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NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

Esteja ao lado de Nossa Senhora de Fátima como nunca pode imaginar.

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CAPELA DE NOSSA SENHORA DA MEDALHA MILAGROSA

Uma Capela cheia de segredos !Você quer descobri-la conosco? Saiba, antes de tudo, que a Casa Mãe da Companhia das Filhas da Caridade era o antigo "Hotel de Châtillon". Este, foi concedido à Companhia, em 1813, por Napoleão Bonaparte, depois da tormenta da Revolução Francesa. Imediatamente, começa a construção da Capela.A 8 de agosto de 1813, realizou-se a bênção solene da Capela dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. Em 1830, aconteceram então as aparições. Aumentou o numero de vocações.Foi necessário transformar a Capela, que passa então por várias modificações. Em 1930, por ocasião do centenário das apariçes, uma nova reforma nos mostra a Capela tal como a vemos hoje.Agora, a você a oportunidade de visitá-la!
http://www.chapellenotredamedelamedaillemiraculeuse.com

Visita a Capela da Medalha Milagrosa, localizada na Rue du Bac, 140 - Paris

Visita a Capela da Medalha Milagrosa, localizada na Rue du Bac, 140 - Paris
Clique sobre a foto para a visita guiada em 15 etapas

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

ENCÍCLICA DE BENTO XVI PARA MUDAR O MUNDO


Papa entrega a jovens africanos sua encíclica para mudar o continente
Une-se com o rosário e o satélite a universitários de cidades africanas


CIDADE DO VATICANO,

-Bento XVI entregou a jovens africanos sua recente encíclica social, Caritas in Veritate, como uma bússola para mudar as injustiças que continuam afligindo esse continente.
A entrega do documento aconteceu no final do Rosário “pela África e com a África” que, graças às novas tecnologias da comunicação, uniu este sábado universitários de várias cidades do continente com a Sala Paulo VI do Vaticano, onde se encontravam os participantes do segundo Sínodo da África, assim como universitários italianos e da África residentes em Roma.
A eles se uniram, através de uma conexão televisiva por satélite, milhares de estudantes desde centros acadêmicos ou igrejas de nove capitais africanas: Cairo (Egito), Nairobi (Quênia), Cartum (Sudão), Antananarivo (Madagascar), Johannesburgo (África do Sul), Onitsha (Nigéria), Kinshasa (República Democrática do Congo), Maputo (Moçambique), Uagadugu (Burkina Faso).
Das mãos do Papa, de maneira simbólica, receberam a encíclica quinze universitários presentes no Vaticano. Nas demais sedes, também se distribuíram cópias da encíclica aos universitários.
No discurso que dirigiu em vários idiomas, o Papa sublinhou que o futuro da África depende em boa parte da formação de seus jovens, em particular de seus universitários.
“Neste contexto, a vós, queridos jovens, encomendei idealmente a encíclica Caritas in Veritate, na qual exorto sobre a urgência de elaborar uma nova síntese humanística (Cf. nº 21) que volte a estreitar os laços entre a antropologia e a teologia”.
“Queridos universitários de Roma e da África – exortou –, peço-vos que sejais, na Igreja e na sociedade, operadores da caridade intelectual, necessária para enfrentar os grandes desafios da história contemporânea”.
“A vós, queridos estudantes africanos, dirijo-vos um convite especial para viver o tempo do estudo como uma preparação a desempenhar um serviço de animação cultural em vossos países”, concluiu. “A nova evangelização na África conta também com vosso generoso esforço”.
O encontro foi organizado pela secretaria geral do Sínodo dos Bispos e pelo Escritório Pastoral Universitária do Vicariato de Roma, por ocasião da II Assembleia para África do Sínodo dos Bispos.
Desde cada um dos países conectados, a quem se uniu por rádio jovens de Madagascar, Guiné Equatorial e outras zonas da África, o Papa recebeu saudações.
Logo, graças aos telões presentes na sala, o bispo de Roma pôde continuar as celebrações da memória do batismo e do rito da aspersão com a água benta, que aconteceram na capital egípcia, onde Sherif Samir, estudante de engenharia, copto católico, ofereceu seu testemunho sobre o laço entre os sacramentos e a vida universitária.
Sucessivamente, no restante da assembleia conectada por satélite, os bispos que presidiam a liturgia aspergiram os presentes com a água benta, símbolo batismal. Rezaram os mistérios gloriosos. O Papa introduziu o Pai-Nosso e logo se ofereceu um mistério do Rosário para uma cidade diferente por esta ordem: Nairobi, Kinshasa, Johannesburgo, Cartum e Uagadugu.
O canto das ladainhas dos santos foi elevado desde Onitsha no idioma local.
Quando o Papa deixou a sala, uma cruz de madeira, cópia da cruz das Jornadas Mundiais da Juventude, precedeu uma peregrinação que concluiu pelas ruas de Roma até a sede da Universidade LUMSA.
Antes da chegada do Papa, foram apresentados testemunhos de reconciliação, justiça e paz – temas do Sínodo da África –, expostos por universitários da Nigéria, Burkina Faso, Quênia e Moçambique.
Entre os que mais impressionaram os jovens destaca o de Helcido Manuel Parruque, estudante de eltrônica em Maputo, que recordou que “a guerra destrói tudo: a esperança, o sorriso, o futuro, os sonhos, a economia”.
“Só quem viu a guerra – concluiu – sabe quão necessária é a paz”.

Fonte: ZENIT.org

terça-feira, 13 de outubro de 2009

"ASSASSINOS FINANCEIROS" DA AFRICA

Cardeal desmascara “assassinos financeiros” da África
Instituições que impõem créditos que nunca de pagam

CIDADE DO VATICANO,

- O cardeal Bernard Agré, de Costa do Marfim, tomou a palavra na assembleia do Sínodo para a África para desmascarar os “assassinos financeiros”, homens e instituições que afogam em prestações iníquas os países deste continente.
O arcebispo emérito de Abidjan começou explicando que "as jovens nações da África tiveram que recorrer aos bancos internacionais e a outros organismos financeiros para realizar os numerosos projectos dirigidos ao próprio desenvolvimento”.
Segundo ele, com frequência, “os dirigentes incapazes não deram atenção suficiente e caíram nas armadilhas de homens e mulheres que os especialistas chamam ‘os assassinos financeiros’, os chacais patrocinados pelos organismos habituados aos contratos desleais destinados a enriquecer as organizações financeiras internacionais apoiadas habilmente pelos seus Estados ou por outras organizações imersas na conspiração do silêncio e da mentira”.
“Os lucros extraordinários vão aos assassinos financeiros, às multinacionais, assim como a alguns cidadãos de um país que serve como filtro para os negócios estrangeiros. Assim a maior parte das nações continua a deteriorar-se na pobreza e nas frustrações que ela gera”, disse.
Segundo o cardeal, os ‘assassinos financeiros’, “portadores de financiamentos excessivos, põem-se de acordo com os seus interlocutores locais para que as enormes quantias emprestadas com o sistema dos juros compostos nunca possam ser reembolsados depressa e integralmente”.
“Os contratos de execução e de manutenção são devolvidos habitualmente, sob forma de monopólio, aos representantes dos credores. Os países beneficiários hipotecam os próprios recursos naturais. Os habitantes, por gerações, permanecem acorrentados, prisioneiros por longos anos.”
Para reembolsar essas “dívidas inextinguíveis –explicou Dom Bernard Agré–, sempre ameaçadoras”, “a voz da dívida incide pesadamente no balanço estatal, na ordem de 40-50% do produto interno bruto”.
“Vinculado deste modo, o país respira mal, deve apertar o cinto diante dos investimentos, das despesas necessárias para a instrução, a saúde, o desenvolvimento em geral. A dívida torna-se ela mesma um filtro político por não satisfazer as legítimas reivindicações, com a sequela de frustrações, desordens sociais, etc...”
“Luz do mundo”, disse o cardeal, “a Igreja, para revestir o seu papel profético, deveria empenhar-se concretamente nesta luta pela verdade.”
“Os peritos sabem que há anos a maior parte das dívidas foi efetivamente reembolsada. Suprimi-las pura e simplesmente já não é um ato de caridade mas de justiça. Assim o atual Sínodo deveria considerar este problema de revogação das dívidas que incidem de maneira demasiada grave sobre algumas populações.”
Para que tudo isso não seja “simplesmente um ataque de sentimento, a minha proposta seria para que uma comissão internacional, composta por peritos da alta finança, pastores informados, homens e mulheres do Norte e do Sul, se ocupasse de modo resolutivo do problema”, sugeriu o cardeal.
A comissão deveria “estudar a viabilidade da operação”; “tomar todas as providências para evitar recair nas mesmas situações”; “vigiar concretamente o uso transparente das somas tão economizadas, para que elas favoreçam efetivamente todos os elementos da pirâmide social: camponeses e cidadãos”.

Fonte: ZENIT.org

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

NOSSA SENHORA APARECIDA - PADROEIRA DO BRASIL

DIA DE NOSSA SENHORA APARECIDA
Dia de Nossa Senhora Aparecida
12 de outubro
No dia 12 de outubro, comemoram-se três datas, embora poucos lembrem-se de todas elas: Nossa Senhora Aparecida, padroeira oficial do Brasil, o Dia das Crianças e o Descobrimento da América. Nosso feriado nacional, no entanto, deve-se somente à primeira data, e, embora a devoção à santa remonte aos idos do século XVIII, só foi decretado em 1980.

Há duas fontes sobre o achado da imagem, que se encontram no Arquivo da Cúria Metropolitana de Aparecida e no Arquivo Romano da Companhia de Jesus, em Roma.

