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NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

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CAPELA DE NOSSA SENHORA DA MEDALHA MILAGROSA

Uma Capela cheia de segredos !Você quer descobri-la conosco? Saiba, antes de tudo, que a Casa Mãe da Companhia das Filhas da Caridade era o antigo "Hotel de Châtillon". Este, foi concedido à Companhia, em 1813, por Napoleão Bonaparte, depois da tormenta da Revolução Francesa. Imediatamente, começa a construção da Capela.A 8 de agosto de 1813, realizou-se a bênção solene da Capela dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. Em 1830, aconteceram então as aparições. Aumentou o numero de vocações.Foi necessário transformar a Capela, que passa então por várias modificações. Em 1930, por ocasião do centenário das apariçes, uma nova reforma nos mostra a Capela tal como a vemos hoje.Agora, a você a oportunidade de visitá-la!
http://www.chapellenotredamedelamedaillemiraculeuse.com

Visita a Capela da Medalha Milagrosa, localizada na Rue du Bac, 140 - Paris

Visita a Capela da Medalha Milagrosa, localizada na Rue du Bac, 140 - Paris
Clique sobre a foto para a visita guiada em 15 etapas

domingo, 27 de novembro de 2011

NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS E A MEDALHA MILAGROSA

A Medalha Milagrosa foi cunhada e espalhou-se com maravilhosa rapidez pelo mundo inteiro,e em toda parte foi instrumento de misericórdia, arma terrível contra o demônio,remédio para muitos males, meio simples e prodigioso deconversão e de santificação.



















Visite o site da Capela Milagrosa: http://www.chapellenotredamedelamedaillemiraculeuse.com/PT/b1_Um_encontro.asp




Colunas de mármore, impecavelmente brancas, destacam a alvura do ambiente, iluminado pelos raios do sol que penetram pelas amplas janelas. A idéia de uma pureza imaculada, aliada a uma sensação de densa unção sobrenatural domina até hoje a capela da Congregação das Filhas da Caridade (mais conhecidas no Brasil como Irmãs Vicentinas), na Rue du Bac, em Paris, 170 anos depois de ela haver abrigado a mais augusta visitante que se possa imaginar: a própria Mãe de Deus. E ainda agora, reinando sobre esse ambiente abençoado, uma alva imagem de Nossa Senhora, coroada como Rainha, espargindo raios de suas mãos, parece ainda dizer a quem a contempla: "Venha ao pé deste altar. Aqui serão derramadas graças sobre todos os que as pedirem".

Ainda se encontra na Capela a cadeira na qual Nossa Senhora sentou-se, para conversar longamente com a humilde religiosa do convento. E quem é esta? A resposta está sob um altar lateral, onde se vê um esquife de vidro, dentro do qual jaz uma freira miúda, tão serena que parece adormecida. É Santa Catarina Labouré que, em 1830, recebeu da Santíssima Virgem a mensagem sobre a Medalha Milagrosa.
Foi essa humilde irmã de caridade o instrumento escolhido por Deus para impulsionar em todo o mundo a devoção a Maria, por meio dessa medalha que, de fato, fez jus ao nome de "milagrosa".
O relato do que então acontecera é desenvolvido ao longo destas páginas por MonsenhorJoão Scognamiglio Clá Dias, EP com seu conhecido talento de narrador e mais ainda com sua fervorosa piedade marial e desejo de evangelizar o maior número possível de pessoas.
A história dessa santinha francesa e de seus encontros - pois foram vários - com Nossa Senhora, narração de uma encantadora simplicidade, de uma candura virginal e de um celestial esplendor, não poderá deixar de nos maravilhar e atrair, despertando em nós o desejo de maior devoção a Maria, o meio mais seguro de chegarmos a Jesus Cristo, Nosso Senhor.


Santa Catarina Labouré


Ela se chamava Catarina, ou Zoé, para os mais íntimos. Sua maior alegria era levar a ração diária para a multidão de pombos que habitava a torre quadrada do pombal de sua casa. Ao avistarem a camponesinha, as aves se lançavam em direção a ela, envolvendo-a, submergindo-a, parecendo querer arrebatá-la e arrastá-la para as alturas. Cativa daquela palpitante nuvem, Catarina ria, defendendo-se contra as mais afoitas, acariciando as mais ternas, deixando sua mão deslizar pela brancura daquelas macias penugens. Durante toda a vida, guardará nostalgia dos pombos de sua infância: "Eram quase 800 cabeças", costumava dizer, não sem uma pontinha de tímido orgulho...
Catarina Labouré (pronuncia-se "Laburrê") veio ao mundo em 1806, na província francesa da Borgonha, sob o céu de Fain-les-Moutiers, onde seu pai possuía uma fazenda e outros bens. Aos nove anos perdeu a mãe, uma distinta senhora pertencente à pequena burguesia local, de espírito cultivado e alma nobre, e de um heroísmo doméstico exemplar. Abalada pelo rude golpe, desfeita em lágrimas, Catarina abraça uma imagem da Santíssima Virgem e exclama: "De agora em diante, Vós sereis minha mãe!"
Nossa Senhora não decepcionará a menina que se entregava a Ela com tanta devoção e confiança. A partir de então, adotou-a como filha dileta, alcançando-lhe graças superabundantes que só fizeram crescer sua alma inocente e generosa. Essa encantadora guardiã de pombos, em cujos límpidos olhos azuis se estampavam a saúde, alegria e vida, assim como a gravidade e sensatez advindas das responsabilidades que cedo pesaram sobre seus jovens ombros, essa pequena dona-de-casa modelo (e ainda iletrada) teve seus horizontes interiores abertos para a contemplação e a ascese, conducentes a uma hora de suprema


Com as Filhas de São Vicente de Paulo


Certa vez, um sonho deixou Catarina intrigada. Na igreja de Fain-les-Moutiers, ela vê um velho e desconhecido sacerdote celebrando a Missa, cujo olhar a impressiona profundamente. Encerrado o Santo Sacrifício, ele faz um sinal para que Catarina se aproxime. Temerosa, ela se afasta, sempre fascinada por aquele olhar. Ainda em sonho, sai para visitar um pobre doente, e reencontra o mesmo sacerdote, que desta vez lhe diz: "Minha filha, tu agora me foges... mas um dia serás feliz em vir até mim. Deus tem desígnios sobre ti. Não te esqueças disso". Ao despertar, Catarina repassa em sua mente aquele sonho, sem o compreender...
Algum tempo depois, já com 18 anos, uma imensa surpresa! Ao entrar no parlatório de um convento em Châtillon-sur-Seine, ela depara com um quadro no qual está retratado precisamente aquele ancião de penetrante olhar: é São Vicente de Paulo, Fundador da congregação das Filhas da Caridade, que assim confirma e indica a vocação religiosa de Catarina.
Com efeito, aos 23 anos, vencendo todas as tentativas do pai para afastá-la do caminho que o Senhor lhe traçara, abandona para sempre um mundo que não estava à sua altura, e entra como postulante naquele mesmo convento de Chântillon-sur-Seine. Três meses depois, em 21 de abril de 1830, é aceita no noviciado das Filhas da Caridade, situado na rue du Bac*, em Paris, onde tomará o hábito em janeiro do ano seguinte.


Primeira aparição de Nossa Senhora


Desde a sua entrada no convento da rue du Bac, Catarina Labouré foi favorecida por numerosas visões: o Coração de São Vicente, Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento, o Cristo Rei e a Santíssima Virgem. Apesar da importância das outras aparições, devemos nos deter nas da Rainha Celestial. A primeira teve lugar na noite de 18 para 19 de julho de 1830, data em que as Filhas da Caridade celebram a festa de seu santo Fundador. De tudo quanto então sucedeu, deixou Catarina minuciosa descrição:
A Madre Marta nos falara sobre a devoção aos santos, em particular sobre a devoção à Santíssima Virgem - o que me deu desejo de vê-La - e me deitei com esse pensamento: que nessa noite mesmo, eu veria minha Boa Mãe. Como nos haviam distribuído um pedaço do roquete de linho de Sã Vicente, cortei a metade e a engoli, adormecendo com o pensamento de que São Vicente me obteria a graça de contemplar a Santíssima Virgem. Enfim, às onze e meia da noite, ouvi alguém me chamar:
- Irmã Labouré! Irmã Labouré!
Acordando, abri a cortina e vi um menino de quatro a cinco anos, vestido de branco, que me disse:
- Levantai-vos depressa e vinde à Capela! A Santíssima Virgem vos espera.
Logo me veio o pensamento de que as outras irmãs iam me ouvir. Mas, o menino me disse:
- Ficai tranqüila, são onze e meia; todas estão profundamente adormecidas. Vinde, eu vos espero.
Vesti-me depressa e me dirigi para o lado do menino, que permanecera de pé sem se afastar da cabeceira de meu leito. Eu o segui. Sempre à minha esquerda, ele lançava raios de claridade por todos os lugares onde passávamos, nos quais os candeeiros estavam acesos, o que muito me espantava. Porém, muito mais surpresa fiquei ao entrar na capela: logo que o menino tocou a porta com a ponta do dedo, ela se abriu. E meu espanto foi ainda mais completo quando vi todas as velas e castiçais acesos, o que me recordava a missa de meia-noite. Entretanto, eu não via a Santíssima Virgem.
O menino me conduziu para dentro do santuário, até o lado da cadeira do diretor espiritual*. Ali me ajoelhei, enquanto o menino continuou de pé. Como o tempo de espera estava me parecendo longo, olhei para a galeria para ver se as irmãs encarregadas da vigília noturna não passavam por ali.
Por fim, chegou o momento. O menino me alertou, dizendo:
- Eis a Santíssima Virgem! Ei-La!
Nesse instante, Catarina ouve um ruído, como o frufru de um vestido de seda, vindo do alto da galeria. Levanta os olhos e vê uma senhora com um traje cor de marfim, que se prosterna diante do altar e vem se sentar na cadeira do Padre Diretor.
A vidente estava na dúvida se Aquela era Nossa Senhora. O menino, então, não mais com timbre infantil, mas com voz de homem e em tom autoritário, disse:
- Eis a Santíssima Virgem!
A Irmã Catarina recordaria depois:
Dei um salto para junto d'Ela, ajoelhando-me ao pé do altar, com as mãos apoiadas nos joelhos de Nossa Senhora... Ali se passou o momento mais doce de minha vida. Ser-me-ia impossível exprimir tudo quanto senti.
Ela disse como me devo conduzir face a meu diretor espiritual, como me comportar em meus sofrimentos vindouros, mostrando-me com a mão esquerda o pé do altar, onde eu devo vir me lançar e expandir meu coração. Lá receberei todas as consolações de que necessito. Eu Lhe perguntei o que significavam todas as coisas que vira e Ela me explicou tudo:
- Minha filha, Deus quer te encarregar de uma missão. Terás muito que sofrer, porém hás de suportar, pensando que o farás para a glória de Deus. Saberás (discernir) o que é de Deus. Serás atormentada, até pelo que disseres a quem está encarregado de te dirigir. Serás contraditada, mas terás a graça. Não temas. Dize tudo com confiança e simplicidade. Serás inspirada em tuas orações. O tempo atual é muito ruim. Calamidades vão se abater sobre a França. O trono será derrubado. O mundo inteiro se verá transtornado por males de todo tipo (a Santíssima Virgem tinha um ar muito entristecido ao dizer isso). Mas venham ao pé deste altar: aí as graças serão derramadas sobre todas as pessoas, grandes e pequenas, particularmente sobre aquelas que as pedirem com confiança e fervor. O perigo será grande, porém não deves temer: Deus e São Vicente protegerão esta Comunidade.


