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Uma Capela cheia de segredos !Você quer descobri-la conosco? Saiba, antes de tudo, que a Casa Mãe da Companhia das Filhas da Caridade era o antigo "Hotel de Châtillon". Este, foi concedido à Companhia, em 1813, por Napoleão Bonaparte, depois da tormenta da Revolução Francesa. Imediatamente, começa a construção da Capela.A 8 de agosto de 1813, realizou-se a bênção solene da Capela dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. Em 1830, aconteceram então as aparições. Aumentou o numero de vocações.Foi necessário transformar a Capela, que passa então por várias modificações. Em 1930, por ocasião do centenário das apariçes, uma nova reforma nos mostra a Capela tal como a vemos hoje.Agora, a você a oportunidade de visitá-la!
http://www.chapellenotredamedelamedaillemiraculeuse.com

Visita a Capela da Medalha Milagrosa, localizada na Rue du Bac, 140 - Paris

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Clique sobre a foto para a visita guiada em 15 etapas

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O Ecumenismo no Pontificado de Bento XVI

O Ecumenismo no Pontificado de Bento XVI



Cidade do Vaticano (RV) - O Papa Bento XVI, logo no início do seu Pontificado, colocou o ecumenismo e o diálogo inter-religioso como uma de suas prioridades. Sua apurada consciência sobre a importância desta missão está radicada em vários fatores da história da sua vida: foi perito do Concílio Vaticano II, braço direito de João Paulo II nas questões doutrinais, teólogo conhecedor da problemática ecumênica e, como cristão alemão, sentiu de perto a problemática ecumênica, como afirmou no seu discurso em Colônia, em 19 de agosto de 2005: "Sendo eu mesmo proveniente deste país, conheço bem a situação dolorosa que a ruptura da unidade na profissão da fé causou a tantas pessoas e famílias". Bento XVI sempre considerou que a divisão entre os cristãos é uma ofensa a Deus e um escândalo para o mundo.
A convite do Patriarcado Ecumênico do Constantinopla, Bento XVI visitou a Turquia em novembro de 2006. A viagem serviu para aproximar Roma do Mundo Ortodoxo. No encontro com o Patriarca Ortodoxo Bartolomeu I, reiterou o compromisso da Igreja Católica na superação dos obstáculos que impedem a realização da comunhão plena entre católicos e ortodoxos, pois as “divisões existentes entre os cristãos – disse Bento XVI - são um escândalo para o mundo e um obstáculo para a proclamação do Evangelho”.
Bento XVI desenvolveu esforços no sentido de aproximar Roma e os cristãos ortodoxos do Oriente, de tradição bizantina, síria e eslava. Partindo do princípio de a Igreja Católica estar "em comunhão eclesial quase completa" com estas igrejas, conforme pronunciado no Angelus de 30 de junho de 2007, Bento XVI, deu pequenos passos e realizou inúmeros gestos buscando superar, paulatinamente, as distâncias histórico-culturais e as divergências prático-eclesiais que persistem há séculos. Um dos frutos destes esforços foi a retomada dos trabalhos da Comissão Teológica Mista Católico-Ortodoxa.
Em 2009, Bento XVI visitou a Terra Santa. Entre os tantos compromissos, o Pontífice participou de um encontro ecumênico na sede do Patriarcado Greco-ortodoxo, na parte leste de Jerusalém, do qual também tomou parte o Patriarca Greco-ortodoxo Teófilo III. No seu discurso, o Santo Padre ressaltou que todos os seguidores de Cristo devem "redobrar" os esforços "para aperfeiçoar a comunhão" já que a divisão "é uma vergonha". E acrescentou: "Temos de encontrar forças para redobrar nosso compromisso para aperfeiçoar nossa comunhão, para torná-la completa".
A viagem de Bento XVI ao Líbano, em setembro de 2012, marcou um dos seus últimos compromissos inter-religiosos internacionais. A Audiência Geral das Quartas-feiras, em 19 de setembro de 2012, foi toda ela dedicada à viagem ao Líbano. Na ocasião, Bento XVI recordou que a viagem "foi um evento eclesial comovente e, ao mesmo tempo, uma ocasião providencial de diálogo vivido em um país complexo, mas emblemático para toda a região, por motivo de sua tradição de convivência e de eficaz colaboração entre os diversos componentes religiosos e sociais". De fato, nesta viagem realizada a um país representativo na diversidade religiosa e cultural, Bento XVI encontrou-se com representantes do mundo Ortodoxo, Católico e com muçulmanos.
Em relação ao diálogo com as Igrejas e Comunidades eclesiais do Ocidente, observou-se em Bento XVI a preocupação em centrar o debate católico-protestante na questão da natureza da Igreja, acentuando a exigência de um "ecumenismo de verdade". Ao mesmo tempo, o Papa sempre teve uma visão muito realista sobre as dificuldades existentes neste complexo diálogo, o que o levou a valorizar o 'ecumenismo anônimo cotidiano', realizado muitas vezes por pequenos grupos de convivência e partilha ecumênica, na convicção de que o simples fato de se ir caminhando juntos 'já é uma forma de unidade'.
O Pe. José Bizon, da Casa da Reconciliação, na Arquidiocese de São Paulo, fez uma avaliação sobre a dimensão do ecumenismo e do diálogo inter-religioso sob o Pontificado de Bento XVI.
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O "dia histórico" da despedida de Bento XVI

CTV se prepara para "dia histórico" da despedida de Bento XVI



Cidade do Vaticano (RV) - "O Vaticano II e a comunicação – Uma renovada história entre Evangelho e história": este é o título do livro do novo Diretor do Centro Televisivo Vaticano (CTV), Mons. Dario Edoardo Viganò, apresentado nesta terça-feira, em Roma.

No livro, que inclui um DVD com documentos da época, Mons. Viganò dá amplo espaço ao documento Inter Mirifica, evidenciando que se tratou de um “divisor de águas” na Igreja.

"O Concilio se realizou justamente nos anos em que os meios de comunicação de massa , em especial, a televisão, se difundiram de maneira maciça. A Roma, portanto, chegaram jornalistas e operadores de câmara de todo o mundo para contar o grande evento. O trabalho das televisões, das rádios e dos jornais foi importantíssimo para o Concílio", explicou o Diretor do CTV.

