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Uma Capela cheia de segredos !Você quer descobri-la conosco? Saiba, antes de tudo, que a Casa Mãe da Companhia das Filhas da Caridade era o antigo "Hotel de Châtillon". Este, foi concedido à Companhia, em 1813, por Napoleão Bonaparte, depois da tormenta da Revolução Francesa. Imediatamente, começa a construção da Capela.A 8 de agosto de 1813, realizou-se a bênção solene da Capela dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. Em 1830, aconteceram então as aparições. Aumentou o numero de vocações.Foi necessário transformar a Capela, que passa então por várias modificações. Em 1930, por ocasião do centenário das apariçes, uma nova reforma nos mostra a Capela tal como a vemos hoje.Agora, a você a oportunidade de visitá-la!
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Visita a Capela da Medalha Milagrosa, localizada na Rue du Bac, 140 - Paris

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sábado, 24 de maio de 2014

Papa Francisco, junto ao Jordão:Paz na Síria. Que Deus converta os violentos

Paz na Síria. Que Deus converta os violentos – Papa Francisco ontem, junto ao Jordão




Na tarde deste sábado, dia 24, após a celebração da Missa no Estádio Internacional de Amã na Jordânia, o Papa Francisco transferiu-se para “Betânia além do Jordão” ao local onde Jesus foi batizado. O Papa Francisco visitou o lugar do Batismo de Jesus nas margens do Rio Jordão (foto). Após um breve momento de oração silenciosa, abençoou a água e assinou o livro de Honra. No interior da igreja latina, o Santo Padre encontrou-se com refugiados e com os jovens portadores de deficiência.
Durante uma breve celebração, com cânticos, leituras bíblicas e testemunhos, o Papa dirigiu uma mensagem a todos os presentes e, desde logo, o seu olhar foi para Jesus Cristo:

“Toca-nos sempre esta humildade de Jesus, o seu inclinar-se sobre as feridas humanas para curá-las. Este inclinar-se de Jesus sobre todas as feridas humanas para curá-las! E nós somos profundamente tocados pelos dramas e pelas feridas do nosso tempo, em modo especial daquelas provocadas pelos conflitos ainda abertos no Médio Oriente.”
O Papa Francisco recordou a amada Síria dilacerada nos últimos três anos pela guerra. E lançou um apelo para todos aqueles que fomentam a guerra: “que se convertam”.

“ Pensemos e também do nosso coração digamos uma palavra por esta gente criminal, para que se converta.”

E depois a atenção do Papa no seu discurso virou-se para a comunidade internacional para que não deixe a Jordânia só na ajuda humanitária e lançou mais uma vez um forte apelo para a paz na Síria:

“Cessem as violências e seja respeitado o direito humanitário, garantindo a necessária assistência à população sofredora! Seja abandonada, por todos, a pretensão de deixar às armas a solução dos problemas e volte-se à via das negociações.”
“Deus converta os violentos! Deus converta aqueles que têm projetos de guerra! Deus converta aqueles que fabricam e vendem armas e reforce os corações e as mentes dos operadores de paz e os recompense com a sua benção.”

E na oração pela paz o Papa Francisco, dirigindo-se aos jovens que participaram ativamente naquela celebração, exortou-os a continuarem o seu empenho pela paz no Médio Oriente através de um testemunho de fé e de esperança, encorajando-os a colaborarem com o seu empenho e sensibilidade na construção de uma sociedade respeitosa dos mais débeis, das crianças e dos idosos.

“Mesmo nas dificuldades da vida, sede sinal de esperança. Vós estais no coração de Deus, vós estais nas minhas orações e agradeço-vos pela vossa calorosa, alegre e numerosa presença. Obrigado.” (RS)
Fonte: RV

Em Belem, Francisco convida Presidentes da Palestina e de Israel a um encontro conjunto de oração pela paz, no Vaticano

No final da Missa em Belém, Papa Francisco convida Presidentes da Palestina e de Israel a um encontro conjunto de oração pela paz, no Vaticano




 Repleta de fiéis a praça da Manjedoura, em Belém, onde Papa Francisco celebrou a Eucaristia dominical. No final, depois do canto do Regina Coeli, o Santo Padre lançou um convite direto aos Presidentes da Palestina e de Israel, a invocarem juntos a paz, disponibilizando a acolhê-los conjuntamente para tal iniciativa. Disse textualmente o Papa:

Neste Lugar, onde nasceu o Príncipe da Paz, desejo fazer um convite a Vossa Excelência, Senhor Presidente Mahmoud Abbas, e ao Senhor Presidente Shimon Peres para elevarem, juntamente comigo, uma intensa oração, implorando de Deus o dom da paz. Ofereço a minha casa, no Vaticano, para hospedar este encontro de oração.
Todos desejamos a paz; tantas pessoas a constroem dia a dia com pequenos gestos; muitos sofrem e suportam pacientemente a fadiga de tantas tentativas para a construir. E todos – especialmente aqueles que estão colocados ao serviço do seu próprio povo – temos o dever de nos fazer instrumentos e construtores de paz, antes de mais nada na oração.
Construir a paz é difícil, mas viver sem paz é um tormento. Todos os homens e mulheres desta Terra e do mundo inteiro pedem-nos para levarmos à presença de Deus a sua ardente aspiração pela paz.
 

Na homilia o Santo Padre comentou as palavras que os anjos dirigiram aos pastores, convidando-os a correrem a Belém a adorar o Menino Deus: "Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura".

"Também hoje as crianças são um sinal - fez notar o Papa. Sinal de esperança, sinal de vida, mas também sinal de diagnóstico (disse), para compreender o estado de saúde duma família, duma sociedade, do mundo inteiro. Quando as crianças são acolhidas, amadas, protegidas, tuteladas, a família é sadia, a sociedade melhora, o mundo é mais humano".

Como o Menino (Jesus) nasceu em Belém - insistiu Papa Francisco quase a concluir a homilia - assim "cada criança que nasce e cresce em qualquer parte do mundo é sinal de diagnóstico que nos permite verificar o estado de saúde da nossa família, da nossa comunidade, da nossa nação". É daí, "deste diagnóstico franco e honesto", que há-de brotar um novo estilo de vida, onde as relações deixem de ser de conflito, de opressão, de consumismo, para serem relações de fraternidade, de perdão e reconciliação, de partilha e de amor" - concluiu.






domingo, 7 de abril de 2013

Regina Caeli: paz autêntica provém da misericórdia de Deus



Cidade do Vaticano
– O Papa Francisco rezou na manhã ensolarada deste domingo a oração mariana do Regina Caeli com milhares de fiéis e peregrinos que lotaram a Praça S. Pedro.

Neste domingo que conclui a Oitava de Páscoa, o Papa renovou a todos o voto pascal com as mesmas palavras de Jesus Ressuscitado: «A paz esteja com vocês!». Não é uma saudação nem mesmo um simples augúrio – explicou. É um dom, ou melhor, O dom precioso que Cristo oferece aos seus discípulos depois de ter passado através da morte.

Esta paz é o fruto da vitória do amor de Deus sobre o mal, é o fruto do perdão. E é justamente assim: a verdadeira paz, aquela profunda, vem da experiência da misericórdia de Deus. Hoje – recordou -, é o Domingo da Divina Misericórdia, por desejo do Beato João Paulo II, que fechou os olhos a este mundo justamente na véspera desta festa.

Comentando o Evangelho de João, Francisco falou da incredulidade de Tomé, que não viu com os Apóstolos a primeira aparição de Cristo.

Na segunda vez, oito dias depois, Tomé estava lá. E Jesus se dirigiu precisamente a ele, convidando-o a olhar as feridas e a tocá-las; e Tomé exclamou: «Meu senhor, meu Deus!». Jesus então disse: «Felizes os que não viram e creram!».

E quem eram esses que creram sem ver? Outros discípulos, outros homens e mulheres de Jerusalém, que mesmo não tendo encontrado Jesus ressuscitado, acreditaram no testemunho dos Apóstolos e das mulheres.

“Esta é uma palavra muito importante sobre a fé, podemos chamá-la a beatitude da fé. Em todos os tempos e em todos os lugares, são bem-aventurados os que, através da Palavra de Deus, proclamada na Igreja e testemunhada pelos cristãos, acreditam que Jesus Cristo é o amor de Deus encarnado, a Misericórdia encarnada. E isso vale para cada um de nós!”

Com a sua paz, Jesus doou aos Apóstolos o Espírito Santo, para que pudessem difundir no mundo o perdão dos pecados. A Igreja é enviada por Cristo ressuscitado a transmitir aos homens a remissão dos pecados, e assim fazer crescer o Reino do amor e semear a paz nos corações.

“Tenhamos também mais coragem para testemunhar a fé no Cristo Ressuscitado! Não devemos ter medo de ser cristãos e de viver como cristãos!”

Antes de rezar o Regina Caeli, o Papa recordou que celebra a Eucaristia esta tarde na Basílica de São João de Latrão, que é a Catedral do Bispo de Roma. “Peçamos juntos a Nossa Senhora para que nos ajude, Bispo e Povo, a caminhar na fé e na caridade.”

Depois da oração mariana, Francisco se despediu desejando a todos “bom domingo e bom almoço”.

Fonte: RV

domingo, 31 de março de 2013

Papa Francisco concede Bênção Urbi et Orbi

Papa Francisco concede Bênção Urbi et Orbi e lança apelo pela paz




Cidade do Vaticano

 – Após a celebração da Missa de Páscoa, Papa Francisco assomou ao balcão central da Basílica de São Pedro para conceder a tradicional Benção Urbi et Orbi (para a cidade e o mundo), a Indulgência Plenária e os augurios de Boa Páscoa.

Antes da leitura da mensagem e após conceder a Indulgência, as bandas da Guarda Suiça e das Armas italianas executaram trechos dos hinos Pontifício e da Itália.

Na mensagem Urbi et Orbi, o Santo Padre falou sobre como Jesus e sua misericórdia são a resposta a tantos desertos atravessados pelo homem hoje, apelou pela paz em todo o mundo, especialmente naquelas regiões palco de conflitos e nos convidou a sermos guardiões da criação.

Eis na íntegra a mensagem:

“Amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro, boa Páscoa!

Que grande alegria é para mim poder dar-vos este anúncio: Cristo ressuscitou! Queria que chegasse a cada casa, a cada família e, especialmente onde há mais sofrimento, aos hospitais, às prisões... Sobretudo queria que chegasse a todos os corações, porque é lá que Deus quer semear esta Boa Nova: Jesus ressuscitou, uma esperança despertou para ti, já não estás sob o domínio do pecado, do mal! Venceu o amor, venceu a misericórdia!

Também nós, como as mulheres discípulas de Jesus que foram ao sepulcro e o encontraram vazio, nos podemos interrogar que sentido tenha este acontecimento (cf. Lc 24, 4). Que significa o fato de Jesus ter ressuscitado? Significa que o amor de Deus é mais forte que o mal e a própria morte; significa que o amor de Deus pode transformar a nossa vida, fazer florir aquelas parcelas de deserto que ainda existem no nosso coração.

Este mesmo amor pelo qual o Filho de Deus Se fez homem e prosseguiu até ao extremo no caminho da humildade e do dom de Si mesmo, até a morada dos mortos, ao abismo da separação de Deus, este mesmo amor misericordioso inundou de luz o corpo morto de Jesus e transfigurou-o, o fez passar à vida eterna. Jesus não voltou à vida que tinha antes, à vida terrena, mas entrou na vida gloriosa de Deus e o fez com a nossa humanidade, abrindo-nos um futuro de esperança. Eis o que é a Páscoa: é o êxodo, a passagem do homem da escravidão do pecado, do mal, à liberdade do amor, do bem. Porque Deus é vida, somente vida, e a sua glória é o homem vivo (cf. Ireneu, Adversus haereses, 4, 20, 5-7).

