sábado, 23 de agosto de 2008

CNBB: PREOCUPAÇÂO COM OS MIGRANTES

CNBB preocupada com restrições às migrações
Organismo divulga nota de solidariedade aos migrantes
Por Alexandre Ribeiro


BRASÍLIA,

- A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) divulgou essa quinta-feira uma nota em que repudia as medidas que criminalizam os migrantes nos países mais desenvolvidos.
Ao final da reunião do Conselho Episcopal Pastoral da CNBB, órgão executivo formado pela presidência e mais 10 bispos, o episcopado expressou sua «apreensão e preocupação» com a adoção, por países para onde afluem numerosos grupos de migrantes, de medidas que ferem princípios básicos dos direitos humanos dos migrantes e suas famílias».
«Sem desconsiderar a complexidade das questões que envolvem o tema, constata-se que há medidas que dão margem a sentimentos xenófobos e fortalecem a criminilização do ato de migrar», afirmam os bispos.
«Tais medidas podem representar retrocesso no caminho de integração dos povos e da construção de uma cultura de paz. A acolhida à diversidade cultural, religiosa e social é condição fundamental para o estabelecimento da justiça e da paz.»
Ao recordar que os movimentos migratórios «são fatores de desenvolvimento humano e social», a CNBB enfatiza que «países que atualmente restringem a entrada de migrantes são os mesmos que outrora assistiram a emigração em massa de seus cidadãos».
«Aqueles que no Brasil aportaram, foram acolhidos e, gradativamente, integraram-se à sociedade local, contribuindo na construção da identidade e cultura nacionais», recorda.
A CNBB afirma repudiar «medidas que criminalizam os migrantes». «Muitas vezes, o tratamento dado aos migrantes é injusto e humilhante, envolvendo detenção e prisão, perda da moradia, do emprego e dos bens, separação dos cônjuges e dos filhos. A vergonha da expulsão pode impedir até mesmo a volta à família de origem».
«Manifestamos nossa solidariedade a todos os migrantes, aos brasileiros e brasileiras no exterior, e, de modo especial, aos que se encontram em situação de maior vulnerabilidade, com dificuldade de obter a documentação de permanência, vivendo e trabalhando em clima de insegurança e medo.»
O episcopado brasileiro apela «aos países e à comunidade internacional que implementem medidas para cessar as guerras, superar a fome e a miséria, eliminar as desigualdades sociais».
Pede também que se adote «uma política migratória que leve em consideração os direitos das pessoas em mobilidade».
«Rogamos que prevaleça a solidariedade, baseada nos princípios da dignidade da pessoa, da proteção dos direitos humanos e da fraternidade universal», encerra o texto.

Fonte: ZENIT.org

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