............ - Eucaristia, Devoção a Maria e Fidelidade ao Papa – ............
Seguidores
NOSSA SENHORA DE FÁTIMA
Esteja ao lado de Nossa Senhora de Fátima como nunca pode imaginar.
Visite a Capela das Aparições, ON LINE.
Participe das orações, do terço e das missas diárias.
Clique na imagem de Nossa Senhora e estará em frente à Capelinha do Santuário de Fátima.
CAPELA DE NOSSA SENHORA DA MEDALHA MILAGROSA
Uma Capela cheia de segredos !Você quer descobri-la conosco? Saiba, antes de tudo, que a Casa Mãe da Companhia das Filhas da Caridade era o antigo "Hotel de Châtillon". Este, foi concedido à Companhia, em 1813, por Napoleão Bonaparte, depois da tormenta da Revolução Francesa. Imediatamente, começa a construção da Capela.A 8 de agosto de 1813, realizou-se a bênção solene da Capela dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. Em 1830, aconteceram então as aparições. Aumentou o numero de vocações.Foi necessário transformar a Capela, que passa então por várias modificações. Em 1930, por ocasião do centenário das apariçes, uma nova reforma nos mostra a Capela tal como a vemos hoje.Agora, a você a oportunidade de visitá-la! http://www.chapellenotredamedelamedaillemiraculeuse.com
Visita a Capela da Medalha Milagrosa, localizada na Rue du Bac, 140 - Paris
Clique sobre a foto para a visita guiada em 15 etapas
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016
Francisco em Ecatepec: Quaresma, tempo de desmascarar tentações
Francisco durante a homilia: orgulho é a pior tentação - AFP
14/02/2016 19:15
Ecatepec (RV)
- Na segunda missa da Viagem Apostólica ao México, em Ecatepec, Francisco afirmou que a Quaresma é tempo de desmascarar três tentações: a riqueza, a vaidade e a pior delas - advertiu o Papa - orgulho. Recorrendo ao Evangelho, Francisco pediu que todos prestem atenção a não "tentar dialogar com o demônio", porque este vence sempre.
"Até que ponto nos acostumamos a um estilo de vida que considera a riqueza, a vaidade e o orgulho como a fonte e a força de vida?" Na quarta-feira passada, começamos o tempo litúrgico da Quaresma; nele, a Igreja convida-nos a preparar-nos para a celebração da grande festa da Páscoa. É um tempo especial para lembrar o dom do nosso Batismo, quando fomos feitos filhos de Deus. A Igreja convida-nos a reavivar o dom recebido para não o deixar cair no esquecimento como algo passado ou guardado em uma “caixa de recordações”.
Filhos do Pai Este tempo de Quaresma é uma boa ocasião para recuperar a alegria e a esperança de nos sentirmos filhos amados do Pai. Este Pai que nos espera para nos livrar do cansaço, da apatia, da desconfiança e revestir-nos com a dignidade que só um verdadeiro pai e uma verdadeira mãe sabem dar aos seus filhos, as vestes que nascem da ternura e do amor. O nosso Pai é pai de uma grande família: é Pai nosso. Sabe ter um amor, mas não gerar e criar “filhos únicos”. É um Deus que Se entende de família, de fraternidade, de pão partido e partilhado. É o Deus do “Pai Nosso”, não do “meu pai e padrinho de vocês». Em cada um de nós, está inscrito, vive aquele sonho de Deus que voltamos a celebrar em cada Páscoa, em cada Eucaristia: somos filhos de Deus. Um sonho vivido por muitos irmãos nossos ao longo da história. Um sonho testemunhado pelo sangue de tantos mártires de ontem e de hoje.
Conversão
Quaresma: tempo de conversão, porque experimentamos na vida de todos os dias como tal sonho se encontra continuamente ameaçado pelo pai da mentira, por aquele que quer nos separar, gerando uma sociedade dividida e conflituosa, uma sociedade de poucos e para poucos. Quantas vezes experimentamos na nossa própria carne ou na carne da nossa família, na dos nossos amigos ou vizinhos a amargura que nasce de não sentir reconhecida esta dignidade que todos trazemos dentro. Quantas vezes tivemos de chorar e arrepender-nos, porque nos demos conta de não ter reconhecido tal dignidade nos outros. Quantas vezes – digo-o com tristeza – permanecemos cegos e insensíveis perante a falta de reconhecimento da dignidade própria e alheia.
Harmonização
Quaresma: tempo para regular os sentidos, abrir os olhos para tantas injustiças que atentam diretamente contra o sonho e o projeto de Deus. Tempo para desmascarar aquelas três grandes formas de tentação que rompem, fazem em pedaços a imagem que Deus quis plasmar. Três tentações de Cristo... Três tentações do cristão que procuram arruinar a verdade a que fomos chamados. Três tentações que visam degradar e nos degradar. 1. A riqueza, apropriando-nos de bens que foram dados para todos, usando-os só para mim ou para “os meus”. É conseguir o pão com o suor alheio ou até com a vida alheia. Tal riqueza é pão que tem gosto de tristeza, de amargura e de sofrimento. Em uma família ou em uma sociedade corrupta, é o pão que se dá aos próprios filhos. 2. A vaidade: a busca de prestígio baseada na desqualificação contínua e constante daqueles que “não são ninguém”. A busca exacerbada daqueles cinco minutos de fama que não perdoa a “fama” dos outros. E, “alegrando-se com a desgraça alheia”, abre-se caminho à terceira tentação – a pior: o orgulho. 3. O orgulho, ou seja, colocar-se em um plano de superioridade de qualquer tipo, sentindo que não se partilha “a vida comum dos mortais” e rezando todos os dias: “Obrigado, Senhor, porque não me fizestes como eles”.
Três tentações de Cristo... Três tentações que o cristão enfrenta diariamente. Três tentações que procuram degradar, destruir e tirar a alegria e o frescor do Evangelho; que nos fecham em um círculo de destruição e pecado.
Por isso vale a pena perguntarmo-nos: Até que ponto estamos conscientes destas tentações na nossa vida, em nós mesmos? Até que ponto nos acostumamos a um estilo de vida que considera a riqueza, a vaidade e o orgulho como a fonte e a força de vida?
Até que ponto estamos convencidos de que cuidar do outro, preocupar-nos e ocupar-nos com o pão, o bom nome e a dignidade dos outros seja fonte de alegria e de esperança?
Escolhemos Cristo Escolhemos, não o diabo, mas Jesus;
Se recordarmos do que escutamos no Evangelho, veremos que Jesus não contesta o demônio com nenhuma palavra própria e sim com as palavras de Deus, com as palavras da Escritura porque, irmãos e irmãs, tenhamos em nossas mentes, com o demônio não se dialoga, não se pode dialogar porque ele vai vencer sempre. Somente a força da Palavra de Deus pode derrotá-lo. Escolhemos Cristo, não o demônio.
Queremos seguir os Seus passos, mas sabemos que não é fácil. Sabemos o que significa ser seduzidos pelo dinheiro, a fama e o poder. Por isso, a Igreja oferece-nos este tempo da Quaresma, convida-nos à conversão com uma única certeza: Ele está à nossa espera e quer curar o nosso coração de tudo aquilo que o degrada, degradando-se ou degradando.
Misericórdia
É o Deus que tem um nome: misericórdia. O seu nome é a nossa riqueza, o seu nome é a nossa fama, o seu nome é o nosso poder. E é no seu nome que repomos a nossa confiança, como diz o Salmo: “Vós sois o meu Deus, em Vós confio”. Podemos repetir isto juntos: “Vós sois o meu Deus, em Vós confio”. Que, nesta Eucaristia, o Espírito Santo renove em nós a certeza de que o seu nome é misericórdia e nos faça experimentar, em cada dia, que “o Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus”, sabendo que com Ele e n’Ele “renasce sem cessar a alegria” (Exort. ap. Evangelii gaudium, 1).
Fonte RV
Papa Francisco e as crianças
Papa: "carinhoterapia" decisiva na recuperação de crianças doentes
Papa, com o conta-gotas, medica pequeno paciente do Hospital - REUTERS
15/02/2016 01:55
Cidade do Vaticano (RV)
– O último compromisso do Papa Francisco neste domingo (14/02), terceiro dia em terras mexicanas, foi a visita ao Hospital pediátrico Federico Gomez, um centro de excelência na Cidade do México, voltado ao atendimento das crianças mais pobres do país. Anualmente são 255 mil as crianças atendidas e 6 mil as internações.
Sempre acompanhado pela Primeira Dama Angelica Rivera e pelo Diretor do Hospital, Dr, José Alberto Garcia Aranda, Francisco percorreu diversas alas do Hospital. Inicialmente, saudou 36 crianças, acompanhadas de familiares, no primeiro andar do hospital, onde pronunciou seu discurso. O Papa saudou uma a uma as crianças, dando a elas de presente um terço. Em um dos pequenos pacientes, com um pequeno conta-gotas, pingou uma medicação em sua boca. Emoção, gestos de carinho e atenção especial a cada um dos pequenos marcou o encontro.
Para o encontro foram preparadas catequeses, quer para as crianças, como para alguns funcionários e médicos do hospital. O recurso do teatro, com uma história que falava sobre o Papa Francisco, foi usada para preparar as crianças.
Após as breves palavras de acolhida da Primeira Dama, o Papa dirigiu algumas palavras às crianças e aos funcionários, onde destacou a importância da “carinhoterapia” e das palavras “bendizer e agradecer”.
