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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Papa Francisco consede coletiva no voo de volta a Roma

Coletiva do Papa aos jornalistas durante o voo: a íntegra das perguntas e repostas


Papa durante a coletiva de imprensa - OSS_ROM

18/02/2016 18:01

Cidade do Vaticano (RV)

– Logo após decolar de Ciudad Juárez, nesta quarta-feira (17/02), o Papa manteve a tradicional coletiva de imprensa com os jornalistas a bordo do avião papal.
Francisco respondeu aos questionamentos que foram desde os “desaparecidos” mexicanos, passando pelos casos de pedofilia – ponto em que recordou a coragem de Bento XVI –, sobre o aborto em caso de contágio por Zika vírus, a Declaração comum com o Patriarca russo, além de abordar a questão da comunhão aos divorciados recasados, falar sobre as suas próximas viagens e confidenciar o que lhe levou a aceitar um prêmio pela primeira vez.
O Pontífice ainda respondeu a perguntas sobre a votação no Parlamento italiano da lei sobre as uniões civis entre pessoas do mesmo sexo; disse que proibiu na Argentina os "casamentos em apuros" e promoveu uma reflexão aos jornalistas sobre como uma notícia deve ser dada e interpretada. Falando sobre as correspondências entre João Paulo II e a filósofa polonesa, Francisco disse gosta sempre de ouvir o parecer das mulheres.
 
Abaixo, a íntegra da entrevista, em tradução livre e com grifos da redação:
***
Padre Lombardi: Santo Padre, obrigado por estar aqui, como ao final de cada viagem, para a conversa sintética, um grande apanhado sobre a viagem, e por sua disponibilidade em responder a tantas perguntas da  nossa comunidade internacional. Pedimos, como sempre, aos diversos grupos linguísticos que se organizassem e apresentassem algumas perguntas. Começamos com os colegas mexicanos, naturalmente. Portanto, pedimos que responda em espanhol às duas primeiras perguntas e, a seguir, em italiano, porque muitos colegas entendem melhor.
 
(Maria Eugenia Jimenez – “Milenio”)
Santo Padre, no México existem milhares de desaparecidos, todavia o caso dos 43 de Ayotzinapa, é um caso emblemático. Gostaria de pedir-lhe porque não encontrou seus familiares e também uma mensagem para os familiares dos milhares de desaparecidos.
 
Papa Francisco: Se leres as mensagens, há referências continuas aos assassinatos, às mortes, à vida tomada por todas estas gangues do narcotráfico, dos traficantes de seres humanos. Ou seja, o problema é apresentado. Falei das chagas que o México está sofrendo, não? Houve tentativas de receber alguns. Eram tantos grupos, mesmo opostos entre eles, com lutas internas. Portanto, prefiro dizer que na Missa se veem todos, na Missa de Juárez, se preferirem, ou em qualquer outra. Todavia, teria tido esta disponibilidade. Era praticamente impossível receber todos os grupos, que, de um lado, eram opostos entre eles.
É uma situação difícil de entender, para mim claramente que sou estrangeiro, verdade? Mas creio que, também a sociedade mexicana seja vítima de tudo isso: dos crimes, deste fazer desaparecer as pessoas, de descartar as pessoas. Sobre isso eu falei. Sendo um discurso público, podes constatar ali. É uma dor muito grande que trago, porque este povo não merece um drama como este.
(Javier Solorzano – “Canal 11”)
Muito obrigado, Papa Francisco, muito obrigado. O tema da pedofilia, como sabe, tem raízes muito perigosas no México, muito dolorosas. O caso de padre Maciel deixou fortes sinais, sobretudo nestas vítimas. As vítimas continuam a sentir-se não protegidas da Igreja; muitos deles continuam a ser homens de fé, e alguns até mesmo seguiram o sacerdócio. Pergunto o que pensa deste tema, se em qualquer momento pensou em encontrar as vítimas e, em geral, esta ideia que aos sacerdotes, quando são descobertos por um caso desta natureza, sejam somente trocados de paróquia e nada mais. Como vê este tema? E muito obrigado.
 
