Seguidores

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

Esteja ao lado de Nossa Senhora de Fátima como nunca pode imaginar.

Visite a Capela das Aparições, ON LINE.
Participe das orações, do terço e das missas diárias.

Clique na imagem de Nossa Senhora e estará em frente à Capelinha do Santuário de Fátima.

CAPELA DE NOSSA SENHORA DA MEDALHA MILAGROSA

Uma Capela cheia de segredos !Você quer descobri-la conosco? Saiba, antes de tudo, que a Casa Mãe da Companhia das Filhas da Caridade era o antigo "Hotel de Châtillon". Este, foi concedido à Companhia, em 1813, por Napoleão Bonaparte, depois da tormenta da Revolução Francesa. Imediatamente, começa a construção da Capela.A 8 de agosto de 1813, realizou-se a bênção solene da Capela dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. Em 1830, aconteceram então as aparições. Aumentou o numero de vocações.Foi necessário transformar a Capela, que passa então por várias modificações. Em 1930, por ocasião do centenário das apariçes, uma nova reforma nos mostra a Capela tal como a vemos hoje.Agora, a você a oportunidade de visitá-la!
http://www.chapellenotredamedelamedaillemiraculeuse.com

Visita a Capela da Medalha Milagrosa, localizada na Rue du Bac, 140 - Paris

Visita a Capela da Medalha Milagrosa, localizada na Rue du Bac, 140 - Paris
Clique sobre a foto para a visita guiada em 15 etapas
Mostrando postagens com marcador aborto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aborto. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Papa abre Igreja aos gays, aos divorciados e às mulheres que abortam

Papa abre Igreja aos gays, aos divorciados e às mulheres que abortam


Em entrevista à revista jesuíta italiana 'La Civiltà Cattolica', Francisco disse que a Igreja deve encontrar um 'novo equilíbrio'


19 de setembro de 2013 | 16h 51
 
Marcelo Godoy - O Estado de S. Paulo
 
SÃO PAULO - O papa Francisco abriu a Igreja Católica para homossexuais, divorciados e para as mulheres que fizeram o aborto. "A religião tem o direito de exprimir sua opinião própria a serviço das pessoas, mas Deus na criação nos fez livres: a ingerência espiritual na vida das pessoas não é possível", disse o papa em entrevista ao padre Antonio Spadaro, feita em agosto e publicada nesta quinta-feira, 19, pela revista jesuíta italiana La Civiltà Cattolica. "Não podemos insistir somente sobre as questões ligadas ao aborto, matrimônio homossexual e ao uso de contraceptivos. Isso não é possível." A reforma mais importante para ele, não é, pois, a administrativa da Igreja. Mas a que deve abrir a Igreja aos feridos. "Eu vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha." Para Francisco, a Igreja deve "encontrar uma novo equilíbrio". "De outra forma até o edifício moral da Igreja corre risco de cair como uma castelo de cartas e de perder a frescura e o perfume do Evangelho."

'Eu vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha', diz Francisco - Marcos de Paula/Estadão
 
Marcos de Paula/Estadão
 
'Eu vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha', diz Francisco
Em julho, no voo de volta a Roma, depois de participar da Jornada Mundial da Juventude no Rio, o papa já havia surpreendido ao afirmar que o catecismo da Igreja "diz que eles (gays) não devem ser discriminados por causa disso, mas devem ser integrados na sociedade." "Quem sou eu para julgar os gays", afirmou então.
A seguir os principais trechos da entrevista.
Sobre a Igreja. "Essa Igreja com a qual devemos conviver é a casa de todos e não a pequena capela que pode conter somente um grupinho de pessoas selecionadas. Não podemos reduzir o seio da Igreja universal ao ninho protetor da nossa mediocridade. E a Igreja é Mãe. A Igreja é fecunda, deve sê-lo. Veja, quando me dou conta dos comportamentos negativos dos ministros da Igreja ou dos consagrados ou consagrantes, a primeira coisa que me vem à cabeça é eis um solteirão, eis uma solteirona. Não são nem pais, nem mães. Não foram capazes da dar vida. Em vez disso, por exemplo, quando leio a vida dos missionários salesianos que partiram para a Patagônia, leio histórias de vida, de fecundidade".
Do que a Igreja mais precisa agora? Eu vejo com muita clareza que a coisa que a Igreja mais tem necessidade agora é a capacidade de curar feridas e de aquecer o coração dos fiéis, avizinhar-se, aproximar-se. Eu vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha. É inútil perguntar a um ferido grave se o seu colesterol ou a sua glicose são altos. Se deve curar as suas feridas. Depois podemos falar de todo o resto. Curar as feridas, curar as feridas. E é necessário começar de baixo. A Igreja, às vezes, fechou-se em torno de pequenas coisas, pequenos preceitos. A coisa mais importante é, em vez disso, o primeiro anúncio: Jesus Cristo nos salvou!. E os ministros da Igreja devem ser antes de tudo ministros da misericórdia. O confessor, por exemplo, corre sempre o perigo de ser muito rigoroso ou leniente. Nenhum dos dois é misericordioso porque nenhum deles se encarrega verdadeiramente das pessoas. As pessoas devem ser acompanhadas, e as feridas curadas."
Reformas na Igreja. As reformas organizacionais e administrativas são secundárias, isto é, vêm depois. A primeira reforma deve ser a do comportamento. Os ministros do Evangelho devem ser pessoas capazes de aquecer o coração das pessoas, de caminhar na noite com eles, de saber dialogar e de descer em sua noite, em sua escuridão sem perde-se. O povo de Deus precisa de pastores e não funcionários ou clérigos de Estado. O que importa é saber como estamos tratando o povo de Deus. Em vez de ser somente uma Igreja que acolhe e que recebe mantendo as portas abertas, procuremos ser uma Igreja que encontre novos caminhos, capaz de sair de si mesma e ir em direção de quem não a frequenta, de quem se foi ou que se tornou indiferente. Quem se foi, às vezes partiu por razões que, se bem compreendidas e avaliadas, podem levar a um retorno. Mas é necessário audácia e coragem.
Homossexuais, divorciados e aborto. Devemos anunciar o Evangelho em todos os caminhos, predicando a boa nova do Reino de Deus e curando com a nossa predicação todo tipo de ferida e de doença. Em Buenos Aires, recebia cartas de pessoas homossexuais, que são ‘feridas sociais’ porque me dizem que sentem como se a Igreja os tenha condenado para sempre. Mas a Igreja não quer fazer isso. Durante o voo de retorno do Rio de Janeiro eu disse o que diz o Catecismo. A religião tem o direito de exprimir sua opinião própria a serviço das pessoas, mas Deus na criação nos fez livres: a ingerência espiritual na vida das pessoas não é possível. Uma vez uma pessoa, de forma provocadora, me perguntou se eu aprovava a homossexualidade. Eu então respondi-lhe com uma outra pergunta: ‘Diga-me: Deus quando olha uma pessoa homossexual aprova a sua existência com afeto ou a repele condenando-a?’ É preciso sempre considerar a pessoa. Aqui entramos no mistério do homem. Na vida, Deus acompanha as pessoas e nós devemos acompanhá-las a partir da sua condição. É preciso acompanhá-las na misericórdia. Quando isso acontece, o Espírito Santo inspira o sacerdote a dizer coisas mais justas.
Esta é a grandeza da Confissão: o fato de avaliar caso a caso e poder discernir qual é a melhor coisa a fazer para uma pessoa que procura Deus e a sua graça. O confessionário não é uma sala de tortura, mas o lugar da misericórdia no qual o Senhor nos estimula a fazer o melhor que podemos. Penso também na situação das mulheres que tiveram sobre os ombros um matrimônio falido no qual até mesmo tenham abortado. Pois essa mulher se casou novamente e agora está serena, com cinco filhos. O aborto pesa sobre ela enormemente e ela está sinceramente arrependida. Ela gostaria de ir adiante na vida cristã. O que faz o confessor?
Não podemos insistir somente sobre as questões ligadas ao aborto, matrimônio homossexual e ao uso de contraceptivos. Isso não é possível. Eu não falei muito dessas coisas e isso me foi recriminado. Mas quando se fala disso, é necessário falar em um contexto. O parecer da Igreja, de resto, todos conhecem, e eu sou filho da Igreja, mas não é possível falar disso continuamente.
Os ensinamentos, tanto dogmáticos quanto morais, não são todos equivalentes. Uma pastoral missionária não é obcecada da transmissão desarticulada de uma multidão de doutrinas que se quer impor com insistência. O anúncio de tipo missionário se concentra sobre o essencial, sobre o necessário, que é também o que apaixona e atrai mais, que faz arder o nosso coração, como aos discípulos de Emaús. Devemos, pois, encontrar uma novo equilíbrio, de outra forma até o edifício moral da Igreja corre risco de cair como uma castelo de cartas, de perder a sua frescura e o perfume do Evangelho. A proposta evangélica deve ser mais simples, profunda e irradiante. E é dessa proposta que depois devem vir os ensinamentos morais.
Digo isso pensando à predicação e aos conteúdos da nossa predicação. Uma bela homilia deve começar com o primeiro anúncio, com o anúncio da salvação. Não há nada de mais sólido, profundo e seguro nesse anúncio. Depois se deve fazer a catequese. E, no fim, pode-se chegar a uma consequência moral. Mas o anúncio do amor salvífico de Cristo é prévio à obrigação moral e religiosa. Na maioria das vezes parece prevalecer o inverso. A homilia deve calibrar o avizinhar-se e a capacidade de encontro de um pastor com seu povo porque quem predica deve reconhecer o coração da sua comunidade para procurar onde é vivo e ardente o desejo de Deus. A mensagem evangélica não se pode reduzir, pois, a alguns de seus aspectos. Ainda que importantes, mas que sozinhos não manifestam o coração do ensinamento de Cristo
Quem é o papa Francisco? Não sei qual pode ser a definição mais justa... Eu sou um pecador. Esta é a definição mais justa. E não é um modo de dizer, um gênero literário. Sou um pecador. Sim, posso dizer que sou um pouco esperto, sei me mover, mas é verdade também que sou ingênuo. Sim, mas a síntese melhor, aquela que me vem do mais fundo de mim e que a sinto mais verdadeira é exatamente essa: ‘Sou um pecador do qual o Senhor cuidou’. Eu sou alguém que é cuidado e observado pelo Senhor. O meu moto Miserando atque eligendo (Olhou-o com misericórdia e o acolheu), escutei-o sempre como algo verdadeiro para mim. O gerúndio latino miserando é intraduzível em italiano ou espanhol. A mim me agrada traduzi-lo com um outro gerúndio que não existe: misericordiando. Eu não conheço Roma, conheço pouca coisa. Entre essas poucas coisas está (a igreja) Santa Maria Maior, onde ia sempre... São Pedro. Quando me hospedava em Roma, costumava ficar na Via della Scofra. Da li, visitava comumente a Igreja de São Luis dos Franceses e ia contemplar o quadro da vocação de São Mateus, de Caravaggio. Aquele dedo de Jesus assim... Em direção de Mateus. Assim sou eu. Assim me sinto. Como Mateus. É o gesto de Mateus que me toca. Ele segura o seu dinheiro como a dizer: ‘Não, não eu! Não, esse dinheiro é meu!’ E isso é o que eu disse quando me perguntaram se aceitava a minha eleição como pontífice.

