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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Fim do eurocentrismo e a centralidade dos pobres

Fim do eurocentrismo e a centralidade dos pobres: síntese da Exortação de Francisco



Cidade do Vaticano (RV) – A Exortação Apostólica “Evangelii Gaudium”, do Papa Francisco, foi apresentada esta manhã na Sala de Imprensa da Santa Sé.

Participam da coletiva de imprensa o Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella, o Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos, Dom Lorenzo Baldisseri, e o Presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, Dom Claudio Maria Celli.

O documento do Pontífice nasce da XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre “A nova evangelização para a transmissão da fé cristã”, de 2012.

O Papa Francisco reelabora o que emergiu desse Sínodo de modo pessoal, escrevendo um documento programático e exortativo, utilizando a forma de “Exortação Apostólica”. Como tal, tem estilo e linguagem próprios: coloquial e direto, como manifestou Francisco em seus meses de pontificado.

A missionariedade é o coração do texto, em que o Papa convida todos os fiéis cristãos a uma nova etapa evangelizadora, caracterizada pela alegria.

Trata-se de cinco capítulos: “A transformação missionária da Igreja”, “Na crise do compromisso comunitário”, “O anúncio do Evangelho”, “A dimensão social da evangelização” e “Evangelizadores com espírito”.

“O que mantém unido todas essas temáticas é o amor misericordioso de Deus, que vai ao encontro de cada pessoa”, afirmou Dom Rino Fisichella.

Para ele, o que o Papa nos indica, no fundo, “é a Igreja que se faz companheira de percurso dos nossos contemporâneos na busca de Deus e no desejo de vê-lo”.

Por sua vez, Dom Baldisseri destacou o caráter universal do documento, elaborado a partir dos estímulos pastorais provenientes de várias Igrejas locais. “A esta experiência, deve-se o amplo espaço dedicado à religiosidade popular na América Latina – uma verdadeira espiritualidade encarnada na cultura dos mais simples”, acrescentou o Arcebispo.

Em entrevista à Rádio Vaticano, Dom Baldisseri destaca dois aspectos da Exortação: o fim do eurocentrismo e a dimensão dos pobres. 

Confira uma síntese da Exortação Apostólica, preparada pela Rádio Vaticano:

"A alegria do evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus": assim inicia a Exortação Apostólica "Evangelii Gaudium" com a qual o Papa Francisco desenvolve o tema do anúncio do Evangelho no mundo de hoje, recolhendo por outro lado a contribuição dos trabalhos do Sínodo que se realizou no Vaticano de 7 a 28 de Outubro de 2012 com o tema "A nova evangelização para a transmissão da fé". "Desejo dirigir-me aos fiéis cristãos - escreve o Papa - para convidá-los a uma nova etapa de evangelização marcada por esta alegria e indicar direcções para o caminho da Igreja nos próximos anos" (1). Trata-se de um premente apelo a todos os baptizados para que com renovado fervor e dinamismo levem aos outros o amor de Jesus num "estado permanente de missão" (25), vencendo "o grande risco do mundo actual”, o de cair "numa tristeza individualista" (2).

O Papa nos convida a "recuperar o frescor original do Evangelho”, encontrando "novas formas" e "métodos criativos", a não aprisionarmos Jesus nos nossos "esquemas monótonos" (11). Precisamos de uma "uma conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como elas são" (25) e uma "reforma das estruturas" eclesiais para que "todas se tornem mais missionárias" (27) . O Pontífice pensa também numa "conversão do papado", para que seja "mais fiel ao significado que Jesus Cristo lhe quis dar e às necessidades actuais da evangelização". A esperança que as Conferências Episcopais pudessem dar um contributo para que "o sentido de colegialidade" se realizasse “concretamente” – afirma o Papa - "não se realizou plenamente" (32). E’ necessária uma “saudável descentralização" (16). Nesta renovação não se deve ter medo de rever costumes da Igreja "não directamente ligados ao núcleo do Evangelho, alguns dos quais profundamente enraizados ao longo história" (43) .

Sinal de acolhimento de Deus é "ter por todo lado igrejas com as portas abertas" para que aqueles que estão à procura não encontrem "a frieza de uma porta fechada". "Nem mesmo as portas dos Sacramentos se deveriam fechar por qualquer motivo". Assim, a Eucaristia "não é um prémio para os perfeitos mas um generoso remédio e um alimento para os fracos. Estas convicções têm também consequências pastorais que somos chamados a considerar com prudência e audácia" (47). Reafirma de preferir uma Igreja "ferida e suja por ter saído pelas estradas, em vez de uma igreja ... preocupada em ser o centro e que acaba presioneira num emaranhado de obsessões e procedimentos. Se algo nos deve santamente perturbar ... é que muitos dos nossos irmãos vivem "sem a amizade de Jesus (49).

