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Visita a Capela da Medalha Milagrosa, localizada na Rue du Bac, 140 - Paris

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quinta-feira, 18 de junho de 2009

COMUNISMO E IDEOLOGIAS EXPLICAM LENDA CONTRA PIO XII

Comunismo e fraturas ideológicas explicam lenda contra Pio XII
Entrevista com o diretor de L'Osservatore Romano

CIDADE DO VATICANO,

- A “lenda negra” sobre o Papa Pio XII (Eugenio Pacelli), que o acusa de proximidade com o nazismo, tem duas causas, segundo o diretor de L’Osservatore Romano: a propaganda comunista e as divisões dentro da Igreja.
Giovanni Maria Vian as expôs em uma entrevista concedida a Zenit por ocasião da publicação de um livro que ele coordenou, intitulado “Em defesa de Pio XII. As razões da história” (In difesa di Pio XII. Le ragioni della storia).
O livro foi apresentado na quarta-feira passada pelo cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, e pelos historiadores Giorgio Israel (Universidade de Roma La Sapienza), Paolo Mieli (Universidade de Milão, diretor em dois períodos do jornal Il Corriere della Sera) e Roberto Pertici (Universidade de Bérgamo).
O diretor do jornal vaticano, historiador, não hesita em utilizar a expressão “lenda negra”, pois, de fato, o Papa Pacelli – que, ao morrer, em 1958, recebeu elogios unânimes pela obra desempenhada durante a 2ª Guerra Mundial – depois foi realmente “demonizado”.
Como foi possível uma mudança tão radical de sua imagem em poucos anos, mais ou menos a partir de 1963?
Propaganda comunista
Vian atribui esta campanha contra o Papa, em primeiro lugar, à propaganda comunista, que se intensificou na época da Guerra Fria.
“A linha assumida nos anos do conflito pelo Papa e pela Santa Sé, contrária os totalitarismos, mas tradicionalmente neutra, foi, na prática, favorável à aliança contra Hitler e se caracterizou por um esforço humanitário sem precedentes que salvou muitíssimas vidas humanas”, observa.
“Esta linha foi, de qualquer forma, anticomunista e por isso, já durante a guerra, o Papa começou a ser acusado pela propaganda soviética de cumplicidade com o nazismo e seus horrores.”
O historiador considera que, “ainda que Eugenio Pacelli sempre tenha sido anticomunista, nunca pensou que o nazismo pudesse ser útil para deter o comunismo, muito pelo contrário”, e o prova com dados históricos.
Em primeiro lugar, “apoiou, entre o outono de 1939 e a primavera de 1940, nos primeiros meses da guerra, a tentativa de golpe contra o regime de Hitler por parte de círculos militares alemães em contato com os britânicos”.
Em segundo lugar, Vian explica que, após o ataque da Alemanha à União Soviética, em meados de 1941, Pio XII em um primeiro momento se negou a que a Santa Sé se unisse à “cruzada” contra o comunismo – como era apresentada – e depois dedicou suas energias a superar a oposição de muitos católicos americanos à aliança dos Estados Unidos com a União Soviética contra o nazismo.
A propaganda soviética, recorda o especialista, foi recolhida eficazmente pela peça teatral Der Stellvertreter (“O vigário”), de Rolf Hochhuth, representada pela primeira vez em Berlim, no dia 20 de fevereiro de 1963, em que se apresentava o silêncio como indiferença diante do extermínio de judeus.
Já naquele então, constata Vian, denunciou-se que a obra teatral relança muitas das acusações de Mijail Markovich Scheinmann no livro Der Vatican im Zweiten Weltkrieg (“O Vaticano na 2ª Guerra Mundial”), publicado antes em russo pelo Instituto Histórico da Academia Soviética das Ciências, órgão de propaganda da ideologia comunista.
E uma nova prova da oposição de Pio XII ao nazismo é o fato de que os chefes do Terceiro Reich consideravam o Papa como um autêntico inimigo, segundo demonstram os documentos dos arquivos alemães, que não por acaso haviam sido fechados pela Alemanha comunista e que só puderam ser abertos e estudados recentemente, como mostra um artigo de Marco Ansaldo no jornal italiano La Repubblica, de 29 de março de 2007.