Amados irmãos e irmãs, Cristo morreu e ressuscitou de uma vez para sempre e para todos, mas a força da Ressurreição, esta passagem da escravidão do mal à liberdade do bem, deve realizar-se em todos os tempos, nos espaços concretos da nossa existência, na nossa vida de cada dia. Quantos desertos tem o ser humano de atravessar ainda hoje! Sobretudo o deserto que existe dentro dele, quando falta o amor a Deus e ao próximo, quando falta a consciência de ser guardião de tudo o que o Criador nos deu e continua a dar. Mas a misericórdia de Deus pode fazer florir mesmo a terra mais árida, pode devolver a vida aos ossos ressequidos (cf. Ez 37, 1-14).

Eis, portanto, o convite que dirijo a todos: acolhamos a graça da Ressurreição de Cristo! Deixemo-nos renovar pela misericórdia de Deus, deixemo-nos amar por Jesus, deixemos que a força do seu amor transforme também a nossa vida, tornando-nos instrumentos desta misericórdia, canais através dos quais Deus possa irrigar a terra, guardar a criação inteira e fazer florir a justiça e a paz.E assim, a Jesus ressuscitado que transforma a morte em vida, peçamos para mudar o ódio em amor, a vingança em perdão, a guerra em paz. Sim, Cristo é a nossa paz e, por seu intermédio, imploramos a paz para o mundo inteiro.

Paz para o Oriente Médio, especialmente entre israelitas e palestinos, que sentem dificuldade em encontrar a estrada da concórdia, a fim de que retomem, com coragem e disponibilidade, as negociações para pôr termo a um conflito que já dura há demasiado tempo. Paz no Iraque, para que cesse definitivamente toda a violência, e sobretudo para a amada Síria, para a sua população vítima do conflito e para os numerosos refugiados, que esperam ajuda e conforto. Já foi derramado tanto sangue… Quantos sofrimentos deverão ainda atravessar antes de se conseguir encontrar uma solução política para a crise?

Paz para a África, cenário ainda de sangrentos conflitos: no Mali, para que reencontre unidade e estabilidade; e na Nigéria, onde infelizmente não cessam os atentados, que ameaçam gravemente a vida de tantos inocentes, e onde não poucas pessoas, incluindo crianças, são mantidas como reféns por grupos terroristas. Paz no leste da República Democrática do Congo e na República Centro-Africana, onde muitos se vêem forçados a deixar as suas casas e vivem ainda no medo.

Paz para a Ásia, sobretudo na península coreana, para que sejam superadas as divergências e amadureça um renovado espírito de reconciliação.

Paz para o mundo inteiro, ainda tão dividido pela ganância de quem procura lucros fáceis, ferido pelo egoísmo que ameaça a vida humana e a família – um egoísmo que faz continuar o tráfico de pessoas, a escravatura mais extensa neste século vinte e um. Paz para todo o mundo dilacerado pela violência ligada ao narcotráfico e por uma iníqua exploração dos recursos naturais. Paz para esta nossa Terra! Jesus ressuscitado leve conforto a quem é vítima das calamidades naturais e nos torne guardiões responsáveis da criação.

Amados irmãos e irmãs, originários de Roma ou de qualquer parte do mundo, a todos vós que me ouvis, dirijo este convite do Salmo 117: «Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, porque é eterno o seu amor. Diga a casa de Israel: É eterno o seu amor» (vv. 1-2)”.

Antes da leitura da mensagem e após conceder a Indulgência, as bandas da Guarda Suiça e das Armas italianas executaram trechos dos hinos Pontifício e da Itália.

Ao final, o Papa Francisco saudou em italiano a todos os presentes e a quantos acompanhavam a cerimônia através dos meios de comunicação, desejando que levassem as suas familias e aos países de origem “a mensagem de alegria, de esperanza e de paz, que a cada ano se renova com força. O Senhor resucitado, vencedor do pecado e da morte, seja o sustento a todos, especialmente os mais fracos e necesitados.”

O Santo Padre também agradeceu aos produtores dos Países Baixos que doaram as ‘belíssimas flores’ que ornamentaram a Praça São Pedro e o altar.

“A todos repito com afeto – disse – Cristo resucitado guie a todos vocês e toda a humanidade no caminho da justiça, do amor e da paz”, concluiu.

Ao final da cerimônia, os sinos da Basílica de São Pedro repicaram efusivamente, em manifestação pela alegria do Senhor ressuscitado.
Fonte: RV

sexta-feira, 22 de março de 2013

Papa convida a lutarmos contra a pobreza e pela paz

Papa "abraça o mundo" e convida a lutar juntos contra a pobreza e em prol da paz




Cidade do Vaticano

– “O abraço do Papa ao mundo”: assim Francisco definiu a audiência esta manhã, na Sala Regia, no Vaticano, ao Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé.

“Por vosso intermédio, encontro os vossos povos e deste modo posso, em certa medida, alcançar cada um dos vossos concidadãos com suas alegrias, dramas, expectativas e desejos” – disse o papa no início do seu discurso, recordando a preocupação primordial da Santa Sé, isto é, o bem de todo o homem que vive nesta terra.

Nessa missão, afirmou o Pontífice, é bom poder contar com a amizade dos países acreditados, fazendo votos de que se inicie também um caminho com os poucos países que ainda não têm relações diplomáticas com a Santa Sé.

Como em outras ocasiões, o Papa voltou a falar dos motivos que o levaram escolher o nome Francisco: um dos primeiros é o amor que Francisco tinha pelos pobres.

“Ainda há tantos pobres no mundo! E tanto sofrimento passam estas pessoas! A exemplo de Francisco de Assis, a Igreja tem procurado, sempre e em todos os cantos da terra, cuidar e defender quem passa indigência e penso que podereis constatar, em muitos dos vossos países, a obra generosa dos cristãos que, deste modo, trabalham para construir sociedades mais humanas e mais justas.”

Mas há ainda outra pobreza, advertiu Francisco, que é a pobreza espiritual, que afeta gravemente os países considerados mais ricos. É aquilo que Bento XVI chama de “ditadura do relativismo”, que deixa cada um como medida de si mesmo, colocando em perigo a convivência entre os homens.

“E assim chego à segunda razão do meu nome. Francisco de Assis diz-nos: trabalhai por edificar a paz. Mas, sem a verdade, não há verdadeira paz. Não pode haver verdadeira paz, se cada um é a medida de si mesmo, se cada um pode reivindicar sempre e só os direitos próprios, sem se importar ao mesmo tempo do bem dos outros, do bem de todos, a começar da natureza comum a todos os seres humanos nesta terra.”

Ser Pontífice, explicou, é servir de ponte entre Deus e os homens, fazendo votos de que o diálogo entre a Santa Sé e os países ajude a construir pontes entre todos os homens, de tal modo que cada um possa encontrar no outro não um inimigo nem um concorrente, mas um irmão que se deve acolher e abraçar. Além disso, acrescentou, suas próprias origens impelem-no a trabalhar para construir pontes: “Como sabeis, a minha família é de origem italiana; e assim está sempre vivo em mim este diálogo entre lugares e culturas distantes”.

Neste trabalho, o Papa considera fundamental o papel da religião, já que não se podem construir pontes entre os homens esquecendo Deus; e vice-versa. “Por isso, é importante intensificar o diálogo entre as diversas religiões”, citando de modo especial o diálogo com o Islã e com os que não creem.

Lutar contra a pobreza, tanto material como espiritual, edificar a paz e construir pontes: este é o caminho para o qual Papa Francisco convida cada país. “Um caminho que será difícil, se não aprendermos a amar cada vez mais esta nossa terra. Também neste caso, me serve de inspiração o nome de Francisco: ele ensina-nos um respeito profundo por toda a criação, ensina-nos a guardar este nosso meio ambiente, que muitas vezes não usamos para o bem, mas desfrutamos com avidez e prejudicando um ao outro.”


Fonte: RV

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Pontifício Conselho da Justiça e da Paz enfatiza necessidade de uma nova evangelização do social
Cidade do Vaticano
- "Neste momento de crise, os católicos são chamados a uma atuação em
prol de uma nova evangelização do social." Foi o que disse o secretário do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, Dom Mario Toso, na conclusão dos trabalhos do II Festival da Doutrina Social da Igreja.Com o tema "A necessidade de um pensamento diferente", a edição, realizada em Verona – nordeste da Itália – de 14 a 16 do corrente, teve a participação de cerca de seis mil pessoas oriundas de todas as partes da Itália e a contribuição de
duzentos voluntários.Viver a fé.
"Nesta obra de evangelização a doutrina
social é elemento essencial", prosseguiu Dom Toso, evocando uma passagem da Carta encíclica "Caritas in veritate" (nº 15), em que Bento XVI recorda que "a doutrina social é anúncio e testemunho de fé".
Portanto, a doutrina social "permite à fé não ser apenas pronunciada, mas experimentada na
sociedade", em outras palavras, "torna a fé adulta, leva-a a completude", mas para fazer esse caminho "são necessários sujeitos ativos que atuem na sociedade e nos territórios, ajudados por uma nova geração de sacerdotes e formadores".
Nisso, também as escolas católicas, enquanto lugares educativos, "devem ser um dos protagonistas da nova evangelização do social" e, junto a elas, é necessário que cada fiel e cada comunidade, mediante um movimento uníssono de conversão, decida novamente ou reconfirme, com toda a sua alma, sua pertença Jesus", acrescentou o secretário do Pontifício Conselho da
Justiça e da Paz. (RL)
Fonte: RV

domingo, 16 de setembro de 2012

DEUS CONSEDA A PAZ À SÍRIA E A TODO O ORIENTE MÉDIO



Bento XVI no Angelus: Deus conceda paz à Síria e a todo o Oriente Médio


Beirute


- Na oração do Angelus, deste domingo, o Papa fez novamente um apelo pela paz no Oriente Médio."Peçamos a Maria, Nossa Senhora do Líbano, ao redor da qual se encontram cristãos e muçulmanos, para que interceda junto de seu divino Filho por vós, pelos habitantes da Síria e dos países vizinhos, implorando o dom da paz – disse Bento XVI a todos os presentes no City Center Waterfront de Beirute."Vós conheceis bem a tragédia dos conflitos e da violência, que gera tantos sofrimentos. Infelizmente, o fragor das armas continua a fazer-se ouvir, assim como o grito das viúvas e dos órfãos. A violência e o ódio invadem as estradas, e as mulheres e as crianças são as suas primeiras vítimas. Porquê tantos horrores? Porquê tantos mortos? Faço apelo à comunidade internacional; faço apelo aos países árabes para que, como irmãos, proponham soluções viáveis que respeitem a dignidade de cada pessoa humana, os seus direitos e a sua religião. Quem quer construir a paz, deve deixar de ver no outro um mal a ser eliminado; não é fácil ver no outro uma pessoa para respeitar e amar, e todavia é preciso consegui-lo, se se deseja construir a paz, se se quer a fraternidade. Que Deus conceda ao vosso país, à Síria e a todo o Oriente Médio o dom da paz dos corações, o silêncio das armas e o fim de toda a violência" - frisou o Papa."Queira Deus que os homens compreendam que são todos irmãos! Possamos com a ajuda de Deus nos converter para trabalhar com ardor na construção da paz, necessária para uma vida harmoniosa entre irmãos, independentemente da origem e da convicção religiosa" – concluiu o Santo Padre. (MJ)

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

BENTO XVI: VENHO AO LÍBANO COMO PEREGRINO DE PAZ



Bento XVI: Venho ao Líbano como peregrino de paz





Beirute (RV)