Os fatos confirmam a aparição


Uma semana depois dessa bendita noite, explodia nas ruas de Paris a revolução de 1830, confirmando a profecia contida na visão de Santa Catarina. Desordens sociais e políticas derrubaram o rei Carlos X, e por toda a parte se verificaram manifestações de um anti-clericalismo violento e incontrolável: igrejas profanadas, cruzes lançadas por terra, comunidades religiosas invadidas, devastadas e destruídas, sacerdotes perseguidos e maltratados. Entretanto, cumpriu-se fielmente a promessa de Nossa Senhora: os padres Lazaristas e as Filhas da Caridade, congregações fundadas por São Vicente de Paulo, atravessaram incólumes esse turbulento período.


Graças abundantes e novas provações


Retornemos àqueles maravilhosos momentos na capela da rue du Bac, na noite de 18 para 19 de julho, quando Santa Catarina, com as mãos apoiadas sobre os joelhos de Nossa Senhora, ouvia a mensagem que Ela lhe trazia do Céu. Dando prosseguimento às suas narrativas, a vidente recorda estas palavras da Mãe de Deus:
- Minha filha, agrada-me derramar minhas graças sobre esta Comunidade em particular. Eu a amo muito. Sofro, porque há grandes abusos e relaxamento na fidelidade à Regra, cujas disposições não são observadas. Dize-o ao teu encarregado. Ele deve fazer tudo o que lhe for possível para recolocar a Regra em vigor. Comunica-lhe, de minha parte, que vigie sobre as más leituras, as perdas de tempo e as visitas.
Retomando um aspecto tristonho, Nossa Senhora acrescentou:
- Grandes calamidades virão. O perigo será imenso. Não temas, Deus e São Vicente protegerão a comunidade. Eu mesma estarei convosco. Tenho sempre velado por vós e vos concederei muitas graças. Momento virá em que pensarão estar tudo perdido. Tende confiança, Eu não vos abandonarei. Conhecereis minha visita e a proteção de Deus e de São Vicente sobre as duas comunidades. Não se dará o mesmo, porém, com outras Congregações. Haverá vítimas (ao dizer isto, a Santíssima Virgem tinha lágrimas nos olhos). Haverá bastante vítimas no clero de Paris... O Arcebispo morrerá. Minha filha, a Cruz será desprezada e derrubada por terra. O sangue correrá. Abrir-se-á de novo o lado de Nosso Senhor. As ruas estarão cheias de sangue. O Arcebispo será despojado de suas vestimentas (aqui a Santíssima Virgem não podia mais falar; o sofrimento estava estampado em sua face). Minha filha, o mundo todo estará na tristeza.
Ouvindo estas palavras, pensei quando isto ocorreria. E compreendi muito bem: quarenta anos.

Nova confirmação: a "Comuna de Paris"



De fato, quatro décadas depois, no fim de 1870, a França e a Alemanha se enfrentaram num sangrento conflito, em que a superioridade de armamentos e de disciplina militar deram às forças germânicas uma fulminante vitória sobre o mal treinado exército francês. Em conseqüência da derrota, novas convulsões político-sociais arrebentaram em Paris, perpetradas por um movimento conhecido sob o nome de "Comuna". Tais desordens deram lugar a outras violentas perseguições religiosas.
Conforme Nossa Senhora previra, foi fuzilado no cárcere o Arcebispo de Paris, Monsenhor Darboy. Pouco depois, os rebeldes assassinaram vinte dominicanos e outros reféns, clérigos e soldados. Entretanto, os Lazaristas e as Filhas da Caridade mais uma vez atravessaram incólumes esse período de terror, exatamente como a Santíssima Virgem prometera a Santa Catarina: "Minha filha, conhecereis minha visita e a proteção de Deus e de São Vicente sobre as duas comunidades. Mas, não se dará o mesmo com outras Congregações."
Enquanto as demais irmãs eram tomadas de pavor em meio aos insultos, injúrias e perseguições dos anarquistas da Comuna, Santa Catarina era a única a não ter medo: "Esperai" - dizia?-?, "a Virgem velará por nós... Não nos acontecerá nenhum mal!" E mesmo quando os desordeiros invadiram o convento das Filhas da Caridade e as expulsaram de lá, a santa vidente não apenas assegurou à Superiora que a própria Santíssima Virgem guardaria a casa intacta, mas previu que todas estariam de volta dentro de um mês, para celebrar a festa da Realeza de Maria. Ao retirar-se, Santa Catarina apanhou a coroa da imagem do jardim e disse a ela: "Eu voltarei para vos coroar no dia 31 de maio".
Estas e outras revelações concernentes à Revolução da Comuna realizaram-se pontualmente, conforme foram anunciadas quarenta anos antes por Nossa Senhora.
Mas, retrocedamos àquela bendita noite de julho de 1830, na capela da rue du Bac. Após o encontro com a Mãe de Deus, Santa Catarina não cabia em si de tanta consolação e alegria. Ela recordaria mais tarde:
Não sei quanto tempo lá permaneci. Tudo o que sei é que, quando Nossa Senhora partiu, tive a impressão de que algo se apagava, e apenas percebi uma espécie de sombra que se dirigia para o lado da galeria, fazendo o mesmo percurso pelo qual Ela havia chegado. Levantei-me dos degraus do altar e vi o menino onde ele havia ficado. Disse-me:
- Ela partiu.
Retomamos o mesmo caminho, de novo todo iluminado, o menino conservando-se à minha esquerda. Creio que era meu Anjo da Guarda, que se tornara visível para me fazer contemplar a Santíssima Virgem, atendendo as insistentes súplicas que eu lhe fizera neste sentido. Ele estava vestido de branco e levava consigo uma luz miraculosa, ou seja, estava resplandecente de luz. Sua idade girava em torno de quatro ou cinco anos.
Retornando a meu leito (eram duas horas da manhã, pois ouvi soar a hora), não consegui mais dormir...


Segunda aparição: a Medalha Milagrosa



Quatro meses transcorreram desde aquela prodigiosa noite em que Santa Catarina contemplara pela primeira vez a Santíssima Virgem. Na inocente alma da religiosa cresciam as saudades daquele bendito encontro e o desejo intenso de que lhe fosse concedido de novo o augusto favor de rever a Mãe de Deus. E foi atendida.
Era 27 de novembro de 1830, sábado. Às cinco e meia da tarde, as Filhas da Caridade encontravam-se reunidas na sua capela da rue du Bac para o costumeiro período de meditação. Reinava perfeito silêncio nas fileiras das freiras e noviças. Como as demais, Catarina se mantinha em profundo recolhimento. De súbito...
Pareceu-me ouvir, do lado da galeria, um ruído como o frufru de um vestido de seda. Tendo olhado para esse lado, vi a Santíssima Virgem à altura do quadro de São José. De estatura média, sua face era tão bela que me seria impossível dizer sua beleza.
A Santíssima Virgem estava de pé, trajando um vestido de seda branco-aurora, feito segundo o modelo que se chama à la Vierge, mangas lisas, com um véu branco que Lhe cobria a cabeça e descia de cada lado até embaixo. Sob o véu, vi os cabelos repartidos ao meio, e por cima uma renda de mais ou menos três centímetros de altura, sem franzido, isto é, apoiada ligeiramente sobre os cabelos. O rosto bastante descoberto, os pés pousados sobre uma meia esfera. Nas mãos, elevadas à altura do estômago de maneira muito natural, Ela trazia uma esfera de ouro que representava o globo terrestre. Seus olhos estavam voltados para o Céu... Seu rosto era de uma incomparável formosura. Eu não saberia descrevê-lo...
De repente, percebi em seus dedos anéis revestidos de belíssimas pedras preciosas, cada uma mais linda que a outra, algumas maiores, outras menores, lançando raios para todos os lados, cada qual mais estupendo que o outro. Das pedras maiores partiam os mais magníficos fulgores, alargando-se à medida que desciam, o que enchia toda a parte inferior do lugar. Eu não via os pés de Nossa Senhora.
Nesse momento, quando eu estava contemplando a Santíssima Virgem, Ela baixou os olhos, fitando-me. E uma voz se fez ouvir no fundo de meu coração, dizendo estas palavras:
- A esfera que vês representa o mundo inteiro, especialmente a França... e cada pessoa em particular...
Não sei exprimir o que senti e o que vi nesse instante: o esplendor e a cintilação de raios tão maravilhosos...
- Estes (raios) são o símbolo das graças que Eu derramo sobre as pessoas que mas pedem - acrescentou Nossa Senhora, fazendo-me compreender quão agradável é rezar a Ela, quanto Ela é generosa para com seus devotos, quantas graças concede às pessoas que Lhas rogam, e que alegria Ela sente ao concedê-las.
- Os anéis dos quais não partem raios (dirá depois a Santíssima Virgem), simbolizam as graças que se esquecem de me pedir.
Nesse momento formou-se um quadro em torno de Nossa Senhora, um pouco oval, no alto do qual estavam as seguintes palavras: "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós", escritas em letras de ouro.Uma voz se fez ouvir então, dizendo-me:
- Fazei cunhar uma medalha conforme este modelo. Todos os que a usarem, trazendo-a ao pescoço, receberão grandes graças. Estas serão abundantes para aqueles que a usarem com confiança...
Nesse instante, o quadro me pareceu girar e vi o reverso da medalha: no centro, o monograma da Santíssima Virgem, composto pela letra "M" encimada por uma cruz, a qual tinha uma barra em sua base. Embaixo figuravam os Corações de Jesus e de Maria, o primeiro coroado de espinhos, e o outro, transpassado por um gládio. Tudo desapareceu como algo que se extingue, e fiquei repleta de bons sentimentos, de alegria e de consolação.




