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Uma Capela cheia de segredos !Você quer descobri-la conosco? Saiba, antes de tudo, que a Casa Mãe da Companhia das Filhas da Caridade era o antigo "Hotel de Châtillon". Este, foi concedido à Companhia, em 1813, por Napoleão Bonaparte, depois da tormenta da Revolução Francesa. Imediatamente, começa a construção da Capela.A 8 de agosto de 1813, realizou-se a bênção solene da Capela dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. Em 1830, aconteceram então as aparições. Aumentou o numero de vocações.Foi necessário transformar a Capela, que passa então por várias modificações. Em 1930, por ocasião do centenário das apariçes, uma nova reforma nos mostra a Capela tal como a vemos hoje.Agora, a você a oportunidade de visitá-la! http://www.chapellenotredamedelamedaillemiraculeuse.com
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Papa Francisco, 2015: duas ‘fotos’ especiais para recordar
Papa Francisco abrindo a Porta Santa em Bangui - ANSA
2015 com Francisco
Em 2015 muitos foram os encontros, celebrações, viagens, mensagens, homilias, discursos e atitudes que marcaram o pontificado do Papa Francisco: as viagens apostólicas ao Sri Lanka e às Filipinas, à Bolívia, ao Paraguai, ao Equador, a Cuba e aos Estados Unidos da América; a Encíclica “Laudato Si”; o Sínodo dos Bispos sobre a Família e tantos outros momentos excecionais e alguns que se tornaram em absolutamente normais, tais como, as Missas em Santa Marta de cujas homilias a RV dá notícia em primeira mão.
Neste último dia do ano recordamos duas fotos especiais do Papa Francisco em África: uma no Quénia, na sua visita a Kangemi, o bairro de lata de Nairobi; a outra foto na República Centro Africana na abertura da Porta Santa de Bangui no Jubileu da Misericórdia.
No bairro de lata no Quénia
Nairobi, 27 de Novembro – um início de manhã especial para o bairro de Kangemi, um dos 7 bairros de lata de Nairobi: grande entusiasmo entre os habitantes; presentes também muitas pessoas vindas de outros bairros da capital. O Papa Francisco foi à Igreja Paroquial de S. José Operário, animada por uma comunidade de jesuítas.
O Santo Padre ouviu os testemunhos de alguns dos habitantes do bairro e de uma religiosa que vive naquele lugar. Destaque para um filme que foi apresentado ao Papa onde se podem ver esgotos a céu aberto, barracas e estradas na lama, os pequenos negócios com que as pessoas vivem, e também as comunidades em oração e as crianças que jogam à bola.
Nas palavras que proferiu o Papa não poderia ter sido mais direto: “sinto-me em casa” – disse:
“Sinto-me em casa, partilhando este momento com irmãos e irmãs que têm um lugar preferencial na minha vida e nas minhas opções, não me envergonho de o dizer. Estou aqui porque quero que saibais que as vossas alegrias e esperanças, as vossas angústias e as vossas dores não me são indiferentes. Conheço as dificuldades que encontrais dia-a-dia! Como podemos não denunciar as injustiças?”
O Papa denunciou as injustiças e a marginalização promovida por “minorias que concentram o poder e a riqueza”, pediu trabalho para todos e declarou ainda “que todas as famílias tenham um teto digno, acesso à água potável, instalações sanitárias, energia segura para iluminar, cozinhar, que possam melhorar as suas casas, que todos os bairros tenham estradas, praças, escolas, hospitais”.
O Papa Francisco denunciou ainda a “apropriação de terras por parte de investidores privados sem rosto, que pretendem mesmo apoderar-se do pátio das escolas”. Ao mesmo tempo denunciou a criminalidade organizada que usa os mais jovens nas suas actividades ilícitas.
O Santo Padre recordou também que o mundo tem uma “grave dívida social” para com os pobres que não têm acesso à água potável, criticando quem acaba por lucrar com a exploração daquele que é um direito universal.
Mas o Papa quis colocar em realce um aspeto nem sempre reconhecido e que é a sabedoria dos bairros populares: uma sabedoria que provêm de uma “obstinada resistência daquilo que é autêntico”, e que uma frenética sociedade de consumo parece ter esquecido:
“Reconhecer estas manifestações de vida boa que crescem cada dia entre vós, não significa, de modo algum, ignorar a terrível injustiça da marginalização urbana. São as feridas provocadas pelas minorias que concentram o poder, a riqueza e perduram egoisticamente, enquanto a crescente maioria tem que refugiar-se em periferias abandonadas, poluídas e descartadas.”