Fonte: ESTADÃO.COM.BR

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

DIOCESE DE QUARULHOS PROVA A VERACIDADE DO DOCUMENTO


Blog
Reinaldo Azevedo
Análises políticas em um dos blogs mais acessados do Brasil

21/10/2010às 20:47

Em sua defesa, Diocese de Guarulhos prova que documento apreendido pela PF é verdadeiro e que texto defende princípios da Igreja, de acordo com a Constituição

Caras e caros, o post ficou um pouco longo. Mas peço que vocês leiam com atenção. Trata-se de um momento sério, grave, da democracia. Trata-se de sabermos se as garantias previstas no Artigo 5º da Constituição, cláusulas pétreas, valem ou não. Leiam e repassem.

*
A Mitra Diocesana de Guarulhos encaminhou ao Tribunal Superior Eleitoral o pedido de revogação da liminar que determinou a apreensão dos impressos que traziam um “apelo” aos brasileiros para que não votassem em candidatos simpáticos à descriminação do aborto. Por ordem do TSE, a Policia Federal apreendeu os folhetos que estavam na gráfica Pana, em São Paulo.

Tive acesso ao documento enviado ao tribunal e, confesso, cheguei a sentir vergonha da penúria em que se encontra o estado de direito no Brasil.

O que fez o ministro Henrique Neves da Silva, do TSE, determinar a apreensão?

a) a suposição de que o documento seria falso, já que não contaria com o endosso da CNBB;

b) o suposto crime eleitoral.É justamente a cristalina contestação dessas duas hipóteses, com fartura de dados, que provocou em mim aquela sensação de vergonha.

Sobre a suposta falsidade do documento, argumenta a Mitra Diocesana de Guarulhos (peço que vocês leiam; é fundamental):

O documento é verdadeiro e foi aprovado pelo CONSER -CONSELHO REGIONAL EPISCOPAL SUL-1, que compreende todo Estado de São Paulo, designado por CNBB-Regional Sul-1, distribuído em 41 Dioceses, na Assembléia Geral, registrada como “II ENCONTRO REGIONAL SUL-1 DAS CDDVs” (Comissões Diocesanas de Defesa da Vida).

A Assembléia aconteceu no dia 03.07.2010 e aprovou o “APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS”, conforme a ATA E A LISTA DE PRESENÇA de todos os Bispos Participantes (does. 22/25).

A convocação da Assembléia foi dirigida para todas as Dioceses. Cada diocese poderia comparecer por seu Bispo ou indicar um representante. Compareceram à Assembléia 57 pessoas. Foram expositores o Padre Berardo Graz (n.7), o Bispo Dom Nelson Westrupp, de Santo André-SP (n.14) e o Bispo Dom José Benedito Simão, de Assis-SP (n.15).

Os Bispos do Regional Sul-1, representados por sua diretoria executiva, composta por 11 Bispos, ratificaram o documento e emitiram a “NOTA DA COMISSÃO EPISCOPAL REPRESENTATIVA DO CONSELHO EPISCOPAL REGIONAL SUL l - CNBB, assinada pelo Presidente do CONSER-SUL-1, Dom Nelson Weistrupp, pelo Více-Presidente. do CONSER-SUL-1, Dom Benedito Beni dos Santos e pelo Secretário Geral do CONSER-SUL-1, Dom Aírton José dos Santos, que “acolhem e recomendam a ampla difusão do ‘APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS” elaborado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul l”, em 26.08.2010 (does. 26/27).

Depois de todas as etapas deliberativas e administrativas, documento “APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS” foi aprovado e determinada a publicação, por emails, no site do Regional Sul-1, em 31.07.2010 (does. 28/29).

Ao contrário do que afirma a representante Dilma e a Coligação Para o Brasil seguir Mudando, não se trata de um “panfleto”, mas de um documento da Igreja Católica. E o documento é verdadeiro.

Tanto é verdadeiro que a própria CNBB-Regionai Sul-1, contratou a impressão dos primeiros 100 milheiros, no formato A-4, frente e verso, na empresa Artes Gráficas Prática Ltda-ME, através da nota fiscal n. 2955 (does. 30/31).

Depois disso, a CNBB-Regional Sul-1 franqueou o documento, para ampla divulgação, como escrito na NOTA, para todas as outras Dioceses e Movimentos de Defesa da Vida que quisessem distribuir para seus fiéis, interessados e defensores da vida, evidentemente no formato e na quantidade que achassem melhor e mediante o custeio das despesas pelas mesmas interessadas.
Dessa forma, foi elaborado o formato que foi apreendido por ordem dessa E. Corte.
O serviço de impressão, inclusive, foi solicitado na MESMA GRÁFICA UTILIZADA PELO PARTIDO DOS TRABALHADORES, PORQUE TINHA O MELHOR PREÇO E CAPACIDADE PARA EXECUÇÃO DO SERVIÇO (Does. 32/33 ).

Destarte, É UM DOCUMENTO OFICIAL DA IGREJA CATÓLICA E DA CNBB-REGIONAL SUL-1, que compreende todo o Estado de São Paulo e tem autoridade para deliberar e expedir documentos em seu nome, orientando os fiéis.

Portanto, a CNBB-REGIONAL SUL-1, ELABOROU E APROVOU O “APELO” E EXPEDIU A “NOTA” recomendando sua ampla e irrestrita divulgação, que a requerente estava seguindo fielmente.(…)

Sobre a suposto crime eleitoral, argumenta a Diocese de Guarulhos: A Mitra Diocesana e o Bispo Dom Luiz Gonzaga Bergonzini não apoiaram nenhum candidato a deputado estadual ou federal, senador, governador ou presidente. Estão defendendo o Evangelho e a Doutrina Cristã e acompanhando a pregação e orientação do Papa Bento XVI, que desde o início de seu Papado, está alertando os católicos sobre o relativismo.

Relativismo é, por exemplo, votar em algum político que “rouba mas faz”. Se ele rouba, não poderia ser candidato. É mandamento cristão: “NÃO ROUBAR”. Em obediência ao mandamento, os católicos não devem votar em quem rouba.

Relativismo é, por exemplo, aceitar e votar num partido ou político que está empenhado na liberação do aborto. Cristo defende a vida. A Igreja Católica defende a vida. Os católicos defendem a vida. Os cristãos defendem a vida. A vida é o bem maior de todos os seres humanos. “NÃO MATAR” é um mandamento.