Papa Francisco: Bem, começo da segunda. Um bispo que troca um sacerdote de paróquia quando se reconhece um caso de pedofilia, é um inconsciente, e o melhor que pode fazer é apresentar sua renúncia. Claro? Segundo, voltando ao caso Maciel. E aqui, me permito de prestar homenagem ao homem que lutou em momentos em que não tinha a força para se impor, até que não conseguiu se impor: Ratzinger. O cardeal Ratzinger – um aplauso para ele! É um homem que teve toda a documentação. Quando era Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, teve tudo em suas mãos, fez investigações, obteve, obteve, obteve... mas não pode guiar a execução. Porém, se vocês recordarem, dez dias antes de morrer, São João Paulo II – naquela Via-Sacra da Sexta-feira Santa – disse a toda a Igreja que era preciso limpar as “porcarias” da Igreja, as imundícies. E a Missa “Pro Eligendo Pontefice” – não é um bobo, sabia que era um candidato – não usou máscaras e disse exatamente a mesma coisa. Ou seja, foi o corajoso que ajudou tantos a abrir esta porta. Assim quero que vocês recordem dele porque, às vezes, nos esquecemos deste trabalho escondido, daqueles que prepararam a estrada para desvelar esta página. Terceiro, estamos trabalhando bastante. Com o cardeal secretário de Estado, estamos conversando, e também com o grupo dos novos cardeais conselheiros que, podem ouvir, decidiram nomear um terceiro secretário adjunto à Doutrina da Fé, para que se ocupe somente destes casos. A Congregação, de fato, não é suficiente com tudo aquilo que tem que se feito. Portanto, que saiba administrar isto. Além disso, foi constituída a Corte de Apelação, presidida por mons. Scicluna, que se esta ocupando dos casos em segunda instância, quando se recorrer. O primeiro recurso, de fato, é feito pela “feria quarta” da Doutrina da Fé – líamos – reúne-se na quarta-feira. Quando há o recurso, volta-se à primeira instância e isto não é justo. Então, o segundo recurso, perfeitamente legal, já com o advogado de defesa. Mas é preciso apurar porque temos tantos atrasos nos casos, porque aparecem casos. Quarto, sobre outra coisa sobre a qual se esta trabalhando muito bem é a Comissão para a tutela dos menores. Não é rigorosamente fechada aos casos de pedofilia, mas à tutela dos menores. Ali, me reuni com uma inteira manhã com seis dos integrantes – dois alemães, dois irlandeses e dois ingleses: homens e mulheres, abusados, vítimas, não, e me reuni conta tantas vítimas... onde foi? No Equador? (Em Filadélfia). Em Filadélfia, me desculpem! Em Filadélfia! Também lá, uma manhã, tive um encontro com as vítimas e sei que se está trabalhando. Mas eu agradeço a Deus que esta página tenha sido revelada, e é preciso continuar a revelá-la, e tomar consciência. E, por fim, quero dizer que é uma monstruosidade, porque um sacerdote é consagrado para levar uma criança a Deus e lá se “aproveita” dela como em um sacrifício diabólico, destruindo-a.
Bem, no que diz respeito a Maciel, voltando à Congregação, foi feito uma intervenção, e hoje a Congregação, o governo da Congregação, fez uma “semi-intevenção”. O Superior geral é eleito pelo Conselho, pelo Capítulo Geral, mas o Vigário é eleito pelo Papa. Dois conselheiros gerais são eleitos pelo Capítulo Geral e outros dois são eleitos pelo Papa, de modo tal que se ajude a controlar a história precedente.
 
Papa Francisco: Quem não entendeu, peça a um espanhol que lhe explique o que eu disse...
 
(Phil Pulella, “Reuters”)
Boa noite, Santidade. Hoje falou com muita eloquência dos problemas dos migrantes. Do outro lado da fronteira, todavia, existe uma campanha eleitoral muito acirrada. Um dos candidatos à Casa Branca, o republicano Donald Trump, em uma entrevista recentemente disse que o senhor é um homem político e inclusive disse que talvez o senhor seja também uma peça de xadrez, um instrumento do governo mexicano para a política de imigração... Ele declarou que, se eleito, quer construir 2,5 mil quilômetros de cercas ao longo da fronteira, quer deportar 11 milhões de imigrantes ilegais, separando assim famílias, etc. Então, queria perguntar, antes de tudo, o que pensa sobre estas acusações contra o senhor e se um católico estadunidense pode votar em uma pessoa assim.
 
Papa Francisco: Graças a Deus que disse que sou um político, porque Aristóteles define a pessoa humana como “animal politicus”: ao menos sou uma pessoa humana, eh? E que sou uma peça de xadrez, mas, talvez, não sei... deixo isso a seu juízo, a juízo das pessoas. E, depois, uma pessoa que pensa somente em levantar muros, seja onde seja,  e não a fazer pontes, não é cristã. Isso não está no Evangelho. Depois, aquilo que me dizias, o que aconselharia, votar ou não votar: não me envolvo. Somente digo: este homem não é cristão, se diz isto assim. É preciso ver se ele disse assim as coisas, não? E por isso dou o benefício da dúvida.
 
(Jean-Louis de la Vaissière, “France Presse”)
O encontro com o Patriarca russo Kirill e a assinatura da Declaração comum foi visto no mundo inteiro como um passo histórico. Mas agora, hoje já, na Ucrânia os greco-católicos sentem-se traídos e falam de um “documento político”, de apoio à política russa. Em campo, a guerra das palavras se acendeu novamente. Pensa de poder ir a Moscou? Foi convidado pelo Patriarca? Ou talvez de ir a Creta para saudar o Concilio pan-ortodoxo, na primavera?
Papa Francisco: Começo pelo final. Estarei presente, espiritualmente e com uma mensagem – gostaria de saudá-los pessoalmente no Concílio pan-ortodoxo: são irmãos; mas devo respeitar. Mas sei que eles querem convidar observadores católicos: e isto é uma bela ponte. Mas por trás dos observadores católicos estarei eu, rezando com os melhores augúrios que os ortodoxos sigam adiante, adiante porque são irmãos e os seus bispos são bispos como nós. Depois: Kirill. O meu irmão. Nos saudamos, nos abraçamos e tivemos um colóquio de uma hora…
 
Padre Lombardi: … duas horas!
 