A apresentação do livro foi também a ocasião para falar do momento atual: "A renúncia de Bento XVI é um ato de governo extraordinário, como o foi a convocação do Concílio Vaticano II por parte de João XXIII. O gesto de Bento XVI produzirá frutos espirituais como o Concílio. Trata-se de um ato de confiar a Igreja a Cristo, em sintonia com as grandes constituições conciliares".

O CTV acompanhará o último dia de pontificado de Bento XVI, 28 de fevereiro, até sua partida de helicóptero para Castel Gandolfo. Segundo o Diretor, “será um evento histórico”.

Caberá ao CTV também captar as imagens que correrão o mundo do ingresso dos 117 Cardeais eleitores no Conclave, na Capela Sistina, e da “fumaça branca” que anunciará como sinal equivocável o Habemus Papam. No total, serão 26 telecâmaras que documentarão as passagens cruciais do adeus de Bento XVI até a chegada do novo Pontífice.


As transmissões ao vivo serão difundidas através do Vatican player, em colaboração com a Rádio Vaticano. Portanto, quem quiser acompanhar essas fases cruciais para a vida da Igreja, bastará se conectar através da internet.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

BENTO XVI - ENVIE SUA MENSAGEM


"Querido irmãos e irmãs: depois do grande Papa João Paulo II, os senhores Cardiais elegeram a mim um simples e humilde trabalhador da vinha do Senhor”. (Bento XVI, 19 de abril de 2005) 

 

Amigos leitores :

Neste momento que estamos vivendo, com a passagem da renúncia do Papa Bento XVI, como católicos, necessitamos exprimir nossa opinião perante fato de tão elevada importância para a Igreja.

Sentimos esta necessidade de colocar ao mundo nossas ideias e nossa conduta de verdadeiros cristãos.

Foi criado um link especial para que estas mensagens sejam enviadas ao Santo Padre.

Não perca esta oportunidade!

Clicando no  link (foto de Bento XVI), vocês terão a oportunidade de enviar ao Santo Padre Bento XVI uma mensagem de  despedida. Dessa forma poderão manifestar-lhe todo o carinho, todo o apoio e todo o agradecimento pelos anos de pontificado.

Unam-se todos vocês e façam chegar a Sua Santidade Papa Bento XVI, suas palavras de gratidão, acompanhadas de suas orações, por estes oito anos de papado.

Obrigado por tudo Santo Padre!

CLIQUE NA FOTO DE BENTO XVI, PARA ENVIAR SUA MENSAGEM

- Oremos incansavelmente por Bento XVI e peçamos ao Espirito Santo para que os Cardeais sejam iluminados ao escolherem o novo representante de Cristo Jesus na terra.

A FAMÍLIA CATÓLICA

Eis a mensagem da "A Família Católica":

“Querido e Santo Padre:

Agradecemos a Deus pela graça de tê-lo tido como Vigário de Cristo na terra nos oito anos de seu fecundo  pontificado.

Nesse tempo, aprendemos a amá-lo, a respeitá-lo por sua sabedoria, por sua doçura e sua firmeza na defesa da Fé.

Como bom pastor, cuidou com desvelo de suas ovelhas. E ao partir para uma vida de recolhimento e oração, nos deixa o precioso legado de seus ensinamentos para continuar  nos guiar pelos caminhos difíceis do mundo e ainda nos dá um exemplo final de coragem e de suprema humildade.

Amado Bento XVI, ficará pare sempre em nossos corações.

Reze por nós.

A Família Católica”

 

'A Escolha do Papa'

'A Escolha do Papa', na imprensa internacional



Cidade do Vaticano (RV) - O ‘L´Osservatore Romano’ publicou o artigo “A Escolha do Papa”, sobre a repercussão do anúncio da renúncia de Bento XVI na imprensa internacional.

“Considero muito sábia a decisão do Papa Bento XVI em renunciar”, disse o historiador inglês Paul Johnson, 85, numa entrevista a Giulio Meotti, publicada no ‘Il Foglio’, em 19 de fevereiro, “decisão em sintonia com a formação intelectual de Joseph Ratzinger. Não vejo nenhum sinal de fraqueza na escolha de deixar o cargo ou de irrelevância do cristianismo na vida pública contemporânea”.

Assumindo que “Todos temos necessidade do Papa, mesmo aqueles leigos que jamais confessariam isto”, Johnson indica também o que, na sua opinião, foi uma característica do papado de Ratzinger, “a tensão entre cristianismo e mundo moderno. O ser humano não é uma criatura inteiramente secular, tem necessidades seculares, mas tem necessidade de muito mais do que isto para viver, e neste ponto o papel da Igreja é muito importante. Amo muitíssimo Ratzinger – acrescentou -, que mostrou que a razão tem uma dimensão espiritual, como a imaginação, que para mim permanece como a característica humana mais importante. É a imaginação que nos convence de que fomos criados à imagem de Deus”.

O historiador de Manchester conclui, detendo-se sobre o relativismo moral, “o pecado capital do século XX, a razão pela qual foi uma época tão desesperadamente infeliz e destrutiva na história do homem. Por esta razão, todas as forças da sociedade moderna foram contra o Papa Ratzinger”, afirmou.

Uma análise de Bento XVI também foi feita por Russell Shaw, na última edição do jornal estadunidense ‘Our Sunday Visitor’. “Poucas pessoas nos tempos modernos influenciaram a Igreja Católica tão profundamente como fez Bento XVI – escreve Shaw. Como teólogo durante o Concílio Vaticano II entre 1962 e 1965; como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, de 1981 a 2005; e especialmente como líder espiritual mundial dos católicos desde 2005 até sua renúncia, anunciada em 11 de fevereiro. Bento XVI – prossegue Sahw – poderia ter sido o primeiro working theologian desde que São Gregório, o grande, ocupou o papado. Se as idéias têm conseqüências, ele foi uma das figuras mais verdadeiramente autênticas do seu tempo, capaz de moldar a ordem do dia do debate público, dentro e fora da Igreja”. (JE)

Última Audiência de Bento XVI

Última Audiência de Bento XVI, em 27 de fevereiro



Cidade do Vaticano (RV) – Quarta-feira, 27 de fevereiro, às 10 hs e 30 min, será a última Audiência Geral das quartas-feiras presidida pelo Papa Bento XVI.

Em função do grande afluxo de fiéis e peregrinos, a sua realização já havia sido transferida, na semana passada, para a Praça São Pedro. Habitualmente, no período de inverno, a audiência é realizada na Sala Paulo VI.