O Papa Francisco fez um apelo especial a todos os cristãos, em particular aos pastores, a renovarem o ímpeto missionário e a tomarem iniciativas contra as tantas injustiças e a envolverem-se nos problemas dos cidadãos e a acompanhá-los nas suas lutas, a apoiarem os frutos do seu trabalho colectivo e a celebrarem com eles cada pequena ou grande vitória.
Jubileu na Catedral – a Porta Santa de Bangui
Neste momento de viragem de 2015 para 2016, recordamos um momento essencial para os próximos tempos da Igreja: o Ano Santo da Misericórdia que começou em África em Bangui. Dulce Araújo e Bernardo Suate recordam-nos esse momento com o trabalho que realizaram na tarde desse domingo dia 29 de novembro de 2015.
Na Catedral de Bangui, o Papa Francisco procedeu à abertura da Porta Santa, dando assim início ao Jubileu Extraordinário do Ano da Misericórdia na República Centro-Africana, Jubileu proclamado pelo Papa a 11 de abril deste ano. Na homilia da Missa, participada por sacerdotes, religiosos, seminaristas e milhare de fiéis da RCA, o Papa disse ante de tudo que Deus guiou os seus passos até esta terra, precisamente quando a Igreja universal se prepara para inaugurar o Ano Jubilar da Misericórdia. E na pessoa dos presentes Francisco saudou o pvo da RCA:
“Através de vós, quero saudar todos os centro-africanos, os doentes, as pessoas idosas, os feridos pela vida. Talvez alguns deles estejam desesperados e já não tenham força sequer para reagir, esperando apenas uma esmola, a esmola do pão, a esmola da justiça, a esmola dum gesto de atenção e bondade».
Em seguida o Papa convidou a todos a confiar na força e no poder de Deus que curam o homem, convidando-os a «passar à outra margem», como diz o moto da visita do Papa à RCA, uma travessia, reiterou o Papa, que não faremos sozinhos mas juntamente com Jesus. E Francisco sublinhou :
« Devemos estar cientes de que esta passagem para a outra margem só se pode fazer com Ele, libertando-nos das concepções de família e de sangue que dividem, para construir uma Igreja-Família de Deus, aberta a todos, que cuida dos mais necessitados. Isto pressupõe a proximidade aos nossos irmãos e irmãs, isto implica um espírito de comunhão. Não se trata primariamente duma questão de recursos financeiros; realmente basta compartilhar a vida do Povo de Deus, dando a razão da esperança que está em nós e sendo testemunhas da misericórdia infinita de Deus”.
Na verdade, depois de nós mesmos termos feito a experiência do perdão, devemos perdoar, pois uma das exigências essenciais da vocação à perfeição é o amor aos inimigos, um amor que nos protege contra a tentação da vingança e contra a espiral das retaliações sem fim, disse Francisco que também acrescentou:
“Consequentemente os agentes de evangelização devem ser, antes de mais nada, artesãos do perdão, especialistas da reconciliação, peritos da misericórdia. É assim que podemos ajudar os nossos irmãos e irmãs a «passar à outra margem», revelando-lhes o segredo da nossa força, da nossa esperança, e da nossa alegria que têm a sua fonte em Deus, porque estão fundadas na certeza de que Ele está connosco no barco”.
“A todos aqueles que usam injustamente as armas deste mundo, lanço um apelo: deponde esses instrumentos de morte; armai-vos, antes, com a justiça, o amor e a misericórdia, autênticas garantias de paz».
2016 será profundamente marcado pelo impulso pastoral que o Ano Santo da Misericórdia propõe e que começou, como acabamos de recordar, no passado mês de novembro no centro da África.
A nossa redação de língua portuguesa da Rádio Vaticano aqui estará durante o ano de 2016, todos os dias e em permanência, para lhe dar o essencial da informação sobre o Papa, a Santa Sé, a Igreja e os principais assuntos que marcam a atualidade internacional.
Para todos um Feliz Ano Novo de 2016! Fonte: R Vaticana
quarta-feira, 25 de novembro de 2015
PAPA FRANCISCO NA AFRICA
Papa às autoridades do Quénia: pobreza alimenta o terrorismo
Papa Francisco discursando para as autoridades do Quénia - REUTERS
O Papa Francisco já está no Quénia, na cidade de Nairobi, capital daquele país africano. Depois das cerimónias protocolares, o Santo Padre teve um encontro com as autoridades do país e com o corpo diplomático na State House do Quénia.
Nas palavras que proferiu o Santo Padre afirmou que a pobreza alimenta o terrorismo e pediu atenção para com os jovens e os pobres. Referiu-se também à defesa do ambiente e à promoção de modelos responsáveis de desenvolvimento económico.