O Papa aponta as "tentações dos agentes da pastoral": o individualismo, a crise de identidade, o declínio no fervor (78). "A maior ameaça" é "o pragmatismo incolor da vida quotidiana da Igreja, no qual aparentemente tudo procede na faixa normal, quando na realidade a fé se vai desgastando" (83). Exorta a não se deixar levar por um "pessimismo estéril " (84 ) e a sermos sinais de esperança (86) aplicando a "revolução da ternura" (88). E’ necessário fugir da "espiritualidade do bem-estar" que recusa "empenhos fraternos" (90) e vencer a “mundanidade espiritual”, que “consiste em buscar, em vez da glória do Senhor, a glória humana" (93) . O Papa fala daqueles que "se sentem superiores aos outros", porque " inflexivelmente fiéis a um certo estilo católico próprio do passado" e "em vez de evangelizar ... classificam os outros", ou daqueles que têm um "cuidado ostensivo da liturgia, da doutrina e do prestígio da Igreja, mas sem que se preocupem com a inserção real do Evangelho" nas necessidades das pessoas ( 95). Esta "é uma tremenda corrupção com a aparência de bem ... Deus nos livre de uma igreja mundana sob cortinas espirituais ou pastorais" (97) .

Ele lança um apelo às comunidades eclesiais para não cairem nas invejas e ciúmes: “dentro do povo de Deus e nas diversas comunidades, quantas guerras" (98). "A quem queremos evangelizar com estes comportamentos?" (100). Sublinha a necessidade de fazer crescer a responsabilidade dos leigos, mantidos "à margem nas decisões" por um "excessivo clericalismo" (102). Afirma que "ainda há necessidade de se ampliar o espaço para uma presença feminina mais incisiva na Igreja", em particular "nos diferentes lugares onde são tomadas as decisões importantes" (103). "As reivindicações dos direitos legítimos das mulheres ... não se podem sobrevoar superficialmente" (104). Os jovens devem ter "um maior protagonismo" (106). Diante da escassez de vocações em alguns lugares o Papa afirma que "não se podem encher os seminários baseados em qualquer tipo de motivação" (107).

Abordando o tema da inculturação, o Papa lembra que "o cristianismo não dispõe de um único modelo cultural" e que o rosto da Igreja é "multiforme" (116). "Não podemos esperar que todos povos ... para expressar a fé cristã, tenham de imitar as modalidades adoptadas pelos povos europeus num determinado momento da história" (118). O Papa reitera "a força evangelizadora da piedade popular" (122) e incentiva a pesquisa dos teólogos convidando-os a ter "a peito a finalidade evangelizadora da Igreja" e a não se contentar "com uma teologia de escritório" (133).

Em seguida o Papa detém-se "com uma certa meticulosidade, na homilia", porque "são muitas as reclamações em relação a este importante ministério e não podemos fechar os ouvidos" (135). A homilia "deve ser breve e evitar de parecer uma conferência ou uma aula " (138), deve ser capaz de dizer "palavras que façam arder os corações", evitando uma "pregação puramente moralista ou de endoutrinar" (142). Sublinha a importância da preparação ", um pregador que não se prepara não é ‘espiritual’, é desonesto e irresponsável" (145). "Uma boa homilia deve conter ... 'uma ideia, um sentimento, uma imagem'" (157). A pregação deve ser positiva, para que possa oferecer "sempre esperança" e não deixe "prisioneiros da negatividade" (159). O próprio anúncio do Evangelho deve ter características positivas: "proximidade, abertura ao diálogo, paciência, acolhimento cordial que não condena" (165).

Falando dos desafios do mundo contemporâneo, o Papa denuncia o actual sistema económico: "é injusto pela raiz" (59). " Esta economia mata" porque prevalece a "lei do mais forte". A actual cultura do "descartável" criou "algo de novo": “os excluídos não são ‘explorados’, mas ‘lixo’, 'sobras'" (53). Vivemos uma "nova tirania invisível, por vezes virtual" de um "mercado divinizado", onde reinam a "especulação financeira", "corrupção ramificada", "evasão fiscal egoísta" (56). Denuncia os "ataques à liberdade religiosa" e as "novas situações de perseguição dos cristãos ... Em muitos lugares trata-se pelo contrário de uma difusa indiferença relativista" (61). A família - continua o Papa - "atravessa uma crise cultural profunda" " Reafirmando “a contribuição indispensável do matrimónio para a sociedade" (66 ), sublinha que "o individualismo pós-moderno e globalizado promove um estilo de vida ... que perverte os vínculos familiares" (67) .