Segundo estas fontes, em 1717 os pescadores Domingos Martins García, João Alves e Filipe Pedroso pescavam no rio Paraíba, na época chamado de rio Itaguaçu. Ou melhor, tentavam pescar, pois toda vez que jogavam a rede, ela voltava vazia, até que lhes trouxe a imagem de uma santa, sem a cabeça. Jogando a rede uma vez mais, um pouco abaixo do ponto onde haviam pescado a santa, pescaram, desta vez, a cabeça que faltava à imagem e as redes, até então vazias, passaram a voltar ao barco repletas de peixes. Esse é considerado o primeiro milagre da santa. Eles limparam a imagem apanhada no rio e notaram que se tratava da imagem de Nossa Senhora da Conceição, de cor escura.

Durante os próximos 15 anos, a imagem permaneceu com a família de Felipe Pedroso, um dos pescadores, e passou a ser alvo das orações de toda a comunidade. A devoção cresceu à medida que a fama dos milagres realizados pela santa se espalhava. A família construiu um oratório, que, logo constatou-se, era pequeno para abrigar os fiéis que chegavam em número cada vez maior. Em meados de 1734, o vigário de Guaratinguetá mandou construir uma capela no alto do Morro dos Coqueiros para abrigar a imagem da santa e receber seus fiéis. A imagem passou a ser chamada de Aparecida e deu origem à cidade de mesmo nome.

Em 1834 iniciou-se a construção da igreja que hoje é conhecida como Basílica Velha. Em 06 de novembro de 1888, a princesa Isabel visitou pela segunda vez a basílica e deixou para a santa uma coroa de ouro cravejada de diamantes e rubis, juntamente com o manto azul. Em 8 de setembro de 1904 foi realizada a solene coroação da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida e, em 1930, o papa Pio XI decreta-a padroeira do Brasil, declaração esta reafirmada, em 1931, pelo presidente Getúlio Vargas.

A construção da atual Basílica iniciou-se em 1946, com projeto assinado pelo Engenheiro Benedito Calixto de Jesus. A inauguração aconteceu em 1967, por ocasião da comemoração do 250.º Aniversário do encontro milagroso da imagem, ainda com o templo inacabado. O Papa Paulo VI ofertou à santa uma rosa de ouro, símbolo de amor e confiança pelas inúmeras bênçãos e graças por ela concedidas. A partir de 1950 já se pensava na construção de um novo templo mariano devido ao crescente número de romarias. O majestoso templo foi consagrado pelo Papa, após mais de vinte e cinco anos de construção, no dia 4 de julho de 1980, na primeira visita de João Paulo II ao Brasil.

A data comemorativa à Nossa Senhora Aparecida (aniversário do aparecimento da imagem no Rio) foi fixada pela Santa Sé em 1954, como sendo 12 de outubro, embora as informações sobre tal data sejam controversas. É nesta época do ano que a Basílica registra a presença de uma multidão incontável de fiéis, embora eles marquem presença notável durante todo ano.

A imagem encontrada e até hoje reverenciada é de terracota e mede 40 cm de altura. A cor original foi certamente afetada pelo tempo em que a imagem esteve mergulhada na água do rio, bem como pela fumaça das velas e dos candeeiros que durante tantos anos foram os símbolos da devoção dos fiéis à santa. Em 1978, após o atentado que a reduziu a quase 200 pedaços, ela foi reconstituída pela artista plástica Maria Helena Chartuni, na época, restauradora do Museu de Arte de São Paulo. Peritos afirmam que ela foi moldada com argila da região, pelo monge beneditino Frei Agostinho de Jesus, embora esta autoria seja de difícil comprovação.
Seja qual for a autoria da imagem ou a história de sua origem, a esta altura ela pouco importa, pois as graças alcançadas por seu intermédio têm trazido esperança e alento a um sem número de pessoas. Se quiser saber mais detalhes sobre a Basílica e sua programação, visite o site www.santuarionacional.com.br, no qual também é possível acender uma vela virtual. E já que a fé, assim como a internet, não conhece fronteiras, eu já acendi a minha, por um mais paz e igualdade no mundo. Acenda a sua e que Nossa Senhora Aparecida nos ouça e ilumine o mundo, que está precisando tanto de cuidados.

Além da farta pescaria, muitos outros milagres são atribuídos à Nossa Senhora Aparecida. Veja alguns abaixo:

A libertação do escravo Zacarias
O escravo Zacarias havia fugido de uma fazenda no Paraná e acabou sendo capturado no Vale do Paraíba. Foi caçado e capturado por um famoso capitão do mato e, ao ser levado de volta, preso por correntes nos pulsos e nos pés, e como passassem perto da capela da Santa, pediu permissão para rezar diante da imagem. Rezou com tanta devoção que as correntes milagrosamente se romperam, deixando-o livre. Diante do ocorrido, seu senhor acabou por libertá-lo.

O cavaleiro ateu
Um cavaleiro que passava por Aparecida, vendo a fé dos romeiros, zombou deles e tentou entrar na igreja a cavalo para destruir a imagem da santa. Na tentativa, as patas do cavalo ficaram presas na escadaria da igreja. Até hoje pode-se ver a marca de uma das ferraduras em uma pedra, na sala dos milagres da Basílica Nova.

A cura da menina cega
Uma menina cega, ao aproximar-se, com a mãe, da Basílica, olhou em direção a ela e, de repente, exclamou "Mãe, como aquela igreja é bonita." Estava enxergando, perfeitamente curada.

domingo, 11 de outubro de 2009

EXEMPLO DE VIDA REAL


8 anos como gari: tese de Mestrado de Psicologia na USP
PLÍNIO DELPHINO – Diário de São Paulo

Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da "invisibilidade pública". Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado sob essecritério, vira mera sombra social
O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali, constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são "seres invisíveis, sem nome".

Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da "invisibilidade pública", ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400,00 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida: "Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência", explica o pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. "Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes, esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão", diz.
Apesar do castigo do sol forte, do trabalho pesado e das humilhações diárias, segundo o psicólogo, são acolhedores com quem os enxerga. E encontram no silêncio a defesa contra quem os ignora.

Diário de São Paulo-
Como é que você teve essa idéia?

Fernando Braga da Costa
- Meu orientador desde a graduação, o professorJosé Moura Gonçalves Filho, sugeriu aos alunos, como uma das provas de avaliação, que a gente se engajasse numa tarefa proletária. Uma forma de atividade profissional que não exigisse qualificação técnica nem acadêmica.
Então, basicamente, profissões das classes pobres.

Com que objetivo?
A função do meu mestrado era compreender e analisar a condição de trabalho deles (os garis), e a maneira como eles estão inseridos na cena pública. Ou seja, estudar a condição moral e psicológica a qual eles estão sujeitos dentro da sociedade.
Outro nível de investigação, que vai ser priorizado agora no doutorado, é analisar e verificar as barreiras e as aberturas que se operam no encontro do psicólogo social com os garis.

Que barreiras são essas, que aberturas são essas, e como se dá a aproximação?
Quando você começou a trabalhar, os garis notaram que se tratava de um estudante fazendo pesquisa?
Eu vesti um uniforme que era todo vermelho, boné, camisa e tal. Chegando lá eu tinha a expectativa de me apresentar como novo funcionário, recém-contratado pela USP pra varrer rua com eles. Mas, os garis sacaram logo, entretanto nada me disseram. Existe uma coisa típica dos garis: são pessoas vindas do Nordeste, negros ou mulatos em geral. Eu sou branquelo, mas isso talvez não seja o diferencial, porque muitos garis ali são brancos também. Você tem uma série de fatores que são ainda mais determinantes, como a maneira de falarmos, o modo de a gente olhar ou de posicionar o nosso corpo, a maneira como gesticulamos. Os garis conseguem definir essas diferenças com algumas frases que são simplesmente formidáveis.

Dê um exemplo?
Nós estávamos varrendo e, em determinado momento, comecei a papear com um dos garis. De repente, ele viu um sujeito de 35 ou 40 anos de idade, subindo a rua a pé, muito bem arrumado com uma pastinha de couro na mão.
O sujeito passou pela gente e não nos cumprimentou, o que é comum nessas situações. O gari, sem se referir claramente ao homem que acabara de passar, virou-se pra mim e começou a falar: "É Fernando, quando o sujeito vem andando você logo sabe se o cabra é do dinheiro ou não. Porque peão anda macio, quase não faz barulho. Já o pessoal da outra classe você só ouve o toc-toc dos passos. E quando a gente está esperando o trem logo percebe também: o peão fica todo encolhidinho olhando pra baixo. Eles não. Ficam com olhar só por cima de toda a peãozada, segurando a pastinha na mão."

Quanto tempo depois eles falaram sobre essa percepção de que você era diferente?
Isso não precisou nem ser comentado, porque os fatos no primeiro dia detrabalho já deixaram muito claro que eles sabiam que eu não era um gari. Fui tratado de uma forma completamente diferente. Os garis são carregados na caçamba da caminhonete junto com as ferramentas. É como se eles fossem ferramentas também. Eles não deixaram eu viajar na caçamba, quiseram que eufosse na cabine. Tive de insistir muito para poder viajar com eles na caçamba. Chegando no lugar de trabalho, continuaram me tratando diferente. As vassouras eram todas muito velhas. A única vassoura nova já estava reservada para mim. Não me deixaram usar a pá e a enxada, porque era um serviço mais pesado. Eles fizeram questão de que eu trabalhasse só com a vassoura e, mesmo assim, num lugar mais limpinho, e isso tudo foi dando a dimensão de que os garis sabiam que eu não tinha a mesma origem socio econômica deles.

Quer dizer que eles se diminuíram com a sua presença?
Não foi uma questão de se menosprezar, mas sim de me proteger.
Eles testaram você?
No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca.. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num grupo grande, esperei que elesse servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo.
No momento em que empunhei a caneca improvisada, parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse: 'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?'
E eu bebi. Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.
"Essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa"

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, descia escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado.
Fui almoçar. Não senti o gosto da comida. Voltei para o trabalho atordoado.