O aborto, para os cristãos, consiste na retirada de um ser humano em formação - que será depois uma criança, um jovem, um adulto, um idoso, até chegar à morte -, do útero de uma mulher e jogá-lo na privada, no lixo ou no esgoto.

A Igreja Católica Apostólica Romana segue o Evangelho de Jesus Cristo. Ela e seus sacerdotes - padres e bispos - fazem profissão de fé e estão obrigados a defender esses princípios, em todos os momentos de suas vidas.

Além da questão do aborto, o Código de Direito Canônico obriga o bispo a propor e explicar aos fiéis as verdades.

A CNBB-REGIONAL SUL-1, Mitra Diocesana de Guarulhos e Dom Luiz Gonzaga deram cumprimento aos cânones 386, §1 e §2, assim escritos:

“§1. O Bispo diocesano é obrigado a propor e explicar aos fiéis as verdades que se devem crer e aplicar aos costumes…” §2. Defenda com firmeza a integridade e unidade da fé, empregando os meios que parecerem mais adequados…”.

Temos, então, que o Direito Canônico obriga os Bispos a explicar as verdades e defender a integridade e unidade da fé. Inclusive a verdade sobre o aborto. Dom Luiz cumpriu sua obrigação canônica.

Dom Luiz poderia, inclusive, indicar candidatos, se quisesse. Isso não é proibido. Mas não o fez. Está apenas defendendo princípios. Se os princípios conflitam com os princípios de outras pessoas, partidos ou candidatos, as conseqüências cada um deve assumir para si. Se alguém tem posições contrárias aos princípios cristãos, deve expor e defender essas teses, assumindo a responsabilidade decorrente.

No caso presente, os bispos das 41 dioceses do Estado de São Paulo resolveram emitir um documento que explicasse em quem não votar, tendo como base principal o aborto, ponto que Sua Santidade o Papa Bento XVI vem, exaustivamente, chamando a atenção de todo o povo do mundo.

A vida é dom de Deus, bem indisponível, em qualquer tempo, tanto que auxiliar alguém a suicidar-se é crime capitulado no art 122, do Código Penal. Ninguém pode atentar contra nenhuma vida.

A apreensão dos documentos pertencentes à Mitra Diocesana de Guarulhos, autorizado pela CNBB-REGIONAL-SUl-1, é uma ação discriminatória da candidata Dilma Rousseff e da Coligação para o Brasil Seguir Mudando, que está perseguindo e tentando impedir a Igreja Católica e seus membros de expressar suas convicções religiosas.

Assim, requer se digne V. Exa de revogar a liminar e determinar a devolução de todo o material apreendido, por respeito à Constituição Federal e aos direitos constitucionais pétreos da requerente e de seus membros.

Voltei

A brilhante exposição dos advogados da Mitra Diocesana, João Carlos Biagini e Roberto Victalino de Brito Filho, lembra ainda o que deveria ser corriqueiro na vida pública brasileira: este é um país em que a Constituição garante a liberdade religiosa e a liberdade de expressão, sendo vedada a censura.

O documento da Diocese lembra ainda que todos os dados relacionados no “APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS”, que relacionam o PT e sua candidata à defesa da descriminalização do aborto, são verdadeiros e públicos.

Olhem aqui, meus caros: o que está em debate é o direito de uma igreja orientar os seus fiéis, direito este que foi suspenso por causa do processo eleitoral. E nada, na Constituição, autoriza tal suspensão. Mais: o argumento de que o documento da Regional Sul I é falso é um escândalo em si mesmo.

Pela primeira vez na história, desde a redemocratização do Brasil, usam-se as eleições para suspender garantias previstas no Artigo 5º da Constituição, cláusulas pétrea, que não podem ser revogadas nem por emenda constitucional.

Por Reinaldo Azevedo

Fonte: Veja

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

"NÃO" - ARMADILHA À DEFESA DA VIDA

Lógica do “não”, armadilha à defesa da vida
Entrevista com organizador de livro que aborda bioética e Documento de Aparecida
Por Alexandre Ribeiro

SÃO PAULO,

- A redução da defesa da vida à lógica do “não” –como se a única preocupação fosse proibir o aborto, a eutanásia, a manipulação de embriões humanos– é um armadilha da qual têm sido vítimas as pessoas que atuam nesse campo.
Mas “a grande atuação da comunidade católica, de cada cristão consciente em sua vida cotidiana, é no ‘sim’ à vida, através da acolhida pessoal às pessoas que, por razões psicológicas, afetivas e/ou materiais tenderiam a fazer opções que negam a vida”, explica o Prof. Dr. Francisco Borba Ribeiro Neto.
Coordenador de projetos do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), o Prof. Francisco Borba é um dos organizadores do recém-lançado livro “Um diálogo latino-americano: bioética e Documento de Aparecida” (Difusão Editora). Ele falou a ZENIT sobre a obra e sua abordagem.

–Qual é o tema ou desafio particular no campo da bioética que mais o preocupa no contexto latino-americano hoje? Que contribuições o Documento de Aparecida traz para iluminá-lo?

–Prof. Francisco Borba: A defesa da vida praticada pelos católicos, não só na América Latina, mas no mundo inteiro, tem sido vítima de uma terrível armadilha da mídia: ela é reduzida à lógica do “não”, como se nossa única preocupação fosse proibir o aborto, a eutanásia, a manipulação de embriões humanos, etc. Mas a grande atuação da comunidade católica, de cada cristão consciente em sua vida cotidiana, é no “sim” à vida, através da acolhida pessoal às pessoas que, por razões psicológicas, afetivas e/ou materiais tenderiam a fazer opções que negam a vida.
Existem alguns dias no ano em que somos chamados a subscrever um plebiscito ou participar de um ato público em defesa da vida, mas em todos os dias do ano estamos acolhendo a gestantes que gostariam de abortar, adotando crianças abandonadas, cuidando de idosos e pacientes terminais. Não somos a favor da vida apenas porque temos uma visão de mundo que reconhece a dignidade inalienável de cada pessoa desde a concepção até a morte natural. Somos a favor da vida também porque temos uma prática de acolhida, de amor ao outro, que nos mostra que a verdadeira felicidade – tanto para aqueles que sofrem quanto para nós que somos chamados a acolhê-los – não pode nascer da negação da vida, mas apenas de sua afirmação.
O que mais me preocupa no campo da bioética no contexto latino-americano, portanto, é justamente o perigo de cairmos – católicos e homens de boa vontade não católicos – nessa armadilha e não compreendermos a riqueza humana que fundamenta a defesa da vida.
O Documento de Aparecida nos ajuda a escapar dessa armadilha ao articular as duas questões básicas da bioética para nós latino-americanos, o sentido da vida e a opção pelos pobres, num único documento. Não dá para compreender essas coisas se a opção pelos pobres é entendida apenas no sentido materialista, sem uma reflexão sobre o sentido da vida de cada um, mas também não dá para pensar o sentido da nossa vida, enquanto cristãos latino-americanos, sem se comprometer com os mais pobres e em situação de sofrimento. Espero que estes dois aspectos fiquem claros para quem ler o livro.

–Poderia explicar a relação entre bioética, opção preferencial pelos pobres e justiça social?

–Prof. Francisco Borba: Apesar de nossa reflexão ter se iniciado com o Documento de Aparecida, não é possível responder hoje a esta questão sem fazer referência à nova encíclica do Papa, Caritas in veritate. Creio que não será possível refletir sobre a opção pelos pobres, no futuro, sem referir-se a esta encíclica.
Em primeiro lugar, a opção pelos pobres é, simultaneamente, um ato de amor e de justiça. Como a encíclica nos lembra, o amor (que é dar ao outro parte do que é nosso) é maior que a justiça (que é dar ao outro aquilo que é dele), mas o amor – por isso mesmo – deve ser precedido pela justiça. Muitas vezes, no passado, a opção pelos pobres foi justificada em termos de realização de uma utopia na terra. Como esta utopia não aconteceu, a opção pelos pobres pode parecer uma cosia sem sentido ou um esforço moralista da parte dos cristãos.
Caritas in veritate nos ajuda a compreender que a razão de ser da opção pelos pobres não é a utopia, mas o amor – criando um compromisso que é moral, mas não é moralista, é uma norma que deve ser seguida não por uma ordem externa, mas para uma realização pessoal de nós mesmos.
A bioética – tratando de situações limites, na fronteira entre a vida e a morte, entre o sofrimento e a realização humana – é o espaço onde o amor ao ser humano concreto, em suas dores e limitações, se torna mais denso e desafiador em nossa sociedade. Assim, desde as relações familiares (que o Papa chama de micro-relações) até as políticas públicas (as macro-relações), a bioética nos leva a repensar o sentido do amor para a vida social. Por isso o Papa mostra que nossa postura em relação à defesa da vida tem implicações até mesmo na vida econômica.

–Qual é a importância do livro “Um diálogo latino-americano: bioética e Documento de Aparecida”?