O livro editado por Vian recolhe um texto do jornalista e historiador Paolo Mieli, um escrito póstumo de Saul Israel, biólogo, médico e escritor judeu, artigos de Andrea Riccardi, historiador e fundador da Comunidade de S. Egídio, dos arcebispos Rino Fisichella, presidente da Academia Pontifícia para a Vida, e Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado e, por último, uma homilia e dois discursos de Bento XVI, pronunciados em memória de Pio XII.
Divisão eclesial
Mas a “lenda negra” contra Pio XII também teve promotores dentro da Igreja, por causa da divisão entre progressistas e conservadores, que se acentuou durante e depois do Concílio Vaticano II, anunciado em 1959 e clausurado em 1965, afirma o diretor.
“Seu sucessor, João XXIII – Angelo Giuseppe Roncalli –, foi logo apresentado como o ‘Papa Bom’ e, pouco a pouco, foi contraposto ao seu predecessor: pelo caráter e pelo estilo totalmente diferentes, mas também pela decisão inesperada e surpreendente de convocar um concílio.”
As críticas católicas ao Papa Pacelli haviam sido precedidas, em 1939, pelos interrogantes do filósofo católico francês Emmanuel Mounier, quem repreendeu o “silêncio” do Papa diante da agressão italiana da Albânia.
Pio XII foi criticado também por “ambientes de poloneses no exílio”, que jogavam na sua cara o silêncio frente à ocupação alemã.
Deste modo, quando, a partir dos anos 60, aguçou-se na Igreja a polarização, os católicos que se opunham aos conservadores atacavam Pio XII, dado que ele era visto como um símbolo destes últimos, alimentando ou utilizando argumentos recolhidos da “lenda negra”.
Justiça histórica
O diretor de L’Osservtore Romano sublinha que seu livro não nasce de uma tentativa de defesa prejudicial do Papa, “pois Pio XII não tem necessidade de apologistas que não ajudam a esclarecer a questão histórica”.
No que se refere aos silêncios de Pio XII, não somente diante da perseguição judaica (denunciada sem grandes alardes, mas criticada de maneira inequívoca na mensagem natalina de 1942 e no discurso aos cardeais, de 2 de junho de 1943), mas também diante de outros crimes nazistas,o historiador destaca que esta linha de comportamento buscava que não se agravasse a situação das vítimas, enquanto o pontífice se mobilizava para ajudá-las nesta situação.
“O próprio Pacelli se perguntou em várias ocasiões por esta atitude. Foi, portanto, uma opção consciente e dura para ele de buscar a salvação do maior número de vidas humanas ao invés de denunciar continuamente o mal com o risco real de que os horrores fossem maiores ainda”, explica Vian.
No livro, Paolo Mieli, de origem judaica, afirma neste sentido: “Aceitar as acusações contra Pacelli implica em levar ao banco dos supostos culpáveis, com as mesmas acusações, Roosevelt e Churchill, acusando-os de não ter pronunciado palavras mais claras contra as perseguições antissemitas”.
Recordando que membros da sua família morreram no Holocausto, Mieli disse literalmente: “Eu me oponho a responsabilizar da morte dos meus familiares uma pessoa que não tem responsabilidade”.
O livro publica também um texto inédito de Saul Israel, escrito em 1944, quando, com os demais judeus, ele havia encontrado refúgio no convento de Santo Antônio, na Via Merulana de Roma.
Seu filho, Giorgio Israel, que participou da apresentação do livro, acrescentou: “Não foi um ou outro convento ou um gesto de piedade para poucos; e ninguém pode pensar que toda esta solidariedade que as igrejas e conventos ofereceram ocorreu sem que o Papa soubesse, ou inclusive sem o seu consentimento. A lenda contra Pio XII é a mais absurda de todas as que circulam”.
Muito além da “lenda negra”
Vian explica, por último, que o livro que ele editou não pretende centrar-se na questão da “lenda negra”. Mais ainda, “meio século depois da morte de Pio XII (9 de outubro de 1958) e 70 aos após sua eleição (2 de março de 1939), parece criar-se um novo acordo historiográfico sobre a importância histórica da figura e do pontificado do Eugenio Pacelli”.
O objetivo do livro é sobretudo contribuir para restituir à história e à memória dos católicos um Papa e um pontificado de importância capital em muitos aspectos que, na opinião pública, continuam sendo ofuscados pela polêmica suscitada pela “lenda negra”.
Fonte: ZENIT.org

