flos Carmeli e Sociedade de Vida Apostólica Regina Virginum.

72 "Vi outros ventos e enfrentei sem temor outras tempestades" (In L. Calpurnium Pisonem, oratio, 9).
73 Enarrationes in Psalmos, 103,2,5; PL, 37, 1353.
74 Catecismo da Igreja Católica, n. 314.