No discurso que proferiu o Papa Francisco começou por agradecer a “calorosa recepção” nesta sua primeira visita à África. Agradeceu também “as amáveis palavras” do Presidente da República Uhru Kenyatta e afirmou que o Quénia é uma nação que procura construir “sobre as bases sólidas do respeito mútuo, do diálogo e da cooperação, uma sociedade multiétnica que seja verdadeiramente harmoniosa, justa e inclusiva.”
“A vossa é também uma nação de jovens” – continuou o Santo Padre que reafirmou a sua vontade de se encontrar com a juventude. Refreiu-se também às belezas naturais do Quénia e afirmo que a “grave crise do meio ambiente, que o mundo enfrenta, exige uma sensibilidade ainda maior pela relação entre os seres humanos e a natureza.” O Papa Francisco sublinhou a responsabilidade para com a natureza e o valor que isso tem na alma africana:
“Temos a responsabilidade de transmitir a beleza da natureza, na sua integridade, às gerações futuras e a obrigação de exercer uma justa administração dos dons que recebemos. Estes valores estão profundamente arraigados na alma africana. Num mundo que continua mais a explorar do que proteger a nossa casa comum, tais valores devem inspirar os esforços dos governantes para promover modelos responsáveis de desenvolvimento económico.”
Estas palavras do Santo Padre abriram caminho para uma citação da Encíclica “Laudato Si”:
“Com efeito, há uma ligação clara entre a protecção da natureza e a construção duma ordem social justa e equitativa. Não pode haver renovação da nossa relação com a natureza, sem uma renovação da própria humanidade (cf. Laudato si’, 118).
Trabalhar pela reconciliação e pela paz foi outro tema salientado pelo Papa Francisco no seu discurso declarando que a violência e o terrorismo alimentam-se do medo e da pobreza:
“A experiência demonstra que a violência, os conflitos e o terrorismo se alimentam com o medo, a desconfiança e o desespero que nascem da pobreza e da frustração. Em última análise, a luta contra estes inimigos da paz e da prosperidade deve ser conduzida por homens e mulheres que, destemidamente, acreditam e, honestamente, dão testemunho dos grandes valores espirituais e políticos que inspiraram o nascimento da nação.”
Na conclusão do seu discurso o Papa Francisco exortou os políticos quenianos a trabalharem pelo “bem comum” manifestando uma “autêntica preocupação com as necessidades dos pobres” e com as “aspirações dos jovens”, desenvolvendo uma “distribuição justa dos recursos naturais e humanos”.
E que “Deus abençoe o Quénia” – afirmou o Papa Francisco em kiswahili: Mungu abariki Kenya!
Fonte: R. Vaticano
PAPA FRANCISCO NA AFRICA
Papa em África: Quénia é a primeira etapa
Papa Francisco - AP
O Papa Francisco partiu na manhã desta quarta-feira dia 25 de novembro, por volta das 7h45, hora de Roma, para a 11ª Viagem Apostólica do seu pontificado. O Santo Padre chega ao continente africano para visitar o Quénia, o Uganda e a República Centro Africana. A primeira etapa é Nairobi a capital do Quénia:
País com cerca de 43 milhões de habitantes, 80% dos quais cristãos, o Quénia situa-se na África Oriental, debruçando-se a sudeste sobre o Oceano Índico, e fazendo fronteira com o Sudão, a Etiópia, a Somália e o Uganda. O seu território estende-se por mais de 580 mil kmq e, além do Lago Turkana e de outros pequenos lagos no chamado Rift Valley, tem também o Monte Quénia que fica a cerca de 200km da capital, Nairobi, e que mede 5.199m de altitude. É o segundo ponto mais alto da África, depois do Klimandjaro, que se encontra na vizinha Tanzânia. Dotado de um Parque Nacional, o Monte Quénia foi inscrito em 1997, pela UNESCO, na lista do património da Humanidade. Os seus cumes glaciares e encostas arborizadas, constituem, ao lado das lindas praias, uma das importantes atracções turísticas do país.
Ex-colónia britânica, o Quénia acedeu à independência a 12 de Dezembro de 1963. Mas, as primeiras cidades do país terão sido fundadas pelos árabes que iniciaram a partir do século XII intensas relações comercias com a população africana da região: kikuyos e masais. Desse encontro surgiu a cultura swahili, caracterizada pela língua kiswahili (hoje língua oficial do país), e pela a religião islâmica.
Na altura os portugueses ocuparam algumas localidades da costa, mas foram rechaçados pelos sultões omanitas do Zanzibar. A presença de europeus viria a intensificar-se em finais do século XIX, quando o Quénia acaba por tornar-se numa colónia britânica.