– “Venho ao Líbano como peregrino de paz.” A longa espera acabou, pois Bento XVI já se encontra em Beirute, para a sua 24ª viagem apostólica internacional. Depois de pouco mais de três horas de viagem de Roma à capital libanesa, o Pontífice e sua delegação foram recebidos no Aeroporto internacional “Rafiq Hariri” pelo Presidente da República, Michel Sleiman, pelo Patriarca Maronita Béchara Boutros Rai, e outras autoridades civis e eclesiásticas.Após o cerimonial de boas-vindas, tomaram a palavra primeiro do Presidente da República e, a seguir, Bento XVI.O Papa agradeceu a recepção calorosa, “o magnífico acolhimento” – que se reserva a um irmão amado e respeitado. Falou das “excelentes relações” que sempre existiram entre a Santa Sé e o Líbano e do motivo de sua viagem, ou seja, a publicação da Exortação apostólica Pós-Sinodal “Ecclesia in Medio Oriente”. Dirigindo-se a todos os libaneses, Bento XVI afirma que não esquece os acontecimentos “tristes e dolorosos” que, durante longos anos, atormentaram este lindo país. “A convivência feliz de todos os libaneses deve demonstrar a todo o Médio Oriente e ao resto do mundo que, dentro duma nação, pode haver colaboração entre as diversas Igrejas – todas elas membros da única Igreja Católica – num espírito de comunhão fraterna com os outros cristãos e, ao mesmo tempo, a convivência e o diálogo respeitoso entre os cristãos e os seus irmãos de outras religiões.”Este equilíbrio, que é apresentado em toda a parte como um exemplo, é extremamente delicado, disse o Papa. Por vezes, ameaça romper-se. Então, é preciso dar provas de real moderação e grande sabedoria; a razão deve prevalecer sobre a paixão unilateral para favorecer o bem comum de todos.A convivência que o Líbano quer testemunhar, acrescentou, só será profunda se estiver fundada sobre uma atitude de benevolência para com o outro, se estiver enraizada em Deus. Só então será um modelo para os habitantes de toda a região e para o mundo inteiro. Não se trata duma obra meramente humana, mas dum dom de Deus que é preciso pedir com insistência, preservar a todo custo e consolidar resolutamente.“Venho ao Líbano como peregrino de paz, como amigo de Deus e como amigo dos homens”, disse ainda o Papa, citando o lema da sua viagem apostótica: «Salami ō-tīkum – dou-vos a minha paz». E hoje, além deste país, dirijo-me em espírito também a todos os países do Médio Oriente como peregrino de paz, como amigo de Deus e como amigo de todos os habitantes de todos os países da região, independentemente da sua filiação e da sua crença.”Bento XVI garantiu que as alegrias e as tribulações dos povos do Oriente Médio estão continuamente presentes em sua oração, pedindo a Deus que os acompanhe e console. « Posso assegurar que rezo de maneira particular por todos os que sofrem nesta região, e são tantos! Estou feliz por estar com todos vocês. Que Deus os abençoe a todos.No final da cerimônia, o Papa deixou o Aeroporto de Beirute em direção à Nunciatura Apostólica de Harissa, a 37 km da capital, onde ficará hospedado nesses três dias de visita.À tarde, o evento que aguarda Bento XVI se realizará na Basílica Greco-melquita de São Paulo, para a assinatura da Exortação Apostólica “Ecclesia in Medio Oriente”, na presença de todos os patriarcas e bispos da região.A Rádio Vaticano transmitirá este evento a partir do meio-dia, horário de Brasília, com comentários em português.

Fonte: RV


Papa BENTO XVI CHEGA A BEIRUT COM MENSAGEM DE PAZ

Bento XVI chega hoje a Beirut com mensagem de paz e comunhão para as populações do Médio Oriente



Bento XVI parte às 9.30 de Roma para Beirute, aonde deverá chegar pouco antes das 14 horas locais, para a sua 24ª viagem apostólica internacional. A visita tem lugar por ocasião da publicação da Exortação apostólica Pós-Sinodal “Ecclesia in Medio Oriente”. A chegada de Bento XVI é aguardada com esperança não só pelos cristãos, mas também pelos muçulmanos do País dos Cedros que vêem no Papa uma mensagem de paz e convivência para o Médio Oriente, num momento de grande tensão, por causa da guerra civil na Síria, como nos informa, a partir de Beirute, Alessandro Gisotti.

“Em Beirute respira-se um clima de esperança e trepidação pela chegada do Papa. É difícil encontrar uma rua da cidade que não esteja enfeitada com bandeiras do Vaticano e do Líbano ou com cartazes de Bento XVI com o lema da viagem “A paz esteja convosco”, expressa em várias línguas, do árabe ao francês; do inglês ao latim “Pax Vobis”.

E esta região tem efectivamente grande necessidade de paz. Recordam-no também os prédios de Beirute crivados de balas, durante a guerra civil no país e que permaneceram lado a lado com novos arranha-céus que vão continuamente transformando o perfil da cidade.

À espera do Papa estão os fiéis do Líbano e os pastores do Médio Oriente a quem entregará a Exortação apostólica Pós-Sinodal. Esperam-no com emoção os jovens libaneses que sábado à tarde viverão com o Papa uma pequena JMJ do Médio Oriente. Esperam-no também os líderes muçulmanos que durante a visita terão um encontro com o Pontífice.

O diálogo islâmico - cristão é uma das dimensões fortes desta viagem. E, precisamente para sublinhar que o Líbano é um modelo possível de convivência, nesta quarta à tarde cristãos e muçulmanos juntaram-se no centro da cidade para dar as boas-vindas ao Papa com uma vigília de oração.
“O Líbano, mais do que um País, é uma mensagem”, tinha-o afirmado João Paulo II na sua visita ao país, em 1997. Quinze anos depois, os libaneses esperam de Bento XVI um renovado apoio a essa mensagem de paz e esperança para todos os povos do Médio Oriente.”

Fonte: RV

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

DEFENDER EM TODOS OS LUGARES A LIBERDADE RELIGIOSA, AUTÊNTICO FUNDAMENTO DA PAZ

PAPA A CORPO DIPLOMÁTICO: DEFENDER EM TODOS OS LUGARES A LIBERDADE RELIGIOSA, AUTÊNTICO FUNDAMENTO DA PAZ

Cidade do Vaticano, 10 jan (RV) - Buscar o caminho de uma paz autêntica mediante o respeito pela liberdade religiosa: foi o premente apelo feito por Bento XVI aos membros do Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé, recebidos na manhã desta segunda-feira na Sala Régia, no Vaticano, por ocasião das tradicionais felicitações de início de ano.Falando aos embaixadores, o Papa traçou um quadro sobre a condição da liberdade religiosa no mundo e voltou a condenar com veemência as violências anticristãs, em particular no Iraque e no Egito. Em seguida, pediu a abolição da lei, no Paquistão, sobre a blasfêmia.Além disso, o Pontífice chamou a atenção para as tentativas, sobretudo no Ocidente, de marginalizar a dimensão da fé. A saudação ao Santo Padre foi feita pelo Embaixador Decano Alejandro Valladares Lanza. Atualmente, 178 Estados mantêm relações diplomáticas plenas com a Santa Sé."A dimensão religiosa é uma característica inegável e irrefreável do ser e do agir do homem": a reflexão de Bento XVI parte dessa incontrovertível verdade. Falando aos embaixadores do mundo inteiro, o Papa reiterou que quando o direito à liberdade religiosa é negado "geram-se desequilíbrios e conflitos a todos os níveis, tanto no plano pessoal como no interpessoal".Retomando a Mensagem para o Dia Mundial da Paz, Bento XVI reafirmou que o direito à liberdade religiosa, muitas vezes colocada em discussão ou violada, é, na realidade, "o primeiro de todos".Portanto – acrescentou - a paz pode-se construir somente se "o homem pode livremente buscar e servir a Deus em seu coração, em sua vida e nas suas relações com os outros".Em seguida, o Pontífice destacou os atentados anticristãos no Iraque, que "nos entristeceram profundamente" – frisou:O Pontífice renovou às autoridades do País do Golfo e aos líderes religiosos o seu "ansioso apelo a trabalharem para que os seus concidadãos cristãos possam viver em segurança e continuar a prestar a sua contribuição à sociedade de que são membros com pleno título". Também no Egito, em Alexandria – recordou – "o terrorismo atingiu brutalmente os fiéis em oração numa igreja".Tal "sucessão de ataques" – foi a sua triste constatação – "é um sinal ulterior da urgente necessidade para os governos da região de adotarem, apesar das dificuldades e ameaças, medidas eficazes para a proteção das minorias religiosas".E mais uma vez, o Papa ressaltou que os cristãos do Oriente Médio "são cidadãos originários e autênticos, leais à sua pátria e fiéis a todos os seus deveres nacionais".Em seguida, elogiou aqueles países do Velho Continente que auspiciaram uma "resposta concertada da União européia" em defesa dos cristãos na região, e pediu que na Península Arábica – onde vivem numerosos trabalhadores imigrados cristãos – "a Igreja Católica possa dispor de adequadas estruturas pastorais":"Entre as normas que lesam o direito das pessoas à liberdade religiosa – prosseguiu o Pontífice – uma menção particular deve ser feita à lei contra a blasfêmia no Paquistão: de novo encorajo as autoridades desse país a realizarem os esforços necessários para a ab-rogar, tanto mais que é evidente que a mesma serve de pretexto para provocar injustiças e violências contra as minorias religiosas.""O trágico assassinato do Governador do Punjab – advertiu o Papa – mostra como é urgente caminhar nesse sentido: a veneração a Deus promove a fraternidade e o amor, não o ódio nem a divisão."Ademais, Bento XVI expressou preocupação com os ataques contra os cristãos na Nigéria e com os atos de violência no sul e sudeste asiáticos:"Por outro lado, em diversos países, a Constituição reconhece uma certa liberdade religiosa, mas, de fato, a vida das comunidades religiosas torna-se difícil e por vezes até precária (cf. Conc. Vat. II, Decl. Dignitatis humanae, 15)."Daí, o premente apelo a fim de que "cessem tais ambiguidades, de maneira que os fiéis não se vejam lacerados entre a fidelidade a Deus e a lealdade à sua pátria". E, de modo particular, pediu "que em todos os lugares seja garantida às comunidades católicas a plena autonomia de organização e a liberdade de cumprir a sua missão"."Neste momento, o meu pensamento volta-se de novo para a comunidade católica da China continental e os seus Pastores, que vivem um período de dificuldade e provação" - afirmou.Mudando de latitude, fez uma exortação às autoridades cubanas: "quero dirigir uma palavra de encorajamento às autoridades de Cuba – país que celebrou, em 2010, setenta e cinco anos de ininterruptas relações diplomáticas com a Santa Sé – para que o diálogo, que felizmente se instaurou com a Igreja, se reforce e amplie ainda mais".Voltando o nosso olhar para o Ocidente – prosseguiu – "deparamos com outros tipos de ameaças contra o pleno exercício da liberdade religiosa. Penso, em primeiro lugar, em países onde se reconhece uma grande importância ao pluralismo e à tolerância, enquanto a religião sofre uma crescente marginalização. Tende-se a considerar a religião, toda a religião, como um fator sem importância, alheio à sociedade moderna ou mesmo desestabilizador e se procura, com diversos meios, impedir toda e qualquer influência dela na vida social"."Deste modo, chega-se a pretender que os cristãos ajam, no exercício da sua profissão, sem referimento às suas convicções religiosas e morais, e mesmo em contradição com elas, como, por exemplo, quando estão em vigor leis que limitam o direito à objeção de consciência dos profissionais da saúde ou de certos operadores do Direito."Nesse contexto, o Papa disse não ser "possível deixar de alegrar-se com a adoção pelo Conselho da Europa, no passado mês de outubro, de uma Resolução que protege o direito do pessoal médico à objecção de consciência face a certos atos que lesam gravemente o direito à vida, como o aborto".Em seguida, Bento XVI chamou a atenção para outra "manifestação da marginalização da religião, e particularmente do cristianismo", consistente "em banir da vida pública festas e símbolos religiosos, em nome do respeito por quantos pertencem a outras religiões ou por aqueles que não acreditam".Agindo deste modo – observou – "não apenas se limita o direito dos crentes à expressão pública da sua fé, mas se cortam também raízes culturais que alimentam a identidade profunda e a coesão social de numerosas nações".O Santo Padre agradeceu àqueles países que se associaram ao governo italiano na defesa da exposição do Crucifixo em lugares públicos:"Reconhecer a liberdade religiosa – acrescentou – significa, além disso, garantir que as comunidades religiosas possam agir livremente na sociedade, com iniciativas nos setores social, caritativo ou educativo. Pode-se constatar por todo o lado, no mundo, a fecundidade das obras da Igreja Católica nestes âmbitos. Causa preocupação ver este serviço que as comunidades religiosas prestam a toda a sociedade, particularmente em favor da educação das jovens gerações, comprometido ou dificultado por projetos de lei que correm o risco de criar uma espécie de monopólio estatal em matéria escolar, como se constata, por exemplo, em certos países da América Latina.""Quando vários deles celebram o segundo centenário da sua independência, ocasião propícia para se recordar a contribuição da Igreja Católica para a formação da identidade nacional – continuou o Papa referindo-se, ainda, à América Latina – exorto todos os governos a promoverem sistemas educativos que respeitem o direito primordial das famílias de decidir sobre a educação dos filhos e que se inspirem no princípio de subsidiariedade, fundamental para organizar uma sociedade justa."Continuando a minha reflexão – acrescentou o Pontífice – "não posso passar sem referir outra ameaça à liberdade religiosa das famílias nalguns países europeus, onde é imposta a participação em cursos de educação sexual ou cívica que propagam concepções da pessoa e da vida pretensamente neutras mas que, na realidade, refletem uma antropologia contrária à fé e à reta razão".Bento XVI concluiu seu discurso com um premente apelo:"A religião não constitui um problema para a sociedade, não é um fator de perturbação ou de conflito. Quero repetir que a Igreja não procura privilégios, nem deseja intervir em âmbitos alheios à sua missão, mas simplesmente exercer a mesma com liberdade. (...) Que nenhuma sociedade humana se prive, voluntariamente, da contribuição fundamental que são as pessoas e as comunidades religiosas!" (RL)
Fonte: RV