O Papa Francisco reafirma "a íntima conexão entre evangelização e promoção humana" (178 ) e o direito dos Pastores "para emitir opiniões sobre tudo o que se relaciona com a vida das pessoas" (182). "Ninguém pode exigir de nós que releguemos a religião à secreta intimidade das pessoas, sem qualquer influência na vida social". Cita João Paulo II onde diz que a Igreja "não pode nem deve ficar à margem da luta pela justiça" (183). "Para a Igreja, a opção pelos pobres é uma categoria teológica" antes de ser sociológica. "Por isso peço uma Igreja pobre para os pobres. Eles têm muito a ensinar-nos" (198). "Até que não se resolvam radicalmente os problemas dos pobres ... não se resolverão os problemas do mundo" (202). "A política, tanto denunciada" - diz ele - "é uma das formas mais preciosas de caridade". "Rezo ao Senhor para que nos dê mais políticos que tenham verdadeiramente a peito ... a vida dos pobres!" Em seguida, um aviso: "qualquer comunidade dentro da Igreja" que se esquecer dos pobres corre "o risco de dissolução" (207) .

O Papa nos convida a cuidar dos mais fracos: "os sem-tecto, os dependentes de drogas, os refugiados, os povos indígenas, os idosos cada vez mais sós e abandonados" e os migrantes, para quem o Papa exorta os Países "a uma abertura generosa" (210 ). Fala das vítimas de tráfico e de novas formas de escravidão: "Nas nossas cidades está implantado este crime mafioso e aberrante, e muitos têm as mãos cheias de sangue por causa de uma cumplicidade cómoda e silenciosa" (211). "Duplamente pobres são as mulheres que sofrem situações de exclusão, maus tratos e violência" ( 212) . "Entre estes fracos que a Igreja quer cuidar" estão "as crianças em gestação, que são as mais indefesas e inocentes de todos, às quais hoje se quer negar a dignidade humana" (213) . "Não se deve esperar que a Igreja mude a sua posição sobre esta questão ... Não é progressista fingir de resolver os problemas eliminando uma vida humana" (214). E depois, um apelo para o respeito de toda a criação: "somos chamados a cuidar da fragilidade das pessoas e do mundo em que vivemos" ( 216) .

No que diz respeito ao tema da paz, o Papa afirma que é "necessária uma voz profética" quando se quer implementar uma falsa reconciliação "que mantém calados" os pobres, enquanto alguns "não querem renunciar aos seus privilégios" (218). Para a construção de uma sociedade "em paz, justiça e fraternidade" indica quatro princípios (221): "o tempo é superior ao espaço" (222) significa "trabalhar a longo prazo, sem a obsessão dos resultados imediatos" (223). "A unidade prevalece sobre o conflito" (226) significa operar para que os opostos atinjam "uma unidade multi-facetada que gera nova vida" (228). "A realidade é mais importante que a ideia" (231) significa evitar que a política e a fé sejam reduzidas à retórica (232). "O todo é maior do que a parte" significa colocar em conjunto globalização e localização (234).

"A evangelização - prossegue o Papa - também implica um caminho de diálogo", que abre a Igreja para colaborar com todas as realidades políticas, sociais, religiosas e culturais (238). O ecumenismo é "uma via imprescindível da evangelização". Importante o enriquecimento recíproco: "quanras coisas podemos aprender uns dos outros!", por exemplo", no diálogo com os irmãos ortodoxos, nós os católicos temos a possibilidade de aprender alguma coisa mais sobre o sentido da colegialidade episcopal e a sua experiência de sinodalidade" (246), " o diálogo e a amizade com os filhos de Israel fazem parte da vida dos discípulos de Jesus" (248 ), "o diálogo inter-religioso", que deve ser conduzido "com uma identidade clara e alegre" , é " uma condição necessária para a paz no mundo", e não obscurece a evangelização (250-251), "nesta época adquire notável importância a relação com os crentes do Islão (252): o Papa implora "humildemente" para que os Países de tradição islâmica garantam a liberdade religiosa para os cristãos, mesmo "tendo em conta a liberdade de que gozam os crentes do Islão nos países ocidentais". "Diante de episódios de fundamentalismo violento" o Papa convida a "evitar odiosas generalizações, porque o verdadeiro Islão e uma adequada interpretação do Alcorão se opõem a toda a violência" ( 253). E contra a tentativa de privatizar as religiões em alguns contextos, afirma que "o respeito devido às minorias de agnósticos ou não-crentes não se deve impor de forma arbitrária, que silencie as convicções das maiorias de crentes ou ignore a riqueza das tradições religiosas" (255). E reafirma, portanto, a importância do diálogo e da aliança entre crentes e nã-crentes (257) .