Em finais da Segunda Guerra Mundial, os kikuyos lutam pela independência que, dizíamos, se concretizou a 12 de Dezembro de 1963. Jomo Kenyatta, considerado o Pai da Independência, é eleito Presidente da República. Promove importantes reformas políticas/económicas e mantém boas relações com os países vizinhos e a própria Grã-Bretanha.
Em 1978 Kenyatta morre e é Daniel Arap Moi é eleito Presidente. Ele prossegue por alguns anos a linha política do seu predecessor, mas em 1982, perante um golpe de Estado falhado, endurece a sua política, instituindo o mono- partidarismo. Com o fim da guerra fria, como muitos outros países da África é introduzido o multi-partidarismo. Mas as forças de oposição não se entendem entre si, e Moi é reeleito em 1992 e 1997. Em 2002 é substituído por Mwai Kibaki.
As eleições de 2008 são marcadas por violências étnicas. Graças à mediação de Kofi Annan, ex-Secretário Geral da ONU chegou-se a um armistício e a um entendimento entre as facções: Kibaki fica Presidente e o seu rival Odinga é nomeado Primeiro Ministro, cargo recém-criado e sucessivamente abolido. As mais recentes eleições gerais de 2013 foram ganhas pelo filho de Jomo Kenyatra, Uhuru Kenyatta.
A 2 de Abril deste ano, o Quénia foi sacudido por um grave atentado terrorista: milícias do grupo islamista somali “Al-Shabab” irromperam, durante a noite, num dormitório do campus Universitário de Garissa, matando 150 estudantes. O ataque foi considerado uma represália contra o Governo de Nairobi, empenhado militarmente na Somália contra extremistas islâmicos, autores de repetidos ataques em território queniano.
Do ponto de vista económico, de salientar que o Quénia é um dos maiores exportadores mundiais de chá e de flores, nomeadamente rosas, cuja cultura foi introduzida em época mais recente e de que se fala de vez em quando pelo trabalho duro e perigoso que sobretudo mulheres exercem nesse domínio. O turismo é também um dos pilares da economia do país. A moeda é a esterlina queniana, uma das moedas mais fortes da África Oriental, usada também no Somália e no Sudão.
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Dizíamos que cerca de 80% dos quenianos são de religião cristã: destes 32,3% são católicos e 47,7% são protestantes. Os restantes 20% pertencem a diversas outras religiões.
Os primeiros contactos dos quenianos com o cristianismo remontam a 1498 aquando da passagem dos portugueses em transito para a Índia. Testemunho disto é uma coluna encimada por uma cruz em pedra, erigida por Vasco da Gama em Malinde e que existe ainda hoje.
Em finais de 1500 chegaram os missionários agostinianos que evangelizaram as populações da costa. Mas em 1631, o sultão de Mombasa, Jerónimo Chingúlia que se tinha antes convertido ao cristianismo, acaba por revoltar-se contra os cristãos e 150 pessoas passam pelo martírio. São os chamados Mártires de Mombasa, cuja causa de beatificação está em curso.
A verdadeira expansão do cristianismo dar-se-á na segunda metade do século XIX com a chegada dos padres do Espírito Santo que se estabeleceram na ilha de Zanzibar, na Tanzânia, e cuja prefeitura apostólica se estendia também ao Quénia. Estava-se em 1860. Seguidamente chegam ao país diversos outras congregações missionárias que em 1899 abrem missões também em Nairobi. 1899, marca, portanto, oficialmente, o início da Evangelização, tendo sido – diga-se de passagem - o centenário comemorado em 1989.
Em 1927, um ano depois de terem sido criadas no país quatro jurisdições eclesiásticas, são ordenados os primeiros sacerdotes nativos e em 1953 é instituída a Hierarquia da Igreja católica com a criação das Dioceses de Nairobi, Nyeri, Kisumu e Meru. Quatro anos depois (1957) o país tem o seu primeiro bispo queniano, D. Maurice Otunga que iria ser criado cardeal em 1973.
O Papa João Paulo II visitou o país três vezes: em 1980, 1985 (por ocasião do Congresso Eucarístico Internacional) e depois em 1995 para a entrega da Exortação Apostólica pós-sinodal, “Ecclesia in África” .
A Igreja católica no Quénia é, portanto, uma Igreja muito viva, que teremos a oportunidade de conhecer melhor com esta visita do Papa Francisco, visita cujo objectivo - sublinhou Francisco na sua vídeo-mensagem enviada previamente à população queniana - é confirmar a comunidade católica na sua fé em Deus e no testemunho do Evangelho. Evangelho que ensina a dignidade de cada homem e mulher e nos apela a abrir o coração aos outros, especialmente aos pobres e necessitados.