São João Crisóstomo
Fonte: Paulinas Online
............ - Eucaristia, Devoção a Maria e Fidelidade ao Papa – ............
Dante elege-o como seu guia no Paraíso da Divina Comédia.O século XII exulta de uma impressionante vitalidade espiritual e cultural, é a época das catedrais, das cruzadas, da Ordem do Templo, do Graal, etc.; o tempo prodigioso no qual Bernardo de Claraval, reformador da cristandade e místico da contemplação, tem um protagonismo central. Borgonhês como o Conde D. Henrique, correspondeu-se com Dom Afonso Henriques, rei que favoreceu largamente o incremento da Ordem de Cister em Portugal. O professor Agostinho da Silva sugere mesmo «que a fundação de Portugal é acto inteiro da potência mística e de acção de São Bernardo, o de Claraval».Figura enigmática, Bernardo, na sua faceta política, luta sem rodeios contra as heterodoxias e heresias da época, no entanto, tem um papel determinante na oficialização e incremento da Ordem dos Templários: escreve Em Louvor da Nova Milícia (De laude novae militae) e considera que «apenas os Templários estão destinados à guerra santa».Místico da contemplação, do amor divino entre a Alma-Esposa e o Deus-Esposo, considera o conhecimento de Deus e de si mesmo como a via necessária para o êxtase, para a unitas spiritus: «Meu Deus, fazei com que eu vos conheça e que eu me conheça. (…) É do céu que nos chega esse conselho: conhece-te a ti mesmo, oh homem.»Quando se tornou monge, Cister era uma ordem muito pobre vítima de calúnias de outras ordens monásticas, no final da sua vida já estavam estabelecidos 243 mosteiros cistercienses na Europa!
A última biografia crítica de S. Bernardo é do século passado¹. O fato de ninguém ter realizado uma nova biografia científica de S. Bernardo, mostra como é difícil este trabalho.
Isso nos dá uma idéia da grandeza do personagem e da amplitude da sua ação: tudo isso parece desencorajar os autores a realizarem este trabalho. Por outro lado, dispomos, hoje, de uma notável edição crítica das suas obras, graças a D. Jean Leclercq (+ 1989), personagem chave dos estudos bernardinos contemporâneos².
Fruto exemplar e típico da sociedade feudal do seu tempo, ligado a uma vasta florescência de alianças familiares, Bernardo soube fazer de tudo isso a base da sua ação, seja no momento da sua entrada em Cîteaux, como em seguida. Uma formação tradicional e puramente literária permitiu-lhe conquistar, logo cedo, uma grande pureza de estilo e, sobretudo, um excelente conhecimento dos Padres da Igreja.
Bernardo nasceu na última década do século XI, no ano 1090, em Dijon, França. Era o terceiro dos sete filhos do cavaleiro Tecelim e de sua esposa Alícia.
A sua família era cristã, rica, poderosa e nobre. Desde tenra idade, demonstrou uma inteligência aguçada. Tímido, tornou-se um jovem de boa aparência, educado, culto, piedoso e de caráter reto e piedoso. Mas chamava a atenção pela sabedoria, prudência, poder de persuasão e profunda modéstia.
Quando sua mãe morreu, seus irmãos quiseram seguir a carreira militar, enquanto ele preferiu a vida religiosa, ouvindo o chamado de Deus. Na ocasião, todos os familiares foram contra, principalmente seu pai. Porém, com uma determinação poucas vezes vista, além de convencê-los, trouxe consigo: o pai, os irmãos, primos e vários amigos.
Ao todo, trinta pessoas seguiram seus passos, sua confiança na fé em Cristo, e ingressaram no Mosteiro da Ordem de Cister, recém-fundada.
O abade Sto. Estêvão Harding acolheu com alegria este grupo e soube discernir a riqueza da personalidade de Bernardo e nele confiar, ainda que, sob muitos aspectos, descobriu-se entre eles uma notável diferença de temperamento.
Numa primeira abordagem desta diferença, podemos notar que enquanto para Estêvão a estética está mais sobre a ordem do visível, das artes plásticas (como demonstram os manuscritos com iluminuras que datam do seu abaciado), para Bernardo a estética é mais aquela do ouvido e da voz, aquela da música, da escuta, essencialmente escuta da Palavra de Deus, a escuta do Verbo de Deus que se dirige ao monge, ao qual não é permitido distrair-se.