segunda-feira, 7 de junho de 2010

PAPA SE DESPEDE DE CHIPRE

SÍNODO, ECUMENISMO E PAZ: PAPA SE DESPEDE DE CHIPRE

Larnaca,

– A intensa visita de três dias de Bento XVI a Chipre se concluiu esta tarde no Aeroporto Internacional de Larnaca (antiga cidade fenícia que nasceu no IX século a.C.)Assim como na chegada, a cerimônia se realizou com a saudação do Presidente da República de Chipre, Demetris Christofias, e com o discurso do Santo Padre, que recapitulou os principais momentos da viagem, marcada pelos temas do Sínodo, do ecumenismo e da paz no Oriente Médio.Mais uma vez, o Papa falou da riqueza de culturas que compõem o Mediterrâneo e, não obstante, os conflitos e o derramamento de sangue que se verificam na região, "como vimos nos últimos dias" (em alusão à blitz israelense perto da Faixa de Gaza). É preciso duplicar os esforços a fim de construir uma paz real e duradoura, pediu o Pontífice, ressaltando o papel de Chipre na promoção do diálogo e da cooperação. Pernoitando na Nunciatura Apostólica, que se encontra na zona controlada pelas Nações Unidas, o Papa disse que pôde observar pessoalmente as conseqüências da "triste divisão" da Ilha e, ao mesmo tempo, ouvir de muitos cipriotas provenientes do norte o anseio por um restabelecimento da paz. Muito já foi feito, constatou Bento XVI, mas muito permanece por fazer para recompor as divisões. O Papa falou ainda do diálogo inter-religioso, fazendo votos de que, juntos, cristãos e muçulmanos se tornem um fermento de paz e reconciliação entre os cipriotas e isso sirva de exemplo para os outros países.Sobre as relações ecumênicas, evocou o abraço em Jerusalém do então Patriarca Atenágoras e de seu predecessor Paulo VI – abraço profético que indicou a estrada a percorrer. "Temos um chamado divino a sermos irmãos, a caminhar lado a lado na fé" – disse, garantindo o empenho da Igreja Católica para alcançar o objetivo da perfeita unidade. Após abençoar uma árvore de oliveira, símbolo da paz, Bento XVI embarcou no avião de bandeira da República de Chipre em direção ao Vaticano, onde sua chegada está prevista para as 20h45, horário local. (BF)

Fonte: RV

domingo, 6 de junho de 2010

CRISTÃOS, ARTESÃOS DA PAZ. BENTO XVI RENOVA APELO PELA PAZ NA TERRA SANTA

CRISTÃOS, ARTESÃOS DA PAZ. BENTO XVI RENOVA APELO PELA PAZ NA TERRA SANTA

Nicósia, 06 jun (RV)

– A viagem de Bento XVI a Chipre alcançou esta manhã o seu ápice com a publicação do Instrumento de Trabalho (Instrumentum Laboris) da Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos. O ato ocorreu durante a celebração da Santa Missa no Ginásio de Esportes Elefthería de Nicósia, capital da Ilha.Na presença de seis mil fiéis, entre os quais os patriarcas e os bispos católicos do Oriente Médio, o Papa desenvolveu sua homilia sobre o Corpo e Sangue do Senhor, na Solenidade de Corpus Christi, que o Brasil celebrou quinta-feira passada. O papa citou Santo Agostinho, que nos recorda que o pão não é preparado a partir de um só grão, mas de inúmeros grãos: "Cada um de nós que pertencemos à Igreja precisa sair do mundo fechado da própria individualidade e aceitar a companhia daqueles que partilham o pão conosco. Não devo mais pensar a partir de 'mim mesmo', mas de 'nós'. É por isso que todos os dias pedimos ao 'nosso' Pai que nos dê o pão 'nosso' de cada dia". Para entrar na vida divina, prosseguiu o pontífice, a primeira premissa é derrubar as barreiras entre nós e nossos vizinhos e nos libertar de tudo aquilo que nos bloqueia e isola: temor e desconfiança de uns para com os outros, avidez e egoísmo, falta de vontade de aceitar o risco da vulnerabilidade à qual nos expomos quando nos abrimos ao amor. Em grego, Bento XVI afirmou: "Caros irmãos e irmãs em Cristo, hoje somos chamados a ser um só coração e uma só alma, para aprofundar nossa comunhão com o Senhor e uns com os outros, e testemunhá-Lo diante do mundo". Hoje, continuou o Papa, somos chamados a superar as nossas diferenças, a levar paz e reconciliação onde há conflitos e a oferecer ao mundo uma mensagem de esperança. "Somos chamados a atender os que estão em necessidade, partilhando generosamente nossos bens terrenos com os menos favorecidos. E somos chamados a proclamar incessantemente a morte e ressurreição do Senhor, até que Ele venha."No final da celebração, tomou a palavra o Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos, Dom Nikola Eterovic, convidando o Papa a entregar o Instrumento de trabalho.Com a convocação deste Sínodo, recordou o Arcebispo, todos os bispos do Oriente Médio, inclusive aqueles da Diáspora, refletirão sobre a atual situação eclesial e social nas respectivas Igrejas."No Oriente Médio, há situações difíceis, que podem ser comparadas com a dispersão das pessoas em busca de alimento para sobreviver "em uma região deserta" – constatou Dom Eterovic, recordando que a finalidade do Sínodo será implorar de Deus Uno e Trino a graça de doar um novo dinamismo pastoral às Igrejas na região, para que possam prosseguir sua providencial missão.Antes de sua saudação, Bento XVI quis recordar a morte do Presidente da Conferência Episcopal Turca, Dom Luigi Padovese, que contribuiu à preparação do Instrumentum laboris."As notícias de sua imprevisível e trágica morte, na quinta-feira, nos surpreenderam e nos chocaram" – afirmou o pontífice, destacando seu trabalho em prol do diálogo inter-religioso, ecumênico e cultural. "Sua morte é um lembrete da vocação de todo cristão de ser testemunha corajosa em toda circunstância daquilo que é bom, nobre e justo."A seguir, o Papa afirmou que o Oriente Médio tem um lugar especial nos corações de todos os cristãos, já que foi ali que Deus se revelou.Desde então, os cristãos olham para o Oriente Médio com uma reverência especial e continuam presentes na região apesar das hostilidades que, às vezes, são obrigados a enfrentar. Eis, portanto, que o Sínodo é uma ocasião para os cristãos do resto do mundo de oferecerem apoio espiritual e solidariedade aos irmãos e irmãs do Oriente Médio. Muitas vezes, continuou, os cristãos atuam como "artesãos da paz" no difícil processo de reconciliação: "Vocês merecem o reconhecimento pelo papel inestimável que desempenham. É minha firme esperança que seus direitos sejam sempre mais respeitados, inclusive o direito à liberdade de culto e à liberdade religiosa, e que jamais sofram discriminações de qualquer tipo".E antes de entregar pessoal e individualmente o texto aos patriarcas e bispos presentes, Bento XVI renovou seu apelo por um esforço internacional urgente e conjunto a fim de resolver as tensões que permanecem no Oriente Médio, em especial na Terra Santa, antes que esses conflitos levem a um derramamento de sangue ainda maior. (BF)

Fonte: RV

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

PAZ COMEÇA PELO RESPEITO POR QUEM É DIVERSO DE NÓS

PAPA: "PAZ COMEÇA PELO RESPEITO POR QUEM É DIVERSO DE NÓS"


Cidade do Vaticano, 1º jan (RV)

- O pontífice presidiu esta manhã, na Basílica de São Pedro, a missa que, em coincidência com o primeiro dia do ano civil, celebra a Solenidade de Maria, Mãe de Deus, e ao mesmo tempo, o 43º Dia Mundial da Paz. Concelebraram com o papa os cardeais Tarcisio Bertone, secretário de Estado, e Renato Raffaele Martino, presidente emérito do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz. “A paz começa com o olhar respeitoso, que reconhece na face do outro uma pessoa, independente da cor de sua pele, da sua nacionalidade, língua ou religião” – lembrou Bento XVI em sua homilia. Para o papa, “somente se tivermos Deus no coração, somos capazes de reconhecer na face do outro um irmão na humanidade”.O papa convidou todos a realizar projetos de paz, depor as armas de todo tipo e esforçarem-se, juntos, para construir um mundo mais digno do homem. Recordando o sofrimento de tantas crianças atingidas por guerras em muitas partes do mundo, disse que “o rosto destes pequenos inocentes é um apelo silencioso à nossa responsabilidade”. Dirigindo-se aos embaixadores de todos os países representados junto à Santa Sé, o papa advertiu: “No dia dedicado a Maria, Mãe de Deus, a imagem da ternura encontra o seu trágico contrário nas dolorosas imagens de tantas crianças e de suas mães à mercê de guerras e violências: deslocados, refugiados, migrantes forçados. Faces marcadas pela fome e pelas doenças, faces desfiguradas pela dor e pelo desespero”.Em referência ao 43º Dia Mundial da Paz, o pontífice evocou com veemência a responsabilidade de quem vive na terra para com a preservação da Criação:“Se o homem se degrada, degrada o ambiente em que vive; se a cultura tende para um niilismo, não teórico, mas prático, a natureza pagará as conseqüências. Existe um nexo direto entre o respeito do homem e a salvaguarda da Criação” – disse. Assim – continuou – “é importante sermos educados desde pequenos ao respeito do próximo, mesmo quando é diferente de nós, e à responsabilidade ecológica, baseada no respeito do homem e de seus direitos e deveres fundamentais”. Bento XVI pediu que sigamos o exemplo das crianças de hoje, cada vez mais em contato com coetâneos de várias nacionalidades, que despertam em nós a ternura e a alegria por uma inocência e uma irmandade que nos parecem evidentes: “Apesar das suas diferenças, choram e sorriem do mesmo modo, têm as mesmas necessidades, comunicam espontaneamente, brincam juntas... As faces das crianças são como um reflexo da visão de Deus sobre o mundo. Por que então tirar os seus sorrisos? Por que envenenar os seus corações?”.Em sua homilia deste início de ano, Bento XVI re-propôs o conceito de ‘ecologia humana’, usado pela primeira vez por João Paulo II, fortemente propagado por papa Ratzinger em sua encíclica 'Caritas in veritate', e retomado na mensagem para o Dia Mundial da Paz 2010: “Se queres cultivar a paz, preserva a criação”.“O homem é capaz de respeitar a criatura na medida em que traz no próprio espírito um pleno sentido da vida; de outro modo será levado a desprezar a si mesmo e ao que o circunda, a não ter respeito pelo ambiente em que vive, pela Criação. Quem sabe reconhecer no cosmos os reflexos do rosto invisível do Criador, é levado a ter maior amor pela criatura e maior sensibilidade pelo seu valor simbólico”. (CM)