Papa Francisco: … duas horas! – mais de uma hora… a velhice não vem sozinha, eh? Duas oras, nas quais falamos como irmãos, sinceramente e ninguém sabe sobre o que se falou, somente aquilo que dissemos ao final, publicamente, do que provamos no conversar. Terceiro: aquele artigo, aquelas declarações na Ucrânia. Quando eu o li, fiquei um pouco preocupado, porque era Svjatoslav Ševčuk que disse que o povo ucraniano, ou alguns ucranianos ou tantos ucranianos, sentiram-se profundamente desiludidos e traídos. Antes de tudo, conheço bem Svjatoslav: em Buenos Aires, por quatro anos, trabalhamos juntos.
Quando ele foi eleito – aos 42 anos, eh? Um homem bom! – foi eleito arcebispo maior, voltou a Buenos Aires para pegar suas coisa. Veio até mim e me deu de presente um ícone – pequeno assim – de Nossa Senhora da Ternura e me disse: “Esta me acompanhou por toda a vida: quero deixa-la a ti, que me acompanhou nestes quatro anos”. É uma das poucas coisas que fiz trazer de Buenos Aires e que está na minha escrivaninha.
Ou seja, é um homem pelo qual tenho respeito e familiaridade, nos tratamos de “você”, e assim... Segundo: por isso me pareceu um pouco estranho. E recordei uma coisa que disse aqui, a vocês: para entender uma notícia, uma declaração, é preciso procurar a hermenêutica de tudo. Mas, quando disseste isso? Em uma declaração de 14 de fevereiro passado, domingo: domingo passado.
Uma entrevista que fez, selecionada pelo padre… não recordo, um sacerdote ucraniano. Na Ucrânia, selecionada, e publicada. Aquela notícia, a entrevista é de uma página, duas e um pouco a mais: mais ou menos. Aquela notícia está no terceiro e último parágrafo, assim pequeno.
Eu li a entrevista, e direi isto: Ševčuk é a parte dogmática, se declara filho da Igreja, em comunhão com o Bispo de Roma, com a Igreja; fala do Papa, da proximidade do Papa, e dele, da sua fé, não?, e da fé também do povo ortodoxo: na parte dogmática, nenhuma dificuldade, é ortodoxa no bom sentido da palavra, ou seja, Doutrina católica, não?
Depois, como em todas as entrevistas – esta, por exemplo – cada um tem o direito de dizer as suas coisas, e isto não o fez sobre o encontro, porque sobre o encontro, diz: “Mas, é uma coisa boa e devemos seguir em frente”. Neste segundo capítulo, as ideias pessoais que tem uma pessoas. Por exemplo, isto que eu disse sobre os bispos que transferem os padres pedófilos, o melhor que podem fazer é demitir-se, é uma coisa... não é dogmática, mas é aquilo que eu penso. E assim ele tem as suas ideias pessoas que são para dialogar, e tem o direito de haver.
Tudo aquilo que ele diz é sobre o documento: este é o problema. Sobre o encontro... “mas, este é o Senhor, o Espírito que segue adiante, o abraço...”: tudo vai bem. O Documento? É um documento discutível, e também há um acréscimo: que a Ucrânia vive um momento de guerra, de sofrimento, com tantas interpretações. Eu citei o povo ucraniano pedindo orações e proximidade tantas vezes, seja no Angelus como nas Audiências de quarta-feira. Mas o fato histórico de uma guerra vivida como... cada um tem sua ideia, como é esta guerra, quem a começou, como se faz, como não se faz... É evidente que este é um problema histórico mas também um problema pessoal, existencial daquela País e fala do sofrimento. E ali, eu insiro este parágrafo: se entende os fiéis, porque Svjatoslav diz: “Tantos fiéis me chamaram ou escreveram dizendo que estão profundamente desiludidos e traídos por Roma”: se entende que um povo naquela situação sinta isso, não: Mas, o Documento é discutível sobre esta questão da Ucrânia, mas lá se diz que se termine a guerra e que se caminhe a acordos; eu, pessoalmente, defendi que os Acordos de Minsk prossigam, e não se apague com o cotovelo aquilo que foi escrito com as mãos, eh? A Igreja de Roma, o Papa sempre disse: “Procurem a paz”.
Recebi ambos os presidentes – paridade, não? E por isso, quando ele diz que ouviu isso do seu povo, eu o entendo: o entendo. Mas não é “a” notícia. “A notícia” é tudo. Se vocês lerem toda a entrevista, verão que existem coisas dogmáticas sérias, que permanecem, há um desejo de unidade, de ir adiante, ecumênico, ele é um homem ecumênico... Existem algumas opiniões... Ele me escreveu, quando soube da viagem, do encontro, mas como um  irmão, dando as suas opiniões de irmão... Não me desagrada o Documento, assim; não me desagrada no sentido que devemos respeitar as coisas que cada um tem a liberdade de pensar e naquela situação tão difícil. E de Roma... agora o núncio está na fronteira onde se combate, ajudando os soldados, os feridos; a Igreja de Roma enviou tantas ajudas, tantas ajudas lá; e sempre paz, acordos, se respeite o Acordo de Minsk... e assim. Este é o todo. Mas, não se assustem com aquela frase: esta é uma lição, que uma notícia deve ser interpretada com a hermenêutica do todo, não da parte.
 
(Jean-Louis de la Vaissière)
O Patriarca Kirill lhe convidou a ir a Moscou ?
 
Papa Francisco: O Patriarca Kirill… eu preferiria… porque se digo uma coisa devo dizer uma outra e outra e outra: preferiria que aquilo sobre o que falamos nós, sozinhos, seja somente aquilo que dissemos em público. Este é um dado. E se digo isto, deverei dizer mais... não! Aquilo que eu disse em público, aquilo que ele disse em público, isto é aquilo que se pode dizer do colóquio privado. Do contrário, não seria privado. Mas posso dizer: saí feliz. E ele também.
 