–Prof. Francisco Borba: A importância desse lançamento vem de duas razões. Em primeiro lugar, os vários autores aplicam os ensinamentos do Documento de Aparecida a uma área específica e bastante polêmica, que é a da bioética.
Os bispos reunidos em Aparecida reafirmaram os pontos essenciais do Magistério da Igreja em relação à defesa da vida, porém é interessante retomar esses pontos a partir das peculiaridades do continente latino-americano e dos desafios deste momento de mudança no qual vivemos.
Além disso, o livro traz, de forma sistemática, os principais aspectos do Magistério em relação à defesa da vida apresentados por especialistas – geralmente professores universitários – que os explicam a partir da ótica de suas disciplinas específicas. Trata-se, portanto, de um diálogo entre o Magistério da Igreja, a realidade latino-americana e as várias ciências que se ocupam das questões bioéticas.

Fonte: ZENIT.org

terça-feira, 7 de abril de 2009

"ABORTO NÃO É QUESTÃO POLITICA, MAS DE VERDADEIRA HUMANIDADE"

«Aborto não é questão política, mas de verdadeira humanidade»
O cardeal Cañizares defende a vida na homilia do Domingo de Ramos

TOLEDO,


=O cardeal Antonio Cañizares, administrador apostólico de Toledo e prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, afirmou que o aborto não é uma questão política, mas de verdadeira humanidade, na homilia que pronunciou neste Domingo de Ramos na catedral de Toledo.
«Não pode haver uma ampliação de lei do aborto: vai contra o homem e vai contra os desígnios de Deus, vai contra a Cruz de Cristo, onde está a verdade de Deus e a verdade do homem, do homem amado até o extremo, do homem que merece todo esse amor infinito que paga o sangue por todo homem; não podemos resignar-nos a isso», afirma.
«Não é uma questão de partido – bem sabe Deus que não faço uma questão política! – mas digo diante da Cruz de Cristo que não podemos voltar a rejeitar Cristo, onde está todo o amor, toda a verdade e a grandeza do homem, que deve ser respeitado, querido e amado», acrescentou.
Após presidir a procissão de Ramos, o cardeal animou a aclamar Jesus «gerando com Ele e a partir d’Ele uma corrente de paz, de reconciliação, de perdão, de solidariedade, de fraternidade universal, de amor, de serviço, uma nova civilização do amor, que nasce d’Ele, de afirmação da vida do homem sempre e em todo momento, de aposta pela dignidade inviolável de todo ser humano que é tão amado por Deus, até a cruz».
O cardeal insistiu em unir-se a Jesus «frente à violência, frente à destruição do homem ainda não-nascido, frente ao terrorismo, o ódio, as lutas, os confrontos e as divisões entre os homens».
«Abramos uma corrente cheia de ímpeto e fortaleza, que faça do amor a Deus e ao próximo a suprema norma da vida individual e social, frente a essa corrente cega de agressão, de falta de respeito ao homem, de violação da dignidade humana, de eliminação da vida do homem, inclusive do inocente e do não-nascido», assinalou.
Também teve uma recordação para os milhares de jovens que se encontravam nesse mesmo momento na Praça de São Pedro com o Papa, de quem receberam a Cruz que presidirá a próxima Jornada Mundial da Juventude de 2011 em Madri.


Fonte:ZENIT.org

sexta-feira, 27 de março de 2009

ABORTO: NÃO SE DEIXAR IMPRESSIONAR POR "DISCURSOS ENGANOSOS"

Não se deixar impressionar por «discursos enganosos» sobre o aborto
Arcebispo de São Paulo convida católicos para manifestação em defesa da vida

SÃO PAULO,
- Ao convidar os católicos a participarem de uma manifestação contra o aborto na manhã deste sábado, na praça da Sé, em São Paulo, o cardeal Odilo Scherer adverte contra o risco de se deixar impressionar por discursos enganosos sobre o tema.
«Não nos deixemos impressionar por discursos enganosos. Não dá para justificar o aborto a partir da Bíblia, sem forçar interpretação da Escritura», afirma o arcebispo, na edição desta semana do jornal «O São Paulo».
Segundo Dom Odilo, a decisão sobre a vida e a morte de seres humanos «não pode ser deixada à iniciativa e decisão privada, nem deve depender da lógica da vantagem ou da comodidade individual».
«É dever do Estado proteger as pessoas e garantir a defesa e o respeito à sua vida. Não se pode privatizar esta responsabilidade!»
«Da parte do Estado seria uma atitude cínica descarregar na conta da mulher, ou de outra pessoa, uma responsabilidade tão grande! E seria muito arriscado, pois quem levaria sempre a pior seriam os doentes, indefesos e incapazes de resistir à vontade dos mais fortes», afirma.
O arcebispo de São Paulo considera que os fiéis não devem se assustar se alguém discorda ou até trata com preconceito a posição católica contrária ao aborto.
«Deveríamos ficar até honrados quando identificam a posição católica como contrária ao aborto. Oxalá todas as pessoas que têm fé em Deus também defendessem de maneira firme a dignidade e a vida do ser humano em todas as circunstâncias e em cada uma de suas etapas.»
Mesmo assim –prossegue o arcebispo–, «é inaceitável que isso seja um dever apenas de pessoas religiosas».
«Acaso podem matar outros seres humanos aqueles que não crêem em Deus ou não praticam nenhuma religião? O respeito à vida é um preceito ético que obriga a todos.»
O arcebispo chama também a que «não nos deixemos impressionar nem enganar por discursos que reivindicam a autonomia na decisão sobre a vida de outros, ou até mesmo um suposto “direito humano” ao aborto».
«Tendo em vista que o aborto implica sempre na morte de um ser humano inocente e indefeso, é absurda a reivindicação de semelhante “direito”», explica.
Dom Odilo afirma que a manifestação na praça da Sé, às 10h da manhã do dia 28 de março, será uma ação concreta «contra toda forma de violência e agressão contra a vida, principalmente o aborto provocado».
«É necessário que nos manifestemos e expressemos com clareza e firmeza nossa convicção», destaca.

Fonte: ZENIT.org

SÃO PAULO - AMANHÃ "GRANDE ATO PÚBLICO DE DEFESA DA VIDA"

Ato público contra o aborto neste sábado em São Paulo
SÃO PAULO,

- Movimentos Pró-Vida no Brasil realizam no próximo sábado um «Grande Ato Público de Defesa da Vida». O evento acontece neste 28 de março, às 10h, na praça da Sé, em São Paulo.
O cartaz de convocatória do ato público recorda que se o Projeto de Lei 1135/91, em tramitação no Congresso Nacional, for aprovado, o aborto estará permitido no Brasil até o nono mês de gravidez.

Fonte: ZENIT.org

terça-feira, 17 de março de 2009

EXCOMUNHÃO: PRESIDENTE DA PONTIFÍCIA ACADEMIA PARA A VIDA, DOM RINO FISICHELLA SE PRONUNCIA A RESPEITO DO CASO DA MENINA DE 9 ANOS