Fonte: RV

PAZ - RESPEITO PELA CRIAÇÃO E APELA AO DESARME

PAPA PEDE RESPEITO PELA CRIAÇÃO E APELA AO DESARME

Cidade do Vaticano, 1º jan (RV)

- “Administrar com sabedoria os recursos naturais da Terra é a condição indispensável para a paz” – disse o papa no Ângelus rezado na Praça São Pedro no primeiro dia do ano e com o 43º Dia Mundial da Paz.Bento XVI recordou a recente cúpula de Copenhagen, onde “emergiu novamente a urgência de orientações concordadas globalmente, mas que atendam às necessidades das pessoas, famílias e governos locais”. Lançou um forte apelo para adotarmos novos estilos de vida, pois somos responsáveis pela proteção e zelo da Criação, e pediu educação ao respeito pela natureza. Invocando igualmente respeito pelas pessoas, “nossos irmãos e irmãs, e pela vida humana”, o papa implorou à consciência dos integrantes de grupos armados, pedindo-lhes que abandonem a estrada da violência. O apelo foi interrompido por um longo aplauso:“A todos, a cada um de vocês – clamou – digo ‘parem, reflitam e abandonem o caminho da violência'. Este passo pode parecer impossível neste momento, mas se tiverem a coragem de fazê-lo, Deus os ajudará e sentirão voltar em seus corações a alegria da paz, que há tanto tempo esqueceram”.Após a oração mariana, Bento XVI saudou as cerca de 10 mil pessoas que participaram esta manhã, na capital italiana, da marcha da paz promovida pela Comunidade de Santo Egídio, e que estavam reunidas na Praça. A manifestação tocou várias cidades na Itália e em outros países, com uma série de iniciativas às quais o papa expressou gratidão. Em português, o papa disse as seguintes palavras, seguidas de sua benção:“A todos os povos e nações de língua portuguesa - nominalmente aos peregrinos vindos de Angola - aos seus lares e comunidades, aos seus governantes e instituições, desejo a paz do Céu, que hoje vemos reclinada nos braços da Virgem Mãe. Feliz Ano Novo!”.


Fonte: RV

domingo, 20 de dezembro de 2009

"RESOSTA DE DEUS AO DRAMA DA HUMANIDADE EM BUSCA DA VERDADEIRA PAZ"

Natal - resposta de Deus ao drama da humanidade em busca da verdadeira paz: Bento XVI, por ocasião do Angelus


“O Natal não é uma fábula para meninos. É a resposta de Deus ao drama da humanidade em busca da verdadeira paz”. Na alocução do meio-dia, por ocasião do Angelus, na Praça de São Pedro, com um sol radiante, não obstante o frio gélido, Bento XVI recordou o anúncio do profeta Miqueias proposto pela liturgia deste quarto domingo do Advento. A profecia refere Belém, a cidade de David, como a terra onde terá lugar um misterioso nascimento ligado a um tempo de reconciliação e de paz entre os filhos de Israel.“Existe um projecto divino que compreende e expõe os tempos e lugares da vinda do filho de Deus no mundo. É um projecto de paz, como anuncia ainda o profeta falando do Messias: ‘Levantar-se-á e apascentará com a força do Senhor, com a majestade do nome do Senhor seu Deus… Ele próprio será a paz!”. E o Papa prosseguiu detendo-se neste “último aspecto da profecia – o que diz respeito à paz messiânica”, ligada ao simbolismo de Belém.“Belém é também uma cidade - símbolo da paz, na Terra Santa e no mundo inteiro. Infelizmente, nos nossos dias, Belém não representa uma paz alcançada e estável, mas uma paz arduamente procurada e aguardada”.Em todo o caso, Deus não se resigna a este estado de coisas:“Também este ano, em Belém e no mundo inteiro, se renovará na Igreja o mistério do Natal, profecia de paz para cada homem, que empenha os cristãos a inserir-se nos bloqueios, nos dramas, muitas vezes desconhecidos e escondidos, e nos conflitos do contexto em que se vive, com os sentimentos de Jesus, para se tornarem por toda a parte instrumentos e mensageiros de paz, para levar amor onde há ódio, perdão onde há ofensa, alegria onde há tristeza e verdade onde há erro, segundo as belas expressões de uma conhecida oração franciscana”. “Hoje, como nos tempos de Jesus, o Natal não é uma fábula para meninos, mas a resposta de Deus ao drama da humanidade em busca da verdadeira paz. ‘Ele mesmo será a paz!’ – diz o profeta referindo-se ao Messias. Toca a nós abrir, de par em par, as portas, para O acolher”.

Fonte: RV

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

PAZ FUDAMENTADA NO AMOR, JUSTIÇA, VERDADE E LIBERDADE

Urgência de paz fundada no amor, justiça, verdade e liberdade
Intervenção da Santa Sé no conselho ministerial da OSCE

CIDADE DO VATICANO,

- Hoje é cada vez mais urgente “uma conversão comum à paz, uma paz fundada em sólidos pilares de amor, justiça, verdade e liberdade”, disse o arcebispo Dominique Mamberti, secretário para as Relações com os Estados da Santa Sé, intervindo no 17º conselho ministerial da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), em Atenas.
A OSCE, cuja sede principal se encontra em Viena (Áustria), foi fundada em 1975 em Helsinki, como Conferência para a Segurança e Cooperação na Europa.
Atualmente, é a maior organização para a segurança regional no mundo, com 56 Estados membros da Europa, Ásia Central e América do Norte.
Ao tomar a palavra no encontro, no dia 1º de dezembro, o prelado – segundo informou o jornal vaticano L’Osservatore Romano – elogiou o “Processo de Corfu”, lançado em junho passado, no final de um encontro informal no âmbito ministerial da OSCE, com o fim de estabelecer um novo diálogo sobre o futuro da segurança europeia.
Dom Mamberti expressou a estima da Santa Sé pelas iniciativas empreendidas pela presidência grega, com o fim de reforçar o funcionamento dos instrumentos e mecanismos disponíveis para a prevenção dos conflitos e para a reabilitação pós-conflito.
No entanto, precisou, os importantes passos no controle dos armamentos não podem eclipsar as “guerras esquecidas” e as “hostilidades prorrogadas” que continuam causando mortos e danos, “frequentemente no silêncio e na indiferença de setores consideráveis da opinião pública”.
Além disso, precisou, “não haverá paz na terra se perdurarem a opressão dos povos, as injustiças e os desequilíbrios econômicos que ainda existem”.
Sobre a agenda da OSCE para os próximos anos, Dom Mamberti sublinhou a centralidade da relação entre políticas migratórias e segurança.
Atualmente, observou, há mais de 200 milhões de pessoas no mundo que vivem e trabalham em países diferentes daquele em que nasceram e do qual era cidadãs.
A situação reflete políticas encaminhadas “a responder a emotivas e acesas exigências de controle e de integração por parte da opinião pública”.
“No entanto – acrescentou – as vantagens concretas aceitas através da acolhida aos imigrantes se ofuscam frequentemente por uma atitude ambivalente nos meios de comunicação social e na opinião pública, que permitem generalizações negativas que criam estereótipos dos que chegam.”
Daqui deriva a “necessidade de prestar maior atenção aos próprios migrantes e não somente ao seu papel econômico de força de trabalho e de colonos permanentes”, e de reforçar “todo o sistema de tutela e de direitos humanos que não pode ser relegado a um papel secundário de apoio”.
Neste campo, o arcebispo Mamberti qualificou como de primária importância a reagrupação familiar e também a educação dos migrantes, de maneira que possam ser mais conscientes dos seus direitos.
O representante vaticano aludiu aos numerosos atos de intolerância e violações da liberdade religiosa que “continuam sendo perpetrados sob numerosas formas”.
Lamentavelmente, indicou, “com o aumento da intolerância religiosa no mundo, está bem documentado que os cristãos são o grupo religioso mais discriminado, dado que mais de 200 milhões deles, de diferentes confissões, poderiam encontrar-se em situação de dificuldade por causa de estruturas legais e culturais que os levam a ser discriminados”.
À luz de tudo isso, convidou a considerar as comunidades religiosas não “como fontes de conflitos sociais ou culturais, mas como um fator importante de promoção da paz, compreensão recíproca e valores humanos comuns”.

Fonte: ZENIT.org

domingo, 4 de outubro de 2009

A PAZ NA MÍSTICA FRANCISCANA

Evangelização e Paz
Frei Celso Márcio Teixeira, OFM

Introdução

Um dos mais profundos anseios do coração humano é o anseio pela paz. Fundamentalmente, todas as utopias da humanidade - elaboradas ou não - se resumem no desejo de paz.

A utopia que se chama cristianismo também é fundamentalmente um desejo de paz. E quanto mais distantes estivermos dela, mais sonharemos com ela; quanto mais violento for o mundo que nos rodeia, mais a desejaremos.

Este desejo é como uma minúscula brasa que fica escondida sob um montão de cinzas, esperando que alguém venha soprá-la para que ela se manifeste em todo o seu brilho e calor. Perder a esperança e não crer nesta utopia significa apagar em si o sonho que dá sentido à vida; e apagar o sonho da vida é extinguir-se a si mesmo. Por isso, aqui vale o conselho do profeta Isaías: Não apagar o pavio que ainda fumega (cf. Is 42,3).
Ao longo da história, vários foram os profetas da paz que tentaram manter acesa, ainda que sob uma montanha de cinzas, a brasa da paz.

Somente para lembrar os nomes de alguns: Isaías, o profeta da paz, elaborou a sua utopia, na qual ele via o lobo comer com o cordeiro (cf. Is 11,6-9); Jesus Cristo anunciou um reino que resumia todas as utopias do ser humano, "reino da verdade e da vida, reino da justiça, do amor e da paz"; Francisco de Assis, trovador e profeta, símbolo de homem reconciliado com todos os seres, desde a mais brilhante estrela do firmamento ao minúsculo verme que se arrasta pela terra; Mahatma Ghandi, o homem que pregou a revolução pela via da não violência.

O mundo atual, marcado pela cultura da morte, ainda sonha com a paz. Isto significa que o pavio ainda fumega (cf. Is 42,3).

A sociedade movimenta-se de maneira pluriforme em busca da realização dessa utopia. Este contexto nos parece campo fértil para que franciscanos e franciscanas desenvolvam toda uma evangelização voltada para a paz. A inserção nos movimentos de paz será um dos lugares preferenciais de presença franciscana. Aí temos a tarefa de dar uma contribuição tipicamente franciscana.

Esta contribuição, a nosso ver, não pode limitar-se ao nível panfletário. Temos uma contribuição mais substancial a oferecer.

Ela abrange dois pólos: Um em nível de reflexão, outro em nível de ação. Em nível de reflexão, temos toda uma espiritualidade que serve de fundamentação para nossa presença nos movimentos de paz; temos toda uma teologia a oferecer aos nossos interlocutores e aliados.

Em nível de ação, devemos ter a coragem de abandonar nossas "pastorais" rotineiras e partir para uma presença mais ágil e significativa no meio dos pobres, dos excluídos, primeiras vítimas silenciosas de sistemas causadores de violência, de exclusão e de morte.
Portanto, é importante que tenhamos consciência de que nossa contribuição franciscana deve ser qualificada. Distribuir panfletos? Todo mundo pode fazer isto. Uma reflexão franciscana e uma presença franciscana de qualidade, ao contrário, é tarefa que cabe unicamente a nós.

1. Uma reflexão preliminar: A evangelização como quadro de referência do anúncio franciscano da paz

Normalmente, quando se escreve ou se fala sobre o tema da paz em Francisco de Assis, vai-se entrando imediatamente no tema, praticamente sem fazer alusão a um quadro mais amplo de referência.

Começa-se a tratar da paz que Francisco pregava, como que desvinculando-a do conjunto ou amputando-a do corpo todo da atividade e da proposta de vida de Francisco. Por isso, o anúncio da paz corre o risco de ser compreendido como um apêndice, como algo que Francisco fazia ao lado de sua atividade evangelizadora, ou apenas de vez em quando, ou como um tema ao lado de outros.