Bernardo constrói sobre os ideais e sobre os fundamentos essenciais dados por Estêvão: fidelidade à Regra, simplicidade, pobreza e, sobretudo, a caridade.
Seguindo o seu exemplo, de modo especial no que diz respeito à pobreza, os cistercienses estabeleceram-se em “desertos”, onde realizam um duro trabalho manual que é suficiente para o seu sustento e permite também vir ao encontro dos necessitados.
Conhecem um despojamento que os aproxima daquele de Jesus Cristo e dos apóstolos. Rejeitam o sistema social da época, renunciam aos dízimos e feudos que vêm daqueles que têm autoridade feudal e, do mesmo modo, não aceitam os “benefícios” que poderiam ser propostos pelos homens da Igreja.
Com a idéia da igualdade, no mosteiro, não se faz mais caso da origem social dos monges; todos vivem do mesmo modo. No que diz respeito ao abade, inclusive ao abade de Cîteaux, encontram-se todos no Capítulo Geral no mesmo nível.
A simplicidade de vida aparece nos hábitos, nas construções realizadas com linhas geométricas “limpas”, estilo despojado, sem decorações. A espiritualidade não está dirigida a uma elite, mas a seres humanos de carne, permeados profundamente do desejo de converter-se.
Este quadro estaria incompleto se não se fizesse menção do culto à Virgem das Dores e da Ternura, pronta para socorrer as mais diversas angústias, como para suscitar o respeito da mulher, numa sociedade bastante violenta.
A contribuição de Bernardo dentro da ordem foi de tão grande magnitude que ele passou a ser considerado o seu segundo fundador. No seu ingresso, em 1113, eram apenas vinte membros e um mosteiro. Dois anos depois, foi enviado para fundar outro na cidade de Claraval, do qual foi eleito abade, ficando na direção durante trinta e oito anos. Foi um período de abundante florescimento da Ordem, que passou a contar com cento e sessenta e cinco mosteiros. Bernardo sozinho fundou sessenta e oito e, em suas mãos, mais de setecentos religiosos professaram os votos.
Bernardo viveu uma época muito conturbada na Igreja. Muitas vezes teve de deixar a reclusão contemplativa do mosteiro para envolver-se em questões que agitavam a sociedade. Foi pregador, místico, escritor, fundador de mosteiros, abade, conselheiro de papas, reis, bispos e também polemista político e tenaz pacificador. Nada conseguia abater ou afetar sua fé, imprimindo sua marca na história da espiritualidade católica romana.
Durante sua vida monástica demonstrava grande fé em Deus serviu à igreja católica apoiando as autoridades eclesiásticas acima das pretensões dos monarcas. Em função disto favoreceu a criação de ordens militares e religiosas. Uma das mais famosas foi a ordem dos cavaleiros templários.
Ao morrer o papa Honório II em 1130, Bernardo apoiou o papa Inocêncio II, que assim conseguiu se impor ao antipapa Anacleto II. Sempre influenciou os sucessivos pontífices com seu apoio. O rei Luís VII da França e o papa Eugénio III, em 1147, encomendaram a Bernardo a pregação da segunda cruzada. Porém, não aceitava as motivações políticas e econômicas subjacentes à iniciativa dos soberanos, mas mesmo assim apoiou.
Ao lado dessas atividades, nesse mesmo período teve uma atividade literária muito expressiva, escrevendo numerosos sermões e ensaios externando o seu espiritualismo contemplativo.
Sua obra mais conhecida foi Adversus Abaelardum. Nela combateu as teorias do teólogo e filósofo Pedro Abelardo, por não aceitar as interpretações racionalistas que, segundo Bernardo, desvirtuavam a fé exigida pelos mistérios de Deus.
Tornou-se o maior escritor do seu tempo, apesar de sua saúde sempre estar comprometida. Isso porque Bernardo era um religioso de vida muito austera, dormia pouco, jejuava com freqüência e impunha-se severa penitência.
Em 1153, participando de uma missão em Lorena, adoeceu. Percebendo a gravidade do seu estado, pediu para ser conduzido para o seu Mosteiro de Claraval, onde pouco tempo depois morreu, no dia 20 de agosto do mesmo ano.