E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psico-social, não se esquece jamais. Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias. Mudei.
Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador. Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome. S
ão tratados como se fossem uma coisa.

E ai?
Vamos chorar também ou de gotinha em gotinha mudar este oceano?

Fonte: http://www.via6.com/topico.php?tid=131744 - acessado em 04/10/2009

sábado, 10 de outubro de 2009

OBTER ARMAS É MAIS FÁCIL QUE CONSEGUIR SAÚDE E ALIMENTAÇÃO



Educação, alimento e saúde são menos acessíveis que armas
Denunciou Dom Migliore, observador vaticano na ONU
Por Roberta Sciamplicotti


NOVA YORK,

-Os povos do mundo inteiro “querem ver um mundo no qual a educação, o alimento, a assistência sanitária e a água limpa sejam mais acessíveis que as armas ilícitas”.
Este foi o forte apelo lançado pelo arcebispo Celestino Migliore, observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, intervindo nesta quinta-feira em Nova York, na 64ª Assembleia Geral, por ocasião do debate sobre o desarmamento e a segurança internacional.
“A sociedade civil, as organizações humanitárias internacionais, os indivíduos e sobretudo os que sofrem os conflitos armados e a violência, esperam de nós resultados tangíveis e convincentes, na esperança de ver um mundo livre das armas nucleares, com severos controles sobre o comércio de armas, que hoje está estreitamente ligado aos mercados ilícitos e provoca sérios danos à humanidade”, disse aos presentes.
Os dados, sublinhou, ainda não são tranquilizadores. Em 2008, ano em que se produziu a gravíssima crise financeira que atingiu o mundo inteiro, os gastos militares, ao invés de diminuírem, aumentaram 4%, tornando ainda mais difícil o alcance dos Objetivos do Milênio, que, entre outras coisas, propunham a diminuição da pobreza pela metade até 2015.
“Será que as pessoas podem esperar mudanças mais concretas e valentes por parte dos seus líderes?”, perguntou o prelado.
“A resposta está em nossas mãos e mostrará a determinação da comunidade internacional em buscar a paz e a segurança mundiais, baseadas na promoção do desenvolvimento humano integral”, afirmou.
Dom Migliore recordou que o artigo 26 da Carta das Nações Unidas declara que o gasto excessivo em armamento desvia os recursos humanos e econômicos de objetivos fundamentais.
O principal papel das iniciativas de desarmamento, afirmou, é o de “reduzir os gastos militares através do controle das armas e o desarmamento”.
Perguntando-se pelas “alternativas a estes gastos militares excessivos que, ao mesmo tempo, não diminuam a segurança”, o observador vaticano respondeu que uma delas é o “reforço do multilateralismo”.
Neste sentido, reconheceu que assistimos a “um novo clima político por parte dos principais protagonistas do desarmamento”, que se une ao alcance de objetivos como a adoção de uma nova convenção sobre as bombas cluster e renovados empenhos por um mundo mais livre de minas.
Nesta perspectiva, a delegação vaticana sublinhou o empenho da Santa Sé em levar adiante os trabalhos sobre um Tratado para o Comércio de Armas, que seja um instrumento vinculante para a importação, exportação e transferência de armas.
“As armas não podem ser consideradas como qualquer bem no mercado global, regional ou nacional, e seu excessivo armazenamento ou seu comércio indiscriminado – sobretudo nas regiões afetadas por conflitos – não podem ser moralmente justificados de forma alguma”, declarou.
Se, por um lado, a Santa Sé sublinha a necessidade de “políticas nacionais e acordos militares para reduzir os arsenais militares”, por outro, exorta a não esquecer “muitas questões ainda não resolvidas”, referindo-se concretamente ao fato de que, após 13 anos, o tratado para a proibição de experimentos nucleares não tenha entrado em vigor ainda, faltando novas ratificações, além dos “obstáculos persistentes” que dificultam as negociações sobre um Tratado para a abolição do material físsil.
“Muitas questões sobre o desarmamento esperam ainda uma solução definitiva – concluiu Dom Migliore. Unamos os esforços e a boa vontade, para garantir a segurança internacional e organismos multilaterais eficazes.”
Fonte: ZENIT.org

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

TESTEMUNHO DE RECONCILIAÇÃO

Durante sínodo, religiosa da Ruanda dá testemunho de reconciliação
A Irmã Uwamariya perdeu sua família durante o genocídio da Ruanda
Por Carmen Elena Villa


CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 9 de outubro de 2009 (ZENIT.org).

- O testemunho dado pela Irmã Geneviève Uwamariya, da comunidade de Santa Maria de Namur, na Ruanda, comoveu os presentes nesta manhã, na sala sinodal.
A Irmã Uwamariya perdeu seu pai e vários dos seus familiares durante o genocídio ocorrido na Ruanda em 1994, um dos episódios mais sanguinários do século XX, no qual, de abril a julho, foram massacradas de maneira sistemática cerca de 1 milhão de pessoas.
Em meio às 21 intervenções, esta religiosa quis compartilhar uma experiência pessoal ocorrida 3 anos depois desta tragédia que, segundo ela, transformou sua vida e que, a seu parecer, exemplifica a forma como se deve viver a reconciliação em um continente ferido pela violência, pelas violações dos direitos humanos e pelos inúmeros problemas sociais.
A irmã recordou que, no dia 27 de agosto de 1997, através de um grupo da Divina Misericórdia de Kybuye (sua vila natal), ela se encontrou com um grupo de prisioneiros, vários deles autores materiais deste genocídio.
O objetivo do encontro era prepará-los para o Jubileu do ano 2000. Durante o encontro, ela pronunciou esta frase: "Se você foi uma vítima, ofereça o perdão a quem o fez sofrer", dizendo que somente assim a vítima se livraria desta carga de rancor e o criminoso, por conseguinte, do peso de ter cometido este mal.
"Imediatamente, um prisioneiro se levantou, pedindo misericórdia - testemunhou a religiosa. Eu estava petrificada, ao reconhecer o amigo da família que cresceu comigo", assegurou.
"Ele me confessou ser o assassino do meu pai. Deu-me os detalhes da morte dos meus entes queridos", disse. A irmã o abraçou e lhe disse: "Você é e continuará sendo meu irmão".
A religiosa confessou que, desta forma, ela sentiu que "tinha tirado um peso de cima de mim. (...) Reencontrei a paz interior e agradeci àquele que estava nos meus braços", comentou.
Ela disse que, para sua surpresa, ouviu esse homem gritar: "A justiça pode fazer seu trabalho e poderá me condenar à morte, mas agora eu sou livre!".
"Eu também gostaria de gritar a quem quiser me escutar - disse a religiosa - que você também pode encontrar a paz interior."
A partir daquele momento, a Irmã Geneviève Uwamariya começou a se encarregar de levar a correspondência da prisão para pedir perdão aos sobreviventes. Dessa forma, 500 cartas foram distribuídas. E com algumas respostas que receberam, os prisioneiros recuperaram a amizade com as vítimas e sentiram o verdadeiro perdão.
Este fato levou as vítimas a se reunirem. "São ações que serviram para que muitos vivessem a reconciliação", testemunhou.
Geneviève Uwamariya assegurou que seu povoado está repleto de viúvas e órfãos e que, desde 1994, foi reconstruído pelos presos.
Contou que lá operam associações de ex-presos com seus sobreviventes de diversas paróquias e destacou seu bom funcionamento.
"Desta experiência, deduzo que a reconciliação não procura somente reunir duas pessoas ou grupos em conflito - disse a irmã. Trata-se de estabelecer o amor em cada um e deixar que a cura interior chegue."
E concluiu garantindo: "Por isso, a Igreja é importante em nossos países, porque ela tem uma palavra a oferecer para curar, libertar e reconciliar".