Após, depositou flores aos pés de uma imagem de São Francisco, no pátio do hospital, dirigindo-se então ao Setor de Oncologia, onde encontrou crianças que fazem quimioterapia. Uma delas cantou Ave Maria em latim para o Papa, num dos momentos comoventes do encontro.
A entrada de Francisco na Sala do Sino foi outro momento forte. O badalar indica a cura de uma criança. Na verdade, foram duas badaladas já que, recentemente, duas crianças ficaram curadas. Uma delas é a pequena Helena Luz, que no sábado, 13, completou 7 anos. O som produzido pelo sino é como que uma advertência ao céu, um agradecimento, de que uma criança foi curada. O gesto é realizado na presença de crianças em tratamento para servir de encorajamento e esperança.
***
A seguir, o Papa encontrou de forma privada pacientes em tratamento. As imagens, por desejo do Pontífice, não foram transmitidas. Por fim, o Papa deixou o Hospital rumo à Nunciatura, onde pernoitará. Eis a íntegra do discurso:
Senhor Presidente,
Senhora Primeira Dama,
Senhora Secretária da Saúde,
Senhor Diretor,
Membros do Patronato,
Famílias aqui presentes,
Amigas e amigos, queridas crianças,
boa tarde!
Agradeço a Deus que me dá a oportunidade de vir visitar-vos, de me encontrar convosco e as vossas famílias neste Hospital; de poder partilhar um pouco da vossa vida, da vida de todas as pessoas que trabalham como médicos, enfermeiros, funcionários e voluntários que vos atendem, tanta gente que está trabalhando por vocês.
Há uma passagem no Evangelho que nos narra a vida de Jesus quando era criança. Era bem pequenino, como alguns de vós. Um dia os seus pais, José e Maria, levaram-No ao Templo para O apresentarem a Deus. Então encontram um ancião que se chamava Simeão, que ao ver o Menino, com muita determinação e velhinho e com grande alegria e gratidão, toma-O nos braços e começa a bendizer a Deus. Ao ver o menino Jesus, duas coisas nasceram nele: um sentimento de gratidão e o desejo de bendizer.Ou seja, dar graças a Deus e teve vontade de bendizer.
Simeão é o «avô» que nos ensina estas duas atitudes fundamentais: agradecer e bendizer.
Aqui, eu digo para vocês. ps médicos bendizem vocês, cada vez que cuidam de vocês as enfermeiras, todo o pessoal, todos os que trabalham bendizem vocês, as crianças. Porém vocês também têm que aprender a bendizê-los e pedir a Jesus que cuide deles, porque eles cuidam de vocês. Eu aqui sinto-me (e não só pela idade) muito identificado com estes dois ensinamentos de Simeão. Por um lado, ao atravessar aquela porta e ver os vossos olhos, os vossos sorrisos, os vossos rostos, veio-me o desejo de dar graças. Obrigado pelo carinho com que me recebeis; obrigado pelo afeto com que sois cuidados e acompanhados. Obrigado pelo esforço de muitos que estão a dar o seu melhor para poderdes recuperar rapidamente. É muito importante sentir-se cuidados e acompanhados, sentir-se amados e saber que estão procurando a melhor maneira de cuidar de nós. Por todas estas pessoas, digo obrigado.
E, ao mesmo tempo, quero abençoar-vos. Quero pedir a Deus que vos abençoe, que acompanhe a vós e aos vossos familiares, a todas as pessoas que trabalham nesta casa e procuram que estes sorrisos continuem a crescer cada dia; a todas as pessoas que, não só com medicamentos mas sobretudo com a «carinhoterapia», ajudam para que este tempo seja vivido com maior alegria. Tão importante "a carinhoterapia"! Tão importante" às vezes um carinho ajuda tanto a recuperar-se
Conheceis o índio Juan Diego? Levante a mão quem o conhece..... Quando o tio de Juanito, Juan Diego, caiu doente, este ficou muito preocupado e angustiado. Naquele momento, aparece a Virgem de Guadalupe e diz-lhe: «Não se perturbe o teu coração, nem te inquiete coisa alguma. Não estou aqui Eu, que sou tua Mãe?»
Temos a nossa Mãe. Peçamos-Lhe que nos ofereça ao seu Filho Jesus. E agora vou pedir às crianças uma coisa, fechem os olhos, fechemos os olhos e peçamos aquilo que deseja o nosso coração hoje; um pouqinho de silêncio com os olhos fechados e dentro peçamos o que queremos. E agora juntos digamos para nossa Mãe: Ave Maria…
Que o Senhor e a Virgem de Guadalupe sempre vos acompanhem. Muito obrigado! E, por favor, não vos esqueçais de rezar por mim”.
Fonte RV
Papa Francisco: o dever da memória para um povo
- ANSA
14/02/2016 20:11
Neste I domingo da Quaresma (14/02), após a celebração da Santa missa em Ecatepec, arredores da Cidade do México, o Papa Francisco presidiu, às 12 horas locais, a celebração da cerimónia mariana do Ângelus
Na sua alocução Francisco iniciou por comentar a primeira leitura deste domingo, na qual Moisés adverte o povo dizendo: no momento da colheita, no momento da abundância, no momento das primícias, não te esqueças das tuas origens. A acção de graças nasce e cresce numa pessoa e num povo que seja capaz de recordar: tem as suas raízes no passado, que, entre luzes e sombras, gerou o presente. Enfim, no momento em que podemos dar graças a Deus porque a terra deu o seu fruto e assim é possível fazer o pão, Moisés convida o seu povo a fazer memória enumerando as situações difíceis pelas quais teve de passar (cf. Dt 26, 5-11).
Neste dia de festa, prosseguiu o Santo Padre, dirigindo-se aos fiéis e peregrinos presentes, podemos celebrar o Senhor que foi tão bom para connosco. Damos graças pela oportunidade de estarmos reunidos para apresentar ao Pai Bom as primícias dos nossos filhos e netos, dos nossos sonhos e projectos; as primícias das nossas culturas, das nossas línguas e tradições; as primícias do nosso compromisso.
Quanto teve de enfrentar, cada um de vós, para chegar aqui! Quanto tivestes de «caminhar» para fazer deste dia uma festa, uma acção de graças! E quanto caminharam outros que não puderam chegar, mas, graças a eles, pudemos continuar para diante, salientou Francisco.
Hoje, disse ainda Francisco, seguindo o convite de Moisés, queremos como povo fazer memória, queremos ser povo com a memória viva da passagem de Deus por meio do seu povo, no seu povo. Queremos olhar os nossos filhos, sabendo que herdarão não só uma terra, uma língua, uma cultura e uma tradição, mas sobretudo herdarão o fruto vivo da fé que recorda a passagem certa de Deus por esta terra; a certeza da sua proximidade e solidariedade. Uma certeza que nos ajuda a levantar a cabeça e, com vivo desejo, esperar a aurora.
Também eu me uno a vós, a esta vossa memória reconhecida, a esta recordação viva da passagem de Deus na vossa vida. Olhando os vossos filhos, tenho vontade de repetir as palavras que um dia o Beato Paulo VI dirigiu ao povo mexicano: «Um cristão não pode deixar de manifestar a sua solidariedade e de dar o melhor de si mesmo, para resolver a situação daqueles a quem ainda não chegou o pão da cultura ou a oportunidade de encontrar um trabalho honrado (...), não pode ficar insensível enquanto as novas gerações não encontrarem o caminho para realizar as suas legítimas aspirações». E continua com um convite a estar «sempre na vanguarda em todos os esforços (…) para melhorar a situação daqueles que padecem necessidade», a ver «em cada homem um irmão e, em cada irmão, a Cristo» (Rádiomensagem no 75º aniversário da coroação de N.S. de Guadalupe, 12 de Outubro de 1970).
Por fim, o Papa convidou novamente os presentes a estar na vanguarda, a «primeirear» em todas as iniciativas que possam ajudar a fazer desta abençoada terra mexicana uma terra de oportunidades; onde não haja necessidade de emigrar para sonhar; onde não haja necessidade de se deixar explorar para ter emprego; onde não haja necessidade de fazer do desespero e da pobreza de muitos ocasião para o oportunismo de poucos. Uma terra que não tenha de chorar homens e mulheres, jovens e crianças que acabam destruídos nas mãos dos traficantes da morte.
Esta terra, concluiu dizendo Francisco, tem o sabor da «Guadalupana», Aquela que sempre nos precedeu no amor; digamos-Lhe: Virgem Santa, «ajudai-nos a resplandecer com o testemunho da comunhão, do serviço, da fé ardente e generosa, da justiça e do amor aos pobres, para que a alegria do Evangelho chegue até aos confins da terra e nenhuma periferia fique privada da sua luz» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 288).