(Carlo Marroni, “Il Sole 24 Ore”)
Santo Padre, a minha pergunta é sobre a família, tema que o senhor afrontou nesta viagem. No Parlamento italiano está em discussão a lei sobre as uniões civis, tema que tem levado a fortes embates políticos, mas também a um forte debate na sociedade e entre os católicos. Neste particular, gostaria de saber o seu pensamento sobre o tema da adoção da parte das uniões civis, e portanto, sobre os direitos das crianças e dos filhos em geral... Obrigado.
 
Papa Francisco: Antes de tudo, não sei como estão as coisas no Parlamento italiano... O Papa não se envolve na política italiana. Na primeira reunião que tive com os bispos, em maio de 2013, uma das três coisas que disse: “Com o governo italiano, se virem vocês”. Porque o Papa é para todos, e não pode se meter na política concreta, interna de um país: este é o papel do Papa, não? E aquilo que penso é aquilo que pensa a Igreja e disse em tantas... porque este não é o primeiro país que faz esta experiência: são tantos. Eu penso aquilo que a Igreja sempre disse sobre...
 
(Paloma Garcia Ovejero, “Cope”)
Santo Padre, há algumas semanas há muita preocupação em muitos países latino-americanos, mas também na Europa, sobre o vírus “Zika”. O risco maior seria para as mulheres grávidas: há angustia. Algumas autoridades propuseram o aborto, ou de se evitar a gravidez. Neste caso, a Igreja pode levar em consideração o conceito de “entre os males, o menor”?
 
Papa Francisco: O aborto não é um “mal menor”. É um crime. É descartar um para salvar o outro. É aquilo que a máfia faz, eh? É um crime. É um mal absoluto. Sobre “mal menor”: mas, evitar a gravidez é – falemos em termos de conflito entre o quinto e o sexto Mandamento. Paulo VI, o Grande!, em uma situação difícil, na África, permitiu às religiosas de usar anticoncepcionais par aos casos de violência. Não confundir o mal de evitar a gravidez, sozinho, com o aborto. O aborto não é um problema teológico: é um problema humano, é um problema médico. Mata-se uma pessoa para salvar uma outra – nos melhores dos casos. Ou por conforto, não? Vai contra o Juramento de Hipócrates que os médicos devem fazer. É um mal em si mesmo, mas não é um mal religioso, ao início: não, é um mal humano. Além disso, evidentemente, já que é um mal humano – como todos assassinatos – é condenado. Ao invés, evitar a gravidez não é um mal absoluto: e, em certos casos, como neste, como naquele que mencionei do Beato Paulo VI, era claro. Ainda, eu exortaria os médicos para que façam tudo para encontrar as vacinas contra estes dois mosquitos que trazem este mal: sobre isto se deve trabalhar. Obrigado.
 
(Ludwig Ring-Eifel, “Kna”)
Santidade, dentro de poucas semanas, o senhor vai receber o Prêmio Carlos Magno, um dos prêmios mais prestigiosos da Comunidade Europeia. Também o seu predecessor, São João Paulo II, recebeu este prêmio: fazia questão. E fazia questão também de promover a unidade europeia, que agora parece um pouco aos pedaços, primeiro com a crise do euro e agora com a crise dos refugiados: o senhor tem talvez uma palavra para nós, nesta situação de crise europeia?
 
Papa Francisco: Primeiro, sobre o Prêmio Carlos Magno. Eu tinha o hábito de não aceitar honorificências ou doutorados, desde sempre: não por humildade, mas porque não gosto destas coisa. Um pouco de loucura é bom ter, e não gosto. Mas neste caso, não digo “forçado”, mas “convencido” com a santa e teológica teimosia do cardeal Kasper, que foi eleito por Aachen (Alemanha) para me convencer. E eu disse: “Sim, mas no Vaticano”. E... disse isso; e ofereço o prêmio para a Europa: que seja uma condecoração, um prêmio para que a Europa possa fazer aquilo que eu desejei em Estrasburgo: mais fácil que não seja a “avó-Europa”, mas a “mãe-Europa”. Segundo. Outro dia, lendo as notícias sobre esta crise e isto: eu leio pouco, folheio somente um jornal – não digo o nome para não provocar ciumeiras, mas sabe-se... leio quinze minutos e depois peço informações à Secretaria de Estado.
Uma palavra que me agradou, e me agradou – não sei quem a aprova, quem não – “a refundação da União Europeia”. E pensei aos grandes pais, eh? Mas, hoje, onde há um Schuman, um Adenauer? E estes frande, que no pós-guerra “fundaram” a União Europeia… E eu gosto, esta ideia da refundação: oxalá se se pudesse fazer! Porque a Europa, não diria que é “única”, mas tem uma força, uma cultura, uma história que não pode ser desperdiçada, e devemos fazer tudo para que a União Europeia tenha a força e também a inspiração de fazer ir adiante. Não sei: é isso que eu penso.
 
(Anne Thompson, “Nbc News”)
Santo Padre, o senhor falou muito de família e do Ano da Misericórdia, nesta viagem. Alguns se perguntam, como uma Igreja que se diz “misericordiosa” pode perdoar mais facilmente um assassino do que quem se divorcia e casa novamente...?
 