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

NOVAS REVELAÇÕES SOBRE: PIO XII, FÁTIMA E DÓGMA DA ASSUNÇÃO

Revelações sobre Pio XII, Fátima e dogma da Assunção
O jornalista Andrea Tornielli apresenta dados inéditos sobre o fenômeno do sol que rodava
Por Antonio Gaspari

ROMA,

-Andrea Tornielli, vaticanista de «Il Giornale» e comissário da exposição «Pio XII – o homem e o pontificado (1876-1958)», que estará aberta ao público de 4 de novembro de 2008 a 6 de janeiro de 2009, no Braço de Carlomagno do Vaticano, revelou que foram encontradas as anotações nas quais Pio XII narra que viu o sol rodar quatro vezes por ocasião da proclamação do dogma da Assunção.
Tornielli explicou à Zenit que foi encontrado no arquivo familiar um manuscrito inédito no qual o Papa Pacelli descreve o «milagre do sol», um episódio do qual até hoje se havia falado só através do testemunho indireto do cardeal Federico Todeschini, que o contou durante uma homilia.
«Vi o ‘milagre do sol’, esta é a pura verdade», escreveu o Papa Eugenio Pacelli, referindo-se a um fenômeno similar ao que havia acontecido em Fátima, em 13 de outubro de 1917.
Na nota, que se pode ver na exposição, Pacelli recorda que em 1950, pouco antes de proclamar o dogma da Assunção (1º de novembro), enquanto passeava nos jardins vaticanos, assistiu várias vezes ao mesmo fenômeno que se verificou em 1917, ao final das aparições de Fátima, e o considerou uma confirmação celeste de tudo que estava por realizar.
Pio XII escreveu que era o dia 30 de outubro de 1950, às 16h: durante «o habitual passeio nos jardins vaticanos, lendo e estudando», à altura da praça da Senhora de Lourdes «rumo ao alto da colina, no caminho da direita que beira a muralha (...) fiquei impressionado por um fenômeno, que nunca até agora havia visto».
«O sol, que estava ainda bastante alto, aparecia como um globo opaco amarelado, circundado ao redor por um círculo luminoso», que, contudo, não impedia em absoluto fixar o olhar «sem receber o mais mínimo incômodo. Havia uma pequena nuvem adiante».
A nota de Pacelli continua descrevendo «o globo opaco» que «se movia para fora ligeiramente, seja girando, seja movendo-se da esquerda para a direita e vice-versa. Mas dentro do globo se viam com toda clareza e sem interrupção fortíssimos movimentos».
O Papa testifica ter assistido ao mesmo fenômeno «em 31 de outubro e 1º de novembro, dia da definição do dogma da Assunção, depois outra vez em 8 de novembro. Depois já não mais».
O Papa Pacelli menciona ter tentado «várias vezes» nos outros dias, à mesma hora e em condições atmosféricas similares, «ter olhado o sol para ver se aparecia o mesmo fenômeno, mas em vão, não podia fixar a vista sequer um instante, os olhos ficavam cegos».
O pontífice falou do sucedido com alguns cardeais e outros mais chegados, tanto que a Irmã Pascalina Lehnert, a religiosa governanta do apartamento papal, declarou ao respeito que «Pio XII estava muito persuadido da realidade do extraordinário fenômeno, ao qual havia assistido em quatro ocasiões».
Segundo Tornielli, existe um vínculo sólido entre a vida de Eugenio Pacelli e o mistério da Virgem Maria.
«Desde criança – sublinhou –, Eugenio Pacelli era devoto e estava inscrito na Congregação da Assunção, que tinha a capela perto da Igreja do Jesus. Uma devoção que parecia profética, já que foi precisamente ele quem declarou o dogma da Assunção em 1950.»
O futuro Papa celebrou sua primeira Missa como sacerdote em 3 de abril de 1899, no altar do ícone de Maria «Salus Populi Romani», na capela Borguese, da Basílica de Santa Maria a Maior.
«E depois – continua Tornielli –, Eugenio Pacelli recebeu a ordenação episcopal do Papa Bento XV na capela Sistina, em 13 de maio de 1917, dia da primeira aparição da Virgem em Fátima.»
Em 1940, em qualidade de pontífice, reconheceu definitivamente as aparições de Fátima, e em 1942 consagrou o mundo inteiro ao Coração Imaculado de Maria.
Encontrou-se muitas vezes com a Irmã Lúcia, a vidente de Fátima, e lhe ordenou que transcrevesse as mensagens recebidas de Nossa Senhora, convertendo-se, portanto, no primeiro pontífice em conhecer aquilo que durante anos foi conhecido como o terceiro segredo, e que João Paulo II divulgou.
Em 1º de novembro de 1950, após ter consultado os bispos do mundo inteiro, unanimemente concordes – só seis respostas sobre 1.181 manifestavam alguma reserva –, com a Bula Munificentissimus Deus, Pio XII proclamou o dogma da Assunção, como cumprimento do dogma da Imaculada Conceição.