Fonte RV
Papa: desmascarar tentação da riqueza, vaidade e orgulho
Papa Francisco durante a Missa em Ecatepec, México - REUTERS
14/02/2016 17:45
Neste I domingo da Quaresma (14/02) o Papa Francisco presidiu à Santa Missa em Ecatepec, arredores da Cidade do México. Na homilia Francisco começou por recordar a Quaresma, tempo litúrgico – disse – em que a Igreja nos convida a preparar-nos para a Páscoa e tempo especial para lembrar o dom do nosso Baptismo, e acrescentou: “Este tempo de Quaresma é uma boa ocasião para recuperar a alegria e a esperança que nos vem do facto de nos sentirmos filhos amados do Pai. Este Pai que nos espera para livrar-nos das vestes do cansaço, da apatia, da desconfiança e revestir-nos com a dignidade que só um verdadeiro pai e uma verdadeira mãe sabem dar aos seus filhos, as vestes que nascem da ternura e do amor”. O nosso Pai é, na verdade, pai duma grande família – prosseguiu o Papa - é Pai nosso, é um Deus que Se entende de família, de fraternidade, de pão partido e partilhado - é o Deus do «Pai Nosso», não do «pai meu e padrinho vosso» frisou Francisco, acrescentando que em cada um de nós está inscrito e vive o sonho de sermos filhos de Deus. Deste modo, destacou o Santo Padre, a Quaresma é antes de tudo tempo de conversão, porque experimentamos na vida de cada dia que tal sonho é continuamente ameaçado pelo diabo, que nos quer separar, gerando uma sociedade dividida e conflituosa, uma sociedade de poucos e para poucos. E observou: “Quantas vezes experimentamos na nossa própria carne ou na carne da nossa família, na dos nossos amigos ou vizinhos a amargura que nasce de não sentir reconhecida esta dignidade que todos trazemos dentro. Quantas vezes tivemos de chorar e arrepender-nos, porque nos demos conta de não ter reconhecido tal dignidade nos outros. Quantas vezes – digo-o com tristeza – permanecemos cegos e insensíveis perante a falta de reconhecimento da dignidade própria e alheia”. Mas a Quaresma é também tempo para abrir os olhos para as injustiças que atentam directamente contra o sonho e o projecto de Deus, disse ainda o Papa, tempo para desmascarar aquelas três grandes formas de tentação que procuram arruinar a verdade a que fomos chamados: a riqueza, a vaidade e o orgulho.
Sobre a tentação da riqueza disse Francisco: “A riqueza, apropriando-nos de bens que foram dados para todos, usando-os só para mim ou para «os meus». É conseguir o pão com o suor alheio ou até com a vida alheia. Tal riqueza é pão que sabe a tristeza, amargura e sofrimento. Numa família ou numa sociedade corrupta, é o pão que se dá a comer aos próprios filhos”. Três tentações de Cristo, observou Francisco, mas também três tentações que o cristão enfrenta diariamente, três tentações que procuram degradar, destruir e tirar a alegria e o frescor do Evangelho; que nos fecham num círculo de destruição e pecado. E o Papa convidou a perguntar-nos se estamos conscientes destas tentações na nossa vida e se não nos acostumamos a um estilo de vida que considera a riqueza, a vaidade e o orgulho como a fonte e a força de vida. Mas temos de escolher Jesus, e não o diabo, diz o Papa, e a Igreja oferece-nos o tempo da Quaresma convidando-nos à conversão, na certeza de que Deus está à nossa espera e quer curar o nosso coração de tudo aquilo que o degrada - é o Deus cujo nome é misericórdia, nome no qual repomos a nossa confiança. E concluiu rezando para que o Espírito Santo renove nos fiéis a certeza de que o seu nome é misericórdia e nos faça experimentar, em cada dia, que o Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. (BS)
Fonte RV
Papa Francisco em Ecatepec
Angelus em Ecatepec: criar oportunidades para um México de vanguarda
Idosa na missa em Ecatepec: Papa pediu mais oportunidades aos mexicanos - AFP
14/02/2016 20:15
Ecatepec (RV) – Ao final da Missa em Ecatepec, a segunda celebrada pelo Papa no México, neste domingo (14/02), Francisco exortou os mexicanos a recordarem dos sofrimentos do passado para construírem oportunidades para um país melhor, de vanguarda.
Citando Paulo VI, Francisco defendeu um México capaz de dar emprego e cultura ao seu próprio povo, para que seja uma nação “que não tenha de chorar homens e mulheres, jovens e crianças que acabam destruídos nas mãos dos traficantes da morte”.
Abaixo, a íntegra da alocução de Francisco. ***
Queridos irmãos! Na primeira leitura deste domingo, Moisés recomenda ao povo: no momento da colheita, no momento da abundância, no momento das primícias, não te esqueças das tuas origens. A ação de graças nasce e cresce em uma pessoa e em um povo que seja capaz de recordar: tem as suas raízes no passado que, entre luzes e sombras, gerou o presente. No momento em que podemos dar graças a Deus porque a terra deu o seu fruto e assim é possível fazer o pão, Moisés convida o seu povo a fazer memória enumerando as situações difíceis pelas quais teve de passar (cf. Dt 26, 5-11). Neste dia, neste dia de festa, podemos celebrar o Senhor que foi tão bom para conosco. Damos graças pela oportunidade de estarmos reunidos para apresentar ao Pai Bom as primícias dos nossos filhos e netos, dos nossos sonhos e projetos; as primícias das nossas culturas, das nossas línguas e tradições; as primícias do nosso compromisso... Quanto tiveram de enfrentar, cada um de vocês, para chegar aqui! Quanto tiveram de “caminhar” para fazer deste dia uma festa, uma ação de graças! E quanto caminharam outros que não puderam chegar, mas, graças a eles, pudemos continuar em frente. Hoje, seguindo o convite de Moisés, queremos como povo fazer memória, queremos ser povo com a memória viva da passagem de Deus por meio do seu povo, no seu povo. Queremos olhar os nossos filhos, sabendo que herdarão não só uma terra, uma língua, uma cultura e uma tradição, mas sobretudo herdarão o fruto vivo da fé que recorda a passagem certa de Deus por esta terra; a certeza da sua proximidade e solidariedade. Uma certeza que nos ajuda a levantar a cabeça e, com vivo desejo, esperar a aurora. Também eu me uno com vocês à esta memória agradecida, a esta recordação viva da passagem de Deus em nossas vidas. Olhando os seus filhos, tenho vontade de repetir as palavras que um dia o Beato Paulo VI dirigiu ao povo mexicano: “Um cristão não pode deixar de manifestar a sua solidariedade e de dar o melhor de si mesmo, para resolver a situação daqueles a quem ainda não chegou o pão da cultura ou a oportunidade de encontrar um trabalho honrado (...), não pode ficar insensível enquanto as novas gerações não encontrarem o caminho para realizar as suas legítimas aspirações”. E continua com um convite a estar “sempre na vanguarda em todos os esforços (…) para melhorar a situação daqueles que padecem necessidade”, a ver “em cada homem um irmão e, em cada irmão, a Cristo” (Rádio mensagem no 75º aniversário da coroação de N.S. de Guadalupe, 12 de Outubro de 1970). Desejo convidar-nos novamente hoje a estar na vanguarda, a “primeirear” em todas as iniciativas que possam ajudar a fazer desta abençoada terra mexicana uma terra de oportunidades; onde não haja necessidade de emigrar para sonhar; onde não haja necessidade de se deixar explorar para ter emprego; onde não haja necessidade de fazer do desespero e da pobreza de muitos ocasião para o oportunismo de poucos. Uma terra que não tenha de chorar homens e mulheres, jovens e crianças que acabam destruídos nas mãos dos traficantes da morte. Esta terra tem o sabor da «Guadalupana», Aquela que sempre nos precedeu no amor; digamos-Lhe: Virgem Santa, “ajudai-nos a brilhar com o testemunho da comunhão, do serviço, da fé ardente e generosa, da justiça e do amor aos pobres, para que a alegria do Evangelho chegue até aos confins da terra e nenhuma periferia fique privada da sua luz” (Exort. ap. Evangeliigaudium, 288).
Fonte RV
Papa em Guadalupe: Santuário de Deus é a vida dos seus filhos
Papa Francisco durante a Missa no Santuário Nossa Senhora de Guadalupe - ANSA
14/02/2016 10:04
O Papa Francisco celebrou neste sábado dia 13 de fevereiro a Santa Missa no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe. Na sua homilia o Santo Padre afirmou que todos somos necessários na construção do santuário da vida.
Numa celebração participada por mais de trinta mil fiéis que seguiram a liturgia no exterior do Santuário o Papa Francisco cumpriu o seu desejo de rezar junto de Nossa Senhora de Guadalupe.
Francisco começou a sua homilia recordando a visita de Maria à sua prima Isabel que “sem demora nem hesitação” vai fazer companhia à sua parente que estava nos últimos meses de gravidez”.
“O encontro com o anjo não deteve Maria, pois não Se sentiu privilegiada, nem no dever de Se afastar dos seus. Pelo contrário, reavivou e pôs em marcha uma atitude pela qual Maria é e será sempre lembrada: a mulher do sim, um sim de entrega a Deus e, ao mesmo tempo, um sim de entrega aos seus irmãos” – afirmou o Santo Padre.
Em Guadalupe o sabor desta passagem do Evangelho é especial – declarou o Papa – pois “Maria a mulher do sim, também quis visitar os habitantes desta terra da América na pessoa do índio S. Juan Diego.” Maria apresentou-se a Diego como se apresenta a cada um de nós, em especial, àqueles que, tal como o índio, sentem que não valem nada:
“Assim como Se apresentou ao humilde Juanito, de igual modo continua a fazer-se presente junto de todos nós, especialmente daqueles que sentem, como ele, que não valem nada.”
Naquele mês de dezembro de 1531 – recordou o Papa – tinha lugar o primeiro milagre que se tornará depois a memória viva de tudo o que guarda o Santuário de Guadalupe. Um amanhecer que se fez encontro com Deus e despertou a esperança de Juan Diego. E Deus “desperta a esperança dos mais humildes, dos atribulados, dos deslocados e marginalizados, de quantos sentem que não têm um lugar digno nestas terras” – frisou o Santo Padre.
O Papa Francisco sublinhou também que Deus “aproxima-Se do coração atribulado mas resistente de tantas mães, pais, avós que viram os seus filhos partir, viram-nos perdidos ou mesmo arrebatados pela criminalidade”.