Santa Catarina dirá, mais tarde, a seu Diretor Espiritual ter visto as figuras do verso da medalha contornadas por uma guirlanda de doze estrelas. Tempos depois, pensando se algo mais devia lhes ser acrescentado, ouviu durante a meditação uma voz que dizia:




- O M e os dois corações são suficientes.

Terceira aparição de Nossa Senhora


Passado alguns dias, em dezembro de 1830, Nossa Senhora apareceu pela terceira e última vez a Santa Catarina. Como na visão anterior, Ela veio no período da meditação vespertina, fazendo-se preceder por aquele característico frufru de vestido de seda. Dali a pouco, a vidente contemplava a Rainha do Universo, em seu traje cor da aurora, revestida do véu branco, segurando novamente um globo de ouro encimado por uma pequena cruz. Dos anéis ornados de pedras preciosas jorra, com intensidades diversas, a mesma luz, radiosa como a do sol. Contou depois Santa Catarina:
É impossível exprimir o que senti e compreendi no momento em que a Santíssima Virgem oferecia o Globo a Nosso Senhor. Como estava com a atenção voltada em contemplar a Santíssima Virgem, uma voz se fez ouvir no fundo de meu coração: Estes raios são símbolo das graças que a Santíssima Virgem obtém para as pessoas que Lhas pedem. Estava eu cheia de bons sentimentos, quando tudo desapareceu como algo que se apaga. E fiquei repleta de alegria e consolação...



A cunhagem das primeiras medalhas


Encerrava-se assim o ciclo das aparições da Santíssima Virgem a Santa Catarina. Esta, entretanto, recebeu uma consoladora mensagem: "Minha filha, doravante não mais me verás, porém ouvirás minha voz durante tuas orações". Tudo quanto presenciara e lhe fora transmitido, Santa Catarina relatou ao seu diretor espiritual, o Padre Aladel, que muito hesitou em lhe dar crédito. Ele considerava uma sonhadora, visionária e alucinada essa noviça que tudo lhe confiava e insistentemente implorava:
- Nossa Senhora quer isto... Nossa Senhora está descontente... é preciso cunhar a medalha!
Dois anos de tormento se passaram. Por fim, o Padre Aladel resolve consultar o Arcebispo de Paris, Dom Quelen, que o encoraja a levar adiante esse santo empreendimento. Só então encomenda à Casa Vachette as primeiras vinte mil medalhas. A cunhagem já ia começar, quando uma epidemia de cólera, vinda da Rússia através da Polônia, irrompeu em Paris em 26 de março de 1832, espalhando a morte e a calamidade. A devastação foi tal que, num único dia, registraram-se 861 vítimas fatais, sendo que o total de óbitos elevou-se a mais de vinte mil.
As descrições da época são aterradoras: o corpo de um homem em perfeitas condições de saúde reduzia-se ao estado de esqueleto em apenas quatro ou cinco horas. Quase num piscar de olhos, jovens cheios de vida tomavam o aspecto de velhos carcomidos, e logo depois não eram senão horripilantes cadáveres.
Nos últimos dias de maio, quando a epidemia pareceu recuar, iniciou-se de fato a cunhagem das medalhas. Todavia, na segunda quinzena de junho, novo surto da tremenda enfermidade lançava uma vez mais o pânico entre o povo.



Finalmente, a Casa Vachette entregou no dia 30 desse mês as primeiras 1500 medalhas, que logo foram distribuídas pelas Filhas da Caridade e abriram um interminável cortejo de graças e milagres.


Conversão do jovem Ratisbonne



Os prodígios da misericórdia divina operados através da Medalha correram de boca em boca por toda a França. Em poucos anos, já se difundia pelo mundo inteiro a notícia de que Nossa Senhora havia indicado pessoalmente a uma freira, Filha da Caridade, o modelo de uma medalha que mereceu imediatamente o nome de "Milagrosa", pois imensos e copiosos eram os favores celestiais alcançados pelos que a usavam com confiança, segundo a promessa da Santíssima Virgem.
Em 1839, mais de dez milhões de medalhas já circulavam pelos cinco continentes, e os registros de milagres chegavam de todos os lados: Estados Unidos, Polônia, China, Etiópia...
Nenhum, porém, causou tanta surpresa e admiração quanto o noticiado pela imprensa em 1842: um jovem banqueiro, aparentado com a riquíssima família Rotschild, judeu de raça e religião, indo a Roma com olhos críticos em relação à Fé Católica, converteu-se subitamente na Igreja de Santo André delle Fratte. A Santíssima Virgem lhe aparecera com as mesmas características da Medalha Milagrosa: "Ela nada disse, mas eu compreendi tudo", declarou Afonso Tobias Ratisbonne, que logo rompeu um promissor noivado e se tornou, no mesmo ano, noviço jesuíta. Mais tarde se ordenou sacerdote e prestou relevantes serviços à Santa Igreja, sob o nome de Padre Afonso Maria Ratisbonne.
Quatro dias antes de sua feliz conversão, o jovem israelita aceitara, por bravata, a imposição de seu amigo, o Barão de Bussières: prometera rezar todo dia um Lembrai-vos (conhecida oração composta por São Bernardo) e levar ao pescoço uma Medalha Milagrosa. E ele a trazia consigo quando Nossa Senhora lhe apareceu...
Essa espetacular conversão comoveu toda a aristocracia européia e teve repercussão mundial, tornando ainda mais conhecida, procurada e venerada a Medalha Milagrosa. Entretanto, ninguém - nem a Superiora da rue du Bac e nem mesmo o Papa - sabia quem era a religiosa escolhida por Nossa Senhora para canal de tantas graças. Ninguém... exceto o Padre Aladel, que envolvia tudo no anonimato. Por humildade, Santa Catarina Labouré manteve durante toda a vida uma absoluta discrição, jamais deixando transparecer o celeste privilégio com que fora contemplada.


Para ela importava apenas a difusão da medalha: era sua missão... e estava cumprida!

A figura de Nossa Senhora na Medalha


A propósito da figura de Nossa Senhora, com as mãos e os braços estendidos, tal como aparece na Medalha Milagrosa, levanta-se uma delicada e controvertida questão.
Dos manuscritos de Santa Catarina pode-se inferir que Nossa Senhora lhe apareceu três vezes, duas das quais oferecendo o globo a Nosso Senhor. Em nenhum desses numerosos autógrafos há qualquer menção ao momento em que a Mãe de Deus teria estendido seus braços e suas virginalíssimas mãos, como se vê na Medalha Milagrosa e nos primeiros quadros representativos das aparições.
Essa divergência entre as descrições de Santa Catarina e a representação da Medalha Milagrosa foi logo apontada pelo biógrafo da vidente, Monsenhor Chevalier, ao declarar em 1896 no processo de beatificação: "Não chego a compreender por que o Padre Aladel suprimiu o globo que a Serva de Deus sempre afirmou a mim ter visto nas mãos da Santíssima Virgem. Sou levado a crer que ele agiu assim para simplificar a medalha".
Porém, se lamentável é esta "simplificação" feita pelo Padre Aladel, ela não deve causar a menor perturbação. Sobre a Medalha Milagrosa, tal qual é conhecida e venerada hoje no mundo inteiro, pousaram as bênçãos da Santíssima Virgem. É o que, indubitavelmente, se deduz das incontáveis e insignes graças, dos fulgurantes e inúmeros milagres que tem ocasionado, bem como da reação de Santa Catarina ao receber as primeiras medalhas cunhadas pela Casa Vachette, dois anos depois das aparições: "Agora é preciso propagá-la!", exclamou ela.
Ainda acerca do globo que não figura na Medalha, uma decisiva confidência afasta qualquer dúvida. Em 1876, pouco antes de falecer, sendo interrogada pela sua Superiora, Madre Joana Dufès, Santa Catarina respondeu categoricamente:- Oh! Não se deve tocar na Medalha Milagrosa!



A glorificação de Catarina


Durante 46 anos de uma vida toda interior e escrupulosamente recolhida, Santa Catarina permaneceu fiel a seu anonimato. Miraculoso silêncio! Seis meses antes de seu fim, impossibilitada de ver seu confessor, recebeu do Céu a autorização - quiçá a exigência - de revelar à sua Superiora quem era a freira honrada pela Santíssima Virgem por um ato de confiança sem igual.
Diante da idosa e já claudicante irmã, em relação à qual havia sido por vezes severa, a Superiora se ajoelhou e se humilhou. Tanta simplicidade na grandeza confundia sua soberba.
Santa Catarina faleceu docemente em 31 de dezembro de 1876, sendo enterrada três dias depois numa sepultura cavada na capela da rue du Bac. Passadas quase seis décadas, em 21 de março de 1933, seu corpo exumado apareceu incorrupto à vista dos assistentes. Um médico ergueu as pálpebras da santa e recuou, reprimindo a custo um grito de espanto: os magníficos olhos azuis que contemplaram a Santíssima Virgem pareciam ainda, após 56 anos de túmulo, palpitantes de vida.



A Igreja elevou Santa Catarina Labouré à honra dos altares em 27 de julho de 1947. Aos tesouros de graças e misericórdias espargidos pela Medalha Milagrosa em todo o mundo, iam se acrescentar doravante as benevolências e favores obtidos pela intercessão daquela que vivera na sombra, escondida com Jesus e Maria.
Hoje, qualquer fiel pode venerar o corpo incorrupto da santa, exposto na Casa das Filhas da Caridade, em Paris. Antigamente ali, nas horas de oração e recolhimento, o balouçar das alvas coifas das religiosas ajoelhadas em fileiras diante do altar, lembrava um disciplinado vôo de pombos brancos...


