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Visita a Capela da Medalha Milagrosa, localizada na Rue du Bac, 140 - Paris

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segunda-feira, 30 de novembro de 2015

PAPA FRANCISCO NA AFRICA

Deus não faz diferença entre os que sofrem – Papa em Bangui


- REUTERS          

 
Na tarde deste domingo o Papa foi à Faculdade de Teologia Evangélica de Bangui para um encontro ecuménico com as comunidades evangélicas da RCA. Faculdade fundada em 1977 pela Associação dos Evangélicos em África para servir todas as Igrejas na proclamação da mensagem do Reino de Deus, explicou o Decano da Faculdade, Napanga Weanzana ao acolher o Santo Padre. Ele disse apreciar a simplicidade, humildade e generosidade do Papa Francisco que vai na linha do caminho traçado por Cristo. Acrescentou que a visita do Papa trará certamente à RCA uma era nova na via da paz e da reconciliação.
Por sua vez, o Presidente da Aliança dos Evangélicos na RCA, Nicolas Guerekoyame Gbangou manifestou a grande alegria de todos pela visita do Papa Francisco nesta hora difícil que o país está a viver devido às turbulências político-militares  que envenenam as condições de vida da população. Uma visita que acontece 30 anos depois da de João Paulo II, em 1985, o que levou Nicolas Gbangou a dizer que mais vale tarde do que nunca, mas a agradecer, contudo, a Deus por ter tornado possível esta visita do Papa Francisco.
Neste momento em que o país se prepara para as eleições, Gbangou frisou que as esperanças ligadas à visita do Papa se prendem com a de levar o país à normalidade democrática; à restauração da paz através do perdão; à tolerância, à coesão social; à esperança de ver restabelecidas no país as condições de segurança favoráveis ao desenvolvimento sócio-económico.
Expectativas – disse – que se inscrevem bem na linha de acção do Papa e relacionadas com o ambiente, a reforma do governo da Igreja e o Sínodo sobre a família.
Gbangou disse ainda que a Igreja na RCA, através da Plataforma Inter-religiosa está a trabalhar a favor da paz e que com esta sua visita o Papa manifesta a sua compaixão para com o povo centro-africano, oferecendo-lhe um modelo de amor a ser vivido quotidianamente. Só o amor de Deus – acrescentou – pode unir os corações divididos e gerar o perdão, a tolerância e a paz.
E solicitou o apoio do Santo Padre sobretudo no que toca ao desarmamento dos grupos armados; à reabilitação das Forças Armadas Centro-africanas; à reabilitação de certos projectos da Plataforma das Confissões Religiosas, de modo particular a criação de uma estação de rádio, de escolas e de centros de saúde inter-comunitários.
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O Papa Francisco “num profundo sentimento de amor fraterno” declarou-se feliz por ter a ocasião de encontrar os Evangélicos, dizendo “Estamos todos aqui ao serviço do mesmo Senhor ressuscitado” e recordou que pelo baptismo comum os cristãos são todos convidados “a anunciar a alegria do Evangelho aos homens e mulheres deste amado país da África Central”. E no contexto de sofrimento em que vivem os centro-africanos o anuncio do Evangelho se torna ainda mais urgente e necessário.
Dizendo que “Deus não faz diferença entre aqueles que sofrem, o Papa voltou a usar a expressão “ecumenismo de sangue”  para dizer que “todos no país, sem distinção, sofrem com a injustiça e o ódio cego que o diabo desencadeia”. E exprimiu a sua “proximidade e solidariedade ao Pastor Nicolas, cuja casa foi recentemente saqueada e queimada bem como a sede da sua comunidade” .
Este sofrimento comum e esta missão comum são, para o Papa Francisco, “uma oportunidade providencial para fazer avançar no caminho da unidade, sendo, para isso mesmo, um meio espiritual indispensável”.
 “A divisão dos cristãos é um escândalo”, porque contrária à vontade de Deus” e perante este mundo dilacerado por ódios e violências – disse o Papa, que exprimiu apreço pelo espírito de respeito mútuo e de colaboração que existe entre os cristãos da RCA. E encorajou-os a avançarem por este caminho num serviço comum de caridade. É um testemunho prestado a cristo, que constrói a unidade.
E exortou-os a juntarem cada vez mais “à perseverança e à caridade, o serviço da oração e da reflexão em comum, procurando um melhor conhecimento recíproco, uma maior confiança e amizade rumo á plena comunhão”

Fonte: R. Vaticano

domingo, 29 de novembro de 2015


PAPA FRANCISCO NA AFRICA

Papa no Uganda: síntese informativa do último dia da visita



Papa Francisco com os jovens no Uganda - ANSA

 

De Kampala, no Uganda, o nosso colega de redação, Filomeno Lopes, enviado especial da Rádio Vaticano ao Uganda, fez uma síntese das atividades do Santo Padre no dia 28 de novembro.
 
