Seguidores

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

Esteja ao lado de Nossa Senhora de Fátima como nunca pode imaginar.

Visite a Capela das Aparições, ON LINE.
Participe das orações, do terço e das missas diárias.

Clique na imagem de Nossa Senhora e estará em frente à Capelinha do Santuário de Fátima.

CAPELA DE NOSSA SENHORA DA MEDALHA MILAGROSA

Uma Capela cheia de segredos !Você quer descobri-la conosco? Saiba, antes de tudo, que a Casa Mãe da Companhia das Filhas da Caridade era o antigo "Hotel de Châtillon". Este, foi concedido à Companhia, em 1813, por Napoleão Bonaparte, depois da tormenta da Revolução Francesa. Imediatamente, começa a construção da Capela.A 8 de agosto de 1813, realizou-se a bênção solene da Capela dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. Em 1830, aconteceram então as aparições. Aumentou o numero de vocações.Foi necessário transformar a Capela, que passa então por várias modificações. Em 1930, por ocasião do centenário das apariçes, uma nova reforma nos mostra a Capela tal como a vemos hoje.Agora, a você a oportunidade de visitá-la!
http://www.chapellenotredamedelamedaillemiraculeuse.com

Visita a Capela da Medalha Milagrosa, localizada na Rue du Bac, 140 - Paris

Visita a Capela da Medalha Milagrosa, localizada na Rue du Bac, 140 - Paris
Clique sobre a foto para a visita guiada em 15 etapas

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

ADORANDO O MENINO JESUS

Bem junto ao Presépio, adorando o Menino Jesus, em companhia de
Maria e José, encontramos a solução para a febricitação que se instalou na Humanidade após o pecado original.


O homem passou a sentir um incontrolável anseio de ser igual a Deus: "Sereis como deuses" (Gn 3, 5).


Aí está o Deus-Menino que Se fez igual a nós para podermos ser iguais a Deus. Veio disposto a dar sua própria vida até a última gota de sangue, e assim elevar às alturas da divindade a nossa natureza decaída.


Por Ele, com Ele e n'Ele, abriu-se para nós a possibilidade de participar da divindade.
De joelhos, ao Menino roguemos neste Santo Natal, pela poderosa intercessão de Maria e José, as melhores graças para alcançar a plenitude da santidade e nos
fazermos, assim, seus irmãos por adoção, na mesma divina natureza


Fonte: Arautos do Evangelho

domingo, 18 de dezembro de 2011

O VERDADEIRO SIGNIFICADO DO NATAL

Difícil é, num mundo marcado pelo laicismo, ter bem presentes o autêntico significado do Santo Natal e o benefício incomensurável que representou para os homens a Encarnação da Segunda Pessoa da
Santíssima Trindade.

E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 14). Desse modo singelo resumiu o Discípulo Amado o maior acontecimento da História. Suas desprPresépio_.jpgetensiosas palavras sintetizam o rico e insondável conteúdo do grandioso mistério comemorado a cada 25 de dezembro: na obscuridade das trevas do paganismo, raiou a aurora de nossa salvação. Fez-Se homem o Esperado das nações, Aquele que tinha sido anunciado pelos profetas.


Cenário tomado pelo sobrenatural


Na noite em que Jesus veio ao mundo, pairava sobre Belém uma atmosfera de paz e alegria. A natureza parecia estar em júbilo enquanto, dentro de uma gruta inóspita, um santo casal contemplava seu Filho recém-nascido.


Ela é a Mãe das mães, concebida sem pecado original, criatura perfeita, na qual o Criador depositou toda a graça. Ao seu lado encontra-se São José, esposo castíssimo, varão justo cujo amor a Deus, integridade e sabedoria o tornam digno de tão augusta Esposa. E a Criança que ambos contemplam é o próprio Deus, que assume nossa natureza para dar a maior prova possível de seu amor à humanidade.


Quão sublime atmosfera envolvia aquele cenário paupérrimo! O ambiente no qual nasceu o Menino Deus devia estar tão tomado pelo sobrenatural que, se alguém tivesse a dita de entrar naquela gruta, ficaria imediatamente arrebatado por toda sorte de graças.


Foi o que ocorreu com os pastores. Após o aviso dos Anjos, correram em direção à gruta e lá encontraram o Rei do Universo deitado sobre palhas. Abismados pela grandeza dessa cena, que contemplavam também com os olhos da Fé, não tiveram outra atitude senão a da adoração. Que extraordinária dádiva receberam, sendo os primeiros a contemplar o Criador do Céu e da Terra feito homem, envolto em faixas, numa manjedoura!


Deus quis apresentar-Se de forma exemplarmente humilde


Considerando as imponentes manifestações da natureza que acompanhavam as intervenções de Deus no Antigo Testamento — o mar se abre, o monte fumega, o fogo cai do céu e reduz cidades a cinzas —, resulta surpreendente constatar a humildade e discrição com que Cristo veio ao mundo.


Não teria sido mais condizente com a grandeza divina que, na noite de Natal, sinais magníficos marcassem o acontecimento no Céu e na Terra? Não poderia, ao menos, ter nascido Jesus num magnífico palácio e convocado os maiores potentados da Terra para prestar-Lhe homenagens? Bastar- Lhe-ia um simples ato de vontade para que isso acontecesse...


Mas, não! O Verbo preferiu a gruta a um palácio; quis ser adorado por pobres pastores, ao invés de grandes senhores; aqueceu-Se com o bafo dos animais e a rudeza das palhas, em lugar de usar ricas vestes e dourados braseiros. Nem mesmo quis dar ordem ao frio para que não O atingisse. Num sublime paradoxo, desejava a Majestade infinita apresentar-Se de forma exemplarmente humilde.


Pois, apesar das pobres aparências, Aquele Menino era a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. NEle dava-se a união hipostática da natureza divina com a humana, conforme explica o renomado padre Boulenger: “União é o estado de duas coisas que se acham juntas. Ela pode realizar-se ora nas naturezas, por exemplo, quando o corpo e a alma unem-se para formar uma só natureza humana; e ora na pessoa, quando se unem duas naturezas na mesma pessoa. Esta última união chama-se hipostática, porque, em grego, os dois termos, hipóstase (suporte) e pessoa, têm igual significação teológica”.1


E, depois da união, essas duas naturezas permaneceram perfeitamente íntegras e inconfundíveis na Pessoa de Cristo, que não é humana, mas divina. Por esse motivo é Ele chamado Homem-Deus.


Abismo intransponível


Mas, por que quis a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade encarnar-Se em uma tão inferior natureza? Os nossos primeiros pais foram criados no Paraíso Terrestre em estado de inocência original, portanto em justiça e santidade.2 Além dissPresepio.jpgo, na sua infinita bondade, Deus conferiu a Adão dons de três qualidades: naturais, estando todas as propriedades do corpo e da alma perfeitamente ordenadas para alcançar o seu fim natural; sobrenaturais, a graça santificante, ou seja, a participação na própria vida de Deus, e a predestinação à visão de Deus na eterna bem-aventurança; e preternaturais, tais como a ciência infusa, o domínio das paixões e a imortalidade, que constituem o dom de integridade.


Como contrapartida a esses imensos benefícios, foi apresentada ao homem uma prova.


Devia ele cumprir de modo exímio a lei divina, guiando-se pelas exigências da lei natural gravada no seu coração, e respeitar uma única norma concreta que Deus lhe dera: a proibição de comer do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, plantada no centro do Jardim do Éden (cf. Gn 2, 9-17).


Narra-nos a Sagrada Escritura como a serpente tentou Eva, como caíram nossos primeiros pais e como foram expulsos do Paraíso (cf. Gn 3, 1-23). Em consequência do pecado, boa parte desses privilégios lhes foram retirados. Mas Deus, em sua infinita misericórdia, manteve-lhes os privilégios naturais, como descreve o douto padre Tanquerey: “Contentou-Se de os despojar dos privilégios especiais que lhes tinha conferido, isto é, do dom de integridade e da graça habitual: conservam pois, a natureza e os seus privilégios naturais. É certo que a vontade ficou enfraquecida, se a compararmos ao que era com o dom de integridade; mas não está provado que seja mais fraca do que teria sido no estado de natureza”.3


O Pecado Original abriu entre Deus e os homens um abismo intransponível. As portas do Céu se fecharam e o homem contingente só podia oferecer a Deus uma reparação imperfeita da ofensa cometida. E o Filho ofereceu-Se ao Pai para, “fazendo-Se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2, 8), restituir ao homem a graça perdida com o pecado. O próprio Criador fazia-Se criatura para, com uma generosidade inefável, saldar nossa dívida.