DOM RINO FISICHELLA COMENTA CASO DE ALAGOINHA

O presidente da Pontifícia Academia para a Vida, Dom Rino Fisichella, comentou no jornal da Santa Sé, L’Osservatore Romano, o caso da menina brasileira de nove anos que interrompeu a gravidez de dois gêmeos concebidos após ser violentada pelo seu padrasto em Alagoinha (PE).A seguir o texto do arcebispo Dom Rino Fisichella"O debate sobre algumas questões freqüentemente se torna cerrado e as diferentes perspectivas nem sempre permitem considerar o quanto o acontecimento em jogo seja realmente grande. É este o momento em que se deve olhar o essencial e, por um momento, deixar de lado aquilo que não toca diretamente o problema. O caso em sua dramaticidade é simples. Uma menina de apenas nove anos, a quem chamaremos Carmen, e a quem devemos olhar fixamente nos olhos sem distrair sequer um minuto, para fazê-la entender o quanto a queremos bem. Carmen, em Alagoinha, foi violentada várias vezes pelo seu jovem padrasto, engravidou de dois gêmeos e nunca mais teve uma vida tranqüila. A ferida é profunda porque a violência a destruiu por dentro e dificilmente lhe permitirá no futuro olhar os outros com amor.Carmen representa uma história de violência cotidiana e ganhou as páginas dos jornais somente porque o arcebispo de Olinda e Recife se apressou em excomungar os médicos que a ajudaram a interromper a gravidez. Uma história de violência que, infelizmente, teria passado despercebida, pois estamos acostumados a ver todos os dias fatos de uma gravidade sem igual, se não fossem as reações causadas pela atuação do bispo. A violência sobre uma mulher é grave, e se torna ainda mais deplorável quando perpetrada contra uma menina pobre, que vive em condição de degradação social. Não existe linguagem correspondente para condenar tais episódios, e os sentimentos que surgem são muitas vezes uma mistura de raiva e de rancor que se acalmam somente quando a justiça é feita realmente e se tem certeza de que o criminoso será punido.Carmen deveria ter sido em primeiro lugar defendida, abraçada, acariciada com doçura para fazê-la sentir que estamos todos com ela; todos, sem exceção. Antes de pensar na excomunhão era necessário e urgente salvaguardar sua vida inocente e recolocá-la num nível de humanidade da qual nós homens de Igreja devemos ser anunciadores e mestres. Assim não foi feito e, infelizmente, a credibilidade de nosso ensinamento sofre com isso, pois aparece aos olhos de muitos como insensível, incompreensível e sem misericórdia. É verdade, Carmen trazia consigo outras vidas inocentes como a sua, não obstante fossem frutos da violência, e foram ceifadas; isso, todavia, não basta para fazer um julgamento que pesa como uma guilhotina.No caso de Carmen se confrontaram a vida e a morte. Por causa de sua tenra idade e de suas condições de saúde precárias sua vida corria sério risco por causa da gravidez. Como agir nestes casos? Decisão árdua para o médico e para a lei moral. Escolha como esta, mesmo como uma casuística diferente, se repetem cotidianamente nas salas de tratamento intensivo e o médico se encontra só no ato de decidir o que fazer. Ninguém chega a uma decisão desse tipo com desenvoltura; é injusto e ofensivo pensá-lo.O respeito devido ao profissionalismo do médico é uma regra que deve envolver todos e não pode consentir chegar a um julgamento negativo sem antes considerar o conflito criado em seu íntimo. O médico traz consigo sua história e sua experiência; uma escolha como essa de ter que salvar uma vida, sabendo que coloca em sério risco outra, jamais é vivida com facilidade. Certo, alguns se acostumam a tais situações que e as vivem sem sentimento; nestes casos, porém, a vocação de ser médico é reduzida apenas a uma profissão vivida sem entusiasmo e passivamente. Fazer de um caso um todo, além de incorreto seria injusto.Carmen repropôs um caso moral entre os mais delicados; tratá-lo de forma rápida não faria justiça nem à sua frágil pessoa nem aos que estão envolvidos no caso. Como todo caso singular e concreto, merece ser analisado de forma peculiar, sem generalizações. A moral católica possui princípios dos quais não pode prescindir, mesmo se o quisesse. A defesa de uma vida humana desde a sua concepção pertence a um destes princípios e se justifica pela sacralidade da existência. Todo ser humano, de fato, desde o primeiro instante de vida traz consigo a imagem do Criador, e por isto estamos convictos de que devem ser reconhecidos os direitos e a dignidade de toda pessoa, primeiro entre todos o de sua intangibilidade e inviolabilidade. O aborto não espontâneo sempre foi condenado pela lei moral como um ato intrinsecamente mau e este ensinamento permanece imutável em nossos dias desde os primórdios da Igreja. O Concílio Vaticano II na Gaudium es spes - documento de grande abertura e perspicácia em relação ao mundo contemporâneo - usa de forma inesperada palavras inequívocas e duríssimas contra o aborto direto. A colaboração formal constitui uma culpa grave que, quando realizada, exclui automaticamente da comunidade cristã. Tecnicamente, o código de Direito Canônico usa a expressão latae sententiae para indicar que a excomunhão se atua automaticamente no momento em que o fato acontece.Não era preciso tanta urgência e publicidade ao declarar um fato que se realiza de maneira automática. O que se sente maior necessidade neste momento é o sinal de um testemunho de proximidade a quem sofre, um ato de misericórdia que, mesmo mantendo firme o princípio, é capaz de olhar além da esfera jurídica para atingir aquilo que o direito prevê como objetivo de sua existência: o bem e a salvação daqueles que crêem no amor do Pai e daqueles que acolhem o Evangelho de Cristo como as crianças, que Jesus chamava para junto de si e as abraçava dizendo que o reino dos céus pertence a quem é como elas.Carmen, estamos do seu lado. Partilhamos o sofrimento pelo qual passou, queremos fazer de tudo para lhe restituir a dignidade que lhe foi tirada e o amor de que você precisa ainda mais. São outros que merecem a excomunhão e o nosso perdão, não os que lhe permitiram viver e ajudam a recuperar a esperança e a confiança, não obstante a presença do mal e a maldade de muitos".


Fonte: RV

segunda-feira, 16 de março de 2009

DENUNCIAR "CORAJOSAMENTE" A CULTURA ABORTISTA

Denunciar «corajosamente» a cultura abortista, chama arcebispo brasileiro
Relativismo é «veneno terrível na cultura contemporânea», afirma D. Walmor de Azevedo

BELO HORIZONTE,

- O arcebispo de Belo Horizonte (Minas Gerais), Dom Walmor Oliveira de Azevedo, adverte contra o «veneno terrível» do relativismo na sociedade e chama a denunciar «corajosamente» a cultura abortista.
«O relativismo ético que fermenta a cultura contemporânea está solapando o sentido inviolável na consideração da vida humana», afirma o arcebispo, em artigo enviado a Zenit na sexta-feira.
Por isso –prossegue Dom Walmor–, «o horizonte está, lamentavelmente, povoado de acontecimentos bárbaros como o estupro de crianças, todo tipo de exploração sexual, violências hediondas; e a ‘abominação da desolação’ da cultura abortista que vai tomando conta das considerações e dos procedimentos na sociedade». O arcebispo explica que o «resultado nefasto» do «relativismo que reina incontestado» é que «o próprio “direito” deixa de o ser, porque já não está solidamente fundado sobre a inviolável dignidade da pessoa, mas fica sujeito à vontade do mais forte».
«Deste modo e para descrédito das suas regras, a democracia caminha pela estrada de um substancial totalitarismo.»
«O Estado deixa de ser a “casa comum”, onde todos podem viver segundo princípios de substancial igualdade, e transforma-se num Estado tirano, que presume de poder dispor da vida dos mais débeis e indefesos, desde a criança ainda não nascida até ao idoso, em nome de uma utilidade pública que, na realidade, não é senão o interesse de alguns», afirma.
«Quando uma maioria parlamentar ou social decreta a legitimidade da eliminação, mesmo sob certas condições, da vida humana ainda não nascida, por ventura não assume uma decisão “tirânica” contra o ser humano mais débil e indefeso?», questiona.
Dom Walmor considera que é preciso, «corajosamente, denunciar a cultura abortista que está na onda de muitos». «A sociedade toda precisa tomar consciência de que o veneno do relativismo é tão grave quanto os outros venenos que vão corroendo o tecido de uma sociedade justa e solidária.»
Segundo o arcebispo, é necessário «recompor a consciência diluída pelo relativismo com a recuperação de valores e com o confronto com as penalizações devidas para a correção de casos e situações».
«Este entendimento norteia o coração do discípulo de Jesus Cristo e indica o caminho perdido que a humanidade deste terceiro milênio precisa encontrar.»
«A referência insubstituível é: A vida é presente gratuito de Deus, dom e tarefa que devemos cuidar desde a fecundação, em todas as suas etapas, até a morte natural, sem relativismos. Só este compromisso e por este caminho se gerará a nova cultura da vida», afirma.
Fonte: ZENIT.org

domingo, 15 de março de 2009

EXCOMUNHÃO : VATICANO CRITICA NO CASO DE ABORTO NO BRASIL

Vaticano critica excomunhão no caso de aborto no Brasil
14/03/2009 - 20:32 - BBC Brasil

Em artigo publicado pelo jornal da Santa Sé, o Osservatore Romano , neste sábado, o presidente da Academia Pontifícia para a Vida, Monsenhor Rino Fisichella afirma que os médicos que praticaram o aborto na menina de 9 anos, grávida de gêmeos após ter sido estuprada pelo padrasto, não mereciam a excomunhão. "São outros que merecem a excomunhão e nosso perdão, não os que lhe permitiram viver e a ajudarão a recuperar a esperança e a confiança, apesar da presença do mal e da maldade de muitos", escreve Monsenhor Rino Fisichella, um dos mais próximos colaboradores do papa Bento 16 e maior autoridade do Vaticano em bioética.

Na avaliação do prelado, o arcebispo de Recife e Olinda, José Cardoso Sobrinho, foi apressado e deveria ter se preocupado primeiro com a menina."

O caso ganhou as páginas dos jornais somente porque o arcebispo de Olinda e Recife se apressou em declarar a excomunhão para os médicos que a ajudaram a interromper a gravidez. Uma história de violência que, infelizmente, teria passado despercebida se não fosse pelo alvoroço e pelas reações provocadas pelo gesto do bispo."Segundo Monsenhor Fisichella, o anúncio da excomunhão por parte de D. Jose Cardoso Sobrinho colocou em risco a credibilidade da Igreja Católica.

"Era mais urgente salvaguardar a vida inocente e trazê-la para um nível de humanidade, coisa em que nós, homens de igreja, devemos ser mestres. Assim não foi e infelizmente a credibilidade de nosso ensinamento está em risco, pois parece insensível e sem misericórdia", escreve o bispo.