Fonte: ZENIT.org

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

CARDEAL MONTEZEMOLO CONDENA POLÊMICA SOBRE BEATIFICAÇÃO DE PIO XII

PIO XII: CARDEAL MONTEZEMOLO CONDENA POLÊMICA SOBRE BEATIFICAÇÃO
Cardeal Andrea Cordero Lanza di Montezemolo

Roma,
– O arcipreste da basílica papal de São Paulo "Fora dos Muros", Cardeal Andrea Cordero Lanza di Montezemolo, que assinou _ por parte da Santa Sé _ o documento que instaurou as relações diplomáticas entre o Vaticano e Telaviv, observou, a "título pessoal", que, na polêmica sobre a beatificação de Pio XII, a "Santa Sé mantém uma atitude responsável, mas certas intromissões nos assuntos internos da Igreja molestam, pois são juízos externos".O cardeal acrescentou que o papa está refletindo, antes de assinar o decreto de reconhecimento das virtudes heróicas do Papa Pacelli _ como de resto acontece em todos os processos de beatificação _ e, por isso, não se deve perturbá-lo com declarações que buscam forçá-lo num ou noutro sentido. "Cada um deve assumir as próprias responsabilidades, no âmbito das próprias competências" _ concluiu o cardeal, respondendo às perguntas dos jornalistas, durante a coletiva de imprensa que ele mesmo convocou, para ilustrar os programas sobre as cartas de São Paulo, no contexto das celebrações do Ano Paulino. (AF)

Fonte: RV

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

VATICANO CELEBRA OS 50 ANOS DA MORTE DE PIO XII


Pio XII, 50 anos depois
Celebração no Vaticano assinala data da morte do Papa Eugenio Pacelli



Assinalam-se nesta Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008, os 50 anos da morte de Pio XII, o Papa que guiou a Igreja Católica durante o período dramático da II Guerra Mundial. Eugénio Pacelli, nascido a 2 de Março de 1876, é ainda hoje uma figura rodeada por polémicas, mitos e preconceitos que tendem a obscurecer a análise do seu pontificado.
Bento XVI preside esta manhã, na Basílica de São Pedro, a uma Missa em sufrágio do falecido Papa. Participam os delegados presentes no Sínodo dos Bispos.
Eleito como Papa a 2 de Março de 1939, após um percurso diplomático que o levara a ser Núncio na Alemanha e Secretário de Estado do Vaticano, Eugenio Pacelli assumiu desde o início a sua preocupação com os tempos que se viviam no Velho Continente, que viriam a desembocar – apesar dos vários esforços em sentido contrário – numa segunda Grande Guerra.
Neste período atribulado e difícil – que lhe chegou a valer o título de “Papa da humanidade sofredora” – Pio XII dedicou-se a várias tarefas pastorais, tendo publicado inúmeras encíclicas e vários outros documentos pontifícios.
Num gesto simbólico, pouco depois do final da II Guerra Mundial, criou 32 Cardeais de várias partes do mundo, incluindo a China.
Particularmente devoto de Nossa Senhora, durante o Ano Santo de 1950 definiu como dogma de fé a Assunção da Virgem Maria ao céu, em corpo e alma, com a constituição apostólica “Munificentissimus Deus”, de 1 de Novembro.
Em resposta aos pedidos de Nossa Senhora em Fátima, este Papa consagrou o mundo e a Igreja ao Imaculado Coração de Maria, em Outubro de 1942, e renovou a consagração em 8 de Outubro desse ano. Consagrou a Rússia em 1952.