O caminho da glória passa pela Cruz


Entretanto, por que quis Jesus sofrer o desprezo dos seus coetâneos e os tormentos da Paixão? Estando hipostaticamente unido à Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, qualquer gesto da Sua natureza humana poderia ter redimido a humanidade inteira. Um simples ato de vontade de Cristo teria bastado para obter de Deus o perdão de todos os nossos pecados.


Mais uma vez, deparamo-nos com um sublime paradoxo. Com o exemplo de Sua Vida e Paixão, queria Jesus ensinar-nos que, neste vale de lágrimas, a verdadeira glória só vem da dor. E como o Pai desejava para Seu Filho o máximo grau de glória, permitiu que Ele passasse pelo extremo limite do sofrimento.


“O Filho do homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate de muitos” (Mt 20, 28). Já na manjedoura em Belém, nosso Salvador estava ciente de ter vindo ao mundo para expiar nossos pecados. É esse o motivo pelo qual em muitos presépiospresépio1.jpgo Menino Deus nos é apresentado com os braços abertos em cruz. Durante toda a sua vida, de Belém ao Gólgota, Jesus não fez outra coisa senão avançar ao encontro do Sacrifício Supremo que Lhe acarretaria o fastígio da glória.


A Terra toda foi renovada


Pode haver ser humano mais frágil do que uma criança, habitação mais simples do que uma gruta e berço mais precário do que uma manjedoura? Entretanto, a Criança que contemplamos deitada sobre palhas na gruta de Belém haveria de alterar completamente o rumo dos acontecimentos terrenos.


Afirma o historiador austríaco João Batista Weiss: “Cristo é o centro dos acontecimentos da História. O mundo antigo O esperou; o mundo moderno e todo o porvir descansam sobre Ele. A Redenção da humanidade por Cristo é a maior façanha da História universal; sua Vida, a memória mais alta e bela que possui a humanidade; sua doutrina, a medida com que se há de apreciar todas as coisas”.4


Difícil é, num mundo marcado pelo relativismo e pelo laicismo — quando não pelo ateísmo —, ter bem presentes o verdadeiro significado do Santo Natal e o benefício incomensurável que representou para os homens a Encarnação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.


Cristo era o varão prometido a Adão logo depois de sua queda, o Messias anunciado durante séculos pelos profetas. Mas a realidade transcendeu qualquer imaginação humana: quem poderia excogitar que Ele seria o próprio Deus encarnado? A vinda de Jesus ao mundo não só abriu-nos as portas do Céu e nos trouxe a Salvação, mas também renovou toda a Terra. Diz São Tomás que Nosso Senhor quis ser batizado, entre outras razões, para santificar as águas.5 E o mesmo aconteceu com todos os outros elementos: a terra foi santificada porque seus divinos pés a pisaram; o ar, porque Ele o respirou; o fogo ardeu com maior vigor e pureza. Podemos sem dúvida dizer que este nosso mundo nunca mais foi o mesmo depois de nele ter vivido, feito homem, o próprio Criador.



Não é por acaso que se contam os anos a partir do nascimento de Cristo, pois Ele, realmente, divide a História em duas vertentes. Antes dEle a humanidade era uma, e depois passou a ser diametralmente outra. São duas histórias. Quase poderíamos afirmar serem dois universos!


Fonte: Arautos do Evangelho

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

OS SACERDOTES SÃO UMA REFERÊNCIA

"Em Mianmar, os sacerdotes são uma referência para todos "



Bispo fala dos problemas da Igreja em seu país

ROMA,



– “As pessoas têm confiança em nós porque sabem o quanto a Igreja é importante para o desenvolvimento do país”. Em visita à sede internacional da Ajuda à Igreja que Sofre, Dom Alexander Pyone Cho, bispo de Pyay, ilustra o aumento das responsabilidades da Igreja Católica em Mianmar, antiga Birmânia.
"Nosso compromisso não é estritamente reservado aos fiéis. Os representantes do clero são um ponto de referência para todos os cidadãos". Os católicos birmaneses são apenas 25 mil, ou 3% da população, e, portanto, é especialmente a maioria budista que se beneficia do apoio dos sacerdotes.
Em outubro de 2010, um ciclone tropical devastou as regiões costeiras do oeste do país, na fronteira com Bangladesh, matando 160 pessoas e deixando mais de 70 mil sem casa. Nos meses seguintes, a contribuição da Igreja foi decisiva. A partir desse momento, os birmaneses depositaram confiança crescente na comunidade católica.
"Nossa ajuda após o ciclone abriu as portas de cada aldeia". Dom Pyone recorda o relato do diretor da Caritas diocesana, que tem ajudado as famílias das vítimas e as pessoas desabrigadas, fornecendo alimentos e itens de primeira necessidade.
"A ajuda foi oferecida a todos os residentes das áreas afetadas, de qualquer credo".Em Mianmar, no entanto, os cristãos ainda são marginalizados por causa da identificação generalizada do cristianismo com o Ocidente, "cuja influência é tão temida". "Nossa religião é considerada estrangeira, mas a Igreja é uma parte integrante da história do país. Isso é mostrado pelos 34 sacerdotes birmaneses que trabalham só em nossa diocese".
O próprio Pyone é da região de Yangon, onde fica Pyay. A diocese, que se estende a oeste até o Golfo de Bengala, é a segunda mais pobre do país, mas tem uma crescente comunidade católica. Em fevereiro passado, quando assumiu o cargo, Dom Pyone identificou dois principais objetivos da pastoral: a educação dos fiéis e a formação dos padres. "Evangelização exige fé forte e conhecimento aprofundado".
Em 2010, a Ajuda à Igreja que Sofre doou à Igreja na Birmânia mais de um milhão de euros. Após o ciclone, a associação contribuiu significativamente para a reconstrução de igrejas e edifícios destruídos e tem financiado vários projetos pastorais.
São muitas as construções e reconstruções, incluindo a da Capela do Sagrado Coração de Jesus, em Yihku Manhkam, na diocese de Banmaw, e a construção de uma estrutura para o novo seminário menor dos missionários Little Way, de Santa Teresa, em Chaungkhua, além de uma nova paróquia em Cowbuk, na diocese de Hakha.
Quanto à formação, são oferecidos cursos de planejamento familiar, seminários sobre a pastoral bíblica e formação para as Irmãs da Reparação. Também foram comprados carros para facilitar a pastoral, bem como máquinas agrícolas.


Fonte: ZENIT.org

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

IMACULADA CONCEIÇÃO

Imaculada Conceição de Nossa Senhora




O pecado original é uma realidade misteriosa e pouco evidente para nós enquanto comporta um prolongamento da culpa dos progenitores até todos nós. Neste dia, nós o consideramos na sua conspícua excepção ou melhor no singular privilégio concedido a Maria, que foi dele preservada desde o primeiro instante da sua concepção, da sua existência humana. O valor doutrinal desta festividade é manifesto na prece da celebração litúrgica, que sublinha o privilégio concedido à futura Mãe de Deus; "Ó Deus, que pela Imaculada Conceição da Virgem preparaste ao teu Filho uma morada digna dele...", e a própria natureza deste privilégio, enquanto não subtrai Maria à Redenção universal efectuada por Cristo: "Tu que a preservaste de toda a mancha na previsão da morte do teu Filho..." Antes que Pio IX, com a bula Ineffabilis Deus em 1854, definisse solenemente o dogma da Imaculada Conceição, não obstante as hesitações de alguns teólogos, que podiam apelar para o próprio São Tomás de Aquino, tinha-se chegado a um desenvolvimento não só da devoção popular para com a Imaculada mas também nas intervenções dos papas a favor desta celebração. Antes que o calendário romano incluísse a festa em 1476, esta já havia aparecido no Oriente no século sétimo, e contemporaneamente na Itália meridional dominada pelos bizantinos. Em 1570, Pio V publicou o novo Ofício e finalmente em 1708 Clemente XI estendeu a festa, tornando-a obrigatória, a toda a cristandade. Mas desde a origem do cristianismo Maria foi venerada pelos fiéis como a TODA SANTA. No primeiro esboço da festa litúrgica da Conceição, anterior ao século sétimo, nota-se, se não a profissão explícita da isenção da culpa original, pelo menos uma persuasão teologicamente equivalente. "Potuit, decuit, ergo fecit", havia argumentado um brilhante teólogo medieval: "Deus podia fazê-lo, convinha que o fizesse, portanto o fez." Do infinito amor de Cristo para com a Mãe, que a pré-redimiu e a cumulou do Espírito Santo desde o primeiro instante da sua existência, derivou este singular privilégio, que a Igreja hoje celebra para nos fazer meditar sobre a beleza de toda alma santificada pela graça redentora de Cristo. Quatro anos após a proclamação do dogma da Imaculada Conceição, a Virgem apareceu a Santa Bernadette Soubirous. Para a menina que, timidamente, perguntava: "Senhora, quer ter a bondade de me dizer o seu nome?", Maria respondeu: "Eu sou a Imaculada Conceição."