Na avaliação do prelado, a pratica do aborto neste caso não teria sido suficiente para dar um parecer que "pesa como um machado", porque houve uma contraposição entre vida e morte.

Ele reconhece que, devido à idade e às precárias condições de saúde, a menina corria serio risco de vida por causa da gravidez. E justifica os médicos, que em sua opinião, merecem respeito profissional.

"Como agir nesses casos?
É uma decisão difícil para os médicos e para a própria lei moral. Não é possível dar parecer negativo sem considerar que a escolha de salvar uma vida, sabendo que se coloca em risco uma outra, nunca é fácil. Ninguém chega a uma decisão dessas facilmente, é injusto e ofensivo somente pensar nisso."De acordo com o presidente da Academia Pontifícia para a Vida, segundo a moral católica a defesa da vida humana desde sua concepção è um principio imprescindível.

O aborto não espontâneo sempre foi e continua sendo condenado com a excomunhão, que é automática.

"Não era, portanto, necessária tanta urgência em dar publicidade e declarar um fato que se atua de forma automática, mas sim um gesto de misericórdia."
Fonte: BBC Brasil

quinta-feira, 12 de março de 2009

EXCOMUNHÃO : CARTA DO PADRE DE ALAGOINHA SOBRE ABORTO E EXCOMUNHÃO

Leia a carta do padre de Alagoinha sobre aborto e excomunhão

IGRAJA DA CIDADE DE ALAGOINHA - Pe.- Brasil

Edson Rodrigues é pároco da cidade onde menina de 9 anos engravidou do padrasto e abortou
Da Redação - estadao.com.br

SÃO PAULO - Leia a íntegra da carta do padre Edson Rodrigues, pároco da cidade de Alagoinha, palco da história da menina de 9 anos que, estuprada pelo padrasto engravidou de gêmeos e abortou com a ajuda de um grupo de médicos e de sua família.

O lado que a imprensa deixou de contar

Há cerca de oito dias, nossa cidade foi tomada de surpresa por uma trágica notícia de um acontecimento que chocou o país: uma menina de 9 anos de idade, tendo sofrido violência sexual por parte de seu padrasto, engravidou de dois gêmeos.
Além dela, também sua irmã, de 13 anos, com necessidade de cuidados especiais, foi vitima do mesmo crime.
Aos olhos de muitos, o caso pareceu absurdo, como de fato assim também o entendemos, dada a gravidade e a forma como há três anos isso vinha acontecendo dentro da própria casa, onde moravam a mãe, as duas garotas e o acusado.

O Conselho Tutelar de Alagoinha, ciente do fato, tomou as devidas providências no sentido de apossar-se do caso para os devidos fins e encaminhamentos.
Na sexta-feira, dia 27 de fevereiro, sob ordem judicial, levou as crianças ao IML de Caruaru-PE e depois ao IMIP (Instituto Médico Infantil de Pernambuco), de Recife a fim de serem submetidas a exames sexológicos e psicológicos.
Chegando ao IMIP, em contato com a Assistente Social Karolina Rodrigues, a Conselheira Tutelar Maria José Gomes, foi convidada a assinar um termo em nome do Conselho Tutelar que autorizava o aborto.
Frente à sua consciência cristã, a Conselheira negou-se diante da assistente a cometer tal ato.
Foi então quando recebeu das mãos da assistente Karolina Rodrigues um pedido escrito de próprio punho da mesma que solicitava um "encaminhamento ao Conselho Tutelar de Alagoinha no sentido de mostrar-se favorável à interrupção gestatória da menina, com base no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) e na gravidade do fato".
A Conselheira guardou o papel para ser apreciado pelos demais Conselheiros colegas em Alagoinha e darem um parecer sobre o mesmo com prazo até a segunda-feira dia 2 de março.
Os cinco Conselheiros enviaram ao IMIP um parecer contrário ao aborto, assinado pelos mesmos. Uma cópia deste parecer foi entregue à assistente social Karolina Rodrigues que o recebeu na presença de mais duas psicólogas do IMIP, bem como do pai da criança e do Pe. Edson Rodrigues, Pároco da cidade de Alagoinha.

No sábado, dia 28, fui convidado a acompanhar o Conselho Tutelar até o IMIP em Recife, onde, junto à conselheira Maria José Gomes e mais dois membros de nossa Paróquia, fomos visitar a menina e sua mãe, sob pena de que se o Conselho não entregasse o parecer desfavorável até o dia 2 de março, prazo determinado pela assistente social, o caso se complicaria.
Chegamos ao IMIP por volta das 15 horas. Subimos ao quarto andar onde estavam a menina e sua mãe em apartamento isolado.
O acesso ao apartamento era restrito, necessitando de autorização especial.
Ao apartamento apenas tinham acesso membros do Conselho Tutelar, e nem todos. Além desses, pessoas ligadas ao hospital. Assim sendo, à área reservada tiveram acesso naquela tarde as conselheiras Jeanne Oliveira, de Recife, e Maria José Gomes, de nossa cidade.

Com a proibição de acesso ao apartamento onde menina estava, me encontrei com a mãe da criança ali mesmo no corredor.
Profunda e visivelmente abalada com o fato, expôs para mim que tinha assinado "alguns papéis por lá".
A mãe é analfabeta e não assina sequer o nome, tendo sido chamada a pôr as suas impressões digitais nos citados documentos.

Perguntei a ela sobre o seu pensamento a respeito do aborto.
Valendo-se se um sentimento materno marcado por preocupação extrema com a filha, ela me disse da sua posição desfavorável à realização do aborto.
Essa palavra também foi ouvida por Robson José de Carvalho, membro de nosso Conselho Paroquial que nos acompanhou naquele dia até o hospital.
Perguntei pelo estado da menina.
A mãe me informou que ela estava bem e que brincava no apartamento com algumas bonecas que ganhara de pessoas lá no hospital.
Mostrava-se também muito preocupada com a outra filha que estava em Alagoinha sob os cuidados de uma família.
Enquanto isso, as duas conselheiras acompanhavam a menina no apartamento. Saímos, portanto do IMIP com a firme convicção de que a mãe da menina se mostrava totalmente desfavorável ao aborto dos seus netos, alegando inclusive que "ninguém tinha o direito de matar ninguém, só Deus".

Na segunda-feira, retornamos ao hospital e a história ganhou novo rumo.
Ao chegarmos, eu e mais dois conselheiros tutelares, fomos autorizados a subirmos ao quarto andar onde estava a menina.
Tomamos o elevador e quando chegamos ao primeiro andar, um funcionário do IMIP interrompeu nossa subida e pediu que deixássemos o elevador e fôssemos à sala da Assistente Social em outro prédio.
Chegando lá fomos recebidos por uma jovem assistente social chamada Karolina Rodrigues. Entramos em sua sala eu, Maria José Gomes e Hélio, Conselheiros de Alagoinha, Jeanne Oliveira, Conselheira de Recife e o pai da menina, o Sr. Erivaldo, que foi conosco para visitar a sua filha, com uma posição totalmente contrária à realização do aborto dos seus netos.
Apresentamo-nos à Assistente e, ao saber que ali estava um padre, ela de imediato fez questão de alegar que não se tratava de uma questão religiosa e sim clínica, ainda que este padre acredite que se trata de uma questão moral.

Perguntamos sobre a situação da menina como estava. Ela nos afirmou que tudo já estava resolvido e que, com base no consentimento assinado pela mãe da criança em prol do aborto, os procedimentos médicos deveriam ser tomados pelo IMI dentro de poucos dias.
Sem compreender bem do que se tratava, questionei a assistente no sentido de encontrar bases legais e fundamentos para isto.
Ela, embora não sendo médica, nos apresentou um quadro clínico da criança bastante difícil, segundo ela, com base em pareceres médicos, ainda que nada tivesse sido nos apresentado por escrito.