Fonte: ZENIT.org

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

CRISTO É O "REMÉDIO" CONTRA O RELATIVISMO

BENTO XVI NA AUDIÊNCIA GERAL: CRISTO É O "REMÉDIO" CONTRA O RELATIVISMO

Cidade do Vaticano,

- Bento XVI dedicou a catequese da audiência geral desta quarta-feira (07), realizada na Praça São Pedro, a São João Leonardo, fundador dos Clérigos Regulares da Mãe de Deus e padroeiro dos farmacêuticos. Na próxima sexta-feira, dia 9, serão recordados os 400 anos de morte do Santo.Uma "luminosa figura de sacerdote", que na metade do Séc. XVI fez de Cristo o centro absoluto de sua obra apostólica, contrastando com os valores do Evangelho a separação entre fé e razão que naquele período começava a delinear-se.No final da audiência, recordando a memória litúrgica de Nossa Senhora do Rosário – hoje celebrada – o Santo Padre confiou a Ela os trabalhos do Sínodo dos Bispos para a África, em andamento no Vaticano.Falando sobre São João Leonardo, o pontífice ressaltou que desde cedo brotou no Santo a vocação faramacopeia, mas abrindo-se igualmente a outra vocação, a vocação ao sacerdócio, que já cultivava e que o levou a transmitir aos homens "o remédio de Deus", o Cristo Ressuscitado, que para São Leonardo é e sempre será "medida de todas as coisas" – explicou o papa aos cerca de 40 mil fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro:"Animado pela convicção de que todos os seres humanos precisam de tal remédio mais do que de qualquer outra coisa, São João Leonardo buscou fazer do encontro pessoal com Jesus Cristo a razão fundamental da sua existência (...) O primado de Cristo sobre tudo tornou-se para ele o critério de julgamento e de ação e o princípio gerador da sua atividade sacerdotal."Essa paixão por Cristo levou-o a dedicar-se com entusiasmo à pregação, especialmente a ensinar às crianças a doutrina cristã, reunindo ao seu redor um grupo de jovens com os quais fundou a Ordem dos Clérigos Regulares da Mãe de Deus.“Recomendava a seus discípulos que só tivessem diante de seus olhos a honra, o serviço e a glória de Jesus crucificado. Seu zelo apostólico o levou a enviar ao Papa Paulo V um memorial com critérios para a autêntica renovação da Igreja. Estes mesmos desejos levaram-no, junto com João Batista Vives e Martín de Funes, a contribuir para a criação do Dicastério da Propaganda Fide e para o nascimento do Colégio Urbano da Propaganda Fide, no qual se formaram muitos sacerdotes para a evangelização dos povos”.Ao propor critérios para a autêntica renovação da Igreja, ele observava o seguinte – ressaltou o papa:"Observava que "quem quer fazer uma séria reforma religiosa e moral deve, em primeiro lugar, como um bom médico, fazer um atento diagnóstico dos males que afligem a Igreja para poder assim ser capaz de prescrever para cada um deles o remédio mais apropriado". E observava que "a renovação da Igreja deve verificar-se igualmente nos chefes e nos subalternos, no alto e no baixo. Deve começar por quem comanda e estender-se aos subordinados."A seus olhos, a Igreja parecia realisticamente "santa, mas frágil" e, portanto – explicou o Santo Padre – São João Leonardo buscou torná-la sempre mais bonita, um sinal "transparente" de seu Cabeça:"Entendeu que toda reforma deve ser feita dentro da Igreja e jamais contra ela. Nisso, São João Leonardo foi verdadeiramente extraordinário e o seu exemplo permanece sempre atual."O papa observou ainda que a ação de São Leonardo desenvolveu-se no mesmo período em que começaram "a delinear-se as premissas da futura cultura contemporânea", caracterizada – disse Bento XVI:"Caracterizada por uma indébita separação entre fé e razão, que produziu entre os seus efeitos negativos a marginalização de Deus, com a ilusão de uma possível e total autonomia do homem, o qual escolhe viver "como se Deus não existisse". É a crise do pensamento moderno, que reiteradas vezes tive a oportunidade de evidenciar e que comumente se apresenta em formas de relativismo."Concluída a catequese, Bento XVI saudou, em diversas línguas, os vários grupos de fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro. Eis a sua saudação em português:“A minha saudação amiga aos fiéis da arquidiocese de Porto Alegre e demais peregrinos de língua portuguesa! Viestes a Roma, onde há quatrocentos anos morreu São João Leonardo, vítima da caridade fraterna, contagiado ele mesmo pela epidemia cujos doentes tratava. A luminosa figura deste Santo convida todos os cristãos a transmitirem aos homens o verdadeiro «remédio de Deus», que é Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. N’Ele vos abençôo, a vós e às vossas famílias.”
O Santo Padre concluiu concedendo a todos a sua benção apostólica. (RL-SP)

Fonte: RV

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

FAMÍLIA: "BERÇO DE VALORES HUMANOS E CRISTÃOS

Igreja no Uruguai reflete sobre a família
Na semana pela família, “berço de valores humanos e cristãos”

MONTEVIDÉU,
-Para fazer frente a uma sociedade que quer “desnaturalizar seu projeto humano e cristão”, a Comissão Nacional de Pastoral Familiar (CNPF) da Conferência Episcopal do Uruguai organiza a semana da família, “berço de valores humanos e cristãos”, de 5 a 11 de outubro.
Durante esta semana, diferentes dioceses uruguaias promoverão momentos de encontro familiar, de vida espiritual em comum na oração cotidiana familiar e nas obras de caridade.
Segundo informou a Rádio Vaticano Dom Nicolás Cotugno, arcebispo de Montevidéu e presidente da Comissão Nacional de Pastoral Familiar da Conferência Episcopal uruguaia, as famílias “respiram o ar contaminado” da cultura de morte. Um fato que “nos afeta a todos” e que “mina a realidade familiar”.
Manifestou também sua preocupação devido a que, em meio às famílias destruídas, “os valores desde todo ponto de vista correm o risco de não encontrar onde localizar-se para poder nascer e desenvolver-se”.
Dom Cotugno se referiu ao “tsunami de secularismo e individualismo” que “desarticulou a família”.
Considerou que programas como um agressivo planejamento familiar buscam “destruir a família” e fez um apelo “a que não se siga adiante com uma visão negativa da família”.
O arcebispo se referiu também ao fato da recente aprovação da lei de adoção por parte de casais homossexuais em seu país, a primeira nação latino-americana a dar liberdade a este projeto. “Não cruzamos os braços. Temos de promover a família como berço dos valores”, disse.
Da mesma forma fez alusão a documentos pontifícios e episcopais que podem iluminar a realidade familiar como a constituição Gaudium et spes, do Concílio Vaticano II, e o Documento de Aparecida.
Disse que desta maneira a Igreja no Uruguai está trabalhando para dar vida a estas reflexões que reforçam a identidade familiar: “o sal não deve ser deixado no saleiro, deve ser colocado na mesa para que dê sabor. Estamos promovendo políticas que do Parlamento e do lugar onde se fazem as leis possam estar cheias de valores cristãos”, concluiu o prelado.
Na internet: http://www.pastoralfamiliar.org.uy/

Fonte: ZENIT.org

terça-feira, 6 de outubro de 2009

OLIMPIADAS - RIO 2016

IGREJA SATISFEITA COM ESCOLHA DE RIO2016


Rio de Janeiro,

- A Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro divulgou uma nota de agradecimento a Deus pela escolha da cidade como sede das Olimpíadas de 2016.A nota assinada pelo arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, e publicada no site da arquidiocese, diz: “A arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro agradece a Deus pela eleição de nossa cidade como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Estamos muito felizes com este feito e esperamos que já, a partir deste momento, se promova ainda mais a paz, a concórdia e a alegria de nossa gente.Com as Olimpíadas nesta cidade, o mundo inteiro conhecerá os verdadeiros valores do povo carioca e brasileiro. Que as bênçãos do Redentor e a intercessão de São Sebastião nos acompanhem. Viva Rio 2016!” – conclui a nota. No último dia 27, aos pés do Cristo Redentor, representantes da Igreja Católica, da Igreja Protestante, da Fraternidade Judaica e de Cultos Afro-Brasileiros oraram juntos para que o Rio fosse eleito como sede dos Jogos.Na ocasião, o arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, rezou pedindo que a escolha trouxesse “paz e fraternidade”. (CM)

Fonte: RV

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

ACOMPANHE O SÍNODO PARA A ÁFRICA

ACOMPANHE DIA-A-DIA O SÍNODO PARA A ÁFRICA

Cidade do Vaticano, 05 out (RV)

- Todos os nossos ouvintes e internautas são convidados a visitar em nosso site, a página especialmente preparada para o Sínodo para a África.
Trata-se de uma página com todas as notícias e entrevistas classificadas por temas e por países. Também se encontra o calendário de trabalho e os documentos do Sínodo através de mapa interativo preparado em várias línguas, entre elas o português.
Para acessar basta entrar na página principal e clicar sobre o quadro "Sínodo para a África" , mapa interativo, que está na coluna à esquerda do internauta. (CAS)

Fonte: RV

domingo, 4 de outubro de 2009

A PAZ NA MÍSTICA FRANCISCANA

Evangelização e Paz
Frei Celso Márcio Teixeira, OFM

Introdução

Um dos mais profundos anseios do coração humano é o anseio pela paz. Fundamentalmente, todas as utopias da humanidade - elaboradas ou não - se resumem no desejo de paz.

A utopia que se chama cristianismo também é fundamentalmente um desejo de paz. E quanto mais distantes estivermos dela, mais sonharemos com ela; quanto mais violento for o mundo que nos rodeia, mais a desejaremos.

Este desejo é como uma minúscula brasa que fica escondida sob um montão de cinzas, esperando que alguém venha soprá-la para que ela se manifeste em todo o seu brilho e calor. Perder a esperança e não crer nesta utopia significa apagar em si o sonho que dá sentido à vida; e apagar o sonho da vida é extinguir-se a si mesmo. Por isso, aqui vale o conselho do profeta Isaías: Não apagar o pavio que ainda fumega (cf. Is 42,3).
Ao longo da história, vários foram os profetas da paz que tentaram manter acesa, ainda que sob uma montanha de cinzas, a brasa da paz.

Somente para lembrar os nomes de alguns: Isaías, o profeta da paz, elaborou a sua utopia, na qual ele via o lobo comer com o cordeiro (cf. Is 11,6-9); Jesus Cristo anunciou um reino que resumia todas as utopias do ser humano, "reino da verdade e da vida, reino da justiça, do amor e da paz"; Francisco de Assis, trovador e profeta, símbolo de homem reconciliado com todos os seres, desde a mais brilhante estrela do firmamento ao minúsculo verme que se arrasta pela terra; Mahatma Ghandi, o homem que pregou a revolução pela via da não violência.

O mundo atual, marcado pela cultura da morte, ainda sonha com a paz. Isto significa que o pavio ainda fumega (cf. Is 42,3).

A sociedade movimenta-se de maneira pluriforme em busca da realização dessa utopia. Este contexto nos parece campo fértil para que franciscanos e franciscanas desenvolvam toda uma evangelização voltada para a paz. A inserção nos movimentos de paz será um dos lugares preferenciais de presença franciscana. Aí temos a tarefa de dar uma contribuição tipicamente franciscana.

Esta contribuição, a nosso ver, não pode limitar-se ao nível panfletário. Temos uma contribuição mais substancial a oferecer.

Ela abrange dois pólos: Um em nível de reflexão, outro em nível de ação. Em nível de reflexão, temos toda uma espiritualidade que serve de fundamentação para nossa presença nos movimentos de paz; temos toda uma teologia a oferecer aos nossos interlocutores e aliados.

