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Uma Capela cheia de segredos !Você quer descobri-la conosco? Saiba, antes de tudo, que a Casa Mãe da Companhia das Filhas da Caridade era o antigo "Hotel de Châtillon". Este, foi concedido à Companhia, em 1813, por Napoleão Bonaparte, depois da tormenta da Revolução Francesa. Imediatamente, começa a construção da Capela.A 8 de agosto de 1813, realizou-se a bênção solene da Capela dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. Em 1830, aconteceram então as aparições. Aumentou o numero de vocações.Foi necessário transformar a Capela, que passa então por várias modificações. Em 1930, por ocasião do centenário das apariçes, uma nova reforma nos mostra a Capela tal como a vemos hoje.Agora, a você a oportunidade de visitá-la!
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Visita a Capela da Medalha Milagrosa, localizada na Rue du Bac, 140 - Paris

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Mostrando postagens com marcador Papa Francisco. Mostrar todas as postagens
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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A vocação da Igreja nos nossos dias

Papa Francisco: a vocação da Igreja nos nossos dias

- AP                              


Cidade do Vaticano  –

No dia em que a Igreja celebra a Solenidade da Epifania do Senhor, o Papa Francisco presidiu a Santa Missa na Basílica de São Pedro, reiterando que a “Igreja não pode iludir-se de brilhar com a luz própria”, “mas sim com a de Cristo”. A exemplo dos Reis Magos, somos chamados “a sair dos nossos fechamentos, a sair de nós mesmos, para reconhecermos o esplendor da luz que ilumina a nossa existência”.

“Cristo é a luz verdadeira, que ilumina, disse Francisco, e a Igreja, na medida em que permanece ancorada n’Ele, na medida em que se deixa iluminar por Ele, consegue iluminar a vida das pessoas e dos povos”. Por isso – disse -  “os Santos Padres reconheciam, na Igreja, o «mysterium lunae»”, isto é, “é como a lua”, que não brilha com a luz própria. E como cristãos, “temos necessidade desta luz, que vem do Alto, para correspondermos coerentemente com a vocação que recebemos”.

“Anunciar o Evangelho de Cristo não é uma opção que podemos fazer entre muitas, nem é uma profissão. Para a Igreja, ser missionária não significa fazer proselitismo; para a Igreja, ser missionária equivale a exprimir a sua própria natureza: isto é, ser iluminada por Deus e refletir a sua luz. Este é o seu serviço. Não há outra estrada. A missão é a sua vocação: resplandecer a luz de Cristo é o seu serviço. Quantas pessoas esperam de nós este serviço missionário, porque precisam de Cristo, precisam conhecer o rosto do Pai”.

Francisco explicou que os Magos, de que nos fala o Evangelho de Mateus, “são um testemunho vivo de como estão presentes por todo lado as sementes da verdade, pois são dom do Criador que, a todos, chama a reconhecê-Lo como Pai bom e fiel”.

“Os Magos representam as pessoas, dos quatro cantos da terra, que são acolhidas na casa de Deus. Na presença de Jesus, já não há qualquer divisão de raça, língua e cultura: naquele Menino, toda a humanidade encontra a sua unidade. E a Igreja tem o dever de reconhecer e fazer surgir, de forma cada vez mais clara, o desejo de Deus que cada um traz dentro de si".

O Papa observou, que como os Magos, ainda hoje, “há muitas pessoas que vivem com o “coração inquieto”, que continuam a questionar incessantemente sem encontrar respostas certas; existe a inquietude do Espírito Santo que se move nos corações. Também estas pessoas andam à procura da estrela que indica a estrada para Belém”:

“Quantas estrelas existem no céu! E todavia os Magos seguiram uma diferente, uma nova, que – segundo eles – brilhava muito mais. Longamente perscrutaram o grande livro do céu para encontrar uma resposta às suas questões - tinham o coração inquieto - e, finalmente, a luz aparecera. Aquela estrela mudou-os. Fez-lhes esquecer as ocupações diárias e puseram-se imediatamente a caminho. Deram ouvidos a uma voz que, no íntimo, os impelia a seguir aquela luz - é a voz do Espírito Santo, que trabalha em todas as pessoas -; e esta guiou-os até encontrarem o rei dos judeus numa pobre casa de Belém”.

A experiência dos Magos é uma lição para nós hoje, afirmou o Papa. ”Somos chamados, sobretudo num tempo como o nosso, a procurar os sinais que Deus oferece, cientes de que se requer o nosso esforço para os decifrar e, assim, compreender a vontade divina”:

“Somos desafiados a ir a Belém encontrar o Menino e sua Mãe. Sigamos a luz que Deus nos oferece, pequenina! O hino do breviário poeticamente nos diz que os Magos "lumen requirunt lumine", aquela pequena luz. A luz que irradia do rosto de Cristo, cheio de misericórdia e fidelidade. E, quando chegarmos junto d’Ele, adoremo-Lo com todo o coração e ofereçamos-Lhe de presente a nossa liberdade, a nossa inteligência, o nosso amor. A verdadeira sabedoria se esconde no rosto deste Menino. É aqui, na simplicidade de Belém, que a vida da Igreja encontra a sua síntese. Aqui está a fonte daquela luz que atrai a si toda a pessoa no mundo e orienta o caminho dos povos nas sendas da paz”.

Fonte R. Vaticana

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Papa Francisco: Oração mariana do Ângelus


- RV
 
 



Cidade do Vaticano –

Após presidir  a santa missa na Basílica de S. Pedro, por ocasião da Solenidade da Mãe de Deus, o Papa Francisco procedeu, a celebração da oração mariana do Angelus da janela do aposento Pontifício, com os milhares de fieis reunidos na Praça São Pedro. Neste primeiro dia de 2016, Francisco quis desejar a todos um “augúrio amparado por uma esperança real”.

O Papa observou que a troca de felicitações no fim do ano  é “um sinal da esperança que nos anima e nos convida a acreditar na vida”, de que aquilo que nos espera “seja um pouco melhor”. Recordou entretanto, que todos sabemos “que com o ano novo nem tudo mudará, e que tantos problemas de ontem permanecerão também amanhã”. Apesar desta constatação, a mensagem de Francisco é uma mensagem de esperança.

Inspirado nas palavras da liturgia do dia em que “o Senhor mesmo quis abençoar o seu povo”, Francisco quis dirigir aos presentes os mesmos votos para que, disse “ o Senhor coloque o seu olhar sobre vós e que possais alegrar-vos, sabendo que em cada dia o seu rosto misericordioso, mais radiante do que o sol, resplandece sobre vós e jamais declina”. E o Papa acrescentou:

“Descobrir o rosto de Deus renova a vida. Porque é um Pai enamorado do homem, que não se cansa nunca de recomeçar conosco do início, para nos renovar. Porém, não promete mudanças mágicas. Ele não usa a varinha mágica. Ama mudar a realidade a partir de dentro, com paciência e amor; pede para entrar na nossa vida com delicadeza, como a chuva na terra, para dar fruto. E sempre nos espera e nos olha com ternura. A cada manhã, ao despertar, podemos dizer: “Hoje o Senhor faz resplandecer a sua face sobre mim!””.

O Papa recordou que a Igreja celebra hoje o Dia Mundial da Paz com o tema “Vença a indiferença e conquista a paz”. “A paz que Deus deseja semear no mundo – disse – deve ser cultivada por nós. E não só, mas deve ser também “conquistada””:

“Isto comporta uma verdadeira luta, um combate espiritual, que tem lugar no nosso coração. Porque inimiga da paz não é somente a guerra, mas também a indiferença, que faz pensar só em si mesma e cria barreiras, suspeitas, medos, fechamentos. Temos, graças a Deus, tantas informações; mas às vezes somos tão bombardeados por notícias que ficamos distraídos da realidade, do irmão e da irmã que tem necessidade de nós. Comecemos a abrir o nosso coração, despertando a atenção pelo próximo. Este é o caminho para a conquista da paz”.

Ao concluir a sua reflexão, o Santo Padre dirigiu-se a Rainha da Paz, a Mãe de Deus, cuja Solenidade é celebrada neste 1º de janeiro, perguntando “de que se trata estas coisas que ela guardava, meditando-as em seu coração?”:

“Certamente da alegria pelo nascimento de Jesus, mas também das dificuldades que havia encontrado: teve que colocar o seu Filho numa manjedoura porque para eles não havia lugar no alojamento e o futuro era muito incerto. As esperanças e as preocupações, a gratidão e os problemas: tudo aquilo que acontecia na vida tornava-se, no coração de Maria, oração, diálogo com Deus. Eis o segredo da Mãe de Deus. E ela faz isto também por nós hoje: guarda as alegrias e desata os nós da nossa vida, entregando-os ao Senhor”.

Após recitar a oração do Angelus, o Papa dirigiu-se aos fieis manifestando o seu reconhecimento “pelas inúmeras iniciativas de oração e de ação pela paz organizadas em todas as partes do mundo por ocasião do Dia Mundial da Paz.
O Pontífice também saudou os “Cantores da Estrela” – “crianças e jovens que na Alemanha e na Áustria levam nas casas a bênção de Jesus e fazem uma coleta de ofertas para os pobres”.