A longa jornada do segundo e penultimo dia, sabado 28 de novembro de 2015,  desta visita apostolica do Papa Francisco aqui na terra do sangue ecuménico dos martires da Africa moderna e contemporanea, iniciou, tal como fora programado, com a  visita ao santuario catolico dos martires de Namugongo onde o Papa rezou  diante do altar onde estao conservadas, as reliquias do S. Carlos Lwanga antes de proceder depois a  celebraçao da santa missa. Mais de trezentas mil pessoas, entre fieis e peregrinos provenientes de todos os cantos da regiao da Africa do Leste e do Comesa, e dentre eles também o presidente da republica  Youweri Museveni, sua esposa e os descendentes da dinastia dos Reis dos povos Buganda, o Rei Ronald Mwenda Mutebi, assistiram a santa missa, animada com cantos e danças liturgicas tipicas das mais variadas tradiçoes que compoem o mosaico da cultura liturgica da Africa do Leste.
Na sua homilia o Papa Francisco recordou aos presentes que “desde a Idade apostolica até aos nossos dias, surgiu um grande numero de testemunhas que proclamam Jesus e manifestam a força do Espirito Santo. Hoje, prosseguiu Francisco, lembramos, com gratidao, o sacrificio dos martires ugandeses, cujo testemunho de amor a Cristo e à sua Igreja chegou, justamente, até aos confins do mundo. Recordamos também, prosseguiu o Santo Padre, os martires anglicanos, cuja morte por Cristo da testemunho do ecumenismo do sangue. Todas estas testemunhas, disse ainda Francisco, cultivaram o dom do Espirito Santo na sua vida e, livremente, deram testemunho da sua fé em Jesus Cristo, mesmo a preço da vida”. Ora, hoje a fé destes martires, sublinhou o Santo Padre, “tornou-se testemunho; venerados hoje como martires, o seu exemplo continua a inspirar muitas pessoas no mundo” que continuam a proclamar Jesus Cristo e a força da Cruz” na historia da salvaçao da humanidade hodierna.
 Por conseguinte, aos fieis cristaos africanos, chamados mais do que nunca hoje a serem embaixadores dos valores da fé libertadora de Jesus Cristo numa Africa e num mundo em violentos conflitos permanentes de varia ordem, “se nos, disse o Papa, como cristaos reavivarmos diariamente o dom do Espirito que habita nos nossos coraçoes, tornar-nos-emos certamente naqueles discipulos missionarios que Cristo nos chama a ser”. Sobretudo, “selo-emos para as nossas familias e os nossos amigos, mas também para aqueles que nao conhecemos, especialmente para quantos poderiam ser pouco benevolos e até mesmo hostis para connosco”. Este espirito de abertura, lembrou Francisco, “começa na familia, nos nossos lares, onde se aprende a caridade e o perdao, e onde, no amor dos nossos pais, se aprende a conhecer a misericordia e o amor de Deus”. Mas sobretudo, advertiu o Papa, “a referida abertura exprime-se também no cuidado pelos idosos e os pobres, as viuvas e os orfaos”.
Finalmente, Francisco lembrou a todos os presentes “que nao tomamos posse desta herança com uma comemoraçao passageira” nem tao pouco como algo par ser “conservado num museu como se fosse uma joia preciosa. Mas honramo-la verdadeiramente, quando levamos o seu testemunho de Cristo para os nossos lares e a para os nossos vizinhos, para os locais de trabalho e a sociedade civil, quer em nossas casas, quer tenhamos de ir  até ao canto mais remoto do mundo”.
Na parte da tarde eis, finalmente, a realizaçao do tao almejado encontro do Papa Francisco com os jovens em Kololo, onde estavam ja reunidos desde 5 horas da manha, alguns até desde às duas horas de madrugada. Mediante um discurso improvisado, Francisco quis assim, mais que pronunciar um discurso aos jovens, dialogar com eles sobre a responsabilidade que lhes cabe pelo fato de serem herdeiros do sangue ecuménico dos martires da Africa moderna e contemporanena. Enfim, tratou-se de uma ocasiao para os jovens presentes de reponder a questao “o que é que a esperança na herança do sangue ecuménico dos martires africanos significa em termos de responsabilidade social, na construçao de uma futura Africa e humanidade, se nao melhor, pelo menos,  menos pior do presente que nos é dado viver hoje.
  Foi depois a vez do abraço com os aflitos, os paraliticos do sistema mundo na casa da caridade de Nalukolongo aos quais Francisco sublinhou enfaticamente, “que Cristo esta presente no meio de vos, nesta casa, pois, Ele proprio disse que onde estao presentes os doentes, os aflitos, os pobres e os marginalizados Ele esta presente no meio deles”.
Finalmente o encontro com sacerdotes, religiosos, religiosas e seminaristas aos quais o Papa pediu também maior testemunho de vida e sobretudo, maior atençao e empenho misericordioso para com os fieis e de modo particular para com os jovens chamados  a testemunharem a  “razao da sua esperança” em Cristo numa Africa desejosa de paz, de justiça e de reconciliaçao.