Pio XII e os judeus

A ideia negativa sobre o Papa Pio XII começou a consolidar-aw desde a obra teatral “O Vigário” escrita em 1963 por Ralf Hoch Hunt, que lançou as bases para uma visão particular de Eugénio Pacelli. Em 1999, John Cornwell publicou “O Papa de Hitler” e Daniel Goldhagen, em 2002, apresentou o livro “A Moral Reckoning”, ambos com visões negativas sobre o papel desempenhado por este Papa na II Guerra Mundial – supostamente por ser apoiante de Hitler e não ter mostrado compaixão perante o sofrimento do povo judaico.
Na altura da sua morte, contudo, Pio XII era muito admirado. O escritor Graham Greene disse sobre Pio XII que foi “um Papa que muitos de nós acreditam será classificado entre os maiores de sempre”.
O diplomata israelita Pinchas Lapide escreveu em 1967 que Pio XII foi providencial para salvar “pelo menos 700 mil Judeus, provavelmente até 860 mil, das mãos dos nazis”.
Recentemente, Bento XVI saiu em defesa de Pio XII, considerando que o mesmo “não poupou esforços” para ajudar “directamente” os judeus e pedindo que sejam superados os "preconceitos" em relação a esta figura.
O actual Papa lembrou a acção desenvolvida através de católicos, a título individual, e das instituições da Igreja, para salvar os judeus da perseguição nazi.
“Sabemos que o Servo de Deus não poupou esforços, sempre que possível, para intervir em defesa dos judeus. De facto, as suas intervenções, muitas vezes secretas e silenciosas, foram inúmeras”, indicou.
Bento XVI falou das “não poucas intervenções” realizadas secretamente por Pio XII, dada a situação concreta num “complexo momento histórico”, de forma a evitar o pior e “salvar o maior número possível de judeus”.

Portugal

Documentação reunida pela Fundação «Pave the Way», dos EUA, mostra que o Papa Pacelli interveio tanto pública quanto secretamente para salvar judeus, além de pedir a entidades católicas de todo o mundo que os protegessem. Entre os documentos, há telegramas e testemunhos de pessoas que agradecem a mediação papal.
Uma dos testemunhos é do Arcebispo Giovanni Ferrofino (96 anos), secretário do então núncio no Haiti, D. Maurílio Silvani, de 1939 a 1946. D. Ferrofino fala sobre os telegramas que recebia do Papa Pio XII duas vezes por ano, para conseguir os vistos necessários aos judeus que escapavam da Europa ocupada pelos nazis.
Cada vez que recebia o telegrama, D. Giovanni Ferrofino visitava o presidente da República Dominicana, General Trujillo, para pedir, em nome do Papa, 800 vistos. Este procedimento acontecia duas vezes por ano, entre 1939 até 1945. Isso significa que, graças a Pio XII, cerca de 11 mil judeus terão embarcado em Portugal e ficado a salvo na República Dominicana.

Fonte: Ag. ECCLESIA

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

HOJE: NOSSA SENHORA RAINHA

NOSSA SENHORA RAINHA


Nossa Senhora, verdadeira Mãe de Jesus Cristo, Rei do Universo, é invocada hoje com o título de Rainha do Céu e da Terra. Antigamente a festa da realeza de Nossa Senhora era celebrada no dia 31 de maio.
A liturgia sagrada já invoca a Mãe de Deus com os títulos de Rainha dos Anjos, dos Patriarcas, dos Profetas, dos Apóstolos, dos Mártires, dos Confessores, das Virgens, de todos os Santos, Rainha Imaculada, Rainha do Santíssimo Rosário, Rainha da Paz e Rainha Assunta ao Céu.
Este título de Rainha exprime então o pensamento de a Santíssima Virgem se avantajar a todas as ordens de santidade e de virtude, Rainha dos meios que levam a Jesus Cristo, e de que, sendo Rainha assunta ao Céu, já era sobre a terra, isto é, Rainha reconhecida pela terra e pelo céu como sendo a criatura mais perfeita e mais avantajada em toda a santidade e semelhança de Deus Criador!
Mas, quando falamos no título da Realeza de Maria Santíssima, trata-se da Realeza que Lhe cabe por direito como Soberana, deduzida das suas relações com Jesus Cristo, Rei por direito de tudo o criado, visível e invisível, no céu e na terra.
Efetivamente as prerrogativas de Jesus Cristo tem todas os seus reflexos na Santíssima Virgem, Sua Mãe admirável: Assim Jesus Cristo é o Autor da graça, e Sua Mãe é a dispenseira e intercessora de todas as graças; Jesus Cristo está unido à Santíssima Virgem pelas suas relações de Filho e nós, corpo místico de Jesus Cristo, estamos também unidos a Sua Mãe pelas relações que Ela tem conosco como Mãe dos homens. E assim, pelo reflexo da Realeza de Jesus Cristo, seu filho, Ela é Rainha do céu e da terra, dos Anjos e dos homens, das famílias e dos corações, dos justos e dos pecadores que, na Sua Misericórdia real, encontram perdão e refúgio.
Oh! Se os homens aceitassem, de verdade prática, a Realeza da Santíssima virgem, em todas as nações, em todos os Lares e realmente pelo seu governo maternal regulassem os interesses deste mundo material, buscando primeiro que tudo o Reino de Deus, o Reino de Maria Santíssima, obedecendo aos seus ditames e conselhos Reais, como depressa se mudaria a face da terra!
Todas as heresias foram, em todos os tempos, vencidas pelo cetro da Santíssima Mãe de Deus. Nesses nossos tempos, tão conturbados pelas sumas das heresias, os homens debatem-se numa pavorosa luta em que vemos e apalpamos, da maneira mais trágica, serem insuficientes os meios humanos para restabelecer a paz na sociedade humana! De resto, demasiado puderam os homens a sua confiança nos sistemas sociais, nos meios do progresso científico, no poder das armas de destruição, no terrorismo, e tudo isso só serviu para o mundo assistir agora desorientado à maldição profetizada aos homens que põem a sua confiança nos homens, afastando-se de Deus e da ordem sobrenatural da graça!
Maria Santíssima, Rainha do Céu e da terra, foi sempre a vencedora de todas as batalhas de Deus: Voltem-se os governantes do mundo para Ela e o Seu cetro fará triunfar a causa do bem, com o triunfo da Igreja e do Reino de Deus!