Foi sepultado na igreja do mosteiro, mas teve suas relíquias dispersadas durante a Revolução Francesa. Depois, sua cabeça foi entregue para ser guardada na catedral de Troyes, França.
São Bernardo de Claraval, canonizado em 1174, recebeu, com toda honra e justiça, o título de doutor da Igreja em 1830.

O presidente norte-americano George W. Bush rezou numa igreja de Pequim, este Sábado, reforçando o seu apelo por mais liberdade religiosa na China, poucas horas antes de se encontrar com lideranças comunistas.
- O Cardeal Marc Ouellet, arcebispo de Québec, divulgou um comunicado com um balanço "altamente positivo" do Congresso Eucarístico Internacional (CEI 2008), celebrado em Québec de 15 a 22 de junho. Para o Card. Ouellet, tratou-se de um grande sucesso que "marcou a história da cidade". Segundo o purpurado, a participação superou todas as expectativas, com mais de 11 mil inscritos. Cerca de 70 Países estavam representados: 20 da América, 22 da Europa, 19 africanos, 10 asiáticos e três da Oceania. Entre as atividades mais seguidas, o cardeal cita a Procissão Eucarística, que teve a participação de 20.000 pessoas, e a Santa Missa de encerramento do Congresso, na qual o Santo Padre fez a homilia via satélite, que teve a presença de 60.000 pessoas. O arcebispo de Québec recorda que o Congresso foi muito divulgado e pôde ser acompanhado em todo o planeta graças à cobertura da mídia, garantida pelo site da Igreja local. (BF)
CARDINAL MARC OUELLET
1568 Nascimento
Internacional, que está se realizando em Québec, no Canadá. Hoje, quarta-feira, o cardeal-arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, aborda o tema "A Eucaristia edifica a Igreja, sacramento de salvação". Por sua vez, ontem, o arcebispo de Lion, na França, Cardeal Philippe Barbarin, se deteve sobre o tema "A Eucaristia, memorial do mistério pascal". As conferências, como os principais eventos do Congresso, estão disponíveis na internet no novo portal www.ecdq.tv, lançado pela arquidiocese de Québec como instrumento de comunicação entre a Igreja local e fiéis do mundo inteiro.
Cardeal-arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio
No dia 18 de junho, comemora-se o centenário da imigração japonesa no Brasil. Neste dia, em 1908, chegou ao país o navio que trazia os primeiros 791 imigrantes, depois de uma viagem de 52 dias. Frei Leonardo Shigeshi Matsuo veio muito tempo depois, em 1963. Veio como missionário, a pedido da colônia japonesa, mas também se considera um imigrante, pois enfrentou os mesmos desafios das diferenças de cultura e de língua. Aqui, ele deu assistência espiritual aos católicos de origem nipônica e ajudou a criar a Panib (Pastoral Nipo-brasileira).Hoje, com 74 anos, é pároco da paróquia pessoal São Maximiliano Kolbe, na Diocese de Mogi da Cruzes (SP). Com muito bom humor e sabedoria, ele fala aqui sobre a fé católica dos japoneses e de seus descendentes, lembrando as dificuldades que esse povo teve para viver essa religião em seu país, das adversidades que encontrou em nossas terras e da rica contribuição que trouxe para o nosso país.
POVO: Fale um pouco sobre a sua família. Seus pais já seguiam a religião católica no Japão?............................ Frei Leonardo: Nasci em Nagasaki (Japão), em 1933. Minha família já era católica, mas, naquele tempo, os católicos eram naquele tempo, os católicos eram perseguidos no Japão. Então, meus pais fugiram para muito longe da cidade onde nasci.Procuraram uma ilha onde havia mais segurança, em Formosa, pois corriam perigo de vida. Foi lá que cresci e que entrei no seminário.
POVO: Por que você veio para o Brasil?
Frei Leonardo: Cheguei aqui com 30 anos, em 1963, já padre franciscano conventual. Existem três ramos na família franciscana: frades menores, conventuais e capuchinhos. Sou um padre conventual. Fiz o curso Teologia em Assis (Itália) e, depois, fui para a Inglaterra estudar inglês. Já estava me preparando para voltar ao meu país, quando veio uma carta do nosso superior, dizendo que eu iria para o Japão apenas para me despedir da minha família e, depois, arrumaria a mala para vir para o Brasil. O superior geral havia visitado o Brasil e os japoneses daqui pediram que enviasse padres japoneses. Vim com toda alegria.