Em nível de ação, devemos ter a coragem de abandonar nossas "pastorais" rotineiras e partir para uma presença mais ágil e significativa no meio dos pobres, dos excluídos, primeiras vítimas silenciosas de sistemas causadores de violência, de exclusão e de morte.
Portanto, é importante que tenhamos consciência de que nossa contribuição franciscana deve ser qualificada. Distribuir panfletos? Todo mundo pode fazer isto. Uma reflexão franciscana e uma presença franciscana de qualidade, ao contrário, é tarefa que cabe unicamente a nós.

1. Uma reflexão preliminar: A evangelização como quadro de referência do anúncio franciscano da paz

Normalmente, quando se escreve ou se fala sobre o tema da paz em Francisco de Assis, vai-se entrando imediatamente no tema, praticamente sem fazer alusão a um quadro mais amplo de referência.

Começa-se a tratar da paz que Francisco pregava, como que desvinculando-a do conjunto ou amputando-a do corpo todo da atividade e da proposta de vida de Francisco. Por isso, o anúncio da paz corre o risco de ser compreendido como um apêndice, como algo que Francisco fazia ao lado de sua atividade evangelizadora, ou apenas de vez em quando, ou como um tema ao lado de outros.

Está aí, a nosso ver, uma compreensão parcial (portanto, distorcida) do que Francisco entendia pelo anúncio da paz. Realmente, o fato de desvincular a proclamação da paz de toda a atividade (e espiritualidade) de Francisco não deixa de empobrecer o próprio conteúdo de sua concepção sobre a paz.

Segundo nosso modo de ver, o quadro de referência para o anúncio (e compreensão) da paz está na evangelização. Evidentemente, o termo "evangelização" é recente na teologia. Praticamente, só ganhou impulso e divulgação e relevância a partir da encíclica Evangelii Nuntiandi, do Papa Paulo VI. Mas a prática da evangelização é tão antiga como o próprio evangelho.

Por isso, podemos atribuir uma terminologia nova a uma prática antiga (no caso, da Idade Média), conscientes de não estarmos traindo a verdade dos fatos.

A evangelização é o ponto chave para compreendermos a vocação de Francisco e de seus companheiros (por conseguinte, a vocação legada como herança a toda Ordem). Uma leitura mais comum, inclusive dos biógrafos da primeira hora, tem centralizado a vocação de Francisco na escolha da pobreza. Esta seria para muitos a ótica sob a qual deve ser contemplado todo o desenvolver da vocação franciscana.

Nosso modo de considerar prefere ver na evangelização o pólo catalisador de todo o movimento franciscano desde as origens. De fato, após alguns anos de busca de uma resposta, vivendo primeiramente como eremita e depois como reconstrutor de capelas, Francisco sente-se tocado pelas palavras do Evangelho (1) que teria ouvido durante uma missa na Porciúncula.

Tratava-se do texto do envio dos discipulos (Lc 10,1-11 ou Mt 10,1.5-15; em Mt trata-se do envio dos doze) para anunciar o Reino.

Ora, este texto do Evangelho, depois de descrever o envio dos discípulos na condição de pessoas despojadas (nada leveis pelo caminho), contém três elementos nucleares:

a) a saudação da paz;

b) a cura dos doentes;

c) o anúncio do reino (esta ordem em Mt 10 está exatamente ao inverso).

Uma interpretação dicotômica poderia ver nestes elementos três fases da tarefa de evangelizar, a saber, a saudação da paz, como sendo uma introdução, a cura dos doentes, como uma preparação para a evangelização, e o anúncio do Reino, que seria a tarefa evangelizadora propriamente dita. A nosso ver, porém, estes três elementos constituem a própria evangelização. O conjunto todo é anúncio do reino.

O reino de Deus só pode ser reino de paz, caso contrário não será reino de Deus. Por isso, a própria saudação de paz já é anúncio do reino, como também a cura dos doentes é anúncio de um reino sem males (cf Lc 7,18-23).

O primeiro biógrafo, mesmo com a tentação de interpretar a vocação de Francisco na ótica da pobreza (de fato, descreve primeiramente o despojamento de Francisco que troca o hábito de eremita por outro muito pobre e desprezível), passa em seguida a descrever a tarefa evangelizadora de Francisco: "A partir de então, com grande fervor de espírito e alegria da alma, começou a pregar a todos a penitência, edificando os ouvintes com palavras simples, mas com o coração nobre ... Em toda pregação sua, antes de propor a palavra de Deus aos que estavam reunidos, invocava a paz, dizendo: 'O Senhor vos dê a paz' (cf 2Ts 3,16; Lc 10, 4b). Anunciava-a sempre mui devotamente a homens e mulheres, aos que ele encontrava e aos que lhe vinham ao encontro.

Por esta razão, muitos que odiavam a paz, com a cooperação do Senhor, abraçaram de todo coração a salvação juntamente com a paz, tornando-se também eles filhos da paz e desejosos da salvação eterna”(2).

A saudação da paz e a proposição da palavra de Deus, descritas por Tomás de Celano, remetem-nos imediatamente ao texto de Lc 10. Só falta o elemento da cura dos doentes. Esta constatação nos permite concluir que para Francisco a saudação e o anúncio da paz constituíam a própria evangelização, exatamente como ouvira do Evangelho.

Na prática de Francisco, a evangelização inclui necessariamente o anúncio da paz. Em outras palavras: não se evangeliza, se não se anuncia a paz.

O Anônimo Perusino não narra o episódio da escuta do texto de Lc 10 na Porciúncula. Mas não desconhece que este texto fazia parte da origem da vocação de Francisco, pois ele coloca, logo após o despojamento de Francisco diante de Pedro Bernardone, a ressonância do texto do envio: "O Senhor conduziu-o pelo caminho reto e estreito, porque ele não quis possuir nem ouro nem prata, nem dinheiro, nem qualquer outra coisa (cf. Mt 10,9), mas seguiu o seu Senhor na humildade, na pobreza e na simplicidade de seu coração. Andando de pés descalços, vestia-se com um hábito desprezível, cingia-se com um cinto também muito barato" (3).

Embora o despojamento de ouro e prata, etc., fizesse parte de um texto dinâmico de envio a evangelizar, o AP prefere lê-lo na ótica da pobreza, desvinculando a pobreza do quadro da evangelização.
2. Evolução do conceito: da prática da pregação a um conceito mais amplo de evangelização

No entusiasmo de quem descobriu o sentido de sua vida, Francisco começa a pregar. Evangelizar significa inicialmente para Francisco dirigir-se ao povo, anunciar a palavra de Deus, lembrando sempre que o reino que ele quer anunciar é reino de paz. Por isso, insiste na saudação da paz. Como a saudação da paz fazia parte do envio dos discípulos, assim também ela faz parte de seu próprio envio.
Evangelização é, portanto, inicialmente compreendida como uma atividade ad extra, um dirigir-se ao povo. Dentro desta compreensão, podemos interpretar os dois ou três envios ou missões dos primeiros companheiros, antes mesmo da aprovação da regra:
a) Quando eles eram quatro: Francisco e Egídio foram à Marca de Ancona, os outros dois ficaram (4). Francisco não pregava ao povo, mas apenas exortava os homens e mulheres a fazerem penitências (5).
b) Quando eram seis: O envio é proposto como sua vocação: "Consideremos, irmãos caríssimos, a nossa vocação, porque Deus misericordiosamente nos chamou não somente para a nossa utilidade, mas também para a utilidade e salvação de muitos" (6). Eles anunciavam a paz em suas pregações(7).
c) Quando eram oito: No envio constava explicitamente o anúncio da paz: "Ide, caríssimos, dois a dois pelas diversas partes do mundo, anunciando aos homens a paz!” (8).
Um conceito de evangelização, que inicialmente se identificava com a atividade ad extra de pregar o reino, a penitência e a paz, começa muito cedo a alargar-se em compreensão. O anúncio exigia uma coerência de vida por parte dos evangelizadores. Quem prega o Evangelho é convocado à coerência, isto é, a colocar em prática, a fazer a experiência, a viver os valores que proclama com a voz.

É digno de nota que, após as primeiras missões evangelizadoras, quando se tratava de colocar por escrito numa regra essa vocação dada pelo Senhor, a vocação dos frades menores não foi expressa em termos de pregação ou de anúncio do Evangelho ou do reino, mas em termos de vida, de viver.

Deste modo, já na primitiva regra apresentada a Inocêncio III para a aprovação, a vocação dos frades menores vem assim explicitada: Esta é a vida do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo que Frei Francisco pediu ao senhor papa ... (9). Evangelizar é pregar e proclamar, mas é também fundamentalmente viver os valores evangélicos proclamados.

Assim, é dentro da compreensão da coerência entre a proclamação e a vida que se entende a exortação de Francisco, quando enviava os frades em missão evangelizadora: "Assim como proclamais a paz com a boca, assim em maior medida tenhais em vossos corações a paz, para que ninguém por meio de vós seja provocado à ira e ao escândalo; mas todos, por meio de vossa paz e mansidão, sejam novamente chamados à paz e à benignidade" (10). Detalhes preciosos da Regra mostram a compreensão ampla do conceito de evangelização.

Ao tratar do modo como devem os irmãos ir pelo mundo, Francisco não ensina o que devem pregar, mas o modo de comportar-se que convém ao evangelizador: "Aconselho, todavia, admoesto e exorto a meus irmãos no Senhor Jesus Cristo que, quando vão pelo mundo, não discutam nem alterquem com palavras (cf. Tm 2,14) nem julguem os outros; mas sejam mansos, pacíficos e modestos, brandos e humildes, falando a todos honestamente, como convém. E não devem andar a cavalo, a não ser que sejam obrigados por manifesta necessidade ou por enfermidade.