Fonte: Radio Vaticano
 

PAPA FRANCISCO NA AFRICA

Papa e os refugiados: impacto na imprensa ugandesa


Papa Francisco na Primeira Página do Jornal "New Vision" do Uganda - RV

Na terra do sangue ecuménico dos mártires africanos, Francisco recorda ao continente a sua responsabilidade pela diáspora. “Papa Francisco adverte Uganda sobre a situação dos refugiados”. Esta é a manchete deste sábado dia 28 de novembro, do jornal “New Vision”, o mais lido em Uganda.
Como demonstra a história do continente, evidenciada antes pela OUA e hoje pela União Africana,  “a realidade que  hoje chamamos  África é, na sua essência ‘diasporina’ e a África e as Áfricas não se realizarão jamais sem a sua diáspora”.
Eis que Francisco, no seu primeiro dia da visita apostólica aqui na terra do sangue ecuménico dos mártires da África moderna e contemporânea quis recordar esse traço histórico de ‘diasporicidade’ que caracteriza a essência da natureza do continente africano e dos seus diversos povos, chamando atenção do pais à situação dos migrantes, de modo particular dos refugiados que são, hoje em dia, os crucificados da globalização da indiferença.
Afinal, a primeira viagem apostólica realizada pelo Papa Francisco logo após a sua eleição à cátedra de Pedro, foi, de fato, para visitar a diáspora africana e por conseguinte os migrantes e refugiados africanos, em Lampedusa em 8 de julho de 2013.
Na ocasião, o Santo Padre levou o pesar, o conforto e a sua proximidade pessoal e da Igreja católica às vitimas da tragédia do naufrágio de Lampedusa e a toda a família da diáspora africana enlutada. Mais de 99% das vitimas da tragédia de Lampedusa eram efetivamente africanos, filhos deste continente ‘diasporiano’ por natureza e essência.
Hoje, Francisco encontra finalmente os africanos no território continental e é normal, então, que não podia deixar de evocar a realidade daquilo que constitui o drama do século XXI e, ao mesmo tempo, chamar atenção do próprio continente a não esquecer a essência da sua natureza ‘diasporiana’ e por conseguinte a sua responsabilidade para com a diáspora africana dentro e fora do território continental.
De recordar que a União Africana dividiu o continente africano em cinco regiões de desenvolvimento incluindo a diáspora como a sexta região do desenvolvimento continental justamente para recordar a história da natureza ‘diasporiana’ deste continente berço da humanidade.
A África é hoje o  continente não só de emigração, mas também de imigração e migração interna: o primeiro lugar por onde os “excluídos da historia” ou melhor os “danados da terra” decidiram desafiar a cartografia mundial elaborada pela Europa, com as suas fronteiras e divisões.
Na espera, então, que os dirigentes africanos possam finalmente escutar essa chamada de atenção do Pontífice sobre a sua responsabilidade em relação a situação dos migrantes e refugiados, nos despedimos aqui da capital ugandesa Kampala, para a Rádio Vaticano, Filomeno Lopes, paz e bem.

Fonte: R. Vaticano
PAPA FRANCISCO NA AFRICA

Uganda: Discurso do Papa Francisco na Casa da Caridade de Nalukolongo


Uganda: Papa Francisco na Casa da Caridade em Nalukolongo - REUTERS

                              

CAMPALA: DISCURSO DO PAPA FRANCISCO NA CASA
DA CARIDADE DE NALUKOLONGO
 
 No Uganda o Papa Francisco visitou, na tarde deste sábado, 28 de Novembro a Casa da caridade de Nalukolongo. Trata-se de uma estrutura fundada em 1978 e que foi confiada às Irmãs do Bom Samaritano. Sob a designação de casa de Mapeera Bakateyamba abriga, atualmente, 100 pessoas, dentre idosos, portadores de deficiências e pessoas sem-tecto, independentemente da sua religião.
 A iniciativa da fundação dessa casa de caridade partiu  do falecido cardeal ugandês Dom Emmanuel Kikwanuda Nsubuga, por muitos anos arcebispo de Campala e que o Papa Francisco recordou no seu discurso que em seguida sintetizamos.
“Queridos amigos!
São essas as palavras com que o papa Francisco iniciou o seu discurso tendo prosseguido nestes termos:
Obrigado pela vossa calorosa recepção. Grande era o meu desejo de visitar esta Casa da Caridade, que o Cardeal Nsubuga fundou aqui em Nalukolongo. Este lugar sempre apareceu associado com o empenho da Igreja a favor dos pobres, dos deficientes e dos doentes. Aqui, nos primeiros tempos, foram resgatadas da escravidão mulheres e crianças que aqui receberam uma educação religiosa. Saúdo as Irmãs do Bom Samaritano, que continuam esta obra estupenda, e agradeço os seus anos de serviço silencioso e feliz no apostolado.
Em seguida o Papa Francisco dirigiu-se aos diversos grupos de apostolado ai presentes com essas palavras:
Saúdo também os representantes de muitos outros grupos de apostolado, que cuidam das necessidades dos nossos irmãos e irmãs na Uganda. Penso, em particular, no grande e frutuoso trabalho feito com as pessoas doentes de aids. Saúdo de modo especial a quem habita nesta Casa e noutras como esta, e a quantos beneficiam das obras da caridade cristã. É que esta é mesmo uma casa! Aqui pode-se encontrar carinho e solicitude; aqui pode-se sentir a presença de Jesus, nosso irmão, que ama cada um de nós com o amor próprio de Deus.
Mais adiante o Papa Francisco dirigiu um apelo a todas as paroquias ugandesas, nestes termos
 A partir desta Casa, quero hoje dirigir um apelo a todas as paróquias e comunidades presentes na Uganda e no resto da África – para que não esqueçam os pobres. O Evangelho impõe-nos sair para as periferias da sociedade a fim de encontrarmos Cristo na pessoa que sofre e em quem passa necessidades.
O Papa prosseguiu em tom grave naquilo que tem sido uma constante nos seus discursos, isto é, o cuidado dos anciãos, os pobres e a nova escravatura de trafico de seres humanos, nestes termos: 
O Senhor nos diz, em termos inequívocos, que nos julgará sobre isto. É triste quando as nossas sociedades permitem que os idosos sejam descartados ou esquecidos. É reprovável quando os jovens são explorados pela escravidão actual do tráfico de seres humanos.
Se olharmos atentamente para o mundo ao nosso redor, parece que em muitos lugares prevalecem o egoísmo e a indiferença. Quantos irmãos e irmãs são vítimas da cultura actual do ‘usa e bota fora’, que gera desprezo, sobretudo para com crianças nascituras, jovens e idosos.
Como cristãos, não podemos ficar simplesmente a olhar. Alguma coisa tem de mudar! As nossas famílias devem tornar-se em sinais ainda mais evidentes do amor paciente e misericordioso de Deus não só pelos nossos filhos e os nossos idosos, mas por todos aqueles que passam necessidades.
As nossas paróquias não devem fechar as portas e os ouvidos ao grito dos pobres. Trata-se da via-mestra do discipulado cristão. É assim que damos testemunho do Senhor que veio, não para ser servido, mas para servir. Assim mostramos que as pessoas contam mais do que as coisas, e que aquilo que somos é mais importante do que o que possuímos. De fato, é justamente naqueles que servimos que Cristo Se nos revela cada dia a Si mesmo e prepara a recepção que esperamos ter um dia no seu Reino eterno.
Queridos amigos, com gestos simples, com actos simples e devotos que honram a Cristo nos seus irmãos e irmãs mais pequeninos, façamos entrar a força do seu amor no mundo, para mudá-lo realmente.
 Ao terminar o seu discurso o Papa agradeceu a generosidade e caridade dos ugandeses e a todos estendeu a Sua bênção com estas palavras:
Mais uma vez agradeço a vossa generosidade e caridade. Lembrar-me-ei de vós nas minhas orações e peço, por favor, que rezeis por mim. Confio-vos a todos à ternurenta protecção de Maria, nossa Mãe, e concedo a todos a minha bênção. Omukama Abakuume! (Que Deus vos proteja!)”.
Fonte: R. Vaticano
 
