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http://www.chapellenotredamedelamedaillemiraculeuse.com

Visita a Capela da Medalha Milagrosa, localizada na Rue du Bac, 140 - Paris

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quarta-feira, 5 de março de 2014

QUARTA FEIRA DE CINZAS -


A liturgia da Quarta-Feira de Cinzas recorda-nos nossa condição de mortais: "Memento homo quia pulvis es et in pulverem reverteris - Lembra-te, homem, de que és pó e ao pó hás de voltar" ....
 
Neste início de Quaresma, procuremos, mais ainda do que a mortificação corporal, aceitar o convite que a Liturgia sabiamente nos faz, combatendo o amor próprio com todas as nossas forças. "Procurai o mérito, procurai a causa, procurai a justiça; e vede se encontrais outra coisa que não seja a graça de Deus". (Sto. Agostinho)
Ao receber daqui a pouco as cinzas sobre a cabeça, ouviremos mais uma vez um claro convite à conversão que pode expressar-se numa fórmula dupla: "Convertei-vos e acreditai no evangelho", ou: "Recorda-te que és pó e em pó te hás de tornar".
Precisamente devido à riqueza dos símbolos e dos textos bíblicos, a Quarta-Feira de Cinzas é considerada a "porta" da Quaresma. De fato, a hodierna liturgia e os gestos que a distinguem formam um conjunto que antecipa de modo sintético a própria fisionomia de todo o período quaresmal. Na sua tradição, a Igreja não se limita a oferecer-nos a temática litúrgica e espiritual do itinerário quaresmal, mas indica-nos também os instrumentos ascéticos e práticos para o percorrer frutuosamente.
 
Imposição das cinzas na Basílica de Nossa Senhora do Rosário, do Seminário dos Arautos do Evangelho em Caieiras, Grande São Paulo
 
