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terça-feira, 12 de abril de 2011

PROBLEMA ATUAL DE FUKUSHIMA É IDENTICO AO DE CHERNOBYL

FUKUSHIMA IGUAL A CHERNOBYL: NÍVEL 7




.............FUKUSHIMA.......................................CHERNOBYL

Tóquio, 12 abr (RV)


– O Japão decidiu elevar o grau de alerta na usina nuclear de Fukushima de 5 para 7, o máximo na escala internacional, o que coloca o desastre japonês no mesmo nível do acidente nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986.


Novas estimativas das autoridades japonesas sugerem que o total de material radioativo liberado até agora equivale a 10% do que vazou em Chernobyl, disse Hidejiko Nishiyama, diretor agência nuclear japonesa.


Nishiyama pondera, contudo, que diferentemente de Chernobyl, onde o reator explodiu liberando a radiação, em Fukushima os quatro reatores, apesar de todas as avarias sofridas por conta dos terremotos e do tsunami, permanecem intactos.


Entretanto, um oficial da companhia energética de Fukushima, disse que o vazamento de material radioativo ainda não foi contido completamente e agora a preocupação é que isso poderia fazer com que, eventualmente, ultrapassasse os níveis de Chernobyl.


Na escala internacional de desastres atômicos, um acidente de nível 7 envolve efeitos generalizados para a saúde e meio ambiente e uma liberação significativa do material armazenado no núcleo do reator.


Este anúncio veio quando o Japão se preparava para convencer mais moradores do entorno de Fukushima a deixarem a área, por causa da preocupação sobre a exposição de longo tempo à radiação.As autoridades já determinaram que as pessoas que vivem num raio de 20 km sejam evacuadas e recomendaram que as pessoas fiquem dentro de casa e evitem entrar numa área num raio de 30 km de Fukushima. (RB)


Fonte: RV

terça-feira, 15 de março de 2011

ÁCIDO BÓRICO PARA TENTAR CONTROLAR INCÊNDIO EM USINA NUCLEAR DE FUKUSHIMA


15/03/2011 21h26 - Atualizado em 15/03/2011 21h42


Empresa pode usar ácido bórico para controlar incêndio em usina no Japão

Material nuclear pode ter derretido parcialmente em dois outros reatores.
País enfrenta crise nuclear após devastador terremoto seguido de tsunami.
A Tokyo Electric Power CO (TEPCO), empresa que opera a usina nuclear de Fukushima Daiichi, afirmou na manhã desta quarta-feira (15), pelo horário local, que estava considerando usar um helicóptero para dispersar ácido bórico, um retardador de fogo, sobre o edifício que abriga o reator número 4, que estava em chamas.

O governo chegou a anunciar que o fogo tinha sido controlado, mas as chamas voltaram.
Na véspera, uma explosão de hidrogênio provocou um incêndio no mesmo reator, danificando o teto do prédio que o abriga. O Exército dos EUA, que colabora com as autoridades japonesas, controlou as chamas.
Além disso, as barras de combustível nuclear dos reatores 1 e 2 da usina foram parcialmente danificadas, a TEPCO.

O dano no reator 1 foi de 70%, e no 2, de 33%. O núcleo dos reatores parece ter derretido parcialmente após a perda das funções de resfriamento, ocorridas na sexta após o terremoto de magnitude 9 seguido de tsunami que atingiu a costa.
O derretimento aumentaria o risco de danos aos reatores e de um possível vazamento nuclear, dizem especialistas.

A instalação nuclear, na província japonesa de Fukushima, foi bastante afetada pelo terremoto de magnitude 9 seguido de tsunami que devastou regiões costeiras japonesas no dia 11.
O tremor e o maremoto danificaram as funções de refrigeração da usina, forçando a TEPCO a usar água do mar para baixar a temperatura dos reatores e liberar o ar radioativo para a atmosfera a fim de reduzir a pressão causada pelo calor.

O reator 4 estava em manutenção no momento do terremoto. Os reatores 1, 2 e 3 também foram afetados. No total, a usina tem seis reatores.
Os responsáveis tentam impedir um acidente mais grave, com grande vazamento radioativo.
A usina fica a 240 km da capital do Japão, Tóquio, onde há temor de contaminação radioativa e os níveis de radiação ficaram dez vezes acima do normal nesta terça.