Para facilitar o afluxo do grande público esperado, não será necessária a retirada prévia de bilhetes para participar na Audiência. (JE)

Aplicativo da RV em português!

Aplicativo da RV em português!



Cidade do Vaticano (RV) - A Rádio Vaticano acaba de lançar em português seu aplicativo para smartphones e tablets, para as plataformas Iphone/Ipad e Android.

Trata-se de uma novidade multimídia, em que é possível sintonizar ao vivo todos os programas da Rádio em 40 línguas, vídeos, artigos e reportagens jornalísticas, programas de aprofundamento e acompanhar os compromissos cotidianos do Papa.

O aplicativo, que pode ser baixado gratuitamente, se abre com a Agenda (que daqui poucos dias será integralmente traduzida em português) dos compromissos públicos do Pontífice, constantemente atualizada sobre as transmissões ao vivo em áudio e vídeo, produzidas em colaboração com o Centro Televisivo Vaticano.

Graças a um sistema idealizado e produzido pela Rádio Vaticano (Vatican TIC), é possível consultar todos os conteúdos escritos e em áudio relacionados a cada evento e é possível ler os textos dos discursos pronunciados pelo Papa, publicados no site vatican.va

O aplicativo também está disponível em italiano, inglês, francês e espanhol. Confira!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013


A Família Católica recebeu um e-mail, de um de seus inúmeros seguidores, e pelo profundo conteudo do mesmo, palavras de um jovem católico de apenas 23 anos, efetuamos esta postagem para que todos possam também participar desta reflexão. Parabéns ao autor, apezar de ser desconhecido. Nós católicos e a Igreja Católica necessita de mais e mais jovens como vocês!
A Família Catolica


"Tenho 23 anos e ainda não entendo muitas coisas. E há muitas coisas que não se podem entender as 8h da manhã quando te acordam ...para dizer em poucas palavras: “Daniel, o papa renunciou.” Eu apressadamente contestei: “Renunciou?”. A resposta era mais que óbvia, “Renunciou, Daniel, o papa renunciou!”.

O papa renunciou. Assim amanheceu escrito em todos os jornais, assim amanheceu o dia para a maioria, assim rapidamente alguns tantos perderam a fé e outros muitos a reforçaram. Poucas pessoas entendem o que é renunciar.

Eu sou católico. Um de muitos. Desses que durante sua infância foi levado à missa, cresceu e criou apatia. Em algum ponto ao longo da estrada deixei pra lá toda a minha crença e a minha fé na Igreja, mas a Igreja não depende de mim para seguir, nem de ninguém (nem do Papa).


Em algum ponto da minha vida, voltei a cuidar da minha parte espiritual e assim, de repente e simplesmente, prossegui um caminho no qual hoje eu digo: Sou católico. Um de muitos sim, mas católico por fim. Mas assim sendo um doutor em teologia, ou um analfabeto em
escrituras (desses que há milhões), o que todo mundo sabe é que o Papa é o Papa.

Odiado, amado, objeto de provocações e orações, o Papa é o Papa, e o Papa morre sendo Papa. Por isso hoje quando acordei com a notícia, eu, junto a milhões de seres humanos, nos perguntamos “por que?”. Por que renuncia senhor Ratzinger? Sentiu medo? Sentiu a idade? Perdeu a fé? A ganhou? E hoje, 12 horas depois, creio que encontrei a resposta: O senhor Ratzinger renunciou toda a sua vida.

Simples assim.

O papa renunciou a uma vida normal. Renunciou ter uma esposa.
Renunciou ter filhos. Renunciou ganhar um salário. Renunciou a mediocridade. Renunciou as horas de sono pelas horas de estudo.
Renunciou ser só mais um padre, mas também renunciou ser um padre especial. Renunciou preencher a sua cabeça de Mozart, para preenchê-la de teologia. Renunciou a chorar nos braços de seus pais. Renunciou a, tendo 85 anos, estar aposentado, desfrutando de seus netos na comodidade de sua casa e no calor de uma lareira. Renunciou desfrutar  de seu país. Renunciou seus dias de folga. Renunciou sua vaidade.
Renunciou a defender-se contra os que o atacavam. Sim, isso me deixa claro que o Papa foi, em toda sua vida, muito apegado à renuncia.

E hoje, voltou a demonstrar. Um papa que renuncia a seu pontificado quando sabe que a Igreja não está em suas mãos, mas nas mãos de alguém maior, parece ser um Papa sábio. Nada é maior que a Igreja.

Nem o Papa, nem seus sacerdotes, nem os laicos, nem os casos de pedofilia, nem os casos de misericórdia. Nada é maior que ela. Mas ser Papa nesse tempo do mundo, é um ato de heroísmo (desses heroísmos que acontecem diariamente em nosso país e ninguém nota). Recordo sem dúvida, as histórias do primeiro Papa. Um tal... Pedro. Como morreu? Sim, em uma cruz, crucificado igual ao teu mestre, mas de cabeça para baixo. Hoje em dia, Ratzinger se despede de modo igual.

Crucificado pelos meios de comunicação, crucificado pela opinião pública e crucificado pelos seus irmãos católicos. Crucificado pela sombra de alguém mais carismático.
Crucificado na humildade que tanto dói entender. É um mártir contemporâneo, desses que se pode inventar histórias, a esses que se pode caluniar e acusar a vontade, que não respondem. E quando responde, a única coisa que faz é pedir perdão. “Peço perdão pelos
meus defeitos”. Nem mais, nem menos. Quanta nobreza, que classe de ser humano. Eu poderia ser mórmon, ateu, homossexual e abortista, mas ver uma pessoa da qual se dizem tantas coisas, que recebe tantas críticas e ainda responde assim... esse tipo de pessoa, já não se vê tanto no mundo.

Vivo em um mundo onde é engraçado zombar o Papa, mas que é um pecado mortal zombar um homossexual (e ser taxado como um intolerante, fascista, direitista e nazista). Vivo em um mundo onde a hipocrisia alimenta as almas de todos nós. Onde podemos julgar um senhor de 85 anos que quer o melhor para a Instituição que representa, mas lhe indagam com um “Com que direito renuncia?”.