Papa Francisco: Mas, gostei da pergunta! Sobre a família, falaram dois Sínodos e o Papa falou durante todo o ano na catequese das quartas-feiras. E a pergunta é verdadeira, me agrada, porque você a fez plasticamente bem, eh! No documento pós-sinodal que sairá – talvez antes da Páscoa – se retoma tudo aquilo que o Sínodo – em um dos capítulos, porque existem muitos –  fala sobre os conflitos ou sobre famílias feridas, e a pastoral das famílias feridas... É uma das preocupações. Assim como outra é a preparação ao matrimônio. Pense você, que para se tornar padre, são oito anos de estudo, de preparação, e depois, depois de um certo tempo, não consegue mais, pede a dispensa e vai embora e está tudo certo. Pelo contrário, para receber um Sacramento que é para toda a vida, três quatro palestras... A preparação ao matrimônio é muito importante: é muito, muito importante, porque acredito que seja uma coisa que a Igreja, na pastoral comum – ao menos no meu país, na América do Sul -  não valorizou muito. Por exemplo – agora não tanto, mas há alguns anos – na minha Pátria, havia o costume de... se chamava “casamento em apuros”: casar rapidamente, porque vem um filho. E para cobrir socialmente a honra da família.... Ali, não eram livres, e tantas vezes estes matrimônios são nulos. E eu, como bispo, proibi os sacerdotes de fazerem isto... Que nasça a criança, que continuem namorados, e quando sentem que é para toda a vida, que sigam em frente. Mas existe uma ausência do matrimônio. Depois, outro capítulo muito interessante: a educação dos filhos. As vítimas dos problemas da família são os filhos: os filhos. Mas também vítimas dos problemas da família que nem marido nem a mulher querem: por exemplo, a necessidade de trabalho. Quando o pai não tem tempo livre para falar com os filhos, quando a mãe não tem tempo livre para falar com os filhos.... Quando eu confesso um casal que tem filhos, um matrimônio, pergunto: “Quantos filhos vocês tem?”. E alguns se assustam dizendo: “Mas, o Padre me perguntará porque não tenho mais...”. E eu direi: “Farei para você uma segunda pergunta: você brinca com seus filhos?”, e a maioria – quase todos! -  dizem: “Mas, Padre, não tenho tempo: trabalho o dia todo”. E os filhos são vítimas de um problema social que fere a família. É um problema... gosto da sua pergunta. E uma terceira coisa interessante, no encontro com as famílias em Morelia – não: foi em Morelia?” Não... em Tuxtla, em Tuxtla – havia um casal de recasados em segunda-união, integrantes da pastoral da Igreja... E a palavra-chave que usou o Sínodo – e eu a peguei – é “integrar na vida da Igreja as famílias feridas, as famílias de recasados”, e tudo isto. Mas não esquecer as crianças no centro, eh! São as primeira vítimas, quer pelas feridas quer pelas condições de pobreza, de trabalho, de tudo isto.....
 
(Anne Thompson, “Nbc News”)
Significa que poderão comungar?
Papa Francisco: Esta é uma coisa....é a última. Integrar na Igreja não significa “comungar”, porque eu conheço católicos recasados que vão à igreja uma vez por ano, duas vezes: “Mas, eu quero comungar!”, como se a comunhão fosse uma honorificência, não? Um trabalho de integração... todas as portas estão abertas. Mas não se pode dizer, (...) “podem comungar”. Isto seria uma ferida também aos matrimônios, ao casal, porque não fará com que eles sigam por este caminho de integração. E estes dois eram felizes! E usaram uma expressão muito bonita: “Nós não fazemos a comunhão eucarística, mas fazemos comunhão na visita ao hospital, nisto e naquilo....”. A integração deles permaneceu ali. Se há alguma coisa a mais, o Senhor dirá a eles, mas.....é um caminho, é uma estrada....”.
 
(Antone-Marie Izoard, “Imedia”)
Santidade, boa noite. Permita-me antes, um pouco na brincadeira, de dizer o quanto nós vaticanistas somos um pouco reféns da agenda do Santo Padre, e não podemos brincar com nossos filhos.... Sábado tem a audiência jubilar, domingo tem o Angelus, e de segunda a sexta-feira se voa para trabalhar. Depois, um abraço ao Alberto que, com Padre Lombardi, me fez entrar na Rádio Vaticano, há 20 anos – estamos em família....
 
Papa Francisco: … ele foi muito bom …
 
(Antone-Marie Izoard)
Santidade: muitas mídias evocaram, de forma clamorosa, a “intensa correspondência” entre João Paulo II e a filósofa estadunidense Anna Tymieniecka, que nutria – diz-se – um grande afeto pelo Papa polonês. Na sua opinião, um Papa pode ter uma relação tão íntima com uma mulher? E depois, se me permite, o senhor tem alguma importante correspondência, conhece – ou conheceu – este tipo de experiência.....
 
Papa Francisco: “Isto eu sabia, esta relação de amizade entre São João Paulo II e esta filósofa, quando estava em Buenos Aires: uma coisa que se sabia, também os livros dela são conhecidos, e João Paulo II era um homem inquieto.... Depois, eu diria que um homem que não sabe ter uma boa relação de amizade com uma mulher – não falo dos misóginos, eles são doentes – falta a ele alguma coisa. E eu, por experiência própria, também quando peço um conselho, peço a um colaborador, a um amigo, um homem, mas também gosto de ouvir o parecer de uma mulher: e te dão tanta riqueza! Olham as coisas de um outro modo. Gosto de dizer que a mulher é aquela que constrói a vida no ventre e tem – mas esta é uma comparação que eu faço, não? – e tem este carisma de te dar coisas para construir. Uma amizade com uma mulher não é pecado: uma amizade. Uma relação amorosa com uma mulher que não seja tua mulher, é pecado. O Papa é um homem, o Papa tem necessidade também do pensamento das mulheres. E também o Papa tem um coração que pode ter uma amizade sadia, santa com uma mulher. Existem santos amigos – Francisco, Clara, Teresa, João da cruz....Não se assustem...Mas, as mulheres ainda são um pouco....não bem consideradas, não totalmente....não entendemos o bem que uma mulher pode fazer á vida do padre e da Igreja, no sentido de um conselho, da ajuda, de uma amizade saudável. Obrigado!”
 