O último capítulo é dedicado aos "evangelizadores com o Espírito", que são aqueles "que se abrem sem medo à acção do Espírito Santo", que "infunde a força para anunciar a novidade do Evangelho com ousadia (parresia ), em voz alta e em todo tempo e lugar, mesmo contra a corrente" (259). Trata-se de "evangelizadores que rezam e trabalham" (262), na certeza de que "a missão é uma paixão por Jesus mas, ao mesmo tempo, é uma paixão pelo seu povo" (268): "Jesus quer que toquemos a miséria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros" (270). "Na nossa relação com o mundo – esclarece o Papa - somos convidados a dar a razão da nossa esperança, mas não como inimigos que apontam o dedo e condenam" (271). "Pode ser missionário - acrescenta ele - apenas quem se sente bem na busca do bem do próximo, quem deseja a felicidade dos outros" (272): "se eu conseguir ajudar pelo menos uma única pessoa a viver melhor, isto já é suficiente para justificar o dom da minha vida" (274). O Papa convida-nos a não desanimar perante as falhas ou escassos resultados, porque a "fecundidade muitas vezes é invisível, indescritível, não pode ser contabilizada"; devemos saber "apenas que o dom de nós mesmos é necessário" (279). A Exortação termina com uma oração a Maria, "Mãe da Evangelização". "Existe um estilo mariano na actividade evangelizadora da Igreja. Porque sempre que olhamos Maria voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afecto" (288).



Fonte:R V

domingo, 17 de março de 2013

Francisco: Igreja pobre e para os pobres

Francisco: "Quero uma Igreja pobre e para os pobres"




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Cidade do Vaticano

 – Milhares de jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas fizeram fila e passaram por um controle rigoroso para entrar na Sala Paulo VI e participar da primeira audiência com o Papa Francisco na Sala Paulo VI. Muitos levaram também suas famílias.

Papa Francisco foi ovacionado pelo público. Sentou-se em sua cadeira no centro do palco e ouviu a saudação do Presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais, o Arcebispo Claudio Maria Celli.

Em seguida, leu um breve discurso, agradecendo todos pelo precioso serviço realizado nos dias passados, na cobertura do Conclave e em sua eleição.

“Vocês trabalharam!” – exclamou, recebendo um imediato aplauso. Disse ainda que a Igreja e a mídia estão juntas para comunicar a verdade, a bondade e a beleza: “Todos nós somos chamados a comunicar esta tríade, essencial”.

Papa Francisco quis explicar porque “o Bispo de Roma quis se chamar Francisco”. E contou, de modo informal, que a seu lado, no Conclave, estava sentado o arcebispo emérito de São Paulo, Cardeal Cláudio Hummes, “um grande amigo, grande amigo”.

“Quando a coisa ficou “mais perigosa” – prosseguiu – ele me confortava, e quando os votos chegaram a dois terços, momento em que há o aplauso habitual porque o Papa é eleito – ele me abraçou, me beijou e disse “não se esqueça dos pobres”.

“Aquela palavra entrou aqui – disse, indicando a cabeça – ‘os pobres, os pobres’. Aí, pensei em Francisco de Assis e depois, nas guerras. E Francisco é o homem da paz, o homem que ama e tutela a Criação... neste momento em que nosso relacionamento com o meio-ambiente não é tão bom, né?”.

Francisco é o homem que nos dá este espírito de paz, o homem pobre... “Ah, como gostaria de uma Igreja pobre e pelos pobres!”.