O nível da radiação também subiu em outras cidades.
Mas a previsão da meteorologia era de que, nesta quarta, os ventos soprassem para o mar, o que pouparia a capital de uma contaminação pior.

Em meio à tensão causada pela crise nuclear, o país continua os trabalhos de resgate de sobreviventes e de corpos nas regiões costeiras devastadas.

O número de mortos oficial passa de 3.300, mas as autoridades estimam que ele possa passar de 10 mil.
O país também enfrenta cortes programados de energia, por conta do desligamento de usinas nucleares.

O objetivo, segundo o governo, é impedir blecautes maiores.
Também há problemas de desabastecimento de provisões, combustível e nos transportes públicos.


Fonte: G1 globo.com

domingo, 13 de março de 2011

PODE SUPERAR 10 MIL MORTOS

13/03/2011 06h23 - Atualizado em 13/03/2011 07h34

Mortos por tremor e tsunami podem superar 10 mil em província do Japão

Estimativa é da polícia de Miyagi, bastante afetada pelo desastre de sexta.
Japão busca vítimas e teme possível nova explosão em usina nuclear.

A polícia da província japonesa de Miyagi afirmou neste domingo (13) que estima que mais de 10 mil pessoas tenham morrido vítimas do terremoto e do tsunami do dia 11. A província tem uma população de 2,3 milhões e é uma das três mais afetadas pelo desastre. Até agora, foram confirmadas apenas 379 mortes na região.
No país, já são 977 mortos, 739 desaparecidos e 1.683 feridos oficialmente, segundo a Polícia Nacional.
Em paralelo com os trabalhos de resgate, cresce a preocupação com a situação na usina nuclear de Fukushima, onde há risco de uma nova explosão.
Por enquanto, o número confirmado de mortos pelo terremoto de magnitude 8,9 seguido de um tsunami no Japão chega a 900, segundo a polícia. A estimativa é que o número cresça bastante. O acesso a alguns dos locais afetados é bastante difícil.
Militares encontraram entre 300 e 400 corpos no porto de Rikuzentakata, informou o Exército neste sábado. Em outra cidade portuária, Minamisanriku, havia cerca de 10 mil desaparecidos, segundo a TV local.


Moradores passam por destroços em Sendai, na província de Miyagi, neste domingo (13) (Foto: AP)

O governo mandou 100 mil militares para as zonas afetadas, dobro do número previsto inicialmente, e já começam a chegar ao Japão as primeiras equipes de resgate enviadas por outros países.
Os EUA puseram à disposição das Forças de Autodefesado Japão seu porta-aviões Ronald Reagan para que seja utilizado como base logística dos helicópteros que voam para as zonas afetadas.

Infraestrutura prejudicada

Milhões de pessoas seguem sem eletricidade e água potável nas zonas afetadas pelo tremor, eo o governo alertou para o risco de blecautes se não houver economia de luz.
Segundo a TV NHK, pelo menos 1,4 milhão de famílias estão sem água potável desde sexta, e outras 2,5 milhões de casas estão sem energia elétrica nas províncias de Aomori, Iwate, Miyagi e Fukushima.
O combustível nos postos de gasolina das províncias atingidas está sendo racionado.
Os cortes de eletricidade afetaram dezenas de hospitais próximos à cidade de Sendai, capital de Miyagi, e que foi a mais afetada.
O Parlamento do Japão não vai funcionar nesta seguna, nem as fábricas das princiais montadores do país: Honda, Nissan, Mitsubishi, Suzuki e Toyota.
O ministro da Economia, Banri Kaieda, disse que as empresas Tokyo Electric Power e Tohoku Electric Power podem aplicar blecautes controlados em sua provisão a partir de segunda-feira para evitar cortes maciços de eletricidade provocados pelo terremoto.

Destroços em rua afetada pelo terremoto nacidade de Tagajo, na prefeitura de Miyagi, nestedomingo (13) (Foto: AFP)

Sétimo pior da história

O tremor foi o 7º pior na história, segundo a agência americana que monitora terremotos, e também o pior já registrado no Japão. Ele foi seguido de mais de duas centenas de réplicas superiores a 5, várias delas sentidas pela população.
O país segue em alerta de novas réplicas.
Houve um alerta de tsunami para diversos países da costa do Oceano Pacífico, mas a chegada das ondas a estes locais causou apenas danos menores, e o alerta foi cancelado. Milhares de moradores foram retirados por precaução.