Em qualquer casa em que entrarem, digam primeiramente: Paz a esta casa (cf. Lc 10,5). E, segundo o santo Evangelho, seja-lhes permitido comer de todos os alimentos que forem colocados diante deles (cf. Lc 10,8)” (11).
Não nos passe despercebida a ressonância do texto do envio (Lc 10) que está sempre como pano de fundo da vocação dos frades menores.

Presente e indissociável sempre a proclamação da paz, porque não existe uma evangelização sem a proposta de paz.

Aliás, todas as atitudes que Francisco propõe são a própria proclamação da paz com o modo de viver. Em outras palavras, a vida dos irmãos devia ser o anúncio vivo do Evangelho da paz: em formulação negativa: não discutam nem alterquem nem julguem os outros; em formulação positiva: sejam mansos, pacíficos e modestos, brandos e humildes, falando a todos honestamente como convém ... e digam "paz a esta casa".
No confronto com as autoridades eclesiásticas constituídas, os novos evangelizadores (os que proclamam o Evangelho com a palavra e com a vida) só serão verdadeiros evangelizadores, se mantiverem a paz no coração: "E embora quisesse que [seus] filhos vivessem a paz com todos os homens (cf. Rm 12,18) e se apresentassem a todos como pequeninos, no entanto, ensinou-os pela palavra e mostrou pelo exemplo a serem humildes, mormente com relação aos clérigos.

Dizia, pois: 'Fomos enviados em auxílio (cf. Sl 69,2; Dn 10,13) dos clérigos para a salvação das almas (cf. 1 Pd 1,9) ... Sabei, irmãos - disse -, que a Deus é muito agradável o fruto das almas (cf. Sb 3,13) e que isto se pode conseguir melhor com a paz do que com a discórdia dos clérigos ... Se fordes filhos da paz (cf. Lc 10,6), havereis de lucrar o clero e o povo para o Senhor, o que o Senhor julga mais agradável do que lucrar só o povo, [depois de ter] escandalizado o c1ero” (12).

No fundo desta exortação está a seguinte compreensão: a evangelização (pela palavra ou pela vida) somente será eficaz, se for, ao mesmo tempo, anúncio de paz. Uma evangelização desvinculada da paz não é evangelização.

A verdadeira evangelização é necessariamente proposta de paz.

Igualmente precioso é o modo de os irmãos irem para o meio dos sarracenos e de outros que não têm a fé cristã. Francisco prescreve dois modos de evangelização: a evangelização pelo modo de vida (a própria vida é o anúncio) e a evangelização pelo anúncio explícito (pela palavra).

Novamente as exortações de Francisco para o primeiro modo de evangelização são propostas de paz (e toda proposta de paz é proposta do reino): "não litiguem nem porfiem, mas sejam submissos a toda criatura humana por causa de Deus e confessem que são cristãos” (13).

O fato de confessarem que são cristãos é, freqüentes vezes, interpretado como coragem de apresentar-se ao martírio, pois o fato de confessar-se cristão entre os sarracenos, devido à inimizade existente entre cristãos e sarracenos, era interpretado como uma oferta do pescoço à espada (14).

Não vemos, porém, esta interpretação como o sentido primeiro. O confessar-se cristão seria, segundo nossa maneira de interpretar, uma forma de dizer: "Estes valores que estamos vivendo são simplesmente o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo".

Portanto, no confessar-se cristão, está contido fundamentalmente um modo de evangelizar. Apenas secundariamente, poderia ter o sentido de disposição ao martírio.

Percebe-se, então, que o conceito de evangelização, inicialmente interpretado por pregação, evolui para uma compreensão mais abrangente que envolve não apenas o anúncio pela palavra (pregação), mas também a proclamação pelo modo evangélico de viver.

A paz, por identificar-se com a própria evangelização, também não é somente algo que pregamos ou propomos aos outros, mas antes um valor evangélico que coerentemente procuramos cultivar no coração.
3. Tratados de paz: formas concretas de evangelização (força política da evangelização)

A crônica de um frade dominicano chamado Tomás de Spalato traz, entre seus relatos, um episódio muito significativo para compreendermos a evangelização de Francisco. Corria o ano de 1222. Tomás de Spalato, estudante que morava no Studium em Bolonha, teve oportunidade de ouvir uma pregação de Francisco.

Limitemo-nos a citar apenas o que no momento nos interessa.

Assim ele escreveu:
"Na verdade, todo o tema de suas palavras visava a extinguir as inimizades e a reformar os pactos de paz. O seu hábito era sujo, a pessoa desprezível, e a face sem beleza; mas Deus conferiu tanta eficácia às suas palavras que muitas famílias dos nobres, entre as quais o furor desumano de antigas inimizades eclodira em muito derramamento de sangue, foram levadas de novo ao pacto de paz" (15).

A primeira coisa que se deduz deste breve relato é que a preocupação de Francisco pela paz era uma constante em sua vida.

O anúncio da paz não era algo dos inícios de sua vocação, mas acompanhava a evangelização de Francisco ao longo de sua história. E nem podia ser diferente, pois anunciar a paz para ele era anunciar o reino e vice-versa.

De novo, convém salientar que a paz não é apenas um tema entre outros da evangelização, mas é a própria evangelização. E a evangelização só é verdadeira evangelização, se anunciar e visar à construção da paz.
Outro elemento digno de nota é que as palavras de Francisco visavam "extinguir as inimizades e reformar os pactos de paz". Tratava-se de um problema muito concreto, o das inimizades e guerras entre famílias.

Evangelizar não é abstração, mas é confrontar-se com problemas concretos, é inserir-se em contextos históricos e aí apresentar o Evangelho como opção ou alternativa para situações que parecem insolúveis.

Nesse confronto e inserção, evangelização significa deixar que o Evangelho ilumine as pessoas e coisas envolvidas.

O Evangelho é que ilumina tudo e convoca todos à conversão (e à paz).

Após a pregação de Francisco, "muitas famílias foram levadas de novo ao pacto de paz". Deu-se, portanto, uma transformação na vida da cidade. Embora a evangelização não se identifique com nenhuma política partidária, no entanto, ela é profundamente política, tem forte incidência na vida e na organização da sociedade, pois ela apresenta aos cidadãos os valores fundamentais da pessoa humana, valores que muitas vezes estão encobertos, como pequena brasa sob uma montanha de cinzas.

Evangelizar é explicitar os valores humanos escondidos no fundo dos corações, é fazer brilhar os pequenos focos do Evangelho presentes, mas não percebidos, no íntimo de cada um em forma de desejo, de anseio, de sonho, de utopia, de esperança.

As Fontes Franciscanas apresentam outros episódios em que Francisco, exercendo sua tarefa de evangelizador, provocava os habitantes das cidades ao pacto de paz. Além de Bolonha, são conhecidos os casos de Arezzo (16) e de Sena (17). Mas parece que os pactos entre famílias eram constantes.

A Legenda dos Três Companheiros apresenta-os como um fenômeno generalizado: "Portanto, o homem de Deus, Francisco, subitamente transbordante do espírito dos profetas [ ... ], segundo a palavra profética, anunciava a paz, pregava a salvação (cf. Is 52,7), e muitos, que por viverem na discórdia estavam distantes da salvação de Cristo, pelas salutares admoestações dele se coligavam [em aliança de paz]" (18).

A evangelização (o Evangelho) tem, portanto, força política para transformar a realidade, mesmo que ela não se identifique com a política partidária. Fique bem claro que, ao fazermos esta afirmação não queremos despolitizá-la; pelo contrário, queremos apontar exatamente onde reside sua força política transformadora.

4. A visita ao Sultão: em vez de proselitismo, uma proposta de paz (tolerância religiosa, tolerância com o diferente, tolerância com outras culturas)

Em vários textos, desde a Primeira Vida escrita por Tomás de Celano (1 Cel) até Fioretti, encontramos o relato da ida de Francisco ao Sultão dos sarracenos (l9).

Além desses textos, existe documentação em outros textos, que não estão incluídos nas nossas Fontes Franciscanas e Clarianas: Bernardo Tesoureiro, História de Eráclio, Crônica da Dinamarca. Portanto, parece fora de dúvida que Francisco tenha ido, de fato, fazer uma visita ao Sultão.

Além de algumas diferenças de detalhes nas diversas redações, o enfoque também varia. Por exemplo, na redação de Atos e de Fioretti, a introdução de uma mulher que tentava seduzir Francisco destaca a castidade heróica de Francisco.

A recusa de presentes é uma constante. Todos afirmam também que Francisco se dirigiu ao Sultão para convertê-lo à fé cristã. Por isso, no final das narrativas permanece um sabor amargo de fracasso, um certo desapontamento.

Alguns tentam disfarçar esse fracasso, acrescentando que o Sultão pediu que Francisco rezasse por ele para que ele abraçasse a verdadeira fé. Outros acrescentam até a conversão milagrosa do sultão por intercessão de Francisco (20).

Preferimos uma outra leitura dos fatos. Pelo que deduzimos da evangelização desenvolvida por Francisco, que levava o povo em guerra a pactos de paz, a intenção dele ao visitar o Sultão deve ter tido essa finalidade concreta: Uma proposta de paz que ele fazia em nome não dos reis do Ocidente Cristão, nem mesmo do papa, mas em nome do Evangelho.

Evangelização, sem dúvida, mas de maneira muito concreta, na forma de uma proposta de paz. Sem intenções de proselitismo. Sem a intenção primeira do martírio, embora Francisco tivesse a coragem de enfrentar também o martírio.

De sua parte, os biógrafos contemporâneos de Francisco não podiam ter outra ótica, a não ser a do proselitismo e a do martírio. Converter o Sultão, converter os muçulmanos ao cristianismo, ou melhor, ao regime de cristandade, teria sido a grande meta de Francisco.