Ao concluir, o Santo Padre desejou a todos um “ano de paz na graça do Senhor, rico de misericórdia, e com a proteção materna de Maria, a Santa Mãe de Deus”. (JE/FL)

Fonte: R Vaticana

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

PAPA FRANCISCO 2015, EM VÍDEO

Retrospectiva 2015: Um ano com o Papa Francisco



Francisco durante uma Audiência no Vaticano - AFP

Cidade do Vaticano (RV) –

O terceiro ano de Pontificado levou Francisco à Ásia, América e África. O Papa também visitou a periferia da Europa, rezou diante do Santo Sudário em Turim e visitou o Santuário de Nossa Senhora de Pompeia.
O ano que termina foi marcado pela proximidade do peregrino da Misericórdia aos últimos: lavou os pés de detentos em uma penitenciária de Roma, abraçou o filho de um interno no presídio de Palmasola na Bolívia e visitou um campo de refugiados na África.
Para recordar este ano em que Francisco abriu o Jubileu da Misericórdia, a Rádio Vaticano preparou uma retrospectiva em que lembramos os momentos mais marcantes do ano do Papa.

Assista em:  VaticanBR

Fonte: R Vaticana

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

PAPA FRANCISCO

Augúrio Natalício do Papa aos membros da Curia Romana


  
 
Hoje ás 10,30, horas de Roma, o Santo Padre recebeu em audiência na Sala Clementina do Vaticano, os colaboradores e membros da Cúria Romana para trocar os augúrios natalícios; ocasião também para uma breve meditação sobre o testemunho, no trabalho da Cúria Romana, do mistério da encarnação do Senhor na história. Eis na íntegra, o discurso do Santo Padre:
Queridos irmãos e irmãs!

Com alegria, vos dirijo os meus votos mais cordiais de um santo Natal e feliz Ano Novo, que estendo a todos os colaboradores, aos Representantes Pontifícios e de modo particular àqueles que, tendo chegado à idade da reforma durante este ano, terminaram o seu serviço. Recordamos também as pessoas que foram chamadas à presença de Deus. Para vós todos e vossos familiares, a minha estima e gratidão.

No meu primeiro encontro convosco, em 2013, quis salientar dois aspectos importantes e inseparáveis do trabalho curial: o profissionalismo e o serviço, apontando a figura de São José como modelo a imitar. Ao passo que no ano passado, a fim de nos prepararmos para o sacramento da Reconciliação, abordámos algumas tentações e «doenças» – o «catálogo das doenças curiais» – que poderiam afetar cada cristão, cúria, comunidade, congregação, paróquia e movimento eclesial; doenças, que requerem prevenção, vigilância, cuidado e, em alguns casos infelizmente, intervenções dolorosas e prolongadas.

Algumas dessas doenças manifestaram-se no decurso deste ano, causando não pouco sofrimento a todo o corpo e ferindo muitas almas.
Forçoso é dizer que isto foi – e sê-lo-á sempre – objeto de sincera reflexão e de medidas decisivas. A reforma prosseguirá com determinação, lucidez e ardor, porque Ecclesia semper reformanda.
Entretanto nem as doenças nem mesmo os escândalos poderão esconder a eficiência dos serviços que a Cúria Romana presta ao Papa e à Igreja inteira, com desvelo, responsabilidade, empenho e dedicação, sendo isso motivo de verdadeira consolação. Santo Inácio ensinava que «é próprio do espírito mau vexar, contristar, colocar dificuldades e turbar com falsas razões, para impedir de avançar; ao contrário, é próprio do espírito bom dar coragem e energias, consolações e lágrimas, inspiração e serenidade, diminuindo e removendo qualquer dificuldade, para avançar no caminho do bem».[1]

Seria grande injustiça não expressar sentida gratidão e o devido encorajamento a todas as pessoas sãs e honestas que trabalham com dedicação, lealdade, fidelidade e profissionalismo, oferecendo à Igreja e ao Sucessor de Pedro o conforto da sua solidariedade e obediência bem como das suas generosas orações.

Além disso, as próprias resistências, fadigas e quedas das pessoas e dos ministros constituem lições e oportunidades de crescimento, e nunca de desânimo. São oportunidade para «voltar ao essencial», que significa avaliar a consciência que temos de nós mesmos, de Deus, do próximo, do sensus Ecclesiae e do sensus fidei.

É deste «voltar ao essencial» que vos quero falar hoje, nos inícios da peregrinação do Ano Santo da Misericórdia, aberto pela Igreja há poucos dias e que constitui para ela e para todos nós um forte apelo à gratidão, à conversão, à renovação, à penitência e à reconciliação.
Na realidade, segundo diz Santo Agostinho de Hipona, o Natal é a festa da Misericórdia infinita de Deus: «Podia haver, para infelizes como nós, maior misericórdia do que aquela que induziu o Criador do céu a descer do céu e o Criador da terra a revestir-se dum corpo mortal? Aquela mesma misericórdia induziu de tal modo o Senhor do mundo a revestir-Se da natureza de servo, que embora sendo pão tivesse fome, embora sendo a saciação tivesse sede, embora sendo a força Se tornasse fraco, embora sendo a salvação fosse ferido, embora sendo vida pudesse morrer. E tudo isto para saciar a nossa fome, aliviar a nossa secura, reforçar a nossa fraqueza, apagar a nossa iniquidade, acender a nossa caridade».[2]

Por isso, no contexto deste Ano da Misericórdia e da preparação para o santo Natal, já à porta, quero apresentar-vos um instrumento prático para se poder viver frutuosamente este tempo de graça. Trata-se de um não-exaustivo «catálogo das virtudes necessárias», para quem presta serviço na Cúria e para todos aqueles que querem tornar fecunda a sua consagração ou o seu serviço à Igreja.
Convido os Responsáveis dos Dicastérios e os Superiores a aprofundá-lo, enriquecê-lo e completá-lo. É um elenco em acróstico que toma por base de análise precisamente a palavra «misericórdia», fazendo dela o nosso guia e o nosso farol:

1.     Missionariedade e pastoreação. A missionariedade é aquilo que torna, e mostra, a Cúria fértil e fecunda; é a prova da eficácia, eficiência e autenticidade do nosso trabalho. A fé é um dom, mas a medida da nossa fé prova-se também pelo modo como somos capazes de a comunicar.[3] Cada baptizado é missionário da Boa Nova primariamente com a sua vida, o seu trabalho e o seu testemunho jubiloso e convincente. Uma pastoreação sã é virtude indispensável especialmente para cada sacerdote. É o compromisso diário de seguir o Bom Pastor que cuida das suas ovelhas e dá a sua vida para salvar a vida dos outros. É a medida da nossa atividade curial e sacerdotal. Sem estas duas asas nunca poderemos voar, nem alcançar a bem-aventurança do «servo fiel» (cf. Mt 25, 14-30).

2.     Idoneidade e sagácia. A idoneidade requer o esforço pessoal por adquirir os requisitos necessários para se exercer da melhor maneira as próprias tarefas e atividades, com inteligência e intuição. É contra recomendações e subornos. A sagácia é a prontidão de mente para compreender e enfrentar as situações com sabedoria e criatividade. Idoneidade e sagácia constituem também a resposta humana à graça divina, quando cada um de nós segue esta famosa sentença: «Fazer tudo como se Deus não existisse e, depois, deixar tudo a Deus como se eu não existisse». É o comportamento do discípulo que, diariamente, se dirige ao Senhor com estas palavras duma belíssima Oração Universal atribuída ao Papa Clemente XI: «Guiai-me com a vossa sabedoria, governai-me com a vossa justiça, encorajai-me com a vossa bondade, protegei-me com o vosso poder. Ofereço-Vos, ó Senhor, os pensamentos, para que estejam fixos em Vós; as palavras, para que sejam vossas; as acções, para que sejam segundo o vosso querer; as tribulações, para que as sofra por Vós».[4]

3.     Espiritualidade e humanidade. A espiritualidade é a coluna sustentáculo de qualquer serviço na Igreja e na vida cristã. É aquilo que nutre toda a nossa atividade, sustenta-a e protege-a da fragilidade humana e das tentações diárias. A humanidade é o que encarna a veridicidade da nossa fé. Quem renúncia à sua humanidade, renuncia a tudo. É a humanidade que nos torna diferentes das máquinas e dos robôs que não sentem nem se comovem. Quando temos dificuldade em chorar a sério ou rir com paixão, então começou o nosso declínio e o nosso processo de transformação de «homens» noutra coisa qualquer. A humanidade é saber mostrar ternura, familiaridade e gentileza com todos (cf. Flp 4, 5). A espiritualidade e a humanidade, embora qualidades inatas, não deixam de ser potencialidades que carecem de realização integral, progressivo desenvolvimento e prática diária.