Fonte: G1 globo.com

sábado, 12 de março de 2011

IMAGENS DE HOJE DO TERREMOTO NO JAPÃO


Veja imagens do dia seguinte ao terremoto no Japão

Clique na foto para ver as imagens de hoje

Tremor de magnitude 8,9 deixou centenas de mortos na ilha principal do arquipélago nipônico.Onda gigante atingiu vários países do Oceano Pacífico, mas sem gravidade.

Fonte: G1 globo.com (reuters)

sexta-feira, 11 de março de 2011

JÁ EXISTE PREVISÃO DE MAIS DE MIL VIDAS PERDIDAS NESTA CATASTROFE NO JAPÃO

Mortos por terremoto no Japão devem passar de mil, diz governo

Balanço da polícia contabiliza 384 mortos, 947 feridos e 707 desaparecidos após tremor de 8,9

Ondas chegam à costa japonesa. Foto: Kyodo/Reuters

Atualizada às 18h24

TÓQUIO - O ministério da Defesa do Japão informou nesta sexta-feira, 11, que o terremoto de magnitude 8,9 que atingiu o nordeste do país nesta madrugada deve ter deixado mais de mil mortos. Segundo a agência Kyodo, a cidade de Sendai, com 1 milhão de habitantes, foi a mais afetada pelo tremor, sentido em diversos pontos do país.

Apenas na cidade de Minamisoma, no distrito de Fukushima, 1,8 mil casas foram destruídas.Balanço da polícia contabiliza 384 mortos, 947 feridos e 707 desaparecidos. Em Sendai, ao menos 200 mortos foram encontrados afogados após o tsunami.

O governo japonês declarou estado de emergência na usina nuclear de Fukushima e outras três centrais atômicas foram fechadas. Ao menos 2 mil pessoas foram retiradas de áreas próximas após as autoridades não terem conseguido resfriar o combustível nuclear. Segundo os oficiais responsáveis, no entando, não há vazamento radioativo, e a situação já está sob controle.

Fábricas e refinarias foram fechadas e milhões de pessoas estão sem energia elétrica. Há cerca de 80 incêndios provocados pelo terremoto, um deles em uma refinaria. O aeroporto de Narita, o maior do país, chegou a ser fechado, mas já foi reaberto.

O tremor também paralisou em todo o país os serviços do "shinkansen", o trem-bala japonês, segundo a companhia ferroviária JR East. Um trem com passageiros desapareceu na área afetada pelo tremor.

Apesar de ter ocorrido a quase 400 quilômetros de distância de Tóquio, o tremor também foi sentido na capital, onde 4 milhões de casas e prédios ficaram sem energia elétrica. O serviço telefônico também foi cortado em boa parte do país.

Um dique se rompeu em Fukushima e o volume e a força da água devastaram as construções da região, segundo a imprensa japonesa.

O primeiro-ministro Naoto Kan disse a políticos que eles precisam "salvar o país" após o desastre. "O terremoto causou diversos danos em vastas áreas do norte do Japão", afirmou. Cerca de 8 mil militares foram enviados pelo governo à região afetada. De acordo com o Ministro de Exteriores, Takeaki Matsumoto, afirmou que o Executivo do país pediu ajuda aos EUA para que enviem seu efetivo no país para a área do sismo.

Foi o maior terremoto no Japão desde que começaram a ser registrados, há 140 anos e o sétimo pior da história. O tremor principal aconteceu às 2h46 de Brasília, com epicentro a 130 quilômetros de Sendal, na ilha de Honshu, e com profundidade de 24,4 quilômetros, na mesma região onde há dois dias ocorreu um terremoto de 7,3 graus que não deixou vítimas.