“Naquele amanhecer, Juanito experimenta na sua vida o que é a esperança, o que é a misericórdia de Deus” – afirmou o Papa que salientou que “todos somos necessários” para a construção do “santuário da vida”:
“O santuário de Deus é a vida dos seus filhos, de todos e em todas as condições, especialmente dos jovens sem futuro, expostos a uma infinidade de situações dolorosas e arriscadas, e dos idosos sem reconhecimento, esquecidos em tantos cantos.”
“O santuário de Deus são as nossas famílias que precisam do mínimo necessário para se poderem formar e sustentar. O santuário de Deus é o rosto de tantos que encontramos no nosso caminho...”
Em forma de oração o Santo Padre referiu ainda na sua homilia que devemos olhar “intensamente e com calma” Maria, nossa Mãe e “abrigar” a nossa “solidão” nos seus olhos de “Mãe enamorada”.
“Ela diz-nos que tem a “honra” de ser nossa mãe. Isto dá-nos a certeza de que as lágrimas daqueles que sofrem, não são estéreis” – disse o Papa que na conclusão da sua homilia, recordando as obras de misericórdia que se devem cumprir nas comunidades, bairros e paróquias, declarou:
“Hoje, volta a enviar-nos; hoje repete para nós: Sê o meu mensageiro, sê o meu enviado para construir muitos santuários novos, acompanhar tantas vidas, consolar tantas lágrimas.”
No final da homilia e em silêncio o Papa Francisco recolheu-se em oração olhando a imagem da Virgem de Guadalupe e ofereceu uma coroa para demonstrar a sua própria filiação a Maria.
No final da celebração o Papa Francisco recolheu-se a sós em oração no ‘Camarín’, lugar onde é conservada a imagem que remonta às aparições do século XVI ao índio S. Juan Diego.
Fonte RV
domingo, 14 de fevereiro de 2016
Papa Francisco no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe
Papa: Deus consola pais de filhos arrebatados pelo crime
Francisco reza diante de Nossa Senhora de Guadalupe - AFP
14/02/2016 02:30
Cidade do México (RV) - O santuário de Deus é a vida dos seus filhos, especialmente dos jovens sem futuro e dos idosos sem reconhecimento: disse o Papa na missa celebrada este sábado no Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, num dos eventos mais aguardados desta sua 12ª viagem apostólica internacional, qual peregrino da misericórdia e da paz em terras mexicanas.Uma visita à casa da Mãe expressamente desejada pelo Pontífice. De fato, o motivo principal da visita de Francisco ao México: venerar o ícone de Nossa Senhora de Guadalupe, diante do qual deteve-se longamente em oração após a santa missa. “O santuário de Deus são as nossas famílias que precisam do mínimo necessário para se poderem formar e sustentar. O santuário de Deus é o rosto de tantos que encontramos no nosso caminho”, afirmou o Pontífice.Partindo do Evangelho da liturgia própria da Santíssima Virgem de Guadalupe, Francisco havia iniciado a homilia recordando o episódio da visita de Nossa Senhora a sua prima Isabel para traçar em seguida a figura de Maria como a mulher do sim, um sim de entrega a Deus e aos irmãos.“Escutar esta passagem do Evangelho nesta casa tem um sabor especial. Maria, a mulher do sim, também quis visitar os habitantes desta terra da América na pessoa do índio São Juan Diego. Assim como se moveu pelas estradas da Judeia e da Galileia, da mesma forma alcançou Tepeyac, com as suas roupas, usando a sua língua, para servir esta grande nação. Assim como acompanhou a gravidez de Isabel, acompanhou e acompanha a gestação desta abençoada terra mexicana.”Francisco acrescentou que também hoje Maria continua a fazer-se presente junto de todos nós, especialmente daqueles que sentem que «não valem nada».Referindo-se à apresentação de Maria ao humilde Juanito, o Papa disse que :
“naquela madrugada de dezembro de 1531, tinha lugar o primeiro milagre que se tornará depois a memória viva de tudo o que guarda este Santuário. Naquele amanhecer, naquele encontro, Deus despertou a esperança de seu filho Juan, a esperança do seu povo”. “Naquele amanhecer, Deus aproximou-Se e aproxima-Se do coração atribulado mas resistente de tantas mães, pais, avós que viram os seus filhos partir, viram-nos perdidos ou mesmo arrebatados pela criminalidade.”Na construção do outro santuário – o santuário da vida, o das nossas comunidades, sociedade e culturas –, ninguém pode ser deixado de fora.
“Todos somos necessários – observou o Papa –, sobretudo aqueles que normalmente não contam porque não estão à «altura das circunstâncias» ou não «contribuem com o capital necessário» para a sua construção.” “O santuário de Deus é a vida dos seus filhos, de todos e em todas as condições, especialmente dos jovens sem futuro, expostos a uma infinidade de situações dolorosas e arriscadas, e dos idosos sem reconhecimento, esquecidos em tantos cantos. O santuário de Deus são as nossas famílias que precisam do mínimo necessário para se poderem formar e sustentar. O santuário de Deus é o rosto de tantos que encontramos no nosso caminho...” Após citar um Hino Litúrgico dedicado a Maria, que expressa a proteção consoladora da Virgem, Francisco lembrou as palavras asseguradoras da Mãe, que nos dão a certeza de que “as lágrimas daqueles que sofrem, não são estéreis. São uma oração silenciosa que sobe até ao céu e que, em Maria, encontra sempre lugar sob o seu manto”.N’Ela e com Ela, Deus faz-Se irmão e companheiro de estrada, carrega conosco as cruzes para não deixar as nossas dores esmagar-nos.Francisco concluiu ressaltando que também hoje Maria volta a enviar-nos; hoje repete para nós:
“Sê o meu mensageiro, sê o meu enviado para construir muitos santuários novos acompanhar tantas vidas, consolar tantas lágrimas”:“Sê o meu mensageiro – diz-nos – dando de comer aos famintos, de beber aos sedentos; oferece um lugar aos necessitados, veste os nus e visita os doentes. Socorre os prisioneiros, perdoa a quem te fez mal, consola quem está triste, tem paciência com os outros e sobretudo implora e invoca o nosso Deus.” Os milhares de fiéis e peregrinos presentes, mais de 40 mil ao todo, viveram com grande emoção e participação a visita do Papa Francisco ao maior santuário mariano do mundo, todos os anos visitado por vinte milhões de peregrinos. A celebração marcou o ponto alto e último compromisso deste primeiro dia de atividades do Santo Padre em terras mexicanas. (RL) Fonte RV
sábado, 13 de fevereiro de 2016
Íntegra: discurso do Papa aos bispos mexicanos
Procissão de Guadalupe na Cidade do México - AP
13/02/2016 19:09
Cidade do Vaticano (RV)
- Um longo e intenso discurso marcou o encontro do Papa com os bispos mexicanos, no final da manhã deste sábado (13/02), na Catedral da Cidade do México. Francisco dividiu sua reflexão em quatro pontos, sempre inspirados em Nossa Senhora de Guadalupe: Um olhar de ternura; Um olhar capaz de tecer;Um olhar atento e solidário; não adormecido e Um olhar de conjunto e de unidade.
Abaixo, a íntegra do discurso
***
Estou feliz por poder encontrar vocês no dia seguinte ao da minha chegada a este amado país, que também eu, seguindo os passos dos meus Predecessores, vim visitar.
Não podia deixar de vir! Poderia o Sucessor de Pedro, chamado do profundo sul latino-americano, privar-se da possibilidade de pousar o olhar na «Virgem Morenita»?
Agradeço-vos por me terdes recebido nesta Catedral – a «casita», um pouco alongada mas sempre «sagrada», que pediu a Virgem de Guadalupe – e pelas amáveis palavras de boas-vindas que me dirigistes.
Sabendo que aqui se encontra o coração secreto de cada mexicano, entro com passo delicado, como se deve entrar na casa e na alma deste povo, sentindo-me profundamente grato por me abrir a porta. Sei que, fixando os olhos da Virgem, alcanço o olhar do seu povo, que aprendeu a mostrar-se n’Ela. Sei que nenhuma outra voz pode falar tão profundamente do coração mexicano, como me pode falar a Virgem; Ela guarda os seus mais nobres desejos e as esperanças mais recônditas; recolhe as suas alegrias e lágrimas; Ela compreende os seus numerosos idiomas e responde-lhes com ternura de Mãe, porque são os seus filhos.
Estou feliz por estar convosco aqui, nas proximidades da «Colina de Tepeyac», como nos alvores da evangelização deste continente e, por favor, permiti-me que, tudo quanto vos disser, possa fazê-lo partindo da Guadalupana. Como quereria que fosse Ela mesma a levar, até às profundezas das vossas almas de pastores e – por vosso intermédio – a cada uma das vossas Igrejas particulares presentes neste vasto México, tudo o que intensamente brota do coração do Papa!
Como sucedeu com São Juan Diego e as sucessivas gerações dos filhos da Guadalupana, também o Papa, há tempos, cultivava o desejo de olhar para Ela. Mais ainda, queria eu mesmo ser envolvido pelo seu olhar materno. Refleti muito sobre o mistério deste olhar e peço-vos que acolhais tudo o que brota do meu coração de Pastor neste momento. Um olhar de ternura Antes de mais nada, a «Virgem Morenita» ensina-nos que a única força capaz de conquistar o coração dos homens é a ternura de Deus. Aquilo que encanta e atrai, aquilo que abranda e vence, aquilo que abre e liberta das cadeias não é a força dos meios nem a dureza da lei, mas a fragilidade omnipotente do amor divino, que é a força irresistível da sua doçura e a promessa irreversível da sua misericórdia.