PAPA FRANCISCO NA AFRICA

Papa aos religiosos: 'sim' a Jesus e um 'sim' ao seu povo


Encontro com do Papa Francisco com os religiosos na Catedral do Sagrado Coração de Jesus, de Kampala - AFP

 

Depois de um intenso dia de actividades, o Papa Francisco terminou o seu segundo dia no Uganda encontrando o clero, religiosos e seminaristas. O Papa manifestou-se feliz por este encontro, também por se realizar na véspera do Advento, tempo que convida a olhar para um novo começo, e tempo em que iniciará o Ano do Jubilar extraordinário da Misericórdia.
A propósito do Jubileu, o Papa fez-lhes duas perguntas sobre a sua identidade e missão: quem sois vós e a que mais sois chamados a fazer na vivência da vossa vocação? Certamente sois homens e mulheres cujas vidas foram moldadas por um encontro pessoal com Jesus Cristo, disse Francisco, para O seguirdes, de coração indiviso, ao serviço do seu povo santo. E Francisco convidou-os a continuar a herança de tantas testemunhas (fiéis leigos, catequistas, sacerdotes e religiosos) que deixaram tudo, e outros até a própria vida, para seguir Jesus:
“Na vossa vida gasta tanto no ministério sacerdotal como na consagração religiosa, sois chamados a continuar esta grande herança, sobretudo através de actos simples de serviço humilde. Jesus quer servir-Se de vós para continuar a tocar os corações de cada vez mais pessoas: quer servir-Se da vossa boca para proclamar a sua palavra de salvação, dos vossos braços para abraçar os pobres que Ele ama, das vossas mãos para construir comunidades de autênticos discípulos-missionários. Oxalá nunca esqueçamos que o nosso «sim» a Jesus é um «sim» ao seu povo”.
As nossas portas, portanto, e as portas das nossas igrejas e dos nossos corações devem permanecer sempre abertas ao povo de Deus, sublinhou Francisco que exortou os religiosos a fazer algo mais, a percorrer mais uma milha no caminho da vivência da vocação. E o Papa dirigiu uma súplica para o povo do Burundi:
“Rezo, antes de mais nada, pelo amado povo do Burundi, para que o Senhor suscite nas Autoridade e em toda a sociedade sentimentos e propósitos de diálogo e colaboração, de reconciliação e paz”.
E Francisco reiterou que o nosso dever é acompanhar os que sofrem e deixar que a força sanadora de Deus passe por nós, e deixarmos que a sua misericórdia nos purifique para podermos levar a mesma misericórdia aos outros, sobretudo aos que se encontram nas periferias geográficas e existenciais.
O Papa falou em seguida da África como continente da esperança. A Igreja nestas terras, disse, é abençoada com a abundância de vocações religiosas e encorajou aos seminaristas e noviços  presentes reafirmando que a  vocação de Deus é uma fonte de alegria e um apelo a servir, e convidando-os a anunciar o Evangelho com integridade de vida e convicção. E concluiu dizendo:
“Na verdade, deixarei a África com grande esperança na colheita que a graça de Deus está a preparar no vosso meio! Peço a cada um de vós para rezar por uma abundante efusão de zelo apostólico, por uma jubilosa perseverança na vocação que recebestes, e sobretudo pelo dom dum coração puro sempre aberto às necessidades de todos os nossos irmãos e irmãs”.
E a todos o Papa prometeu recordar na oração e pediu para que rezem por ele.
Fonte: R. Vaticano
 