Está aí, a nosso ver, uma compreensão parcial (portanto, distorcida) do que Francisco entendia pelo anúncio da paz. Realmente, o fato de desvincular a proclamação da paz de toda a atividade (e espiritualidade) de Francisco não deixa de empobrecer o próprio conteúdo de sua concepção sobre a paz.

Segundo nosso modo de ver, o quadro de referência para o anúncio (e compreensão) da paz está na evangelização. Evidentemente, o termo "evangelização" é recente na teologia. Praticamente, só ganhou impulso e divulgação e relevância a partir da encíclica Evangelii Nuntiandi, do Papa Paulo VI. Mas a prática da evangelização é tão antiga como o próprio evangelho.

Por isso, podemos atribuir uma terminologia nova a uma prática antiga (no caso, da Idade Média), conscientes de não estarmos traindo a verdade dos fatos.

A evangelização é o ponto chave para compreendermos a vocação de Francisco e de seus companheiros (por conseguinte, a vocação legada como herança a toda Ordem). Uma leitura mais comum, inclusive dos biógrafos da primeira hora, tem centralizado a vocação de Francisco na escolha da pobreza. Esta seria para muitos a ótica sob a qual deve ser contemplado todo o desenvolver da vocação franciscana.

Nosso modo de considerar prefere ver na evangelização o pólo catalisador de todo o movimento franciscano desde as origens. De fato, após alguns anos de busca de uma resposta, vivendo primeiramente como eremita e depois como reconstrutor de capelas, Francisco sente-se tocado pelas palavras do Evangelho (1) que teria ouvido durante uma missa na Porciúncula.

Tratava-se do texto do envio dos discipulos (Lc 10,1-11 ou Mt 10,1.5-15; em Mt trata-se do envio dos doze) para anunciar o Reino.

Ora, este texto do Evangelho, depois de descrever o envio dos discípulos na condição de pessoas despojadas (nada leveis pelo caminho), contém três elementos nucleares:

a) a saudação da paz;

b) a cura dos doentes;

c) o anúncio do reino (esta ordem em Mt 10 está exatamente ao inverso).

Uma interpretação dicotômica poderia ver nestes elementos três fases da tarefa de evangelizar, a saber, a saudação da paz, como sendo uma introdução, a cura dos doentes, como uma preparação para a evangelização, e o anúncio do Reino, que seria a tarefa evangelizadora propriamente dita. A nosso ver, porém, estes três elementos constituem a própria evangelização. O conjunto todo é anúncio do reino.

O reino de Deus só pode ser reino de paz, caso contrário não será reino de Deus. Por isso, a própria saudação de paz já é anúncio do reino, como também a cura dos doentes é anúncio de um reino sem males (cf Lc 7,18-23).

O primeiro biógrafo, mesmo com a tentação de interpretar a vocação de Francisco na ótica da pobreza (de fato, descreve primeiramente o despojamento de Francisco que troca o hábito de eremita por outro muito pobre e desprezível), passa em seguida a descrever a tarefa evangelizadora de Francisco: "A partir de então, com grande fervor de espírito e alegria da alma, começou a pregar a todos a penitência, edificando os ouvintes com palavras simples, mas com o coração nobre ... Em toda pregação sua, antes de propor a palavra de Deus aos que estavam reunidos, invocava a paz, dizendo: 'O Senhor vos dê a paz' (cf 2Ts 3,16; Lc 10, 4b). Anunciava-a sempre mui devotamente a homens e mulheres, aos que ele encontrava e aos que lhe vinham ao encontro.

Por esta razão, muitos que odiavam a paz, com a cooperação do Senhor, abraçaram de todo coração a salvação juntamente com a paz, tornando-se também eles filhos da paz e desejosos da salvação eterna”(2).

A saudação da paz e a proposição da palavra de Deus, descritas por Tomás de Celano, remetem-nos imediatamente ao texto de Lc 10. Só falta o elemento da cura dos doentes. Esta constatação nos permite concluir que para Francisco a saudação e o anúncio da paz constituíam a própria evangelização, exatamente como ouvira do Evangelho.

Na prática de Francisco, a evangelização inclui necessariamente o anúncio da paz. Em outras palavras: não se evangeliza, se não se anuncia a paz.

O Anônimo Perusino não narra o episódio da escuta do texto de Lc 10 na Porciúncula. Mas não desconhece que este texto fazia parte da origem da vocação de Francisco, pois ele coloca, logo após o despojamento de Francisco diante de Pedro Bernardone, a ressonância do texto do envio: "O Senhor conduziu-o pelo caminho reto e estreito, porque ele não quis possuir nem ouro nem prata, nem dinheiro, nem qualquer outra coisa (cf. Mt 10,9), mas seguiu o seu Senhor na humildade, na pobreza e na simplicidade de seu coração. Andando de pés descalços, vestia-se com um hábito desprezível, cingia-se com um cinto também muito barato" (3).

Embora o despojamento de ouro e prata, etc., fizesse parte de um texto dinâmico de envio a evangelizar, o AP prefere lê-lo na ótica da pobreza, desvinculando a pobreza do quadro da evangelização.
2. Evolução do conceito: da prática da pregação a um conceito mais amplo de evangelização

No entusiasmo de quem descobriu o sentido de sua vida, Francisco começa a pregar. Evangelizar significa inicialmente para Francisco dirigir-se ao povo, anunciar a palavra de Deus, lembrando sempre que o reino que ele quer anunciar é reino de paz. Por isso, insiste na saudação da paz. Como a saudação da paz fazia parte do envio dos discípulos, assim também ela faz parte de seu próprio envio.
Evangelização é, portanto, inicialmente compreendida como uma atividade ad extra, um dirigir-se ao povo. Dentro desta compreensão, podemos interpretar os dois ou três envios ou missões dos primeiros companheiros, antes mesmo da aprovação da regra:
a) Quando eles eram quatro: Francisco e Egídio foram à Marca de Ancona, os outros dois ficaram (4). Francisco não pregava ao povo, mas apenas exortava os homens e mulheres a fazerem penitências (5).
b) Quando eram seis: O envio é proposto como sua vocação: "Consideremos, irmãos caríssimos, a nossa vocação, porque Deus misericordiosamente nos chamou não somente para a nossa utilidade, mas também para a utilidade e salvação de muitos" (6). Eles anunciavam a paz em suas pregações(7).
c) Quando eram oito: No envio constava explicitamente o anúncio da paz: "Ide, caríssimos, dois a dois pelas diversas partes do mundo, anunciando aos homens a paz!” (8).
Um conceito de evangelização, que inicialmente se identificava com a atividade ad extra de pregar o reino, a penitência e a paz, começa muito cedo a alargar-se em compreensão. O anúncio exigia uma coerência de vida por parte dos evangelizadores. Quem prega o Evangelho é convocado à coerência, isto é, a colocar em prática, a fazer a experiência, a viver os valores que proclama com a voz.

É digno de nota que, após as primeiras missões evangelizadoras, quando se tratava de colocar por escrito numa regra essa vocação dada pelo Senhor, a vocação dos frades menores não foi expressa em termos de pregação ou de anúncio do Evangelho ou do reino, mas em termos de vida, de viver.

Deste modo, já na primitiva regra apresentada a Inocêncio III para a aprovação, a vocação dos frades menores vem assim explicitada: Esta é a vida do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo que Frei Francisco pediu ao senhor papa ... (9). Evangelizar é pregar e proclamar, mas é também fundamentalmente viver os valores evangélicos proclamados.

Assim, é dentro da compreensão da coerência entre a proclamação e a vida que se entende a exortação de Francisco, quando enviava os frades em missão evangelizadora: "Assim como proclamais a paz com a boca, assim em maior medida tenhais em vossos corações a paz, para que ninguém por meio de vós seja provocado à ira e ao escândalo; mas todos, por meio de vossa paz e mansidão, sejam novamente chamados à paz e à benignidade" (10). Detalhes preciosos da Regra mostram a compreensão ampla do conceito de evangelização.

Ao tratar do modo como devem os irmãos ir pelo mundo, Francisco não ensina o que devem pregar, mas o modo de comportar-se que convém ao evangelizador: "Aconselho, todavia, admoesto e exorto a meus irmãos no Senhor Jesus Cristo que, quando vão pelo mundo, não discutam nem alterquem com palavras (cf. Tm 2,14) nem julguem os outros; mas sejam mansos, pacíficos e modestos, brandos e humildes, falando a todos honestamente, como convém. E não devem andar a cavalo, a não ser que sejam obrigados por manifesta necessidade ou por enfermidade.

Em qualquer casa em que entrarem, digam primeiramente: Paz a esta casa (cf. Lc 10,5). E, segundo o santo Evangelho, seja-lhes permitido comer de todos os alimentos que forem colocados diante deles (cf. Lc 10,8)” (11).
Não nos passe despercebida a ressonância do texto do envio (Lc 10) que está sempre como pano de fundo da vocação dos frades menores.

Presente e indissociável sempre a proclamação da paz, porque não existe uma evangelização sem a proposta de paz.

Aliás, todas as atitudes que Francisco propõe são a própria proclamação da paz com o modo de viver. Em outras palavras, a vida dos irmãos devia ser o anúncio vivo do Evangelho da paz: em formulação negativa: não discutam nem alterquem nem julguem os outros; em formulação positiva: sejam mansos, pacíficos e modestos, brandos e humildes, falando a todos honestamente como convém ... e digam "paz a esta casa".
No confronto com as autoridades eclesiásticas constituídas, os novos evangelizadores (os que proclamam o Evangelho com a palavra e com a vida) só serão verdadeiros evangelizadores, se mantiverem a paz no coração: "E embora quisesse que [seus] filhos vivessem a paz com todos os homens (cf. Rm 12,18) e se apresentassem a todos como pequeninos, no entanto, ensinou-os pela palavra e mostrou pelo exemplo a serem humildes, mormente com relação aos clérigos.

Dizia, pois: 'Fomos enviados em auxílio (cf. Sl 69,2; Dn 10,13) dos clérigos para a salvação das almas (cf. 1 Pd 1,9) ... Sabei, irmãos - disse -, que a Deus é muito agradável o fruto das almas (cf. Sb 3,13) e que isto se pode conseguir melhor com a paz do que com a discórdia dos clérigos ... Se fordes filhos da paz (cf. Lc 10,6), havereis de lucrar o clero e o povo para o Senhor, o que o Senhor julga mais agradável do que lucrar só o povo, [depois de ter] escandalizado o c1ero” (12).

No fundo desta exortação está a seguinte compreensão: a evangelização (pela palavra ou pela vida) somente será eficaz, se for, ao mesmo tempo, anúncio de paz. Uma evangelização desvinculada da paz não é evangelização.

A verdadeira evangelização é necessariamente proposta de paz.

Igualmente precioso é o modo de os irmãos irem para o meio dos sarracenos e de outros que não têm a fé cristã. Francisco prescreve dois modos de evangelização: a evangelização pelo modo de vida (a própria vida é o anúncio) e a evangelização pelo anúncio explícito (pela palavra).

Novamente as exortações de Francisco para o primeiro modo de evangelização são propostas de paz (e toda proposta de paz é proposta do reino): "não litiguem nem porfiem, mas sejam submissos a toda criatura humana por causa de Deus e confessem que são cristãos” (13).

O fato de confessarem que são cristãos é, freqüentes vezes, interpretado como coragem de apresentar-se ao martírio, pois o fato de confessar-se cristão entre os sarracenos, devido à inimizade existente entre cristãos e sarracenos, era interpretado como uma oferta do pescoço à espada (14).

Não vemos, porém, esta interpretação como o sentido primeiro. O confessar-se cristão seria, segundo nossa maneira de interpretar, uma forma de dizer: "Estes valores que estamos vivendo são simplesmente o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo".

Portanto, no confessar-se cristão, está contido fundamentalmente um modo de evangelizar. Apenas secundariamente, poderia ter o sentido de disposição ao martírio.

Percebe-se, então, que o conceito de evangelização, inicialmente interpretado por pregação, evolui para uma compreensão mais abrangente que envolve não apenas o anúncio pela palavra (pregação), mas também a proclamação pelo modo evangélico de viver.