Um inquieto e ilustre escritor desta terra, Octávio Paz, disse que, em Guadalupe, não se pede a abundância das colheitas nem a fertilidade da terra, mas procura-se um regaço no qual os homens, sempre órfãos e deserdados, buscam um abrigo, um lar.
Passados séculos do evento fundador deste país e da evangelização do continente, porventura se diluiu ou está esquecida a necessidade dum regaço por que anseia o coração do povo que vos está confiado?
Conheço a longa e dolorosa história que atravessastes, não sem o derramamento de muito sangue, não sem convulsões impiedosas e dilacerantes, não sem violência e incompreensões. Com razão, o meu venerado e santo Predecessor, que se sentia no México como em sua casa, quis lembrar que a vossa história «é percorrida, como rios às vezes ocultos e sempre caudalosos, por três realidades que ora se encontram, ora revelam as suas diferenças complementares, sem jamais se confundirem totalmente: a antiga e rica sensibilidade dos povos indígenas que amaram Juan de Zumárraga e Vasco de Quiroga, aos quais muitos desses povos continuam a chamar pais; o cristianismo arraigado na alma dos mexicanos; e a moderna racionalidade, de perfil europeu, que tanto quis enaltecer a independência e a liberdade» (João Paulo II, Discurso na cerimônia de chegada ao México, 22 de Janeiro de 1999).
E nesta história, nunca se mostrou infecundo o regaço materno que tem gerado continuamente o México, embora às vezes se parecesse com aquela rede quase a romper-se que continha cento e cinquenta e três peixes (Jo 21, 11), mas as fracturas ameaçadoras sempre se recompuseram.
Por isso, convido-vos a começar de novo desta necessidade de um regaço que emana da alma do vosso povo. O regaço da fé cristã é capaz de reconciliar o passado marcado muitas vezes por solidão, isolamento e marginalização, com o futuro continuamente relegado para um amanhã que escapa. Apenas naquele regaço é possível, sem renunciar à própria identidade, «descobrir a verdade profunda da nova humanidade, em que todos são chamados a ser filhos de Deus» (João Paulo II, Homilia na canonização de São Juan Diego, 31 de Julho de 2002).
Inclinai-vos, com delicadeza e respeito, sobre a alma profunda do vosso povo, debruçai-vos com atenção e decifrai o seu rosto misterioso. Porventura o presente, muitas vezes dissolvido em dispersões e festas, não é prenúncio de Deus que é o único e pleno presente? Porventura a familiaridade com a dor e a morte não são formas de coragem e caminhos rumo à esperança? Porventura a percepção de que o mundo esteja necessitado sempre e somente de redenção não será um antídoto à auto-suficiência arrogante de quantos julgam possível poder prescindir de Deus?
Naturalmente, para tudo isto é necessário um olhar capaz de refletir a ternura de Deus. Por isso, sede bispos de olhar límpido, alma transparente, rosto luminoso; não tenhais medo da transparência; a Igreja não precisa da obscuridade para trabalhar. Vigiai para que os vossos olhares não se cubram com as penumbras da névoa do mundanismo; não vos deixeis corromper pelo vulgar materialismo nem pelas ilusões sedutoras dos acordos feitos por baixo da mesa; não ponhais a vossa confiança nos «carros e cavalos» dos faraós de hoje, porque a nossa força é a «coluna de fogo» que irrompe separando em duas as águas do mar, sem fazer grande rumor (Ex 14, 24-25).
O mundo, onde o Senhor nos chama a exercer a nossa missão, tornou-se muito complexo. À prepotente ideia do «cogito», que pelo menos não negava que houvesse uma rocha acima da areia do ser, sobrepôs-se hoje uma concepção da vida – no dizer de muitos – mais vacilante, vaga e caótica do que nunca, porque carece de um substrato sólido. As fronteiras, tão intensamente exigidas e sustentadas, tornaram-se permeáveis à novidade dum mundo em que a força de alguns já não pode sobreviver sem a vulnerabilidade dos outros. A hibridação irreversível da tecnologia aproxima o que está afastado, mas, infelizmente, torna distante o que deveria estar perto.
E, precisamente neste mundo, Deus pede-vos para ter um olhar capaz de interceptar a pergunta que grita no coração do vosso povo, o único que, no próprio calendário, possui uma «festa do grito». Àquele grito, é preciso responder que Deus existe e, graças a Jesus, está perto; responder que só Deus é a realidade sobre a qual se pode construir, porque «Deus é a realidade fundante, não um Deus apenas pensado ou hipotético, mas o Deus com um rosto humano» (Bento XVI, Discurso inaugural da V Conferência Geral do CELAM, 13 de Maio de 2007).
Nos vossos olhares, o povo mexicano tem o direito de encontrar os indícios de quem «viu o Senhor» (cf. Jo 20, 25), de quem esteve com Deus. Isto é o essencial. Assim, não percais tempo e energias nas coisas secundárias, nas críticas e intrigas, em projetos vãos de carreira, em planos vazios de hegemonia, nos clubes estéreis de interesses ou compadrios. Não vos deixeis paralisar pelas murmurações e maledicências. Introduzi os vossos sacerdotes nesta compreensão do ministério sagrado. A nós, ministros de Deus, basta a graça de «beber o cálice do Senhor», o dom de guardar a parte da sua herança que nos foi confiada, apesar de sermos administradores inexperientes. Deixemos o Pai atribuir-nos o lugar que preparou para nós (Mt 20, 20-28). Poderemos nós ocupar-nos verdadeiramente doutras coisas que não sejam as do Pai? Fora das «coisas do Pai» (Lc 2, 48-49), perdemos a nossa identidade e, culpavelmente, tornamos vã a sua graça.
Se o nosso olhar não dá testemunho de ter visto Jesus, então as palavras que recordamos d’Ele não passam de figuras retóricas vazias. Talvez expressem a nostalgia daqueles que não podem esquecer o Senhor, mas, em todo o caso, são apenas o balbuciar de órfãos junto do sepulcro. No fim de contas, são palavras incapazes de impedir que o mundo fique abandonado e reduzido ao próprio poder desesperado.
Penso na necessidade de oferecer um regaço materno aos jovens. Que os vossos olhares sejam capazes de se cruzar com o deles, de os amar e individuar o que eles buscam com aquela força com que muitos como eles deixaram barcos e redes na praia do mar (Mc 1, 17-18), abandonaram bancas de extorsão para seguir o Senhor da verdadeira riqueza (Mt 9, 9).
Em particular preocupam-me tantos jovens que, seduzidos pelo poder vazio do mundo, exaltam as quimeras e revestem-se dos seus símbolos macabros para comercializar a morte em troca de moedas que, no fim, a ferrugem corrói e os ladrões arrombam os muros para as roubar (Mt 6, 19). Peço-vos que não subestimeis o desafio ético e anticívico que o narcotráfico representa para a sociedade mexicana inteira, incluindo a Igreja.
A amplitude do fenômeno, a complexidade das suas causas, a imensidade da sua extensão como metástase devoradora, a gravidade da violência que desagrega e suas conexões transtornadas não consentem que nós, pastores da Igreja, nos refugiemos em condenações genéricas, mas exigem uma coragem profética e um projeto pastoral sério e qualificado para contribuir, gradualmente, a tecer aquela delicada rede humana, sem a qual todos estaríamos, desde o início, derrotados por tal ameaça insidiosa. Só começando das famílias; aproximando-nos e abraçando a periferia humana e existencial das áreas desoladas das nossas cidades; envolvendo as comunidades paroquiais, as escolas, as instituições comunitárias, a comunidade política, as estruturas de segurança; só assim será possível libertar-se totalmente das águas onde, infelizmente, se afogam tantas vidas, seja a de quem morre como vítima, seja a de quem diante de Deus terá as mãos sempre manchadas de sangue, mesmo que tenha os bolsos cheios de dinheiro sórdido e a consciência anestesiada. Um olhar capaz de tecer No manto da alma mexicana, Deus teceu, com o fio dos traços mestiços do seu povo, o rosto da sua manifestação na «Morenita». Deus não precisa de cores perecíveis para desenhar o seu rosto. Os desenhos de Deus não são condicionados pelas cores e os fios, mas determinados pela irreversibilidade do seu amor que quer tenazmente imprimir-se em nós.
Por isso, sede bispos capazes de imitar esta liberdade de Deus, escolhendo o que é humilde para manifestar a majestade do seu rosto e copiar esta paciência divina ao tecer, com o fio subtil da humanidade que encontrais, aquele homem novo que o vosso país espera. Não vos deixeis levar pela vã pretensão de mudar o povo, como se o amor de Deus não tivesse força suficiente para o mudar.
Redescobri, depois, a constância sábia e humilde com que os Pais da fé desta Pátria souberam introduzir as gerações sucessivas na semântica do mistério divino. Primeiro aprendendo e, em seguida, ensinando a gramática necessária para dialogar com Deus, escondido nos séculos da sua busca e tornado próximo na pessoa do seu Filho Jesus, que hoje muitos reconhecem, na sua imagem ensanguentada e humilhada, como figura do próprio destino. Imitai a sua condescendência e capacidade de abaixar-Se; nunca compreenderemos suficientemente o facto de Deus ter tecido, com os fios mestiços do nosso povo, o rosto com que Se deu a conhecer! Nunca Lhe agradeceremos bastante...