PAPA FRANCISCO NA AFRICA

Papa com os jovens do Uganda: sangue dos mártires nas vossas veias


Papa Francisco com os jovens do Uganda - AFP                     
  
   
                

 
Grande momento na tarde deste sábado dia 28 de Novembro em Kampala no Uganda: o encontro do Papa Francisco com milhares de jovens no Kololo Air Strip, um espaço dedicado a grande eventos que já foi um aeroporto.
E foi falando de improviso que a mensagem do Papa Francisco esvoaçou pelos corações do jovens que acolheram o Santo Padre com grande alegria. Disse-lhes para sempre lutarem e a terem esperança. Nas palavras que proferiu o Papa sublinhou que uma experiência negativa pode ser sinal de esperança com a força de Jesus:
“Diante de uma experiência negativa, sempre há a possibilidade de abrir um novo horizonte, de abrir com a força de Jesus. Transformar a amargura em esperança. Isso não é magia, é obra de Jesus, que tudo pode. Ele é o Senhor. Jesus sofreu a experiência mais negativa da história: foi insultado, recusado e assassinado. E Jesus, com o poder de Deus, ressuscitou. Ele pode fazer em cada um de nós o mesmo com cada uma das experiências negativas” – afirmou o Papa que perguntou ainda aos jovens se estão prontos para transformar o ódio em amor.
“Nas vossas veias corre o sangue dos mártires, e por isso têm a fé e a vida que têm agora”. Abram as portas dos vossos corações e deixem Jesus entrar, exortou o Papa.
“Quando Jesus entra na tua vida ele ajuda a lutar contra todos os problemas, contra uma depressão, contra a sida. Pedir ajuda para superar esta situação. Mas sempre lutar. Lutar com meu desejo, e lutar com minha oração” – afirmou o Papa na conclusão do seu discurso aos jovens.
Fonte: R. Vaticano

sábado, 28 de novembro de 2015

PAPA FRANCISCO NA AFRICA

Papa na Missa no Uganda: homenagem ao ecumenismo de sangue


Papa na Missa no Santuário de Namugongo em Kampala no Uganda - ANSA                            

Na manhã deste sábado, dia 28 de novembro, o Papa Francisco presidiu à Eucaristia no Santuário de Namugongo na cidade de Kampala, capital do Uganda. Homenageou o ecumenismo de sangue de católicos e anglicanos durante as perseguições aos cristãos.
Nos 50 anos da canonização dos mártires do Uganda, dos quais se destaca S. Carlos Lwanga, o Papa Francisco afirmou que o que dá alegria e paz duradouras são a honestidade e a integridade e não os prazeres mundanos e os poderes terrenos.
Primeiro foi a visita do Santo Padre ao Santuário anglicano onde o Papa prestou homenagem aos mártires torturados e mortos no final do séc. XIX. O abraço ao bispo anglicano e a oração em silêncio. Depois a Missa no Santuário católico consagrado por Paulo VI no lugar onde S Carlos Lwanga foi queimado juntamente com os seus 21 companheiros a 3 de Junho de 1886. Uma herança cristã para levar Cristo ao mundo:
“ Não nos aproximamos desta herança com uma recordação de circunstância ou conservando-a num museu como se fosse uma jóia preciosa, Honrámo-la verdadeiramente e honramos todos os Santos, quando levamos o seu testemunho a Cristo nas nossas casas e aos nossos vizinhos, nos lugares de trabalho e na sociedade civil, quer fiquemos nas nossas casas, quer andemos no mais remoto canto do mundo.”
“Não apenas a sua vida foi ameaçada mas foi-o também a vida dos rapazes mais jovens confiados aos seus cuidados (…) não tiveram temor de levar Cristo aos outros, mesmo com o custo da vida. A sua fé tornou-se testemunho; hoje, venerados como mártires o seu exemplo continua a inspirar tantas pessoas no mundo.”
O testemunho destes mártires – disse o Santo Padre – mostra como não são os prazeres humanos ou os poderes terrenos que nos dão paz e alegria, mas a honestidade e integridade. “Construir uma sociedade mais justa, que promova a dignidade humana, sem excluir ninguém, que defenda a vida, dom de Deus, e proteja as maravilhas da natureza, a criação, a casa comum” – afirmou o Papa na conclusão da sua homilia tendo recordado ainda que tudo começa na família, escola de amor e misericórdia, onde se exprime o cuidado com os idosos, os pobres, viúvas e órfãos.