4.     Exemplaridade e fidelidade. O Beato Paulo VI recordou à Cúria «a sua vocação à exemplaridade».[5] Exemplaridade para evitar os escândalos que ferem as almas e ameaçam a credibilidade do nosso testemunho. Fidelidade à nossa consagração, à nossa vocação, lembrando-nos sempre das palavras de Cristo: «quem é fiel no pouco, também é fiel no muito; e quem é infiel no pouco, também é infiel no muito» (Lc 16, 10) e «se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem em Mim, seria preferível que lhe suspendessem do pescoço a mó de um moinho e o lançassem nas profundezas do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos! São inevitáveis, decerto, os escândalos; mas ai do homem por quem vem o escândalo» (Mt 18, 6-7).

5.     Racionalidade e amabilidade. A racionalidade serve para evitar os excessos emocionais e a amabilidade para evitar os excessos da burocracia e das programações e planificações. São dotes necessários para o equilíbrio da personalidade: «O inimigo observa bem se uma alma é rude ou delicada; se é delicada, procura torná-la delicada até ao excesso, para depois mais a angustiar e confundir».[6] Todo o excesso é indício de qualquer desequilíbrio.

6.     Inocuidade e determinação. A inocuidade, que nos torna cautelosos no juízo, capazes de nos abstermos de ações impulsivas e precipitadas. É a capacidade de fazer emergir o melhor de nós mesmos, dos outros e das situações, agindo com cuidado e compreensão. É fazer aos outros aquilo que querias que fosse feito a ti (cf. Mt 7, 12; Lc 6, 31). A determinação é o agir com vontade decidida, visão clara e obediência a Deus e somente pela lei suprema da salus animarum (cf. CIC, cân. 1725).

7.     Caridade e verdade. Duas virtudes indissolúveis da vida cristã: «testemunhar a verdade na caridade e viver a caridade na verdade» (cf. Ef 4, 15).[7] De contrário, a caridade sem verdade torna-se ideologia da bonacheirice destrutiva e a verdade sem caridade torna-se justicialismo cego.

8.     Honestidade e maturidade. A honestidade é a retidão, a coerência e o agir com absoluta sinceridade connosco mesmos e com Deus. Quem é honesto não age retamente apenas sob o olhar do supervisor ou do superior; o honesto não teme ser apanhado de surpresa, porque nunca engana a quem se fia dele. O honesto nunca domina sobre as pessoas ou sobre as coisas que lhe foram confiadas em administração, como o «servo mau» (Mt 24, 48). A honestidade é a base sobre a qual assentam todas as outras qualidades. Maturidade é o esforço para alcançar a harmonia entre as nossas capacidades físicas, psíquicas e espirituais. É a meta e o bom êxito dum processo de desenvolvimento que não termina jamais nem depende da idade que temos.

9.     Respeito e humildade. O respeito é dote das almas nobres e delicadas; das pessoas que procuram sempre ter em justa consideração os outros, a sua função, os superiores e os subordinados, os problemas, os documentos, o segredo e a confidencialidade; das pessoas que sabem ouvir atentamente e falar educadamente. A humildade, por sua vez, é a virtude dos santos e das pessoas cheias de Deus, que quanto mais sobem de importância tanto mais cresce nelas a consciência de nada serem e de nada poderem fazer sem a graça de Deus (cf. Jo 15, 8).

10.   Dadivoso e atento. Quanto maior confiança tivermos em Deus e na sua providência, tanto mais seremos dadivosos de alma e mais seremos mãos abertas para dar, sabendo que quanto mais se dá, mais se recebe. Na realidade, é inútil abrir todas as Portas Santas de todas as basílicas do mundo, se a porta do nosso coração está fechada ao amor, se as nossas mãos estão fechadas para dar, se as nossas casas estão fechadas para hospedar e se as nossas igrejas estão fechadas para acolher. A atenção é o cuidado dos detalhes e a oferta do melhor de nós mesmos sem nunca cessar de vigiar sobre os nossos vícios e faltas. São Vicente de Paulo rezava assim: «Senhor, ajudai-me a dar-me conta, imediatamente, daqueles que estão ao meu lado, daqueles que vivem preocupados e desorientados, daqueles que sofrem sem o manifestar, daqueles que se sentem isolados, sem o querer».

11.   Impavidez e prontidão. Ser impávido significa não se deixar amedrontar perante as dificuldades, como Daniel na cova dos leões, como David diante de Golias; significa agir com audácia e determinação e sem indolência «como bom soldado» (2 Tm 2, 3-4); significa saber dar o primeiro passo sem demora, como Abraão e como Maria. Por sua vez, a prontidão é saber actuar com liberdade e agilidade, sem apegar-se às coisas materiais que passam. Diz o salmo: «Se as vossas riquezas crescerem, não lhes entregueis o coração» (Sal 62/61, 11). Estar pronto significa estar sempre a caminho, sem jamais se sobrecarregar acumulando coisas inúteis e fechando-se nos próprios projectos, nem se deixar dominar pela ambição.

12.   FiAbilidade e sobriedade. Fiável é aquele que sabe manter os compromissos com seriedade e atendibilidade quando está a ser observado mas sobretudo quando está sozinho; é aquele que ao seu redor irradia uma sensação de tranquilidade, porque nunca atraiçoa a confiança que lhe foi concedida. A sobriedade – última virtude deste elenco mas não na importância – é a capacidade de renunciar ao supérfluo e resistir â lógica consumista dominante. A sobriedade é prudência, simplicidade, essencialidade, equilíbrio e temperança. A sobriedade é contemplar o mundo com os olhos de Deus e com o olhar dos pobres e do lado dos pobres. A sobriedade é um estilo de vida,[8] que indica o primado do outro como princípio hierárquico e manifesta a existência como solicitude e serviço aos outros. Quem é sóbrio é uma pessoa coerente e essencial em tudo, porque sabe reduzir, recuperar, reciclar, reparar e viver com o sentido de medida.

Queridos irmãos!
A misericórdia não é um sentimento passageiro, mas é a síntese da Boa Nova, é a opção de quem quer ter os sentimentos do «Coração de Jesus»,[9] de quem seriamente quer seguir o Senhor que nos pede: «Sede misericordiosos como o vosso Pai» (Lc 6, 36; cf. Mt 5, 48). Afirma o padre Hermes Ronchi: «Misericórdia é escândalo para a justiça, loucura para a inteligência, consolação para nós, devedores. A dívida de existir, a dívida de ser amados, só se paga com a misericórdia».
Concluindo, seja a misericórdia a guiar os nossos passos, a inspirar as nossas reformas, a iluminar as nossas decisões; seja ela a coluna sustentáculo do nosso agir; seja ela a ensinar-nos quando devemos avançar e quando devemos recuar um passo; seja ela a fazer-nos ler a pequenez das nossas ações no grande projeto de salvação de Deus e na majestade misteriosa da sua obra.

Para nos ajudar a compreender isto, deixemo-nos encantar por esta estupenda oração, vulgarmente atribuída ao Beato Óscar Arnulfo Romero mas pronunciada pela primeira vez pelo Cardeal John Dearden:

«De vez em quando ajuda-nos recuar um passo e ver de longe.
O Reino não está apenas para além dos nossos esforços,
está também para além das nossas visões.
Na nossa vida, conseguimos cumprir apenas uma pequena parte
daquele maravilhoso empreendimento que é a obra de Deus.
Nada daquilo que fazemos está completo.
Isto quer dizer que o Reino está mais além de nós mesmos.
Nenhuma afirmação diz tudo o que se pode dizer.
Nenhuma oração exprime completamente a fé.
Nenhum credo contém a perfeição.
Nenhuma visita pastoral traz consigo todas as soluções.
Nenhum programa cumpre plenamente a missão da Igreja.
Nenhuma meta ou objetivo atinge a dimensão completa.
Disto se trata:
plantamos sementes que um dia nascerão.
Regamos sementes já plantadas,
sabendo que outros as guardarão.
Pomos as bases de algo que se desenvolverá.
Pomos o fermento que multiplicará as nossas capacidades.
Não podemos fazer tudo,
mas dá uma sensação de libertação iniciá-lo.
Dá-nos a força de fazer qualquer coisa e fazê-la bem.
Pode ficar incompleto, mas é um início, o passo dum caminho.
Uma oportunidade para que a graça de Deus entre
e faça o resto.
Pode acontecer que nunca vejamos a sua perfeição,
mas esta é a diferença entre o mestre de obras e o trabalhador.
Somos trabalhadores, não mestres de obras,
servidores, não messias.
Somos profetas de um futuro que não nos pertence».