Claro, porque no mundo NINGUÉM renuncia a nada. Ninguém se sente cansado ao ir pra escola. Ninguém se sente cansado ao ir trabalhar. Vivo um mundo onde todos os senhores de 85 anos estão ativos e trabalhando (sem ganhar dinheiro) e ajudam às massas. Sim, claro.

Mas agora sei, senhor Ratzinger, que vivo em um mundo que vai sentir falta do senhor. Em um mundo que não leu seus livros, nem suas encíclicas, mas que em 50 anos se lembrará como, com um simples gesto de humildade, um homem foi Papa, e quando viu que havia algo melhor no horizonte, decidiu partir por amor à sua Igreja. Vá morrer tranquilo senhor Ratzinger. Sem homenagens pomposas, sem um corpo exibido em São Pedro, sem milhares aclamando aguardando que a luz de seu quarto seja apagada.

Vá morrer, como viveu mesmo sendo Papa: humildemente.

Bento XVI, muito obrigado por renunciar."

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Papa no Angelus

Papa no Angelus: desmascarar as tentações que instrumentalizam Deus em função do poder e dos próprios interesses



Cidade do Vaticano (RV) - A Quaresma nos ensina que a fé em Deus é "o critério-base" da vida da Igreja. Foi o que afirmou o Santo Padre no Angelus deste domingo, da janela de seus aposentos que dá para a Praça São Pedro, o primeiro após o anúncio da sua renúncia ao ministério petrino.

Falando aos milhares de fiéis e peregrinos que o saudaram com afeto e comoção, Bento XVI ressaltou que, se estivermos unidos a Cristo, não devemos ter medo de combater o mal. Muitas faixas e cartazes levados pelos fiéis e peregrinos para a Praça São Pedro atestavam proximidade e gratidão ao Pontífice. Na saudação aos presentes Bento XVI agradeceu aos que estão rezando por ele, pela Igreja e pelo próximo Papa.

A Quaresma, iniciada com o Rito das Cinzas, é "tempo de conversão e penitência" que deve reorientar-nos "decididamente a Deus, renegando o orgulho e o egoísmo para viver no amor". O Santo Padre iniciou assim a sua meditação sobre o Evangelho dominical que narra as tentações de Jesus no deserto. E ressaltou que a Igreja, mãe e mestra, "convida todos os seus membros a se renovarem no espírito":

"Neste Ano da Fé a Quaresma é um tempo favorável para redescobrir a fé em Deus como critério-base da nossa vida e da vida da Igreja. Isso comporta sempre uma luta, um combate espiritual, porque o espírito do mal naturalmente se opõe à nossa santificação e busca fazer-nos desviar do caminho de Deus."

Em seguida, Bento XVI observou que Jesus é conduzido ao deserto para ser tentado pelo diabo no momento de "iniciar o seu ministério público". Portanto, não um momento casual:

"Jesus teve que desmascarar e repelir as falsas imagens de Messias que o tentador lhe propunha. Mas essas tentações são também falsas imagens do homem, que em todos os tempos insidiam a consciência, travestindo-se de propostas convenientes e eficazes, até mesmo boas."

Os evangelistas Mateus e Lucas, observou, apresentam as tentações diversificando-as por ordem, mas a sua natureza não muda:

"O núcleo central delas consiste sempre no instrumentalizar Deus em função dos próprios interesses, dando mais importância ao sucesso ou aos bens materiais. O tentador é astuto: não impele diretamente em direção ao mal, mas em direção a um falso bem, fazendo crer que as verdadeiras realidades são o poder e aquilo que satisfaz as necessidades primárias."

"Desse modo – acrescentou – Deus torna-se secundário, se reduz a um meio, definitivamente, torna-se irreal, não conta mais, desvanece":

"Nos momentos decisivos da vida, mas, olhando bem, em todos os momentos, encontramo-nos diante de uma bifurcação: queremos seguir o eu ou Deus? O interesse individual ou o verdadeiro Bem, aquilo que realmente é bem?"

As tentações, prosseguiu, fazem parte da "descida" de Jesus à nossa condição humana, "ao abismo do pecado e das suas conseqüências". Uma descida que Jesus fez até os "infernos do extremo distanciamento de Deus". Desse modo, afirmou, Jesus é, portanto, "a mão que Deus estendeu ao homem, à ovelha perdida para reconduzi-la a salvo":

"Portanto, também nós não temos medo de enfrentar o combate contra o espírito do mal: o importante é que o façamos com Ele, com Cristo, o Vencedor. E para estar com Ele dirigimo-nos à Mãe, Maria: invoquemos Nossa Senhora com confiança filial no momento da provação, e ela nos fará sentir a potente presença de seu Filho divino, para repelir as tentações com a Palavra de Cristo, e assim recolocar Deus no centro da nossa vida."

No momento das saudações em diversas línguas, Bento XVI agradeceu àqueles que estão rezando por ele e pela Igreja nestes dias, manifestando afeto e proximidade. Em espanhol, pediu que continuem rezando pelo próximo Papa. Em alemão, pediu aos fiéis que estejam próximos a ele e à Cúria Romana, sobretudo por ocasião desta semana de Exercícios espirituais. Por fim, fez uma calorosa saudação aos presentes de língua italiana, com um pensamento especial aos fiéis e cidadãos de Roma – dos quais é pastor qual Bispo de Roma:

"O brigado por virem tão numerosos! Também isso é um sinal do afeto e da proximidade espiritual que vocês estão me manifestando nestes dias. Saúdo, em particular, a administração de Roma Capital, conduzida pelo prefeito, e com ele saúdo e agradeço a todos os habitantes dessa amada Cidade de Roma."

Num twett, por volta das 12h30 deste domingo, o Pontífice reiterou que a "Quaresma é um tempo favorável para redescobrirmos a fé em Deus como base da nossa vida e da vida da Igreja."