Fonte: ESTADAO.COM.BR/Internacional

sábado, 26 de setembro de 2009

54 MIL BRASILEIROS DEIXAM O JAPÃO - CRISE

CRISE: MISSIONÁRIO REFERE QUE MAIS DE 54 MIL BRASILEIROS DEIXARAM O JAPÃO

Tóquio,

- Como todos os anos, os missionários e missionárias que trabalham em comunidades com migrantes brasileiros no Japão se reuniram em assembléia de 8 a 10 de setembro na localidade de Takarazuka, nas proximidades de Osaka. De acordo com o Padre Olmes Milani, que colabora quinzenalmente com o Programa Brasileiro, durante a assembleia foram debatidos alguns tópicos significativos da Instrução Pastoral "Erga Migrantes Caritas Christi", relacionados com a situação dos migrantes no Japão. "Como não podia deixar de ser, nossa atenção voltou-se também para a crise econômica mundial e seus efeitos sobre as comunidades. Ao mesmo tempo em que constatamos sofrimentos nas famílias e comunidades, notamos maravilhosos testemunhos de solidariedade, fraternidade, doação e desprendimento de muitos migrantes ao encontro dos desempregados" – referiu Pe. Olmes.Calcula-se que aproximadamente 54.400 brasileiros tenham retornado ao Brasil por causa da crise econômica. Aos desempregados, o governo incentiva o retorno, financiando parte da passagem. Durante o evento, foram dadas as boas-vindas aos missionários recém-chegados – todavia, insuficientes, segundo Pe. Olmes: "O quadro precisa de reforço e renovação. Que venham os valentes. A messe é grande". (BF)

Fonte: RV

quarta-feira, 18 de junho de 2008

ENTREVISTA COM FREI LEONARDO SHIGESHI MATSO


FREI LEONARDO SHIGESHI MATSO
a fé católica dos japoneses e de seus descendentes

No dia 18 de junho, comemora-se o centenário da imigração japonesa no Brasil. Neste dia, em 1908, chegou ao país o navio que trazia os primeiros 791 imigrantes, depois de uma viagem de 52 dias. Frei Leonardo Shigeshi Matsuo veio muito tempo depois, em 1963. Veio como missionário, a pedido da colônia japonesa, mas também se considera um imigrante, pois enfrentou os mesmos desafios das diferenças de cultura e de língua. Aqui, ele deu assistência espiritual aos católicos de origem nipônica e ajudou a criar a Panib (Pastoral Nipo-brasileira).Hoje, com 74 anos, é pároco da paróquia pessoal São Maximiliano Kolbe, na Diocese de Mogi da Cruzes (SP). Com muito bom humor e sabedoria, ele fala aqui sobre a fé católica dos japoneses e de seus descendentes, lembrando as dificuldades que esse povo teve para viver essa religião em seu país, das adversidades que encontrou em nossas terras e da rica contribuição que trouxe para o nosso país.

POVO: Fale um pouco sobre a sua família. Seus pais já seguiam a religião católica no Japão?............................ Frei Leonardo: Nasci em Nagasaki (Japão), em 1933. Minha família já era católica, mas, naquele tempo, os católicos eram naquele tempo, os católicos eram perseguidos no Japão. Então, meus pais fugiram para muito longe da cidade onde nasci.Procuraram uma ilha onde havia mais segurança, em Formosa, pois corriam perigo de vida. Foi lá que cresci e que entrei no seminário.

POVO: Por que você veio para o Brasil?
Frei Leonardo: Cheguei aqui com 30 anos, em 1963, já padre franciscano conventual. Existem três ramos na família franciscana: frades menores, conventuais e capuchinhos. Sou um padre conventual. Fiz o curso Teologia em Assis (Itália) e, depois, fui para a Inglaterra estudar inglês. Já estava me preparando para voltar ao meu país, quando veio uma carta do nosso superior, dizendo que eu iria para o Japão apenas para me despedir da minha família e, depois, arrumaria a mala para vir para o Brasil. O superior geral havia visitado o Brasil e os japoneses daqui pediram que enviasse padres japoneses. Vim com toda alegria.

POVO: Por que escolheu ser sacerdote franciscano?
Frei Leonardo: Parece que não era pra se eu! Eu tinha um primo que era também um grande amigo. Estudávamos juntos e íamos a todos os lugares juntos. Um padre franciscano recém formado veio à nossa igreja e convidou meu primo para entrar no seminário, não a mim. Como meu primo não queria ir sozinho, ele me chamou pra ir também. Decidimos ir os dois. Mas, no momento de partir, ele não pôde ir mais, porque a família era contra. Então, fui sozinho, já que estava tudo pronto para minha partida. Por isso, falo que foi um chamado errado: meu primo é quem foi convidado, mas eu é que entrei. Continuei assim meu caminho.

