domingo, 6 de junho de 2010

CRISTÃOS, ARTESÃOS DA PAZ. BENTO XVI RENOVA APELO PELA PAZ NA TERRA SANTA

CRISTÃOS, ARTESÃOS DA PAZ. BENTO XVI RENOVA APELO PELA PAZ NA TERRA SANTA

Nicósia, 06 jun (RV)

– A viagem de Bento XVI a Chipre alcançou esta manhã o seu ápice com a publicação do Instrumento de Trabalho (Instrumentum Laboris) da Assembleia Especial para o Oriente Médio do Sínodo dos Bispos. O ato ocorreu durante a celebração da Santa Missa no Ginásio de Esportes Elefthería de Nicósia, capital da Ilha.Na presença de seis mil fiéis, entre os quais os patriarcas e os bispos católicos do Oriente Médio, o Papa desenvolveu sua homilia sobre o Corpo e Sangue do Senhor, na Solenidade de Corpus Christi, que o Brasil celebrou quinta-feira passada. O papa citou Santo Agostinho, que nos recorda que o pão não é preparado a partir de um só grão, mas de inúmeros grãos: "Cada um de nós que pertencemos à Igreja precisa sair do mundo fechado da própria individualidade e aceitar a companhia daqueles que partilham o pão conosco. Não devo mais pensar a partir de 'mim mesmo', mas de 'nós'. É por isso que todos os dias pedimos ao 'nosso' Pai que nos dê o pão 'nosso' de cada dia". Para entrar na vida divina, prosseguiu o pontífice, a primeira premissa é derrubar as barreiras entre nós e nossos vizinhos e nos libertar de tudo aquilo que nos bloqueia e isola: temor e desconfiança de uns para com os outros, avidez e egoísmo, falta de vontade de aceitar o risco da vulnerabilidade à qual nos expomos quando nos abrimos ao amor. Em grego, Bento XVI afirmou: "Caros irmãos e irmãs em Cristo, hoje somos chamados a ser um só coração e uma só alma, para aprofundar nossa comunhão com o Senhor e uns com os outros, e testemunhá-Lo diante do mundo". Hoje, continuou o Papa, somos chamados a superar as nossas diferenças, a levar paz e reconciliação onde há conflitos e a oferecer ao mundo uma mensagem de esperança. "Somos chamados a atender os que estão em necessidade, partilhando generosamente nossos bens terrenos com os menos favorecidos. E somos chamados a proclamar incessantemente a morte e ressurreição do Senhor, até que Ele venha."No final da celebração, tomou a palavra o Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos, Dom Nikola Eterovic, convidando o Papa a entregar o Instrumento de trabalho.Com a convocação deste Sínodo, recordou o Arcebispo, todos os bispos do Oriente Médio, inclusive aqueles da Diáspora, refletirão sobre a atual situação eclesial e social nas respectivas Igrejas."No Oriente Médio, há situações difíceis, que podem ser comparadas com a dispersão das pessoas em busca de alimento para sobreviver "em uma região deserta" – constatou Dom Eterovic, recordando que a finalidade do Sínodo será implorar de Deus Uno e Trino a graça de doar um novo dinamismo pastoral às Igrejas na região, para que possam prosseguir sua providencial missão.Antes de sua saudação, Bento XVI quis recordar a morte do Presidente da Conferência Episcopal Turca, Dom Luigi Padovese, que contribuiu à preparação do Instrumentum laboris."As notícias de sua imprevisível e trágica morte, na quinta-feira, nos surpreenderam e nos chocaram" – afirmou o pontífice, destacando seu trabalho em prol do diálogo inter-religioso, ecumênico e cultural. "Sua morte é um lembrete da vocação de todo cristão de ser testemunha corajosa em toda circunstância daquilo que é bom, nobre e justo."A seguir, o Papa afirmou que o Oriente Médio tem um lugar especial nos corações de todos os cristãos, já que foi ali que Deus se revelou.Desde então, os cristãos olham para o Oriente Médio com uma reverência especial e continuam presentes na região apesar das hostilidades que, às vezes, são obrigados a enfrentar. Eis, portanto, que o Sínodo é uma ocasião para os cristãos do resto do mundo de oferecerem apoio espiritual e solidariedade aos irmãos e irmãs do Oriente Médio. Muitas vezes, continuou, os cristãos atuam como "artesãos da paz" no difícil processo de reconciliação: "Vocês merecem o reconhecimento pelo papel inestimável que desempenham. É minha firme esperança que seus direitos sejam sempre mais respeitados, inclusive o direito à liberdade de culto e à liberdade religiosa, e que jamais sofram discriminações de qualquer tipo".E antes de entregar pessoal e individualmente o texto aos patriarcas e bispos presentes, Bento XVI renovou seu apelo por um esforço internacional urgente e conjunto a fim de resolver as tensões que permanecem no Oriente Médio, em especial na Terra Santa, antes que esses conflitos levem a um derramamento de sangue ainda maior. (BF)

Fonte: RV

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