O Santo Padre concedeu, a todos, a sua Bênção apostólica. (RL)
Fonte: RV

sábado, 16 de fevereiro de 2013

QUARESMA: Vivendo o tempo especial da Quaresma

São Paulo  
 
Neste tempo especial de graças que é a Quaresma devemos aproveitar ao máximo para fazermos uma renovação espiritual em nossa vida. O Apóstolo São Paulo insistia: "Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!" (2 Cor 5, 20); "exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (Is 49,8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação." (2 Cor 6, 1-2).cruz.-com-luz.jpg
Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias (um longo tempo) antes de enfrentar as tentações do demônio no deserto e nos ensinou a vencê-lo pela oração e pelo jejum. Da mesma forma a Igreja quer ensinar-nos como vencer as tentações de hoje. Daí surgiu a Quaresma.
Na Quarta-Feira de Cinzas, quando ela começa, os sacerdotes colocam um pouquinho de cinzas sobre a cabeça dos fiéis na Missa. O sentido deste gesto é de lembrar que um dia a vida termina neste mundo, "voltamos ao pó" que as cinzas lembram. Por causa do pecado, Deus disse a Adão: "És pó, e ao pó tu hás de tornar". (Gênesis 2, 19)
Este sacramental da Igreja lembra-nos que estamos de passagem por este mundo, e que a vida de verdade, sem fim, começa depois da morte; e que, portanto, devemos viver em função disso. As cinzas humildemente nos lembram que após a morte prestaremos contas de todos os nossos atos, e de todas as graças que recebemos de Deus nesta vida, a começar da própria vida, do tempo, da saúde, dos bens, etc.
Esses quarenta dias, devem ser um tempo forte de meditação, oração, jejum, esmola ("remédios contra o pecado"). É tempo para se meditar profundamente a Bíblia, especialmente os Evangelhos, a vida dos Santos, viver um pouco de mortificação (cortar um doce, deixar a bebida, cigarro, passeios, churrascos, a TV, alguma diversão, etc.) com a intenção de fortalecer o espírito para que possa vencer as fraquezas da carne.
Na Oração da Missa de Cinzas a Igreja reza: " Concedei-nos ó Deus todo poderoso, iniciar com este dia de jejum o tempo da Quaresma para que a penitência nos fortaleça contra o espírito do Mal."
Sabemos como devemos viver, mas não temos força espiritual para isso. A mortificação fortalece o espírito. Não é a valorização do sacrifício por ele mesmo, e de maneira masoquista, mas pelo fruto de conversão e fortalecimento espiritual que ele traz; é um meio, não um fim.
Quaresma é um tempo de "rever a vida" e abandonar o pecado (orgulho, vaidade, arrogância, prepotência, ganância, pornografia, sexismo, gula, ira, inveja, preguiça, mentira, etc.). Enfim, viver o que Jesus recomendou: "Vigiai e orai, porque o espírito é forte mas a carne é fraca".
Embora este seja um tempo de oração e penitência mais profundas, não deve ser um tempo de tristeza, ao contrário, pois a alma fica mais leve e feliz. O prazer é satisfação do corpo, mas a alegria é a satisfação da alma.
Santo Agostinho dizia que "o pecador não suporta nem a si mesmo", e que "os teus pecados são a tua tristeza; deixa que a santidade seja a tua alegria". A verdadeira alegria brota no bojo da virtude, da graça; então, a Quaresma nos traz um tempo de paz, alegria e felicidade, porque chegamos mais perto de Deus.
Para isso podemos fazer uma Confissão bem feita; o meio mais eficaz para se livrar do pecado. Jesus instituiu a Confissão em sua primeira aparição aos discípulos, no mesmo domingo da Ressurreição (Jo 20,22) dizendo-lhes: "a quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados". Não há graça maior do que ser perdoado por Deus, estar livre das misérias da alma e estar em paz com a consciência.
Jesus quis que nos confessemos com o Sacerdote da Igreja, seu ministro, porque ele também é fraco e humano, e pode nos compreender, orientar e perdoar pela autoridade de Deus. Especialmente aqueles que há muito não se confessam, têm na Quaresma uma graça especial de Deus para se aproximar do Confessor e entregar a Cristo nele representado, as suas misérias.
Uma prática muito salutar que a Igreja nos recomenda durante a Quaresma, uma vez por semana, é fazer o exercício da Via Sacra, na igreja, recordando e meditando a Paixão de Cristo e todo o seu sofrimento para nos salvar. Isto aumenta em nós o amor a Jesus e aos outros.
Não podemos esquecer também que a Santa Missa é a prática de piedade mais importante da fé católica, e que dela devemos participar, se possível, todos os dias da Quaresma. Na Missa estamos diante do Calvário, o mesmo e único Calvário. Sim, não é a repetição do Calvário, nem apenas a sua "lembrança", mas a sua "presentificação"; é a atualização do Sacrifício único de Jesus. A Igreja nos lembra que todas as vezes que participamos bem da Missa, "torna-se presente a nossa redenção".
Assim podemos viver bem a Quaresma e participar bem da Páscoa do Senhor, enriquecendo a nossa alma com as suas graças extraordinárias; podendo ser melhor e viver melhor.
Prof. Felipe Aquino

Fonte: gaudiumpress.org

A FESTA DA IMACULADA CONCEIÇÃO

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São Paulo 
 
Dia 11 de fevereiro foi a Festa de Nossa Senhora de Lourdes que definiu-se a si mesma como sendo a Imaculada Conceição. Para nossos leitores publicamos as considerações que aqui seguem:
Lourdes! Onde encontraremos os termos que alcancem exprimir tudo quanto esse nome significa para a piedade católica no mundo inteiro? Quem poderá traduzir em palavras o ambiente de paz que envolve a gruta sagrada na qual, há 153 anos, a Santíssima Virgem apareceu à humilde Bernadette e inaugurou, de modo definitivo, um novo vínculo com a humanidade sedenta de refrigério e paz? Por desígnio da Divina Providência, a esse lugar associou-se uma ação intensa da graça, especialmente capaz de transmitir aos milhares de peregrinos, vindos de longe, a certeza interior de serem suas preces benignamente ouvidas, seus dramas apaziguados, e suas esperanças fortalecidas.
Com efeito, ao longo deste século e meio, as ásperas rochas de Massabielle tornaram-se palco das mais espetaculares conversões e curas, legando à Santa Igreja Católica um tesouro espiritual de valor incalculável.
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Santa Bernadette Soubirous
Em Lourdes fatos se revestem de uma grandiosidade peculiar, diante da qual nossa língua emudece. Ali está, diante de nós, a sublimidade do milagre. Entretanto, não se pode falar de Lourdes sem nos lembrarmos com veneração da personagem ligada de modo indissociável a essa história de bênçãos e misericórdias.
A modesta pastorinha a quem Nossa Senhora apareceu é o primeiro e maior prodígio de Lourdes: ela simboliza a íntegra fidelidade aos apelos de conversão e penitência, que naqueles dias foram lançados pela Rainha dos Céus, os quais haveriam de chegar aos mais longínquos recantos da Terra.
 