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O PRESÈPIO DA PRAÇA DE SÃO PEDRO

O presépio da Praça de São Pedro homenageia a Virgem Maria


A obra é feita em sinal de lembrança do beato João Paulo II


CIDADE DO VATICANO,



- O Presépio da praça de São Pedro deste ano é uma homenagem à Virgem Maria, em sinal de lembrança do Beato João Paulo II.
O escudo do pontífice polonês, de fato, como explica uma nota da assessoria de imprensa do Vaticano, "quer ser uma homenagem ao mistério central do cristianismo: a Redenção. Representa, essencialmente, uma cruz com um grande 'M' maiúsculo, que recorda a presença de Nossa Senhora sob a cruz".
Além disso, a devoção mariana do Papa João Paulo II se expressa no lema Totus Tuus que ele escolheu quando já era cardeal.
"Toda a cena do presépio - continua a nota da Santa Sé - se inspira num gênero iconográfico tradicional. Inserida nos lugares onde historicamente se desenvolveu o evento sagrado, a cena principal está definida por elementos que reproduzem as arquiteturas e os lugares típicos da paisagem palestina e setores da vida diária".
À esquerda do presépio construiu-se um templo e algumas casas, numa das quais "a disposição e a seleção das estátuas recordam o alegre anúncio do nascimento à Maria pelo anjo Gabriel" (cf. Lc 1,26-33).
O edifício Sagrado reproduzido na cena, no entanto, quer se lembrar do episódio da Apresentação de Jesus no Templo, durante o qual Simeão profetizou a dor de Maria pela morte do Filho (cf. Lc 2:34-35).
À direita do presépio reproduziu-se um edifício utilizado por uma família: no primeiro plano há duas figuras femininas, em memória do encontro de Maria com Isabel (cf. Lc 1:41-45).A representação do presépio se completa com os personagens tradicionais provenientes do presépio criado em 1842 por São Vicente Pallotti, na Basílica de Sant'Andrea della Valle, em Roma.
A abertura do presépio em São Pedro, agora na sua 32ª representação, se terá no dia 24 de dezembro ao anoitecer. O projeto e a construção do presépio e do enfeite da árvore de Natal, como todos os anos, é preparado pelos serviços técnicos do Governatorato da Cidade do Vaticano.


Fonte:ZENIT.org

domingo, 4 de dezembro de 2011

ADVENTO "VEM, SENHOR JESUS"



A COROA DE ADVENTO


Desde a sua origem a Coroa de Advento possui um sentido especificamente religioso e cristão: anunciar a chegada do Natal sobretudo às crianças, preparar-se para a celebração do Santo Natal, suscitar a oração em comum, mostrar que Jesus Cristo é a verdadeira luz, o Deus da Vida que nasce para a vida do mundo. O lugar mais natural para o seu uso é família. Além da coroa como tal com as velas, é uso antigo pendurar uma coroa (guirlanda), neste caso sem velas, na porta da casa. Em geral laços vermelhos substituem as velas indicando os quatro pontos cardeais. Entrou também nas igrejas em formas e lugares diferentes, em geral junto ao ambão. Cada domingo do Advento se acende uma vela. Hoje está presente em escolas, hotéis, casas de comércio, nas ruas e nas praças. Tornou-se mesmo enfeite natalino. Já não se pode pensar em tempo de Advento sem a coroa com suas quatro velas.


Simbolismo da Coroa de Advento


Pelo fato de se tratar de uma linguagem simbólica, a Coroa de Advento e seus elementos podem ser interpretados de diversas formas. Desde a sua origem ela possui um forte apelo de compromisso social, de promoção das pessoas pobres e marginalizadas. Trata-se de acolher e cuidar da vida onde quer que ela esteja ameaçada. Podemos dizer que a Coroa de Advento constitui um hino à natureza que se renova, à luz que vence as trevas, um hino a Cristo, a verdadeira luz, que vem para vencer as trevas do mal e da morte. É, sobretudo, um hino à vida que brota da verdadeira Vida.


A mensagem da Coroa de Advento é percebida a partir do simbolismo de cada um de seus elementos.


O Círculo


A coroa tem a forma de círculo, símbolo da eternidade, da unidade, do tempo que não tem início nem fim, de Cristo, Senhor do tempo e da história. O círculo indica o sol no seu ciclo anual, sua plenitude sem jamais se esgotar, gerando a vida. Para os cristãos este sol é símbolo de Cristo.


Desde a Antigüidade, a coroa é símbolo de vitória e do prêmio pela vitória. Lembremos a coroa de louros, a coroa de ramos de oliveira, com a qual são coroados os atletas vitoriosos nos jogos olímpicos.


Os ramos verdes


Os ramos verdes que enfeitam o círculo constumam ser de abeto ou de pinus, de ciprestes. É símbolo nórdico. Não perdem as folhas no inverno. É, pois, sinal de persistência, de esperança, de imortalidade, de vitória sobre a morte.


Para nós no Brasil este elemento é um tanto artificial e, por isso, problemático, menos significativo, visto que celebramos o Natal no início do verão e com isso não vivenciamos esta mudança da renovação da natureza. Por isso, a tendência de se substituir o verde por outros elementos ornamentais do círculo: frutos da terra, sementes, flores, raízes, nozes, espigas de trigo.


Para ornar a coroa usam-se também laços de fitas vermelhas ou rosas, símbolo do amor de Jesus Cristo que se torna homem, símbolo da sua vitória sobre a morte através da sua entrega por amor. Deste modo, nas guirlandas penduradas nas portas das casas, os laços ocupam o lugar das velas. Lembram os pontos cardeais, a cruz de Cristo, que irradia a luz da salvação ao mundo inteiro.



As velas


As quatro velas indicam as quatro semanas do Tempo do Advento, as quatro fases da História da Salvação preparando a vinda do Salvador, os quatro pontos cardeais, a Cruz de Cristo, o Sol da salvação, que ilumina o mundo envolto em trevas. O ato de acender gradativamente as velas significa a progressiva aproximação do Nascimento de Jesus, a progressiva vitória da luz sobre as trevas.Originariamente, a velas eram três de cor roxa e uma de cor rosa, as cores dos domingos do Advento. O roxo, para indicar a penitência, a conversão a Deus e o rosa como sinal de alegria pelo próximo nascimento de Jesus, usada no 3º domingo do Advento, chamado de Domingo “Gaudete” (Alegrai-vos).


Existem diferentes tradições sobre os significados das velas. Uma bastante difundida:


a primeira vela é do profeta;
a segunda vela é de Belém;
a terceira vela é dos pastores;
a quarta vela é dos anjos.


Outra tradição vê nas quatro velas as grandes fases da História da Salvação até a chegada de Cristo. Assim:


a primeira é a vela do perdão concedido a Adão e Eva, que de mortais se tornarão seres viventes em Deus;
a segunda é a vela da fé dos patriarcas que crêem na promessa da Terra Prometida;
a terceira é a vela da alegria de Davi pela sua descendência;
a quarta é a vela do ensinamento dos profetas que anunciam a justiça e a paz.

Nesta perspectiva podemos ver nas quatro velas as vindas ou visitas de Deus na história, preparando sua visita ou vinda definitiva no seu Filho Encarnado, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo:


o tempo da criação: de Adão e Eva até Noé;
o tempo dos patriarcas;
o tempo dos reis;
o tempo dos profetas.



sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A Igreja deve ser mestra e testemunha