OBRAS CONSULTADAS:
Mémorial des Apparitions de la Vierge dans l'Église, Fr. H. Maréchal, O. P., Éditions du Cerf, Paris, 1957.L'itinéraire de la Vierge Marie, Pierre Molaine, Éditions Corrêa, Paris, 1953.Vie authentique de Catherine Labouré, René Laurentin, Desclée De Brouwer, Paris, 1980.Catherine Labouré, sa vie, ses apparitions, son message racontée a tous, René Laurentin, Desclée De Brouwer, 1981.



Fonte: Arautos do Evangelho

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O chamado à santidade no casamento







Encontro destaca o casal de beatos Luigi e Maria Beltrame Quattrocchi



Por Salvatore Cernuzio



ROMA,





- "Quando um homem e uma mulher se tornam um só no matrimônio, eles deixam de ser vistos como criaturas terrestres: tornam-se a própria imagem de Deus". Nunca houve uma personificação mais plástica destas palavras de São João Crisóstomo do que os cônjuges Luigi e Maria Beltrame Quattrocchi, o primeiro casal beatificado na história da Igreja.
Beatos não “apesar do casamento”, mas precisamente por causa dele. O casal não foi elevado aos altares por ter fundado alguma congregação missionária, mas simplesmente porque viveu o casamento como um caminho concreto para a santidade e para Deus.
A data de celebração do casal beato na diocese de Roma é 25 de novembro, aniversário do casamento celebrado em Santa Maria Maggiore em 1905. Em fevereiro de 1994, foi iniciada no Tribunal para a Causa dos Santos do Vicariato de Roma a causa da canonização. João Paulo II beatificou-os em 21 de outubro de 2011, no vigésimo aniversário da Familiaris Consortio.
Justo nos dias em que o Vaticano realiza a Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para a Família, que aborda o trigésimo aniversário da fundação do dicastério, foi realizada no Capitólio romano, neste 25 de novembro, a conferência Cidadãos autênticos: nos passos de Maria e Luigi.
O encontro, dez anos após a beatificação do casal, procurou chamar a atenção para um aspecto que vai além do cristão e educativo: o ético e civil, enfatizando a contribuição que Luigi e Maria deram à cidade de Roma e a toda a Itália como "cidadãos autênticos".
“Quando falam dos meus pais, as pessoas sempre falam de casamento, família, educação dos filhos”, disse Enrichetta Beltrame Quattrocchi, quarta e última filha do casal, convidada especial da conferência. “Mas nunca falam da vida deles como cidadãos, que foi intensa".“Por isso nós optamos pela Capitólio”, continuou Enrichetta, incansável aos 97 anos de idade. “Porque é um lugar de profundo valor institucional e de vínculo significativo com os cidadãos, mas principalmente porque eu me comovi quando o papa Bento XVI, em 9 de março de 2009, na hora de saudar os romanos destacando as glórias de Roma, nomeou os santos que trabalharam por esta cidade e, entre eles, os meus pais”.
Entre os muitos e ilustres convidados do encontro, estão Dom Luciano Suriani, delegado das Representações Pontifícias; Dom Paolo Mancini, vigário para a pastoral familiar da diocese de Roma; Marco Pomarici, presidente da Assembleia Capitolina; Salvatore Martinez, presidente da Renovação Carismática italiana; Maria Voce-Emmaus, presidente do movimento dos Focolares, e muitos outros.
“Maria e Luigi foram exemplos vivos de como a vida cotidiana pode concretizar o chamado à santidade, que é a medida da vida cristã diária”, disse Dom Suriani . “Cinquenta anos atrás, o Concílio Vaticano II lançou um apelo à santidade da família e ele se realizou graças aos dois beatos. Precisamos que todas as famílias do nosso tempo, a exemplo deles, também se tornem pequenas igrejas, verdadeiras escolas de oração”.
É uma missão que os Beltrame realizaram plenamente como esposos e pais, como fica demonstrado pelo fato de que os quatro filhos, ao crescerem, sentiram o chamado de Deus à vida religiosa: Filippo (Don Tarcisio) é padre diocesano; Stefania (irmã Maria Cecilia) é freira beneditina; Cesare (padre Paolino) é monge trapista, e Enrichetta, a caçula, é leiga consagrada.
Mas também é uma missão que se concretizou no engajamento civil, no respeito pela democracia, pelas instituições, pela cidade, no próprio trabalho (Luigi era advogado e Maria era escritora e enfermeira) em benefício da sociedade, particularmente dos pobres, doentes e aflitos.
Antonio Conte, presidente da Ordem dos Advogados de Roma, falou precisamente sobre isto: "Luigi Beltrame Quattrocchi nos oferece uma imagem do advogado, talvez menos comum hoje em dia, mas essencial para a compreensão da função de quem é ad-vocatus, ‘chamado com’, ‘chamado junto de’, para aqueles que precisam de assistência. Esta belíssima profissão se transforma em serviço puro, humanidade, santidade para a Igreja, se for acompanhada de um inclinar-se diante do homem para compartilhar, para carregar os fardos juntos com os oprimidos, para alegrar-se com aqueles que estão em festa. Ser ‘humano’ desta forma é algo que torna o advogado uma pessoa que tem uma missão na sociedade civil. Eu diria que esses elementos fizeram do advogado Beltrame Quattrocchi uma pessoa que realmente viveu o carisma da sua profissão, infundindo a alma cristã na atividade que realizava".
Também foi apresentada durante o encontro a Associação A.Mar.Lui, nascida por desejo da filha Enrichetta e presidida por Attilio Danise e Giulia Paola di Nicola, voltada principalmente aos cônjuges e namorados, mas aberta a todos: solteiros, sacerdotes, religiosos e todos aqueles "que desejem alimentar um espírito de família na Igreja e na sociedade, estar perto das famílias e das suas necessidades", como explicaram os presidentes.
Para selar o dia cheio de memórias e de emoções, foi oferecido o recital Uma auréola para dois, dedicado à vida dos beatos, na Domus Mariae de Roma, reunindo na mesma noite todos os participantes do encontro, inclusive famílias de diversas regiões italianas, membros da A.mar.Lui. e dos Focolares, assim como os participantes da reunião da CEI (Conferência Episcopal Italiana) sobre os 30 anos da Familiaris Consortio





Fonte: ZENIT.org

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

SÃO LUCAS

São Lucas


Evangelista de Nossa Senhora



Assim São Jerônimo descreve o evangelista São Lucas, cuja festa comemoramos no dia 18 de outubro: “Era discípulo e companheiro inseparável de São Paulo; nasceu em Antioquia, exercia a profissão de médico; ao mesmo tempo, cultivava as letras e chegou a ser muito versado em língua e literatura gregas. Seu gosto literário ressalta nessa preciosa História [Atos dos Apóstolos] que nos deixou da origem do cristianismo, mais completa em muitíssimos pontos que a dos demais evangelistas, melhor ordenada e de mais agradável leitura”.




“O muito amado Lucas, médico”


São Lucas é recebido pelos Apóstolos

No século I da Era Cristã, Antioquia da Síria era muito celebrada pela sua agradável situação, esplendor de seus monumentos, riqueza de seu comércio, progresso de sua civilização e, infelizmente, também por causa dos seus costumes pagãos. Foi a primeira Sé de São Pedro antes de ele mudar-se para Roma, e foi nela que, pela primeira vez, os seguidores de Jesus Cristo receberam o nome de “cristãos”.


Nela nasceu e estudou o evangelista Lucas, autor do 3º Evangelho (o 1º é o de São Mateus, o 2º de São Marcos, e o 4º de São João) e dos Atos dos Apóstolos. Crê-se que, segundo costume da época, depois de estudar em Antioquia, Lucas foi aperfeiçoar-se na Grécia e no Egito, pois ressaltam os estudiosos que seu estilo é puro, exato, elegante.
Mapa da antiga cidade de Antioquia


Não parece ter sido judeu de religião, se bem que mostre um conhecimento detalhado do judaísmo, de seus ritos e cerimônias. É mais provável que tenha sido um prosélito dessa religião, e que não chegou a ser circuncidado. Pois São Paulo, em sua Epístola aos Colossenses, depois de citar “todos os da circuncisão”, passa aos demais, entre os quais cita “o muito amado Lucas, médico” (4, 10-14). O mais provável é que tenha sido pagão, grego de estirpe, e que, ao conhecer o cristianismo, o tenha abraçado com fervor.


Em geral aponta-se sua conversão à época em que São Paulo e São Barnabé pregaram na nascente igreja de Antioquia (At 11, 22 e ss.). Há quem afirme que ele era do número dos setenta e dois discípulos, e que, assim, teria conhecido pessoalmente Nosso Senhor. Esta hipótese tem contra si a afirmação do próprio São Lucas, de que escreveu seu Evangelho com os fatos que “nos referiram os que, desde o princípio, os viram e foram ministros da palavra” (1, 2). Quer dizer, com base em testemunhas oculares dos fatos que narra.


O “Evangelho de Maria Santíssima”


Quadro da Anunciação: São Lucas é representado anotando as palavras


Entre essas testemunhas ele pôde consultar São Pedro e os demais Apóstolos e Discípulos, as Santas Mulheres, e existe a hipótese provável de ele ter recebido informações preciosas da própria Mãe de Deus. Daí ter sido ele o único evangelista a falar da Anunciação, da visita a Santa Isabel com o excelso cântico do Magnificat, do nascimento do Menino Jesus em Belém, da adoração dos pastores, da Circuncisão, Apresentação no Templo e purificação de Maria Santíssima, e da perda e encontro do Menino Jesus entre os Doutores da Lei. Pelo que seu Evangelho mereceu ser chamado por alguns de O Evangelho de Maria Santíssima. Com efeito, “dentre esses informantes, sobretudo nos primeiros capítulos do seu Evangelho, pode-se ouvir ainda a voz suave da própria mãe de Jesus”.


São Lucas foi chamado também “o escritor da mansidão de Cristo”, porque em seu Evangelho ressalta muito a bondade misericordiosa e a paternal benignidade do Filho de Deus, como se expressam em suas parábolas. O que se nota principalmente nas da ovelha perdida, do filho pródigo, do bom samaritano, e sobretudo no dolorido olhar de Jesus a Pedro depois de suas negações.