[1] Exercícios Espirituais, 315.
[2] Cf. Serm. 207, 1: NBA, XXXII/1, 148s.
[3] «A missionariedade não é questão apenas de territórios geográficos, mas de povos, culturas e indivíduos, precisamente porque os “confins” da fé não atravessam apenas lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e mulher. O Concílio Vaticano II pôs em evidência de modo especial como seja próprio de cada baptizado e de todas as comunidades cristãs o dever missionário, o dever de alargar os confins da fé» (Mensagem para o Dia Mundial das Missões de 2013, 2).
[4] Missale Romanum, 2002.
[5] Discurso à Cúria Romana, 21 de Setembro de 1963: AAS 55 (1963), 793-800.
[6] Santo Inácio de Loyola, Exercícios Espirituais, 349.
[7] «A caridade na verdade, que Jesus Cristo testemunhou com a sua vida terrena e sobretudo com a sua morte e ressurreição, é a força propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira. (…) É uma força que tem a sua origem em Deus, Amor eterno e Verdade absoluta» (Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 29 de Junho de 2009, 1: AAS 101 (2009), 641), por isso é preciso «conjugar a caridade com a verdade, não só na direcção assinalada por S. Paulo da “veritas in caritate” (Ef 4, 15), mas também na direcção inversa e complementar da “caritas in veritate”. A verdade há-de ser procurada, encontrada e expressa na “economia” da caridade, mas esta por sua vez há-de ser compreendida, avaliada e praticada sob a luz da verdade» (Ibid., 2).
[8] Um estilo de vida caracterizado pela sobriedade restitui ao homem aquele «comportamento desinteressado, gratuito, estético que brota do assombro diante do ser e da beleza, que leva a ler, nas coisas visíveis, a mensagem do Deus invisível que as criou» (João Paulo II, Carta enc. Centesimus annus, 37; cf. AA.VV., Nuovi stili di vita nel tempo della globalizzazione, Fond. «Apostolicam Actuositatem», Roma 2002).
[9] São João Paulo II disse no «Angelus» de 9 de Julho de 1989: «A expressão “Coração de Jesus” traz de imediato à mente a humanidade de Cristo, e ressalta-lhe a riqueza dos sentimentos, a compaixão para com os enfermos; a predilecção pelos pobres; a misericórdia para com os pecadores; a ternura para com as crianças; a fortaleza na denúncia da hipocrisia, do orgulho e da violência; a mansidão diante dos opositores; o zelo pela glória do Pai e o júbilo pelos seus misteriosos e providentes desígnios de graça (…) recorda depois la tristeza de Cristo pela traição de Judas, o abatimento por causa da solidão, a angústia diante da morte, o abandono filial e obediente nas mãos do Pai. E fala sobretudo do amor que sem cessar brota do seu íntimo: amor infinito para com o Pai e amor sem limites pelo homem».
Fonte: R. Vaticana

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

POSSIVEL VISITA DO PAPA FRANCISCO A AMAZÔNIA

Card. Hummes convida o Papa a visitar a Amazônia


Visita do Papa ao Brasil está programada para 2017 - AP                          
                      
      

Cidade do Vaticano (RV) –

O Papa Francisco na Amazônia? É o que espera o Presidente da REPAM, a Rede Eclesial Pan-Amazônica, Card. Cláudio Hummes, que entregou oficialmente ao Pontífice uma carta convidando-o a visitar uma comunidade indígena.

A visita seria feita no âmbito de sua viagem aos Brasil, em 2017, pelos 300 anos de Aparecida.
 
Card. Hummes:- “O Papa é um homem que tem grande amor pela Amazônia. Está querendo muito ajudar para que a Igreja possa ali realmente desenvolver a sua missão plenamente, cada vez melhor. Então ele nos acompanha muito de perto, com muito carinho. E fará certamente todo o possível para que, de fato, ele possa dar um apoio maior, o que seria simbolicamente muito forte se ele pudesse visitar a Amazônia. Vamos ver. Eu tenho muita confiança, mas ele, é claro, não pode confirmar nada.”
RV:- Qual realidade o senhor gostaria que o Papa conhecesse?
Card. Hummes:- “Os bispos do Pará, do Regional da CNBB Norte 2, enviaram a ele uma carta pedindo que visitasse uma missão. Isso não significa que o Papa visitará esta ou outra comundade indígena. O que sobretudo nós queríamos é que ele visitasse uma comunidade indígena.”
Antes de vir ao Vaticano, onde participou também da abertura da Porta Santa da Basílica de S. Pedro, o Card. Hummes acompanhou em Paris os trabalhos da COP21. O evento se encerra na sexta-feira (11/12), e a expectativa é de que seja alcançado um acordo que limite o aumento da temperatura média do planeta. Para o Cardeal brasileiro, há motivos para se ter esperança neste acordo.

Fonte: R. Vaticana

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Festa da Imaculada Conceição


Tem inicio o Jubileu da Misericórdia

Papa abre a Porta Santa; começa o Jubileu da Misericórdia


Francisco abre a Porta Santa - ANSA      
      

Cidade do Vaticano (RV) –

 “Atravessar hoje a Porta Santa nos compromete a adotar a misericórdia do bom samaritano”: este é o espírito com o qual se deve viver o Jubileu Extraordinário, conforme disse o Papa Francisco na missa celebrada por ocasião da Festa da Imaculada Conceição (08/12), na Praça S. Pedro.
 
Com a cidade de Roma blindada e um forte aparato de segurança, com três mil agentes nas ruas da capital, o afluxo de peregrinos começou na madrugada nos arredores da Praça, que foi aberta às 6h30. Os controles policiais, com a passagem pelo detector de metais, tardaram o ingresso dos fiéis.  Cerca de 50 mil pessoas participaram da celebração.
Pecado e graça
Na homilia que antecedeu a abertura da Porta Santa, o Pontífice recordou o mesmo gesto realizado em Bangui (Rep. Centro-Africana) e ressaltou a primazia da graça: “A festa da Imaculada Conceição exprime a grandeza do amor divino. Deus não é apenas Aquele que perdoa o pecado, mas, em Maria, chega até a evitar a culpa original, que todo o homem traz consigo ao entrar neste mundo. É o amor de Deus que evita, antecipa e salva”.
A própria história do pecado só é compreensível à luz do amor que perdoa, explicou o Papa. “Se tudo permanecesse relegado ao pecado, seríamos os mais desesperados entre as criaturas. A promessa da vitória do amor de Cristo encerra tudo na misericórdia do Pai.”
Também este Ano Santo Extraordinário é dom de graça, prosseguiu Francisco. “Entrar por aquela Porta significa descobrir a profundidade da misericórdia do Pai que a todos acolhe e vai pessoalmente ao encontro de cada um. É Ele que nos procura, que vem ao nosso encontro. Neste Ano, deveremos crescer na convicção da misericórdia.”
Para o Pontífice, é preciso antepor a misericórdia ao julgamento, se quisermos ser justos com Deus. “Ponhamos de lado qualquer forma de medo e temor, porque não corresponde a quem é amado; vivamos, antes, a alegria do encontro com a graça que tudo transforma”, exortou.
Concílio Vaticano II
Em sua homilia, o Papa fez um paralelo com outra porta “escancarada” 50 anos atrás pelos Padres conciliares. O Concílio, afirmou, foi primariamente um encontro; um encontro entre a Igreja e os homens do nosso tempo.
“Trata-se, pois, de um impulso missionário que, depois destas décadas, retomamos com a mesma força e o mesmo entusiasmo. O Jubileu exorta-nos a esta abertura e obriga-nos a não transcurar o espírito que surgiu do Vaticano II, o do Samaritano, como recordou o Beato Paulo VI na conclusão do Concílio. Atravessar hoje a Porta Santa compromete-nos a adotar a misericórdia do bom samaritano.”
Porta Santa
Após a comunhão, teve início o rito de abertura da Porta Santa, na entrada da Basílica de S. Pedro. O diácono convidou os fiéis para a inauguração do Jubileu Extraordinário da Misericórdia com estas palavras: “Abre-se diante de nós a Porta Santa. É o próprio Cristo que, através do mistério da Igreja, nos introduz no consolador mistério do amor de Deus".
Em procissão, os concelebrantes se posicionaram na entrada da Basílica. Também estava presente o Papa Bento XVI. Diante da Porta Santa, o Pontífice fez uma oração e recitou a seguinte fórmula: “Esta é a porta do Senhor. Abri-me as portas da justiça. Por tua grande misericórdia entrarei em tua casa, Senhor”.

O Santo Padre abriu a Porta Santa e se deteve em silêncio em sua entrada. Francisco entrou por primeiro na Basílica de S. Pedro, seguido por Bento XVI, pelos concelebrantes e por alguns representantes de religiosos e fiéis leigos – momento em que foi entoado o Hino do Ano Santo da Misericórdia. No Altar da Confissão, o Papa fez uma oração e concendeu a todos a sua bênção apostólica.
Fonte: R. Vaticana

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Fim das excomunhões

Fim das excomunhões abriu novo caminho nas relações entre ortodoxos e católicos


Bartolomeu I presentou Francisco nesta segunda-feira com uma imagem do histórico abraço no Fanar, Istambul, em 30 de novembro de 2014 - ANSA

 

Cidade do Vaticano (RV) – Há exatos cinquenta anos, na véspera da conclusão do Concílio Vaticano II, uma Declaração comum do Papa Paulo VI e do Patriarca Ecumênico Atenágoras – lida contemporaneamente – anulava as sentenças de excomunhão recíproca entre a Igreja de Roma e a Igreja de Constantinopla, emitidas em 1054 por ocasião do Grande Cisma. No Angelus de domingo, 6, o Papa Francisco recordou aquele “histórico gesto de reconciliação” - que deu início a um novo diálogo entre ortodoxos e católicos -, rezou pelo Patriarca Ecumênico Bartolomeu I e pediu ao Senhor que as relações entre as duas Igrejas “sejam sempre inspiradas no amor fraterno”. Em função da recorrência da data, o Patriarca Ecumênico de Constantinopla enviou ao Papa Francisco um presente, que lhe foi entregue na manhã desta segunda-feira, 7, pelo Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Cardeal Kurt Koch. Trata-se de uma representação do abraço entre o Pontífice e o Patriarca no Fanar, em Istambul, em 30 de novembro de 2014, durante a visita do Pontífice à Turquia. Sobre este importante acontecimento de cinquenta anos atrás, a Rádio Vaticano conversou com o Metropolita da Arquidiocese Ortodoxa da Itália e Malta, Sua Eminência Zervos Gennadios:
“Na minha opinião é um grande e importante passo em frente, pois sem abolição das excomunhões não poderíamos ter a reconciliação, a paz. A revogação das excomunhões – anatemi, em grego – abriu caminho para o diálogo teológico. Este é o passo mais importante. Acredito que com as excomunhões não poderíamos ter avançado como é hoje: as duas Igrejas são irmãs, somos irmãos e caminhamos para uma vida juntos”.