ENCÍCLICA DO PAPA PIO XII SOBRE A FESTA DE NOSSA SENHORA RAINHA
O Papa Pio XII, em encíclica dirigida aos membros do episcopado a respeito da Realeza de Maria, recorda que o povo cristão sempre se dirigiu à Rainha do céu nas circunstâncias felizes e sobretudo nos períodos graves da história da Igreja.
Antes de anunciar a sua decisão de instituir a festa litúrgica da “Santa Virgem Maria Rainha”, assinalou o Papa: “Não queremos propor com isso ao povo cristão uma nova verdade e acreditar, porque o próprio título e os argumentos que justificam a dignidade real de Maria já foram abundantemente formulados em todos os tempos e encontram nos documentos antigos da Igreja e nos livros litúrgicos. Tencionamos apenas chamá-lo com esta encíclica a renovar os louvores à nossa Mãe do céu, para reanimar em todos os espíritos uma devoção mais ardente e contribuir assim para o seu bem espiritual”
Pio XII cita em seguida as palavras dos doutores e santos que desde a origem do Novo testamento até os nossos dias salientaram o caráter soberano, real, da Mãe de Deus, co-redentora: Santo Efrem, São Gregório de Naziano, Orígenes, Epifânio, Bispo de Constantinopla, São Germano, São João Damasceno, até Santo Afonso Maria de Ligório.
Acentua o Santo Padre que o povo cristão através das idades, tanto no oriente quanto no ocidente, nas mais diversas liturgias, cantou os louvores de Maria, Rainha dos Céus.
“A iconografia, disse o Papa, para traduzir a dignidade real da bem-aventurada Virgem Maria, enriqueceu-se em todas as épocas com obras de arte do maior valor. Ela chegou mesmo a representar o divino Redentor cingindo a fronte de sua Mãe com uma coroa refulgente”.
Na última parte do documento o Papa declara que tendo adquirido, após longas e maduras reflexões, a convicção de que decorrerão para a Igreja grandes vantagens dessa verdade solidamente demonstrada”, decreta e institui a festa de Maria Rainha, e ordena que nesse dia se renove a consagração do gênero humano do Coração Imaculado na Bem-Aventurada Virgem Maria “porque nessa consagração repousa uma viva esperança de ver surgir uma era de felicidade que a paz cristã e o triunfo da religião alegrarão”.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