Infância marcada pela Fé
Bernadette nasceu num século de profundas transformações. Animada, de um lado, pelo surto de devoção mariana que o pontificado do Beato Pio IX estava suscitando, a segunda metade do século XIX presenciava o avanço insolente do ateísmo e do materialismo.
Os espíritos estavam divididos e, a fim de agir precisamente nessa encruzilhada da História, Maria Santíssima quis servir-se da filha primogênita do casal Soubirous.
Quão distantes, porém, desta sorte de considerações, estavam François e Louise, em 7 de janeiro de 1844! Nascia-lhes a filha Bernadette, no Moinho Bolly, nas cercanias de Lourdes, durante os dias felizes de fartura ali transcorridos. A menina foi batizada, recebendo o nome de sua madrinha Bernard, ao qual se acrescentou o da Senhora que haveria de lhe aparecer. Marie- Bernard, eis como se chamava Bernadette, sem escapar do diminutivo carinhoso que a acompanharia para o resto da vida.
No Moinho Bolly transcorreu sua primeira infância, marcada por uma religiosidade autêntica e sincera. Além da freqüência aos Sacramentos, a oração em conjunto aos pés do crucifixo e uma exímia prática dos princípios cristãos correspondiam a um dever moral para aquele casal de camponeses. Bernadette cresceu, por assim dizer, respirando a santa Fé Católica do mesmo modo que respirava o puro ar da montanhosa região dos Pirineus.
A miséria visitou o lar dos Soubirous
A época era difícil e os negócios de François Soubirous iam mal. Quando Bernadette tinha 8 anos, mudaramse para um moinho mais simples, e ao cabo de três anos alugaram uma cabana à beira da estrada. Já crescida, ela acompanhava os progressivos insucessos dos pais e enfrentava, com admirável resignação, a situação de indigência a que se viram reduzidos em 1856, a ponto de terem de mudar para o antigo cárcere da rua Petits- Fosées: um cubículo úmido e pestilento, que as autoridades locais haviam julgado inadequado até mesmo para os presos.
A pobreza era ali completa. O cômodo media menos de 20 m² e a família não possuía absolutamente nada, além da mobília mais indispensável e das roupas. A luz do Sol nunca penetrava no recinto, marcado pela grade da janela e pelo ferrolho da pesada porta - reminiscências do antigo calabouço. Ali vivia o casal Soubirous e as quatro crianças, constantemente atormentados pela fome. Quando conseguia comprar pão, a mãe o dividia entre os pequenos, que ainda assim se sentiam insaciados. Bernadette, não raras vezes, privava-se de sua pequena porção em favor dos mais novos, sem nunca demonstrar o menor descontentamento por isso.bernadette_o_maior_milagre_de_lourdes2.jpg
À noite, sem conseguir dormir, atormentada pela asma, Bernadette chorava. A causa principal daquele desafogo, porém, não eram a doença ou as duras privações materiais.
O único desejo da angelical menina era fazer a Primeira Comunhão, mas a necessidade de cuidar dos irmãos e da casa a impedia de freqüentar o catecismo, de aprender a ler e escrever e até de falar francês. De fato, quando a Santíssima Virgem lhe dirigiu a palavra, o fez em patois, o dialeto da região de Lourdes. Se Bernadette desejou algo para si, nos dias de sua infância, foi apenas receber o Santíssimo Sacramento, o Senhor ofendido pelos pecados dos homens, que ela aprendera tão cedo a consolar.
Dias de pastoreio em Bartrès
As poucas vezes que Bernadette freqüentou as aulas de catecismo em Lourdes foram malogradas, porque não conseguia acompanhar as demais crianças, bem mais novas e adiantadas que ela. Louise Soubirous preocupava-se com a filha, de treze anos, que ainda não fizera a Primeira Comunhão, e resolveu pedir à amiga Marie Lagües que a recebesse em Bartrès - vilarejo não muito distante de Lourdes - a fim de que Bernadette lá pudesse freqüentar as aulas de catecismo.
Por consideração e amizade, Marie Lagües a recebeu em sua casa, mas não foi tão fiel à promessa quanto seria de se esperar. Logo ocupou Bernadette nos serviços da casa e no cuidado das crianças. E seu marido encontrou nela a pastora ideal para seu rebanho de cordeiros. Foi nesse períodoque Bernadette solidificouse na oração, durante as longas horas transcorridas no mais completo silêncio em meio ao privilegiado panorama pirenaico. Contemplativa, ela montava um pequeno altar em honra da Santíssima Virgem e aí passava horas de grande fervor recitando o Rosário, a única oração que conhecia.
Um fato passado com Bernadette por essa época demonstra a pureza cristalina de seu coração. Certo dia, quando François Soubirous foi visitar a filha, encontrou-a triste e cabisbaixa. Perguntou-lhe o que a afligia.
- Todos os meus cordeiros têm as costas verdes - respondeu ela.
O pai, percebendo tratar-se da marca posta por um negociante, fez um ameno gracejo: - Eles têm as costas verdes porque comeram muita erva.
- E podem morrer? - perguntou assustada Bernadette.
- Talvez...
Penalizada, ela começou a chorar no mesmo instante. O pai, então, contou-lhe a verdade: - Vamos, não chores. Foi o negociante que os marcou assim.
Mais tarde, quando a chamaram de boba por ter acreditado em semelhante brincadeira, sua resposta constituiu uma demonstração involuntária de sua elevada virtude: - Eu nunca menti; não podia supor que aquilo que o meu pai me dizia não era verdade.
Os dias se escoavam lentamente na pequena aldeia, havendo completado sete meses que Bernadette lá chegara. Quanta esperança de aproximar- se da Mesa Eucarística trazia na chegada, e que decepção experimentava agora, após poucas aulas de insignificante instrução! Aquela espera interminável a afligia, mas, como tudo na vida do homem, foi permitida por Nosso Senhor.
"Sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça" (Eclo 2, 3). Essas palavras, desconhecidas para Bernadette, significam exatamente o modo como Deus procedeu a seu respeito. Ao mesmo tempo que a graça inspirava em sua alma um ardente desejo das coisas do alto, estas pareciam ser-lhe tiradas. Com isso, seu anseio se robustecia, e tudo o que era terreno ia se afigurando como pouca coisa aos seus olhos, cada vez mais aptos para compreender as realidades sobrenaturais.bernadette_o_maior_milagre_de_lourdes3.jpg