POVO: Por que escolheu ser sacerdote franciscano?
Frei Leonardo: Parece que não era pra se eu! Eu tinha um primo que era também um grande amigo. Estudávamos juntos e íamos a todos os lugares juntos. Um padre franciscano recém formado veio à nossa igreja e convidou meu primo para entrar no seminário, não a mim. Como meu primo não queria ir sozinho, ele me chamou pra ir também. Decidimos ir os dois. Mas, no momento de partir, ele não pôde ir mais, porque a família era contra. Então, fui sozinho, já que estava tudo pronto para minha partida. Por isso, falo que foi um chamado errado: meu primo é quem foi convidado, mas eu é que entrei. Continuei assim meu caminho.
POVO: Como foi sua chegada ao Brasil?
Frei Leonardo: Viemos em dois padres, eu e Frei Estevão, porque os franciscanos nunca andam sozinhos. No porto de Santos (SP), o consulado do Japão, alguns padres e vereadores foram nos receber e a acolhida foi muito boa. Sentimos que o povo estava nos esperando com muita alegria e ansiedade. O primeiro problema que tivemos, sem dúvida, foi a língua. Tivemos dificuldades para nos comunicar e porque não conhecíamos os lugares... Foi uma boa experiência! Muita gente, em vários lugares do Brasil, estava lutando para estabelecer sua vida aqui e ainda enfrentava muita dificuldade com a língua. Fui primeiramente para a cidade de Santo André, na grande São Paulo, onde havia uma grande colônia e onde trabalhei três anos. Ali, minha dificuldade inicial era não saber onde estavam esparramadas as famílias japonesas. Um vizinho ajudou-me a visitar casa a casa e a ir conhecendo as pessoas. Outro problema é que, sendo a maioria deles feirante, eles dormiam de dia e, à noite, saiam para as compras no mercado e para a feira. Mas conseguimos, pouco a pouco, realizar um trabalho com os jovens. Depois fui para Mogi das Cruzes, onde havia também muitos japoneses.
POVO: Entre os japoneses que chegaram havia muitos católicos ou eles foram se convertendo?Frei Leonardo: Existiam poucos católicos, mas a metade dos japoneses, quando entraram em terra estranha, é estar em harmonia com os habitantes locais. Por isso, talvez, muitos quiseram adotar a religião católica, que era a da maioria dos brasileiros. O primeiro padre que cuidou da evangelização dos japoneses foi o pe. Lourenzo, não lembro agora o sobrenome dele, redentorista de Aparecida (SP). Ele ficou sabendo que tinham muitos imigrantes em Pindamonhangaba, nas plantações de arroz. Então, desceu até lá, foi andado a pé cerca de 40 quilômetros, para encontrá-los. Com dicionário, porque não sabia falar a língua deles nem esses entendiam seu português, fez amizade com eles e começou a ensinar-lhes a doutrina cristã. Ele escreveu para o Vaticano pedindo material de catequese em japonês. O Vaticano não tinha nada e aconselhou-o a escrever para um almirante no Japão que era católico. O almirante, então, começou a mandar algum material e os japoneses começaram a ser evangelizados e a entrar para a Igreja Católica. Foi pe. Lourenzo quem batizou o primeiro migrante japonês no Brasil. Também o núncio apostólico preocupou-se com a quantidade de imigrantes japoneses não católicos que estavam entrando no Brasil. Ele escreveu uma carta para a embaixada do Japão no Rio de Janeiro (RJ), mas eles também não sabiam onde encontrar livros de catequese em japonês. Aí a embaixada pediu aos bispos japoneses que enviassem padres missionários para o Brasil, a fim de que os migrantes tivessem melhor assistência espiritual. O primeiro missionário vindo do Japão chegou em 1923. Era pe. Domingos Nakamura(1865/1940), que fez um belo trabalho junto à colônia japonesa, principalmente no estado de São Paulo.