SÃO BENTO - PADROEIRO DA EUROPA


São Bento, Padroeiro da Europa

Em 1957, um grupo de nações europeias ratificava o Tratado de Roma, constitutivo da Comunidade Europeia, que veio dar origem à Comunidade Económica Europeia (CEE). Em 1964, na sagração da Basílica do Mosteiro de Monte Cassino, destruído em 1948, aquando da II Guerra Mundial, o Papa Paulo VI declarou S. Bento como padroeiro da Europa.
Que terá, contudo, a ver com a Europa de hoje um santo do século VI (480-547)? Para o Pe. Geraldo Coelho Dias, beneditino, este santo que escreveu a regra Monástica - com o seu nome - deu origem à Ordem dos Monges Beneditinos, a única na Europa Ocidental anterior ao ano mil e que "chegou activa e viçosa aos tempos modernos". Os beneditinos têm uma trajectória histórica que atravessa os tempos e acompanha, "de forma decisiva, a formação da Europa Ocidental e Cristã". É, sem dúvida, através "da acção dos monges que S. Bento merece aquele título de Padroeiro da Europa".
Os seguidores de S. Bento foram os obreiros das linhas de rumo daquilo que hoje chamamos Europa Ocidental e Cristã. Os seus instrumentos de acção foram a Cruz do Evangelho - que pregaram e sob a qual viveram -, o Livro da Cultura - que conservaram e transmitiram a partir dos seus scriptoria e bibliotecas - e o arado com que arrotearam e lavraram as terras e ensinaram a cultivar. Apesar da vida comunitária no mosteiro, os beneditinos não deixaram de ser apóstolos do Cristianismo e foram, de facto, por missão da igreja, os primeiros evangelizadores e missionários da Europa: S. Vilfrido e S. Bento Biscop na Inglaterra; S. Bonifácio na Alemanha; S. Vilibrordo nos Países Baixos; S. Pirmino nos Alamanos e S. Anscário nos Países Escandinavos.
Era esta a vida segundo a Regra de S. Bento, estabelecida no século VI por Bento de Núrsia, o italiano fundador da Ordem dos Beneditinos e canonizado mais tarde. S. Bento prescrevia para os monges uma vida de pobreza, castidade e obediência, sob a orientação monástica de um abade, cuja palavra era lei. Luís, o Piedoso, imperador carolíngio entre 814 e 840, encorajou os monges a adoptarem a Regra de S. Bento.
A Regra de S. Bento foi formulada quando este era abade de Monte Cassino (no Sul de Itália), abadia fundada em 529 e que continua a ser um dos grandes mosteiros do Mundo. Bento foi o seu primeiro abade e foi ele quem estabeleceu o modelo de auto-suficiência advogado pelas primitivas regras monásticas - dependência total dos próprios campos e oficinas - que orientou durante séculos os mosteiros da cristandade ocidental. Em todos os antigos mosteiros beneditinos, a vida era totalmente comunitária. A rotina diária centrava-se naquilo a que S. Bento chamava "trabalho de Deus" - demorados ofícios de complexidade crescente. Tudo o resto era secundário. O trabalho manual que a regra estipulava existia não só para fornecer aos frades alimentação e vestuário e satisfazer-lhes outras necessidades, como também para evitar a sua ociosidade e lhes alimentar a alma mediante a disciplina do corpo.
Posteriormente, quando as abadias enriqueceram, sobretudo através de doações de fiéis devotos, os dormitórios comunitários foram substituídos por celas individuais e foram contratados trabalhadores para cuidarem dos campos, o que permitiu a muitos monges dedicarem-se a outras actividades, nomeadamente o estudo, graças ao qual a Ordem de S. Bento viria a ser tão justamente célebre.
Nos seus jardins murados, os monges cultivavam ervas medicinais; num dado momento, ocorreu-lhes a ideia de adicionar algumas ervas à aguardente, inventando assim o licor beneditino. Pode parecer estranha esta associação da vida monástica com o luxo das bebidas alcoólicas, mas o vinho foi sempre uma bebida permitida aos Beneditinos. Ligava bem com as suas refeições simples, constituídas essencialmente por pão, ovos, queijo e peixe. Embora a carne fosse proibida nos primeiros séculos, posteriormente algumas abadias adicionaram aos alimentos consumidos aves de capoeira e de caça.
Hoje, 11 de Julho, é dia de S. Bento aquele que Paulo VI chamou "de missionário da Paz, formador da unidade, mestre da cultura e, principalmente, grande promotor da vida cristã e organizador da vida monástica ocidental. Não foi sem razão que Pio XII lhe chamou Pai da Europa. Portanto, consultada a Sagrada Congregação dos Ritos declaramos e constituímos in perpetuum, perante o Deus do Céu, S. Bento como Padroeiro Principal da Europa, com todas as honras e privilégios litúrgicos que pelo Direito competem aos padroeiros principais dos lugares".
Luis Filipe Santos – AE
Fonte: Agen. Ecclesia