POVO: Como foi sua chegada ao Brasil?
Frei Leonardo: Viemos em dois padres, eu e Frei Estevão, porque os franciscanos nunca andam sozinhos. No porto de Santos (SP), o consulado do Japão, alguns padres e vereadores foram nos receber e a acolhida foi muito boa. Sentimos que o povo estava nos esperando com muita alegria e ansiedade. O primeiro problema que tivemos, sem dúvida, foi a língua. Tivemos dificuldades para nos comunicar e porque não conhecíamos os lugares... Foi uma boa experiência! Muita gente, em vários lugares do Brasil, estava lutando para estabelecer sua vida aqui e ainda enfrentava muita dificuldade com a língua. Fui primeiramente para a cidade de Santo André, na grande São Paulo, onde havia uma grande colônia e onde trabalhei três anos. Ali, minha dificuldade inicial era não saber onde estavam esparramadas as famílias japonesas. Um vizinho ajudou-me a visitar casa a casa e a ir conhecendo as pessoas. Outro problema é que, sendo a maioria deles feirante, eles dormiam de dia e, à noite, saiam para as compras no mercado e para a feira. Mas conseguimos, pouco a pouco, realizar um trabalho com os jovens. Depois fui para Mogi das Cruzes, onde havia também muitos japoneses.

POVO: Entre os japoneses que chegaram havia muitos católicos ou eles foram se convertendo?Frei Leonardo: Existiam poucos católicos, mas a metade dos japoneses, quando entraram em terra estranha, é estar em harmonia com os habitantes locais. Por isso, talvez, muitos quiseram adotar a religião católica, que era a da maioria dos brasileiros. O primeiro padre que cuidou da evangelização dos japoneses foi o pe. Lourenzo, não lembro agora o sobrenome dele, redentorista de Aparecida (SP). Ele ficou sabendo que tinham muitos imigrantes em Pindamonhangaba, nas plantações de arroz. Então, desceu até lá, foi andado a pé cerca de 40 quilômetros, para encontrá-los. Com dicionário, porque não sabia falar a língua deles nem esses entendiam seu português, fez amizade com eles e começou a ensinar-lhes a doutrina cristã. Ele escreveu para o Vaticano pedindo material de catequese em japonês. O Vaticano não tinha nada e aconselhou-o a escrever para um almirante no Japão que era católico. O almirante, então, começou a mandar algum material e os japoneses começaram a ser evangelizados e a entrar para a Igreja Católica. Foi pe. Lourenzo quem batizou o primeiro migrante japonês no Brasil. Também o núncio apostólico preocupou-se com a quantidade de imigrantes japoneses não católicos que estavam entrando no Brasil. Ele escreveu uma carta para a embaixada do Japão no Rio de Janeiro (RJ), mas eles também não sabiam onde encontrar livros de catequese em japonês. Aí a embaixada pediu aos bispos japoneses que enviassem padres missionários para o Brasil, a fim de que os migrantes tivessem melhor assistência espiritual. O primeiro missionário vindo do Japão chegou em 1923. Era pe. Domingos Nakamura(1865/1940), que fez um belo trabalho junto à colônia japonesa, principalmente no estado de São Paulo.

POVO: Oque monsenhor Domingos Nakamura representa para a colônia japonesa no Brasil, hoje?
Frei Leonardo: Para nós, ele é verdadeiramente o pai dos imigrantes. Naquele tempo, não havia condução fácil; viajava-se a cavalo, em carroças ou de trem. Mesmo assim ele mandou muito por todas as regiões de São Paulo, pelo Paraná, Mato Grosso. Onde havia colonos japoneses, ele estava lá. Atendia todas as necessidades do povo, fazia casamentos, batizados, ministrava outros sacramentos e era esperado em todos os lugares. Tudo o que ele fez está registrado. Ele precisava carregar uma mala pesada com todos os paramentos e utensílios litúrgicos. Alguns jovens o ajudavam, revezando-se no carregamento da mala. Na maioria das vezes, andava a pé, porque não sabia andar a cavalo, já que, no Japão, não havia esse costume. É um exemplo para os padres de hoje. O pedido para sua canonização já foi encaminhado ao Vaticano.