Como costuma ocorrer com as almas que Deus prova por meio de longas esperas, estavam-lhe reservadas grandes graças.
Celestial surpresa
De volta à casa paterna, Bernadette retomou os antigos afazeres. Na manhã inolvidável de 11 de fevereiro de 1858, saiu com a irmã Toinette e a amiga Jeanne Abadie para o bosque, a fim de recolherem gravetos para a lareira e ossos para vender a fim de comprarem algum alimento. Andaram bastante até chegarem à gruta de Massabielle, onde Bernadette nunca havia estado. Enquanto as vivazes meninas atravessavam a água gelada do rio Gave, Bernadette se preparava para fazer o mesmo.
Eis sua própria narração do que então sucedeu: "Escutei um barulho, como se fosse um rumor. Então, virei a cabeça para o lado do prado; vi que as árvores absolutamente não se mexiam. Continuei a descalçar-me. Escutei de novo o mesmo barulho. Levantei a cabeça, olhando para a gruta. Avistei uma Senhora toda de branco, com um vestido branco, um cinto azul e uma rosa amarela sobre cada pé, da cor da corrente do seu terço: as contas do terço eram brancas" 1.
Era a Santíssima Virgem sorrindo-lhe, e chamando-a para se aproximar d'Ela. Temerosa, Bernadette não se adiantou, mas puxou o terço e começou a rezar. O mesmo fez a "linda Senhora", a qual embora sem mover os lábios, a acompanhava com seu próprio terço. Após o término do Rosário, Ela desapareceu.
A impressão causada por essa primeira aparição em Bernadette foi profunda. Sem reconhecer nEla a Mãe celeste, a menina sentia-se irresistivelmente atraída por figura tão amável e admirável, na qual não podia parar de pensar. Quando uma freira lhe perguntou, anos mais tarde, na enfermaria do convento, se a Senhora era bela, ela respondeu: - Sim! Tão bela que, quando se vê uma vez, deseja-se a morte só para tornar a vê-la!
Dezoito encontros em Massabielle
Por mais que Bernadette tivesse pedido segredo às suas duas companheiras, às quais contou o que vira, elas não se mantiveram caladas por muito tempo. Logo, dezenas de pessoas comentavam na vizinhança o sobrenatural acontecimento. E era apenas o começo: a impressionante popularidade das aparições assumiram proporções tais, que no dia 4 de março, estavam junto a Bernadette nada menos que vinte mil peregrinos.
Antes de cada visita de Nossa Senhora, Bernadette sentia irresistível desejo de ir a Massabielle. Assim aconteceu nos dias 14 e 18 de fevereiro, quando um pressentimento interior a conduziu até a gruta. Na segunda aparição, a Virgem Santíssima permaneceu novamente em silêncio; disse algo apenas no dia 18, conforme no-lo narra a obediente menina: "A Senhora só me falou na terceira vez. Ela perguntou-me se eu queria ir lá durante quinze dias. Eu respondi que sim, depois que pedisse licença a meus pais" 2.
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O Santuário de Lourdes é um dos maiores centros de
peregrinação do mundo católico, acolhendo cerca
de 6 milhões de peregrinos todos os anos
A quinzena de aparições, que se deu entre 18 de fevereiro e 4 de março, com exceção dos dias 22 e 26, constituiu o cerne da mensagem confiada a Bernadette. A cada dia multiplicava- se o número dos assistentes que empreendiam penosas viagens, atraídos pelos celestiais colóquios. Embora mais ninguém além de Bernadette visse a "Senhora", todos sentiam Sua presença e se comoviam com os êxtases da camponesa.
- Ela não parecia ser deste mundo - disse uma testemunha.
As palavras de Nossa Senhora não foram muitas, mas de expressivo significado. Disse a Bernadette no mesmo dia 18: "Não prometo fazer-te feliz neste mundo, mas sim no outro". E nas outras vezes: "Eu quero que venha aqui muita gente". "Pede a Deus pelos pecadores! Beije a terra pelos pecadores!". "Penitência, penitência, penitência!" "Vá e diga aos padres que construam aqui uma capela. Quero que todos venham em procissão".
Ainda durante a quinzena, a Rainha dos Céus confiou três segredos e ensinou uma oração a Bernadette, a qual ela recitou com insuperável fervor todos os dias de sua vida. Após um longo silêncio a respeito de sua identidade, a Senhora revelou seu nome a Bernadette na 16ª aparição, em 25 de março de 1858: "Eu sou a Imaculada Conceição". Era uma solene confirmação do dogma proclamado pelo Beato Pio IX, quatro anos antes; a pureza da doutrina seria coroada, daqui por diante, pela beleza dos milagres.
Transformada por Nossa Senhora
Um dos critérios de prudência adotados pela Santa Igreja para verificar a autenticidade de revelações como as que recebeu Bernadette, consiste em observar atentamente a conduta dos videntes. Neles, se reflete invariavelmente a veracidade e o teor do que dizem ver: seu testemunho pessoal é decisivo.
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Na gruta de Massabielle, onde Maria
pediu a Bernadette que rezasse pelos
pecadores, operam-se verdadeiros
milagres da graça
No caso de Lourdes, tal como depois sucedeu com os pastorinhos de Fátima, a mudança operada em Bernadette pode ser considerada um milagre da graça. Seus gestos, modos, palavras e, sobretudo sua piedade adquiririam indescritível brilho pelo contato com a Rainha dos Céus: "Na sua atitude, nos seus traços fisionômicos, via-se que a sua alma estava arrebatada. Que paz profunda! Que serenidade! Que elevada contemplação! O olhar da criança para a aparição não era menos maravilhoso que o seu sorriso. Era impossível imaginar algo tão puro, tão suave, tão amável..." 3.
Após os êxtases, ela mantinha a clave de sublimidade que a pervadira: o modo como fazia o sinal-da cruz, sua compostura durante a oração e sua fineza de trato, aliados à simplicidade, eram mais distintos que os de qualquer dama que tivesse passado a vida inteira exercitando-se na arte do "savoir-plaire".