"Convertei-vos a mim de todo o vosso coração com jejuns, com lágrimas, com gemidos". (Joel 2,12). Os sofrimentos, as calamidades que afligiam naquele tempo a terra de Judá estimulam o autor sagrado a encorajar o povo eleito à conversão, isto é, a voltar com confiança filial ao Senhor dilacerando o seu coração e não as vestes. De fato, recorda o profeta, ele "é clemente e compassivo, paciente e rico em misericórdia e se compadece da desgraça" (2, 13). O convite que Joel dirige aos seus ouvintes também é válido para nós.
Não hesitemos em reencontrar a amizade de Deus perdida com o pecado; encontrando o Senhor experimentamos a alegria do seu perdão. E assim, quase respondendo às palavras do profeta, fizemos nossa a invocação do refrão do Salmo 50: "Perdoai-nos Senhor, porque pecamos". Proclamando, o grande Salmo penitencial, apelamo-nos à misericórdia divina; pedimos ao Senhor que o poder do seu amor nos volte a dar a alegria de sermos salvos.
Com este espírito, iniciamos o tempo favorável da Quaresma, como nos recordou São Paulo: "Aquele que não havia conhecido o pecado, diz ele, Deus o fez pecado por nós, para que nos tornássemos, nele, justiça de Deus" (2 Cor 5, 21), para nos deixarmos reconciliar com Deus em Cristo Jesus. O Apóstolo apresenta-se como embaixador de Cristo e mostra claramente como precisamente através d'Ele, seja oferecida ao pecador, isto é a cada um de nós, a possibilidade de uma reconciliação autêntica.
Só Cristo pode transformar qualquer situação de pecado em novidade de graça. Eis por que assume um forte impacto espiritual a exortação que Paulo dirige aos cristãos de Corinto: "Em nome de Cristo suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus"; e ainda: "Este é o tempo favorável, é este o dia da salvação" (5, 20; 6, 2). Enquanto Joel falava do futuro dia do Senhor como de um dia de terrível juízo, São Paulo, referindo-se às palavras do profeta Isaías, fala de "momento favorável", de "dia da salvação". O futuro dia do Senhor tornou-se o "hoje". O dia terrível transformou-se na Cruz e na Ressurreição de Cristo, no dia da salvação. E este dia é agora, como nos diz o Canto ao Evangelho: "Hoje não endureçais os vossos corações, mas ouvi a voz do Senhor". O apelo à conversão, à penitência ressoa hoje com toda a sua força, para que o seu eco nos acompanhe em cada momento da vida.
A liturgia da Quarta-Feira de Cinzas indica assim na conversão do coração a Deus a dimensão fundamental do tempo quaresmal. Esta é a chamada muito sugestiva que nos vem do tradicional rito da imposição das cinzas, que daqui a pouco renovaremos. Rito que assume um dúplice significado: o primeiro relativo à mudança interior, à conversão e à penitência, enquanto o segundo recorda a precariedade da condição humana, como é fácil compreender das duas fórmulas diversas que acompanham o gesto.
Significado da Cerimônia de Cinzas
A Igreja nos indica, nas orações recitadas por seus ministros, o significado da cerimônia das Cinzas: "Ó Deus, que não quereis a morte do pecador mas a sua conversão, escutai com bondade as nossas preces e dignai-vos abençoar estas cinzas que vamos colocar sobre as nossas cabeças. E assim reconhecendo que somos pó e que ao pó voltaremos, consigamos, pela observância da Quaresma, obter o perdão dos pecados e viver uma vida nova à semelhança do Cristo ressuscitado". É, pois, a penitência que a Igreja nos quer ensinar pela cerimônia deste dia.
Já no Antigo Testamento os homens cobriam se de cinzas para exprimir sua dor e humilhação, como se pode ler no livro de Jó. Nos primeiros séculos da Igreja os penitentes públicos apresentavam-se nesse dia ao bispo ou penitenciário: pediam perdão revestidos de um saco, e como sinal de sua contrição cobriam a cabeça de cinzas. Mas como todos os homens são pecadores, diz santo Agostinho, essa cerimônia estendeu-se a todos os fiéis, para lhes recordar o preceito da penitência. Não havia exceção alguma: pontífices, bispos, sacerdotes, reis, almas inocentes, todos se submetiam a essa humilhante expressão de arrependimento.
Tenhamos os mesmos sentimentos: deploremos as nossas faltas ao recebermos das mãos do ministro de Deus as cinzas bentas pelas orações da Igreja. Quando o sacerdote nos disser "lembra-te que és pó, e ao pó hás de tornar", ou "convertei-vos e crede no Evangelho", enquanto impõe as cinzas, humilhemos o nosso espírito pelo pensamento da morte que, reduzindo-nos ao pó, nos porá sob os pés de todos. Assim dispostos, longe de lisonjearmos o nosso corpo destinado à dissolução, decidir-nos-emos a tratá-lo com dureza, a refrear o nosso paladar, os nossos olhos, os nossos ouvidos, a nossa língua, todos os sentidos; a observar, o mais possível, o jejum e a abstinência que a Igreja nos prescreve.
Meu Deus, inspirai-me verdadeiros sentimentos de humildade, pela consideração do meu nada, ignorância e corrupção. Dai-me o mais vivo arrependimento das minhas iniqüidades, que feriram vossas perfeições infinitas, contristaram vosso coração de pai, crucificaram vosso Filho dileto, e me causaram um mal maior do que a perda da vida do corpo, pois que o pecado mortal é a morte da alma e nos expõe a uma morte eterna.
A Igreja sempre admoestou os fiéis a não nos se contentarem com sinais externos de penitência, mas a lhe beberem o espírito e os sentimentos. Jejuemos, diz ela, como o Senhor deseja, mas acompanhemos o jejum com lágrimas de arrependimento, prosternando-nos diante de Deus e deplorando a nossa ingratidão na amargura dos nossos corações. Mas essa contrição, para ser proveitosa, deve ser acompanhada de confiança. Por isso a Igreja sempre nos lembra que nosso Deus é cheio de bondade e misericórdia, sempre pronto a perdoar-nos, o que é um forte motivo para esperarmos firmemente a remissão das nossas faltas, se delas nos arrependermos. Deus não despreza jamais um coração contrito e humilhado.
A liturgia termina exortando-nos a tomarmos generosas resoluções confiando em Deus: "Pecamos, Senhor, porque nos esquecemos de vós. Voltemo-nos logo para o bem, sem esperar que a morte chegue e que já não haja tempo. Ouvi-nos, Senhor, tende piedade, porque pecamos contra vós. Ajudai-nos, ó Deus salvador, pela glória do vosso nome libertai-nos". O pensamento da morte convida-nos ainda a viver mais santamente, e quão eficaz é essa recordação!
À borda do túmulo e à porta do tribunal supremo, quem ousaria enfrentar o seu Juiz, ofendendo-o e recusando o arrependimento ou vivendo na negligência, tibieza e relaxamento? Colocai-vos em espírito em vosso leito de morte e armai-vos dos sentimentos de compunção que então quereríeis ter. Depositai vossa confiança na misericórdia divina, nos méritos de Jesus e na intercessão da divina Mãe. Prometei ainda ao Senhor:

- 1º de cortar aos vossos pensamentos, conversas e procedimento tudo o que lhe desagrada;

- 2º de viver quanto possível na solidão, no silêncio e, sobretudo, no recolhimento interior que favorece em vosso espírito a oração e vos separa de tudo que não é Deus.
Adaptado de Quarta-Feira de Cinzas, em Meditações para todos os dias do ano. Pe. Luís Bronchain CSSR, Petrópolis, Editora Vozes, 1949 (2ª edição em português, pag. 132-134)

Amados irmãos e irmãs, temos quarenta dias para aprofundar esta extraordinária experiência ascética e espiritual. No Evangelho (cf. Mt 6, 1-6.16-18), Jesus indica quais são os instrumentos úteis para realizar a autêntica renovação interior e comunitária: as obras de caridade (a esmola), a oração e a penitência (o jejum). São as três práticas fundamentais queridas também à tradição hebraica, porque contribuem para purificar o homem aos olhos de Deus.
Estes gestos exteriores, que devem ser realizados para agradar a Deus e não para obter a aprovação e o consenso dos homens, são por Ele aceites se expressam a determinação do coração a servi-l'O, com simplicidade e generosidade. Recorda-nos isto também um dos Prefácios quaresmais onde, em relação ao jejum, lemos esta singular expressão: "ieiunio... mentem elevas: com o jejum elevas o espírito" (Prefácio IV).
O jejum, ao qual a Igreja nos convida neste tempo forte, certamente não nasce de motivações de ordem física ou estética, mas brota da exigência que o homem tem de uma purificação interior que o desintoxique da poluição do pecado e do mal; que o eduque para aquelas renúncias saudáveis que libertam o crente da escravidão do próprio eu; que o torne mais atento e disponível à escuta de Deus e ao serviço dos irmãos. Por esta razão o jejum e as outras práticas quaresmais são consideradas pela tradição cristã "armas" espirituais para combater o mal, as paixões negativas e os vícios.
A este propósito, apraz-me ouvir de novo convosco um breve comentário de São João Crisóstomo. "Como no findar do Inverno escreve ele volta a estação do Verão e o navegante arrasta para o mar a nave, o soldado limpa as armas e treina o cavalo para a luta, o agricultor lima a foice, o viandante revigorado prepara-se para a longa viagem e o atleta depõe as vestes e prepara-se para as competições; assim também nós, no início deste jejum, quase no regresso de uma Primavera espiritual forjamos as armas como os soldados, limamos a foice como os agricultores, e como timoneiros reorganizamos a nave do nosso espírito para enfrentar as ondas das paixões. Como viandantes retomamos a viagem rumo ao céu e como atletas preparamo-nos para a luta com o despojamento de tudo" (Homilias ao povo antioqueno, 3).
Na mensagem para a Quaresma, convidei a viver estes quarenta dias de especial graça como um tempo "eucarístico". Haurindo daquela fonte inexaurível de amor que é a Eucaristia, na qual Cristo renova o sacrifício redentor da Cruz, cada cristão pode perseverar no itinerário que hoje empreendemos solenemente. As obras de caridade (a esmola), a oração, o jejum juntamente com qualquer outro esforço sincero de conversão encontram o seu significado mais alto e valor na Eucaristia, centro e ápice da vida da Igreja e da história da salvação. "Este sacramento que recebemos, ó Pai assim rezamos no final da Santa Missa nos ampare no caminho quaresmal, santifique o nosso jejum e o torne eficaz para a cura do nosso espírito".
Pedimos a Maria que nos acompanhe para que, no final da Quaresma, possamos contemplar o Senhor ressuscitado, interiormente renovados e reconciliados com Deus e com os irmãos. Amém!
Adaptação da Homilia do Papa Bento XVI - Quarta-feira de Cinzas, 21 de Fevereiro de 2007 - Basílica de Santa Sabina no Aventino.
(www.vatican.va)
 
Fonte: arautos.org

sábado, 12 de outubro de 2013

Fé de Maria

"A Fé de Maria", a meditação do Papa na Praça São Pedro



Cidade do Vaticano (RV) - Celebração mariana neste sábado, 12, no Vaticano. Desde as 15h (10h em Brasília), milhares de peregrinos já estavam na Praça São Pedro em reflexão, prontos para saudar a Imagem de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, que chegou por volta das 14h ao heliporto do Vaticano.