Justificou-se com base em leis e disse que se tratava de salvar apenas uma criança, quando rebatemos a idéia alegando que se tratava de três vidas.
Ela, desconsiderando totalmente a vida dos fetos, chegou a chamá-los em "embriões" e que aquilo teria que ser retirado para salvar a vida da criança.
Até então ela não sabia que o pai da criança estava ali sentado ao seu lado.
Quando o apresentamos, ela perguntou ao pai, o Sr. Erivaldo, se ele queria falar com ela.
Ele assim aceitou.
Então a assistente nos pediu que saíssemos todos de sua sala os deixassem a sós para a essa conversa.
Depois de cerca de vinte e cinco minutos, saíram dois da sala para que o pai pudesse visitar a sua filha.
No caminho entre a sala da assistente e o prédio onde estava o apartamento da menina, conversei com o pai e ele me afirmou que sua idéia desfavorável ao aborto agora seria diferente, porque "a moça me disse que minha filha vai morrer e, se é de ela morrer, é melhor tirar as crianças", afirmou o pai quase que em surdina para mim, uma vez que, a partir da saída da sala, a assistente fez de tudo para que não nos aproximássemos do pai e conversássemos com ele.
Ela subiu ao quarto andar sozinha com ele e pediu que eu e os Conselheiros esperássemos no térreo.
Passou-se um bom tempo. Eles desceram e retornamos à sala da assistente social.
O silêncio de que havia algo estranho no ar me incomodava bastante. Desta vez não tive acesso à sala. Porém, em conversa com os conselheiros e o pai, a assistente social Karolina Rodrigues, em dado momento da conversa, reclamou da Conselheira porque tinha me permitido ver a folha de papel na qual ela solicitara o parecer do Conselho Tutelar de Alagoinha favorável ao aborto e rasgou a folha na frente dos conselheiros e do pai da menina.
A conversa se estendeu até o final da tarde quando, ao sair da sala, a assistente nos perguntava se tinha ainda alguma dúvida. Durante todo o tempo de permanência no IMIP não tivemos contato com nenhum médico. Tudo o que sabíamos a respeito do quadro da menina era apenas fruto de informações fornecidas pela assistente social.
Despedimo-nos e voltamos para nossas casas. Aos nossos olhos, tudo estava consumado e nada mais havia a fazer.

Dada a repercussão do fato, surge um novo capítulo na história.
O Arcebispo Metropolitano de Olinda e Recife, Dom José Cardoso, e o bispo de nossa Diocese de Pesqueira, Dom Francisco Biasin, sentiram-se impelidos a rever o fato, dada a forma como ele se fez.
Dom José Cardoso convocou, portanto, uma equipe de médicos, advogados, psicólogos, juristas e profissionais ligados ao caso para estudar a legalidade ou não de tudo o que havia acontecido. Nessa reunião que se deu na terça-feira, pela manhã, no Palácio dos Manguinhos, residência do Arcebispo, estava presente o Sr. Antonio Figueiras, diretor do IMIP que, constatando o abuso das atitudes da assistente social frente a nós e especialmente com o pai, ligou ao hospital e mandou que fosse suspensa toda e qualquer iniciativa que favorecesse o aborto das crianças.
E assim se fez.

Um outro encontro de grande importância aconteceu. Desta vez foi no Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco, na tarde da terça-feira.
Para este, eu e mais dois Conselheiros, bem como o pai da menina formos convidados naquela tarde.
Lá no Tribunal, o desembargador Jones Figueiredo, junto a demais magistrados presentes, se mostrou disposto a tomar as devidas providências para que as vidas das três crianças pudessem ser salvas. Neste encontro também estava presente o pai da criança. Depois de um bom tempo de encontro, deixamos o Tribunal esperançosos de que as vidas das crianças ainda poderiam ser salvas.

Já a caminho do Palácio dos Manguinhos, residência do Arcebispo, por volta das cinco e meia da tarde, Dom José Cardoso recebeu um telefonema do Diretor do IMIP no qual ele lhe comunicava que um grupo de uma entidade chamada Curumins, de mentalidade feminista pró-aborto, acompanhada de dois técnicos da Secretaria de Saúde de Pernambuco, teriam ido ao IMIP e convencido a mãe a assinar um pedido de transferência da criança para outro hospital, o que a mãe teria aceito.
Sem saber do fato, cheguei ao IMIP por volta das 18 horas, acompanhado dos Conselheiros Tutelares de Alagoinha para visitar a criança. A Conselheira Maria José Gomes subiu ao quarto andar para ver a criança. Identificou-se e a atendente, sabendo que a criança não estava mais na unidade, pediu que a Conselheira sentasse e aguardasse um pouco, porque naquele momento "estava havendo troca de plantão de enfermagem".
A Conselheira sentiu um clima meio estranho, visto que todos faziam questão de manter um silêncio sigiloso no ambiente. Ninguém ousava tecer um comentário sequer sobre a menina.

No andar térreo, fui informado do que a criança e sua mãe não estavam mais lá, pois teriam sido levadas a um outro hospital há pouco tempo acompanhadas de uma senhora chamada Vilma Guimarães.
Nenhum funcionário sabia dizer para qual hospital a criança teria sido levada.
Tentamos entrar em contato com a Sra. Vilma Guimarães, visto que nos lembramos que em uma de nossas primeiras visitas ao hospital, quando do assédio de jornalistas querendo subir ao apartamento onde estava a menina, uma balconista chamada Sandra afirmou em alta voz que só seria permitida a entrada de jornalistas com a devida autorização do Sr. Antonio Figueiras ou da Sra. Vilma Guimarães, o que nos leva a crer que trata-se de alguém influente na casa.
Ficamos a nos perguntar o seguinte: lá no IMIP nos foi afirmado que a criança estava correndo risco de morte e que, por isso, deveria ser submetida ao procedimentos abortivos. Como alguém correndo risco de morte pode ter alta de um hospital. A credibilidade do IMIP não estaria em jogo se liberasse um paciente que corre risco de morte? Como explicar isso? Como um quadro pode mudar tão repentinamente? O que teriam dito as militantes do Curumim à mãe para que ela mudasse de opinião? Seria semelhante ao que foi feito com o pai?

Voltamos ao Palácio dos Manguinhos sem saber muito que fazer, uma vez que nenhuma pista nós tínhamos. Convocamos órgãos de imprensa para fazer uma denúncia, frente ao apelo do pai que queria saber onde estava a sua filha.

Na manhã da quarta-feira, dia 4 de março, ficamos sabendo que a criança estava internada na CISAM, acompanhada de sua mãe.
O Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (FUSAM) é um hospital especializado em gravidez de risco, localizado no bairro da Encruzilhada, Zona Norte do Recife.
Lá, por volta das 9 horas da manhã, nosso sonho de ver duas crianças vivas se foi, a partir de ato de manipulação da consciência, extrema negligência e desrespeito à vida humana.

Isto foi relatado para que se tenha clareza quanto aos fatos como verdadeiramente eles aconteceram. Nada mais que isso houve. Porém, lamentamos profundamente que as pessoas se deixem mover por uma mentalidade formada pela mídia que está a favor de uma cultura de morte.
Espero que casos como este não se repitam mais.

Ao IMIP, temos que agradecer pela acolhida da criança lá dentro e até onde pode cuidar dela. Mas por outro lado não podemos deixar de lamentar a sua negligência e indiferença ao caso quando, sabendo do verdadeiro quadro clínico das crianças, permitiu a saída da menina de lá, mesmo com o consentimento da mãe, parecendo ato visível de quem quer se ver livre de um problema.

Aos que se solidarizaram conosco, nossa gratidão eterna em nome dos bebês que a esta hora, diante de Deus, rezam por nós. "Vinde a mim as crianças", disse Jesus. E é com a palavra deste mesmo Jesus que continuaremos a soltar nossa voz em defesa da vida onde quer que ela esteja ameaçada.
"Eu vim para que todos tenham vida e a tenham plenamente" (Jo, 10,10).
Nisso cremos, nisso apostamos, por isso haveremos de nos gastar sempre. Acima de tudo, a Vida!
Pe. Edson Rodrigues
Pároco de Alagoinha-PE
Fonte: estadao.com.br (reportagem completa)

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

BENTO XVI DIZ "NÃO" AO ABORTO E A EUTANÁZIA

Papa recebe Nancy Pelosi e reafirma «Não» ao aborto e eutanásia

Bento XVI recebeu, no Vaticano, a presidente da Câmara de Representantes dos EUA, Nancy Pelosi.
Após a audiência geral, ambos conversaram brevemente, tendo o Papa centrado a sua intervenção sobre a “lei moral natural e o constante ensinamento da Igreja sobre a dignidade da vida humana desde a concepção até à morte natural”.
Segundo Bento XVI, “todos os católicos, especialmente os legisladores, os juristas e os responsáveis pelo bem comum da sociedade” devem cooperar “com todos os homens e mulheres de boa vontade para promover um ordenamento jurídico justo, visando proteger a vida humana em cada momento”.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