A Igreja deve ser mestra e testemunha


Orientações para a XIII Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos

ROMA,

A XIII Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos terá como tema A nova evangelização para a transmissão da fé cristã e será realizada de 7 a 28 de outubro de 2012.
O Sínodo coincidirá com o 50º aniversário do Concílio Vaticano II, com o 20º aniversário da promulgação do Catecismo da Igreja Católica e com o início do ano da Fé promulgado pelo papa Bento XVI com o motu proprioPorta Fidei.
Dom Nikola Eterovic, secretário-geral do Sínodo, fez o anúncio na Sexta Reunião do XII Conselho Ordinário da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos, em 22 e 23 de novembro.
Em nota, a Assessoria de Imprensa do Vaticano afirma que "tentamos fazer uma descrição adequada da Nova Evangelização, destacando a necessidade de ancorá-la nos fundamentos bíblicos e teológicos, de acordo com as necessidades da missão evangelizadora originária da Igreja, guiada pelo Espírito Santo".
A Nova Evangelização, que tem como meta todas as pessoas que não seguem mais a prática cristã, deve ser uma "preocupação de toda a Igreja", ainda que "de maneiras diferentes dependendo da região".
A Nova Evangelização deve observar as "mudanças constantes" do nosso tempo, num processo de globalização afetado por "um clima cultural e moral de secularismo e agnosticismo".
Neste contexto, são necessárias "novas linguagens e novas mídias", mas também "testemunhas críveis" para transmitir a fé "às novas gerações em novos contextos sociais, onde as comunidades naturais e tradicionais, como a família e a escola, vêem particular urgência no seu compromisso de educar na fé".
Esta "nova atitude missionária”, porém, não deve apenas aproximar da fé os não praticantes, os agnósticos e os ateus, mas também "os fiéis de outras religiões, num diálogo que possibilite o encontro em torno de razões para a vida e para a fé".
A Igreja, além do dever de pregar o Evangelho, “tem necessidade de uma metanóia que lhe permita apresentar-se como mestra e testemunha para pessoas que buscam o Senhor, porque, anunciando o Evangelho, ela proclama o arrependimento e o perdão dos pecados”.
A próxima reunião acontecerá em 16 e 17 de fevereiro de 2012. O Conselho concluiu a presente reunião com o Ângelus, pedindo a Nossa Senhora que proteja e interceda para que o futuro Sínodo ajude a divulgar o Evangelho por meio da nova dinâmica da evangelização.

Fonte: ZENIT.org

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

À SANTIDADE NO CASAMENTO

O chamado à santidade no casamento


Encontro destaca o casal de beatos Luigi e Maria Beltrame Quattrocchi

Por Salvatore Cernuzio

ROMA,

- "Quando um homem e uma mulher se tornam um só no matrimônio, eles deixam de ser vistos como criaturas terrestres: tornam-se a própria imagem de Deus". Nunca houve uma personificação mais plástica destas palavras de São João Crisóstomo do que os cônjuges Luigi e Maria Beltrame Quattrocchi, o primeiro casal beatificado na história da Igreja.
Beatos não “apesar do casamento”, mas precisamente por causa dele. O casal não foi elevado aos altares por ter fundado alguma congregação missionária, mas simplesmente porque viveu o casamento como um caminho concreto para a santidade e para Deus.
A data de celebração do casal beato na diocese de Roma é 25 de novembro, aniversário do casamento celebrado em Santa Maria Maggiore em 1905. Em fevereiro de 1994, foi iniciada no Tribunal para a Causa dos Santos do Vicariato de Roma a causa da canonização. João Paulo II beatificou-os em 21 de outubro de 2011, no vigésimo aniversário da Familiaris Consortio.
Justo nos dias em que o Vaticano realiza a Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para a Família, que aborda o trigésimo aniversário da fundação do dicastério, foi realizada no Capitólio romano, neste 25 de novembro, a conferência Cidadãos autênticos: nos passos de Maria e Luigi.
O encontro, dez anos após a beatificação do casal, procurou chamar a atenção para um aspecto que vai além do cristão e educativo: o ético e civil, enfatizando a contribuição que Luigi e Maria deram à cidade de Roma e a toda a Itália como "cidadãos autênticos".
“Quando falam dos meus pais, as pessoas sempre falam de casamento, família, educação dos filhos”, disse Enrichetta Beltrame Quattrocchi, quarta e última filha do casal, convidada especial da conferência. “Mas nunca falam da vida deles como cidadãos, que foi intensa".“Por isso nós optamos pela Capitólio”, continuou Enrichetta, incansável aos 97 anos de idade. “Porque é um lugar de profundo valor institucional e de vínculo significativo com os cidadãos, mas principalmente porque eu me comovi quando o papa Bento XVI, em 9 de março de 2009, na hora de saudar os romanos destacando as glórias de Roma, nomeou os santos que trabalharam por esta cidade e, entre eles, os meus pais”.
Entre os muitos e ilustres convidados do encontro, estão Dom Luciano Suriani, delegado das Representações Pontifícias; Dom Paolo Mancini, vigário para a pastoral familiar da diocese de Roma; Marco Pomarici, presidente da Assembleia Capitolina; Salvatore Martinez, presidente da Renovação Carismática italiana; Maria Voce-Emmaus, presidente do movimento dos Focolares, e muitos outros.
“Maria e Luigi foram exemplos vivos de como a vida cotidiana pode concretizar o chamado à santidade, que é a medida da vida cristã diária”, disse Dom Suriani . “Cinquenta anos atrás, o Concílio Vaticano II lançou um apelo à santidade da família e ele se realizou graças aos dois beatos. Precisamos que todas as famílias do nosso tempo, a exemplo deles, também se tornem pequenas igrejas, verdadeiras escolas de oração”.
É uma missão que os Beltrame realizaram plenamente como esposos e pais, como fica demonstrado pelo fato de que os quatro filhos, ao crescerem, sentiram o chamado de Deus à vida religiosa: Filippo (Don Tarcisio) é padre diocesano; Stefania (irmã Maria Cecilia) é freira beneditina; Cesare (padre Paolino) é monge trapista, e Enrichetta, a caçula, é leiga consagrada.
Mas também é uma missão que se concretizou no engajamento civil, no respeito pela democracia, pelas instituições, pela cidade, no próprio trabalho (Luigi era advogado e Maria era escritora e enfermeira) em benefício da sociedade, particularmente dos pobres, doentes e aflitos.
Antonio Conte, presidente da Ordem dos Advogados de Roma, falou precisamente sobre isto: "Luigi Beltrame Quattrocchi nos oferece uma imagem do advogado, talvez menos comum hoje em dia, mas essencial para a compreensão da função de quem é ad-vocatus, ‘chamado com’, ‘chamado junto de’, para aqueles que precisam de assistência. Esta belíssima profissão se transforma em serviço puro, humanidade, santidade para a Igreja, se for acompanhada de um inclinar-se diante do homem para compartilhar, para carregar os fardos juntos com os oprimidos, para alegrar-se com aqueles que estão em festa. Ser ‘humano’ desta forma é algo que torna o advogado uma pessoa que tem uma missão na sociedade civil. Eu diria que esses elementos fizeram do advogado Beltrame Quattrocchi uma pessoa que realmente viveu o carisma da sua profissão, infundindo a alma cristã na atividade que realizava".
Também foi apresentada durante o encontro a Associação A.Mar.Lui, nascida por desejo da filha Enrichetta e presidida por Attilio Danise e Giulia Paola di Nicola, voltada principalmente aos cônjuges e namorados, mas aberta a todos: solteiros, sacerdotes, religiosos e todos aqueles "que desejem alimentar um espírito de família na Igreja e na sociedade, estar perto das famílias e das suas necessidades", como explicaram os presidentes.
Para selar o dia cheio de memórias e de emoções, foi oferecido o recital Uma auréola para dois, dedicado à vida dos beatos, na Domus Mariae de Roma, reunindo na mesma noite todos os participantes do encontro, inclusive famílias de diversas regiões italianas, membros da A.mar.Lui. e dos Focolares, assim como os participantes da reunião da CEI (Conferência Episcopal Italiana) sobre os 30 anos da Familiaris Consortio

Fonte: ZENIT.org

domingo, 27 de novembro de 2011

NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS E A MEDALHA MILAGROSA

A Medalha Milagrosa foi cunhada e espalhou-se com maravilhosa rapidez pelo mundo inteiro,e em toda parte foi instrumento de misericórdia, arma terrível contra o demônio,remédio para muitos males, meio simples e prodigioso deconversão e de santificação.



















Visite o site da Capela Milagrosa: http://www.chapellenotredamedelamedaillemiraculeuse.com/PT/b1_Um_encontro.asp




Colunas de mármore, impecavelmente brancas, destacam a alvura do ambiente, iluminado pelos raios do sol que penetram pelas amplas janelas. A idéia de uma pureza imaculada, aliada a uma sensação de densa unção sobrenatural domina até hoje a capela da Congregação das Filhas da Caridade (mais conhecidas no Brasil como Irmãs Vicentinas), na Rue du Bac, em Paris, 170 anos depois de ela haver abrigado a mais augusta visitante que se possa imaginar: a própria Mãe de Deus. E ainda agora, reinando sobre esse ambiente abençoado, uma alva imagem de Nossa Senhora, coroada como Rainha, espargindo raios de suas mãos, parece ainda dizer a quem a contempla: "Venha ao pé deste altar. Aqui serão derramadas graças sobre todos os que as pedirem".