RV: Paulo VI e o Patriarca Atenágoras iniciaram um longo caminho de reaproximação. Podemos dizer que os Patriarcas sucessivos Dimitrius I e agora Bartolomeu, são protagonistas convictos desta vontade de caminhar rumo à unidade?
“Sem dúvida. O Papa é uma personalidade extraordinária do mundo cristão, o próprio Patriarca Bartolomeu também. São dois irmãos, declararam tantas vezes que o respeito entre eles é fraterno, profundo, sincero. São grandes promotores da unidade entre os cristãos. Sentiram no coração a grande responsabilidade: devem realizar a vontade de Deus que todos sejam um. Será um acontecimento realmente histórico e uma grande alegria para toda a cristandade, mas também para todo o mundo, porque assim o mundo acreditará em Jesus Cristo, nosso Salvador”.

RV: O que pensam os fieis da Igreja de Constantinopla, também os fieis dos quais o senhor se ocupa, aqui na Itália, a propósito do caminho em direção à unidade?
”Os fieis do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla – são milhares na Itália – acreditam muito neste divino ideal de que todos sejam um, porque nós trabalhamos aqui, colaboramos com os nossos irmãos católicos, sacerdotes, bispos, arcebispos. Podemos dizer que o nosso progresso espiritual e cultural, devemos também à nossa Igreja irmã Católica, porque nos oferece esta colaboração fraterna. Esta é a linha que oferecemos nas nossas pregações, nas nossas confissões durante os nossos encontros e sempre rezamos por isto. A oração é um grande remédio não somente para a unidade, mas também para a paz e para a solidariedade, para a justiça. E é importante poder iluminar as pessoas que hoje não amam o outro. Nós devemos amar o outro; devemos amar a todos, porque a nossa Igreja – a Igreja de Cristo – é Igreja de amor. Deus é amor”.
Também o Subsecretário do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Dom Andrea Palmieri, falou da importância da revogação das excomunhões recíprocas entre católicos e ortodoxos ocorrida há 50 anos:
“Este passo permitiu o início de um diálogo da caridade no respeito e na compreensão recíproca. Portanto, lançou as bases para podermos continuar juntos um caminho que conduz depois, pouco a pouco, ao diálogo também da verdade e as boas relações que ainda agora cultivamos com a Igreja Ortodoxa”.

RV: Uma nova relação, portanto, iniciada com um comportamento de humildade, o pedido de perdão. E o aniversário cai justamente na véspera do Ano Santo da Misericórdia:
“O Papa sublinhou precisamente que se trata de uma circunstância “providencial”. Não existe um verdadeiro caminho  rumo à unidade sem o perdão recíproco. Pedir antes de tudo perdão a Deus pelo pecado da divisão e depois perdoar-nos uns aos outros, por todos aqueles gestos e aquelas ações que ofenderam uns aos outros”.

RV: Paulo VI e Atenágora sabiam que a Declaração comum não levaria imediatamente à plena comunhão, mas seria o início de um caminho a ser percorrido juntos. Foi isto mesmo que aconteceu?
“Sim, a Declaração lançou as bases para um caminho que continua. Com aquele gesto caíram todas as dificuldades que impediam de superar com o diálogo, a oração, a conversão pessoal, os obstáculos rumo à plena comunhão. Ficou menos relevante, portanto, a recordação da inimizade, da rivalidade. Agora existe espaço para relações inspiradas no amor e isto permite realizar progressos substanciais”.

RV: Segundo a sua experiência, este espaço existe somente nas lideranças ou também nas bases? Os cristãos – católicos e ortodoxos – estão prontos e veem com favor este caminho rumo à unidade?
“Existem tantos sinais que mostram como são acolhidos com alegria todos os passos realizados. Naturalmente, existe muito ainda a ser feito para que os frutos do diálogo sejam recebidos a nível das comunidades locais: dos simples cristãos, mas também no ensinamento da teologia, nas práticas pastorais das diversas Igrejas. Existe tanto trabalho a ser feito, porém, mesmo se por vezes se tem a sensação que se avança lentamente, seguimos na direção correta”.

RV: Posso pedir ao senhor para citar alguns passos dados com sucesso nos últimos 50 anos?
“Me vem em mente a instituição por parte do Papa Francisco de um Dia de Oração pelo Cuidado da Criação. Neste caso foi dado um passo quando o Papa disse ter-se inspirado justamente naquele Dia que o Patriarca Bartolomeu realiza já há diversos anos no Patriarcado Ecumênico. Neste sentido, caminhamos em defesa da Criação, um tema muito importante e atual. Outros resultados são aqueles do diálogo teológico: basta recordar-se do Documento de Ravenna em 2007, onde pela primeira vez católicos e ortodoxos juntos, reconhecem a necessidade de um Primado a nível também da Igreja universal. Claramente é ainda necessário descrever de que modo este primado deve ser aceito, para que seja aceito pela Igreja Católica e pela Igreja Ortodoxa”.

RV: Ao ouvir as palavras do Papa pronunciadas no Angelus de domingo, o que lhe passou pela cabeça, justamente o senhor que trabalha na área do diálogo ente os cristãos?
“Fiquei muito feliz em ver como o Papa acompanha com atenção este diálogo e como realmente apoie os progressos que continuamente são feitos; e apoia não somente com a sua oração, mas também com sinais importantes. Pensemos ao tema da sinodalidade, tão caro ao Papa Francisco, que acaba tendo também forte relevância ecumênica nas relações com a Igreja Ortodoxa”. (JE)

Fonte: R. Vaticana

Dia Mundial de Oração pelas Vocações

 

Mensagem do Papa para 53º Dia Mundial de Oração pelas Vocações


Papa Francisco preside Missa com ordenações sacerdotais, domingo, 26 de abril de 2015 - RV                              
      

Cidade do Vaticano (RV) - “Como gostaria que todos os batizados pudessem, no decurso do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, experimentar a alegria de pertencer à Igreja!”: com essas palavras, o Santo Padre inicia a mensagem para o 53º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, a ser celebrado em 17 de abril de 2016, no IV Domingo da Páscoa (Domingo do Bom Pastor).
 
“A Igreja é a casa da misericórdia e também a «terra» onde a vocação germina, cresce e dá fruto”, diz o Papa Francisco na mensagem que tem como tema “A Igreja, mãe de vocações”.
A conversão e a vocação são como que duas faces da mesma medalha, interdependentes continuamente em toda a vida do discípulo missionário, observa o Pontífice, acrescentando que o chamado de Deus se dá através da mediação comunitária. Deus chama-nos a fazer parte da Igreja e, depois dum certo amadurecimento nela, dá-nos uma vocação específica.
O caminho vocacional é feito juntamente com os irmãos e as irmãs que o Senhor nos dá: é uma con-vocação. “O dinamismo eclesial da vocação é um antídoto contra a indiferença e o individualismo”, lê-se na mensagem.
Neste Dia dedicado à oração pelas vocações, diz o Papa, desejo exortar todos os fiéis a assumirem as suas responsabilidade no cuidado e discernimento vocacionais.
A vocação nasce na Igreja
“Desde o despertar duma vocação, é necessário um justo «sentido» de Igreja. Ninguém é chamado exclusivamente para uma determinada região, nem para um grupo ou movimento eclesial, mas para a Igreja e para o mundo”, afirma o Papa acrescentando ser a eclesialidade um sinal claro da autenticidade dum carisma, a sua capacidade de integrar-se harmonicamente na vida do povo santo de Deus para o bem de todos.
A vocação cresce na Igreja
Durante o processo de formação, os candidatos às diversas vocações precisam conhecer cada vez melhor a comunidade eclesial, superando a visão limitada que todos temos inicialmente.
Com tal finalidade, observa Francisco, é oportuno fazer alguma experiência apostólica juntamente com outros membros da comunidade, como, por exemplo, experimentar a evangelização nas periferias juntamente com uma comunidade religiosa; conhecer melhor a missão ad gentes em contato com os missionários; e, com os sacerdotes diocesanos, aprofundar a experiência da pastoral na paróquia e na diocese.
A vocação é sustentada pela Igreja
Papa o Santo Padre, “depois do compromisso definitivo, o caminho vocacional na Igreja não termina, mas continua na disponibilidade para o serviço, na perseverança e na formação permanente. Quem consagrou a própria vida ao Senhor, está pronto a servir a Igreja onde esta tiver necessidade”.
Após citar Paulo e Barnabé como exemplo dessa disponibilidade eclesial, Francisco acrescenta que “os missionários são acompanhados e sustentados pela comunidade cristã, que permanece uma referência vital, como a pátria visível onde encontram segurança aqueles que realizam a peregrinação para a vida eterna”.
Dentre os agentes pastorais, revestem-se de particular relevância os sacerdotes. Por meio do seu ministério, torna-se presente a palavra de Jesus que disse: «Eu sou a porta das ovelhas (...). Eu sou o bom pastor» (Jo 10, 7.11).
O cuidado pastoral das vocações é uma parte fundamental do seu ministério, observa. Os sacerdotes acompanham tanto aqueles que andam à procura da própria vocação, como os que já ofereceram a vida ao serviço de Deus e da comunidade.
O Papa conclui ressaltando a solicitude da Igreja mediante uma cuidadosa seleção dos candidatos ao ministério ordenado e à vida consagrada, exortando a pedirmos ao Senhor que conceda “a todas as pessoas que estão a realizar um caminho vocacional, uma profunda adesão à Igreja; e que o Espírito Santo reforce, nos Pastores e em todos os fiéis, a comunhão, o discernimento e a paternidade ou maternidade espiritual”.