Peço-vos um olhar de singular delicadeza para os povos indígenas e as suas fascinantes e não raro massacradas culturas. O México tem necessidade das suas raízes ameríndias, para não ficar um enigma sem solução. Os indígenas do México esperam ainda que se lhes reconheça, efectivamente, a riqueza da sua contribuição e a fecundidade da sua presença para herdar aquela identidade que vos torna uma nação única, e não apenas uma entre outras.
Muitas vezes se falou do presunto destino por cumprir desta nação, do «labirinto da solidão» em que estaria prisioneira, da geografia como destino que a enreda. Segundo alguns, tudo isto seria obstáculo para o desenho dum rosto unitário, duma identidade adulta, duma posição singular no concerto das nações e duma missão compartilhada.
Segundo outros, a própria Igreja no México estaria condenada a escolher entre sofrer a inferioridade para onde foi relegada nalguns períodos da sua história, como quando a sua voz foi silenciada e procurou-se suprimir a sua presença, ou aventurar-se nos fundamentalismos para recuperar certezas provisórias, esquecendo-se que tem inscrita no coração a sede do Absoluto e está chamada, em Cristo, a congregar todos e não apenas uma parte (cf. Lumen gentium 1, 1).
Em vez disso, não vos canseis de lembrar ao vosso povo como são fortes as raízes antigas que permitiram a viva síntese cristã de comunhão humana, cultural e espiritual que aqui se forjou. Recordai que as asas do vosso povo já planaram várias vezes por cima de não poucas vicissitudes. Guardai a memória do longo caminho percorrido até agora e sabei suscitar a esperança de novas metas, porque o amanhã será uma terra «rica de frutos» embora nos coloque desafios não indiferentes (Nm 13, 27-28).
Que os vossos olhares, fixos sempre e apenas em Cristo, sejam capazes de contribuir para a unidade do vosso povo; favorecer a reconciliação das suas diferenças e a integração das suas diversidades; promover a solução dos seus problemas endógenos; lembrar a medida alta que o México pode alcançar, se aprender a pertencer-se a si mesmo antes que aos outros; ajudar a encontrar soluções compartilhadas e sustentáveis para as suas misérias; motivar a nação inteira para não se contentar com menos de quanto se espera do modo mexicano de habitar o mundo. Um olhar atento e solidário, não adormecido Peço-vos para não cairdes na estagnação de dar velhas respostas às novas questões. O vosso passado é um poço de riquezas por escavar, que pode inspirar o presente e iluminar o futuro. Ai de vós se vos deixais adormentar sobre os louros! É preciso não desperdiçar a herança recebida, guardando-a com um trabalho constante. Estais sentados aos ombros de gigantes: bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos fiéis «até ao fim», que deram a vida para a Igreja poder cumprir a sua missão. Do alto de tal pódio, sois chamados a alongar o olhar sobre o campo do Senhor para programar a sementeira e esperar a colheita.
Convido-vos a trabalhar sem medo na tarefa de evangelizar e aprofundar a fé, por meio duma catequese mistagógica que saiba valorizar a religiosidade popular da vossa gente. O nosso tempo exige atenção pastoral às pessoas e grupos que esperam poder encontrar-se com Cristo vivo. Só uma corajosa conversão pastoral das nossas comunidades pode procurar, gerar e nutrir os atuais discípulos de Jesus (cf. Documento de Aparecida, 226; 368; 370).
Por isso nós, pastores, precisamos de vencer a tentação da distância e do clericalismo, da frieza e da indiferença, do triunfalismo e da auto-referencialidade. Guadalupe ensina-nos que Deus é familiar no seu rosto, que a proximidade e a condescendência podem fazer mais do que a força.
Como ensina a bela tradição guadalupana, a «Morenita» guarda os olhares daqueles que A contemplam, reflete o rosto daqueles que A encontram. É necessário aprender que há algo de irrepetível em cada pessoa que olha para nós à procura de Deus. Compete-nos a nós tornar-nos permeáveis a tais olhares: guardar em nós cada um deles, conservá-los no coração, protegê-los.
Só uma Igreja que saiba proteger o rosto dos homens que vêm bater à sua porta, será capaz de lhes falar de Deus. Se não decifrarmos os seus sofrimentos, se não nos dermos conta das suas necessidades, nada poderemos oferecer. A riqueza de que dispomos flui somente quando encontramos a pequenez daqueles que mendigam, encontro esse que se realiza, precisamente, no nosso coração de pastores.
Peço-vos que o primeiro rosto a guardar no vosso coração seja o dos vossos sacerdotes. Não os deixeis expostos à solidão e ao abandono, como presa do mundanismo que devora o coração. Estai atentos e aprendei a ler os seus olhares, para vos alegrardes com eles quando se sentem felizes contando tudo o que «fizeram e ensinaram» (Mc 6, 30), e para não os abandonardes quando se sentem um pouco desanimados, só conseguindo chorar porque «negaram o Senhor» (Lc 22, 61-62), e também para os apoiardes, em comunhão com Cristo, quando algum, abatido, sair com Judas «na noite» (Jo 13, 30). Nestas situações, nunca falte a vossa paternidade de bispos para com os vossos sacerdotes. Encorajai a comunhão entre eles; fazei com que possam aperfeiçoar os seus dons; inseri-os nas grandes causas, porque o coração do apóstolo não foi feito para coisas pequenas.
A necessidade de familiaridade habita no coração de Deus. Assim Nossa Senhora de Guadalupe pede apenas uma «casita sagrada». Os nossos povos latino-americanos apreciam os diminutivos na linguagem e usam-nos de bom grado. Talvez necessitem de diminutivos porque, doutra forma, sentir-se-iam perdidos. Adaptaram-se a sentir-se pequeninos e acostumaram-se a viver na modéstia.
A Igreja, mesmo quando se reúne numa majestosa catedral, não poderá deixar de considerar-se como uma «casita» onde os seus filhos se sintam à vontade. Diante de Deus, pode-se permanecer apenas se se é pequeno, se se é órfão, se se é mendicante.
«Casita» familiar e, ao mesmo tempo, «sagrada», porque a proximidade se enche da grandeza omnipotente. Somos guardiões deste mistério. Às vezes perdemos este sentido da medida divina humilde e cansamo-nos de oferecer ao nosso povo a «casita», onde possa sentir-se em intimidade com Deus. Pode acontecer também que, tendo descuidado um pouco o sentido da sua grandeza, se perdeu em parte o temor reverencial para com tal amor. Onde habita Deus, o homem não pode aceder sem ter sido admitido e sem antes «tirar as sandálias dos pés» (Ex 3, 5) confessando assim a própria insuficiência.
O facto de nos termos esquecido de «tirar as sandálias» para entrar não estará porventura na raiz da perda do sentido da sacralidade da vida humana, da pessoa, dos valores essenciais, da sabedoria acumulada ao longo dos séculos, do respeito pela natureza? Sem recuperar, na consciência dos homens e da sociedade, estas raízes profundas, incluindo o generoso empenho em prol dos legítimos direitos humanos, faltará a seiva vital que só pode vir dum manancial que a humanidade não poderá jamais dar-se por si mesma. Um olhar de conjunto e de unidade Só olhando a «Morenita» é que o México tem uma visão completa de si mesmo. Por isso convido-vos a compreender que a missão que a Igreja vos confia exige este olhar que abrace a totalidade. E isto não se pode realizar isoladamente, mas só em comunhão.
A cintura da Guadalupana anuncia a sua fecundidade. É a Virgem que traz, no ventre, o Filho esperado pelos homens. É a Mãe que já tem em gestação a humanidade do novo mundo que nasce. É a Esposa que prefigura a maternidade fecunda da Igreja de Cristo. Vós tendes a missão de cingir a nação mexicana inteira com a fecundidade de Deus. Nenhum pedaço desta cintura pode ser desprezado.
O episcopado mexicano realizou passos notáveis nestes anos conciliares; aumentaram os seus membros; promoveu-se uma contínua e qualificada formação permanente; não faltou o ambiente fraterno; cresceu o espírito de colegialidade; as intervenções pastorais influíram sobre as vossas Igrejas e sobre a consciência nacional; as actividades pastorais compartilhadas revelaram-se frutuosas em áreas essenciais da missão eclesial como a família, as vocações, a presença social.
Ao mesmo tempo que nos alegramos com o caminho destes anos, peço-vos que não vos deixeis desanimar com as dificuldades nem poupeis qualquer esforço possível para promover, entre vós e nas vossas dioceses, o zelo missionário, especialmente a favor das partes mais necessitadas do único corpo da Igreja mexicana. Redescobrir que a Igreja é missão constitui um elemento fundamental para o seu futuro, porque só o entusiasmo, a admiração convicta dos evangelizadores tem a força de arrastar. Por isso, peço-vos que cuideis de maneira especial da formação e preparação dos leigos, superando toda a forma de clericalismo e envolvendo-os activamente na missão da Igreja, principalmente tornando presente, com o testemunho da própria vida, o Evangelho de Cristo no mundo.
Muito ajudaria a este povo mexicano um testemunho unificante da síntese cristã e uma visão compartilhada da identidade e destino dele. Neste sentido, será muito importante que a Pontifícia Universidade do México esteja cada vez mais presente no coração dos esforços eclesiais para garantir aquele olhar de universalidade sem o qual a razão, resignada com modelos parciais, renuncia à sua mais alta aspiração de buscar a verdade.
A missão é vasta, e levá-la por diante requer uma multiplicidade de caminhos. Exorto-vos, com a mais viva insistência, a conservar a comunhão e a unidade entre vós. A comunhão é a forma vital da Igreja, e a unidade dos seus pastores dá prova da sua veracidade. O México e a sua vasta e multiforme Igreja têm necessidade de bispos servidores e guardiães da unidade construída sobre a Palavra do Senhor, alimentada com o seu Corpo e guiada pelo seu Espírito que é o alento vital da Igreja.