(Franca Giansoldati, “Il Messaggero”)
Boa noite, santidade. Eu volto para o tema da lei que está para ser votada no Parlamento italiano: é uma lei que, no final das contas, diz respeito também a outros Estados, porque outros Estados têm leis que tratam da união entre pessoas do mesmo sexo. Existe um documento da Congregação da Fé, de 2003, que dedica um amplo espaço a isto e também dedica um capítulo ao comportamento que os parlamentares católicos devem ter diante desta lei, e se diz expressamente que os parlamentares católicos não devem votar esta lei. Visto que existe muita confusão sobre isto, gostaria de pedir ao senhor, antes de tudo, se este documento de 2003 ainda tem valor, e efetivamente qual o comportamento que um parlamentar católico deve ter? E depois, uma outra coisa: depois de Moscou, o Cairo: existe algum outro desgelo que se vislumbra no horizonte? Isto é, me refiro à audiência que o senhor deseja com o “Papa dos sunitas” – podemos chamá-lo assim -, com o Imame de al-Azhar?
 
Papa Francisco: Sobre isto, foi Dom Ayuso ao Cairo, na semana passada, para encontrar o segundo dos Imames e também saudar o Imame. Dom Ayuso, é Secretário do Cardeal Tauran, do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso. Eu quero encontrá-lo, sei que ele gostaria, e estamos buscando a melhor maneira: sempre através do Cardeal Tauran, porque este é o caminho, não? Mas, conseguiremos. Sobre o primeiro tema: eu não recordo bem este documento de 2003 da Congregação para a Doutrina da Fé. Mas um parlamentar católico deve votar segundo a própria consciência “bem formada”, porque não é a consciência aquilo que me pareça... eu me recordo quando foi votado o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo em Buenos Aires, que houve ali um empate, e no final alguém disse, aconselhou ao outro: “Mas, tens isto claro?” – “Não” – “Nem eu” – “Então vamos embora” – “Se sairmos, não alcançarão o quórum”. E o outro disse: “Mas se chegarmos ao quórum, damos o voto a Kirchner!”, e o outro: “Mas, prefiro dá-lo a Kirchner e não a Bergoglio!”..... e em frente... Esta não é uma consciência bem formada, eh! E em relação às pessoas do mesmo sexo, repito aquilo que disse na viagem do Rio de Janeiro e que está no catecismo da Igreja Católica”.
 
(Javier Martínez Brocal, “Rome Reports”)
Santo Padre, muito obrigado por esta viagem ao México: foi uma honra acompanhá-lo e ter visto o que vimos (em espanhol). Passo ao italiano: ainda não chegamos em Roma e já estamos pensando nas futuras viagens, em fazer as malas novamente. Santo Padre, quando irás à Argentina, onde esperam pelo senhor há tanto tempo, e, quando retornarás à América Latina ou irás à China... Depois, durante esta viagem, o senhor falou muitas vezes em “sonhar”: O que o senhor sonha?
E, sobretudo, qual é o seu pesadelo?
 
Papa Francisco: A China…. (riem) ir até lá: gostaria muito! Quero dizer uma coisa, uma coisa certa sobre o povo mexicano. É um povo de uma riqueza, de uma riqueza tão grande, é um povo que surpreende... Tem uma cultura, uma cultura milenar... Vocês sabem que hoje, no México, são faladas 65 línguas, contando os indígenas... 65! É um povo de uma grande fé, também sofreu perseguições religiosas, existem mártires – agora vou canonizar dois, ... dois ou três... É um povo ... não se pode explicar simplesmente porque a palavra “povo” não é uma categoria lógica, é uma categoria mítica. E o povo mexicano, não é possível explicá-lo, esta riqueza, esta história, esta alegria, esta capacidade de festa e estas tragédias das quais vocês perguntaram. Eu não posso dizer outra coisa, que esta unidade, também que este povo tenha conseguido não fracassar, não acabar com tantas guerras, e coisas que acontecem agora... Mas ali, em Ciudad Juárez, havia um pacto de 12 horas de paz para a minha visita, depois continuarão lutando entre eles, os traficantes... Mas um povo que tem ainda esta vitalidade, somente pode ser explicado por Guadalupe. E eu vos convido a estudar seriamente o “acontecimento Guadalupe”. Nossa Senhora está lá. Eu não encontro outra explicação. E seria bonito se vocês, como jornalistas, existem alguns bons livros que explicam, também explicam a pintura, como é, o que significa... E assim se poderá entender um pouco este povo tão grande, tão bonito”.
(Caroline Pigozzi do “Paris Match”)
Sim, Santo Padre, boa noite. Duas coisas. Gostaria de saber algo. Gostaria de saber o que o senhor pediu à Guadalupe, porque permaneceu muito tempo na igreja rezando para ela; depois, a segunda coisa, se o senhor sonha em italiano ou espanhol?
 