Fonte: R. Vaticano

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

PAPA FRANCISCO NA AFRICA


Papa agradece catequistas ugandeses por ensinarem a rezar


Ugandeses dão as boas vindas ao Papa - REUTERS          

Eis na íntegra as palavras do Papa no encontro com catequistas e professores
"Queridos catequistas e professores,
Queridos amigos!
Com afecto, vos saúdo a todos em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor e Mestre.
«Mestre»: como é belo este título! O nosso primeiro e maior mestre é Jesus. Diz-nos São Paulo que Jesus deu à sua Igreja não só apóstolos e pastores, mas também mestres, para edificar o Corpo inteiro na fé e no amor. Juntamente com os bispos, os presbíteros e os diáconos, que foram ordenados para pregar o Evangelho e cuidar do rebanho do Senhor, vós, como catequistas, tendes parte relevante na missão de levar a Boa Nova a todas as aldeias e lugares do vosso país.
Quero, antes de mais nada, agradecer-vos pelos sacrifícios que fazeis, vós e as vossas famílias, e pelo zelo e devoção com que realizais a vossa importante tarefa. Ensinais o que Jesus ensinou, instruís os adultos e ajudais os pais a fazer crescer os seus filhos na fé e, a todos, levais a alegria e a esperança da vida eterna. Obrigado pela vossa dedicação, pelo exemplo que dais, pela proximidade ao povo de Deus na sua vida quotidiana e pelos mais variados modos como plantais e cultivais as sementes da fé em todo este vasto território. Obrigado especialmente por ensinardes as crianças e os jovens a rezar.
Sei que o vosso trabalho, embora gratificante, não é fácil. Por isso vos encorajo a perseverar, pedindo aos vossos bispos e sacerdotes que vos ajudem com uma formação doutrinal, espiritual e pastoral capaz de vos tornar mais eficazes na vossa acção. Mesmo quando a tarefa se apresenta gravosa, os recursos pouquíssimos e os obstáculos enormes, far-vos-á bem lembrar que o vosso é um trabalho santo. O Espírito Santo está presente onde o nome de Cristo é proclamado. Está entre nós sempre que elevamos os corações e as mentes para Deus na oração. Ele dar-vos-á a luz e a força de que precisais. A mensagem, que transmitis, enraizar-se-á tanto mais profundamente no coração das pessoas quanto mais fordes não só mestres, mas também testemunhas. Que o vosso exemplo faça ver a todos a beleza da oração, o poder da misericórdia e do perdão, a alegria de partilhar a Eucaristia com todos os irmãos e irmãs.
A comunidade cristã no Uganda cresceu enormemente graças ao testemunho dos mártires. Eles deram testemunho da verdade que nos liberta; estavam prontos a derramar o seu sangue, para permanecer fiéis àquilo que sabiam ser bom, belo e verdadeiro. Estamos hoje aqui em Munyonyo, no lugar onde o rei Mwanga decidiu eliminar os seguidores de Cristo. Mas o seu objectivo faliu, tal como o rei Herodes não conseguiu matar Jesus. A luz brilhou nas trevas, e as trevas não prevaleceram (cf. Jo 1, 5). Depois de ter visto o corajoso testemunho de Santo André Kaggwa e seus companheiros, os cristãos do Uganda tornaram-se ainda mais convictos das promessas de Cristo.
Que Santo André, vosso padroeiro, e todos os catequistas mártires ugandeses vos obtenham a graça de serdes mestres sábios, homens e mulheres cujas palavras sejam cheias de graça, dando testemunho convincente do esplendor da verdade de Deus e da alegria de Evangelho. Ide sem medo por cada cidade e aldeia deste país espalhar a boa semente da Palavra de Deus e tende confiança na sua promessa de que voltareis, em festa, carregando os feixes duma seara abundante.
Peço-vos para rezardes por mim e que peçais às crianças para rezarem por mim
Omukama Abawe Omukisa! [Deus vos abençoe!]
Fonte: R. Vaticano