Ainda se encontra na Capela a cadeira na qual Nossa Senhora sentou-se, para conversar longamente com a humilde religiosa do convento. E quem é esta? A resposta está sob um altar lateral, onde se vê um esquife de vidro, dentro do qual jaz uma freira miúda, tão serena que parece adormecida. É Santa Catarina Labouré que, em 1830, recebeu da Santíssima Virgem a mensagem sobre a Medalha Milagrosa.
Foi essa humilde irmã de caridade o instrumento escolhido por Deus para impulsionar em todo o mundo a devoção a Maria, por meio dessa medalha que, de fato, fez jus ao nome de "milagrosa".
O relato do que então acontecera é desenvolvido ao longo destas páginas por MonsenhorJoão Scognamiglio Clá Dias, EP com seu conhecido talento de narrador e mais ainda com sua fervorosa piedade marial e desejo de evangelizar o maior número possível de pessoas.
A história dessa santinha francesa e de seus encontros - pois foram vários - com Nossa Senhora, narração de uma encantadora simplicidade, de uma candura virginal e de um celestial esplendor, não poderá deixar de nos maravilhar e atrair, despertando em nós o desejo de maior devoção a Maria, o meio mais seguro de chegarmos a Jesus Cristo, Nosso Senhor.


Santa Catarina Labouré


Ela se chamava Catarina, ou Zoé, para os mais íntimos. Sua maior alegria era levar a ração diária para a multidão de pombos que habitava a torre quadrada do pombal de sua casa. Ao avistarem a camponesinha, as aves se lançavam em direção a ela, envolvendo-a, submergindo-a, parecendo querer arrebatá-la e arrastá-la para as alturas. Cativa daquela palpitante nuvem, Catarina ria, defendendo-se contra as mais afoitas, acariciando as mais ternas, deixando sua mão deslizar pela brancura daquelas macias penugens. Durante toda a vida, guardará nostalgia dos pombos de sua infância: "Eram quase 800 cabeças", costumava dizer, não sem uma pontinha de tímido orgulho...
Catarina Labouré (pronuncia-se "Laburrê") veio ao mundo em 1806, na província francesa da Borgonha, sob o céu de Fain-les-Moutiers, onde seu pai possuía uma fazenda e outros bens. Aos nove anos perdeu a mãe, uma distinta senhora pertencente à pequena burguesia local, de espírito cultivado e alma nobre, e de um heroísmo doméstico exemplar. Abalada pelo rude golpe, desfeita em lágrimas, Catarina abraça uma imagem da Santíssima Virgem e exclama: "De agora em diante, Vós sereis minha mãe!"
Nossa Senhora não decepcionará a menina que se entregava a Ela com tanta devoção e confiança. A partir de então, adotou-a como filha dileta, alcançando-lhe graças superabundantes que só fizeram crescer sua alma inocente e generosa. Essa encantadora guardiã de pombos, em cujos límpidos olhos azuis se estampavam a saúde, alegria e vida, assim como a gravidade e sensatez advindas das responsabilidades que cedo pesaram sobre seus jovens ombros, essa pequena dona-de-casa modelo (e ainda iletrada) teve seus horizontes interiores abertos para a contemplação e a ascese, conducentes a uma hora de suprema


Com as Filhas de São Vicente de Paulo


Certa vez, um sonho deixou Catarina intrigada. Na igreja de Fain-les-Moutiers, ela vê um velho e desconhecido sacerdote celebrando a Missa, cujo olhar a impressiona profundamente. Encerrado o Santo Sacrifício, ele faz um sinal para que Catarina se aproxime. Temerosa, ela se afasta, sempre fascinada por aquele olhar. Ainda em sonho, sai para visitar um pobre doente, e reencontra o mesmo sacerdote, que desta vez lhe diz: "Minha filha, tu agora me foges... mas um dia serás feliz em vir até mim. Deus tem desígnios sobre ti. Não te esqueças disso". Ao despertar, Catarina repassa em sua mente aquele sonho, sem o compreender...
Algum tempo depois, já com 18 anos, uma imensa surpresa! Ao entrar no parlatório de um convento em Châtillon-sur-Seine, ela depara com um quadro no qual está retratado precisamente aquele ancião de penetrante olhar: é São Vicente de Paulo, Fundador da congregação das Filhas da Caridade, que assim confirma e indica a vocação religiosa de Catarina.
Com efeito, aos 23 anos, vencendo todas as tentativas do pai para afastá-la do caminho que o Senhor lhe traçara, abandona para sempre um mundo que não estava à sua altura, e entra como postulante naquele mesmo convento de Chântillon-sur-Seine. Três meses depois, em 21 de abril de 1830, é aceita no noviciado das Filhas da Caridade, situado na rue du Bac*, em Paris, onde tomará o hábito em janeiro do ano seguinte.


Primeira aparição de Nossa Senhora


Desde a sua entrada no convento da rue du Bac, Catarina Labouré foi favorecida por numerosas visões: o Coração de São Vicente, Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento, o Cristo Rei e a Santíssima Virgem. Apesar da importância das outras aparições, devemos nos deter nas da Rainha Celestial. A primeira teve lugar na noite de 18 para 19 de julho de 1830, data em que as Filhas da Caridade celebram a festa de seu santo Fundador. De tudo quanto então sucedeu, deixou Catarina minuciosa descrição:
A Madre Marta nos falara sobre a devoção aos santos, em particular sobre a devoção à Santíssima Virgem - o que me deu desejo de vê-La - e me deitei com esse pensamento: que nessa noite mesmo, eu veria minha Boa Mãe. Como nos haviam distribuído um pedaço do roquete de linho de Sã Vicente, cortei a metade e a engoli, adormecendo com o pensamento de que São Vicente me obteria a graça de contemplar a Santíssima Virgem. Enfim, às onze e meia da noite, ouvi alguém me chamar:
- Irmã Labouré! Irmã Labouré!
Acordando, abri a cortina e vi um menino de quatro a cinco anos, vestido de branco, que me disse:
- Levantai-vos depressa e vinde à Capela! A Santíssima Virgem vos espera.
Logo me veio o pensamento de que as outras irmãs iam me ouvir. Mas, o menino me disse:
- Ficai tranqüila, são onze e meia; todas estão profundamente adormecidas. Vinde, eu vos espero.
Vesti-me depressa e me dirigi para o lado do menino, que permanecera de pé sem se afastar da cabeceira de meu leito. Eu o segui. Sempre à minha esquerda, ele lançava raios de claridade por todos os lugares onde passávamos, nos quais os candeeiros estavam acesos, o que muito me espantava. Porém, muito mais surpresa fiquei ao entrar na capela: logo que o menino tocou a porta com a ponta do dedo, ela se abriu. E meu espanto foi ainda mais completo quando vi todas as velas e castiçais acesos, o que me recordava a missa de meia-noite. Entretanto, eu não via a Santíssima Virgem.
O menino me conduziu para dentro do santuário, até o lado da cadeira do diretor espiritual*. Ali me ajoelhei, enquanto o menino continuou de pé. Como o tempo de espera estava me parecendo longo, olhei para a galeria para ver se as irmãs encarregadas da vigília noturna não passavam por ali.
Por fim, chegou o momento. O menino me alertou, dizendo:
- Eis a Santíssima Virgem! Ei-La!
Nesse instante, Catarina ouve um ruído, como o frufru de um vestido de seda, vindo do alto da galeria. Levanta os olhos e vê uma senhora com um traje cor de marfim, que se prosterna diante do altar e vem se sentar na cadeira do Padre Diretor.
A vidente estava na dúvida se Aquela era Nossa Senhora. O menino, então, não mais com timbre infantil, mas com voz de homem e em tom autoritário, disse:
- Eis a Santíssima Virgem!
A Irmã Catarina recordaria depois:
Dei um salto para junto d'Ela, ajoelhando-me ao pé do altar, com as mãos apoiadas nos joelhos de Nossa Senhora... Ali se passou o momento mais doce de minha vida. Ser-me-ia impossível exprimir tudo quanto senti.
Ela disse como me devo conduzir face a meu diretor espiritual, como me comportar em meus sofrimentos vindouros, mostrando-me com a mão esquerda o pé do altar, onde eu devo vir me lançar e expandir meu coração. Lá receberei todas as consolações de que necessito. Eu Lhe perguntei o que significavam todas as coisas que vira e Ela me explicou tudo:
- Minha filha, Deus quer te encarregar de uma missão. Terás muito que sofrer, porém hás de suportar, pensando que o farás para a glória de Deus. Saberás (discernir) o que é de Deus. Serás atormentada, até pelo que disseres a quem está encarregado de te dirigir. Serás contraditada, mas terás a graça. Não temas. Dize tudo com confiança e simplicidade. Serás inspirada em tuas orações. O tempo atual é muito ruim. Calamidades vão se abater sobre a França. O trono será derrubado. O mundo inteiro se verá transtornado por males de todo tipo (a Santíssima Virgem tinha um ar muito entristecido ao dizer isso). Mas venham ao pé deste altar: aí as graças serão derramadas sobre todas as pessoas, grandes e pequenas, particularmente sobre aquelas que as pedirem com confiança e fervor. O perigo será grande, porém não deves temer: Deus e São Vicente protegerão esta Comunidade.


