Intervenção durante a apresentação da mensagem do Dia Mundial da Paz
Por Carmen Elena Villa
CIDADE DO VATICANO,
- O presidente emérito do Conselho Pontifício Justiça e Paz, cardeal Renato Raffaele Martino, referiu-se nesta manhã aos tropeços dos últimos dias na cúpula sobre mudança climática que se realiza em Copenhague e que entrou hoje em sua etapa final.
“Espero que encontrem uma base comum porque a responsabilidade maior foi até agora dos países altamente desenvolvidos, mas também os países em via de desenvolvimento não prestaram muita atenção à produção de CO2.”
Assim afirmou o purpurado, em coletiva de imprensa durante a apresentação da mensagem para o 43ª Dia Mundial da Paz, cujo lema é “Se quiseres promover a paz, protege a criação”.
O cardeal Martino assegurou que as causas do aquecimento global têm a ver tanto com os fenômenos naturais como com a má utilização da criação por parte do homem.
“Por isso, nesta mensagem, o Papa convida a fazer o que está em nossas mãos para ter o planeta mais limpo e, naturalmente, controlando, criando e adotando novos estilos de vida se contribui para manter a harmonia da criação”, indicou.
“Esperamos que haja uma maior generosidade para que ajudem os países em via de desenvolvimento”, indicou o purpurado, referindo-se à cúpula mundial na qual participam 120 chefes de Estado, numerosos vice-presidentes e 193 representantes das Nações Unidas.
Na cúpula, participa também Dom Celestino Migliore, observador permanente da Santa Sé na ONU.
O cardeal Martino ressaltou como positivo o fato de que representantes de diversas religiões se unam e ajam junto a diversos funcionários das Nações Unidas “para convencer e alentar as ações destes organismos internacionais”.
Indicou que “é algo que já se está fazendo com muita intensidade”, e sublinhou que, se os diferentes líderes religiosos continuarem trabalhando juntos, “poderão desembocar em algo mais concreto no futuro”.
Em memória do santo de Assis
O cardeal Martino indicou que o Papa Bento XVI escolheu dedicar a mensagem ao tema da criação, entre outras razões, para recordar o 30º aniversário da proclamação de São Francisco de Assis como padroeiro dos agricultores e da ecologia.
“O cântico das criaturas de São Francisco oferece um testemunho atual também na complexidade de hoje. O amor à criação, se projetado em um horizonte espiritual, pode conduzir o homem à fraternidade com o próximo e à união com Deus”, indicou.
“Contemplando o exemplo do Pobrezinho de Assis, aprendemos a amar a criação, a ver nela o amor infinito do Criador”, concluiu o purpurado.
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Países ricos sabotam negociações sobre clima
Denunciam Cáritas e agências católicas de desenvolvimento
COPENHAGUE,
- A Cáritas Internacional e a rede de agências católicas para o desenvolvimento CIDSE denunciaram que as negociações sobre mudanças climáticas de Copenhague estão sendo sabotadas pelos países ricos.
As conversações na cúpula da ONU foram interrompidas na segunda-feira por um impasse entre países africanos e países ricos, os quais, segundo os primeiros, estariam tentando se eximir de responsabilidades já acordadas.
Segundo a Cáritas Internacional e a organização Cooperação Internacional para o Desenvolvimento e Solidariedade (CIDSE), os países ricos, inclusive Japão e Rússia, estariam sabotando as negociações da cúpula, tentando desconsiderar o Protocolo de Kyoto, atualmente o único instrumento juridicamente vinculativo que regula as emissões.
O protocolo, que prevê reduções obrigatórias de emissões para os países desenvolvidos, oferece aos países mais pobres alguma proteção contra futuros impactos ambientais provocados pelas mudanças climáticas.
Para Niamh Garvey, membro irlandês da rede CIDSE-Cáritas, “os países ricos buscam fazer retroceder as conversações, revendo os compromissos do Protocolo de Kyoto.
A decisão da África de suspender os debates, apoiada pela maioria dos países do G77”, prosseguiu, “é resultado do temor provocando pelas tentativas dos países ricos de eliminar o acordo mais forte que temos sobre o clima”.Rowan Popplewell, membro escocês da mesma rede, disse que “abandonar o protocolo de Kyoto representaria um retrocesso para todos os países, principalmente os mais pobres. Para estes, os acordos estabelecidos são uma questão de sobrevivência. As comunidades vulneráveis de todo o mundo necessitam de um acordo climático justo, ambicioso e compulsório, do qual o Protocolo de Kyoto é um elemento essencial”.
Fonte: ZENIT.org

A ONU exortou a comunidade internacional a cumprir as promessas de assistência ao desenvolvimento da África Subsariana, evitando que seja a única região do mundo onde fiquem por cumprir em 2015 todos os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio. Mais de 34 chefes de Estado e 11 chefes de Governo assistiram à cimeira realizada esta segunda feira na Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque, com a qual a organização multilateral quis chamar a atenção para o grave panorama que enfrenta o continente africano. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, recordou na sua intervenção perante as delegações de quase 200 países que nenhum país africano alcançará os oito objectivos na meta de 2015 estabelecida há oito anos na Declaração do Milénio. Apelou para os países mais ricos cumprirem as promessas efectuadas pelo G8 (oito países mais industrializados) em 2005 de duplicar a ajuda ao desenvolvimento destinada a África. Ban assinalou que o grupo de trabalho para África da ONU determinou que ajudar este continente a alcançar aqueles objectivos custará uma média anual de 72.000 milhões de dólares, uma verba «que pode desencorajar mas que é exequível e se circunscreve aos actuais compromissos de cooperação». Recordou que os países da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) gastaram o ano passado 267 mil milhões de dólares em subsídios agrícolas. «Nesse contexto, o custo de resolver a crise alimentar, enfrentar o aquecimento global e tirar milhões de pessoas da extrema pobreza em África é um preço muito bom», vincou Ban. O secretário-geral das Nações Unidas tem como uma das suas prioridades evitar que África fique mais isolada no caminho para o desenvolvimento, particularmente face aos significativos avanços da Ásia na erradicação da pobreza. As débeis economias africanas foram particularmente afectadas pelo aumento do preço dos alimentos e dos combustíveis, isto quando nos últimos anos diminuiu a ajuda internacional. Os países mais ricos reafirmaram nas suas intervenções o seu compromisso de cumprir as obrigações em matéria de desenvolvimento. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, cujo país preside actualmente à EU, reiterou o compromisso dos 27 países da União Europeia (UE) de aumentar a ajuda ao desenvolvimento para 0,7 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2015. Por seu lado, o novo presidente da Assembleia-Geral, o nicaraguense Miguel D'Escoto, criticou «as condições injustas» impostas por instituições financeiras multilaterais como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial às economias africanas e a «espoliação» das riquezas naturais desse continente. A assessora da organização humanitária Oxfam Internacional, Lamine Ndiaye, considerou que o primeiro resultado desta cimeira devia ser o cumprimento pelos países desenvolvidos das obrigações já assumidas.