A paz, por identificar-se com a própria evangelização, também não é somente algo que pregamos ou propomos aos outros, mas antes um valor evangélico que coerentemente procuramos cultivar no coração.
3. Tratados de paz: formas concretas de evangelização (força política da evangelização)

A crônica de um frade dominicano chamado Tomás de Spalato traz, entre seus relatos, um episódio muito significativo para compreendermos a evangelização de Francisco. Corria o ano de 1222. Tomás de Spalato, estudante que morava no Studium em Bolonha, teve oportunidade de ouvir uma pregação de Francisco.

Limitemo-nos a citar apenas o que no momento nos interessa.

Assim ele escreveu:
"Na verdade, todo o tema de suas palavras visava a extinguir as inimizades e a reformar os pactos de paz. O seu hábito era sujo, a pessoa desprezível, e a face sem beleza; mas Deus conferiu tanta eficácia às suas palavras que muitas famílias dos nobres, entre as quais o furor desumano de antigas inimizades eclodira em muito derramamento de sangue, foram levadas de novo ao pacto de paz" (15).

A primeira coisa que se deduz deste breve relato é que a preocupação de Francisco pela paz era uma constante em sua vida.

O anúncio da paz não era algo dos inícios de sua vocação, mas acompanhava a evangelização de Francisco ao longo de sua história. E nem podia ser diferente, pois anunciar a paz para ele era anunciar o reino e vice-versa.

De novo, convém salientar que a paz não é apenas um tema entre outros da evangelização, mas é a própria evangelização. E a evangelização só é verdadeira evangelização, se anunciar e visar à construção da paz.
Outro elemento digno de nota é que as palavras de Francisco visavam "extinguir as inimizades e reformar os pactos de paz". Tratava-se de um problema muito concreto, o das inimizades e guerras entre famílias.

Evangelizar não é abstração, mas é confrontar-se com problemas concretos, é inserir-se em contextos históricos e aí apresentar o Evangelho como opção ou alternativa para situações que parecem insolúveis.

Nesse confronto e inserção, evangelização significa deixar que o Evangelho ilumine as pessoas e coisas envolvidas.

O Evangelho é que ilumina tudo e convoca todos à conversão (e à paz).

Após a pregação de Francisco, "muitas famílias foram levadas de novo ao pacto de paz". Deu-se, portanto, uma transformação na vida da cidade. Embora a evangelização não se identifique com nenhuma política partidária, no entanto, ela é profundamente política, tem forte incidência na vida e na organização da sociedade, pois ela apresenta aos cidadãos os valores fundamentais da pessoa humana, valores que muitas vezes estão encobertos, como pequena brasa sob uma montanha de cinzas.

Evangelizar é explicitar os valores humanos escondidos no fundo dos corações, é fazer brilhar os pequenos focos do Evangelho presentes, mas não percebidos, no íntimo de cada um em forma de desejo, de anseio, de sonho, de utopia, de esperança.

As Fontes Franciscanas apresentam outros episódios em que Francisco, exercendo sua tarefa de evangelizador, provocava os habitantes das cidades ao pacto de paz. Além de Bolonha, são conhecidos os casos de Arezzo (16) e de Sena (17). Mas parece que os pactos entre famílias eram constantes.

A Legenda dos Três Companheiros apresenta-os como um fenômeno generalizado: "Portanto, o homem de Deus, Francisco, subitamente transbordante do espírito dos profetas [ ... ], segundo a palavra profética, anunciava a paz, pregava a salvação (cf. Is 52,7), e muitos, que por viverem na discórdia estavam distantes da salvação de Cristo, pelas salutares admoestações dele se coligavam [em aliança de paz]" (18).

A evangelização (o Evangelho) tem, portanto, força política para transformar a realidade, mesmo que ela não se identifique com a política partidária. Fique bem claro que, ao fazermos esta afirmação não queremos despolitizá-la; pelo contrário, queremos apontar exatamente onde reside sua força política transformadora.

4. A visita ao Sultão: em vez de proselitismo, uma proposta de paz (tolerância religiosa, tolerância com o diferente, tolerância com outras culturas)

Em vários textos, desde a Primeira Vida escrita por Tomás de Celano (1 Cel) até Fioretti, encontramos o relato da ida de Francisco ao Sultão dos sarracenos (l9).

Além desses textos, existe documentação em outros textos, que não estão incluídos nas nossas Fontes Franciscanas e Clarianas: Bernardo Tesoureiro, História de Eráclio, Crônica da Dinamarca. Portanto, parece fora de dúvida que Francisco tenha ido, de fato, fazer uma visita ao Sultão.

Além de algumas diferenças de detalhes nas diversas redações, o enfoque também varia. Por exemplo, na redação de Atos e de Fioretti, a introdução de uma mulher que tentava seduzir Francisco destaca a castidade heróica de Francisco.

A recusa de presentes é uma constante. Todos afirmam também que Francisco se dirigiu ao Sultão para convertê-lo à fé cristã. Por isso, no final das narrativas permanece um sabor amargo de fracasso, um certo desapontamento.

Alguns tentam disfarçar esse fracasso, acrescentando que o Sultão pediu que Francisco rezasse por ele para que ele abraçasse a verdadeira fé. Outros acrescentam até a conversão milagrosa do sultão por intercessão de Francisco (20).

Preferimos uma outra leitura dos fatos. Pelo que deduzimos da evangelização desenvolvida por Francisco, que levava o povo em guerra a pactos de paz, a intenção dele ao visitar o Sultão deve ter tido essa finalidade concreta: Uma proposta de paz que ele fazia em nome não dos reis do Ocidente Cristão, nem mesmo do papa, mas em nome do Evangelho.

Evangelização, sem dúvida, mas de maneira muito concreta, na forma de uma proposta de paz. Sem intenções de proselitismo. Sem a intenção primeira do martírio, embora Francisco tivesse a coragem de enfrentar também o martírio.

De sua parte, os biógrafos contemporâneos de Francisco não podiam ter outra ótica, a não ser a do proselitismo e a do martírio. Converter o Sultão, converter os muçulmanos ao cristianismo, ou melhor, ao regime de cristandade, teria sido a grande meta de Francisco.

Quanto ao desejo do martírio, criou-se uma mentalidade entre os cristãos de que o sarraceno, além de ser o inimigo da fé, era também o ser mais cruel sobre a face da terra, pronto a degolar o cristão pelo simples fato de ser cristão.

Na mente do povo cristão criou-se uma verdadeira neurose de guerra contra os sarracenos. Matar o sarraceno era ser herói de Cristo; morrer nas mãos do sarraceno era ser martirizado por Cristo. Toda a Europa respirava este ar.

Mas as circunstâncias levam-nos a deduzir que a meta concreta que Francisco queria atingir era um tratado de paz, como já havia feito em algumas cidades e entre algumas facções por onde ele passava.

O que deve ter causado grande admiração em Francisco era o fato de toda a cristandade estar envolvida numa guerra. E ninguém, nem da Igreja nem dos governos da Europa, propunha uma alternativa.

Parafraseando o que Francisco disse a respeito da inimizade entre o bispo e o podestà de Assis, ele deve ter pensado a respeito da inimizade entre cristãos e sarracenos: "É grande vergonha para nós, servos de Deus, que ninguém se intrometa para tratar da paz e concórdia com eles" (21).

A atitude de não proselitismo comporta acima de tudo tolerância para com outras religiões. No fundo, é aceitar que o outro seja diferente, pense diferentemente e possa agir diferentemente. Ser diferente não é defeito.

O fato de ser diferente não coloca ninguém sobre ou sob os outros. Isto é a base para qualquer diálogo, ecumênico, inter-religioso, intercultural. O diálogo cria laços. Consta em todos os relatos que o Sultão e Francisco estreitaram entre si laços de estima, respeito e amizade.
5. A saudação da paz (fraternidade) - construir a paz a partir das pequenas coisas

No Testamento, Francisco faz alusão à saudação da paz como algo revelado por Deus. Note-se que a saudação da paz já consta no texto do envio.

A Compilação de Assis narra um episódio interessante: " ... nos primórdios da religião, quando o bem-aventurado Francisco andava com um irmão que foi um dos doze primeiros irmãos, esse irmão saudava os homens e as mulheres pelo caminho e aqueles que estavam nos campos, dizendo: 'O Senhor vos dê a paz' (cf. Nm 6,26; 2Ts 3,16).

E porque os homens ainda não haviam ouvido tal tipo de saudação ser dita por religioso algum, disto muito se admiravam. Mais ainda, alguns homens, quase com indignação, lhes diziam: 'o que lhe significa esta saudação (cf. Lc 1,29)?'.

De modo que aquele irmão começou a envergonhar-se muito disso. Por isso, disse ao bem-aventurado Francisco: 'Deixa-me, irmão, dizer outra saudação'. Disse-lhe o bem-aventurado Francisco: 'Deixa-os falarem, porque não percebem o que vem de Deus (cf. 1 Cor 2,14). Mas não te envergonhes disso, porque te digo, irmão, que os nobres e príncipes deste mundo ainda mostrarão reverência a ti e aos outros irmãos por este gênero de saudação" (22).

Francisco está convencido de que a saudação da paz ainda vai fazer com que os príncipes e nobres deste mundo fiquem admirados.

Ele crê na grandeza e eficácia desta saudação. No início, aquele irmão não entendeu bem o sentido dela, sentiu vergonha de usá-la, pediu para trocar a saudação. Francisco insistiu nela. E nós nos perguntamos: "Por que essa insistência de Francisco na pequena saudação?". Embora Francisco não tivesse tido os conhecimentos da Psicologia moderna desenvolvida a partir de Freud com a "descoberta" do inconsciente, ele mostra uma intuição psicológica muito profunda. Ele conhece o valor formativo da repetição.

A repetição age no inconsciente. A repetição de uma palavra ou gesto acaba criando o chamado hábito que, por sua vez, vai como que fornecendo seiva para a vida espiritual.

Isto acaba criando uma mentalidade, um modo de pensar, um modo de agir, um modo de ser. Talvez Francisco não tivesse conhecido o provérbio como nós o formulamos hoje: "Água mole em pedra dura tanto bate até que fura".

Mas o dinamismo é o mesmo. É a força das coisas pequenas que acabam criando algo grandioso. Usando positivamente a comparação da gota de água, é como as gotas da chuva que nas cavernas formam o estalagmite e o estalactite, criando verdadeiras obras de arte, não de repente num piscar de olhos, mas ao longo dos dias, dos anos e dos séculos.

Desse modo, a saudação é capaz de estabelecer relações de amizade, de fraternidade. Começamos a pensar como amigos daqueles que nos desejam paz. Sentimo-nos irmãos deles. E, se nos sentimos amigos e irmãos, a paz já começa a ser construída.
Talvez um erro nosso, de homens modernos, seja o de não acreditarmos na força das coisas pequenas. Precisamos logo de coisas grandiosas, de preferência de coisas ou de eventos que resultem em sucesso internacional.

O dia-a-dia, o tijolo por tijolo (como na construção das grandes catedrais) não nos atrai. Somos mais atraídos a fazer belíssimos discursos sobre a paz em nível nacional e internacional, mas não queremos aceitar que a vivência quotidiana da fraternidade é como a areia que entra na argamassa da construção da paz.

Bastaria para nós, franciscanos e franciscanas, viver a fraternidade, para sermos construtores da paz. A fraternidade é profundamente evangelizadora. E se é evangelizadora, é proposta de paz para os outros, é convite para que todos vivam em paz, como irmãos.

Isso é o reino. Mas o homem moderno não acredita que viver em fraternidade possa ter força. O moderno precisa de atividades, preferentemente de atividades ad extra.

Ele pressupõe que, quando fala de fraternidade ou de paz, ela já as possui, por isso trata de levá-las aos outros que não as possuem. Aí entra Francisco com sua pedagogia: "Assim como proc1amais a paz com a boca, assim em maior medida a tenhais nos vossos corações".

Não é por acaso que Francisco insista e dê preferência à evangelização pelo modo de vida. E Francisco era o próprio Evangelho vivo.

6. A paz entre o bispo e o podestà (dois poderes: minoridade, respeito para com o espaço do outro)

É muito conhecida a contenda entre o bispo e o podestà de Assis. As razões desta contenda não nos são dadas pelas fontes.