Depois de saudar pessoalmente alguns jornalistas, o Papa Francisco concluiu, em espanhol:

“Disse que lhes daria a minha benção de coração. Muitos de vocês não pertencem à Igreja Católica, outros não crêem. Concedo minha benção, de coração, no silêncio, a cada um de vocês, respeitando a consciência de todos, mas sabendo que cada um de vocês é filho de Deus. Que Deus os abençoe”.
Fonte: RV

sábado, 11 de outubro de 2008

UM BILHÃO DE FAVELADOS NO MUNDO


UM BILHÃO VIVEM EM FAVELAS NO MUNDO



Abuja, - A diretora do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Urbanos (Habitat), Anna Tibaijuka, lança o alarme: “Mais de um bilhão de pessoas vivem em favelas no mundo”. Segundo a expoente da ONU, esta emergência é provavelmente o maior desafio ao desenvolvimento e ao alcance das Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDG). Em um encontro em Abuja, capital da Nigéria, ela disse que "não se pode fechar os olhos a estas pessoas que vivem na miséria; e nem podemos nos esconder da pobreza urbana e das desigualdades que continuam a aumentar, seja nos países ricos, seja nos subdesenvolvidos". Tibaijuka acrescentou que nos últimos 50 anos, mais de 850 milhões de pessoas trocaram as áreas rurais pelas cidades em busca de uma vida melhor; e que não é apenas coincidência que a questão das mudanças climáticas esteja hoje no centro do debate internacional. A maior parte da população mundial reside em grandes centros urbanos, onde são consumidos 75% de toda a energia mundial. “Não há dúvida que a difusão da urbanização caótica e de condições de vida insanas cause variações permanentes do meio-ambiente, através do uso não-correto de recursos hídricos, terra e fontes de energia” – disse a representante da ONU. E concluiu: “temos a responsabilidade moral e ética de transformar nossas cidades em lugares mais inclusivos e justos para todos”. (CM)

Fonte: RV

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

S.S.PAPA BENTO XVI: CRISTIANISMO É SERVIR O EVANGELHO E OS POBRES

BENTO XVI: CRISTIANISMO É SERVIR O EVANGELHO E OS POBRES

Cidade do Vaticano,
- Na Igreja, existem diversos carismas, mas o que importa é que cada cristão seja fiel à verdade do Evangelho e se dedique a servir os mais pobres, com a "franqueza" e a liberdade de São Paulo. Ao apóstolo Paulo _ apóstolo dos gentios _ Bento XVI dedicou sua reflexão, na Audiência Geral desta quarta-feira, na Praça São Pedro, repleta de fiéis e peregrinos provenientes dos mais diversos recantos do mundo.Em sua catequese, o pontífice analisou dois momentos-chaves na vida de São Paulo: o Concílio de Jerusalém e o chamado "incidente de Antioquia".Existe uma palavra, na experiência humana, que abre sempre infinitos horizontes e que assume significados ainda mais profundos, à luz da mensagem de Cristo. Esta palavra é "liberdade". Bento XVI citou-a insistentemente, esta manhã, exaltando o apóstolo que mais expressou a sua força, isto é, a força da palavra "liberdade", graças à sua fé cristalina: São Paulo. Mas a liberdade como ele a entende, tem características precisas, explicou o papa: nasce do Espírito Santo, é coerente com a "verdade do Evangelho" e jamais esquece os pobres. Nesse contexto, o Santo Padre precisou: "A liberdade cristã não se identifica jamais com a libertinagem ou com o arbítrio de se fazer o que bem se quiser; ela atua na conformidade a Cristo e, portanto no autêntico serviço aos irmãos, sobretudo os mais necessitados."A "coleta" realizada em favor dos pobres _ acrescentou o pontífice _ envolveu todas as Igrejas fundadas por Paulo no Ocidente. "Não foi obrigatória, mas livre e espontânea" _ observou Bento XVI _ testemunhando que, no âmbito da Igreja, o amor pelos pobres e o culto caminham juntos pela mesma estrada. "Tratou-se _ disse o papa _ de uma iniciativa totalmente nova no panorama das atividades religiosas. A coleta exprimia o débito das suas comunidades para com a Igreja-mãe, na Palestina, da qual haviam recebido o dom do Evangelho. É tão grande o valor que Paulo atribui a esse gesto de compartilhar, que ele raramente o chama apenas de "coleta". Para ele, essa "coleta" é muito mais: é serviço, bênção, amor, graça e liturgia."No que diz respeito ao "incidente de Antioquia", Pedro, para não escandalizar os cristãos que observavam as normas sobre a pureza alimentar, deixou de comer com os pagãos. Paulo reagiu, acusando Pedro de "hipocrisia". Na verdade _ observou o papa _ Pedro e Paulo tinham preocupações diversas, todavia _ concluiu _ o incidente de Antioquia "é uma lição que devemos também aprender". "Com os carismas diversos confiados a Pedro e Paulo, deixemo-nos, todos, guiar pelo Espírito, buscando viver na liberdade que encontra a sua orientação na fé em Cristo, e se concretiza no serviço aos irmãos. Essencial é sermos sempre mais conformes a Cristo. É assim que nos tornamos realmente livres, assim se expressa em nós o núcleo mais profundo da Lei: o amor a Deus e ao próximo."Ao término de sua catequese, o Santo Padre saudou os diversos grupos de fiéis e peregrinos presentes, falando-lhes em suas respectivas línguas, convidando os fiéis a rezarem pela próxima assembléia sinodal, que terá lugar no Vaticano, de 5 a 26 de outubro. A seguir, concedeu a todos a sua bênção apostólica."Amados irmãos e irmãs, aos peregrinos de língua portuguesa que vieram de Portugal e do Brasil, saúdo cordialmente com estima e sincero afeto. Seguindo os passos da catequese de hoje, faço votos por que possais acompanhar, unidos às intenções do papa, as celebrações e o desenrolar da XII Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, subordinada ao tema: "A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja". Todo Concílio e Sínodo são, com efeito, um evento do Espírito. Por isso, ajudados pelos dons do Altíssimo, confiamos no sucesso deste significativo acontecimento eclesial. Que Deus vos abençoe!" (AF)
Fonte: RV