Não há necessidade de «príncipes», mas duma comunidade de testemunhas do Senhor. Cristo é a sua única luz; é a fonte da água viva; da sua respiração, sai o Espírito que estende as velas da barca eclesial. Em Cristo glorificado, que os membros deste povo gostam de honrar como Rei, acendei juntos a luz, enchei-vos da sua presença que não Se extingue; respirai a plenos pulmões o ar bom do seu Espírito. Compete-vos semear Cristo no território, manter acesa a sua luz humilde que ilumina sem ofuscar, garantir que nas suas águas se sacie a sede do vosso povo; levantar as velas de modo que o sopro do Espírito as impulsione e não encalhe a barca da Igreja no México.
Lembrai-vos de que a Esposa sabe bem que o Pastor amado (Ct 1, 7) Se encontra apenas onde as pastagens são verdejantes e os ribeiros cristalinos. A Esposa desconfia dos companheiros do Esposo que, às vezes por descuido ou incapacidade, conduzem o rebanho para lugares áridos e cheios de pedregulhos. Ai de nós, pastores, companheiros do Supremo Pastor, se deixarmos vagar a sua Esposa, porque, na tenda por nós construída, não se encontra o Esposo.
Permiti-me uma última palavra para expressar o apreço do Papa por tudo o que tendes feito para enfrentar o desafio deste nosso tempo que são as migrações. Hoje, são milhões os filhos da Igreja que vivem na diáspora ou em trânsito peregrinando para o norte à procura de novas oportunidades. Muitos deles deixam para trás as suas raízes para se aventurar, mesmo na clandestinidade que envolve todo o tipo de riscos, em busca da «luz verde» que olham como a sua esperança. Muitas famílias se dividem; e nem sempre a integração na alegada «terra prometida» é tão fácil como se pensa.
Irmãos, que os vossos corações sejam capazes de os seguir e alcançar além das fronteiras. Reforçai a comunhão com os vossos irmãos do episcopado estadunidense, para que a presença materna da Igreja mantenha viva as raízes da sua fé, as razões da sua esperança e a força da sua caridade. Para não acontecer que, pendurando as suas cítaras, emudeçam as suas alegrias, esquecendo-se de Jerusalém e transformando-se em «exilados de si mesmos» (Salmo 136). Juntos, testemunhai que a Igreja é guardiã duma visão unitária do homem e não pode aceitar que seja reduzido a mero «recurso humano».
Não será vã a solicitude das vossas dioceses ao derramar o pouco bálsamo que possuem nos pés feridos de quantos atravessam os seus territórios e gastar em favor deles o dinheiro duramente arrecadado; no fim, o divino Samaritano enriquecerá a quem não passou indiferente por Ele quando estava caído na estrada (Lc 10, 25-37).
Queridos irmãos, o Papa tem a certeza de que o México e a sua Igreja chegarão a tempo ao encontro consigo mesmo, com a história, com Deus. Talvez alguma pedra no caminho atrase a marcha, e o cansaço da viagem exigirá alguma pausa, mas nunca será suficiente para vos fazer perder a meta. Na verdade, poderá chegar tarde quem tem uma Mãe à sua espera? Quem pode ouvir continuamente ressoar no próprio coração: «Não estou aqui Eu, que sou tua Mãe?»
Fonte RV
“Não tenhais medo da transparência” – Papa aos bispos mexicanos
Papa no encontro com os bispos do México - AP
13/02/2016 22:08
Catedral da Cidade do México. Foi ali, na “casita” pedida por Nossa Senhora de Guadalupe, ao é da colina de Tepeyac, que o Papa escolheu encontrar os numerosos bispos do México. Nessa “casita” “sagrada”, onde “se encontra o coração secreto de cada mexicano”, Francisco entrou – disse - com “passos delicados, como se deve fazer quando se entra na casa e na alma de um povo”. Para o Papa foi também o concretizar-se de um sonho que há muito acalentava: pousar o olhar sobre a “Virgem Morenita” e através dela alcançar o olhar do povo mexicano, falar aos bispos e, por intermédio deles, ao povo. E o Papa vai mais longe dizendo mesmo que queria ele próprio ser envolvido pelo olhar materno dessa “Virgem Morenita” que nos ensina que “a única força capaz de conquistar o coração dos homens é a ternura de Deus” . Mas terá a longa e dolorosa história do México levado, porventura, a esquecer esse terno regaço no qual “os homens, sempre órfãos e deserdados, buscam um abrigo, um lar”? – pergunta-se o Papa, recordando que não obstante as fracturas ameaçadores, “nunca se mostrou infecundo o regaço materno que tem gerado continuamente o México”. E é por esta razão que convidou os bispos a recomeçarem de novo dessa necessidade de um regaço que emana da alma do povo. O regaço da fé cristã, capaz de reconciliar o passado com o futuro. Só nesse regaço “é possível, sem renunciar à própria identidade “descobrir a verdade profunda da nova humanidade, em que todos são chamados a ser filhos de Deus” – disse o Papa, continuando: “Inclinai-vos, com delicadeza e respeito, sobre a alma profunda do vosso povo, debruçai-vos com atenção e decifrai o seu rosto misterioso” . E frisando que isto requer um olhar capaz de reflectir a ternura de Deus, o Papa, com firmeza, convidou-os a serem bispos de olhar límpido, de alma transparente, de rosto luminoso, a não terem medo da transparência, a não se deixarem cobrir pelas penumbras do mundanismo, da corrupção, do materialismo, dos acordos feitos por debaixo da mesa, a não porem a sua confiança nos carros e cavalos dos faraós, porque – disse - “a nossa força é a «coluna de fogo» que irrompe separando em duas as águas do mar, sem fazer grande rumor” .O Papa toma depois em consideração o mundo complexo de hoje em que - sublinhou - “a força de alguns já não pode sobreviver sem a vulnerabilidade dos outros”, convidando os bispos a responderem ao grito do povo com a certeza de que Deus existe e tem um “rosto humano”. E têm o direito de o ver no olhar dos seus bispos, os quais foram também convidados pelo Papa a não se perderem em coisas secundárias, críticas, intrigas (…), mas a se “ocuparem das coisas do Pai”, a introduzirem os seus sacerdotes “nessa compreensão do ministério sagrado”.O Papa chamou ainda a atenção dos bispos para os jovens, a quem se deve oferecer um regaço materno, especialmente àqueles “seduzidos pelo poder vazio do mundo”:
“Peço-vos que não subestimeis o desafio ético e anticívico que o narcotráfico representa para toda a sociedade mexicana, incluindo Igreja”. Perante esta grave questão, o Papa disse aos bispos que os pastores da Igreja não podem ficar pela simples condenação. É preciso uma pastoral séria que deve abranger, antes de mais, a família. Só assim será “possível libertar-se totalmente das águas em que se afogam tanto as vítimas como os carnífices.O Papa recomenda ainda aos bispos mexicanos a não terem a vã pretensão de mudar o povo, como “se o amor de Deus não tivesse a força suficiente para o mudar”, mas, com constância e humildade, a aprenderem primeiro, e depois a ensinarem a dialogar com Deus.Francisco pede também aos bispos um “olhar de singular delicadeza” em relação aos povos indígenas, dizendo que o México precisa das suas raízes ameríndias e que esses povos aguardam ainda o reconhecimento do sua contribuição à identidade da nação, raízes antigas que permitiram a viva síntese cristã, disse o Papa exprimindo o desejo de que os bispos, como o olhar fixo sempre e apenas em Cristo, sejam capazes de manter unido o povo.Pediu-lhes ainda novas respostas para novas questões, a não se deixarem adormecer sobre os louros, a vencerem a tentação da distância e do clericalismo, da frieza e da indiferença, do triunfalismo e da auto-referencialidade. “Guadalupe ensina-nos que Deus é familiar no seu rosto” - disse. E o primeiro rosto que o Papa pede aos bispos para olharem é o dos seus sacerdotes, a acompanhá-los paternalmente no seu trabalho, nos seus momentos de dificuldades. Mais ainda: “Só olhando para a “Morenita” é que o México poder ter uma visão completa de si mesmo”. Por isso o Papa convida a cingir a nação mexicana inteira com a fecundidade de Deus. E evocando os progressos feitos pelo episcopado mexicano nestes anos conciliares, o Papa estimula-os ao zelo missionário, a não desanimarem perante as dificuldades, a cuidarem da formação e preparação dos leigos, superando toda e qualquer forma de clericalismo. E exorta-os vivamente a conservar a comunhão e a unidade entre si: “O México e a sua vasta e multiforme Igreja têm necessidade de bispos servidores e guardiães da unidade construída sobre a Palavra do Senhor, alimentada com o seu Corpo e guiada pelo seu Espírito que é o alento vital da Igreja”. Por fim, o Papa agradece aos bispos mexicanos por tudo quanto têm feito para enfrentar o desafio das migrações, com todo o seu cortejo de dificuldades. E exprime o desejo de que sejam capazes de os seguir além fronteiras, de reforçar a comunhão com os bispos dos Estados Unidos para manter viva a fé e as razões de esperança dos migrantes.E o Papa conclui mostrando-se convicto de que “o México e a sua Igreja chegarão a tempo ao encontro consigo mesmo, com a história e com Deus”.(DA) Fonte RV
Papa ao Presidente: jovens são principal riqueza do México
Jovens nas ruas da Cidade do México - AFP
13/02/2016 17:30
Cidade do México (RV) – O primeiro discurso oficial de Francisco em terras mexicanas foi reservado ao Presidente do país, Enrique Peña Nieto, às autoridades e ao corpo diplomático, neste sábado (13/02).Depois da cerimônia de boas-vindas no Palácio Nacional, o Papa se reuniu a portas fechadas com o Presidente. Na sequência, no Pátio Central do Palácio presidencial, Enrique Peña Nieto fez o seu discurso, seguido das palavras do Pontífice.“É motivo de alegria poder pisar esta terra mexicana que ocupa um lugar especial no coração das Américas. Hoje venho como missionário de misericórdia e de paz, mas também como um filho que quer prestar homenagem à sua mãe, a Virgem de Guadalupe, e deixar-se olhar por Ela”, disse Francisco em seu discurso.“Procurando ser um bom filho que segue os passos da mãe – prosseguiu o Papa –, desejo prestar homenagem a este povo e a esta terra tão rica de cultura, história e diversidade. O México é um grande país.”Francisco ressaltou as riquezas naturais mexicanas, a sua localização geográfica, que faz do país uma encruzilhada das Américas, e as suas culturas indígenas, mestiças e crioulasJuventudeTodavia, acrescentou, a principal riqueza do México são os seus jovens. “Isto permite pensar e projetar um futuro, um amanhã. Isto dá esperança e abertura ao futuro. Um povo rico de juventude é um povo capaz de se renovar, de se transformar.”Para o Pontífice, esta realidade leva a refletir sobre a responsabilidade de cada um na construção do México. “A experiência demonstra-nos que quando se busca o caminho do privilégio ou do benefício para poucos em detrimento do bem de todos, mais cedo ou mais tarde, a vida em sociedade transforma-se num terreno fértil para a corrupção, o tráfico de drogas, a exclusão das culturas diferentes, a violência e até o tráfico humano, o sequestro e a morte, que causam sofrimento e travam o desenvolvimento.”Por isso, reforçou o Papa, aos responsáveis pela vida social, cultural e política compete de modo especial trabalhar para oferecer a todos os cidadãos a oportunidade de serem dignos protagonistas do seu destino, ajudando-os a ter acesso aos bens materiais e espirituais indispensáveis: moradia, trabalho, alimentação, justiça, segurança e meio ambiente saudável e pacífico.“Isto não é só uma questão de leis que requerem atualizações e melhorias, mas da formação urgente da responsabilidade pessoal de cada um.” Neste esforço, Francisco garantiu a colaboração da Igreja Católica.“Estou para percorrer este belo e grande país como missionário e peregrino, que deseja renovar convosco a experiência da misericórdia qual novo horizonte de possibilidades inevitavelmente portador de justiça e de paz. E coloco-me sob o olhar de Maria, a Virgem de Guadalupe”, finalizou o Pontífice.