PAPA FRANCISCO NA AFRICA

Papa: bom governo e desenvolvimento integral para todos


Papa Francisco no Uganda - RV

No Uganda o Papa Francisco teve um encontro com as autoridades e o Corpo Diplomático. No seu discurso Francisco disse que objectivo da visita era comemorar os 50 anos da canonização dos Mártires do Uganda e também como sinal de amizade, estima e encorajamento para todos.
Os Mártires ugandenses, disse em seguida Francisco, tanto católicos como anglicanos, são verdadeiros heróis nacionais que deram a vida por Deus e pelo próprio País:
“Lembram-nos a importância que a fé, a rectidão moral e o serviço ao bem comum desempenharam e continuam a desempenhar na vida cultural, económica e política do país. Recordam-nos também que, apesar das nossas crenças religiosas e convicções diferentes, somos todos chamados a procurar a verdade, a trabalhar pela justiça e a reconciliação, e a respeitar-nos, proteger-nos e ajudar-nos uns aos outros como membros da única família humana”.
Estes ideais, sublinhou ainda Francisco, são pedidos particularmente a homens e mulheres como vós que tendes o dever de assegurar com critérios de transparência um bom governo, um desenvolvimento humano integral, uma ampla participação na vida pública da nação e também uma sábia e justa distribuição dos recursos que o Criador derramou tão abundantemente sobre estas terras.
Um outro objectivo da visita ao Uganda é chamar a atenção para a África no seu todo, para a promessa que representa, as suas esperanças, as suas lutas e as suas conquistas. “O mundo olha para a África como o continente da esperança”, disse ainda Francisco, e o Uganda foi abençoado por Deus com abundantes recursos naturais que os ugandenses devem administrar como guardiões responsáveis. E acrescentou:
Mas a nação foi abençoada sobretudo no seu povo: através das suas famílias sólidas, da sua juventude e dos seus idosos. Anseio pelo meu encontro de amanhã com os jovens, a quem dirigirei palavras de encorajamento e estímulo. Como é importante que lhes sejam oferecidas a esperança, a oportunidade de receber uma instrução adequada e um trabalho remunerado e sobretudo a oportunidade de participar plenamente na vida da sociedade!”
E Francisco falou também dos idosos, memória viva de cada povo. A sua sabedoria e experiência – sublinhou o Santo Padre - deveriam ser sempre valorizadas como uma bússola capaz de permitir que a sociedade encontre a orientação certa para enfrentar os desafios do presente com integridade, sabedoria e clarividência.
Por fim, o Papa manifestou o desejo de encorajar, com a sua presença no Uganda, os muitos e silenciosos esforços realizados no País para dar assistência aos pobres, os doentes e às pessoas em dificuldade, de modo particolar os refugiados:
“Aqui na África Oriental, o Uganda demostrou um empenhamento excepcional na recepção dos refugiados, permitindo-lhes reconstruir as suas vidas em segurança e experimentar a dignidade que provém de ganhar a própria subsistência com um trabalho honesto. O nosso mundo, imerso em guerras, violência e várias formas de injustiça, é testemunha dum movimento migratório de povos sem precedentes. O modo como enfrentamos este fenómeno é um teste da nossa humanidade, do nosso respeito pela dignidade humana e, acima de tudo, da nossa solidariedade para com os irmãos e irmãs necessitados”.
Deste modo, finaliza o Papa, a visita será um forte sinal de solidariedade num mundo caracterizado pela globalização da «cultura do descarte», que nos torna cegos aos valores espirituais, endurece os nossos corações à vista das necessidades dos pobres e priva os jovens da esperança.
O Papa concluiu com a esperança e oração para todo o amado povo do Uganda para que esteja sempre à altura dos valores que moldaram a alma da nação. E sobre todos invocou a abundância das bênçãos do Senhor: Mungu awubariki! (Deus vos abençoe!).

Fonte: R. Vaticano

PAPA FRANCISCO NA AFRICA

Papa Francisco já está no Uganda


Papa Francisco na sua chegada ao Uganda - RV

 

O Papa Francisco já está no Uganda. A acolhe-lo estava o Presidente Kaguta Museveni. São estes os principais encontros e momentos que o Santo Padre viverá no Uganda:
Sexta-feira dia, 27 de novembro
- Visita de cortesia ao Presidente da República do Uganda pelas 15.30 horas de Roma.
- pelas 16 horas está previsto o protocolar encontro com as autoridades do Uganda e com o Corpo Diplomático no Salão das Conferências do Palácio Presidencial; presentes também personalidades da economia e da cultura do país;
- no final do encontro com as autoridades, o Papa Francisco viaja até à cidade de Munyonyo a 38 quilómetros da capital. Trata-se do lugar onde o rei Mwanga em 1886 tomou a decisão de exterminar os cristãos. A 25 e 26 de maio desse ano foram mortos os primeiros quatro mártires do Uganda, entre eles Santo André Kaggwa. Em Munyonyo o Santo Padre será acolhido pelos franciscano conventuais, Ordem a quem está confiado o Santuário onde todos os anos se encontram catequistas e educadores, que saudarão e se encontrarão com o Papa.
- pelas 18 horas o regresso a Kampala e o jantar na Nunciatura Apostólica;
Sábado, dia 28 de Novembro
- na manhã do dia 28 o Santo Padre terá uma agenda muito intensa de encontros: começa por visitar o Santuário anglicano dos Mártires de Namugongo – lugar onde jazem os restos mortais dos 25 mártires do Uganda;
- pelas 9 horas locais (7 horas em Roma) o Papa visita o Santuário Católico de Namugongo dedicado a S. Carlos Lwanga, o mais famoso dos mártires ugandeses, que era o chefe dos pajens do rei da corte de Buganda Mwanga e que foi morto durante as perseguições anti-cristãs de finais do século XIX;
- de seguida será a Santa Missa presidida pelo Papa Francisco naquele Santuário;
- na tarde deste sábado dia 28 de Novembro destaque para o encontro com os jovens no Kololo Air Strip de Kampala, onde antes era um aeroporto é agora um espaço para grandes eventos;
- de seguida o Santo Padre segue para Nalukolongo on de visitará a Obra “Casa da Caridade”;
- depois encontra-se com os bispos do Uganda na Catedral de Kampala;
- no final do dia 28, na mesma Catedral dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, o Santo Padre encontra-se com o clero, os religiosos e religiosas e os seminaristas do Uganda.
- o Papa Francisco parte já no dia 29 de Novembro, domingo, para a República Centro-Africana.