POVO: Oque monsenhor Domingos Nakamura representa para a colônia japonesa no Brasil, hoje?
Frei Leonardo: Para nós, ele é verdadeiramente o pai dos imigrantes. Naquele tempo, não havia condução fácil; viajava-se a cavalo, em carroças ou de trem. Mesmo assim ele mandou muito por todas as regiões de São Paulo, pelo Paraná, Mato Grosso. Onde havia colonos japoneses, ele estava lá. Atendia todas as necessidades do povo, fazia casamentos, batizados, ministrava outros sacramentos e era esperado em todos os lugares. Tudo o que ele fez está registrado. Ele precisava carregar uma mala pesada com todos os paramentos e utensílios litúrgicos. Alguns jovens o ajudavam, revezando-se no carregamento da mala. Na maioria das vezes, andava a pé, porque não sabia andar a cavalo, já que, no Japão, não havia esse costume. É um exemplo para os padres de hoje. O pedido para sua canonização já foi encaminhado ao Vaticano.
POVO: Qual é o atual da Pastoral Nipo-Brasileira?
Frei Leonardo: Os missionários japoneses procuraram atender às necessidades do povo japonês, nos lugares onde ele vivia. Então, quase todos atuaram em educação, levantando escolas, na catequese e na assistência social. A Pastoral Nipo-Brasileira foi se estruturando em torno desses eixos. Passaram-se 100 anos e, agora, estamos nos tempos dos nisseis, sanseis, na quarta ou quinta geração de descendentes de japoneses no Brasil. Essa turma não tem mais dificuldade de língua, já está bem entrosada no país, não precisa mais de assistência social nem de escolas que lhes ensinem o português, mas nós ainda temos que atender os poucos que precisam dessas coisas. Outro trabalho é com nisseis e sanseis. Ainda que eles já se considerem brasileiros, o rosto não mudou e a mentalidade também ficou. A tendência deles, então, é agrupar-se, pois, para eles, é importante manter a identidade e a cultura nipônica. A Panib também cuida de promover isso entre as novas gerações, descendentes dos primeiros imigrantes japoneses.
POVO: Desde quando a Panib está organizada na Igreja do Brasil?
Frei Leonardo: Ela foi organizada a nível nacional em 1967. Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo de São Paulo (SP), foi um grande incentivador. Ele mandou quatro jovens sacerdotes para o Japão, a fim de aprender a língua e os costumes. Eles voltaram com muito entusiasmo e organizaram grupos de jovens. Pouco depois, dom Geraldo Majella, que era bispo de Londrina (PR), incentivou a sua organização em nível e foi o primeiro bispo responsável por ela na CNBB. Era uma época de mudanças na Igreja, o período pós Concílio Vaticano II. A nova pastoral inseriu-se no setor de animação missionária da CNBB. No começo, só existia em São Paulo e Paraná, onde havia mais japoneses. A Pastoral Nipo-Brasileira sempre teve o objetivo de evangelizar, fortalecer a fé, manter a cultura japonesa entre os imigrantes e integrá-los na vida eclesial e na nação.
POVO: Existem muitas vocações religiosas e sacerdotais entre os descendentes de japoneses no Brasil?
Frei Leonardo: Não sei se são muitas ou poucas. Em todo caso, mandamos para todas as congregações e dioceses uma carta pedindo essa informação. Por esse levantamento, descobrimos que existem na Igreja do Brasil mais ou menos 500 descendentes de japoneses, entre padres, religiosos e religiosas.
POVO: A espiritualidade dos católicos japoneses é diferente da dos católicos japoneses é diferente de católicos da dos católicos brasileiros de origem européia?
Dom Leonardo: Observando nossa comunidade, posso dizer que existem, sim, algumas diferenças. Talvez porque a espiritualidade dependa da cultura, da história de cada povo. Por exemplo, os japoneses católicos eram muito mais fechados, porque o Catolicismo era proibido no Japão e, durante 150 anos mais ou menos, eles foram perseguidos, proibidos, escondidos. Essa opressão de viver em segredo formou uma característica mais fechada. Foi uma herança que recebemos. Além disso, os imigrantes que se converteram ao catolicismo não tinham tradição, vivência da religião na família. Aqui no Brasil, os japoneses deixaram seus filhos à vontade para ser batizados e seguir a fé cristã, mas esses não viam os pais ir à igreja, participar das celebrações, rezar em casa etc. Muitos entravam para a Igreja Católica por conveniência e não tinham aprofundamento da fé. Esse caminho histórico influenciou a espiritualidade dos japoneses no Brasil. Mas percebo, na diocese onde trabalho, que sempre tem algum japonês envolvido com os trabalhos de cada paróquia e que eles assumem com muita dedicação suas responsabilidades na Igreja.