"Não escapa aos pais que se operou nela uma transformação no decorrer deste último mês. Não foram vãs para ela a contemplação e as lições celestes. [...] Tendo visto chorar a Senhora de Massabielle pelo pecado e pelos pecadores, esta criança analfabeta compreendeu o grande dever da penitência e da oração" 4.
Até mesmo o Pe. Peyramale, o pároco de Lourdes, célebre pela desconfiança em realção a todos os fatos ocorridos com Bernadette, confessou: "tudo nela evolui de maneira impressionante" 5.
Respondendo aos magistrados
Os espíritos céticos estavam à espreita dos acontecimentos. Sumamente irritados pela afluência multitudinária à gruta, diziam: "É incrível quererem fazer-nos crer em aparições em pleno século XIX". Tais homens colocavam suas esperanças mais em seus "modernos" inventos que na onipotência de Deus: "É estupidez e obscurantismo admitir a possibilidade de aparições e milagres na época do telégrafo elétrico e da máquina a vapor" 6.
Foi diante de autoridades com essa mentalidade que Bernadette teve de depor três vezes no curto período de uma semana, ainda durante a quinzena das aparições. Durante os intermináveis inquéritos em que a crivaram de perguntas capciosas, Bernadette ouviu coisas brutais: "Vamos prenderte! O que é que vais procurar à gruta? Por que fazes correr tanta gente? Vamos meter-te na prisão! Matar-te-emos na prisão!" 7. Chamaram-na de mentirosa, visionária, louca. A tudo isso ela apenas respondia com a verdade, suportando esses sofrimentos com humildade e doçura. Suas respostas acertadas confundiram os magistrados, que nunca tiveram qualquer motivo legal para prendê-la.
A opinião final que formaram a respeito de Bernadette, e que enviaram ao Ministro da Justiça de então, foi esta: "Segundo o reduzido número daqueles que pretendem ter a seu lado o bom senso, a razão e a ciência, Bernadette Soubirous é portadora de uma enfermidade mental conhecida: está sendo vítima de alucinações, apenas isto!" 8. Teriam eles, como pretendiam, a razão do seu lado? A resposta não demorou a se tornar clara.
A fonte milagrosa e o chamado à expiação
Na aparição de 25 de fevereiro, a Santíssima Virgem disse a Bernadette: "Vai beber à fonte". Bernadette foi ao rio Gave e bebeu. Contudo, não era ao rio que Ela se referia, mas sim a um canto da gruta onde havia apenas água suja. A menina cavou e bebeu.
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Fonte milagrosa de Lourdes
Daquela nascente obscura brotou discretamente a água milagrosa, que dali a alguns dias borbulhava em abundância para maravilhamento de todos.Os doentes não demoraram em servir-se dela e as curas inexplicáveis se iniciaram em 1º de março. Enfermos desenganados "pela razão e pela ciência" viam seus males desaparecer num instante, e os argumentos de inúmeros corações reticentes se transformavam em cânticos de fé.
Mas, quando Bernadette, mais tarde, serviu- se da água para suas penosas doenças, ela não lhe foi eficaz. Perguntaram, então: - Essa água cura os outros doentes: por que não te cura a ti? - Talvez a Santíssima Virgem queira que eu sofra - foi a sua resposta. De fato, a sua vocação era sofrer e expiar pela conversão dos pecadores. A água da fonte não era para ela.
Essa filha predileta de Maria compreendeu com profundidade sua singular missão. Tudo quanto haveria de padecer física e moralmente dali em diante - o que não foi pouco - ela desejava unir aos méritos infinitos do Redentor crucificado, para que fosse pleno o efeito das graças derramadas na gruta. Nunca um murmúrio, uma queixa ou um ato de impaciência se desprendeu de seus resignados lábios, afeitos de modo heróico ao silêncio e à imolação.
No Asilo e em Nevers
Após o ciclo das aparições, todos queriam ver Bernadette e tocá-la. Pediam-lhe bênçãos, roubavam relíquias... Homens ilustres empreendiam longas viagens para conhecê-la e altas figuras eclesiásticas não escondiam sua admiração diante dela.
Todavia, quanto a faziam sofrer por causa disso! Em sua acrisolada humildade, Bernadette sentia-se incomodada perante tantas manifestações de deferência. Seu maior desejo era ser esquecida, queria que apenas a Virgem Santíssima fosse objeto de enlevo e amor.
Em Lourdes, ela viveu ainda nove anos no Asilo, administrado pelas Irmãs de Caridade e da Instrução Cristã, de Nevers. Ajudava no atendimento aos doentes, nos serviços da cozinha, na atenção às crianças. Aos 23 anos partiu para a Casa-Mãe da Congregação, em Nevers, desejando avidamente a vida de recolhimento e oração: - Vim aqui para esconder-me - disse ela.
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Seus treze anos de vida religiosa foram vincados pela prática de todas as virtudes. De modo especial, o desprendimento de si mesma e o amor ao sofrimento. Desse período, passou nove anos de ininterruptas enfermidades: a asma inclemente, um doloroso tumor no joelho, que evoluiu até uma terrível cárie dos ossos. No dia 16 de abril de 1879, aos 35 anos de idade, ela entregou sua alma ao Criador.
"Encontrar-me-eis junto ao rochedo"
Seus restos mortais incorruptos constituem um dos mais belos vestígios da felicidade eterna que Deus tenha outorgado aos pobres mortais neste Vale de Lágrimas. Intocado, puro, angélico é o corpo de Bernadette, diante do qual o peregrino sente-se atraído a passar horas seguidas em oração, levantando-se depois com a doce impressão de ter penetrado na felicidade eterna de que goza a vidente de Massabielle.
Ali estão, cerrados, mas eloqüentes, os olhos que outrora contemplaram a Santíssima Virgem, a nos ensinar que os únicos a serem exaltados são os mansos e humildes de coração; a nos lembrar que, para realizar Suas grandes obras, Deus não precisa das forças humanas, mas sim da fidelidade à voz de Sua graça.
Sabemos que a missão de Bernadette não terminou. A ação benfazeja de sua intercessão se faz sentir junto à gruta, conforme ela mesma predisse: "Encontrar-me-eis junto ao rochedo que tanto amo". Que ela nos obtenha, neste ano do jubileu das aparições, uma confiança inquebrantável no poder d'Aquela que disse: "Eu sou a Imaculada Conceição".
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Fonte: gaudiumpress.org