Fonte: R. Vaticano
PAPA FRANCISCO NA AFRICA

Nairobi: Papa Francisco aos jovens quenianos


Jovens quenianos saudam o Papa - EPA

 
Um dos momentos mais significativos da visita do Papa ao Quénia, foi o encontro com os Jovens quenianos, que teve lugar na manhã desta sexta-feira às 10 horas locais, 8 horas de Roma no Estádio de Kasarani. No discurso, em forma de diálogo, o Papa Francisco pediu aos 70 mil jovens presentes que se dessem as mãos, de modo a formar uma grande corrente humana, em representação de toda a nação Queniana. Em seguida o Papa exortou os jovens a rejeitarem aquilo que chamou de “açúcar da corrupção” que dissipa a alegria e a paz interior.
Disse aos jovens que deveriam ter sempre esperança: E para melhor ilustrar o seu pensamento, o Santo Padre tirou do bolso o rosário e um livrinho preto com as 14 estações da Via Sacra, e disse que aqueles eram instrumentos que dão sempre esperança”.
Em seguida, e como resposta ao testemunho pessoal de dois jovens que lhe fizeram algumas perguntas sobre as dificuldades sociais que a juventude de hoje atravessa, o Papa Francisco deixou aos jovens os seguintes interrogativos: “Porque é que os jovens, cheios de ideais, se deixam arrastar pelo radicalismo religioso? Porque se distanciam da família, dos amigos, da pátria e da vida? Porque aprendem a matar?
E perguntou ainda: “Se um jovem ou uma jovem não tiver trabalho e não puder estudar o que é que poderia fazer?” E retorquiu: “Poderia correr o risco de cair na dependência da droga, praticar actividades criminosas e até suicidar-se”.
 Na sequência desses interrogativos e ilustração de algumas respostas a dar aos problemas dos jovens Francisco disse-lhes  que a primeira coisa que um jovem deveria fazer, para evitar cair em tais erros, é “ter uma boa educação e um trabalho”. Se não tiver trabalho (disse o Papa) qual futuro terá? Se não tiver educação ou qualquer actividade qual será o seu fim? Eis o perigo social que depende de um sistema injusto, cujo centro não é Deus, mas o dinheiro, disse.

Fonte: R. Vaticano
PAPA FRANCISCO NA AFRICA

No bairro de lata de Kangemi o Papa pede água, casa e trabalho


Habitantes do bairro de Kangemi, em Nairobi, no Quénia, saudam o Papa - REUTERS         
 


Nairobi, 27 de Novembro – um início de manhã especial para o bairro de Kangemi, um dos 7 bairros de lata de Nairobi: grande entusiasmo entre os habitantes; presentes também muitas pessoas vindas de outros bairros da capital. O Papa Francisco foi à Igreja Paroquial de S. José Operário, animada por uma comunidade de jesuítas.
O Santo Padre ouviu os testemunhos de alguns dos habitantes do bairro e de uma religiosa que vive naquele lugar. Destaque para um filme que foi apresentado ao Papa onde se podem ver esgotos a céu aberto, barracas e estradas na lama, os pequenos negócios com que as pessoas vivem, e também as comunidades em oração e as crianças que jogam à bola.
Nas palavras que proferiu o Papa não poderia ter sido mais direto: “sinto-me em casa” – disse:
“Sinto-me em casa, partilhando este momento com irmãos e irmãs que têm um lugar preferencial na minha vida e nas minhas opções, não me envergonho de o dizer. Estou aqui porque quero que saibais que as vossas alegrias e esperanças, as vossas angústias e as vossas dores não me são indiferentes. Conheço as dificuldades que encontrais dia-a-dia! Como podemos não denunciar as injustiças?”
O Papa denunciou as injustiças e a marginalização promovida por “minorias que concentram o poder e a riqueza” e declarou ainda “que todas as famílias tenham um teto digno, acesso à água potável, instalações sanitárias, energia segura para iluminar, cozinhar, que possam melhorar as suas casas, que todos os bairros tenham estradas, praças, escolas, hospitais”.
O Papa Francisco denunciou ainda a “apropriação de terras por parte de investidores privados sem rosto, que pretendem mesmo apoderar-se do pátio das escolas”. Ao mesmo tempo denunciou a criminalidade organizada que usa os mais jovens nas suas atividades ilícitas.
O Santo Padre recordou também que o mundo tem uma “grave dívida social” para com os pobres que não têm acesso à água potável, criticando quem acaba por lucrar com a exploração daquele que é um direito universal.
Mas o Papa quis colocar em realce um aspecto nem sempre reconhecido e que é a sabedoria dos bairros populares: uma sabedoria que provêm de uma “obstinada resistência daquilo que é autêntico”, e que uma frenética sociedade de consumo parece ter esquecido:
“Reconhecer estas manifestações de vida boa que crescem cada dia entre vós, não significa, de modo algum, ignorar a terrível injustiça da marginalização urbana. São as feridas provocadas pelas minorias que concentram o poder, a riqueza e perduram egoisticamente, enquanto a crescente maioria tem que refugiar-se em periferias abandonadas, poluídas e descartadas.”
O Papa Francisco fez um apelo especial a todos os cristãos, em particular aos pastores, a renovarem o  ímpeto missionário e a tomarem iniciativas contra as tantas injustiças e a envolverem-se nos problemas dos cidadãos e a acompanhá-los nas suas lutas, a apoiarem os frutos do seu trabalho coletivo e a celebrarem com eles cada pequena ou grande vitória.

Fonte: R. Vativcano