POVO: Quando foi ordenado o primeiro padre no Japão? E o primeiro descendente de japonês no Brasil?
Frei Leonardo: O Japão foi evangelizado por São Francisco Xavier (1549). Quando ele esteve no Japão, muitas pessoas se converteram ao catolicismo, mas uns 30 anos depois começou a perseguição. Creio que o primeiro padre japonês tenha sido ordenado nessa época, pois já fora criado um grande seminário lá. Com os primeiros missionários, entraram no Japão as máquinas impressoras, o ensino do latim e outras novidades. Mas, quando começou a perseguição, eles foram para as Filipinas e levaram tudo. No Brasil, o primeiro padre japonês foi pe. Kondo. Ele veio pequeno do Japão e ordenou-se aqui na Diocese de Lins.
POVO: O que a Panib preparou para celebrar os 100 anos da Imigração Japonesa?
Frei Leonardo: Nós estamos fazendo a preparação há três anos. No primeiro ano, estudamos a história dos japoneses no Brasil; no segundo, as obras; no terceiro, as comunidades. No dia 18 de junho, teremos uma celebração na Catedral de São Paulo, presidida pelo cardeal dom Odilo Scherer e concelebrada por um bispo do Japão. Além disso, organizamos uma peregrinação ao Japão que saiu do Brasil em março. Eles foram a Tóquio, depois percorreram o caminho dos 26 primeiros mártires do Japão e, no final foram a Nagasaki, de onde saiu monsenhor Nakamura, o primeiro missionário japonês no Brasil. Aqui também fizemos uma peregrinação a Álvares Machado (SP), onde está o túmulo do Monsenhor. Para essa peregrinação, vieram o arcebispo de Nagazaki, dom Joseph Takami, e PE. Dominic Noshita, responsável pela beatificação de Nakamura. Estamos pensando em outra peregrinação a Promissão (SP). Onde está a primeira igreja construída pelos japoneses. É interessante a história dessa igreja, porque católicos japoneses que viviam naquela cidade pediram cópias do desenho da igreja que eles freqüentavam no Japão e construíram uma tal e qual eles tinham lá. Ela estava abandonada, mas moradores antigos lembraram de como ela fora construída e resolveram restaurá-la. Nessa ocasião do centenário, ela se tornou um verdadeiro monumento da imigração japonesa. Em agosto, faremos a Romaria Nacional da Pastoral Nipo-Brasileira a Aparecida (SP).
POVO: Também está previsto um Congresso Nacional dos Missionários da Panib, não é?
Frei Leonardo: Sim. O Congresso acontecerá de 14 a 17 de julho. A Panib convocou todas as pessoas que trabalham nessa pastoral para estudar juntos alguns temas, atualizar-se, confraternizar etc. hoje, por exemplo, temos o grande problema dos dekasseguis, descentes de japoneses que saem do Brasil para trabalhar no Japão. É uma realidade que precisa ser refletida pelos agentes e missionários da Pastoral Nipo-brasileira.
POVO: a Panib tem alguma atuação direta com os dekasseguis?
Frei Leonardo: Não, mas estamos sempre em colaboração. Por exemplo, se um bispo do Japão escreve dizendo que precisa de missionários lá, a gente prepara e encaminha alguns. É um trabalho quase inverso daquele que foi feito no início do século passado. Já foram vários missionários leigos e religiosos. Onde tem grande concentração de dekasseguis tem um padre brasileiro atendendo. Existem cerca de 20 missionários, entre padres, freiras e religiosos trabalhando no Japão.
POVO: O que o senhor diria para os dekasseguis católicos?