Às 16h locais, escoltada pela Guarda Suíça e por gendarmes do Vaticano, a Imagem foi levada em peregrinação por todos os setores da Praça e depois ao adro da Basílica. Ali, Papa Francisco a recebeu e pronunciou uma meditação mariana intitulada “A Fé de Maria”.

Neste encontro do Ano da Fé dedicado a Maria, Francisco começou afirmando que sua Imagem, vinda de Fátima, nos ajuda a sentir a sua presença no meio de nós, e questionou: “Como foi a fé de Maria?”, oferecendo três elementos para a reflexão:

O primeiro elemento se inspira na Constituição Dogmática Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II; que afirma que a fé de Maria desata o nó do pecado e da desobediência, o nó da incredulidade de Eva.

Fazendo uma comparação com o nosso relacionamento com Deus, o Papa disse que quando não O escutamos, não seguimos a Sua vontade e agimos demonstrando falta de confiança Nele, forma-se uma espécie de nó dentro de nós. “Estes nós são perigosos, porque de vários nós pode resultar um emaranhado que se vai tornando cada vez mais difícil de desatar”, advertiu.

“Mas, para a misericórdia de Deus, nada é impossível!”, ressalvou, lembrando que Maria, com o seu “sim”, abriu a porta a Deus para desatar o nó da desobediência antiga: É a mãe que nos leva a Deus para que Ele desate os nós da nossa alma com a sua misericórdia de Pai. “Podemos nos interrogar: Quais são os nós que existem na minha vida? Para mudar, peço a Maria que me ajude a ter confiança na misericórdia de Deus?

O segundo elemento é “A fé de Maria dá carne humana a Jesus”. O que significa isto? Significa que Deus não quis fazer-Se homem, ignorando a nossa liberdade, quis passar através do livre consentimento de Maria, do seu “sim”.

“Em nível espiritual isto acontece também em nós, quando acolhemos a Palavra de Deus com um coração bom e sincero, e a pomos em prática. Deus vem habitar em nós, porque faz morada naqueles que O amam e observam a sua Palavra”, explicou, questionando novamente: “Estamos conscientes disto?”.

O último elemento sugerido pelo Papa foi “A fé de Maria como caminho”: “Progredir na fé – disse Francisco – é seguir Jesus; ouvi-Lo e deixar-se guiar por suas palavras; ver como Ele se comporta e pôr os pés nas suas pegadas, ter os próprios sentimentos e atitudes Dele: humildade, misericórdia, solidariedade, mas também firme repulsa da hipocrisia, do fingimento, da idolatria”.

Terminando, o Papa lembrou que “o caminho de Jesus é o do amor fiel até ao fim, até aosacrifício da vida: é o caminho da cruz” e repassou a noite de Sábado Santo, quando Maria esteve de vigia: “Quando lhe chegou a notícia de que o sepulcro estava vazio, em seu coração alastrou-se a alegria da fé, a fé cristã na morte e ressurreição de Jesus Cristo. Este é o ponto culminante do caminho da fé de Maria e de toda a Igreja”. Francisco fez a todos a última pergunta: “Como está a nossa fé? Nós, como Maria, a mantemos acesa mesmo nos momentos difíceis, de escuridão? Tenho a alegria da fé?”. "Esta noite, ó Maria, nós Te agradecemos pela tua fé e renovamos a nossa entrega a Ti, Mãe da nossa fé". (CM)
Fonte: RV