Papa Francisco: “Sim, eu diria que sonho em esperanto...... (risos). Não sei como responder isto, realmente. Algumas vezes sim, recordo, algum sonho em outra língua, mas sonhar em língua não, mas com figuras, sim; eh, a minha psicologia é assim. Com palavras sonho pouco, não?
E a primeira era?
 
(Caroline Pigozzi )
A primeira pergunta, Santidade, o Senhor esteve muito tempo rezando para Nossa Senhora...
Papa Francisco: “Pedi pelo mundo, pela paz…mas, tantas coisas…. A pobrezinha ficou com a cabeça assim.... Pedi perdão, pedi para que a Igreja cresça saudável, pedi pelo povo mexicano....também, uma coisa que pedi muito é que os padres sejam verdadeiros padres e as irmãs, verdadeiras irmãs e os bispos, verdadeiros bispos: como o Senhor nos quer. Isto pedi muito a ela, não? Mas depois, as coisas que um filho diz à Mãe são um pouco secretas.....Obrigado, Carolina...”
Fonte RV

terça-feira, 27 de maio de 2014

No avião, de retorno à Roma, Papa ressalta momentos marcantes da viagem à Terra Santa

No avião, Papa ressalta momentos marcantes da viagem à Terra Santa




Cidade do Vaticano (RV) – No avião que o trouxe de volta ao Vaticano, o Papa Francisco conversou - durante quase uma hora - com os jornalistas que o acompanharam na Terra Santa. Os temas tratados foram muitos: dos momentos mais marcantes da viagem ao celibato dos sacerdotes, passando por escândalos financeiros e a hipótese de uma renúncia a exemplo de Bento XVI. Confira alguns pontos:

Os gestos na Terra Santa e o encontro Peres e Abu Mazen
“Os gestos mais autênticos são os que não se pensam, mas os que acontecem. Algumas coisas, por exemplo, o convite aos dois presidentes à oração, isto estava sendo pensado, mas havia muitos problemas logísticos, muitos, porque é preciso levar em consideração o território onde se realiza, e não é fácil. Isso já se programava, uma reunião, mas no fim saiu o que espero que seja bom. Será um encontro de oração, não para fazer mediação.”

Relação com os ortodoxos
“Com Bartolomeu falamos de unidade, que se faz em caminho, jamais poderemos fazer a unidade num congresso de Teologia. Ele confirmou-me que Atenágoras realmente disse a Paulo VI: ‘vamos colocar todos os teólogos numa ilha e nós prosseguiremos juntos’. Devemos nos ajudar, por exemplo, com as igrejas, inclusive em Roma, onde muitos ortodoxos usam igrejas católicas. Falamos do concílio pan-ortodoxo, para que se faça algo sobre a data da Páscoa. É um pouco ridículo: ‘Quando ressuscita o seu Cristo? O meu na semana que vem. O meu, ao invés, ressuscitou na semana passada’. Com Bartolomeu falamos como irmãos, nos queremos bem, contamos as dificuldades do nosso governo. Falamos bastante da ecologia, de fazermos juntos um trabalho conjunto sobre este problema.”

Abusos contra menores
“Neste momento, há três bispos sob investigação e um deles, já condenado, tem a pena em estudo. Não há privilégios neste tema dos menores. Na Argentina, chamamos os privilegiados de ‘filhos de papai’. Pois bem, sobre este tema não haverá filhos de papai. É um problema muito grave. Um sacerdote que comete um abuso, trai o corpo do Senhor. O padre deve levar o menino ou a menina à santidade. E o menor confia nele. E ao invés de levá-lo à santidade, abusa. É gravíssimo. É como fazer uma missa negra! Ao invés de levá-lo à santidade, o leva a uma problema que terá por toda a vida. Na próxima semana, no dia 6 ou 7 de julho haverá uma missa com algumas pessoas abusadas, na Santa Marta, e depois haverá uma reunião, eu com eles. Sobre isto se deve prosseguir com tolerância zero.”

Celibato dos padres
“Há padres católicos casados, nos ritos orientais. O celibato não é um dogma de fé, é uma regra de vida, que eu aprecio muito e creio que seja um dom para a Igreja. Não sendo um dogma de fé, há sempre uma porta aberta.”

Eventual renúncia
“Eu farei o que o Senhor me dirá de fazer. Rezar, buscar a vontade de Deus. Bento XVI não tinha mais forças e, honestamente, é um homem de fé, humilde como é, tomou esta decisão. Setenta anos atrás os bispos eméritos não existiam. O que acontecerá com os Papas eméritos? Devemos olhar para Bento XVI como uma instituição, abriu uma porta, a dos Papas eméritos. A porta está aberta, se haverá outros ou não, somente Deus sabe. Eu creio que um Bispo de Roma, ao sentir que lhe faltam forças, deva fazer as mesmas perguntas que o Papa Bento fez.”

Outros temas
Francisco falou ainda da alegada investigação sobre um desvio de 15 milhões de euros dos fundos do Instituto para as Obras de Religião, em que estaria envolvido o antigo Secretário de Estado do Vaticano.

“A questão desses 15 milhões está ainda em estudo, não é claro o que aconteceu”, adiantou.

O Papa disse que quer “honestidade e transparência” na administração financeira do Vaticano e que a nova Secretaria para a Economia, dirigida pelo Cardeal Pell, vai “levar por diante as reformas que foram sugeridas” por várias comissões para evitar “escândalos e problemas”. Nesse sentido, recordou que cerca de 1,6 mil contas foram fechadas no IOR nos últimos tempos.