Fonte: R. Vaticana

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

PAPA FRANCISCO SAINDO DA AFRICA

E o preservativo? É uma questão "moralmente complicada"


Papa Francisco admite que a aprovação do uso de preservativo no combate à sida é "complicada", mas defendeu que o mundo enfrenta problemas maiores
 
Na véspera do Dia Mundial da Luta contra a Sida, o papa foi questionado, a bordo do avião que o levava de volta a Roma, após uma visita a África, onde o vírus da sida continua a ser uma das principais causas de morte, sobre a controversa oposição que a igreja católica tem mantido em relação ao uso de preservativo no combate à doença, admitindo perante os jornalistas que a questão "é moralmente complicada para a Igreja", mas recusou iniciar um debate sobre o tema.
A Igreja Católica tem persistentemente defendido que a melhor forma de combate à sida é a abstinência sexual.
A agência noticiosa France Presse relata que o papa admitiu, de forma contrariada, que o preservativo "é um dos métodos" que pode prevenir o alastramento do vírus, e, consequentemente, da doença, mas não ficou satisfeito por o tema ter sido levantado.
"Quando as pessoas estão a morrer de sede e de fome (...), a sua questão parece demasiado limitada", disse o papa ao jornalista que o questionou sobre aquele tópico.
O papa defendeu que "o problema é mais vasto do que isso", enumerando a fome, o trabalho escravo, a falta de água potável e o tráfico de armas como exemplos.
O antecessor de Francisco, o agora papa emérito Bento XVI, numa visita aos Camarões e a Angola em 2009, foi duramente criticado por ter recusado qualquer cedência da igreja na questão do uso do preservativo, mas um ano mais tarde acabaria por publicar um livro onde revelava uma ligeira abertura a uma mudança de posição, admitindo que o uso de preservativo se poderia justificar em alguns casos, ainda que não fosse "uma solução moral" para o problema.

Fonte: DN - pt
PAPA FRANCISCO SE DESPEDE DA AFRICA

Papa encerra viagem à África com grande missa em Bangui

Francisco pediu à República Centro-Africana que trabalhe pela paz.
Papa visitou também nos seis últimos dias Quênia e Uganda.

Da EFE

 
Papa Francisco já dentro de avião que o levará de volta a Roma (Foto: Daniel Dal Zennaro / Reuters)Papa Francisco já dentro de avião que o levará de volta a Roma (Foto: Daniel Dal Zennaro / Reuters)
 
O papa Francisco celebrou nesta segunda-feira (30) uma grande missa no estádio de Bangui, capital da República Centro-Africana, para encerrar sua primeira visita à África, uma cerimônia na qual pediu que os cidadãos do país se perdoem mutuamente e trabalhem juntos pela paz.
O pontífice, que nos seis últimos dias também visitou Quênia e Uganda, voltou a se encontrar com uma grande multidão de fiéis na cerimônia realizada no complexo de Barthélémy Boganda.

Papa Francisco chega a estádio em Bangui em papamóvel cercado por seguranças (Foto: Stefano Rellandini / Reuters)Papa Francisco chega a estádio em Bangui em papamóvel cercado por seguranças (Foto: Stefano Rellandini / Reuters)
 
A última missa celebrada pelo papa antes de partir de volta ao Vaticano foi recheada, como nas outras realizadas na viagem africana, de danças e cânticos dos fiéis. O papa reiterou a mensagem central de sua visita à África: "dialogar com quem é diferente".
"É preciso perdoar quem nos prejudicou, nos comprometer a construir uma sociedade mais justa e fraterna, na qual ninguém se sinta abandonado", afirmou o papa Francisco.
"Vocês, queridos centro-africanos, devem olhar, sobretudo, ao futuro e, apoiando-se no caminho já percorrido, decidir com determinação a inaugurar uma nova etapa na história cristã do seu país, rumo a novos horizontes", acrescentou o pontífice.

Papa Francisco durante missa em Bangui (Foto: Stefano Rellandini / Reuters)Papa Francisco durante missa em Bangui (Foto: Stefano Rellandini / Reuters)
 
Francisco chegou por volta das 9h15 locais (6h15 em Brasília) a um estádio lotado com 30 mil pessoas, usando um papamóvel aberto e mais rudimentar do que em outras ocasiões, mas protegido por um grande número de guarda-costas e seguranças.
Curiosamente, o último grande ato realizado no local foi um comício do ex-presidente François Bozizé dias antes do golpe de Estado dos rebeldes Séléka, do norte muçulmano, em março de 2013.
A ascensão dos insurgentes provocou uma espiral de violência contra as comunidades e milícias civis cristãs, religião majoritária no país.
O papa foi recebido pela presidente do governo de transição, Catherine Samba-Panza, na tribuna de autoridades. Ao contrário do que ocorreu no Quênia e em Uganda, não houve "selfies". Os centro-africanos, que estão entre os mais pobres do continente, se conformaram em agitar bandeiras e aplaudir Francisco.
A primeira viagem do papa à África teve seis dias de fervor católico e mensagens focadas na paz e no respeito ao meio ambiente.

Fonte: G1

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

PAPA FRANCISCO NA AFRICA

Papa aos muçulmanos: não ao ódio e à violência em nome de Deus


Papa Francisco com refugiados em Bangui - ANSA

Na manhã desta segunda-feira (30/11), o Papa Francisco teve encontrou com a comunidade muçulmana, na Mesquita Central de Koudoukou, em Bangui. No seu discurso Francisco agradeceu aprticularmente ao Imã Tidiani Mousa Naibi pelas amáveis palavras de boas-vindas.
Em seguida o Papa sublinhou os legames de fraternidade que unem cristãos e muçulmanos, e o empenho a que são chamados para se comportarem como tais. Na verdade, sabemos bem que as violências que abalaram recentemente o vosso país não se fundavam em motivos propriamente religiosos, antes pelo contrário, quem afirma crer em Deus deve ser também um homem ou uma mulher de paz, e na RCA cristãos, muçulmanos e membros das religiões tradicionais viveram juntos, em paz, durante muitos anos, disse Francisco, tendo também acrescentado:
«Por isso, devemos permanecer unidos, para que cesse toda e qualquer acção que, dum lado e doutro, desfigura o Rosto de Deus e, no fundo, visa defender, por todos os meios, interesses particulares em detrimento do bem comum. Juntos, digamos não ao ódio, à vingança, à violência, especialmente aquela que é perpetrada em nome duma religião ou de Deus. Deus é paz, salam ».
O Papa recordou depois o importante papel dos líderes religiosos cristãos e muçulmanos nestes momentos difíceis para restabelecer a harmonia e a fraternidade entre todos, e citou em particular os gestos de solidariedade que cristãos e muçulmanos tiveram para com os seus compatriotas, mesmo de outras confissões religiosas, durante a crise no País. E em vista às próximas eleições o Papa disse esperar que elas possam dar ao País Responsáveis que saibam unir os centro-africanos, tornando-se assim símbolos da unidade da nação em vez de representantes duma facção:
« Encorajo-vos vivamente a fazer do vosso país uma casa acolhedora para todos os seus filhos, sem distinção de etnia, filiação política ou confissão religiosa. A República Centro-Africana, situada no coração da África e graças à colaboração de todos os seus filhos, poderá dar a todo o continente um impulso nesta direcção, e poderá influenciá-lo positivamente e ajudar a extinguir os focos de tensão presentes nele e que impedem os africanos de beneficiar do desenvolvimento que merecem e a que têm direito ».
A terminar o Papa convidou a comunidade muçulmana a rezar e a trabalhar pela reconciliação, a fraternidade e a solidariedade entre todos, sem esquecer as pessoas que mais sofreram com estes acontecimentos. « Que Deus vos abençoe e proteja! » - concluiu Francisco.
Fonte: R. Vaticano
PAPA FRANCISCO NA AFRICA