sábado, 27 de setembro de 2008

SÃO VICENTE DE PAULO VIA NOS POBRES O ROSTO DE CRISTO

IGREJA CELEBRA SÃO VICENTE DE PAULO: ELE VIA NOS POBRES O ROSTO DE CRISTO

Roma, 27 set (RV)
- A Igreja celebra São Vicente de Paulo, patrono de todas as associações de Caridade.São Vicente de Paulo nasceu em 1581, na França, de uma pobre família de camponeses. Até os 15 anos não fez outra coisa a não ser trabalhar no campo e criar porcos. Mas ele não se dava por contente e queria fazer carreira: tornou-se sacerdote esperando adquirir com isso vantagens econômicas.Em 1605, durante uma viagem por via marítima, sua embarcação foi atacada por piratas turcos: feito escravo, durante dois anos foi obrigado a trabalho forçado a bordo de navios. Uma experiência que o marcou para sempre. Uma vez libertado, dedicou-se sempre aos mais pobres, com uma atenção particular aos detentos. Fundou duas Congregações:As Filhas da Caridade e os Padres da Missão, chamados Lazaristas. O carisma de são Vicente foi o de ter organizado os gestos de caridade. Entre outras coisas procurou eliminar o pedido de esmolas possibilitando trabalho aos mendicantes.Em cada um deles via o Cristo e dizia: "Enviou-me para anunciar aos pobres uma alegre mensagem". São Vicente de Paulo fez seus os sentimentos de Jesus que quis nascer pobre, e assim cuidou e consolou os pobres a ponto de dizer que o bem ou o mal que fizermos aos pobres o faremos à pessoa divina de Cristo."Deus ama os pobres _ afirmava São Vicente _ e, conseqüentemente, ama aqueles que amam os pobres... Assim _ acrescentava _ temos razão em esperar que, por amor aos pobres, Deus amará também a nós."Para o Santo o serviço aos pobres deve ter preferência sobre tudo. "Se na hora da oração você tiver que levar um remédio ou prestar um socorro a um pobre _ dizia _ vá tranqüilamente. Ofereçam a Deus a sua ação, unindo a ela a intenção da oração.""Vocês não devem se preocupar e pensar ter cometido falta se por causa do serviço aos pobres deixou a oração. Não se deixa Deus quando o fazemos para agir em nome d'Ele, ou seja, deixar uma obra de Deus para fazer outra que pertence sempre a Ele.""Se você deixar a oração para dar assistência a um pobre, saiba que fazer isso é servir a Deus. A caridade é superior a todas as regras, e tudo deve referir-se a ela. É uma grande senhora: é preciso fazer aquilo que ela determinar que seja feito."São Vicente de Paulo faleceu em 1660, com quase 80 anos.Numa carta escreveu: "Todos aqueles que amaram os pobres em vida, não terão nenhum temor da morte. Portanto, sirvamos com renovado amor os pobres e busquemos os mais abandonados. Eles são os nossos senhores e patrões". (RL)
Fonte: RV