Outros apontam também o importante papel que as mulheres desempenham no Evangelho de São Lucas. O paganismo as tinha rebaixado ao nível quase de escravas. “São Lucas recolhe da vida e ensinamento de Jesus tudo o que pode realçar o valor e estima que teve pela mulher”.(3)
De fato, segundo o Apóstolo São Paulo, “todos sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo. Todos vós que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo. Já não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gal 3, 26-28).


Por outro lado, nesse Evangelho de uma simplicidade encantadora, “as ações e a doutrina do Salvador nele são apresentadas da maneira mais tocante; cada palavra encerra mistérios ocultos, oferece riquezas infindas”, além do que “a dignidade com a qual nos são apresentados os mistérios mais sublimes, que estão acima de toda expressão e de nossa maneira de conceber as coisas criadas, essa dignidade na qual não se encontra nenhuma palavra pomposa, tem qualquer coisa de divino”.


São Lucas “possui ademais o sentido da História, e da História considerada como auxiliar da fé. Ele quer fazer um relato ‘seguido e ordenado’; para isso, 'examinou cuidadosamente as coisas desde sua origem', e consultou ‘os que desde o princípio foram testemunhas oculares e ministros da palavra’; tudo a fim de que Teófilo [a quem dirige seus livros] ‘reconheça a solidez dos ensinamentos dos que o catequizaram’ (cfr. Luc. 1, 1-4) ”.


Muitos vêem no Evangelho de São Lucas uma influência muito grande de São Paulo e, “senão seu primeiro impulso, certamente sua característica: a universalidade da salvação, suas portas abertas aos gentios, a inexaurível misericórdia divina, o perdão dos pecados, a oração e a perseverança são os temas que de mais relevância se revestem neste Evangelho, que, pela suavidade de afetos de que é impregnado e pela graça da expressão, é de todos o mais atraente



Segundo a Tradição, São Lucas é um apóstolo virgem, era também pintor, e teria pintado vários quadros da Santíssima Virgem, dos quais alguns permanecem até hoje, e mesmo de Nosso Senhor Jesus Cristo.


Mestre e discípulo muito zeloso


Quando Lucas se reuniu ao Apóstolo Paulo? É mais provável, como sustenta Santo Irineu, que tenha sido quando este embarcou para Troade, na Macedônia, em sua segunda viagem missionária, no ano 51. É quando os vemos pela primeira vez juntos. A partir de então, os dois apóstolos não se separarão mais, a não ser por intervalos e quando as necessidades das novas cristandades o pediam. Lucas aparece sempre como discípulo e colaborador zeloso.


A dedicação de São Lucas a São Paulo é tocante. Participa ele de suas alegrias e de suas dores, e mesmo do seu cativeiro. “Só Lucas está comigo”, diz São Paulo tristemente na segunda epístola a Timóteo (4, 11) durante seu segundo cativeiro em Roma.


Depois vemos os dois apóstolos em Filipos. Mas, tendo o Apóstolo se trasladado para Salônica com Silas, Lucas provavelmente permaneceu em Filipos para consolidar os cristãos na fé recebida. Seis anos mais tarde, São Paulo, em sua terceira viagem, volta à Macedônia e nela encontra São Lucas. Lá escreve a segunda epístola aos Coríntios, encarregando Tito de a levar. Nela diz que Tito terá por companheiro “um irmão muito célebre em todas as igrejas”. Alguns –– São Jerônimo, em particular –– afirmam que esse irmão era São Lucas.


São Jerônimo e São Gregório Nazianzeno julgam que Lucas escreveu seu Evangelho durante o ano 53, quando pregava na Acaia com o Apóstolo Paulo.


Os Atos dos Apóstolos, primórdios do cristianismo


São Lucas é representado pelo boi, como emblema dos sacrifícios


De acordo com os intérpretes, foi durante o segundo cativeiro de São Paulo em Roma, no ano 63, que São Lucas terminou seu Atos dos Apóstolos, como continuação de seu Evangelho. Nessa narrativa cheia de vida, ele se propunha refutar os falsos relatos que se publicavam sobre a vida e os trabalhos apostólicos dos propagadores do cristianismo, bem como a deixar uma história autêntica das maravilhas que Deus operou na formação de sua Igreja.

Nos 12 primeiros capítulos dessa épica história, ele narra o que fizeram os principais Apóstolos para estabelecer o cristianismo depois da ascensão de Nosso Senhor, sobretudo o príncipe deles, São Pedro. Na quase totalidade dos capítulos restantes, conta as ações e milagres de São Paulo, como testemunha ocular ou protagonista que foi de muitos deles.
Como ele narra com muitos detalhes suas viagens marítimas, levanta-se a hipótese de antes, como médico, ter trabalhado em algum navio.


Segundo Santo Epifânio, após o martírio de São Paulo São Lucas pregou na Itália, na Gália, na Dalmácia e na Macedônia. Embora alguns afirmem que ele sofreu o martírio, a opinião mais aceita é a de que faleceu de morte natural aos 84 anos de idade, na Bitínia. Mas, como enfrentou muitos perigos pela fé de Cristo, é considerado por muitos como mártir.


Suas relíquias, que no século IV se achavam em Tebas da Beócia (Grécia), foram trasladadas para Constantinopla em 357, a pedido do Imperador Constâncio, filho de Constantino, sendo depositadas na igreja dos Santos Apóstolos com as de Santo André e São Timóteo. O Cardeal Barônio diz que São Gregório Magno levou para Roma a cabeça de São Lucas, quando voltou de sua nunciatura em Constantinopla, e a depositou na igreja do mosteiro de Santo André, que ele tinha fundado no Monte Célio. Atualmente o corpo desse Evangelista é venerado em Pavia, na Itália.


Se se aplicam aos quatro evangelistas as representações simbólicas mencionadas pelo profeta Ezequiel, São Lucas é representado pelo boi, como emblema dos sacrifícios, pois ele é o evangelista que mais insiste no sacerdócio de Jesus Cristo.


terça-feira, 4 de outubro de 2011

SÃO FRANCISCO DE ASSIS

Biografia de São Francisco (resumida)


CONVERSÃO



São Francisco nasceu em Assis, na Itália, no ano de 1182. Seu pai era um rico comerciante de tecidos, o que permitiu a Francisco uma infância e juventude de fartura e a possibilidade de continuar o comércio, como era desejo de seu pai. [Teve à sua disposição uma vida bem sucedida e de prestígio junto aos homens, mas preferiu a gloria de Deus]Quando jovem, Francisco sempre procurou a realização de grandes ideais, destacando-se junto aos amigos com muito entusiasmo. O dinheiro do pai ajudava em seus projetos - vestia as melhores roupas, dispunha de vinho e comida para promover festas entre amigos. Mas ainda assim buscava uma causa, um motivo forte que pudesse defender. [Idealistas como todos jovens;, insatisfação pessoal]Devido às desigualdades sociais ocorreu uma revolta do povo contra os nobres da cidade de Assis. Francisco, assim como muitos jovens da sua época tomaram partido na causa social do povo. Em socorro dos nobres, Perugia, uma cidade vizinha mandou um exercito bem preparado para defender os nobres. Na luta sangrenta, Francisco foi preso (assim como os companheiros jovens de Assis) e dessa forma, permaneceu no cárcere por um ano. Seu pai pagou pela sua libertação. [procura por Ideais sociais]De volta a Assis, doente, enfraquecido e sem projeto de vida, pouco tempo depois, Francisco se empenhou em outro ideal - a igreja buscava voluntários para as suas lutas em defesa dos territórios. Francisco, inspirado nas histórias de heróis e valentes cavaleiros, se inscreveu e se preparou com a melhor armadura de cavaleiro. [procura por Ideais de justiça]Após a partida, na primeira noite em que o exército se reuniu junto à cidade de Espoleto, Francisco, novamente com febre e doente ouviu a Deus que lhe perguntou - "Francisco, a quem deves servir, ao Senhor ou ao servo? Ao Senhor respondeu Francisco! Então, por que trocas o Senhor pelo Servo? Francisco, compreendeu que deveria servir a Deus, abandonou o seu ideal de cavaleiro e retornou a Assis humilhado, recebendo as zombarias. [Despertar de sua vocação]Francisco foi aos poucos se transformando. Passava muitas horas sozinho, buscava lugares isolados no campo e quando encontrava um mendigo, doava o que dispunha no momento. Aos poucos foi se habituando à oração. Na sua conversão, sofria as dúvidas e fraquezas humanas. Num momento difícil da sua vida, Francisco encontrou-se no caminho com um leproso, e diante do horror das feridas e do odor, pensou em fugir. Movido por um grande amor, venceu o obstáculo, voltou-se para o leproso, e o abraçou e beijou, reconhecendo nele um irmão. [Aprofundamento da sua vocação pela oração, e exercício da espiritualidade fraterna e do amor]Numa ocasião também importante, achava-se em oração na Igreja de São Damião - uma capelinha quase destruída - e olhando o crucifixo e examinando as paredes caídas ao redor, compreendeu o pedido de Deus. "Francisco, reconstrói a minha Igreja!" [resposta para uma missão]Para empreender o projeto de reconstruir a Igreja, Francisco retirou recursos do pai. Este, já enfurecido pelas atitudes de Francisco e prevendo o risco de perder o patrimônio nas mãos do filho maluco, abriu um processo perante o Bispo para deserdá-lo. Diante das acusações do pai, na frente do Bispo, e de todos, Francisco tirou as próprias vestes, e nu, as devolveu ao pai dizendo - "Daqui em diante tenho somente um pai, o pai nosso do céu! " [desapego às coisas do mundo, total dedicação a Deus]Francisco passou a reconstruir as igrejinhas caídas, com o seu próprio trabalho, assentando pedras, comendo do que lhe davam na mendicância da rua, e adotou como vestes trapos de eremita. [Conversão no modo de vida]