POVO: Qual é o atual da Pastoral Nipo-Brasileira?
Frei Leonardo: Os missionários japoneses procuraram atender às necessidades do povo japonês, nos lugares onde ele vivia. Então, quase todos atuaram em educação, levantando escolas, na catequese e na assistência social. A Pastoral Nipo-Brasileira foi se estruturando em torno desses eixos. Passaram-se 100 anos e, agora, estamos nos tempos dos nisseis, sanseis, na quarta ou quinta geração de descendentes de japoneses no Brasil. Essa turma não tem mais dificuldade de língua, já está bem entrosada no país, não precisa mais de assistência social nem de escolas que lhes ensinem o português, mas nós ainda temos que atender os poucos que precisam dessas coisas. Outro trabalho é com nisseis e sanseis. Ainda que eles já se considerem brasileiros, o rosto não mudou e a mentalidade também ficou. A tendência deles, então, é agrupar-se, pois, para eles, é importante manter a identidade e a cultura nipônica. A Panib também cuida de promover isso entre as novas gerações, descendentes dos primeiros imigrantes japoneses.

POVO: Desde quando a Panib está organizada na Igreja do Brasil?
Frei Leonardo: Ela foi organizada a nível nacional em 1967. Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo de São Paulo (SP), foi um grande incentivador. Ele mandou quatro jovens sacerdotes para o Japão, a fim de aprender a língua e os costumes. Eles voltaram com muito entusiasmo e organizaram grupos de jovens. Pouco depois, dom Geraldo Majella, que era bispo de Londrina (PR), incentivou a sua organização em nível e foi o primeiro bispo responsável por ela na CNBB. Era uma época de mudanças na Igreja, o período pós Concílio Vaticano II. A nova pastoral inseriu-se no setor de animação missionária da CNBB. No começo, só existia em São Paulo e Paraná, onde havia mais japoneses. A Pastoral Nipo-Brasileira sempre teve o objetivo de evangelizar, fortalecer a fé, manter a cultura japonesa entre os imigrantes e integrá-los na vida eclesial e na nação.

POVO: Existem muitas vocações religiosas e sacerdotais entre os descendentes de japoneses no Brasil?
Frei Leonardo: Não sei se são muitas ou poucas. Em todo caso, mandamos para todas as congregações e dioceses uma carta pedindo essa informação. Por esse levantamento, descobrimos que existem na Igreja do Brasil mais ou menos 500 descendentes de japoneses, entre padres, religiosos e religiosas.

POVO: A espiritualidade dos católicos japoneses é diferente da dos católicos japoneses é diferente de católicos da dos católicos brasileiros de origem européia?
Dom Leonardo: Observando nossa comunidade, posso dizer que existem, sim, algumas diferenças. Talvez porque a espiritualidade dependa da cultura, da história de cada povo. Por exemplo, os japoneses católicos eram muito mais fechados, porque o Catolicismo era proibido no Japão e, durante 150 anos mais ou menos, eles foram perseguidos, proibidos, escondidos. Essa opressão de viver em segredo formou uma característica mais fechada. Foi uma herança que recebemos. Além disso, os imigrantes que se converteram ao catolicismo não tinham tradição, vivência da religião na família. Aqui no Brasil, os japoneses deixaram seus filhos à vontade para ser batizados e seguir a fé cristã, mas esses não viam os pais ir à igreja, participar das celebrações, rezar em casa etc. Muitos entravam para a Igreja Católica por conveniência e não tinham aprofundamento da fé. Esse caminho histórico influenciou a espiritualidade dos japoneses no Brasil. Mas percebo, na diocese onde trabalho, que sempre tem algum japonês envolvido com os trabalhos de cada paróquia e que eles assumem com muita dedicação suas responsabilidades na Igreja.

POVO: Quando foi ordenado o primeiro padre no Japão? E o primeiro descendente de japonês no Brasil?
Frei Leonardo: O Japão foi evangelizado por São Francisco Xavier (1549). Quando ele esteve no Japão, muitas pessoas se converteram ao catolicismo, mas uns 30 anos depois começou a perseguição. Creio que o primeiro padre japonês tenha sido ordenado nessa época, pois já fora criado um grande seminário lá. Com os primeiros missionários, entraram no Japão as máquinas impressoras, o ensino do latim e outras novidades. Mas, quando começou a perseguição, eles foram para as Filipinas e levaram tudo. No Brasil, o primeiro padre japonês foi pe. Kondo. Ele veio pequeno do Japão e ordenou-se aqui na Diocese de Lins.