Quanto ao desejo do martírio, criou-se uma mentalidade entre os cristãos de que o sarraceno, além de ser o inimigo da fé, era também o ser mais cruel sobre a face da terra, pronto a degolar o cristão pelo simples fato de ser cristão.

Na mente do povo cristão criou-se uma verdadeira neurose de guerra contra os sarracenos. Matar o sarraceno era ser herói de Cristo; morrer nas mãos do sarraceno era ser martirizado por Cristo. Toda a Europa respirava este ar.

Mas as circunstâncias levam-nos a deduzir que a meta concreta que Francisco queria atingir era um tratado de paz, como já havia feito em algumas cidades e entre algumas facções por onde ele passava.

O que deve ter causado grande admiração em Francisco era o fato de toda a cristandade estar envolvida numa guerra. E ninguém, nem da Igreja nem dos governos da Europa, propunha uma alternativa.

Parafraseando o que Francisco disse a respeito da inimizade entre o bispo e o podestà de Assis, ele deve ter pensado a respeito da inimizade entre cristãos e sarracenos: "É grande vergonha para nós, servos de Deus, que ninguém se intrometa para tratar da paz e concórdia com eles" (21).

A atitude de não proselitismo comporta acima de tudo tolerância para com outras religiões. No fundo, é aceitar que o outro seja diferente, pense diferentemente e possa agir diferentemente. Ser diferente não é defeito.

O fato de ser diferente não coloca ninguém sobre ou sob os outros. Isto é a base para qualquer diálogo, ecumênico, inter-religioso, intercultural. O diálogo cria laços. Consta em todos os relatos que o Sultão e Francisco estreitaram entre si laços de estima, respeito e amizade.
5. A saudação da paz (fraternidade) - construir a paz a partir das pequenas coisas

No Testamento, Francisco faz alusão à saudação da paz como algo revelado por Deus. Note-se que a saudação da paz já consta no texto do envio.

A Compilação de Assis narra um episódio interessante: " ... nos primórdios da religião, quando o bem-aventurado Francisco andava com um irmão que foi um dos doze primeiros irmãos, esse irmão saudava os homens e as mulheres pelo caminho e aqueles que estavam nos campos, dizendo: 'O Senhor vos dê a paz' (cf. Nm 6,26; 2Ts 3,16).

E porque os homens ainda não haviam ouvido tal tipo de saudação ser dita por religioso algum, disto muito se admiravam. Mais ainda, alguns homens, quase com indignação, lhes diziam: 'o que lhe significa esta saudação (cf. Lc 1,29)?'.

De modo que aquele irmão começou a envergonhar-se muito disso. Por isso, disse ao bem-aventurado Francisco: 'Deixa-me, irmão, dizer outra saudação'. Disse-lhe o bem-aventurado Francisco: 'Deixa-os falarem, porque não percebem o que vem de Deus (cf. 1 Cor 2,14). Mas não te envergonhes disso, porque te digo, irmão, que os nobres e príncipes deste mundo ainda mostrarão reverência a ti e aos outros irmãos por este gênero de saudação" (22).

Francisco está convencido de que a saudação da paz ainda vai fazer com que os príncipes e nobres deste mundo fiquem admirados.

Ele crê na grandeza e eficácia desta saudação. No início, aquele irmão não entendeu bem o sentido dela, sentiu vergonha de usá-la, pediu para trocar a saudação. Francisco insistiu nela. E nós nos perguntamos: "Por que essa insistência de Francisco na pequena saudação?". Embora Francisco não tivesse tido os conhecimentos da Psicologia moderna desenvolvida a partir de Freud com a "descoberta" do inconsciente, ele mostra uma intuição psicológica muito profunda. Ele conhece o valor formativo da repetição.

A repetição age no inconsciente. A repetição de uma palavra ou gesto acaba criando o chamado hábito que, por sua vez, vai como que fornecendo seiva para a vida espiritual.

Isto acaba criando uma mentalidade, um modo de pensar, um modo de agir, um modo de ser. Talvez Francisco não tivesse conhecido o provérbio como nós o formulamos hoje: "Água mole em pedra dura tanto bate até que fura".

Mas o dinamismo é o mesmo. É a força das coisas pequenas que acabam criando algo grandioso. Usando positivamente a comparação da gota de água, é como as gotas da chuva que nas cavernas formam o estalagmite e o estalactite, criando verdadeiras obras de arte, não de repente num piscar de olhos, mas ao longo dos dias, dos anos e dos séculos.

Desse modo, a saudação é capaz de estabelecer relações de amizade, de fraternidade. Começamos a pensar como amigos daqueles que nos desejam paz. Sentimo-nos irmãos deles. E, se nos sentimos amigos e irmãos, a paz já começa a ser construída.
Talvez um erro nosso, de homens modernos, seja o de não acreditarmos na força das coisas pequenas. Precisamos logo de coisas grandiosas, de preferência de coisas ou de eventos que resultem em sucesso internacional.

O dia-a-dia, o tijolo por tijolo (como na construção das grandes catedrais) não nos atrai. Somos mais atraídos a fazer belíssimos discursos sobre a paz em nível nacional e internacional, mas não queremos aceitar que a vivência quotidiana da fraternidade é como a areia que entra na argamassa da construção da paz.

Bastaria para nós, franciscanos e franciscanas, viver a fraternidade, para sermos construtores da paz. A fraternidade é profundamente evangelizadora. E se é evangelizadora, é proposta de paz para os outros, é convite para que todos vivam em paz, como irmãos.

Isso é o reino. Mas o homem moderno não acredita que viver em fraternidade possa ter força. O moderno precisa de atividades, preferentemente de atividades ad extra.

Ele pressupõe que, quando fala de fraternidade ou de paz, ela já as possui, por isso trata de levá-las aos outros que não as possuem. Aí entra Francisco com sua pedagogia: "Assim como proc1amais a paz com a boca, assim em maior medida a tenhais nos vossos corações".

Não é por acaso que Francisco insista e dê preferência à evangelização pelo modo de vida. E Francisco era o próprio Evangelho vivo.

6. A paz entre o bispo e o podestà (dois poderes: minoridade, respeito para com o espaço do outro)

É muito conhecida a contenda entre o bispo e o podestà de Assis. As razões desta contenda não nos são dadas pelas fontes.

Sabe-se, no entanto, que se criou uma situação de divisão na cidade: de um lado, os que apoiavam o bispo; de outro lado, os que apoiavam o podestà.

Uma miniatura da situação da Itália dividida entre guelfos (partidários do papa) e gibelinos (partidários do imperador alemão). E cada um dos oponentes usou suas próprias armas:
"... o que então era bispo de Assis excomungou o podestà de Assis; pois que, indignado contra ele, o que era podestà mandou apregoar [com voz] forte e cuidadosamente pela cidade de Assis que nenhum homem lhe vendesse ou dele comprasse ou com ele fizesse contrato; e assim, muito se odiavam um ao outro” (23).

Embora não saibamos as causas desta inimizade ou ódio, podemos deduzir que outra coisa não pode ter sido, senão o conflito ou luta entre dois poderes.

Não se trata de inimizade entre cristão e sarraceno, mas de ódio entre dois cristãos (24).

O texto do Evangelho: "Os chefes das nações as mantêm sob seu poder, e os grandes, sob seu domínio. Não deve ser assim entre vós" (Mt 20,25-26) parece não ter penetrado na alma desses dois chefes cristãos.
É difícil lidar com o poder. E a maneira que Cristo propõe, uma maneira alternativa, ainda não foi suficientemente assimilada por muitos chefes cristãos (de Estado) nem por muitos chefes religiosos cristãos. A cada dia, podemos constatar a veracidade do dito: "O poder e o dinheiro corrompem" .
Ao saber disso, Francisco toma uma atitude inusitada: compõe mais uma estrofe do Cântico do Irmão Sol sobre o perdão e envia dois companheiros para cantá-la diante do bispo e do podestà. O resultado é conhecido de todos: o perdão mútuo, a volta à antiga amizade. Francisco utiliza a música e a poesia como meios de evangelização.

Instrumentos tão frágeis para fazer curvar-se a rigidez de dois homens de poder. O que é frágil Deus utiliza para confundir o que é forte, diz São Paulo na Carta aos Coríntios (cf. 1Cor 1,27).

Esta é a força da minoridade. Fazer-se menor é proposta evangélica de paz. Evangelizar e construir a paz pela minoridade é caminho natural, pois os caminhos de Deus são diferentes dos caminhos dos homens.

A força de Deus manifesta-se no que é pequeno, na fragilidade, no ser menor. Muitas vezes, pensamos, como o profeta Elias, que a força da evangelização está na grandiosidade dos planos e atividades. O profeta Elias não viu o Senhor no vento forte e violento que raspava as montanhas e fendia os rochedos, nem no terremoto, nem no fogo. Quando passou a brisa suave, Elias cobriu o rosto, porque Deus estava naquele sopro tênue (cf. 1 Rs 19,11-13).

Assim, quem quiser ser forte ou o maior, faça-se o mais frágil e o menor. Esta é a pedagogia de Deus: "Assim deve ser entre vós". A música e a poesia de Francisco são os exemplos desta minoridade.

Quem pensaria que uma música e uma estrofe de poesia pudessem levar os dois gigantes do poder a curvar-se um diante do outro, a chorar e a pedir perdão e a perdoar-se mutuamente, a abraçar-se como dois irmãos?

7. O lobo de Gubbio: parábola sobre a paz (o homem reconciliado, da utopia, do reino)

Uma outra historieta muito conhecida de todos é a do lobo de Gubbio (25). Embora alguns queiram dar historicidade a este episódio (em Gubbio se conta que numa escavação fora encontrada a ossada de um lobo muito grande), a nosso ver, ela deve ser compreendida sob o gênero literário que se chama parábola. Parábola significa que o que é narrado não implica necessariamente em ter acontecido historicamente, mas que contém elementos reais, contém uma verdade que se quer transmitir.