REFLEXÃO : A HUMANIDADE ESTÁ ENLOUQUECENDO

A humanidade está enlouquecendo

O sonho de tornar uma grande empresária a fez tirar a vida do próprio filho.
Comove a opinião pública a morte de Isabella. A concentração dos noticiários televisivos na apuração dos fatos estimula e alimenta a indignação das pessoas. Faço duas observações sobre o que está acontecendo. A primeira se refere à brutalidade do assassinato de Isabella. É muito difícil crer que os próprios pais sejam os autores de tal crime. A segunda se refere ao poder da mídia de mobilizar emoções ao dar cobertura minuciosa ao acontecido. Mas passo agora a narrar o que ouvi de um médico ginecologista. Procurado por uma jovem senhora decidida a abortar, ele fez ver a ela a gravidade da decisão que ela estava a tomar. Mas ela tinha uma razão definitiva: com seu esposo acabara de criar uma empresa e precisava dedicar-se à consolidação desse projeto. Não estava, pois, em condições de levar a gravidez até o final e a arcar com os cuidados que um bebê exige. Diante da negativa do médico de atender sua solicitação, ela lhe pediu indicar outro que aceitasse fazer o aborto. Ao que recebeu a resposta: “não conheço e não tenho relações com pessoas envolvidas nessa tarefa”. Com muito custo foi convencida a fazer o ultra-som para verificar as condições do bebê. A esperança do médico é de que, vendo a imagem do bebê durante a realização do ultra-som e ouvindo as batidas de seu coração, lhe fosse mobilizado o instinto materno, tão forte na espécie animal, e, assim, ela viesse a assumir o ser humano que crescia em seu ventre.A jovem senhora, entretanto, recusou-se terminantemente a olhar para o vídeo onde as imagens da vida em desenvolvimento mostravam sua força bem como recusou-se a ouvir as batidas do pequeno coração do bebê que respondia, com suas batidas apressadas, às batidas do próprio coração da mãe. A mãe não voltou mais ao médico a quem havia procurado. Deve ter encontrado um outro qualquer que lhe atendeu o desejo. Lembro-me que o primeiro lhe havia dito que o projeto de ter e criar um filho é muito mais importante do que consolidar uma empresa. Ela, entretanto, estava inebriada pelo sonho de se tornar uma grande empresária e, firmada no direito de decidir sobre a vida do filho em gestação, permitiu sua execução. O bebê foi morto por esquartejamento, sugado aos pedaços do seio de sua própria mãe. Pergunto ao leitor: é possível falar em direito ao aborto? Faz poucos dias vi em projeção de data-show a imagem de um bebê recém-nascido a mamar. Estava como que pregado pelos lábios no peito da mãe. Pensei: seria um crime arrancá-lo da fonte que o alimenta. Só muito lentamente ele vai dispensar aquela fonte. Na mesma projeção, ao lado, aparecia um embrião nidado, agarrado à parede do útero da gestante. Há quem julgue ser lícito arrancá-lo de sua fonte, como se um carrapato fosse. Curiosa e escandalosamente a lei do aborto interrompe uma lógica divina que estabelece ser tanto mais necessário proteger a vida humana quanto mais frágil ela se apresente. Matar uma criança ou dela não cuidar é crime, tanto mais grave quanto mais a criança necessita de proteção. Quanto mais no início tanto mais a sociedade deve cuidar da vida do ser humano. A lógica é interrompida assim: não se pode destruir a vida começada há 12 (11, 10, 9) meses, mas, recuando mais dois, seis, ou 08 meses, quando a vida mais necessita de proteção, aí a lógica é a do egoísmo, prevalece o pretenso “direito” da gestante sobre o real direito do feto ou do embrião. Se todos os canais de TV colocassem no ar, de vez em quando, o DVD “o grito silencioso”, onde está filmada a cena de um abortamento, com certeza haveria de se verificar a mesma comoção produzida pelo assassinato de Isabella. Em outro artigo assim descrevi a cena que vi: “A mulher se colocara na posição de dar à luz. Depois era necessário perfurar a bolsa amniótica. Quando o instrumento - amniótomo - tocava a bolsa, a criança se movia, em manifestações de aflição. Ela não tinha como expressar seu desespero. Confesso que foi com relutância que continuei a presenciar a cena: uma mulher em posição de dar à luz e, colado a seu corpo, em posição de quem faz um parto, um médico, ou coisa parecida, a agir como quem vai extirpar um tumor maligno. E dentro um bebê sem ter onde se esconder. Ah! se ele pudesse fugir para dentro do coração da própria mãe! Ali com certeza não tocariam nele. Perfurada a bolsa, a presa estava à disposição. Foi então introduzido no útero da mãe o aspirador que ligado a uma pequena bomba pneumática tinha a tarefa de sugar, aos pedaços, o pequeno ser. Ele morreu dando um forte grito. Aqueles que crucificaram Jesus escutaram esse grito quando Jesus morreu (Lc 23,46). Do lado de fora foram caindo os pedaços sugados. Sobrou a cabeça, que logo depois foi arrancada por uma espécie de tenaz. E assim veio para fora a parte mais nobre daquela pobre humanidade. Por fim fez-se a limpeza do abrigo onde cresceu por 12 semanas aquela frágil vida. Que horror!
Dom Eduardo Benes é arcebispo de Sorocaba (SP).

Fonte: Revista Vida e Missão – junho/julho de 2008 – pág. 12 – Diocese de Campo Limpo (SP)

sábado, 6 de setembro de 2008

APROVADO APOIO À CONTRACEPÇÃO E ABORTO

EUROPARLAMENTO APROVA APOIO À CONTRACEPÇÃO E ABORTO EM PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO

Cidade do Vaticano,
– O Parlamento da União Européia aprovou nesta quinta-feira, uma resolução mediante a qual apóia o recurso à contracepção e ao aborto como meios para tutelar a saúde materna e infantil nos países em desenvolvimento.

Com 394 votos a favor e 182 contrários, o texto aprovado apresenta como argumento, um dos oito Objetivos do Milênio estabelecidos em 2000, no contexto da luta contra as doenças, a pobreza e o subdesenvolvimento no mundo. A resolução foi aprovada em vista da Conferência Mundial sobre os Objetivos do Milênio, prevista para 25 do corrente, em Nova York.

O bispo italiano de Lodi, Dom Giuseppe Merisi, representante do Episcopado italiano junto à Comissão dos Episcopados da União Européia (COMECE), manifestou preocupação e amargura pela aprovação desse documento...

Dom Giuseppe Merisi:- "Eu também estou desconcertado e amargurado, porque, no âmbito de um tema de tamanha importância para os Objetivos do Milênio, como a salvaguarda da saúde materna e infantil, haja coisas positivas, mas também posições como essa, que nós pensamos que sejam totalmente negativas. E de modo particular, o fato de falar de aborto como "um direito", no que concerne à saúde sexual reprodutiva. Portanto, para nós, é uma posição absolutamente negativa, ao lado daquela que aprova a contracepção. Infelizmente, na mentalidade atual _ e vemos que também no Parlamento Europeu _ existe uma sensibilidade em relação à chamada "liberdade individual", privilegiando a mesma, em detrimento de outros direitos que, para nós, vêm antes, como o direito à vida e à família. Creio que seja necessário, portanto, empenhar-se mais profundamente, para buscar criar outra sensibilidade, baseada, esta última, nos temas essenciais, de modo que as pessoas tomem consciência e se rebelem diante de propostas e perspectivas como essa aprovada ontem." (AF)
Fonte: RV

domingo, 31 de agosto de 2008

MÉXICO: CRITICADA A DESCISÃO, DA CORTE SUPREMA, SOBRE ABORTO


MÉXICO: BISPOS CRITICAM DECISÃO SOBRE ABORTO

Basílica de Nossa Sra. de Guadalupe, na cidade do México.

Cidade do México,
- Os bispos mexicanos criticaram a decisão da Corte Suprema do país que confirmou - com oito votos contra três -, a constitucionalidade da lei sobre a descriminalização do aborto nas primeiras 12 semanas de gestação, em vigor há um ano no Distrito Federal de Cidade do México.
A proposta de revogar a lei fora apresentada por um dos juízes da Suprema Corte, com o apoio da Igreja, por julgá-la “inconstitucional”. Os bispos afirmam em uma declaração que “jamais será moralmente aceitável a adoção de um direito que viola outro direito, ainda mais se diz respeito à vida humana”.
Dom Carlos Aguiar, bispo de Texcoco, em nome de todos os bispos do México, recorda que diversos artigos da Constituição proclamam o direito à vida e denuncia “que um direito não pode ser sancionado violando outro direito”, sobretudo, como neste caso, em que se refere “à vida humana, dom, presente gratuito a ser valorizado, cuidado e protegido sempre... do momento da concepção à morte natural”.Os bispos lançam, por sua vez, um apelo a todos os cidadãos mexicanos a “lutarem juntos para proteger o embrião humano” e para que o “direito à vida de cada ser humano seja um elemento constitutivo da convivência civil e da legislação”.
O País, e os seus cidadãos – afirmam os bispos – “sentem a necessidade de um estado de direito capaz de proteger todos os cidadãos.
Desejam também uma cultura da vida que permita fazer da nação, um lugar positivo para a convivência civil onde ninguém, também quem não tem voz, seja excluído”; e com maior razão – destacam – se deve trabalhar “para garantir o primeiro direito, o da vida”.
A Constituição mexicana – recordam os bispos – rejeita não somente a escravidão mas também todo tipo de discriminação e isso significa, “que nenhuma pessoa pode ser privada de algum direito” muito menos o da assistência”.
Entretanto, aguardam-se outras tomadas de posição, entre as quais a do presidente da república Felipe Calderon que, desde o início sempre se opôs à decisão do Distrito Federal anunciando que utilizará todo tipo de recurso legal e constitucional para bloqueá-la. (SP)
Fonte: RV