OS IRMÃOS / DEFINIÇÃO DOS CARISMAS


Depois que reconstruiu a Igreja de São Damião, restaurou também uma capela próxima aos muros de Assis e uma outra, a Igreja de Santa Maria dos Anjos, conhecida como porciúncula (que significa pequena porção de terra). Nesta, São Francisco decidiu permanecer, armando ao lado uma choupana para dormir. [Um simples "lugar" no mundo, sem constituir posses]Com o tempo São Francisco compreendeu que deveria reconstruir a Igreja dos fieis e não somente as Igrejas de pedra. Durante uma missa na leitura do Evangelho ouve e compreende que os discípulos de Jesus não devem possuir ouro, nem prata, nem duas túnicas, nem sandálias... que devem pregar a Paz e a conversão. No dia seguinte os habitantes de Assis viram-no chegar, não mais com roupas de eremita mas com uma túnica simples, uma corda amarrada à cintura e os pés descalços. A todos que encontrava na caminho dizia. A paz esteja com vocês! [Vida de apostolicidade, peregrino]São Francisco passou a falar da vida de Evangelho nos lugares públicos de Assis. Falava e agia com tamanha fé, que o povo que antes o zombara, agora o ouve com respeito e admiração. E assim, o bom Deus, quis que São Francisco tivesse irmãos de conversão. Aos poucos suas palavras foram tocando os corações - o primeiro foi Bernardo um nobre e rico amigo seu; depois Pedro Cattani. Estes, agindo conforme diz o evangelho, doaram tudo o que tinham aos pobres.. [Vida em Fraternidade, partilha, pobreza, desapego dos bens materiais]Quando o grupo chegou a 12 irmãos, São Francisco decidiu ir até Roma e pedir ao Papa autorização para viverem a forma mais pura do Evangelho, conforme o desejo e a escolha que fizeram. O Papa achou que seria muito duro para eles esse modo de vida, porém deu permissão e também autorizou que eles pudessem pregar. Durante esse período de visita, o Papa teve um sinal profético e reconheceu em Francisco, o homem que em seu sonho segurava a Igreja como uma coluna. [Uma regra de vida segundo o próprio Evangelho, Formação da ordem I, Adesão a Igreja]Muitos outros Irmãos foram se juntando ao grupo, desejando viver conforme Francisco. Os frades fizeram suas habitações em choupanas ao redor da Igrejinha da Porciúncula. Dividiam as atividades entre oração, ajuda aos pobres, cuidados aos leprosos, e pregações nas cidades, também se dedicavam às atividades missionários, indo 2 a 2 a lugares distantes e pagãos; eram alegres, pacíficos, amigo dos pobres .[Atividades e valores Franciscanos].Uma grande preciosidade para São Francisco e a Ordem dos Frades Menores veio de uma jovem, de família nobre de Assis, chamada Clara. Ela procurou Francisco pedindo para viver o mesmo modo de vida, segundo o Evangelho. São Francisco ponderou sobre as duras condições que ela estaria se submetendo, mas a recebeu com grande alegria. Clara, depois de se alojar temporariamente num convento Beneditino, foi morar no conventinho ao lado da Igreja de São Damião, (que Francisco havia reconstruído). Ela ajustou o modo de vida dos Frades, para mulheres e recebeu, por sua vez, muitas companheiras de conversão. [Ordem II, igualdade de diretos homens e mulheres]. Muitos Cristãos ouvindo São Francisco, decidiram seguir o seu exemplo e ensinamento, alguns pediam conselhos, e São Francisco os orientava conforme o estado de vida de cada um. Para uma mulher e seu marido, que o procuraram, São Francisco recomendou servir ao Senhor permanecendo em casa. [Pensamento de Francisco que justifica a posterior criação da OFS]


DE ASSIS PARA O MUNDO / FRANCISCANOS HOJE


São Francisco assistiu ao crescimento da Ordem, que se espalhou por diversas partes do mundo. Embora a velhice não tenha chegado, seu corpo frágil se debilitou, agravado por um problema nas vistas que o deixou quase cego. [Embora doente, São Francisco sempre esteve pronto para o trabalho, principalmente a Evangelização].Em certos períodos São Francisco se isolava para orações e jejum. Numa dessas ocasião, num monte chamado Alverne, de rochas gigantescas e escarpadas, o bom Deus quis que ele, que tanto buscou se assemelhar a Jesus, tivesse igualmente as feridas da crucifixão. Com muita dor mas intensa alegria, por ter as marcas de Jesus no próprio corpo, São Francisco recebeu as feridas que se mantiveram vivas até o fim de sua vida, 2 anos depois. [Coroamento de Deus, principalmente uma resposta pela sua fé]Quando desceu o monte, ele que sempre quis caminhar a pé, se permitiu montar num burrinho, tal era a sua debilidade. Quando ele se aproximava das cidades, uma multidão já o aguardava - o povo, principalmente os pobres e doentes, desejava ir ao encontro de São Francisco. [Misericórdia, vontade de estar junto ao povo]Pouco antes de morrer, de passagem por São Damião para despedir-se de Clara e suas irmãs, seu estado se agravou e ele teve que passar a noite ali, numa choupana, sob condições de intenso frio. Pela manhã São Francisco cantava um cântico que compôs em louvor a Deus, e que chamava de Irmão o sol, as estrelas, a lua, a terra, o vento e todas as criaturas. [Universalidade de São Francisco, visão do total, respeito a todas as criaturas]Numa choupana junto à Porciúncula, no anoitecer do dia 3 de outubro de 1226, São Francisco pede aos irmãos que o dispam e o coloquem nu no chão, sobre a terra. Recitando o Salmo 142, que os irmão acompanhavam lentamente, São Francisco morreu cantando.


Fonte: ciofs.org

sábado, 24 de setembro de 2011

A FÉ É SEMPRE UM ACREDITAR JUNTO COM OS OUTROS

PAPA CELEBRA MISSA EM ERFURT: "A FÉ É SEMPRE UM ACREDITAR JUNTO COM OS OUTROS"



Erfurt, 24 set (RV)


– Continua a viagem Apostólica de Bento XVI à Alemanha, que tem como lema "Onde estiver Deus, há futuro." É a sua 21ª viagem apostólica internacional e a terceira à Alemanha, sua terra natal.


Na manhã deste sábado o Santo Padre celebrou a Santa Missa na Praça da Catedral de Erfurt com a presença de 50 mil fiéis.No início de suas palavras o Papa citou o trecho do Evangelho de hoje “Louvai o Senhor em todo o tempo, porque Ele é bom”.


Sim, - disse - temos verdadeiramente motivos para agradecer a Deus com todo o coração. Nesta cidade, se recuarmos com o pensamento até 1981, o ano jubilar de Santa Isabel, há trinta anos – eram os tempos da República Democrática Alemã –, quem teria imaginado que o muro e o arame farpado nas fronteiras cairiam poucos anos depois? E, se recuarmos ainda mais – cerca de setenta anos – até 1941, até ao tempo do nacional-socialismo, quem seria capaz de predizer que o chamado «Reich milenário» ficaria reduzido a cinzas apenas quatro anos mais tarde?


Bento XVI recordou ainda que a Turíngia, na República Democrática Alemã teve de suportar uma ditadura «pardacenta» [nazista] e uma «vermelha» [comunista], cujo efeito sobre a fé era parecido com o que tem a chuva ácida. Desse tempo, há ainda muitas consequências tardias a debelar, sobretudo no âmbito intelectual e religioso!


Todos nós estamos convencidos de que a nova liberdade ajudou a dar à vida dos homens uma dignidade maior e a abrir novas e variadas possibilidades.


Mas estas possibilidades trouxeram-nos também um crescimento na fé?, perguntou-se o Papa. Não será talvez preciso procurar as raízes profundas da fé e da vida cristã noutra realidade bem diversa da liberdade social?


Houve muitos católicos resolutos que permaneceram fiéis a Cristo e à Igreja, precisamente na difícil situação de uma opressão exterior. E o Papa citou a pastoral dos refugiados imediatamente depois da II Guerra Mundial: então muitos clérigos e leigos realizaram grandes coisas para atenuar a penosa situação dos prófugos e dar-lhes uma nova Pátria.


Bento XVI não deixou de recordar o Santos desta terra, afirmando que o seu testemunho de fé pode, também hoje, dar-nos a coragem para um novo despertar. “Aqui pensemos sobretudo nos Santos Padroeiros da diocese de Erfurt: Isabel da Turíngia, Bonifácio e Kilian. Isabel veio de um país estrangeiro, da Hungria, para Wartburg na Turíngia.


Levou um vida de intensa oração, associada com a penitência e a pobreza evangélica. Regularmente, descia do seu castelo até à cidade de Eisenach para lá cuidar pessoalmente dos pobres e dos doentes. Foi breve a sua vida nesta terra – chegou apenas à idade de vinte e quatro anos –, mas o fruto da sua santidade foi imenso.


Santa Isabel goza de grande estima também entre os cristãos evangélicos; pode ajudar-nos a todos a descobrir a plenitude da fé transmitida e a traduzi-la na nossa vida diária”.Que têm em comum estes Santos? Perguntou o Papa.


Como podemos descrever a faceta particular da sua vida, tornando-a fecunda para nós? Sim, os Santos mostram-nos que é possível e que é bom viver, de modo radical, a relação com Deus, colocando Deus no primeiro lugar e não como uma realidade entre as outras. E falou sobre o que é a fé:“Essencialmente, a fé é sempre também um acreditar junto com os outros.


O fato de poder crer devo-o, antes de mais nada, a Deus que Se dirige a mim e, por assim dizer, «acende» a minha fé. Mas, de um modo muito concreto, devo a minha fé também àqueles que vivem ao meu redor e que acreditaram antes de mim e acreditam juntamente comigo. Este «com», sem o qual não pode haver qualquer fé pessoal, é a Igreja”.


Os Santos, apesar de serem poucos, mudam o mundo destacou ainda o Papa concluindo suas palavra recordando o sino da catedral de Erfurt que se chama «Glorioso». É considerado o maior sino medieval do mundo que oscila livremente. É um sinal palpável do profundo enraizamento na tradição cristã, do povo da Turíngia mas também um sinal para nos pormos a caminho empenhando-nos na missão.


O referido sino tocou hoje no fim da Missa solene. Após a Santa Missa o Papa deixou a cidade de Erfurt, e se transferiu para Friburgo, no, sul do país, última etapa desta primeira visita oficial a seu país.