Sabe-se, no entanto, que se criou uma situação de divisão na cidade: de um lado, os que apoiavam o bispo; de outro lado, os que apoiavam o podestà.

Uma miniatura da situação da Itália dividida entre guelfos (partidários do papa) e gibelinos (partidários do imperador alemão). E cada um dos oponentes usou suas próprias armas:
"... o que então era bispo de Assis excomungou o podestà de Assis; pois que, indignado contra ele, o que era podestà mandou apregoar [com voz] forte e cuidadosamente pela cidade de Assis que nenhum homem lhe vendesse ou dele comprasse ou com ele fizesse contrato; e assim, muito se odiavam um ao outro” (23).

Embora não saibamos as causas desta inimizade ou ódio, podemos deduzir que outra coisa não pode ter sido, senão o conflito ou luta entre dois poderes.

Não se trata de inimizade entre cristão e sarraceno, mas de ódio entre dois cristãos (24).

O texto do Evangelho: "Os chefes das nações as mantêm sob seu poder, e os grandes, sob seu domínio. Não deve ser assim entre vós" (Mt 20,25-26) parece não ter penetrado na alma desses dois chefes cristãos.
É difícil lidar com o poder. E a maneira que Cristo propõe, uma maneira alternativa, ainda não foi suficientemente assimilada por muitos chefes cristãos (de Estado) nem por muitos chefes religiosos cristãos. A cada dia, podemos constatar a veracidade do dito: "O poder e o dinheiro corrompem" .
Ao saber disso, Francisco toma uma atitude inusitada: compõe mais uma estrofe do Cântico do Irmão Sol sobre o perdão e envia dois companheiros para cantá-la diante do bispo e do podestà. O resultado é conhecido de todos: o perdão mútuo, a volta à antiga amizade. Francisco utiliza a música e a poesia como meios de evangelização.

Instrumentos tão frágeis para fazer curvar-se a rigidez de dois homens de poder. O que é frágil Deus utiliza para confundir o que é forte, diz São Paulo na Carta aos Coríntios (cf. 1Cor 1,27).

Esta é a força da minoridade. Fazer-se menor é proposta evangélica de paz. Evangelizar e construir a paz pela minoridade é caminho natural, pois os caminhos de Deus são diferentes dos caminhos dos homens.

A força de Deus manifesta-se no que é pequeno, na fragilidade, no ser menor. Muitas vezes, pensamos, como o profeta Elias, que a força da evangelização está na grandiosidade dos planos e atividades. O profeta Elias não viu o Senhor no vento forte e violento que raspava as montanhas e fendia os rochedos, nem no terremoto, nem no fogo. Quando passou a brisa suave, Elias cobriu o rosto, porque Deus estava naquele sopro tênue (cf. 1 Rs 19,11-13).

Assim, quem quiser ser forte ou o maior, faça-se o mais frágil e o menor. Esta é a pedagogia de Deus: "Assim deve ser entre vós". A música e a poesia de Francisco são os exemplos desta minoridade.

Quem pensaria que uma música e uma estrofe de poesia pudessem levar os dois gigantes do poder a curvar-se um diante do outro, a chorar e a pedir perdão e a perdoar-se mutuamente, a abraçar-se como dois irmãos?

7. O lobo de Gubbio: parábola sobre a paz (o homem reconciliado, da utopia, do reino)

Uma outra historieta muito conhecida de todos é a do lobo de Gubbio (25). Embora alguns queiram dar historicidade a este episódio (em Gubbio se conta que numa escavação fora encontrada a ossada de um lobo muito grande), a nosso ver, ela deve ser compreendida sob o gênero literário que se chama parábola. Parábola significa que o que é narrado não implica necessariamente em ter acontecido historicamente, mas que contém elementos reais, contém uma verdade que se quer transmitir.

Uma leitura deste episódio exige, portanto, um processo de despojamento do texto: despir o texto daquilo que é fictício, da sua roupagem literária, para se chegar ao real, à verdade que a roupagem literária quer comunicar.

Um primeiro elemento a ser destacado é que Francisco vai ao encontro do lobo (26) sem armas.

A presença do lobo causou um estado permanente de medo e pânico entre a população, de maneira que todos andavam armados como se fossem para a guerra. Francisco despoja-se das armas, como que a dizer: "Não se promove a paz com as armas".

Se alguém deve propor a paz, deve ir desarmado ao encontro do outro, ao encontro do diferente. Esta atitude causou grande admiração ao povo.

Segundo elemento: tendo-se encontrado com o lobo, este veio a Francisco com a boca aberta em sinal de agressividade.

Francisco conversa com ele mansamente, pacificamente, sem agressão e sem violência, como menor.

Diante da minoridade de Francisco, acalma-se a ferocidade do lobo. Percebendo que Francisco não tinha armas, que era menor, o lobo não viu sentido para sua agressividade, pois, na maioria das vezes, a agressividade é apenas resposta a uma agressão gratuita anteriormente recebida.

Terceiro elemento: Francisco dialoga com o lobo. O diálogo restabelece relações rompidas. E diálogo, é bom notar, é estrada de duas mãos.

Francisco falava com o lobo, e o lobo falava com Francisco através de sinais (linguagem que lhe era própria). Diálogo inclui, portanto, esforço por compreender a linguagem do outro.

Nesse diálogo, Francisco compreendeu que a situação de fome levava o lobo a matar.

Ele leu isto na própria situação do lobo. Compreendeu que muita maldade é cometida, não porque a pessoa seja intrinsecamente má, mas por circunstâncias adversas.

Mais ainda: nesse diálogo, Francisco não deixou de recriminar os erros do lobo e de exigir dele uma mudança de atitude, como também depois ele vai exigir o mesmo do povo de Gubbio.

Quarto elemento: Tratado de paz no qual se celebra o compromisso de ambas as partes. Este elemento retrata a maneira concreta de Francisco evangelizar.

Evangelizar é encamar Evangelho em situações concretas.

Como a situação era de guerras entre cidades e conflitos entre famílias, sua evangelização tinha como finalidade palpável os pactos de paz.

Este elemento está muito bem retratado na parábola do lobo de Gubbio.
Quinto e último elemento de nossa consideração: A parábola apresenta Francisco como uma figura utópica do homem reconciliado com toda a criação.

Retomando a utopia de Isaías, Francisco é apresentado como a criança que brinca com o animal selvagem, do cordeiro que come com o lobo.

Aliás, esta interpretação de Francisco como homem reconciliado já se encontra na primeira biografia, em que Tomás de Celano assim se expressa: "Enfim, chamava todas as criaturas com o nome de irmão e, de maneira eminente e não experimentada por outros, percebia com agudeza as coisas ocultas do coração das criaturas, como quem já tivesse alcançado a liberdade gloriosa dos filhos de Deus” (27).

Portanto, Francisco é interpretado como homem reconciliado, homem da utopia, homem do reino de Deus.

A parábola tem esta significação como pano de fundo.

8. OFS: uma política da paz (a decisão pessoal que transforma a sociedade)
O movimento franciscano desdobrou-se rapidamente em três Ordens.

Dentre as três Ordens, a Ordem Terceira, hoje conhecida como OFS, tem uma maneira especial de evangelizar: levar o carisma franciscano a todos os ambientes seculares.

A secularidade é que dá a nota marcante e distintiva dessa Ordem.
Lamentavelmente, com a OFS aconteceu algo que não devia ter acontecido em termos de engajamento na vida secular.

Ela perdeu a força de Ordem e tomou-se, em muitos lugares, uma associação de pessoas piedosas.

Como Ordem, ela teve um papel muito importante nos primórdios. Ela foi uma das forças motoras de construção da paz.

De fato, a história mostra que a decisão dos chamados terceiros ou terciários de não portar armas, uma decisão de nível pessoal, acabou por provocar uma mudança radical na mentalidade bélica da Idade Média.

Quando cada um decide fazer a sua parte, por mais pequenina que possa parecer, algo na sociedade muda.

De novo, trata-se de acreditar no pequeno, no frágil. Uma atitude frágil acrescentada a outra atitude frágil pode criar aos poucos um modo de pensar diferente.

Tanto isto é verdade sobre a OFS que temos documentos em que os príncipes escreviam aos papas, pedindo que obrigasse os terceiros (terciários) a portarem armas novamente.

Eles perceberam que estava acontecendo um verdadeiro desarmamento dos cidadãos. Desarmamento, gesto concreto de construção da paz; decisão pessoal que ajudou a criar toda uma mentalidade de paz.
A OFS, como Ordem franciscana cuja característica é a inserção na secularidade, deveria estar mais presente na vida política e social.

E a partir daí ser uma presença evangelizadora e anunciadora da paz. E como é necessária uma presença evangelizadora nesses setores da sociedade!

Seria um modo de estar constantemente denunciando a corrupção, o descaso pelo bem comum, o desapreço pela vida dos cidadãos, mormente pela vida dos pobres.
A política partidária é lugar da OFS, pois ela é secular. E sua missão é evangelizar os partidos em vista de um serviço mais evangélico à sociedade, preferencialmente aos pobres.
ConclusãoSanto Antônio afirmava que os pregadores (evangelizadores) são os pés da Igreja. Esperar-se-ia que eles fossem a boca da Igreja. Possivelmente, Antônio se baseou no texto de Isaías: "Como são belos, sobre os montes, os pés do mensageiro que anuncia a paz, do que proclama boas novas e anuncia a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina" (Is 52,7; cf. Na 2,1). Então, surge a pergunta: Por que os pés e não a boca?

Por que também Isaías faz referência aos pés do mensageiro? Porque, para que alguém seja evangelizador, é necessário usar os pés. São os pés que lhe permitem percorrer todos os cantos e recantos das cidades, aldeias e vilas.

Aquele que evangeliza, anunciando a paz, não pode estar estático (stabilitas loci), com os pés amarrados, parado num só lugar, mas ir ao encontro das pessoas para transmitir-lhes a mensagem.

Não pode esperar que as pessoas venham ao seu encontro, mas ir ao encontro delas. Ser evangelizador (anunciador da paz) implica dinamismo, mobilidade, itinerância (28). Elementos básicos do modo de ser franciscano - segundo nosso parecer - a serem profeticamente resgatados.

Na linha da itinerância e da mobilidade dos pés estaria a direção da busca de novas formas de presença evangelizadora por parte dos seguidores de Francisco.
______________________________________________________________________________________________1. Cf. 1Cel 222. 1Cel 23, 1.5-8. 3. AP 8,6-9, 1. 4.
Para LTC 33,1, os outros dois foram para outra direção5.
que o AP coloca a pregação propriamente dita de Francisco somente após a aprovação da regra; cf. AP 36,8; cf. LTC 54,1. 9.
RnB Prol., 2. 10. AP 38,7; cf. LTC 58,4.11. RB 3,10-14. 12. 2Cel 146,1-2.4.7.13.
RnB 16,6. 14.
Uma interpretação, aliás, que precisa de maior estudo e aprofundamento, pois entre cristãos e sarracenos havia, inclusive, grandes atividades comerciais. 15.
Tm B, 14.16. 2Cel 108. 17. AtF 11. 18. LTC 26,5. 19. 1Cel 57; LM 9,7-8; AtF 27; Fior 24; TM A,7; A,9; TM B,1,c p. 1426; B,5. 20. AtF 27; Fior 24. 21. Cf. CA 84,422. CA 101, 16-2223. CA 84,1-224.
O podestà teria sido o pai de Inês, dama pobre que foi a décima testemunha no Processo de canonização de santa Clara.
25. cf. AtF 23; Fior 21.26.
Lobo, na parábola, é o símbolo do diferente que ameaça o ser humano; por isso, a tentação de eliminar o diferente ameaçador. 27.
1Cel 81,528.
Na Igreja São Francisco na Pampulha, em Belo Horizonte, o famoso pintor Cândido Portinari retratou o santo com pés grandes; uma possível interpretação é a que vê em Francisco o evangelizador, o homem do caminho, o homo viator, peregrino e itinerante.
Texto publicado na “Revista Franciscana”, FFB, 2005, volume V