Papa com jovens em Bangui: resistir à guerra e à divisão


Jovens saudam o Papa Francisco - AP

Foi depois da Missa na Catedral de Bangui e da Solene Abertura da Porta Santa da Catedral, com a qual foi inaugurado o Jubileu da Misericórdia na República Centro-Africana que o Papa deu início à Vigília de Oração com os jovens na noite deste domingo dia 29 de novembro.
O Santo Padre, antes de confessar alguns jovens no átrio da Catedral discursou de improviso à multidão. Disse-lhes:
“A estrada que lhes é proposta neste momento difícil de guerra e divisão é a estrada da resistência. Fugir dos desafios da vida jamais é uma solução. É preciso resistir, ter a coragem para resistir e lutar pelo bem! Quem foge, não tem coragem de dar vida”.
Como podemos resistir? – perguntou o Papa.
“Antes de tudo: a oração. A oração é poderosa. A oração vence o mal. A oração nos aproxima de Deus que é Todo-Poderoso”.
“Em segundo lugar: trabalhar pela paz. A paz não é um documento que se assina e fica na gaveta. A paz faz-se todos os dias. A paz é um trabalho de artesãos, faz-se com as mãos. Faz-se com a própria vida”.
“Não odiar, jamais! Se alguém te faz mal, procure perdoar. Nada de ódio. Muito perdão. Digamos juntos, nada de ódio, muito perdão!”
“Se você não tiver ódio no coração, se perdoares, serás um vencedor! Porque serás vencedor da mais difícil batalha da vida: vencedor no amor! E pelo amor, vem a paz”.
“Somente se vence pela estrada do amor. É possível amar o inimigo? Sim! Podemos perdoar quem nos fez mal? Sim! Assim, com o amor e com o perdão, vocês serão vencedores”.
“Com o amor, vocês serão vencedores na vida e darão vida sempre. O amor jamais fará de vocês derrotados. Corajosos no amor, no perdão e na paz!”,
Ao dizer que estava muito contente de poder encontrar os jovens, Francisco finalizou:
“Hoje abrimos esta Porta, isto significa a Porta da Misericórdia de Deus. Confiem em Deus, porque ele é misericordioso. Ele é amor. Ele é capaz de dar a vocês a paz”.

Fonte: R. Vaticano
PAPA FRANCISCO NA AFRICA

Papa: depor instrumentos de morte, armar-se de amor e misericórdia


Papa Francisco no início da celebração em Bangui - AP                            

 
Na tarde deste I domingo do Advento (29/11), na Catedral de Bangui, o Papa Francisco procedeu à abertura da Porta Santa, dando assim início ao Jubileu Extraordinário do Ano da Misericórdia na República Centro-Africana, Jubileu proclamado pelo Papa a 11 de abril deste ano. Na homilia da Missa, participada por sacerdotes, religiosos, seminaristas e milhare de fiéis da RCA, o Papa disse ante de tudo que Deus guiou os seus passos até esta terra, precisamente quando a Igreja universal se prepara para inaugurar o Ano Jubilar da Misericórdia. E na pessoa dos presentes Francisco saudou o pvo da RCA:
“Através de vós, quero saudar todos os centro-africanos, os doentes, as pessoas idosas, os feridos pela vida. Talvez alguns deles estejam desesperados e já não tenham força sequer para reagir, esperando apenas uma esmola, a esmola do pão, a esmola da justiça, a esmola dum gesto de atenção e bondade».
Em seguida o Papa convidou a todos a confiar na força e no poder de Deus que curam o homem, convidando-os a «passar à outra margem», como diz o moto da visita do Papa à RCA, uma travessia, reiterou o Papa, que não faremos sozinhos mas juntamente com Jesus. E Francisco sublinhou :
« Devemos estar cientes de que esta passagem para a outra margem só se pode fazer com Ele, libertando-nos das concepções de família e de sangue que dividem, para construir uma Igreja-Família de Deus, aberta a todos, que cuida dos mais necessitados. Isto pressupõe a proximidade aos nossos irmãos e irmãs, isto implica um espírito de comunhão. Não se trata primariamente duma questão de recursos financeiros; realmente basta compartilhar a vida do Povo de Deus, dando a razão da esperança que está em nós e sendo testemunhas da misericórdia infinita de Deus”.
Na verdade, depois de nós mesmos termos feito a experiência do perdão, devemos perdoar, pois uma das exigências essenciais da vocação à perfeição é o amor aos inimigos, um amor que nos protege contra a tentação da vingança e contra a espiral das retaliações sem fim, disse Francisco que também acrescentou:
“Consequentemente os agentes de evangelização devem ser, antes de mais nada, artesãos do perdão, especialistas da reconciliação, peritos da misericórdia. É assim que podemos ajudar os nossos irmãos e irmãs a «passar à outra margem», revelando-lhes o segredo da nossa força, da nossa esperança, e da nossa alegria que têm a sua fonte em Deus, porque estão fundadas na certeza de que Ele está connosco no barco”.
Comentando os textos litúrgicos do domingo, o Papa falou de algumas características da salvação anunciada por Deus. Antes de tudo a felicidade de Deus é justiça. Aqui, como noutros lugares, muitos homens e mulheres têm sede de respeito, justiça, equidade, sem avistar no horizonte qualquer sinal positivo para eles, o Salvador vem trazer o dom da sua justiça, vem tornar fecundas as nossas histórias pessoais e colectivas, as nossas esperanças frustradas e os nossos votos estéreis, reiterou Francisco.
A salvação de Deus tem igualmente o sabor do amor, continuou o Papa,  e o Filho nos veio revelar um Deus que não é só Justiça mas também e antes de tudo Amor. Em todos os lugares, mas sobretudo onde reinam a violência, o ódio, a injustiça e a perseguição, os cristãos são chamados a dar testemunho deste Deus que é Amor.
E por último, a salvação de Deus é força invencível que triunfará sobre tudo. Deus é mais forte que tudo, e esta convicção dá ao crente serenidade, coragem e força de perseverar no bem frente às piores adversidades. E Papa Francisco concluiu com um importante apelo:
“A todos aqueles que usam injustamente as armas deste mundo, lanço um apelo: deponde esses instrumentos de morte; armai-vos, antes, com a justiça, o amor e a misericórdia, autênticas garantias de paz».
E aos discípulos de Cristo, sacerdotes, religiosos, religiosas ou leigos comprometidos na RCA, este desafio e missão: «a vossa vocação é encarnar o coração de Deus no meio dos vossos concidadãos».

Fonte: R. Vaticano

PAPA FRANCISCO NA AFRICA

Porta Santa de Bangui: o início do Jubileu da Misericórdia


Papa Francisco abre a Porta Santa da Catedral de Bangui - REUTERS                            

O Papa Francisco abriu a Porta Santa da Catedral de Bangui na tarde deste domingo. Nas palavras pronunciadas antes da abertura solene o Santo Padre declarou Bangui a capital espiritual do mundo neste dia 29 de novembro. Francisco deu, assim, início ao Jubileu da Misericórdia em Bangui. Segue-se a Missa na Catedral com bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas da República Centro Africana.
Depois do Acto penitencial, Francisco introduziu o rito da abertura da Porta Santa da Catedral sublinhando que na RCA, terra sofredora, estão todos os País do mundo que passam pela experiência da guerra.
Bangui torna-se hoje a capital da oração pela paz, continuou Francisco, a capital spiritual do mundo, peçamos todos paz, misericórdia, reconciliação, perdão, amor.
Papa Francisco disse ainda que para a RCA e para todos os Países que sofrem pela guerra pedimos a paz. E a todos pediu para repetirem: “doyé siriri” (dá-nos a paz).
Em seguida o Santo Padre fez a oração de abertura da Porta da misericórdia:
“Senhor Deus, Pai de misericórdia,
Tu concedes à tua Igreja
Este tempo de penitência e perdão,
para que ele tenha a alegria
de se renosa interiormente
pela obra do Espírito Santo
e caminhar sempre mais fielmente pelos teus camino
permanecendo no mundo
como sinal de salvação e redenção;
digna-te responder às nossas esperanças:
abre-nos completamente
a porta da tua misericórdia,
para nos abri rum dia
as pirtas da tua morada no céu
onde Jesus, teu Filho e primeiro de entre os homens,
nos precedeu, para te podermos, todos juntos,
por toda a eternidade.
Por Cristo, Nossos Senhor »
R/. Amen