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

MEDITAÇÃO DO PAPA APÓS A PROCISSÃO EUCARÍSTICA


MEDITAÇÃO DO PAPA APÓS A PROCISSÃO EUCARÍSTICA.
LEIA O TEXTO INTEGRAL



Lourdes, 14 set (RV)
- Senhor Jesus, você está aqui!E vocês, meus irmãos, minhas irmãs, meus amigos, vocês também estão aqui, comigo, diante d’Ele!Senhor, dois mil anos atrás, você aceitou ser elevado em uma cruz de infâmias, para depois ressuscitar e permanecer sempre conosco, seus irmãos e suas irmãs.
E vocês, meus irmãos, minhas irmãs, meus amigos,Vocês aceitam deixar-se conquistar por Ele.
Nos O contemplamos!Nós O adoramos!Nós O amamos! E tentamos amá-Lo ainda mais.
Nós contemplamos Aquele que, durante a ceia pascal, doou seu Corpo e seu Sangue aos discípulos, para estar com eles “todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20).Nós adoramos Aquele que está no início e no fim de nossa fé, Aquele sem o qual não estaríamos aqui esta noite. Aquele sem o qual nós não existiríamos. Aquele sem o qual nada existiria, nada, absolutamente nada! Ele, por meio do qual, “tudo foi feito” (Jo 1,3), Ele no qual fomos criados, para a eternidade, Ele que nos doou seu Corpo e seu Sangue, Ele está aqui, esta noite, diante de nós, oferecido a nossos olhos. Nós amamos – e tentamos amar sempre mais – Aquele que está aqui, diante de nós, oferecido a nossos olhos, às nossas questões a nosso amor.
Seja que caminhemos ou que estejamos presos em um leito de dor (caminhemos na alegria ou estejamos no deserto da alma). Senhor acolha-nos todos em seu Amor: no amor infinito, que é eternamente o de Pai para Filho, e do Filho para o Pai, o do Pai e do Filho pelo Espírito Santo e do Espírito pelo Pai e pelo Filho.
A Hóstia Santa, exposta a nossos olhos, manifesta esta força infinita do Amor manifestada na Cruz gloriosa.
A Hóstia Santa nos diz a incrível humilhação d’Aquele que se fez pobre para fazer-nos ricos d’Ele, Aquele que aceitou perder tudo para ganhar ao Seu Pai.
A Hóstia Santa é o Sacramento vivo e eficaz da presença eterna do Salvador dos homens à Sua Igreja.
Irmãos meus, irmãs, meus amigos, Aceitamos, aceitem, oferecer-se Àquele que nos doou tudo, que não veio para julgar o mundo, mas para salvá-lo. Aceitem reconhecer em suas vidas a presença ativa d’Aquele que está aqui presente, exposto a nossos olhos.
Aceitem oferecer-Lhe suas próprias vidas!Maria, a Virgem santa, Maria, a Imaculada Conceição, aceitou, dois mil anos atrás, doar tudo, oferecer seu corpo para acolher o corpo do Criador.
Tudo veio de Cristo, inclusive Maria; tudo veio mediante Maria, o próprio Cristo. Maria, a Virgem santa, está aqui conosco esta noite, diante do Corpo de seu Filho, cento e cinqüenta anos depois de ter se revelado à pequena Bernadette.
Virgem santa, ajuda-nos a contemplar, ajuda=nos a adorar, ajuda-=nos a amar, a amar mais Aquele que tanto nos amo, para vivermos eternamente com Ele. Uma imensa multidão de testemunhas está presente de modo invisível ao nosso lado, próxima desta gruta abençoada e diante desta Igreja desejada pela Virgem Maria.A multidão de todos os homens e mulheres que passaram horas adorando-O no Santíssimo Sacramento do altar.
Esta noite não os vemos, mas os ouvimos dizer a cada um e cada uma de nós: Venham, deixa-te atrair pelo Mestre! É Ele que está te chamando! (Jô 11,28). Ele quer pegar a tua vida e uni-la à Sua.
Deixa-te levar por Ele. Não olhe mais às tuas feridas, mas às suas. Não olhe para aquilo que ainda te separa d”Ele e dos outros; olhe para a infinita distância que Ele desfez ao assumir a tua carne, ao subir à Cruz que os homens Lhe prepararam e ao deixar-se conduzir à morte para demonstrar-te o seu amor.
Em suas feridas Ele te acolhe; em suas feridas, Ele te esconde. Não te negue a seu amor!”.A imensa multidão de testemunhas que se deixou invadir por seu amor é a multidão de santos do céu, que não cessam de interceder por nós.
Eram pecadores e o sabiam; mas aceitaram não olhar para suas feridas, não olhar senão para as feridas de seu Senhor, para descobrir a glória da Cruz, para descobrir a vitória da Vida sobre a morte.
São Pedro Julião Eymard nos diz tudo, quando exclama: “A Santa Eucaristia é Jesus Cristo passado, presente e futuro”.
Jesus Cristo passado, na verdade histórica da noite no cenáculo, onde nos conduz em toda celebração da Santa Missa.