Os fatos confirmam a aparição


Uma semana depois dessa bendita noite, explodia nas ruas de Paris a revolução de 1830, confirmando a profecia contida na visão de Santa Catarina. Desordens sociais e políticas derrubaram o rei Carlos X, e por toda a parte se verificaram manifestações de um anti-clericalismo violento e incontrolável: igrejas profanadas, cruzes lançadas por terra, comunidades religiosas invadidas, devastadas e destruídas, sacerdotes perseguidos e maltratados. Entretanto, cumpriu-se fielmente a promessa de Nossa Senhora: os padres Lazaristas e as Filhas da Caridade, congregações fundadas por São Vicente de Paulo, atravessaram incólumes esse turbulento período.


Graças abundantes e novas provações


Retornemos àqueles maravilhosos momentos na capela da rue du Bac, na noite de 18 para 19 de julho, quando Santa Catarina, com as mãos apoiadas sobre os joelhos de Nossa Senhora, ouvia a mensagem que Ela lhe trazia do Céu. Dando prosseguimento às suas narrativas, a vidente recorda estas palavras da Mãe de Deus:
- Minha filha, agrada-me derramar minhas graças sobre esta Comunidade em particular. Eu a amo muito. Sofro, porque há grandes abusos e relaxamento na fidelidade à Regra, cujas disposições não são observadas. Dize-o ao teu encarregado. Ele deve fazer tudo o que lhe for possível para recolocar a Regra em vigor. Comunica-lhe, de minha parte, que vigie sobre as más leituras, as perdas de tempo e as visitas.
Retomando um aspecto tristonho, Nossa Senhora acrescentou:
- Grandes calamidades virão. O perigo será imenso. Não temas, Deus e São Vicente protegerão a comunidade. Eu mesma estarei convosco. Tenho sempre velado por vós e vos concederei muitas graças. Momento virá em que pensarão estar tudo perdido. Tende confiança, Eu não vos abandonarei. Conhecereis minha visita e a proteção de Deus e de São Vicente sobre as duas comunidades. Não se dará o mesmo, porém, com outras Congregações. Haverá vítimas (ao dizer isto, a Santíssima Virgem tinha lágrimas nos olhos). Haverá bastante vítimas no clero de Paris... O Arcebispo morrerá. Minha filha, a Cruz será desprezada e derrubada por terra. O sangue correrá. Abrir-se-á de novo o lado de Nosso Senhor. As ruas estarão cheias de sangue. O Arcebispo será despojado de suas vestimentas (aqui a Santíssima Virgem não podia mais falar; o sofrimento estava estampado em sua face). Minha filha, o mundo todo estará na tristeza.
Ouvindo estas palavras, pensei quando isto ocorreria. E compreendi muito bem: quarenta anos.

Nova confirmação: a "Comuna de Paris"



De fato, quatro décadas depois, no fim de 1870, a França e a Alemanha se enfrentaram num sangrento conflito, em que a superioridade de armamentos e de disciplina militar deram às forças germânicas uma fulminante vitória sobre o mal treinado exército francês. Em conseqüência da derrota, novas convulsões político-sociais arrebentaram em Paris, perpetradas por um movimento conhecido sob o nome de "Comuna". Tais desordens deram lugar a outras violentas perseguições religiosas.
Conforme Nossa Senhora previra, foi fuzilado no cárcere o Arcebispo de Paris, Monsenhor Darboy. Pouco depois, os rebeldes assassinaram vinte dominicanos e outros reféns, clérigos e soldados. Entretanto, os Lazaristas e as Filhas da Caridade mais uma vez atravessaram incólumes esse período de terror, exatamente como a Santíssima Virgem prometera a Santa Catarina: "Minha filha, conhecereis minha visita e a proteção de Deus e de São Vicente sobre as duas comunidades. Mas, não se dará o mesmo com outras Congregações."
Enquanto as demais irmãs eram tomadas de pavor em meio aos insultos, injúrias e perseguições dos anarquistas da Comuna, Santa Catarina era a única a não ter medo: "Esperai" - dizia?-?, "a Virgem velará por nós... Não nos acontecerá nenhum mal!" E mesmo quando os desordeiros invadiram o convento das Filhas da Caridade e as expulsaram de lá, a santa vidente não apenas assegurou à Superiora que a própria Santíssima Virgem guardaria a casa intacta, mas previu que todas estariam de volta dentro de um mês, para celebrar a festa da Realeza de Maria. Ao retirar-se, Santa Catarina apanhou a coroa da imagem do jardim e disse a ela: "Eu voltarei para vos coroar no dia 31 de maio".
Estas e outras revelações concernentes à Revolução da Comuna realizaram-se pontualmente, conforme foram anunciadas quarenta anos antes por Nossa Senhora.
Mas, retrocedamos àquela bendita noite de julho de 1830, na capela da rue du Bac. Após o encontro com a Mãe de Deus, Santa Catarina não cabia em si de tanta consolação e alegria. Ela recordaria mais tarde:
Não sei quanto tempo lá permaneci. Tudo o que sei é que, quando Nossa Senhora partiu, tive a impressão de que algo se apagava, e apenas percebi uma espécie de sombra que se dirigia para o lado da galeria, fazendo o mesmo percurso pelo qual Ela havia chegado. Levantei-me dos degraus do altar e vi o menino onde ele havia ficado. Disse-me:
- Ela partiu.
Retomamos o mesmo caminho, de novo todo iluminado, o menino conservando-se à minha esquerda. Creio que era meu Anjo da Guarda, que se tornara visível para me fazer contemplar a Santíssima Virgem, atendendo as insistentes súplicas que eu lhe fizera neste sentido. Ele estava vestido de branco e levava consigo uma luz miraculosa, ou seja, estava resplandecente de luz. Sua idade girava em torno de quatro ou cinco anos.
Retornando a meu leito (eram duas horas da manhã, pois ouvi soar a hora), não consegui mais dormir...


Segunda aparição: a Medalha Milagrosa



Quatro meses transcorreram desde aquela prodigiosa noite em que Santa Catarina contemplara pela primeira vez a Santíssima Virgem. Na inocente alma da religiosa cresciam as saudades daquele bendito encontro e o desejo intenso de que lhe fosse concedido de novo o augusto favor de rever a Mãe de Deus. E foi atendida.
Era 27 de novembro de 1830, sábado. Às cinco e meia da tarde, as Filhas da Caridade encontravam-se reunidas na sua capela da rue du Bac para o costumeiro período de meditação. Reinava perfeito silêncio nas fileiras das freiras e noviças. Como as demais, Catarina se mantinha em profundo recolhimento. De súbito...
Pareceu-me ouvir, do lado da galeria, um ruído como o frufru de um vestido de seda. Tendo olhado para esse lado, vi a Santíssima Virgem à altura do quadro de São José. De estatura média, sua face era tão bela que me seria impossível dizer sua beleza.
A Santíssima Virgem estava de pé, trajando um vestido de seda branco-aurora, feito segundo o modelo que se chama à la Vierge, mangas lisas, com um véu branco que Lhe cobria a cabeça e descia de cada lado até embaixo. Sob o véu, vi os cabelos repartidos ao meio, e por cima uma renda de mais ou menos três centímetros de altura, sem franzido, isto é, apoiada ligeiramente sobre os cabelos. O rosto bastante descoberto, os pés pousados sobre uma meia esfera. Nas mãos, elevadas à altura do estômago de maneira muito natural, Ela trazia uma esfera de ouro que representava o globo terrestre. Seus olhos estavam voltados para o Céu... Seu rosto era de uma incomparável formosura. Eu não saberia descrevê-lo...
De repente, percebi em seus dedos anéis revestidos de belíssimas pedras preciosas, cada uma mais linda que a outra, algumas maiores, outras menores, lançando raios para todos os lados, cada qual mais estupendo que o outro. Das pedras maiores partiam os mais magníficos fulgores, alargando-se à medida que desciam, o que enchia toda a parte inferior do lugar. Eu não via os pés de Nossa Senhora.
Nesse momento, quando eu estava contemplando a Santíssima Virgem, Ela baixou os olhos, fitando-me. E uma voz se fez ouvir no fundo de meu coração, dizendo estas palavras:
- A esfera que vês representa o mundo inteiro, especialmente a França... e cada pessoa em particular...
Não sei exprimir o que senti e o que vi nesse instante: o esplendor e a cintilação de raios tão maravilhosos...
- Estes (raios) são o símbolo das graças que Eu derramo sobre as pessoas que mas pedem - acrescentou Nossa Senhora, fazendo-me compreender quão agradável é rezar a Ela, quanto Ela é generosa para com seus devotos, quantas graças concede às pessoas que Lhas rogam, e que alegria Ela sente ao concedê-las.
- Os anéis dos quais não partem raios (dirá depois a Santíssima Virgem), simbolizam as graças que se esquecem de me pedir.
Nesse momento formou-se um quadro em torno de Nossa Senhora, um pouco oval, no alto do qual estavam as seguintes palavras: "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós", escritas em letras de ouro.Uma voz se fez ouvir então, dizendo-me:
- Fazei cunhar uma medalha conforme este modelo. Todos os que a usarem, trazendo-a ao pescoço, receberão grandes graças. Estas serão abundantes para aqueles que a usarem com confiança...
Nesse instante, o quadro me pareceu girar e vi o reverso da medalha: no centro, o monograma da Santíssima Virgem, composto pela letra "M" encimada por uma cruz, a qual tinha uma barra em sua base. Embaixo figuravam os Corações de Jesus e de Maria, o primeiro coroado de espinhos, e o outro, transpassado por um gládio. Tudo desapareceu como algo que se extingue, e fiquei repleta de bons sentimentos, de alegria e de consolação.