Frei Leonardo: Eles enfrentam a mesma coisa que experimentamos quando chegamos aqui: dificuldades com a língua, preconceitos, diferenças de costume. Mas tudo isso está pior para os dekasseguis. Sabemos que eles não podem superar sozinhos esses sofrimentos. A fé ajuda muito e eles devem participar de encontros, reuni-se como Igreja, para conseguir ser mais felizes.
POVO: O que o povo japonês trouxe de bom para o Brasil?
Frei Leonardo: Os dois lados aprenderam muita coisa uns com os outros e cresceram juntos. Por causa da dificuldade de comunicação dos primeiros imigrantes japoneses, surgiram grandes problemas, mas isso foi superado. Com o tempo, o Brasil viu que esse povo tinha força. Do outro lado, os japoneses aprenderam que sua cultura não é a única nem a melhor, que existem outros jeitos de viver e abriram a sua visão de mundo. A religião católica, nesse aspecto, contribuiu muito para a integração dos japoneses no Brasil. Tradicionalmente, eles já tinham como a característica a honestidade, dedicação, determinação e, aqui, isso ficou mais evidente, porque precisavam vencer. Acho que puderam ensinar também isso aos brasileiros, além de contribuir muito com a agricultura. Enfim, brasileiros e japoneses influenciaram uns aos outros e os dois saíram ganhando.
Fonte: PANIB - PASTORAL NIPO-BRASILEIRA
Bush no Vaticano para reunião com papa Bento XVI
- Bento XVI iniciou suas atividades de hoje recebendo em audiência, no Vaticano, o presidente estadunidense, George W. Bush. Uma audiência com “protocolo particular” para “retribuir a cordialidade da acolhida” recebida pelo Papa durante a visita em abril passado aos EUA. Assim, a Sala de Imprensa da Santa Sé explica num comunicado as razões da audiência, em certos aspectos inédita, concedida pelo Santo Padre ao presidente norte-americano, que teve lugar esta manhã na Torre de São João, nos Jardins Vaticanos. Foram muitos os temas afrontados no colóquio privado entre Bento XVI e Bush: da paz no Oriente Médio à crise alimentar, às relações entre Europa e EUA.No “cordial colóquio” com o presidente Bush – informa o referido comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé – o Papa “renovou, em primeiro lugar, a sua gratidão pelo caloroso e especial acolhimento recebido nos EUA e na Casa Branca durante a sua viagem em abril passado, e pelo compromisso na defesa dos valores morais fundamentais”. De fato, Bento XVI e Bush falaram dos principais temas de política internacional: “as relações entre os EUA e a Europa, o Oriente Médio e o compromisso pela paz na Terra Santa, a globalização, a crise alimentar e o comércio internacional”, por fim, “a aplicação das metas do Milênio”.Efetivamente, tratou-se de uma audiência particular. O cortejo presidencial chegou ao Vaticano pouco antes das 11h locais. O Papa acolheu o presidente estadunidense diante da entrada da Torre São João. No aperto de mão Bush se disse honrado pelo acolhimento a ele reservado. Junto com o presidente encontravam-se a primeira-dama, Laura Bush, e a embaixadora dos EUA junto à Santa Sé, Mary Ann Glendon.O inédito cenário do encontro ressaltou a particular cordialidade desse evento. A Torre São João – prédio medieval reestruturado por João XXIII – serve hoje em dia de alojamento para os hóspedes de honra do Papa. O colóquio privado entre o pontífice e o presidente norte-americano durou cerca de maia hora e teve lugar no estúdio no primeiro andar do prédio.Quase às 11h30 locais, Bush e o Papa, acompanhados do prefeito da Casa Pontifícia, Dom James M. Harvey, subiram até o último andar da Torre, do qual o pontífice mostrou ao presidente uma vista espetacular de Roma e, em particular, da Cúpula de São Pedro.Em seguida, desceram ao térreo, onde se realizou a tradicional troca de presentes. Bush ofereceu ao Santo Padre uma fotografia com ele o próprio Papa e um álbum de fotos sobre os momentos salientes da visita de Bento XVI à Casa Branca.O Santo Padre o retribuiu com uma fotografia com ele, o presidente e sua esposa, feita na