POVO: O que a Panib preparou para celebrar os 100 anos da Imigração Japonesa?
Frei Leonardo: Nós estamos fazendo a preparação há três anos. No primeiro ano, estudamos a história dos japoneses no Brasil; no segundo, as obras; no terceiro, as comunidades. No dia 18 de junho, teremos uma celebração na Catedral de São Paulo, presidida pelo cardeal dom Odilo Scherer e concelebrada por um bispo do Japão. Além disso, organizamos uma peregrinação ao Japão que saiu do Brasil em março. Eles foram a Tóquio, depois percorreram o caminho dos 26 primeiros mártires do Japão e, no final foram a Nagasaki, de onde saiu monsenhor Nakamura, o primeiro missionário japonês no Brasil. Aqui também fizemos uma peregrinação a Álvares Machado (SP), onde está o túmulo do Monsenhor. Para essa peregrinação, vieram o arcebispo de Nagazaki, dom Joseph Takami, e PE. Dominic Noshita, responsável pela beatificação de Nakamura. Estamos pensando em outra peregrinação a Promissão (SP). Onde está a primeira igreja construída pelos japoneses. É interessante a história dessa igreja, porque católicos japoneses que viviam naquela cidade pediram cópias do desenho da igreja que eles freqüentavam no Japão e construíram uma tal e qual eles tinham lá. Ela estava abandonada, mas moradores antigos lembraram de como ela fora construída e resolveram restaurá-la. Nessa ocasião do centenário, ela se tornou um verdadeiro monumento da imigração japonesa. Em agosto, faremos a Romaria Nacional da Pastoral Nipo-Brasileira a Aparecida (SP).

POVO: Também está previsto um Congresso Nacional dos Missionários da Panib, não é?
Frei Leonardo: Sim. O Congresso acontecerá de 14 a 17 de julho. A Panib convocou todas as pessoas que trabalham nessa pastoral para estudar juntos alguns temas, atualizar-se, confraternizar etc. hoje, por exemplo, temos o grande problema dos dekasseguis, descentes de japoneses que saem do Brasil para trabalhar no Japão. É uma realidade que precisa ser refletida pelos agentes e missionários da Pastoral Nipo-brasileira.

POVO: a Panib tem alguma atuação direta com os dekasseguis?
Frei Leonardo: Não, mas estamos sempre em colaboração. Por exemplo, se um bispo do Japão escreve dizendo que precisa de missionários lá, a gente prepara e encaminha alguns. É um trabalho quase inverso daquele que foi feito no início do século passado. Já foram vários missionários leigos e religiosos. Onde tem grande concentração de dekasseguis tem um padre brasileiro atendendo. Existem cerca de 20 missionários, entre padres, freiras e religiosos trabalhando no Japão.

POVO: O que o senhor diria para os dekasseguis católicos?
Frei Leonardo: Eles enfrentam a mesma coisa que experimentamos quando chegamos aqui: dificuldades com a língua, preconceitos, diferenças de costume. Mas tudo isso está pior para os dekasseguis. Sabemos que eles não podem superar sozinhos esses sofrimentos. A fé ajuda muito e eles devem participar de encontros, reuni-se como Igreja, para conseguir ser mais felizes.

POVO: O que o povo japonês trouxe de bom para o Brasil?
Frei Leonardo: Os dois lados aprenderam muita coisa uns com os outros e cresceram juntos. Por causa da dificuldade de comunicação dos primeiros imigrantes japoneses, surgiram grandes problemas, mas isso foi superado. Com o tempo, o Brasil viu que esse povo tinha força. Do outro lado, os japoneses aprenderam que sua cultura não é a única nem a melhor, que existem outros jeitos de viver e abriram a sua visão de mundo. A religião católica, nesse aspecto, contribuiu muito para a integração dos japoneses no Brasil. Tradicionalmente, eles já tinham como a característica a honestidade, dedicação, determinação e, aqui, isso ficou mais evidente, porque precisavam vencer. Acho que puderam ensinar também isso aos brasileiros, além de contribuir muito com a agricultura. Enfim, brasileiros e japoneses influenciaram uns aos outros e os dois saíram ganhando.
Fonte: PANIB - PASTORAL NIPO-BRASILEIRA