Ainda neste sábado o encontro com os representantes das Igrejas Ortodoxas e a Vigília de oração com os jovens na Feira de Friburgo.Amanhã, domingo, Bento XVI preside a Santa Missa na esplanada do aeroporto de Friburgo. (SP)


Fonte: RV

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

BENTO XVI SE ENCONTRA COM REPRESENTANTES MUÇULMANOS

BENTO XVI SE ENCONTRA COM REPRESENTANTES MUÇULMANOS DA ALEMANHA



Berlim, 23 set (RV)



– Atualmente a Alemanha é a pátria de cerca de 4,5 milhões de muçulmanos, dos quais 70% de origem turca. Há também muçulmanos dos países árabes, dos Bálcãs e do Irã. A confissão sunita é maioria entre os muçulmanos na Alemanha, representa 70% do total. Cada vez mais, por meio de associações islâmicas, as comunidades muçulmanas na Alemanha estruturam-se a fim de gerenciar os próprios lugares de culto, creches e escolas islâmicas. Somente em Berlim, por exemplo, existem dez creches islâmicas enquanto em todo o país quinze escolas islâmicas são reconhecidas pelo Estado alemão, assim como acontece com as escolas católicas.Dentro desse contexto, na manhã desta sexta-feira, na sede da Nunciatura Apostólica de Berlim, Bento XVI encontrou-se com os representantes da comunidade muçulmana.Em seu discurso, o Papa destacou "o clima de respeito e confiança entre a Igreja Católica e a comunidade muçulmana" na Alemanha. Reiterou ainda a importância do encontro ter acontecido em Berlim, onde está a Mesquita mais antiga da Alemanha e, ainda, pelo fato da capital abrigar mais muçulmanos do que qualquer outra cidade do país."Desde os anos 70, a presença de muitas famílias muçulmanas se tornou mais e mais uma marca deste país. No entanto, é preciso um empenho continuo para um melhor conhecimento mútuo e compreensão. Isto é essencial não só para a coexistência pacífica, mas também para a contribuição que cada um é capaz de fornecer para a construção do bem comum dentro da mesma sociedade".Bento XVI abordou ainda a questão da fé muçulmana, que atribui no contexto social e pessoal grande importância à dimensão religiosa. Segundo o Papa, "isto, às vezes, é interpretado como uma provocação em uma sociedade que tende a marginalizar este aspecto ou, no máximo, admitir o alcance das escolhas pessoais de cada um".Por fim, Bento XVI disse que "é possível uma colaboração fértil entre cristãos e muçulmanos". (RB)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

JMJ 2013 - CRUZ E ICONE DE NOSSA SENHORA CHEGAM EM SÃO PULO





Chegada da cruz emociona católicos na Zona Norte de SP



Milhares de fiéis se concentraram no Campo de Marte. (Foto: Reprodução / TV Globo)


Após shows de músicos católicos, missa solene era celebrada.

Cruz Peregrina chega ao Campo de Marte, na ZonaNorte de São Paulo


A chegada da cruz peregrina e do ícone de Nossa Senhora, que marcam o início da preparação para a Jornada Mundial da Juventude, à festa católica organizada neste domingo (18), no Campo de Marte, na Zona Norte de São Paulo, emocionou os fiéis que estavam reunidos desde o início da manhã.Uma missa solene era celebrada com participação de vários bispos e religiosos de todo o estado.



O encontro de jovens de diferentes nacionalidades acontecerá em julho de 2013, no Rio de Janeiro. O papa Bento 16 deve vir ao país para acompanhar o evento.



Não há por parte da PM e da organização do evento uma estimativa de público no local. A expectativa, no entanto, é que até 100 mil fieis comparecessem.



Desde as 9h, cantores católicos, como os padres Fábio de Melo e Juarez de Castro, se revezam no palco para animar a multidão. Segundo a PM, não houve registro de tumulto ou incidentes.


Não há por parte da PM e da organização do evento uma estimativa de público (Foto: Letícia Macedo/ G1)



Lucas e Rafaela participam de comunidade naZona Norte (Foto: Letícia Macedo/ G1)


O técnico em eletrônica Lucas de Melo Barroso Gomes, de 21 anos, que participa de uma comunidade no Jaçanã, na Zona Norte da capital, se diz feliz com a vinda da jornada para o Brasil.



“Sempre tive vontade de participar, mas não surgiu a oportunidade. Lá na comunidade a gente não decidiu ainda se vai, mas com certeza eu gostaria de ir ao Rio”, afirma.



A estudante da 8ª série Rafaela da Silva Rodrigues, de 14 anos, que participa do mesmo grupo de Rafael, acha que a jornada vai incentivar os jovens a participar mais.



"Tenho certeza de que meus amigos vão ficar curiosos e vão querer participar”, diz.



Bruna pediu guarda-chuva emprestado para seproteger de sol intenso (Foto: Letícia Macedo/ G1)


Nem o sol intenso afugentou os fiéis. Copos de água são distribuídos pela organização do evento.



A nutricionista Bruna Pinheiro Alves, de 25 anos, teve de recorrer a uma sombrinha para se proteger. “Viemos para receber a cruz.



A escolha do nosso país valoriza a nossa fé. O calor está muito forte, mas já peguei um guarda-chuva emprestado para amenizar.



”A advogada Márcia Gadben, de 27 anos, que mora em Santana, na Zona Norte, diz ter participado da jornada em Madri, na Espanha. Márcia é uma das delegadas da jornada no Brasil.



Ela acredita que o jovem brasileiro pode dar uma grande contribuição à iniciativa.



“A nossa acolhida será o nosso diferencial. O europeu é morno, enquanto o brasileiro é vivo, é alegre. A gente transmite a nossa fé pela alegria de sermos cristãos.”


Padre Fábio de Melo cantou para os fiéis nestedomingo (Foto: Letícia Macedo/ G1)


A bancária Eliana da Costa, de 36 anos, irá participar da liturgia da missa desta tarde.



“Não tenho nem palavras. É um presente de Deus para mim”, afirma.



Ela, que trabalha com jovens em sua comunidade, acredita que a jornada será um momento especial para os fiéis de todas as idades.



“Sempre é tempo de descobrir a juventude que cada um leva dentro de si. Em Cristo, a gente é eternamente jovem."


A Jornada Mundial da Juventude foi instituída pelo papa João Paulo 2º. O lema do evento no Brasil será: "Ide, pois, fazer discípulos meus todos os povos".



Ainda neste domingo, os dois símbolos seguem para a Catedral da Sé. Na segunda-feira (19), acontecerão missas e uma procissão pelas ruas do Centro.



Eles passarão ainda pelo Santuário São Judas Tadeu, na Zona Sul, e por paróquias no Ipiranga, de Santana e do Brás.


Cantores católicos se revezam em palco no Campo de Marte (Foto: Letícia Macedo/ G1)



Fonte: G1/Globo

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

SÃO PAULO RECEBE A CRUZ DA JMJ

SÃO PAULO PRONTA PARA RECEBER CRUZ DA JMJ



São Paulo, 16 out (RV)


- Escolhido para sediar a próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em 2013, na cidade do Rio de Janeiro, o Brasil se prepara para receber a Cruz e o Ícone de Nossa Senhora, símbolos da Jornada, que chegarão a São Paulo, às 16h no Campo de Marte.


A Arquidiocese de São Paulo preparou uma grande festa para acolher os símbolos, que deverão percorrer todas as Dioceses do país nestes dois anos que antecedem a JMJ.


Segundo o Padre Antônio Ramos Dobrado, um dos coordenadores do evento em São Paulo, mais de 1.200 voluntários foram mobilizados para a festa no domingo.

O evento, denominado ‘Bote Fé’, começa às 9h e se estende até às 21h.


Estão programados shows, reflexões sobre a jornada e testemunhos de peregrinos que participaram da JMJ em Madri, no mês de agosto.


Às 16h, os símbolos serão acolhidos festivamente e, em seguida, haverá missa.O Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Pedro Scherer, destacou que a Cruz é um indicativo de Jesus Cristo para convocar os jovens a se encontrarem com Cristo, e o Ícone de Nossa Senhora é a presença materna da Mãe de Jesus junto aos seguidores de Cristo.


“Ao serem acolhidos nas Dioceses de todo o país, os dois símbolos ajudarão o povo dessas localidades a tomar consciência da Jornada que está sendo preparada”, destacou.“

Quem pensa que a JMJ se inicia em 2013 está enganado.


A Jornada começa domingo, com a chegada dos símbolos a São Paulo e com sua longa peregrinação pelo país, culminando com as celebrações e as festividades no Rio de Janeiro, em 2013”, disse o presidente da Comissão Episcopal Pastoral pela Juventude, Dom Eduardo Pinheiro.


“A escolha do Brasil para sediar a JMJ é uma clara demonstração do amor e do carinho do Santo Padre para com o nosso país e os jovens brasileiros”, acrescentou.


A peregrinação


Até o dia 30 de outubro, os símbolos da JMJ percorrerão as 47 Dioceses do Regional Sul 1 da CNBB (Estado de São Paulo).


Daí os símbolos seguem para o Regional Leste 2 (Espírito Santo e Minas Gerais), onde ficarão durante todo o mês de novembro. No mês seguinte, será a vez do Regional Nordeste 3 (Bahia e de Sergipe).


Também está prevista a peregrinação dos símbolos pelas capitais dos países do Cone Sul: Buenos Aires (Argentina), Assunção (Paraguai), Santiago (Chile) e Montevidéu (Uruguai).


Ao todo serão 19 meses de peregrinação.


A Cruz


Uma cruz de madeira de 3,8 metros foi construída e colocada como símbolo da fé católica, perto do altar principal na Basílica de São Pedro, durante a Semana Santa de 1983 até a Semana Santa de 1984.


O Beato Papa João Paulo II deu essa cruz à juventude, sendo recebida pelos jovens do Centro Juvenil Internacional São Lourenço, em Roma.

"Meus queridos jovens, na conclusão do Ano Santo, eu confio a vocês o sinal deste Ano Jubilar: a Cruz de Cristo!Carreguem-na pelo mundo como um símbolo do amor de Cristo pela humanidade, e anunciem a todos que somente na morte e ressurreição de Cristo podemos encontrar a salvação e a redenção", disse o Papa João Paulo II.Desde 1984, a Cruz da JMJ peregrinou pelo mundo estando presente nas celebrações da Jornada Mundial da Juventude.


O Ícone de Nossa SenhoraEm 2003, na 18ª Jornada Mundial da Juventude, o Beato Papa João Paulo II presenteou os jovens com um segundo símbolo de fé para ser levado pelo mundo, acompanhando a Cruz: o Ícone de Nossa Senhora, uma cópia contemporânea de um antigo e sagrado ícone encontrado na primeira e maior basílica para Maria a Mãe de Deus, no Ocidente, Santa Maria Maior.


"Hoje eu confio a vocês o Ícone de Maria".