Santa Catarina dirá, mais tarde, a seu Diretor Espiritual ter visto as figuras do verso da medalha contornadas por uma guirlanda de doze estrelas. Tempos depois, pensando se algo mais devia lhes ser acrescentado, ouviu durante a meditação uma voz que dizia:




- O M e os dois corações são suficientes.

Terceira aparição de Nossa Senhora


Passado alguns dias, em dezembro de 1830, Nossa Senhora apareceu pela terceira e última vez a Santa Catarina. Como na visão anterior, Ela veio no período da meditação vespertina, fazendo-se preceder por aquele característico frufru de vestido de seda. Dali a pouco, a vidente contemplava a Rainha do Universo, em seu traje cor da aurora, revestida do véu branco, segurando novamente um globo de ouro encimado por uma pequena cruz. Dos anéis ornados de pedras preciosas jorra, com intensidades diversas, a mesma luz, radiosa como a do sol. Contou depois Santa Catarina:
É impossível exprimir o que senti e compreendi no momento em que a Santíssima Virgem oferecia o Globo a Nosso Senhor. Como estava com a atenção voltada em contemplar a Santíssima Virgem, uma voz se fez ouvir no fundo de meu coração: Estes raios são símbolo das graças que a Santíssima Virgem obtém para as pessoas que Lhas pedem. Estava eu cheia de bons sentimentos, quando tudo desapareceu como algo que se apaga. E fiquei repleta de alegria e consolação...



A cunhagem das primeiras medalhas


Encerrava-se assim o ciclo das aparições da Santíssima Virgem a Santa Catarina. Esta, entretanto, recebeu uma consoladora mensagem: "Minha filha, doravante não mais me verás, porém ouvirás minha voz durante tuas orações". Tudo quanto presenciara e lhe fora transmitido, Santa Catarina relatou ao seu diretor espiritual, o Padre Aladel, que muito hesitou em lhe dar crédito. Ele considerava uma sonhadora, visionária e alucinada essa noviça que tudo lhe confiava e insistentemente implorava:
- Nossa Senhora quer isto... Nossa Senhora está descontente... é preciso cunhar a medalha!
Dois anos de tormento se passaram. Por fim, o Padre Aladel resolve consultar o Arcebispo de Paris, Dom Quelen, que o encoraja a levar adiante esse santo empreendimento. Só então encomenda à Casa Vachette as primeiras vinte mil medalhas. A cunhagem já ia começar, quando uma epidemia de cólera, vinda da Rússia através da Polônia, irrompeu em Paris em 26 de março de 1832, espalhando a morte e a calamidade. A devastação foi tal que, num único dia, registraram-se 861 vítimas fatais, sendo que o total de óbitos elevou-se a mais de vinte mil.
As descrições da época são aterradoras: o corpo de um homem em perfeitas condições de saúde reduzia-se ao estado de esqueleto em apenas quatro ou cinco horas. Quase num piscar de olhos, jovens cheios de vida tomavam o aspecto de velhos carcomidos, e logo depois não eram senão horripilantes cadáveres.
Nos últimos dias de maio, quando a epidemia pareceu recuar, iniciou-se de fato a cunhagem das medalhas. Todavia, na segunda quinzena de junho, novo surto da tremenda enfermidade lançava uma vez mais o pânico entre o povo.



Finalmente, a Casa Vachette entregou no dia 30 desse mês as primeiras 1500 medalhas, que logo foram distribuídas pelas Filhas da Caridade e abriram um interminável cortejo de graças e milagres.


Conversão do jovem Ratisbonne



Os prodígios da misericórdia divina operados através da Medalha correram de boca em boca por toda a França. Em poucos anos, já se difundia pelo mundo inteiro a notícia de que Nossa Senhora havia indicado pessoalmente a uma freira, Filha da Caridade, o modelo de uma medalha que mereceu imediatamente o nome de "Milagrosa", pois imensos e copiosos eram os favores celestiais alcançados pelos que a usavam com confiança, segundo a promessa da Santíssima Virgem.
Em 1839, mais de dez milhões de medalhas já circulavam pelos cinco continentes, e os registros de milagres chegavam de todos os lados: Estados Unidos, Polônia, China, Etiópia...
Nenhum, porém, causou tanta surpresa e admiração quanto o noticiado pela imprensa em 1842: um jovem banqueiro, aparentado com a riquíssima família Rotschild, judeu de raça e religião, indo a Roma com olhos críticos em relação à Fé Católica, converteu-se subitamente na Igreja de Santo André delle Fratte. A Santíssima Virgem lhe aparecera com as mesmas características da Medalha Milagrosa: "Ela nada disse, mas eu compreendi tudo", declarou Afonso Tobias Ratisbonne, que logo rompeu um promissor noivado e se tornou, no mesmo ano, noviço jesuíta. Mais tarde se ordenou sacerdote e prestou relevantes serviços à Santa Igreja, sob o nome de Padre Afonso Maria Ratisbonne.
Quatro dias antes de sua feliz conversão, o jovem israelita aceitara, por bravata, a imposição de seu amigo, o Barão de Bussières: prometera rezar todo dia um Lembrai-vos (conhecida oração composta por São Bernardo) e levar ao pescoço uma Medalha Milagrosa. E ele a trazia consigo quando Nossa Senhora lhe apareceu...
Essa espetacular conversão comoveu toda a aristocracia européia e teve repercussão mundial, tornando ainda mais conhecida, procurada e venerada a Medalha Milagrosa. Entretanto, ninguém - nem a Superiora da rue du Bac e nem mesmo o Papa - sabia quem era a religiosa escolhida por Nossa Senhora para canal de tantas graças. Ninguém... exceto o Padre Aladel, que envolvia tudo no anonimato. Por humildade, Santa Catarina Labouré manteve durante toda a vida uma absoluta discrição, jamais deixando transparecer o celeste privilégio com que fora contemplada.


Para ela importava apenas a difusão da medalha: era sua missão... e estava cumprida!

A figura de Nossa Senhora na Medalha


A propósito da figura de Nossa Senhora, com as mãos e os braços estendidos, tal como aparece na Medalha Milagrosa, levanta-se uma delicada e controvertida questão.
Dos manuscritos de Santa Catarina pode-se inferir que Nossa Senhora lhe apareceu três vezes, duas das quais oferecendo o globo a Nosso Senhor. Em nenhum desses numerosos autógrafos há qualquer menção ao momento em que a Mãe de Deus teria estendido seus braços e suas virginalíssimas mãos, como se vê na Medalha Milagrosa e nos primeiros quadros representativos das aparições.
Essa divergência entre as descrições de Santa Catarina e a representação da Medalha Milagrosa foi logo apontada pelo biógrafo da vidente, Monsenhor Chevalier, ao declarar em 1896 no processo de beatificação: "Não chego a compreender por que o Padre Aladel suprimiu o globo que a Serva de Deus sempre afirmou a mim ter visto nas mãos da Santíssima Virgem. Sou levado a crer que ele agiu assim para simplificar a medalha".
Porém, se lamentável é esta "simplificação" feita pelo Padre Aladel, ela não deve causar a menor perturbação. Sobre a Medalha Milagrosa, tal qual é conhecida e venerada hoje no mundo inteiro, pousaram as bênçãos da Santíssima Virgem. É o que, indubitavelmente, se deduz das incontáveis e insignes graças, dos fulgurantes e inúmeros milagres que tem ocasionado, bem como da reação de Santa Catarina ao receber as primeiras medalhas cunhadas pela Casa Vachette, dois anos depois das aparições: "Agora é preciso propagá-la!", exclamou ela.
Ainda acerca do globo que não figura na Medalha, uma decisiva confidência afasta qualquer dúvida. Em 1876, pouco antes de falecer, sendo interrogada pela sua Superiora, Madre Joana Dufès, Santa Catarina respondeu categoricamente:- Oh! Não se deve tocar na Medalha Milagrosa!



