O Ecumenismo no Pontificado de Bento XVI


A convite do Patriarcado Ecumênico do Constantinopla, Bento XVI visitou a Turquia em novembro de 2006. A viagem serviu para aproximar Roma do Mundo Ortodoxo. No encontro com o Patriarca Ortodoxo Bartolomeu I, reiterou o compromisso da Igreja Católica na superação dos obstáculos que impedem a realização da comunhão plena entre católicos e ortodoxos, pois as “divisões existentes entre os cristãos – disse Bento XVI - são um escândalo para o mundo e um obstáculo para a proclamação do Evangelho”.
Bento XVI desenvolveu esforços no sentido de aproximar Roma e os cristãos ortodoxos do Oriente, de tradição bizantina, síria e eslava. Partindo do princípio de a Igreja Católica estar "em comunhão eclesial quase completa" com estas igrejas, conforme pronunciado no Angelus de 30 de junho de 2007, Bento XVI, deu pequenos passos e realizou inúmeros gestos buscando superar, paulatinamente, as distâncias histórico-culturais e as divergências prático-eclesiais que persistem há séculos. Um dos frutos destes esforços foi a retomada dos trabalhos da Comissão Teológica Mista Católico-Ortodoxa.
Em 2009, Bento XVI visitou a Terra Santa. Entre os tantos compromissos, o Pontífice participou de um encontro ecumênico na sede do Patriarcado Greco-ortodoxo, na parte leste de Jerusalém, do qual também tomou parte o Patriarca Greco-ortodoxo Teófilo III. No seu discurso, o Santo Padre ressaltou que todos os seguidores de Cristo devem "redobrar" os esforços "para aperfeiçoar a comunhão" já que a divisão "é uma vergonha". E acrescentou: "Temos de encontrar forças para redobrar nosso compromisso para aperfeiçoar nossa comunhão, para torná-la completa".
A viagem de Bento XVI ao Líbano, em setembro de 2012, marcou um dos seus últimos compromissos inter-religiosos internacionais. A Audiência Geral das Quartas-feiras, em 19 de setembro de 2012, foi toda ela dedicada à viagem ao Líbano. Na ocasião, Bento XVI recordou que a viagem "foi um evento eclesial comovente e, ao mesmo tempo, uma ocasião providencial de diálogo vivido em um país complexo, mas emblemático para toda a região, por motivo de sua tradição de convivência e de eficaz colaboração entre os diversos componentes religiosos e sociais". De fato, nesta viagem realizada a um país representativo na diversidade religiosa e cultural, Bento XVI encontrou-se com representantes do mundo Ortodoxo, Católico e com muçulmanos.
Em relação ao diálogo com as Igrejas e Comunidades eclesiais do Ocidente, observou-se em Bento XVI a preocupação em centrar o debate católico-protestante na questão da natureza da Igreja, acentuando a exigência de um "ecumenismo de verdade". Ao mesmo tempo, o Papa sempre teve uma visão muito realista sobre as dificuldades existentes neste complexo diálogo, o que o levou a valorizar o 'ecumenismo anônimo cotidiano', realizado muitas vezes por pequenos grupos de convivência e partilha ecumênica, na convicção de que o simples fato de se ir caminhando juntos 'já é uma forma de unidade'.
O Pe. José Bizon, da Casa da Reconciliação, na Arquidiocese de São Paulo, fez uma avaliação sobre a dimensão do ecumenismo e do diálogo inter-religioso sob o Pontificado de Bento XVI.


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