Fonte: R. Vaticano
PAPA FRANCISCO NA AFRICA

Deus não faz diferença entre os que sofrem – Papa em Bangui


- REUTERS          

 
Na tarde deste domingo o Papa foi à Faculdade de Teologia Evangélica de Bangui para um encontro ecuménico com as comunidades evangélicas da RCA. Faculdade fundada em 1977 pela Associação dos Evangélicos em África para servir todas as Igrejas na proclamação da mensagem do Reino de Deus, explicou o Decano da Faculdade, Napanga Weanzana ao acolher o Santo Padre. Ele disse apreciar a simplicidade, humildade e generosidade do Papa Francisco que vai na linha do caminho traçado por Cristo. Acrescentou que a visita do Papa trará certamente à RCA uma era nova na via da paz e da reconciliação.
Por sua vez, o Presidente da Aliança dos Evangélicos na RCA, Nicolas Guerekoyame Gbangou manifestou a grande alegria de todos pela visita do Papa Francisco nesta hora difícil que o país está a viver devido às turbulências político-militares  que envenenam as condições de vida da população. Uma visita que acontece 30 anos depois da de João Paulo II, em 1985, o que levou Nicolas Gbangou a dizer que mais vale tarde do que nunca, mas a agradecer, contudo, a Deus por ter tornado possível esta visita do Papa Francisco.
Neste momento em que o país se prepara para as eleições, Gbangou frisou que as esperanças ligadas à visita do Papa se prendem com a de levar o país à normalidade democrática; à restauração da paz através do perdão; à tolerância, à coesão social; à esperança de ver restabelecidas no país as condições de segurança favoráveis ao desenvolvimento sócio-económico.
Expectativas – disse – que se inscrevem bem na linha de acção do Papa e relacionadas com o ambiente, a reforma do governo da Igreja e o Sínodo sobre a família.
Gbangou disse ainda que a Igreja na RCA, através da Plataforma Inter-religiosa está a trabalhar a favor da paz e que com esta sua visita o Papa manifesta a sua compaixão para com o povo centro-africano, oferecendo-lhe um modelo de amor a ser vivido quotidianamente. Só o amor de Deus – acrescentou – pode unir os corações divididos e gerar o perdão, a tolerância e a paz.
E solicitou o apoio do Santo Padre sobretudo no que toca ao desarmamento dos grupos armados; à reabilitação das Forças Armadas Centro-africanas; à reabilitação de certos projectos da Plataforma das Confissões Religiosas, de modo particular a criação de uma estação de rádio, de escolas e de centros de saúde inter-comunitários.
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O Papa Francisco “num profundo sentimento de amor fraterno” declarou-se feliz por ter a ocasião de encontrar os Evangélicos, dizendo “Estamos todos aqui ao serviço do mesmo Senhor ressuscitado” e recordou que pelo baptismo comum os cristãos são todos convidados “a anunciar a alegria do Evangelho aos homens e mulheres deste amado país da África Central”. E no contexto de sofrimento em que vivem os centro-africanos o anuncio do Evangelho se torna ainda mais urgente e necessário.
Dizendo que “Deus não faz diferença entre aqueles que sofrem, o Papa voltou a usar a expressão “ecumenismo de sangue”  para dizer que “todos no país, sem distinção, sofrem com a injustiça e o ódio cego que o diabo desencadeia”. E exprimiu a sua “proximidade e solidariedade ao Pastor Nicolas, cuja casa foi recentemente saqueada e queimada bem como a sede da sua comunidade” .
Este sofrimento comum e esta missão comum são, para o Papa Francisco, “uma oportunidade providencial para fazer avançar no caminho da unidade, sendo, para isso mesmo, um meio espiritual indispensável”.
 “A divisão dos cristãos é um escândalo”, porque contrária à vontade de Deus” e perante este mundo dilacerado por ódios e violências – disse o Papa, que exprimiu apreço pelo espírito de respeito mútuo e de colaboração que existe entre os cristãos da RCA. E encorajou-os a avançarem por este caminho num serviço comum de caridade. É um testemunho prestado a cristo, que constrói a unidade.
E exortou-os a juntarem cada vez mais “à perseverança e à caridade, o serviço da oração e da reflexão em comum, procurando um melhor conhecimento recíproco, uma maior confiança e amizade rumo á plena comunhão”

Fonte: R. Vaticano

domingo, 29 de novembro de 2015

PAPA FRANCISCO NA AFRICA

Uganda: Discurso do Papa Francisco na Casa da Caridade de Nalukolongo


Uganda: Papa Francisco na Casa da Caridade em Nalukolongo - REUTERS

                              

CAMPALA: DISCURSO DO PAPA FRANCISCO NA CASA
DA CARIDADE DE NALUKOLONGO
 
 No Uganda o Papa Francisco visitou, na tarde deste sábado, 28 de Novembro a Casa da caridade de Nalukolongo. Trata-se de uma estrutura fundada em 1978 e que foi confiada às Irmãs do Bom Samaritano. Sob a designação de casa de Mapeera Bakateyamba abriga, atualmente, 100 pessoas, dentre idosos, portadores de deficiências e pessoas sem-tecto, independentemente da sua religião.
 A iniciativa da fundação dessa casa de caridade partiu  do falecido cardeal ugandês Dom Emmanuel Kikwanuda Nsubuga, por muitos anos arcebispo de Campala e que o Papa Francisco recordou no seu discurso que em seguida sintetizamos.
“Queridos amigos!
São essas as palavras com que o papa Francisco iniciou o seu discurso tendo prosseguido nestes termos:
Obrigado pela vossa calorosa recepção. Grande era o meu desejo de visitar esta Casa da Caridade, que o Cardeal Nsubuga fundou aqui em Nalukolongo. Este lugar sempre apareceu associado com o empenho da Igreja a favor dos pobres, dos deficientes e dos doentes. Aqui, nos primeiros tempos, foram resgatadas da escravidão mulheres e crianças que aqui receberam uma educação religiosa. Saúdo as Irmãs do Bom Samaritano, que continuam esta obra estupenda, e agradeço os seus anos de serviço silencioso e feliz no apostolado.
Em seguida o Papa Francisco dirigiu-se aos diversos grupos de apostolado ai presentes com essas palavras:
Saúdo também os representantes de muitos outros grupos de apostolado, que cuidam das necessidades dos nossos irmãos e irmãs na Uganda. Penso, em particular, no grande e frutuoso trabalho feito com as pessoas doentes de aids. Saúdo de modo especial a quem habita nesta Casa e noutras como esta, e a quantos beneficiam das obras da caridade cristã. É que esta é mesmo uma casa! Aqui pode-se encontrar carinho e solicitude; aqui pode-se sentir a presença de Jesus, nosso irmão, que ama cada um de nós com o amor próprio de Deus.
Mais adiante o Papa Francisco dirigiu um apelo a todas as paroquias ugandesas, nestes termos
 A partir desta Casa, quero hoje dirigir um apelo a todas as paróquias e comunidades presentes na Uganda e no resto da África – para que não esqueçam os pobres. O Evangelho impõe-nos sair para as periferias da sociedade a fim de encontrarmos Cristo na pessoa que sofre e em quem passa necessidades.
O Papa prosseguiu em tom grave naquilo que tem sido uma constante nos seus discursos, isto é, o cuidado dos anciãos, os pobres e a nova escravatura de trafico de seres humanos, nestes termos: 
O Senhor nos diz, em termos inequívocos, que nos julgará sobre isto. É triste quando as nossas sociedades permitem que os idosos sejam descartados ou esquecidos. É reprovável quando os jovens são explorados pela escravidão actual do tráfico de seres humanos.
Se olharmos atentamente para o mundo ao nosso redor, parece que em muitos lugares prevalecem o egoísmo e a indiferença. Quantos irmãos e irmãs são vítimas da cultura actual do ‘usa e bota fora’, que gera desprezo, sobretudo para com crianças nascituras, jovens e idosos.
Como cristãos, não podemos ficar simplesmente a olhar. Alguma coisa tem de mudar! As nossas famílias devem tornar-se em sinais ainda mais evidentes do amor paciente e misericordioso de Deus não só pelos nossos filhos e os nossos idosos, mas por todos aqueles que passam necessidades.
As nossas paróquias não devem fechar as portas e os ouvidos ao grito dos pobres. Trata-se da via-mestra do discipulado cristão. É assim que damos testemunho do Senhor que veio, não para ser servido, mas para servir. Assim mostramos que as pessoas contam mais do que as coisas, e que aquilo que somos é mais importante do que o que possuímos. De fato, é justamente naqueles que servimos que Cristo Se nos revela cada dia a Si mesmo e prepara a recepção que esperamos ter um dia no seu Reino eterno.
Queridos amigos, com gestos simples, com actos simples e devotos que honram a Cristo nos seus irmãos e irmãs mais pequeninos, façamos entrar a força do seu amor no mundo, para mudá-lo realmente.
 Ao terminar o seu discurso o Papa agradeceu a generosidade e caridade dos ugandeses e a todos estendeu a Sua bênção com estas palavras:
Mais uma vez agradeço a vossa generosidade e caridade. Lembrar-me-ei de vós nas minhas orações e peço, por favor, que rezeis por mim. Confio-vos a todos à ternurenta protecção de Maria, nossa Mãe, e concedo a todos a minha bênção. Omukama Abakuume! (Que Deus vos proteja!)”.
Fonte: R. Vaticano