Francisco confirmou que, além da viagem à Coreia do Sul em agosto, voltará à Ásia em janeiro de 2015, para visitar o Sri Lanka e as regiões afetadas pelo tufão nas Filipinas. O Papa mostrou-se preocupado com a falta de liberdade religiosa neste continente, falando num número de “mártires” cristãos que supera os dos primeiros tempos da Igreja.

O Papa não quis comentar os resultados das eleições europeias, mas lembrou as críticas que deixou na exortação apostólica Evangelii Gaudium a um sistema econômico “desumano”, que “mata”.

Já sobre a beatificação de Pio XII, pontífice durante a II Guerra Mundial, Francisco disse ter sido informado de que ainda não há o milagre reconhecido para que a causa avance.

Fonte: Rádio Vaticano

sábado, 25 de abril de 2009

O RETORNO DAS MESAS DE COMUNHÃO

Voltam as mesas de comunhão



O novo Prefeito para a Congregação do Culto Divino defende ativamente a Comunhão na boca e a Missa Tridentina. Seu bom exemplo já produz imitadores.

Cardeal Cañizares celebrou uma Missa Tridentina na terça-feira

(kreuz.net, Toledo) Os fiéis devem receber a Sagrada Comunhão de joelhos e na boca, conforme esclareceu o Prefeito da Congregação para o Culto Divino, Cardeal Antonio Cañizares, durante a Missa de Quinta-Feira Santa em Toledo.

A esse respeito informou o sítio ‘The New Liturgical Movement’.

O Cardeal Cañizares ainda é o Administrador Apostólico de sua antiga arquidiocese.

O Príncipe da Igreja fez o que prometeu. Na Semana Santa ele reativou a mesa da comunhão na Catedral de Toledo.

Estabelecer sinais e entender a liturgia

Em uma recente entrevista para o jornal espanhol ‘ABC’, o Cardeal Cañizares esclareceu que ajoelhar-se significa demonstrar reverência por Deus.

O ajoelhar-se seria um sinal. O homem se prostra perante Aquele que o ama até o fim.

Não se trata de introduzir uma alteração apenas pelo gosto da alteração. É preciso buscar o sentido das formas religiosas e vencer o secularismo em nosso mundo.

No ano que vem a Congregação para o Culto Divino conduzirá uma ação em larga escala para a formação litúrgica.

Sem medo de contato com a Tradição

Ontem, terça-feira, o Cardeal Cañizares celebrou uma Missa Solene no Rito Antigo na Basílica de São João de Latrão, em Roma.

A Missa foi organizada pela congregação dos Franciscanos da Imaculada, que adota os dois ritos.

Outras catedrais espanholas introduzem a mesa da comunhão

Segundo informações do movimento leigo tradicionalista internacional “Una Voce”, recentemente, duas outras catedrais espanholas introduziram mesas de comunhão. Trata-se da catedral de Málaga no sul da Espanha e da catedral da diocese militar em Madrid.

Fonte: Kreuz.net
Quarta-feira, 22. April 2009 16:42
Tradução livre: T. M. Freixinho

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

ESCOLAS DE BERLIM SOFREM PRESSÃO PARA O RETORNO DAS AULAS DE RELIGIÃO

BERLIM: INICIATIVA PARA RETORNAR A AULA DE RELIGIÃO NAS ESCOLAS

Berlim, 24 set (RV)
- Teve início em Berlim, capital da Alemanha, a coleta de assinaturas para fazer retornar a aula de religião nas escolas da cidade. Até o dia 21 de janeiro de 2009 os promotores do referendo, destinado a cancelar a substituição da aula de religião com o ensino de “Ética”, deverão recolher 170 mil assinaturas. Todavia o referendo popular a ser convocado sucessivamente deverá obter o consenso de ao menos 610 mil eleitores.O ensino da religião nas escolas de Berlim fora abolido após a queda do regime nazista pelas autoridades soviéticas e sucessivamente ficou em vigor em ambos os setores da cidade dividida. Além de Berlim, somente no Brandeburgo e na cidade-estado de Brema vigora a completa laicidade nas escolas, onde a aula de religião só é permitida após o término das demais e somente com a solicitação das famílias. Muitas delas renunciam para não fazer pesar o já carregado horário escolar dos filhos.Agora uma iniciativa popular denominada "Pro Reli" decidiu recolher na capital as assinaturas para convocar um referendo. As Igrejas católica e protestante e as comunidades judaica e islâmica turca já deram o seu apoio à proposta.Ao invés, o sindicato dos professores é contrário ao retorno da aula de religião. A presidente Rose-Marie Seggelke explicou o motivo de sua oposição: se a aula de religião retornar às escolas, cada comunidade teria o direito de reivindicar um ensinamento separado. Ao mesmo tempo a liderança política da capital, formada pela coalizão entre o partido social-democrático e a Linke de Oskar Lafontaine, se diz confiante que a iniciativa da “Pro Reli”, irá falir.“Somos otimistas e estamos prontos a lutar”, declarou o líder social-democrata Michael Mueller, pertencente à comunidade protestante, segundo o qual “as Igrejas devem ter o seu lugar nas escolas, mas o ensino da região não pode ser obrigatório”.Mueller precisou que o ensino facultativo da religião é “importante também para a política de integração”, pois graças ao ensino da Ética é oferecido a todos os estudantes “um espaço no qual se compartilham valores comuns”. (SP)
Fonte: RV