Jesus Cristo presente, porque Ele nos diz: tomai e comei todos vós, este é o meu corpo, este é o meu sangue”.
Este ‘é’, no presente, aqui e agora, como em todos “aqui e agora” da história humana.
Presença real, presença que supera nossos pobres lábios, nossos pobres corações, nossos pobres pensamentos.
Presença oferecida aos nossos olhares, esta noite, junto a esta gruta onde Maria se revelou como Imaculada Conceição.
A Eucaristia é também Jesus Cristo futuro, o Jesus Cristo que vem.
Quando contemplamos a Hóstia Santa, o seu corpo de glória transfigurado e ressuscitado, contemplamos aquilo que contemplaremos na eternidade, descobrindo o mundo inteiro, sustentado em seu criador em todo instante de sua história.
Cada vez que nos alimentamos, mas também cada vez que o contemplamos, nós o anunciamos até que Ele retorne: ‘donec veniat’. Justamente por isso, nós o recebemos com infinito respeito. Alguns entre nós não podem ainda recebê-LO no Sacramento, mas podem contemplá-LO com fé e amor, e expressar o desejo de poderem finalmente unir-se a Ele.
É um desejo que tem grande valor diante de Deus: eles aguardam com ainda mais ardor o seu retorno; aguardam Jesus Cristo que deve chegar.
Quando uma amiga de Bernadette, no dia seguinte à sua primeira comunhão, perguntou-lhe: “Do que você ficou mais feliz: da primeira comunhão ou das aparições?”, Bernadette respondeu: “São duas coisas que caminham juntas, não podem ser comparadas.
Fiquei feliz pelas duas” (Emmanuélite Estrade, 4 junho 1958). Seu pároco testemunhou ao Bispo de Tarbes sobre sua primeira comunhão: “Bernadette se comportou com grande recolhimento, com uma atenção que não deixava nada a desejar... Parecia profundamente consciente da ação santa que estava realizando.
Tudo nela acontece de modo surpreendente”.Com Pedro Julião Eymard e com Bernadette, nós invocamos o testemunho de tantos e tantos santos e santas que tiveram pela Eucaristia o maior amor.
Nicolas Cabasilas exclama e nos diz, esta noite: “Se Cristo habita em nós, do que precisamos mais? O que nos falta? Se permanecermos em Cristo, o que mais podemos desejar? Ele é o nosso hospede e nossa moradia. Bem-aventurados aqueles que como nós, somos a sua moradia! Que alegria sermos nós a morada de um tal Inquilino!” (La vie en Jésus-Christ, IV, 6).
O Beato Charles de Foucauld nasceu em 1858, mesmo ano das aparições de Lourdes.
Não muito longe de seu corpo, rígido pela morte, foi encontrada, como a semente de trigo jogada no chão, uma ‘luneta’ que continha o Santíssimo Sacramento, que irmão Carlo adorava todos os dias, por longas horas.
O Pe. de Foucauld nos confia a oração que brotou do profundo de seu coração, uma oração dirigida ao Pai celeste, mas que, com Jesus, podemos fazer realmente nossa, diante da Hóstia Santa: «Meu Pai, confio meu espírito às suas mãos. É a última oração de nosso Mestre, de nosso Predileto...Que possa se tornar nossa, e que não seja apenas a de nosso último instante, mas de todos os nossos instantes:“Meu Pai, coloco-me em Suas mãos; Meu Pai, entrego-me a você: Pai meu, abandono-me a você; Pai meu, faça de mim o que quiser: qualquer coisa que fizer. Lhe agradeço; obrigado por tudo; estou pronto para tudo; aceito tudo; agradeço a você por tudo. Visto que Sua vontade se realiza em mim, oh meu Deus, visto que Sua vontade se realiza em todas as criaturas, em todos os Seus filhos, em todos aqueles que Seu coração ama, não desejo mais nada, meu Deus; deposito minha alma em Suas mãos; dou-lhe, meu Deus, com todo o amor de meu coração, porque Lhe amo e doar-me é uma necessidade de meu coração; colocar-me em Suas mas, sem medida, com infinita intimidade, porque Você é o meu Pai”.
Queridos irmãos e irmãs, peregrinos de um dia e habitantes destes vales, irmãos Bispos, sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas, vocês todos que vêem diante de seus olhos a infinita doação do Filho de Deus e a glória infinita da ressurreição, fiquem em silêncio e adorem o seu Senhor, o nosso mestre e Senhor Jesus Cristo.
Fiquem em silêncio, depois falem e digam ao mundo: não podemos mais omitir aquilo que sabemos.
Vão e digam ao mundo inteiro as maravilhas de Deus, presente em todos os momentos de suas vidas, em todos os lugares da terra. Que Deus nos abençoe e nos proteja, nos conduza ao caminho da vida eterna.
Ele que é a Vida, pelos séculos dos séculos.
Amén.
Fonte: RV