De agora em diante, ele vai acompanhar as Jornadas Mundiais da Juventude, junto com a Cruz. Contemplem a sua Mãe!


Ele será um sinal da presença materna de Maria próxima aos jovens que são chamados, como o Apóstolo João, a acolhê-la em suas vidas", disse o Papa.(CNBB-CM)


Fonte: RV

FESTA DA CRUZ DA JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE

CARDEAL ODILO E A FESTA DA CRUZ DA JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE


Cidade do Vaticano, 16 set (RV)

- A Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro (JMJ Rio-2013) tem seu primeiro ato em São Paulo neste domingo, 18 de setembro de 2011. Um grande momento! A cruz missionária e o ícone de Nossa Senhora serão acolhidos por uma multidão de jovens e não jovens num dia inteiro de festa, música, testemunhos sobre a JMJ Madrid-2011. O aeroporto do Campo de Marte, mais uma vez, será o palco de uma grande manifestação de fé, de irradiação da mensagem do Evangelho e de partida missionária para todo o Brasil. Foi lá também que, em maio de 2007, o Papa Bento XVI, celebrou a canonização de S.Antônio de Santana Galvão, o primeiro santo nascido em terras brasileiras.Sobre esse grande momento para a Igreja Católica no Brasil, nós conversamos com o Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Scherer. (SP)

Fonte: RV

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Exaltação da Santa Cruz



Hoje dia 14 do mês de setembro, a liturgia da nossa Igreja celebrava a festada Exaltação da Cruz. O fiel é convidado a penetrar as profundezas de um"amor que chegou aos extremos" (Jo 13,1), louvando, agradecendo, exaltando.Não podemos restringir a nossa contemplação ao aspecto doloroso e trágicodessa "bendita e louvada" Cruz, da qual pendeu a salvação do mundo. Ficamoschocados e até, revoltados diante dessa ignominiosa crueldade de condenar umInocente através do suplício degradante e debochante, que era reservado aosescravos mais vis e revoltados, os bandidos e salteadores.Queremos engrandecer o heroísmo máximo de quem morreu pelas maisnobres causas, escancarando o acesso à salvação para todos.Sempre olhamos para o Crucificado com certa tristeza... Além de terdiante dos olhos a imagem mais cruel do Homem das Dores, vem-nos à lembrançaa causa de tanto sofrimento: os pecados todos desde Adão até o final dostempos estão retratados ali, naquela imagem de um transfigurado pela dor,ingratidão, pela paixão e pelo sofrimento da humanidade toda. O profetaIsaías, nos Cânticos do Servo de Javé, havia profetizado: "O mais belo doshomens perdeu toda a sua beleza. Não mais parece nem mesmo gente. Aparececomo "golpeado, humilhado, desonrado e triturado" (Is 53,5).Contudo, os Santos viam nEle a suma beleza, o maior objeto deesperança, a figura santa e verdadeira do homem novo. Desta forma, a Cruzserá o grande contraste, o desafio por definição. Por um lado demonstra amaldade do ser humano e, por outro, a grandiosidade do amor do Pai "que nãopoupou a seu próprio Filho" (Rm 8,32) e de Cristo, que demonstra ali o maioramor pelos amigos, "morrendo por eles" (Jo 15,13).O Crucificado é, efetivamente, o centro da História humana. Énaquela hora - a HORA entre as demais horas - que se realiza "a plenitudedos tempos" (Ef 1,10 e Gl 4,4) Jesus havia confidenciado, que naquela horairia atrair tudo para si. De fato tudo se agrupa ao redor da Cruz; os povosque andam nas trevas e os que avançam ao clarão da luz eterna; a história decada pessoa e do universo todo adquire pleno sentido à sombra dessa Cruz. Épor isso, que São Paulo nos fala do mistério da Cruz como o mistériocentral, o centro de toda a ciência e sabedoria. O Crucificado, no mistériode sua Paixão e Morte nos assegura o aprendizado dos seus inesgotáveistesouros de sabedoria e ciência. Achegando-nos ao Crucificado,contemplando-o com profunda compenetração, tornamo-nos seus alunos e, seformos dóceis aos seus ensinamentos, tornamo-nos seguidores dos seus passostodos... até mesmo dos ensagüentados."A Cruz está de pé, enquanto o mundo gira", cantava-se em séculospassados, aparecendo, assim, a Cruz como a rocha firme, o baluarte que nãotreme diante das coisas que passam. Ela é estável e firme! Ela está firmeenquanto os acontecimentos humanos se desenrolam a seus pés, transformadospelo sangue redentor, pelo benefício de um amor eterno.A Cruz é também o grande sinal da esperança última: "Verão aparecersobre as nuvens o sinal do Filho do Homem" (Mt 24,30). Os cemitérios, aslápides sepulcrais quase todas estão assinaladas pela Cruz. É a certeza deque aqueles que "morreram em Cristo, também ressuscitarão com Ele" (Rm 6,4).A Cruz atravessa as sombras da morte, os muros do desconhecido mundo doAlém, e abre novas esperanças, a visão preanunciada de uma vida nova defelicidade eterna: agregação conjunta de todos os bens e alegrias, amizadetransformante com Deus, imersão na sua glória.A Cruz, dizíamos, se nos apresenta como um grande contraste, umverdadeiro choque. Ali se defrontam o ódio máximo e o amor maior; o aparentefracasso e a vitória final, já iniciada; a justiça e a misericórdia; asluzes e as trevas; a tristeza da morte e o borbulhar das "fontes da alegriade salvação" (Is, 12,3). A Cruz nos estimula ao sacrifício, ao heroísmo e aomartírio. Nela os missionários de todos os tempos encontravam inspiração eimpulso evangelizador. Todos os inumeráveis mártires de ontem e de hojeencontravam nela o ideal e a força para o sofrimento e para o enfrentamentoda própria morte, qualquer que fosse.A Cruz, ainda hoje, nos irmana na solidariedade com os que sofrem:doentes, encarcerados, injustiçados, excluídos... Para todos eles (e paranós também) o Crucificado é a resposta: "Não temais eu venci o mundo" (Jo16,33).Ao nos persignarmos com o sinal do cristão - como aprendemos desdeo Catecismo - professamos a nossa fé que brota da Cruz e nela se consumacomo vitória final. Não percamos o lindo costume de enriquecermos as salasde estar, salas de aula, de decisões maiores, estabelecimentos públicos -com a figura nobre e, ao mesmo tempo, triste do Crucificado. É perene apeloà justiça e honestidade. É garantia de acerto.Ao contemplarmos um pouco mais de perto o Crucificado, entenderemosmelhor os segredos de Jesus e teremos mais coragem para enfrentar oscontratempos do dia-a-dia e nossos olhos penetrarão nos abismos do Amor...A Cruz é uma das grandes maravilhas de um amor sem limites e semexplicações, de um amor humano-divino de total doação.


Fonte: Amai-vos

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Natividade da Virgem Santa Maria



A festividade do nascimento da Mãe de Deus tem provavelmente sua origem em Jerusalém, em meados do século V. Porque foi em Jerusalém que se manteve viva a tradição que a Virgem teria nascido junto à Porta da Piscina Probática.


Fazendo uso desta referência, encontramos citações de São João Damasceno em sua Homilia sobre a Natividade de Maria: "Hoje é o começo da salvação do mundo, porque na Santa Probática foi-nos gerada a Mãe de Deus através de quem o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, nos foi gerado." [1]


Considerado o nascimento de Maria como o início histórico da obra da Redenção, o Calendário Litúrgico Bizantino abre suas portas festejando o nascimento da Virgem: "A celebração de hoje é para nós o começo de todas as festas". [2]


Maria é apresentada pela Liturgia como a "Virgem bela e Gloriosa" que Deus amou com predileção deste a sua eternidade desde toda a Criação como sua obra-prima, enriquecida das graças mais sublimes e elevada à excelsa dignidade de Mãe de Deus e de Bem-aventurada Virgem. [3]


Segundo o espírito da Igreja, devemos celebrar a Festa da Natividade com santa Alegria, porque o nascimento de Maria é a aurora de nossa salvação. Com o seu nascimento é anunciado ao mundo a boa nova: a mãe do Salvador já está entre nós.


«Alegrem-se, portanto, os Patriarcas do Antigo Testamento que, em Maria, reconheceram a figura da Mãe do Messias. Eles e os justos da Antiga Lei aguardavam a séculos, serem admitidos na glória celeste pela aplicação na fé dos méritos de Cristo, o bendito fruto da Virgem Maria .


Alegrem-se todos os homens porque o nascimento da Virgem veio anunciar-lhes a aurora do grande dia da libertação pela qual aspiram todos os povos. Alegrem-se todos os anjos porque neste dia foi-lhes dada pela primeira vez a ocasião de reverenciar a sua futura Rainha.» [4]


Visivelmente, nenhum acontecimento extraordinário acompanhou o nascimento de Maria e os Evangelhos nada dizem sobre sua natividade. Nenhum relato de profecia, nem aparições de anjos, nem sinais extraordinários são narrados pelos Evangelistas. Só no Céu houve Festa, pois o Filho de Deus vê sua Mãe nascer.


Na vida da Virgem Maria a ordinariedade dos fatos sempre lhe acompanhou. Aquela que vivia o seu cotidiano de maneira despercebida aos olhos dos homens dá à Luz o Salvador. A humildade também lhe era característica pois ela sendo Rainha apresentou-se sempre como serva obediente.


Tem-se poucos registros históricos da cidade onde nascera Maria , mas por ser conhecida como "A Virgem de Nazaré", intui-se que foi lá que Joaquim e Ana (avós de Jesus) receberam de Deus a pequena Maria.


O mundo continuou seu curso dando importância a outros acontecimentos que depois seriam completamente esquecidos. Para Deus a grandeza dos fatos não está na proporção dos aplausos que o mundo lhe oferece, mas na serenidade de sua aceitação cumprindo a sua vontade.


Com freqüência as coisas importantes para Deus passam despercebidas aos olhos dos homens.
Cresceu como todas as jovens, mas se distinguia por ser toda de Deus, guardando tudo em seu coração". [5]


A sua vida ,tão cheia de normalidade, ensina-nos a agir em tudo com olhos postos em Deus numa perpétua oferenda ao Senhor.


Maria é a aurora que preconiza a vinda Sol, o Sol da justiça que traz à luz aqueles que estão nas trevas do pecado.



Fonte: Ecclesia