A glorificação de Catarina


Durante 46 anos de uma vida toda interior e escrupulosamente recolhida, Santa Catarina permaneceu fiel a seu anonimato. Miraculoso silêncio! Seis meses antes de seu fim, impossibilitada de ver seu confessor, recebeu do Céu a autorização - quiçá a exigência - de revelar à sua Superiora quem era a freira honrada pela Santíssima Virgem por um ato de confiança sem igual.
Diante da idosa e já claudicante irmã, em relação à qual havia sido por vezes severa, a Superiora se ajoelhou e se humilhou. Tanta simplicidade na grandeza confundia sua soberba.
Santa Catarina faleceu docemente em 31 de dezembro de 1876, sendo enterrada três dias depois numa sepultura cavada na capela da rue du Bac. Passadas quase seis décadas, em 21 de março de 1933, seu corpo exumado apareceu incorrupto à vista dos assistentes. Um médico ergueu as pálpebras da santa e recuou, reprimindo a custo um grito de espanto: os magníficos olhos azuis que contemplaram a Santíssima Virgem pareciam ainda, após 56 anos de túmulo, palpitantes de vida.



A Igreja elevou Santa Catarina Labouré à honra dos altares em 27 de julho de 1947. Aos tesouros de graças e misericórdias espargidos pela Medalha Milagrosa em todo o mundo, iam se acrescentar doravante as benevolências e favores obtidos pela intercessão daquela que vivera na sombra, escondida com Jesus e Maria.
Hoje, qualquer fiel pode venerar o corpo incorrupto da santa, exposto na Casa das Filhas da Caridade, em Paris. Antigamente ali, nas horas de oração e recolhimento, o balouçar das alvas coifas das religiosas ajoelhadas em fileiras diante do altar, lembrava um disciplinado vôo de pombos brancos...


OBRAS CONSULTADAS:
Mémorial des Apparitions de la Vierge dans l'Église, Fr. H. Maréchal, O. P., Éditions du Cerf, Paris, 1957.L'itinéraire de la Vierge Marie, Pierre Molaine, Éditions Corrêa, Paris, 1953.Vie authentique de Catherine Labouré, René Laurentin, Desclée De Brouwer, Paris, 1980.Catherine Labouré, sa vie, ses apparitions, son message racontée a tous, René Laurentin, Desclée De Brouwer, 1981.



Fonte: Arautos do Evangelho

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O chamado à santidade no casamento







Encontro destaca o casal de beatos Luigi e Maria Beltrame Quattrocchi



Por Salvatore Cernuzio



ROMA,





- "Quando um homem e uma mulher se tornam um só no matrimônio, eles deixam de ser vistos como criaturas terrestres: tornam-se a própria imagem de Deus". Nunca houve uma personificação mais plástica destas palavras de São João Crisóstomo do que os cônjuges Luigi e Maria Beltrame Quattrocchi, o primeiro casal beatificado na história da Igreja.
Beatos não “apesar do casamento”, mas precisamente por causa dele. O casal não foi elevado aos altares por ter fundado alguma congregação missionária, mas simplesmente porque viveu o casamento como um caminho concreto para a santidade e para Deus.
A data de celebração do casal beato na diocese de Roma é 25 de novembro, aniversário do casamento celebrado em Santa Maria Maggiore em 1905. Em fevereiro de 1994, foi iniciada no Tribunal para a Causa dos Santos do Vicariato de Roma a causa da canonização. João Paulo II beatificou-os em 21 de outubro de 2011, no vigésimo aniversário da Familiaris Consortio.
Justo nos dias em que o Vaticano realiza a Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para a Família, que aborda o trigésimo aniversário da fundação do dicastério, foi realizada no Capitólio romano, neste 25 de novembro, a conferência Cidadãos autênticos: nos passos de Maria e Luigi.
O encontro, dez anos após a beatificação do casal, procurou chamar a atenção para um aspecto que vai além do cristão e educativo: o ético e civil, enfatizando a contribuição que Luigi e Maria deram à cidade de Roma e a toda a Itália como "cidadãos autênticos".
“Quando falam dos meus pais, as pessoas sempre falam de casamento, família, educação dos filhos”, disse Enrichetta Beltrame Quattrocchi, quarta e última filha do casal, convidada especial da conferência. “Mas nunca falam da vida deles como cidadãos, que foi intensa".“Por isso nós optamos pela Capitólio”, continuou Enrichetta, incansável aos 97 anos de idade. “Porque é um lugar de profundo valor institucional e de vínculo significativo com os cidadãos, mas principalmente porque eu me comovi quando o papa Bento XVI, em 9 de março de 2009, na hora de saudar os romanos destacando as glórias de Roma, nomeou os santos que trabalharam por esta cidade e, entre eles, os meus pais”.
Entre os muitos e ilustres convidados do encontro, estão Dom Luciano Suriani, delegado das Representações Pontifícias; Dom Paolo Mancini, vigário para a pastoral familiar da diocese de Roma; Marco Pomarici, presidente da Assembleia Capitolina; Salvatore Martinez, presidente da Renovação Carismática italiana; Maria Voce-Emmaus, presidente do movimento dos Focolares, e muitos outros.
“Maria e Luigi foram exemplos vivos de como a vida cotidiana pode concretizar o chamado à santidade, que é a medida da vida cristã diária”, disse Dom Suriani . “Cinquenta anos atrás, o Concílio Vaticano II lançou um apelo à santidade da família e ele se realizou graças aos dois beatos. Precisamos que todas as famílias do nosso tempo, a exemplo deles, também se tornem pequenas igrejas, verdadeiras escolas de oração”.
É uma missão que os Beltrame realizaram plenamente como esposos e pais, como fica demonstrado pelo fato de que os quatro filhos, ao crescerem, sentiram o chamado de Deus à vida religiosa: Filippo (Don Tarcisio) é padre diocesano; Stefania (irmã Maria Cecilia) é freira beneditina; Cesare (padre Paolino) é monge trapista, e Enrichetta, a caçula, é leiga consagrada.
Mas também é uma missão que se concretizou no engajamento civil, no respeito pela democracia, pelas instituições, pela cidade, no próprio trabalho (Luigi era advogado e Maria era escritora e enfermeira) em benefício da sociedade, particularmente dos pobres, doentes e aflitos.
Antonio Conte, presidente da Ordem dos Advogados de Roma, falou precisamente sobre isto: "Luigi Beltrame Quattrocchi nos oferece uma imagem do advogado, talvez menos comum hoje em dia, mas essencial para a compreensão da função de quem é ad-vocatus, ‘chamado com’, ‘chamado junto de’, para aqueles que precisam de assistência. Esta belíssima profissão se transforma em serviço puro, humanidade, santidade para a Igreja, se for acompanhada de um inclinar-se diante do homem para compartilhar, para carregar os fardos juntos com os oprimidos, para alegrar-se com aqueles que estão em festa. Ser ‘humano’ desta forma é algo que torna o advogado uma pessoa que tem uma missão na sociedade civil. Eu diria que esses elementos fizeram do advogado Beltrame Quattrocchi uma pessoa que realmente viveu o carisma da sua profissão, infundindo a alma cristã na atividade que realizava".
Também foi apresentada durante o encontro a Associação A.Mar.Lui, nascida por desejo da filha Enrichetta e presidida por Attilio Danise e Giulia Paola di Nicola, voltada principalmente aos cônjuges e namorados, mas aberta a todos: solteiros, sacerdotes, religiosos e todos aqueles "que desejem alimentar um espírito de família na Igreja e na sociedade, estar perto das famílias e das suas necessidades", como explicaram os presidentes.
Para selar o dia cheio de memórias e de emoções, foi oferecido o recital Uma auréola para dois, dedicado à vida dos beatos, na Domus Mariae de Roma, reunindo na mesma noite todos os participantes do encontro, inclusive famílias de diversas regiões italianas, membros da A.mar.Lui. e dos Focolares, assim como os participantes da reunião da CEI (Conferência Episcopal Italiana) sobre os 30 anos da Familiaris Consortio





Fonte: ZENIT.org