Casa Branca, e quatro volumes sobre a Basílica de São Pedro. Iniciou assim a segunda parte da visita do presidente estadunidense ao Vaticano.O Papa Ratzinger e Bush deixaram a Torre e passearam, por cerca de dez minutos, pelos Jardins Vaticanos, detendo-se, por alguns instantes, diante do grande “Sino do Jubileu do 2000”. O passeio concluiu-se diante da Gruta de Lourdes.Ali, diante da reprodução fiel da “Gruta de Massabielle” _ presente dos franceses a Leão XIII em 1902 _, teve lugar uma breve homenagem musical.O Papa, o presidente e as respectivas comitivas puderam escutar dois Motetos: Exultate Deo de Giovanni Pierluigi de Palestrina, e Alma Redemptoris Mater de Giuseppe Liberto, executados pelos cantores da Capela musical pontifícia, dirigidos pelo maestro, Mons. Giuseppe Liberto.Durante o colóquio entre Bush e o Papa, o cardeal secretário de Estado, Tarcisio Bertone, se deteve com a primeira-dama estadunidense e a embaixadora Glendon.O pontífice já havia recebido George W. Bush em audiência no dia 9 de junho de 2007. Os dois se haviam encontrado nos dias 15 e 16 de abril passado no início da visita pastoral aos EUA. Ao chegar à base militar de Andrews, em Washington, o pontífice foi acolhido pessoalmente pelo presidente estadunidense com um gesto sem precedentes.Também no dia seguinte foi muito cordial o encontro na Casa Branca, por ocasião do aniversário do Papa. E justamente para retribuir tal cordialidade, a audiência de Bento XVI a Bush deu-se num clima particularmente familiar. Concluída a audiência, Bush deixou Roma partindo para Paris, onde se encontra desde esta tarde, e onde ficará por dois dias. (RL)
A foto mostra uma caverna sob a Igreja de Saint Georgeous em Rihab, próximo de Mafraq, onde se acredita que os primeros cristãos teriam se refugiado da perseguição em Jerusalém. Assentos de pedra em forma arredondada, ao que se supõe para acomodação dos clérigos, podem ser vistos na caverna. (Foto de Rula Samain)
Estadio Municipal do Pacaembu - SP
Saiba tudo a respeito da festa e das cerimônias, local, horário, como chegar, locais reservados, etc., clique aqui
- Bento XVI recebeu em audiência esta manhã, na Sala Paulo VI, no Vaticano, os fiéis italianos da arquidiocese de Turim.
O cardeal Marc Ouellet, assim como a organização do Congresso Eucarístico Internacional 2008, convida os jovens entre 18 e 35 anos a participarem do acontecimento de 15 a 22 de junho. Um “Espaço para a Juventude”, uma vigília de oração, um dia dedicado à Família, um fim de semana para adolescentes, assim como um “Serviço Juventude” se contam entre as atividades oferecidas.
QUEBEC - VISTA NOTURNA
Cidade do Vaticano, 02 jun (RV)
- Bento XVI pede aos fiéis, neste mês de junho, que rezem pelos frutos do Congresso Eucarístico Internacional de Québec, no Canadá, que acontecerá do dia 15 ao dia 22 deste mês. O Papa o propõe nas intenções do Apostolado da Oração, iniciativa seguida por aproximadamente 50 milhões de pessoas dos 5 continentes, para o 6º mês de 2008.A intenção missionária para este mês é: “Para que o Congresso Eucarístico Internacional de Québec, no Canadá, ajude a compreender ainda mais que a Eucaristia é o coração da Igreja e a fonte da evangelização”.A intenção geral do Apostolado da Oração do Papa para o mês de junho é: “para que os cristãos cultivem uma amizade profunda e pessoal com Cristo para poder assim comunicar a força do seu amor às pessoas com quem se encontram”.Antes de rezar o Ângelus neste domingo, o Papa convidou os fiéis a renovarem no mês de junho sua própria devoção ao Coração de Cristo, “tendo presentes as intenções que proponho a toda a Igreja”. (SP)

Uma procissão pelas ruas de Québec, no Canadá, marcará o 49º Congresso Eucarístico Internacional. A procissão se realizará no dia 19 de junho.
Segundo o arcebispo de Québec, Cardeal Marc Ouellet, o evento permitirá um encontro entre os peregrinos do Congresso Eucarístico Internacional 2008 e os cidadãos da cidade canadense. Estima-se a presença de cerca de 15 mil pessoas.