Fonte RV
Papa às autoridades: construir uma política verdadeiramente humana
Papa Francisco com o Presidente mexicano Enrique Peña Nieto - REUTERS
13/02/2016 18:12
Prossegue na cidade do México a 12ª viagem apostólica do Papa Francisco. Esta manhã às 10, 15, horas locais, Francisco teve o encontro com as autoridades, a sociedade civil e o Corpo diplomático acreditado no país. No seu breve discurso, Francisco iniciou por agradecer o Presidente, pelas palavras de boas-vindas que lhe dirigiu, dizendo: “É motivo de alegria poder pisar esta terra mexicana que ocupa um lugar especial no coração das Américas. Hoje venho como missionário de misericórdia e de paz, mas também como um filho que quer prestar homenagem à sua mãe, a Virgem de Guadalupe, e deixar-se olhar por Ela”. Procurando ser um bom filho que segue os passos da mãe, prosseguiu Francisco, desejo, por minha vez, prestar homenagem a este povo e a esta terra tão rica de cultura, história e diversidade. Na sua pessoa, Senhor Presidente, desejo saudar e abraçar o povo mexicano nas suas múltiplas expressões e nas mais diversas situações em que vive. O México é um grande país, sublinhou Francisco, abençoado com riquezas naturais abundantes e uma enorme biodiversidade que se estende ao longo de todo o seu vasto território. A sua localização geográfica privilegiada faz dele uma encruzilhada das Américas; e as suas culturas indígenas, mestiças e crioulas dão-lhe uma identidade própria que possibilita uma riqueza cultural nem sempre fácil de encontrar e, especialmente, de valorizar E sobre os jovens, maior riqueza do México, Francisco reiterou: “Penso e ouso dizer que, hoje, a principal riqueza do México tem um rosto jovem; sim, são os seus jovens. Um pouco mais de metade da população é composta por jovens. Isto permite pensar e projectar um futuro, um amanhã. Isto dá esperança e abertura ao futuro. Um povo rico de juventude é um povo capaz de se renovar, de se transformar; é um convite a levantar o olhar com confiança para o futuro e, ao mesmo tempo, desafia-nos positivamente no presente”. E o Papa falou ainda da responsabilidade de todos na construção do País: “Esta realidade leva-nos, inevitavelmente, a reflectir sobre a responsabilidade de cada um na construção do México que desejamos, do México que pretendemos transmitir às gerações futuras; e leva-nos igualmente à certeza de que um futuro rico de esperança se forja num presente feito de homens e mulheres justos, honestos, capazes de comprometer-se com o bem comum, aquele «bem comum» que neste século XXI não é muito apreciado”. Em seguida Francisco sublinhou que o povo mexicano reforçou a sua experiência com uma identidade que foi forjada, em momentos árduos e difíceis da sua história, por grandes testemunhos de cidadãos que compreenderam que, para se poder superar as situações nascidas do fechamento do individualismo, era necessário o acordo das instituições políticas, sociais e de mercado, e de todos os homens e mulheres comprometidos na busca do bem comum e na promoção da dignidade da pessoa. “Uma cultura ancestral e um capital humano aberto à esperança, como o vosso – insistiu o Santo Padre - deve ser uma fonte de estímulo para encontrar novas formas de diálogo, de negociação, de pontes capazes de nos guiar ao longo do percurso dum empenho de solidariedade; um empenho no qual todos, a começar por aqueles que se definem cristãos, nos dediquemos à construção de «uma política verdadeiramente humana» e de uma sociedade onde ninguém se sinta vítima da cultura do descarte”. Finalmente, aos responsáveis pela vida social, cultural e política disse o Papa que compete de modo especial a eles trabalhar para oferecer a todos os cidadãos a oportunidade de serem dignos protagonistas do seu destino na família e em todos os âmbitos onde se desenvolve a socialidade humana, ajudando-os a ter acesso efectivo aos bens materiais e espirituais indispensáveis: moradia adequada, trabalho digno, alimentação, justiça real, uma segurança eficaz, um ambiente são e pacífico. Isto não é só uma questão de leis que requerem actualizações e melhorias, mas da formação urgente da responsabilidade pessoal de cada um no pleno respeito pelo outro como co-responsável na causa comum de promover o desenvolvimento da nação – é um dever que envolve todo o povo mexicano nas suas várias instâncias: públicas e privadas, colectivas e individuais.
E neste esforço, assegurou Francisco, o Governo mexicano pode contar com a colaboração da Igreja católica, que sempre acompanhou a vida da nação e renova o seu compromisso e vontade de serviço à grande causa do homem: a edificação da civilização do amor. E o Papa concluiu colocando a sua missão ao México sob a protecção da Virgem de Guadalupe para que, por sua intercessão, “estes dias e o futuro desta terra sejam uma oportunidade de encontro, comunhão e paz”. (FL)
Fonte RV
DURANTE O VOO DE HAVANA PARA A CIDADE DO MÉXICO
Papa: com Kirill encontro entre irmãos. Declaração conjunta é pastoral
Papa Francisco com os jornalistas durante o voo Cuba-México - AFP
13/02/2016 12:16
Durante o voo entre Havana e a Cidade do México, nesta sexta-feira (12/02), Francisco comentou com os jornalistas a bordo do voo papal as suas impressões sobre a assinatura da declaração conjunta com o Patriarca Kirill: “Haverá tantas interpretações, tantas”, advertiu o Pontífice.Em primeiro lugar, Francisco quis agradecer ao Presidente cubano Raúl Castro por ter se disponibilizado a hospedar o encontro histórico e facilitar a assinatura da declaração conjunta. A seguir, o Pontífice esclareceu que se tratava de um encontro “entre dois bispos”. “Foi uma conversa entre irmãos: pontos claros que a ambos preocupam. Falámos com toda a franqueza. Eu me senti diante de um irmão, e ele também me disse o mesmo. Dois bispos que falam sobre a situação de suas Igrejas, primeiro. Segundo, sobre a situação do mundo, das guerras, guerras que agora se corre o risco de não ser mais ‘em partes’, mas que pode envolver tudo, não?”, advertiu Francisco.A seguir, o Papa destacou o clima de alegria que marcou os colóquios.“Digo-vos, verdadeiramente, sentia uma alegria interior que era propriamente do Senhor. Ele falava liberalmente e se sentia essa alegria”, frisou o Pontífice.Mudando o tom de voz e afirmando que a unidade dos cristãos se faz caminhando, não com tratados teológicos, o Papa ponderou: “Haverá tantas interpretações, tantas. Não é uma declaração política ou sociológica, é uma declaração pastoral. Até quando se fala do secularismo e de coisas claras, de manipulação biogenética, todas essas coisas. É pastoral: de dois bispos que se encontram com preocupações pastorais. Estou contente”. (BS/RB)Fonte RV