Uma leitura deste episódio exige, portanto, um processo de despojamento do texto: despir o texto daquilo que é fictício, da sua roupagem literária, para se chegar ao real, à verdade que a roupagem literária quer comunicar.

Um primeiro elemento a ser destacado é que Francisco vai ao encontro do lobo (26) sem armas.

A presença do lobo causou um estado permanente de medo e pânico entre a população, de maneira que todos andavam armados como se fossem para a guerra. Francisco despoja-se das armas, como que a dizer: "Não se promove a paz com as armas".

Se alguém deve propor a paz, deve ir desarmado ao encontro do outro, ao encontro do diferente. Esta atitude causou grande admiração ao povo.

Segundo elemento: tendo-se encontrado com o lobo, este veio a Francisco com a boca aberta em sinal de agressividade.

Francisco conversa com ele mansamente, pacificamente, sem agressão e sem violência, como menor.

Diante da minoridade de Francisco, acalma-se a ferocidade do lobo. Percebendo que Francisco não tinha armas, que era menor, o lobo não viu sentido para sua agressividade, pois, na maioria das vezes, a agressividade é apenas resposta a uma agressão gratuita anteriormente recebida.

Terceiro elemento: Francisco dialoga com o lobo. O diálogo restabelece relações rompidas. E diálogo, é bom notar, é estrada de duas mãos.

Francisco falava com o lobo, e o lobo falava com Francisco através de sinais (linguagem que lhe era própria). Diálogo inclui, portanto, esforço por compreender a linguagem do outro.

Nesse diálogo, Francisco compreendeu que a situação de fome levava o lobo a matar.

Ele leu isto na própria situação do lobo. Compreendeu que muita maldade é cometida, não porque a pessoa seja intrinsecamente má, mas por circunstâncias adversas.

Mais ainda: nesse diálogo, Francisco não deixou de recriminar os erros do lobo e de exigir dele uma mudança de atitude, como também depois ele vai exigir o mesmo do povo de Gubbio.

Quarto elemento: Tratado de paz no qual se celebra o compromisso de ambas as partes. Este elemento retrata a maneira concreta de Francisco evangelizar.

Evangelizar é encamar Evangelho em situações concretas.

Como a situação era de guerras entre cidades e conflitos entre famílias, sua evangelização tinha como finalidade palpável os pactos de paz.

Este elemento está muito bem retratado na parábola do lobo de Gubbio.
Quinto e último elemento de nossa consideração: A parábola apresenta Francisco como uma figura utópica do homem reconciliado com toda a criação.

Retomando a utopia de Isaías, Francisco é apresentado como a criança que brinca com o animal selvagem, do cordeiro que come com o lobo.

Aliás, esta interpretação de Francisco como homem reconciliado já se encontra na primeira biografia, em que Tomás de Celano assim se expressa: "Enfim, chamava todas as criaturas com o nome de irmão e, de maneira eminente e não experimentada por outros, percebia com agudeza as coisas ocultas do coração das criaturas, como quem já tivesse alcançado a liberdade gloriosa dos filhos de Deus” (27).

Portanto, Francisco é interpretado como homem reconciliado, homem da utopia, homem do reino de Deus.

A parábola tem esta significação como pano de fundo.

8. OFS: uma política da paz (a decisão pessoal que transforma a sociedade)
O movimento franciscano desdobrou-se rapidamente em três Ordens.

Dentre as três Ordens, a Ordem Terceira, hoje conhecida como OFS, tem uma maneira especial de evangelizar: levar o carisma franciscano a todos os ambientes seculares.

A secularidade é que dá a nota marcante e distintiva dessa Ordem.
Lamentavelmente, com a OFS aconteceu algo que não devia ter acontecido em termos de engajamento na vida secular.

Ela perdeu a força de Ordem e tomou-se, em muitos lugares, uma associação de pessoas piedosas.

Como Ordem, ela teve um papel muito importante nos primórdios. Ela foi uma das forças motoras de construção da paz.

De fato, a história mostra que a decisão dos chamados terceiros ou terciários de não portar armas, uma decisão de nível pessoal, acabou por provocar uma mudança radical na mentalidade bélica da Idade Média.

Quando cada um decide fazer a sua parte, por mais pequenina que possa parecer, algo na sociedade muda.

De novo, trata-se de acreditar no pequeno, no frágil. Uma atitude frágil acrescentada a outra atitude frágil pode criar aos poucos um modo de pensar diferente.

Tanto isto é verdade sobre a OFS que temos documentos em que os príncipes escreviam aos papas, pedindo que obrigasse os terceiros (terciários) a portarem armas novamente.

Eles perceberam que estava acontecendo um verdadeiro desarmamento dos cidadãos. Desarmamento, gesto concreto de construção da paz; decisão pessoal que ajudou a criar toda uma mentalidade de paz.
A OFS, como Ordem franciscana cuja característica é a inserção na secularidade, deveria estar mais presente na vida política e social.

E a partir daí ser uma presença evangelizadora e anunciadora da paz. E como é necessária uma presença evangelizadora nesses setores da sociedade!

Seria um modo de estar constantemente denunciando a corrupção, o descaso pelo bem comum, o desapreço pela vida dos cidadãos, mormente pela vida dos pobres.
A política partidária é lugar da OFS, pois ela é secular. E sua missão é evangelizar os partidos em vista de um serviço mais evangélico à sociedade, preferencialmente aos pobres.
ConclusãoSanto Antônio afirmava que os pregadores (evangelizadores) são os pés da Igreja. Esperar-se-ia que eles fossem a boca da Igreja. Possivelmente, Antônio se baseou no texto de Isaías: "Como são belos, sobre os montes, os pés do mensageiro que anuncia a paz, do que proclama boas novas e anuncia a salvação, do que diz a Sião: O teu Deus reina" (Is 52,7; cf. Na 2,1). Então, surge a pergunta: Por que os pés e não a boca?

Por que também Isaías faz referência aos pés do mensageiro? Porque, para que alguém seja evangelizador, é necessário usar os pés. São os pés que lhe permitem percorrer todos os cantos e recantos das cidades, aldeias e vilas.

Aquele que evangeliza, anunciando a paz, não pode estar estático (stabilitas loci), com os pés amarrados, parado num só lugar, mas ir ao encontro das pessoas para transmitir-lhes a mensagem.

Não pode esperar que as pessoas venham ao seu encontro, mas ir ao encontro delas. Ser evangelizador (anunciador da paz) implica dinamismo, mobilidade, itinerância (28). Elementos básicos do modo de ser franciscano - segundo nosso parecer - a serem profeticamente resgatados.

Na linha da itinerância e da mobilidade dos pés estaria a direção da busca de novas formas de presença evangelizadora por parte dos seguidores de Francisco.
______________________________________________________________________________________________1. Cf. 1Cel 222. 1Cel 23, 1.5-8. 3. AP 8,6-9, 1. 4.
Para LTC 33,1, os outros dois foram para outra direção5.
que o AP coloca a pregação propriamente dita de Francisco somente após a aprovação da regra; cf. AP 36,8; cf. LTC 54,1. 9.
RnB Prol., 2. 10. AP 38,7; cf. LTC 58,4.11. RB 3,10-14. 12. 2Cel 146,1-2.4.7.13.
RnB 16,6. 14.
Uma interpretação, aliás, que precisa de maior estudo e aprofundamento, pois entre cristãos e sarracenos havia, inclusive, grandes atividades comerciais. 15.
Tm B, 14.16. 2Cel 108. 17. AtF 11. 18. LTC 26,5. 19. 1Cel 57; LM 9,7-8; AtF 27; Fior 24; TM A,7; A,9; TM B,1,c p. 1426; B,5. 20. AtF 27; Fior 24. 21. Cf. CA 84,422. CA 101, 16-2223. CA 84,1-224.
O podestà teria sido o pai de Inês, dama pobre que foi a décima testemunha no Processo de canonização de santa Clara.
25. cf. AtF 23; Fior 21.26.
Lobo, na parábola, é o símbolo do diferente que ameaça o ser humano; por isso, a tentação de eliminar o diferente ameaçador. 27.
1Cel 81,528.
Na Igreja São Francisco na Pampulha, em Belo Horizonte, o famoso pintor Cândido Portinari retratou o santo com pés grandes; uma possível interpretação é a que vê em Francisco o evangelizador, o homem do caminho, o homo viator, peregrino e itinerante.
Texto publicado na “Revista Franciscana”, FFB, 2005, volume V

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

PAPA PEDE AOS CRISTÃOS QUE REDESCUBRAM O DIA DE DOMINGO

Papa reza para que cristãos redescubram domingo
Intenções de oração para o mês de outubro

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 2 de outubro de 2009 (ZENIT.org)

.- Neste mês de outubro, Bento XVI reza para que os cristãos redescubram o valor do domingo como dia da Celebração Eucarística.
Esta é uma das intenções de oração para o mês de outubro, contida na carta pontifícia que o Papa confiou ao Apostolado da oração para este ano.
A intenção geral da oração para o mês de outubro diz: "Para que o domingo seja vivido como o dia em que os cristãos se reúnem para celebrar o Senhor ressuscitado, participando da mesa da Eucaristia".
O Papa reza cada mês por uma intenção missionária também. A de outubro diz: "Para que todo o Povo de Deus, a quem foi confiado por Cristo o mandato de pregar o Evangelho a toda criatura, assuma com empenho a própria responsabilidade missionária e a considere como o mais alto serviço que pode oferecer à humanidade".
O Apostolado da Oração (www.adp.it) é uma iniciativa acompanhada por cerca de 50 milhões de pessoas nos cinco continentes.

Fonte: Zenit.org